N/A: Foi mal ter demorado tanto para atualizar. Eu realmente perdi o ânimo com essa fic e foi um suplício terminar esse capítulo, por isso espero que gostem. O mérito de o capítulo ter saído da minha cachola é todo de meu Álan, que passou a ser leitor assíduo da fic, e assim a me apoiar e a me cobrar a continuidade da história (que tem algumas outras cenas escritas, mas são de capítulos bem mais à frente). Ou seja, se não fosse o amor da minha vida não tinha capítulo rs... Embora eu ame de paixão escrever essa série, ando meio bloqueada com ela, então não sei quando vou atualizar, mas juro que vou tentar prosseguir com ela o mais rápido possível. Espero que gostem do capítulo e deixem reviews, que eu adoro e também estimulam bastante a gente a escrever... Bjims da Lú. Obs: Minha beta vai me matar pq o capítulo não está betado, mas ela anda totalmente sem tempo e trabalhando à beça, então me perdoem os eventuais erros rs...

8 – Desculpas Esfarrapadas

Owen arregalou e ergueu os olhos vermelhos e irritados pela fumaça para Halyssa. Mexeu os lábios, mas não conseguiu produzir qualquer som. Após passar alguns instantes como um peixe fora conseguiu articular titubeante a primeira palavra. Haly já estava quase sacudindo o primo, para tirá-lo daquele estado de choque inicial.

Haly... – disse com a voz trêmula e rouca.

Tinha certeza de que a qualquer momento a garota ia soar o alarme e chamar um dos monitores da Grifinória. Talvez até mesmo um professor ou quem sabe a Diretora McGonagall? Mas não foi isso que a prima fez.

- Owen, faça o favor de sair daqui imediatamente. Eu vou limpar essa bagunça o mais depressa possível. Não quero que você seja pego... – falou sem olhar no rosto de Owen, e aquilo doeu profundamente no garoto.

- Eu não fiz nada... – foi o melhor que ele pôde falar, de fato balbuciar, já que estava se sentindo trêmulo e fraco. Até que, de certa forma, era verdade já que a idéia e a execução desta tinham sido de Dylan.

Haly olhou dentro dos olhos culpados do primo fixamente. O olhar acusador da garota parecia perfurá-lo, tamanha era a decepção contida neles.

- Você quer dizer que não foi você quem acendeu essas bombas de bosta e fez toda essa confusão aqui? – Owen assentiu, e para um momento breve de alívio aquilo não era uma mentira.

- Quer dizer que você não fez nada para poluir o ar da Sala Comunal e estragar o tapete novo? – o menino sacudiu novamente a cabeça. Estava suando nas mãos.

- E você espera realmente que eu acredite nisso? – ele repetiu nervosamente o mesmo gesto, como um autômato. Haly sorriu de forma fria e assustadora.

Ele odiava quando ela fazia aquela expressão de que ia dissecá-lo até a última fibra, o que ela geralmente conseguia fazer perfeitamente, e fazê-lo contar tudo o que ele pudesse estar escondendo. Havia sido assim todas as vezes que os pais dela tinham tentado surpreendê-la com uma festa surpresa de aniversário. Owen era pressionado até "cantar como um Agoureiro", como os tios Fred e Jorge costumavam dizer quando mencionavam essa habilidade da sobrinha.

- Ótimo... – a menina cruzou os dois braços à frente do corpo. – então me diga o que um sonserino está fazendo aqui dentro da Sala Comunal da Grifinória e me dê um bom motivo para eu não contar isso à mamãe... – Owen ergueu as sobrancelhas surpreso, mas Haly emendou. – Você se esqueceu de que a sua tia é professora? – Owen ia abrir a boca, mas a menina prosseguiu. – Com certeza deve se lembrar de que o tio Harry, o SEU pai por acaso, é professor... – Owen engoliu em seco, mas a menina ainda não tinha terminado de falar. – E isso significa que a sua punição não se limitaria a uma simples detenção, como também você ia ficar de castigo nas férias. E dependendo do humor da tia Gina e do tio Harry isso poderia significar o inferno. Você ia poder esquecer dos brinquedos da loja dos tios Fred e Jorge, das brincadeiras deles... – o coração do menino parecia encolher a cada palavra dela. -... Sem partidas de snap explosivo, sem as aulas de xadrez de bruxo que o papai te dá... – então ela deu o golpe de misericórdia – e, é claro, você ia ficar sem poder jogar quadribol nas férias... – o menino estava extremamente pálido agora, parecia doente. Ela parecia estar esperando uma explicação melhor para suspender a "sentença de morte" do primo, e foi o que ele tentou fazer, afinal, não custava nada tentar. Ou melhor, custava-lhe tudo não tentar.

- Eu vi-vim ver vo-você, Haly... – gaguejou a mentira da melhor forma que conseguiu. Então prosseguiu. – Eu vim para lhe entregar isto... – era o pedaço de papel com a senha para entrar na Sala Comunal que Francis Longbottom havia esquecido na mesa do café. Haly segurou o pequeno pedaço de pergaminho e o examinou sem muito interesse.

- Francis esqueceu isso na mesa do café...

- Para variar... – Haly acrescentou colocando o papel no bolso do robe. O primo continuou.

- Pois é... Ele devia comprar um lembrol para que isso não acontecesse. Esse papel poderia ter caído em mãos erradas... – Haly o interrompeu.

- Ele tem um lembrol. O pai dele deu a ele, mas não ajuda muito, pois ele nunca lembra onde colocou... – ela ergueu o rosto para Owen. – E foi bom você ter trazido o papel. Já pensou se ele cai nas mãos de um certo sonserino que... – ela deu uma pausa e fez uma expressão de que tinha se lembrado de algo. – Ah! Esqueci desse pequeno detalhe. O seu melhor amigo, né? O seu MELHOR E DEVOTADO amigo que te deixou aqui pra sofrer as conseqüências da brincadeirinha sozinho... – Owen franziu a testa.

- Isso não vem ao caso Haly. Você sabe muito bem que todo sonserino odeia todo grifinório e você não pode sair acusando as pessoas assim... – ele disse sem pensar, mas havia sido uma justificativa estúpida.

- Owen você é um sonserino, e a sua família inteira é de grifinórios. Você mesmo passou parte da vida – ou a vida inteira – ansioso para também se tornar um. Não se esqueça disso nunca...

- Eu nunca me esqueci disso, Haly... – fez uma expressão mal-humorada, cruzando os braços na frente do corpo.

Eu espero que sim, Owen. Sinceramente. Ou a tia Gina e o tio Harry iriam ficar extremamente desapontados com você... – ela tirou a varinha das mangas e fez um feitiço de limpeza rápido, que havia aprendido com a avó, Molly. – Eu vou deixar passar dessa vez, Owen. Mas eu acho melhor você não vir mais aqui na Torre da Grifinória. Isso poderia me criar problemas. Afinal, poderiam pensar que EU te dei alguma senha... – ela disse para que ele soubesse o quanto ela também estava se arriscando por ele. - Podemos conversar, estudar e jogar na biblioteca ou na cabana do Hagrid...

O menino fez uma expressão decepcionada, já que adorava visitar a sala comunal da Grifinória sempre que podia. Tinha alguns amigos além da prima lá, que não o tratavam mal por ser um sonserino, e ele sabia que isso era muito em parte devido ao esforço que Haly fazia para integrá-lo ao grupo. Algo que a menina havia prometido para Harry em segredo. Então ela prosseguiu.

- Você é um sonserino. E, como você mesmo disse, sonserinos odeiam grifinórios e vice-versa. A rivalidade é grande demais... – ela parou e olhou o primo nos olhos. – Só espero que não seja maior do que a nossa amizade... – completou triste. Owen sacudiu a cabeça negativamente.

- Não se preocupe. Não é. Nunca será, Haly... – ele sorriu, mas a menina não conseguiu retribuir. – Você é a minha melhor amiga... É como uma irmã para mim, como a Victória...

- Eu sei disso, Owen. Se lembre disso então. Certas coisas não valem à pena. Nem mesmo para ser aceito... – o garoto assentiu e os dois se despediram.

Haly colocou a mão no bolso e esticou um pedaço de pergaminho a ele. Era o mapa do maroto. Owen havia ficado com a capa de Harry e Haly com o mapa. Uma precaução que Harry e Rony haviam tomado sem que as esposas soubessem, por saberem do que Weasley, Granger e Potter eram capazes juntos, ainda mais com os sangues misturados.

- Leve isso... – ela esticou o mapa para Owen, que ficou surpreso. – Depois você me devolve. Vejo que você está sem a capa do tio Harry. Não sei por quê... – o estômago do menino doeu de remorso.

O garoto agradeceu e saiu porta a fora. Haly suspirou profundamente, subindo para o dormitório. Aquela noite foi difícil para os dois pegarem no sono. Owen tinha certeza agora que Haly sabia que ele e Dylan haviam estado na Sala Comunal, ele tinha visto no mapa do maroto. A amizade deles nunca mais seria a mesma, ele pensou enquanto observava tristemente Dylan dormindo calmamente como se nada tivesse acontecido na cama ao lado.

Nattie acordou de excelente humor. Seria o primeiro final de semana em que ela poderia ir para casa e visitar os pais, e ela estava tremendamente curiosa, além de morta de saudades, de como estavam os seus pais, lidando sozinhos um com o outro.

Ela desceu animada as escadas, e sentou-se ao lado de Willow, que estava lendo uma revista de forma compenetrada. Nattie espichou os olhos para ler o título da matéria que estava prendendo a atenção da amiga: "Existe Realmente Magia?", os olhos de Nattie se prenderam à reportagem e ela leu discretamente, preocupada com o que poderia ser aquilo.

"Sempre nos perguntamos se existe algo além de nossa compreensão, algo além dos nossos sentidos, certo? Bem, o senhor" M ", que prefere não se identificar, nos relatou a história impressionante de como há cerca de vinte anos viu um Ford Anglia sobrevoar as imediações da estação de trem King Cross e...".

Nattie parou de ler. Aquilo era tão absurdo, que obviamente se tratava de uma notícia falsa e sensacionalista, que em nada colocava em risco o mundo mágico, que ela também havia aprendido a preservar em segredo.

Ela cutucou a amiga, que abaixou a revista e se voltou para ela. Willow tinha olheiras enormes e parecia muito abatida.

Nossa Will! Você está horrível... – a garota riu.

Bom dia para você também Nattie...

Você não dormiu a noite toda?

Não. É sempre assim quando eu tenho que voltar para casa... Se eu pudesse não voltaria nunca mais... – disse tristemente.

Você não sente falta dos seus pais? – Will deu uma risada enquanto colocava mel na sua torrada.

Pais? Que pais, Nattie? – a menina deu de ombros sem entender, mas a outra prosseguiu. – Eu mal os vejo. Sempre que eles estão em casa brigam entre si. Só concordam quando é para brigar comigo e me tirar do sério. Minha mãe vive querendo me arrastar para eventos sociais inúteis e meu pai gosta de exibir as minhas boas notas para o círculo de amizades falsas que tem. Por sorte atualmente venho propositalmente mantendo um desempenho mediano e ele parou de me perturbar a paciência... – Nattie sentiu-se afortunada por ter pais amorosos, mas compreendeu como a amiga deveria se sentir com um ambiente tão cheio de intrigas. - De qualquer forma... – continuou mudando o assunto. - Pelo menos semana que vem nós não vamos ter que aturar a chata da Marrrrrjorie – disse imitando exageradamente um sotaque francês. – Eu ouvi a panaca comentando no banheiro que ia esquiar com a família, que recebeu uma licença especial da escola por causa disso. Imagine como ela não vai voltar ainda mais "simpática"... – Nattie riu.

Tomara que a idiota quebre a perna... – Willow sorriu. – Não, melhor. Que ela quebre as duas logo de uma vez... Imagine ela chegando aqui que nem uma múmia? – a amiga deixou sair um pouco de leite pelo nariz. Nattie prosseguiu. – Se bem que... – ela esticou um guardanapo para a outra menina. - Ia fazer muita diferença? – perguntou divertida.

Willow gargalhou, cuspindo parte do cereal na mesa, e as duas terminaram de tomar o café muito mais animadas já que não teriam a péssima companhia de Marjorie na semana seguinte, e isso para Nattie significava uma semana a mais para planejar a peça que ia pregar na garota.

Assim que o café da manhã terminou os professores se incumbiram de organizar os alunos em filas, de acordo com a série em que estudavam, organizando-os para que fosse feita a chamada e eles pudessem ir para casa.

Quando o nome "Nattalie Marah Malfoy" foi chamado o coração da menina disparou. Ela correu para o lado de fora sem se preocupar com o aviso dos professores para que caminhassem de forma ordenada. Quando saiu na luz do dia ficou nas pontas dos pés, no alto da escada procurando avistar o carro do pai.

Ela estava começando a ficar desapontada quando viu ao longe um homem acenar escandalosamente para ela.

Paolo? – ela não podia acreditar. O mordomo sorria e acenava, embora ela estivesse tentando evitar que reparassem nele era difícil que um homem com "aquela" camisa cor-de-rosa com flores amarelas pudesse passar despercebido em qualquer lugar entre a escola "e o Havaí talvez?", pensou Nattie impressionada.

Olá pequena senhorita Marah – ele disse fazendo uma reverência exagerada. Nattie deu um tapa na própria testa.

Paolo, o que você está fazendo aqui? O que eu fiz para merecer isso? Papai e mamãe estão bem? O papai não está morto, está? – ela imaginou o que poderia ter acontecido para que Draco tivesse permitido que o ex-mordomo tivesse ido buscá-la no primeiro final de semana de folga da escola.

Ora senhorita. Eu não sei dos seus pais. Sua avó me ligou pedindo que viesse buscá-la. Ela disse que a srta. Marah...

Sra. Malfoy, Paolo. Você não precisa implicar quando o papai não estiver... – ela cortou o homem, que prosseguiu.

A sua avó disse que a senhorita Mar... – Nattie fez uma cara feia e ele emendou. – A sua mãe pediu que ela providenciasse uma carona para você, e é isso que eu sou... – Nattie não perguntou mais nada. Paolo estava sorrindo demais, e logo ia se tornar embaraçoso ter que explicar o comportamento esfuziante e entusiasmado de sua carona.

Vamos então... – ela indicou uma pequena mala, a qual o mordomo solícitamente carregou até o carro.

É só isso? – ele perguntou ao colocar a maleta na mala. Nattie riu.

Paolo, quantas malas você esperava que fossem? – o ex-mordomo deu de ombros.

Não sei, mas as empregadas falaram que a quantidade de coisas que o seu irmão levou para a escola foi... – Nattie bufou.

Podemos não falar dele... Digo, disso? – ela disse incomodada.

Mal-humorado, o homem virou a chave na ignição e um grande estrondo, seguido de um jato de fuligem preta chamou a atenção de todos. As pessoas que estavam com os carros estacionados próximos ao deles olhavam impressionadas para a cena, algumas rindo outras assustadas e com expressão de reprovação: Saía uma enorme quantidade de fumaça do cano de descarga e Nattie tinha o rosto afundado no braço apoiado sobre o painel do veículo enquanto Paolo xingava – provavelmente – diversas palavras em italiano.

Eu tenho que levar essa geringonça para a revisão... – disse finalmente se acalmando ao notar que o carro havia pegado, fazendo agora um ruído ensurdecedor, parecido com o de um avião monomotor.

Ou para o ferro-velho... – Nattie resmungou irritada. Paolo fingiu que não notou.

Então? Sentindo muita falta do seu irmão gêmeo? – provocou propositalmente. Nattie olhou séria para o ex-mordomo. Então deu um sorriso sarcástico.

Mudei de idéia. Vamos ficar CALADOS a viagem toda... – disse ligando o rádio.

Infelizmente ela teve certeza de que havia sido uma péssima idéia imediatamente. A música italiana que tocava fez com que o homem perdesse a expressão mal-humorada e pigarreasse para limpar a garganta. Ia ser uma longa viagem, e Draco e Nicolle iam precisar de uma excelente desculpa para não terem ido buscá-la agora.