O mundo tinha mudado outra vez, os heróis triunfaram no final, derrotando Thanos de uma vez por todas, mas tendo trágicas consequências como preço a se pagar. Alguns deles tinham caído para sempre, seu sacrifício feito para um bem maior, algo com que Sigyn estava bem acostumada.
Essa última batalha tinha mexido ainda mais com Thor, presente nela, vivenciando as perdas dos companheiros de batalha mais uma vez. Ele precisaria encontrar propósito em outro lugar. Convencê-lo a ficar seria em vão, como Sigyn se lembrava bem, ele sempre foi muito cabeça dura, embora ela tenha tentado. Coube a ela apenas se despedir, esperando que ele ficasse bem e encontrasse o que fosse que estivesse procurando além das estrelas.
Ela continuou com suas principais ocupações no momento, sendo a enfermeira chefe do hospital de Nova Asgard e como mãe de dois meninos, que na sua opinião, estavam crescendo rápido demais. Loki continuava vivo nas histórias que ela contava, ainda assim, a saudade apertava a cada dia, era impossível se desvencilhar do amor que insistia em existir. Com tantas pessoas com seus entes queridos de volta, passou-se pela cabeça dela se de alguma forma, Loki também não tinha voltado à vida, em algum lugar, em qualquer universo.
Procurar por isso talvez a tirasse de órbita, Sigyn tinha consciência que talvez isso se tornasse uma obsessão sem sentido. Jurou que faria isso uma vez e então não faria mais nada, era só uma curiosidade que queria saciar. Conjurando um velho feitiço, o qual nunca usou em sua vida, Sigyn liberou por todo o universo conhecido um sinal que encontrasse Loki e a avisasse de seu estado, ao menos, o Loki com quem ela tinha se casado. Reforçando seu lado esperançoso, sua resposta tinha sido positiva. De alguma forma, Loki estava vivo, só não sabia onde ou porque ou como. Se ele estava vivo, tinha que acreditar que, de alguma forma, ele voltaria para a família, tinha que confiar no amor dele por ela e seus filhos.
Ainda assim, Sigyn procurou não se iludir, não alimentaria falsas esperanças, talvez ela nunca mais o veria novamente, porém, depois de um tempo, sua esperança se mostrou ter valor.
Cuidando do jardim de casa, onde podia se dedicar a outra atividade que amava, focada completamente no que estava fazendo, mal percebeu o portal que se formou atrás dela. A presença de magia então a despertou da sua concentração, se voltando para trás, viu a figura que conhecia tão bem. Ele estava diferente da última vez que o tinha visto, mas ainda assim, era ele.
-Isso é uma alucinação? - ela deixou escapar, observando o visitante com olhos arregalados e sentindo o fôlego lhe escapar.
-Sinceramente, eu espero que não - Loki respondeu a ela com o mesmo espanto.
Sem mais dúvidas, apenas correram ao encontro um do outro em um abraço apertado, verificando que sim, ambos eram muito reais e vivos. O beijo desesperado veio dos dois lados, uma mistura de saudade, felicidade, alívio. Estavam os dois reunidos novamente, nem o universo poderia os separar.
-Como... como você está aqui? - ela disse, admirada, o observando enquanto segurava seu rosto.
-É uma longa história, espero que tenha tempo de me ouvir - ele falou de bom humor, rindo pelo alívio de estar com a esposa outra vez.
Ele a acompanhou de volta até a casa, com Loki observando tudo em volta, parecia ser perfeita para ela. Até ele notar algumas coisas peculiares.
-Há crianças aqui? Você... por acaso se casou de novo? - ele quis saber, com medo do que poderia ter acontecido.
-Não, eu nunca consegui, eu... essa versão sua não soube que eu estava grávida- ela percebeu, admirada - é que eu contei quando você foi preso,
-Não me mostraram isso na TVA - ele percebeu, admirado.
-Mas me conta logo o que aconteceu com você, eu sei que tem perguntas, mas acredite eu tenho muito mais, me conte - Sigyn implorou, curiosa e intrigada.
Ele então a obedeceu com alegria e se pôs a contar sua própria jornada até agora. O que Loki fez questão de deixar claro era que ele não era o mesmo Loki que tinha salvado Asgard e morrido na nave de fuga pelas mãos de Thanos, mas entendia que tudo isso tinha acontecido, e tinha descoberto isso da pior maneira possível. Ainda assim, ele era o mesmo príncipe com quem Sigyn tinha casado e o pai de Narfi e Vali. Ele tinha trabalhado nos últimos tempos para capturar uma versão má sua, que no fim das contas não era tão má, chamada Sylvie, e depois eles tiveram que impedir que o multiverso se colapsasse sobre ele mesmo. Por fim, ele recebeu a recompensa de poder voltar para casa, e ali estava ele.
-Isso é uma loucura, tudo isso que você passou, e nós enquanto isso, passamos por um montão de coisas loucas também, mas acho que finalmente vamos ter alguma paz - Sigyn respondeu a toda a história.
-Até o próximo inimigo aparecer - ele comentou de forma mais fechada.
-Não, não seja agourento, não estrague esse momento - ela recomendou.
-Sim, senhora - ele concordou, beijando sua testa - não faz ideia do quanto eu senti falta das suas broncas.
-E eu dos seus comentários sarcásticos - ela retrucou, o abraçando mais uma vez.
Retornando da escola após o que parecia ser um dia comum, Narfi e Vali encontraram a cena mais improvável em sua sala de visitas. Seus pais conversando juntos, e o pai deles parecia bem real.
-São eles... - Loki parou o que estava fazendo para observar os filhos.
-Pai? - Narfi deu o primeiro passo, ainda um pouco incrédulo.
-É, sou eu - ele deu um sorriso inconfundível, idêntico às projeções mágicas que Sigyn fazia.
O menino correu para abraçá-lo, sem conseguir pensar que aquilo estava realmente acontecendo. Vali se aproximou depois de ver a felicidade do irmão. Era verdade, o pai deles estava vivo e estava de volta.
-Vocês são enormes e tão lindos, é tão bom conhecer vocês - ele disse aos meninos, se abrindo para o novo sentimento de afeição e proteção às duas crianças.
-Mamãe sempre contou muito sobre você, é como se a gente já te conhecesse - Vali explicou, o que fez Loki admirar a esposa um pouco mais.
A família estava reunida novamente, e tudo que restava era desfrutar daquela benção improvável, ficando para sempre juntos, mais uma vez.
