Capítulo 9 – Self-loathing won't lighten your charge.
If I call, will you come with lavender garlands of grace? If I fall, will you run and wash the shame from my face? If I fade, will you stay and cut my shadow from the night? If I blaze, just burn away, will you make a cradle for the light?
SCURRY, Space Team Electra
Segurou um bocejo enquanto escutava uma das últimas discussões entre Ron e Hermione na Sala Comunal. Algo sobre gnomos de jardim, parecia.
Ao principio tinha tratado de interceder entre ambos, mas rapidamente tinha ficado claro que os motivos para seus recentes enfrentamentos iam mais além de sua obrigação. Se é que se podiam considerar motivos. Se essa era a maneira com que confrontavam a crescente atração que sentiam, e queriam negá-la discutindo, era sua decisão.
Agora nem se incomodava em verificar a razão do argumento, a não ser que fosse gritada a pouca distancia de seu ouvido, nem hoje havia tido forças para isso: era a terceira noite seguida que Draco mudava, e não havia café suficiente no mundo para tirar o cansaço que sentia em seus ossos.
Certamente, o aspecto do outro era muito pior, já que enquanto Harry dormia algumas horas por noite, Draco não dormia nenhuma. Dumbledore havia tido que dar uma dispensa especial para as aulas daquela manhã, o que tinha alimentado os rumores de que Draco Malfoy sofria de insônia, ou de que tinha se unido com Voldemort, ou de que tinha nova conquista, ou algo igualmente desencaminhado, por toda a escola.
Subiu a seu quarto sem despertar a atenção de sus amigos, demasiado ocupados negando seus sentimentos a tempo completo. Duvidava que se Voldemort tivesse se matriculado na escola as últimas semanas teriam reparado nele. De qualquer forma, melhor para todos: ninguém reparava em suas pequenas ausências noturnas. Recolheu a Capa e um pouco de pergaminho para começar o último trabalho de Poções, e escapou da Sala Comunal com um vago "Vou a biblioteca, até mais" que caiu em ouvidos surdos, como esperava.
Curiosamente, quando chegou a sua sala habitual, Draco ainda não estava ali. Escolheu o melhor lugar no sofá que ambos haviam conjurado que se aborreça por chegar tarde e se dispôs a esperar. Passaram os minutos e a inquietude começava a entrar em seus pensamentos: será que tinha acontecido algo com ele? Ou talvez não tinha baixado para jantar só porque tinha sono? Deveria voltar a sua Torre e dormir toda à noite de uma vez?
Aproximou-se da janela, observando os terrenos desertos da escola. Ainda não havia nevado, mas se podia sentir no ar que esse momento não estava longe, havendo começado novembro. De qualquer maneira, as árvores sem folhas eram uma macabra lembrança do inverno que estava por vir. Variavam com a vegetação incessante da Floresta Proibida. Um brilho prateado chamou sua atenção. Draco. Parecia que estava sentado no galho de uma das árvores da divisa, imóvel.
Passaram uns minutos e não se mexeu em nenhum momento. Mau sinal. Inclusive desde aquela distancia podia ver que não tinha se ocultado com glamour: sua pele resplandecia com algum tipo de fogo interno, e seu cabelo era prata líquida sobre a luz da lua. Era bonito... mas ao mesmo tempo a distante figura provocava arrepios na espinha, a sensação daquela noite na sala de poções porém muito mais engrandecida.
Sua mente ponderou por um instante se alguma vez o tinham visto, ele ou Dumbledore, com o glamour totalmente baixo, sem esconder nada de sua condição de vampiro, inclusive na primeira noite. E se era assim, por que agora? Por que estava exposto dessa maneira, longe do colégio, longe de todo o mundo mas perfeitamente visível? O que havia acontecido para jogar a cautela no lixo?
A preocupação agarrou com punho de ferro seu coração. Não valia a pena estar aqui o considerando, assim que pegou sua capa apressadamente e foi pra fora, encontrar-se com Malfoy. Quando saiu pela porta do colégio, a cabeça do outro se moveu imperceptivelmente, e Harry quase pode ver o glamour em ação quando passou de terrivelmente belo e inumano a bonito e levemente sobrenatural. O tinha visto. Não é que agora não fosse atrativo, prenderia o fôlego de qualquer um até mesmo em pleno dia, não era por nada que era o Sonho Úmido de meio colégio fazia anos, mas ao menos agora não o era de uma maneira que parecia implicar adoração e sacrifícios massivos de sangue.
Uma vez que se aproximou o suficiente para distinguir seu rosto, viu que tinha uma expressão atônita, com olhos inexpressivos, brilhando ausentemente. Nunca, desde a declaração de inimizade no primeiro ano e a de amizade no último, as feições do Sonserino haviam refletido um vazio como aquele: sem sarcasmo, ou malicia, ou ira, ou tristeza... Não era o vazio mantido cuidadosamente para ocultar os verdadeiros gestos, mas sim o vazio de quando não há pensamentos, uma casca vazia sobre a pele e carne. E seus olhos, tão expressivos habitualmente, mesmo que fosse para emoções negativas, inertes como um metal qualquer. No hacía falta haberse enfrentado varias vezes a Voldemort e suas conseqüências para ver que tenía un shock emocional bastante forte.
O galho no qual que estava sentado estava un pouco alto, mas Harry conseguiu escalar até ele com um moderado número de grunhidos e suor. Acomodou-se, bem agarrado se, por acaso, ao lado do outro, quem não havia mostrado mais sinais que o leve glamour de que soubesse que o Grifinoriano estava ali, e a surpresa quase jogou Harry do galho quando depois de um momento separou os lábios.
- Potter... acho que seria melhor que você fosse embora – disse com uma voz vazia e estranha – Não te convém ver-me estas noites, e muito menos hoje.
- Draco, o que aconteceu? – a situação era um pouco estranha para chamar pelo sobrenome, e vendo que não obtinha resposta obrigou-se a mudar de tática – Sabe, depois do que me custou subir a este maldito galho – uma olhada surpresa do outro ao ouvir o juramento e o tom desagradável na voz de Harry – seria melhor que me conte o que está acontecendo, porque não penso em descer até que me explique porquê me matei subindo, entendido? – se insinuou um semi-sorriso no rosto impossivelmente belo do outro, mas desapareceu com rapidez, afogado em uma onda de amargura – Draco... não vou te morder, certo? – era uma pequena brincadeira particular entre ambos, que arrancou de novo um sorriso dos lábios de Malfoy, mas não tinha nem rastro de humor nela.
- Não, Potter, mas eu sim poderia... – tom sério e amargo, com uma mão tremendo no costado, nódulos brancos da pressão exercida pelo punho sobre o galho – e pode ser que o desfrute enquanto... enquanto... – se cala, com os olhos prateados cheios de horror e um sentimento estranho enquanto imagina a cena – ...enquanto tirou seu sangue. Sabe o que tive que fazer hoje? Nem imagina? – continuou em um sussurro rouco, e Harry começou a imaginar o que havia tido que fazer com um estremecimento – Não imagina o horror que senti ao beber, notando a viscosidade ao pegar a taça, e preparando-me para o horror de notá-la na boca...mas não chegou, Potter – apesar da empatia que sentia por Draco naquele momento, não pode evitar sentir-se aliviado ao ouvir a palavra taça: não tinha atacado a ninguém, como havia temido num primeiro momento – Nenhum horror, Potter. Em vez de repulsão, desfrutei saboreando-a, como se fosse um vinho e não... – continuou em um sussurro quebrado, abalando-se mesmo que Harry não soube precisar do que era o estremecimento, e pensou que Draco provavelmente tampouco - Nem sequer pude conter-me para não lamber os restos da taça como um animal, diante de Dumbledore. A que nível de baixaria cheguei? – Harry o olhou com a boca aberta, tratando de compreender a situação mas resultou impossível colocar- se no lugar de algo tão pouco humano. Não era de se estranhar que Draco estivesse enjoado consigo mesmo - E logo essa sensação... de poder, de invulnerabilidade... mas também de fome, meus instintos me dizendo que atacasse a Dumbledore, que rasgasse sua garganta e bebesse da própria fonte, sangue quente entre carne quente... Sabe o difícil que é resistir à fome agora que sei qual é o sabor? Agora que recordo seu sabor? – agora o sussurro estava cheio de vergonha, uma fúria consigo mesmo que assustou Harry, preocupado pela estabilidade mental de Draco, mas ao mesmo tempo colocou seus pelos de pé, seus instintos primários gritando: Perigo! – Assim que fugi do escritório, e vim à floresta, onde me deixei levar. Estive caçando...não lembro bem o que, mas lembro de pelagem, e caninos, e olhos vermelhos... fugiu sem que pudesse caçar... e estava furioso, furioso, desejando encontrar a qualquer um, amigo ou inimigo, para beber... faz pouco tempo me encontrei aqui, só, calmo de novo, e me sentei, tinha medo de que pudesse voltar essa sensação e machucasse alguém... Sabe o tentador que me resulta todavia as batidas de seu coração? Não posso, Potter, não posso me controlar... e não sou seguro para você – Draco inclinou a cabeça, totalmente derrotado, e vampiro ou não, Harry sentiu o impulso de consolá-lo como a uma criança, abraçando-o.
Merlin. Pela descrição, havia caçado a um homem lobo. E o homem lobo tinha fugido sem brigar. Tão aterrorizador era solto a seus impulsos? Mas seguia conservando a mente de Draco Malfoy, e esta estava em choque, superada por uns instintos que não eram naturais. Fazendo um esforço de vontade contra suas entranhas, que gritavam que se afastasse dali até não mais poder, passou tentativamente um braço arredor dos braços do outro, e deixou que a cabeça loira descansasse enterrada em seu ombro, ignorando os pensamentos acerca daqueles caninos tão perto de seu pescoço, sussurrando palavras de conforto e embalando-o levemente, ao contrário daquela noite na Torre de Astronomia.
E quando as costas do outro começou a convulsionar-se suavemente, e soluços afogados se chocaram contra seu peito, mãos pálidas agarradas a sua túnica com desesperação, simplesmente se manteve ali, consolando o melhor que podia ao outro enquanto procurava que não caíssem da árvore. Finalmente, Draco se acalmou um pouco, mas se manteve oculto em seu ombro durante um pouco mais, em silencio.
- Potter... – um murmuro quase infantil contra sua capa – se importa que voltemos à Torre? Não quero que ninguém nos veja aqui sentados na árvore, e muito menos agora... Obrigado por me ajudar a acalmar-me, e mais ainda depois do que te contei...
Harry deu um pequeno abraço final e se separou do outro, olhando o rosto que agora tão bem conhecia, a palidez deformada por manchas vermelhas riscando suas bochechas, e os olhos avermelhados que davam um aspecto vulnerável que provocava um sentimento protetor em seu coração. Seguiu a direção de seus olhos e viu sua capa, manchada também de um vermelho vivo.
- Sinto muito de verdade – disse Draco esforçando para sorrir, com voz tímida – O limparei em um minuto Extrincate Preservarem!
Observou incrédulo como, com só o comando de sua voz, minúsculas gotinhas vermelhas saíam de sua capa e se uniam entre elas e com as que se haviam separado do rosto do outro, para formar uma pequena gota que tremeu um pouco antes de desaparecer com um suave pop! quando ambos estiveram limpos. Um encantamento múltiplo de levitação e translação complexo, feito sem necessidade de varinha. Incrível.
Malfoy observou seu olhar confuso e agitou a mão com delicadeza para atrair de novo a atenção de Harry, e tratou de por uma expressão falsamente alegre para romper o estranho momento que se tinha criado, comentando:
- Bom! Será melhor que vamos indo, não quero que Snape nos encontre quando comece seu turno, ou pressentirá algo estranho. Temo que até seja capaz de detectar este feitiço, como um maldito imã. Precisa de ajuda para descer?
E agarrou subitamente a Harry pelos braços e saltou do galho, arrastando o outro consigo.
Harry tratou de afogar o grito de alarme que lutou para sair de sua garganta quando notou metros de ar debaixo de seus pés. Contudo, quando já cruzava na sua mente o tornozelo quebrado que ganharia ao chocar contra o chão, notou que algo o freava, posando a ambos no solo com suavidade. Olhou a Malfoy atônito, mas este se limitou a levantar uma sobrancelha timidamente e sinalar até a Torre, de novo em aparência normal, disfarçado atrás de seu glamour.
Cobertos sob a Capa de Harry, mesmo que estava seguro que Draco não a necessitava para nada, chegaram ao aposento, abandonado desde o que agora pareciam dias em vez de minutos ou horas, não sabia ao certo. Nesse momento, a fachada de calma e leveza desapareceu do rosto do loiro, que contudo reteve seu aspecto humano enquanto se deixava cair, agitado, no sofá. Se sentou a seu lado, em silêncio, enquanto esperava que Draco se acalmasse o suficiente e contasse o que estava o comendo por dentro. Pouco depois, seu amigo jogou a cabeça para trás no espaldar e com os olhos fechados pareceu chegar a uma certa paz consigo mesmo, começando a falar com tom baixo e contido, traído pelo tremor amargo que subjuga ele.
- Não sei se notou, mas ultimamente as mudanças ocorreram mais freqüentes desde que começou em Outubro. Cada vez menos dias entre mudança e mudança, ou, como agora, duas, três noites seguidas; e cada vez mais difícil... controlar-me – cuspiu a palavra com um timbre que colocou todos os seus pelos de pé – Dumbledore, contudo, sim o notou. Hoje de noite, quando não fui jantar, essa fênix que tem como mascote entrou e trouxe-me uma mensagem. Tinha que me reunir com ele em seu escritório depois da janta.
Interrompeu-se rapidamente, respirando fundo.
- Quando subi para vê-lo, me comentou que talvez o ciclo de troca se estava acelerando porque não satisfazia minhas necessidades como...como vampiro. Que talvez a solução era acalmar minha sede, apaziguá-la, ou senão o ciclo se aceleraria até que a mudança fosse todas as noites. O velho bastardo sabia que faria o que fosse para não ter que lutar com isto – disse com amargura na voz – e já tinha preparada a resposta no escritório: tinha conseguido sangue humano de um hospital de Trouxas. Dispus-me a fazer o sacrifício de bebê-lo... mas não foi o sacrifício que eu pensava. Vi-me deleitando-me nela, saboreando, engulhindo-a como um animal... ou algo pior –Calou-se durante um momento, sua voz culpada e envergonhada ressonando ainda na sala – Mas o melhor venho depois. Me senti... alienado com respeito ao resto do mundo, elevado além desse velho saco de carne...e meu instinto me pedia atacar, destruir e ferir... beber da própria fonte e não de uma bolsa fria. Tive medo de não poder me controlar o suficiente e fugi correndo do escritório. Ainda o tenho, sabe? Já passou tanto tempo e ainda sinto a ânsia no fundo de minha mente, Potter – afundou seu rosto de novo entre as mãos, e em seu tom voltou a introduzir-se sigilosamente um timbre histérico – O que vou fazer comigo? O que me fez esta maldição? Oh, Merlin, sou um monstro...
- Não fale isso! Pode ser que seu estado atual te há dado certos novos desejos ou instintos, mas não são mais que isso, instintos. Pelo menos pode controlá-los, não como o professor Lupin durante a lua cheia. O importante é que decidiu não se render a eles, e isso é o que diz muito de você. Não tem porque se envergonhar, Draco. Nada disto é vontade sua.
O olhar do outro passou incomoda sobre suas mãos. Talvez não tinha sido uma boa tática, mencionar o Professor Lupin, que tinha sido despedido pelos mesmos prejuízos que afetariam a Draco Malfoy se o fato acabava em público. Definitivamente um tema que não era adequado de se falar nesse momento. Se impôs uma troca de tema, e o que melhor que a intriga e a fofocas para animar a um Sonserino?
- Mas mudando de tema, okay? Sei que o que te disse não é fácil assimilá- lo, mas deve pensar sobre isso. Agora, necessito que explique esse comentário acerca do Professor Snape. Sabe, o Chapéu Seletor não duvidou comigo por nada, e adoro uma fofoca em potencia. O que acontece com ele? – piscou um olho, pondo uma cara maliciosa que arrancou um vacilante sorriso de Malfoy.
- O que!? – explodiu o outro quando chegou o enredo do que acabava de dizer Harry – Repete o que acaba de dizer do Chapéu Seletor, Potter.
- A verdade, o Chapéu Seletor teve duvidas entre pôr-me na Grifinório ou na Sonserina, mas eu lhe pedi para ficar na Grifinória porque meus novos amigos estavam ali, e porque meu pai tinha ido para lá... e porque acabavam de me contar da reputação de sua Casa – o outro emitiu um bufido sarcástico – Assim que ande com cuidado, Malfoy, porque posse chegar a níveis Sonserinos de malicia e intriga se me provoca... – e fez uma expressão maliciosa como a que tantas vezes havia visto na cara de Malfoy, o que ao outro não passou desapercebido, vendo o riso que rapidamente tratou de afogar.
- Por isso frustrava tanto meus planos...não é um íntegro Grifinoriano depois de tudo... – se levantou e voltou a se deixar cair, atônito, no sofá, a atmosfera triste de antes totalmente esquecida pelo momento – Quem ia imaginar... o Garoto de Ouro de Dumbledore... parte Serpente como nós!
Harry se manteve sentado com um sorriso retorcido no rosto, complacido que o humor da noite houvesse mudado de novo. Contudo, quando viu que tinha assimilado a nova, mais ou menos, levantou uma sobrancelha a sua vez e com uma careta que teria sido o orgulho de qualquer dos Marotos originais, remarcou:
- Já vê... não posso resistir a uma boa fofoca... e menos ainda sobre Snape, assim que desembucha, Malfoy.
- Não deveria... mas tendo em conta que é quase um honorável membro da Antiga e Nobre Casa da Serpente, Potter – disse fazendo uma leve reverencia com gesto irônico – posso te revelar segredos da sociedade de Puros- sangues. Como sabe, os Snape são outra família de antiga linhagem mágica, e entre famílias de Puros-sangues tudo se sabe. As linhagens mais antigas e prestigiadas tem todas, ou quase todas, parte de sangue não humano, produto de cruzamentos com criaturas mágicas no passado. Os Malfoy, e isto é reconhecido publicamente, temos uma grande dose de Veela correndo por nossas veias. Outros, como os Zabini, corre o rumor de que tem algo, mas muito diluído, de sangue de gigante – Harry pensou na figura forte de Blaise Zabini com novo interesse – Os Crabble e os Goyle...bom, é quase evidente que têm um pouco de sangue de troll – disse afogando um sorriso satânico – E não adivinha de que criatura tem sangue os Snape?
- Não será de... – começou a dizer, uma luz acendo-se lentamente na sua cabeça, e gesticulando vagamente até Malfoy.
- Exato. Se sabe que pelas veias dos Snape corre sangue de vampiro... mas entre as famílias antigas corre o rumor que percorre tanto pelas suas veias, que com um cruzamento mais... já não correria de tudo. O Professor Snape é o mais parecido que se pode chegar a ser a um vampiro sem sê-lo... a exceção minha, evidentemente. Esse homem é um Bruxo das Trevas muito poderoso... odiado e temido por muitos, entre eles meu pai. E também é um maldito detector ambulante de Magia Negra, porque é parte de sua natureza. Entende agora as precauções que tomei para não me cruzar sequer com ele durante estas noites? – fez um gesto nervoso, sem duvida imaginando-o – Os feitiços de contenção ajudaram a que não se aproxime demasiado a sala, mas se me o encontrasse de frente saberia que passa algo estranho comigo...e não vale a pena descobrir se as suspeitas de meu Pai são certas ou não.
Harry não respondeu. Tratou de conciliar a nova informação com o que conhecia de Severus Snape, professor de Poções. Quase podia fazer uma lista e ir comprovando-a, tão bem se ajustava a nova imagem a já conhecida. Temperamento volátil, correto. Pele pálida, correto. Olhos com capacidade de deixar gelado ou martirizar, correto. Impulsos...bom, muito bem negros, mesmo que tratasse de conte-los para com seus Sonserinos, correto. Envolvido com as Artes das Trevas, correto...
Era uma nova luz sobre o homem. Não era um completo desgraçado, sádico e parcial, obcecado com as Artes das Trevas; destino de um homem marcado pelo seu sangue, como Harry ou como Draco, que não podia evitar sofrer sua herança ainda que lutasse do lado que acreditava...e que era desprezado todavia por quase todo o mundo. E não era de se estranha que estivesse amargado. Draco tinha que lutar contra seus impulsos varias noites ao mês. Snape levava fazendo-o desde de seu nascimento, e o melhor que conseguia era ser considerado um sádico amargado pelos que o rodeavam. Certamente era merecedor de respeito, como a que profetizava Dumbledore, e não só por suas habilidades mágicas, que se se aproximassem as que explicava o livro, deviam de ser temíveis.
- Ficou reavaliando sua opinião dele, não é? – comentou Malfoy em voz baixa, observando-o com atenção – Para que veja que em Sonserina não somos todos malignos e corruptos, nem Snape o bastardo que imagina. É o verdadeiro Cabeça da Sonserina, e mesmo que não seja fácil de se lidar, sim, Potter, nos impõe disciplina mesmo que não pareça – o olhou desafiante – Ele nos deu os ingredientes para a poção para suplantar a Blaise, e não nos perguntou nada, assim que o sabia. O pai de Zabini tem se controlado bastante desde então – comentou com expressão séria – E tampouco é tão parcial como parece: o resto dos professores o são com nós, assim que é olho por olho, suponho. Mas bom – comentou mais alegremente, deixando que um sorriso malicioso se estendera a seus olhos – deixemos o tema do Professor Snape e vamos a outras fofocas excelentes: sabia que Millicent esta caidinha por Terry Boot...?
Continua..
N/T: Depois de séculos eu atualizo! Um grande obrigado a todos pelos reviews, prometo q o próximo serámais rápido
Bjos
