N/T: Um ENORME OBRIGADO a Anna-Malfoy por ter betado a fic!!!!!!! girl, I love u!!!

Capítulo 8 – Chit chat in Astronomy tower

Com o passar dos dias, uma nova rotina começou a desenvolver-se: levantar- se, brigar com Malfoy, aulas, brigar com Malfoy, estudar, jantar, e, algumas noites, aquelas onde um certo Sonserino não ia jantar, pegar sua Capa, uma manta (não a necessitava, mas era uma pequena brincadeira entre ambos), e ir até a Torre de Astronomia.

Ao princípio se sentavam do lado de fora, ao ar livre, e conversavam trivialidades durante um tempo, evitando mencionar os temas que ambos sabiam que iriam enfrentavam irremediavelmente: a família de Draco, os bruxos nascidos trouxas, as experiências de Harry frente ao senhor das trevas... Em vez de concentrar-se em suas diferenças, como em todos aqueles anos, fizeram um esforço para encontrar as semelhanças. E funcionava, por enquanto, já que seguiam intactos para contá-lo. Ás vezes, algum dos dois levava um baralho de Snap Explosivo, ou um xadrez mágico (Draco era, se não tão bom, melhor ainda que Ron, o que significava que ganhava sem piedade nove de cada dez vezes. "O que esperava de um Sonserino? Artimanhas e tácticas retorcidas, certamente. Esse Weasley não tem como fazer frente a mim.", havia comentado orgulhoso quando se queixou de suas derrotas ao xadrez e os adversários que se buscava), e jogavam durante horas, antes de que Harry se retirasse outra vez para seu dormitório para aproveitar as poucas horas de sono que ainda restavam.

Pouco a pouco, as noites ficaram mais frias e Draco encontrou uma sala abandonada na mesma torre, onde poderiam permanecer todo o tempo que quisessem sem serem descobertos por Filch, graças ao feitiço de ocultamento que havia realizado. Harry se absteve de perguntar a legalidade desse feitiço.

Outras vezes, quando Harry voltara a ter pesadelos, acabara dormindo ali, ao lado da figura do outro, ajudado pela respiração distante, seguro pela promessa de que Draco o despertaria se começasse a sonhar, e os maus sonhos tendiam a manterem-se longe de Harry nestas noites. Despertava depois, quando pouco antes do amanhecer, Draco o deixara, como na primeira noite, na entrada da Torre da Grifinória.

Malfoy nunca se queixava daquilo, tampouco tinha agradecido que passasse horas acompanhando-o cada vez que mudava, mas tampouco lhe pedia que não o fizesse, assim se supunha que as vigias a seu lado eram uma maneira Malfoyesca de retribuição. Uma espécie de amizade não reconhecida, nunca expressada como tal, mas forte no final das contas, forjada a partir de um segredo, de noites de insônia, de pequenas confissões mútuas. Totalmente diferente da que tinha com Ron ou Hermione, porque estava claro que Malfoy jamais poderia ser esse tipo de bom amigo, generoso, valente e direto. Seguia sendo irônico, irritante e chato, mas estava aprendendo a ler debaixo daquela fachada e começava a descobrir que havia muito mais em Draco Malfoy do que alguém suspeitava, alegrando-se de ter se dado uma segunda oportunidade de conhecê-lo.

A confiança ia crescendo lentamente entre ambos, finos fios de respeito e segredos comuns que iam tecendo-se com delicadeza e um grande esforço por parte dos dois. Harry contou anedotas dos Dursley, seu ódio de tudo o que se separasse do normal, seus miseráveis verões cada ano; e Draco lhe confiou detalhes da vida em Malfoy Manor, de um pai que inclinava-se aos pés de um ditador fanático, da imagem fraca e mimada que procurava manter para convencer a Lucius de que não era um recurso valioso para o Senhor das Trevas.

Em certo sentido, ambos sofriam a mesma sina, obrigações e requerimentos impostos desde sua infância: um, paladin da Luz por algo que jamais havia pedido; o outro, estandarte das Trevas por seu nascimento.

- E que surpresa seria para Papai se me visse agora – tinha comentado amargamente uma noite em que ambos foram sinceros mais do que o normal, alcançando uma nova cota de intimidade – Eu, o mimado herdeiro Malfoy, incapaz de dominar as Artes das Trevas além de determinado nível, estupidamente despreocupado de sua cruzada pessoal e sem nenhum valor para o Senhor das Trevas... ou isso o tenho feito acreditar. – Harry piscou ante a expressão de Malfoy, ainda assimilando o perigoso jogo que Draco havia jogado com seu pai nestes vários anos para evitar a submissão forçada a Voldemort. – E acabo sendo uma Criatura das Trevas, capaz de ser convocada e controlada por Voldemort como se fosse um maldito fantoche. – fechou os punhos, nódulos pálidos de tensão, com olhos brilhando de indignação ante a possibilidade. – ...por culpa de uma maldita maldição familiar. Ou melhor, uma lenda. O que sempre quis evitar, o que sempre buscou de mim, e pode ganhá-lo se apenas descobrir a minha nova condição... Não é justo.

- Não, Draco, não é justo. – tinha replicado Harry, pondo uma mão delicadamente sobre o ombro do outro, buscando sufocar um pouco o fogo de ressentimento que ardia no fundo dos olhos de Malfoy. – Mas mesmo que ocorresse o pior, Voldemort nunca será capaz de conseguir sua lealdade absoluta, por muito que o deseje. E há que ter muita coragem para ter desenvolvido suas próprias idéias, sem deixar-se intimidar pelas opiniões de seu pai, ninguém menos que Lucius Malfoy, e isso te faz merecedor de meu respeito, Draco. Não tem que pensar que é um ser das trevas, porque ao decidir não seguir a Voldemort indica que é algo mais.

- É aí que está errado, Potter. – contestou com um sorriso amargo, tirando a mão de seu ombro com um gesto irritado. – Não há diferença entre Bruxo das Trevas e seguidor do Lorde das Trevas, porque nesta escola jamais se incomodaram em explicar o conceito de Artes das Trevas. Não pense que por não segui-lo me converto em um 'bom' bruxo como o Diretor. Nem que opino bem de todos os trouxas e os nascidos trouxas. Sou um bruxo das trevas, por nascimento e por vocação, a magia negra corre pelas veias dos Malfoy como a aparência ou a riqueza, e não está na mão de ninguém arrancar-nos dela. Nem o faríamos se pudéssemos, tampouco. – sussurrou, e se inclinou até Harry com essa luz estranha nos olhos, que sempre ardia no fundo das íris. Este entendeu algo de forma instintiva, sobre o porque os Malfoy eram uma família tão temida e poderosa no mundo mágico, e porque se dizia que eram essencialmente das trevas. Esse fogo não parecia nem amável nem dócil, e viu como Draco mudava seu aspecto a atemorizante rapidamente, projetando a aura de poder dos Malfoy, uma sensação de magia negra quase palpável. – Isso não mostra, por mais que inventem os pobres Grifinorianos, e que os sussurrem em seus berços, que eu saia lançando Avada Kedavra por aí ou tratando de dominar o mundo, mas nunca negarei quem sou ou o que sou, não se engane. Sou um Malfoy, para bem ou para mal, de coração e alma, e ninguém poderá mudar isso. Minha magia, em sua forma mais natural, é das trevas, e sou um bruxo negro. Que não quero seguir o jogo de Voldemort é secundário, mas não pense coisas erradas. Não baseie sua amizade comigo na pretensão de que vou mudar, ou sofrer uma revelação positiva. Isso não vai acontecer, entende?

- Mas a Magia Negra é maligna por definição, ou ao menos seus usos o são, não é isso? – perguntou Harry. Uma imagem de Draco Malfoy desabando em silêncio em sua mente, desesperado para conservá-la. – Como pode ser um bruxo das Trevas e não ser maligno? Como pode defendê-la?

- Não, Potter. As artes das trevas são duras, e cruéis, e poderosas, e selvagens, muitas das vezes perigosas, mas a intenção maligna vem dada pelo bruxo, não pela Magia. Com os feitiços que ensinam aqui poderia fazer sofrer os trouxas de igual maneira que o Lorde das trevas, certo? – olhou com extrema seriedade, compreendendo as dúvidas de Harry e explicando com paciência seu argumento, a agressividade do primeiro momento esquecida. Contudo, Harry não duvidou que esse era O momento. O momento onde ou seus caminhos se separavam ou ficavam unidos pela amizade, e estava em suas mãos a decisão. Draco só estava pondo os fatos sobre a mesa, o sua versão deles, em todo caso. – Mas não o faz. Essa é a linha que separa a bondade da maldade, e não o tipo de magia que se conhece e pratica. A arte das trevas pode causar mais danos, certo, mas suponho que não sabe que muitos dos feitiços e poções que se usam hoje em dia são versões destiladas de feitiços negros, não? É bem mais uma questão de intensidade, de poder, que as diferencia. Tem mais a ver com a mágica com que se nasce, e não com o domínio da magia que se possui, como sua amiga Granger, e isso é o elemento tradicional dos puro sangue. Finch Fletley não poderia ser jamais um bom Bruxo das Trevas, por mais más intenções que tivesse, e eu não poderia deixar de sê-lo por mais que tentasse. Está em minha natureza, em minha magia. Consegue entender?

- É complicado, Draco. – reconheceu, sem entendê-lo de todo. Não concordava com a visão simplista que tinham lhe dado na escola, e entretanto a versão de Draco tinha sentido. – Nunca tinha dedicado muito tempo a pensar sobre isso e a compreendê-lo, nem os haviam explicado em aula dessa maneira. Pensava que era uma questão de moral, e não de natureza. Não sei se poderei entendê-lo... não com toda as más experiências que tive com as Artes das Trevas... mas te prometo que farei um esforço – esboçou um sorriso pensativo. – Já sei que nem tudo é branco ou preto, como nos explicaram as vezes, mas decididamente isto entra mais dentro do cinza do que parecia, não? – pensou que entrava dentro do cinza... um cinza como os olhos de Draco, e se ruborizou levemente.

- Pode – Draco concedeu a Harry outro sorriso, que se desvaneceu até voltar à expressão séria que tinha até então. – Mas Harry... como pode dizer que me respeita quando fiz de sua vida um inferno nestes últimos anos? Quando insultei tudo aquilo que defende e valoriza, a seus amigos, a sua família? – Disse com um pequeno tremor na voz, e Harry pode ver seus olhos metálicos confusos, atravessados por pequenos raios de remorso e esperança. – Quando sigo pensando muitas coisas que são opostas a suas?

- Malfoy, não se dá conta que perguntando-se isso já ganha esse respeito? – contestou de forma honesta, com um toque de suavidade, uma ferida que não sabia que possuía fechando-se lentamente com as desculpas e preocupação que lia em seus olhos. Olhou Malfoy, tão absorto na situação que o glamour que o rodeava começava a perder coesão durante pequenos instantes. – A maior parte disso eram criancices, e ambos fomos excessivamente teimosos para aceitar que as imagens que tínhamos um do outro eram falsas até pouco tempo. Como disse antes, começo a ver que nem tudo tem que ser branco ou preto, Grifinoriano ou Sonserino. Temos que encontrar nossos tons de cinza. A culpa foi dos dois, te asseguro, e eu também te fiz coisas das quais me arrependo... – seguindo um instinto, esticou uma mão até Draco, imitando o gesto que, sete anos atrás, que ocorreu nas escadas da escola. O simbolismo não passou desapercebido para o loiro, que esboçou um sorriso sincero que iluminou a noite e estreitou aquela mão com suavidade, sobressaltando-se quando Harry se inclinou e lhe deu um pequeno abraço, mas permitindo-o. – E agora, deixemos o assunto de uma vez por todas, de acordo?

Se alguma vez tinha havido um momento que definisse onde começava uma verdadeira amizade, tinha sido aquele aperto de mãos naquela noite. Não tinham falado muito mais durante o resto da noite, envoltos em um agradável silêncio. A partir de então, parecia que queriam recuperar o tempo perdido em lutar durante o dia em suas noites em claro. Brincadeiras variadas (cortesia dos gêmeos Weasley pelo lado de Harry e da própria malícia de Draco pelo outro), embates e piadas estavam na ordem do dia, ou da noite, e Harry começou a arrepender-se de ter perdido todos aqueles anos brigando. Como Draco podia estar subindo rapidamente até a posição de 'amigo inseparável', não o sabia, mas desfrutava cada minuto daquelas noites. Por sorte, Ron e Hermione estavam em uma fase de "contigo mas sem ti", e não era difícil nem arriscado ele escapulir muitas das vezes.

A palavra "amizade" e derivados já não eram tabu nas conversas, e Harry teve que reconhecer que os Sonserinos não eram tão maus como pareciam quando Draco contou como depois de uma surra por parte de seu pai, haviam feito turno tomando poção Polissuco para substituir a Blaise Zabini nas aulas enquanto este se recuperava no dormitório, com o consentimento de Snape. Draco teve que acabar aceitando que Hermione era algo mais que uma sabe-tudo, mesmo que, depois apressou-se em dizer que ela tinha um cabelo horrendo. Cada um estava aprendendo a valorizar a presença do outro, e mesmo que às vezes se enredassem em debates acalorados, acabavam encontrando um meio termo, ou como Harry tinha dito, seu tom de cinza.

Draco lhe ajudava com os deveres de Poções, e com os de DCAT (abortando o conhecimento das Artes das Trevas mais que o de sua Defesa, claro), e Harry... bom, dava outra opinião sobre os deveres. Parecia que os resultados escolares eram outra parte do engano. Se algum dia, Draco e Hermione se enfrentassem em conhecimentos, Harry temia que fosse muito difícil de escolher um dos dois para apostar. Mesmo que, como Draco tinha explicado, tutores pessoais desde sua mais terna infância era algo que um Malfoy estava obrigado a ter, e Hermione tinha começado do zero ao entrar em Hogwarts.

Harry contava coisas sobre o mundo trouxa, que Draco escutava fascinado, não havendo jamais tido relação com os trouxas nem pisado no seu mundo mais além do trajeto à estação King's Cross todos os anos. As descrições sobre cinema, aviões, a escola normal, os aparelhos elétricos (o que havia surpreendido enormemente ao senhor Weasley se tivesse se interado)... lhe fascinavam e lhe provocavam riso ao ver a complexidade frente a simplicidade de um bom feitiço.

A maioria do tempo, esquecia que estava com uma Criatura das trevas, e inclusive com um Malfoy, só com Draco.

Continua

E um grande obrigada para os que deixaram reviews no cap. 6 e no 7!!!!!!!!