Chapter 7: ¿Hablando se entiende la gente? (Falando a gente se entende?)
Um movimento suave, toques no ombro. Algo de consciência começou a retornar a sua cabeça, a qual se resistiu valiosamente a ser arrastada do sonho profundo em o que estava. Abriu os olhos verdes-esmeralda, ainda pregados de sono, e se encontrou com uns olhos cinzas enlouquecedores a poucos centímetros dos seus, rodeados a sua vez do perfeito rosto de Draco Malfoy.
Tinha deixado cair o glamour um pouco, e Harry, entre os fiapos de sono que ainda invadiam os pensamentos, pensou que era o mais belo que tinha visto jamais ao despertar. Levantou uma mão fracamente para tocar sua bochecha e foi recompensado com um taque suave como a seda, antes que o Sonserino, surpreendido, levou a cabeça para trás, rompendo o contato.
Deixou cair a mão, impossível mantê-la no ar no estado adormecido em que se encontrava, e tratou de tirar o sono pra fora de sua cabeça.
- Não trate de despertar, Potter – indicou o outro em voz baixa enquanto o ajudava a se pôr de pé lentamente – Te trouxe até a entrada de sua torre, agora diz a estúpida senha a esse quadro e vai dormir de novo, que já te faz falta, me entende?
- Mas...que hora é? E não estávamos na torre de Astronomia? – perguntou entre bocejos, sentindo que suas pestanas eram feitas de chumbo.
- Restam algumas horas para o amanhecer, e já é hora de que volte a seu dormitório, eu hei de regressar ao meu em pouco tempo ou despertarei suspeitas. Você dormiu um bom tempo na torre, e agora diz a senha a essa gorda e vai dormir de uma vez!! – disse, com uma frustração falsa que provocava arrepios na espinha do Grifinoriano, algo mais desperto olhando àqueles olhos como poços sem fim que essa noite o prendiam inexoravelmente, vampiro ou humano.
- Oh... – outro bocejo. – De acordo, não tenho lucidez suficiente para agradecê-lo devidamente, assim que obrigado de verdade, Draco. Lionheart – murmurou, e a Mulher Gorda girou para o lado sem despertar-se – Boa noite...
Malfoy não respondeu, só seguiu observando até que entrou através do retrato, e Harry notou o calor da mirada do outro, fixa em suas costas. O retrato se fechou com um ruído suave, e o formigamento, estranhamente agradável, permaneceu, contudo agraciando os nervos de suas costas até que se deixou cair em sua cama com um pequeno gemido e já não soube mais nada daquela noite.
Afortunadamente, o dia seguinte era sábado, e seus companheiros de quarto, conhecedores de suas sessões de insônia, não o despertaram para descer para tomar o café da manhã. Assim, Harry abriu os olhos preguiçosamente, desfrutando da estranha situação de ter o quarto para ele somente, e envolto calidamente em suas mantas, começou a animar-se lentamente, enquanto as lembranças da noite passada começavam também a despertar-se em sua memória. Esboçou um sorriso cansado. Uma noite que dormia sem sonhos de Voldemort, e sonhava com aquilo. Tinha sido legal, todavia, conversar com Malfoy como amigos, e ser embalado de verdade até dormir. Legal demais, realmente.
Enquanto esticava os braços, notou que algo limitava seus movimentos... levantou a cabeça e viu que o que em realidade o envolvia era uma grossa capa verde escura, bordada com fios prateados ao longo de suas margens. A capa de Draco. Então era verdade, decidiu com um estremecimento, tinha dormido e Malfoy o tinha levado até sua torre de alguma forma, deixando que ficasse com a sua capa. Um sentimento de satisfação percorreu seu peito. Não era um sonho.
- Bem, vamos levantar – exclamou, muito mais animado, apesar de que estava sozinho no quarto – Iup! – se levantou da cama com um pequeno salto, como os meninos pequenos. Não era um dia perfeito?
Começou a dobrar a suave capa, pensando em como poderia devolvê-la ao Sonserino sem que toda a escola pergunta-se como a tinha conseguido. Finalmente, decidiu colocá-la em seu baú, esperando que uma ocasião perfeita chegasse rápido, quando ouviu um golpe na janela. Outra vez a coruja com ar arrogante, pousava no batente da janela com um pergaminho atado a pata.
Correu a abrir a janela e agarrar a mensagem, atado de novo com uma fita de seda, esta vez prateada. Seu estômago deu um pequeno solavanco ao voltar a ver a familiar escrita.
Não sei a que horas te chegará esta carta, já que disse a coruja que esperasse que você despertasse; necessita de muito repouso para que sua cara volte ao estado horrível habitual e não horrendo como de noite, já sabe. Contudo, esta coruja parece um pouco arriscada, assim que pode que não me faça caso e te a entregue agora, antes do amanhecer. Me cai bem o pássaro.
Sobre tudo te escrevo agora para comentar-te, por que se ainda não notou e seu amigo Weasley não tenha te estrangulado, que tem uma de minhas capas, com as cores de Sonserina. Não se preocupe em me devolvê-la de forma rápida, tenho varias, no final das contas em Sonserina conhecemos o termo "fundo de armário", né? A próxima vez, traga a sua e de quebra ao menos uma almofada, Potter, já que se não estivesse nas circunstâncias que ambos conhecemos, posso te assegurar que esta manhã me doeria o pescoço como o diabo, cansado de suportar o peso de sua cabeça no ombro durante a noite. Espero que também doa a você, ou terei que me sentir totalmente utilizado. Bonita ameaça, estou feito.
De qualquer forma, como disse ontem, não tinha nada melhor que fazer durante essas horas, assim que não importa muito (desde que hoje te doa o pescoço, está ótimo). Mas (e isto vai agora ser serio), a próxima vez que tenha uma série desses sonhos, peça a Pomfrey uma poção anti-sonhos, de acordo? Com um insone por obrigação creio que este colégio tem que ter.
Em fim, só me resta levar a carta ao Corujal e logo dormir tudo o que quero, Merlin abençoa os fins de semana, para não ter o aspecto horrível da última vez!
Espero que consiga seu Sono de Beleza,
DM
PS = Se mostrar isto para o Weasley perde a almofada... e pode ser que a cabeça, de acordo?
Esta vez, o sorriso nos lábios ao acabar a carta se transformou em uma gargalhada. Sono de Beleza... só Draco Malfoy podia ser tão presunçoso, inclusive brincando. Mas presunçoso ou não, seu comportamento da noite passada demonstrava que tinha uma parte dele que valia a pena conhecer, e até apreciar. Mesmo que se trata de dissimulá-lo com sarcasmo e ironia, se notava sua preocupação por Harry, e isso era... terno, mesmo que essa palavra não existisse no dicionário dos Malfoy, junto com bondade, justiça ou igualdade, entre muitas outras.
Continua
