Tão bela que mete medo, tão fantasiosa que causa lástimas"
(Machado de Assis)
Capítulo III
"Só posso estar sonhando", pensou assustada ao levar a mão ao coração. "Como... como ele veio parar aqui".
-Eu conheço você?- o moço perguntou.
Sim...Não. Mas já estivera com ele entre seus braços por alguns minutos. Sentira o cheiro...e ainda tinha o lenço manchado com o seu sangue... Mas ele não se lembrava. O que não era de se estranhar...O coitado estava desacordado. Porém, o que lhe causou uma certa estranheza foi o fato de que Eriol ou lorde David não terem reconhecido o jovem chinês.
-Ah...- era melhor manter aquele episódio desagradável renegado ao passado.- Não... meu nome é Sakura Kinomoto...
Ele era mais bonito do que se lembrava. Tinha um brilho místico nos olhos... Um brilho que a deixava constrangida, insegura...com medo. O corpo de dar inveja aos deuses do Olimpo. Enfim, era tudo de mais mágico e bonito...
-Muito prazer senhorita Kinomoto... sou um humilde servo de lorde Eriol.- falou submisso.
-Posso saber a sua graça...?
Shoran estava perdido... Não sabia que passo deveria dar, pois primeiramente não estava muito convencido com a negativa dela, segundo porque não conseguia se concentrar ao lado dela chegando a ponto de esquecer o próprio nome. O sorriso dela era contagiante... Nunca seu coração havia palpitado tanto... era aterrorizador.
-Li...Shoran Li.-falou oferecendo a mão, num gesto cortês e tradicional.
-Prazer em conhecê-lo.. .Infelizmente não estou familiarizada com os empregados de meu senhor.-falou aceitando o aperto de mão dele.
Uma descarga de mil átomos ocorreu no momento que as mãos se tocaram... foi o prenúncio real do que viria a acontecer.
"Como a mão dela é frágil... aliás, como tudo naquela donzela". Pensou extasiado. "Como conviverei com ela sem poder tocá-la...".
-Está trabalhando aqui há muito tempo?-perguntou curiosa retirando as mãos delicadamente.
-Não...
Sakura voltou a sentar no banco... estava com as pernas bambas, se não se sentasse naquele banco iria desmaiar.
-Esse jardim é maravilhoso.- falou sonhadora.
-É verdade... Não há jardim mais bonito em toda China.
-Concordo plenamente.- falou olhando para o jardim magnífico.- Sente- se...Deve estar desconfortável ai de pé.
-Não precisa incomodar-se comigo senhorita...
"Não era incômodo... e sim um conforto para ela estar com ele a seu lado", nervosa com o pensamento incoerente, Sakura torceu o lenço.
-Que flores são aquelas?- perguntou apontando para as mais lindas plantas do jardim.
-São rosas silvestres...Muito raras nessa região.-ele informou.
Eram rosas como ela... Muito rara, e com uma beleza jamais vista em toda China. E assim como as flores tinham a tendência de murchar com o tempo.
-São muitos lindas... Posso ficar com elas?
-Claro, senhorita...
-Não me chame de Senhorita... Shoran.- falou sorrindo.- Para você sou apenas Sakura.
Shoran arregalou os olhos ao escutar a afirmação sincera da garota... Por que se sentia assim? Como se pela a primeira vez tivesse sendo tratado como ser humano e não mais com uma peça de um quebra-cabeça. E o pior é que eram pelas palavras de uma estrangeira, da qual em poucos dias seria seu algoz... E se Chao mandasse poderia "matar" a jovem.
"Pela primeira vez na vida estou sendo tratado bem... sem ser humilhado". Pensou transtornado. Ao ver a jovem se levantar e ir até as rosas... Não pôde deixar de admirar o corpo da jovem sobre as vestes chinesas.
-Vou ficar com essa. - ela falou.- Tem a fragrância ótima... E a beleza a difere das outras.
"Como você princesinha", Shoran pensou se aproximando dela, cuja beleza era diferente de todas as outras estrangeiras... E que seria capaz de colocar ciúmes até na grande imperatriz da China..."O corpo era de dar inveja a qualquer concubina de Hong Kong"
Quebrando o talo da rosa desejada por ela, deu-lhe a ela; mas não com ato de galanteio mas de simples e fria condescendência. Não era de sua personalidade bancar o cavalheiro com uma jovem estrangeira, que por mais que fosse bonita e desejável não passava de uma inimiga mais vil e cruel. Era esse o pensamento que deveria ter.
-Muito obrigada, Shoran...
-Não foi nada, senhorita... Quer dizer Sakura.- falou sem graça, pois pela primeira fez na vida estava sendo idiota.
-Sua mão... Ah meu Deus! Deixe-me ver isso.
Só então percebeu que sua mão estava sangrando... Não sentia dor, pois tal ferimento não se comparava com nenhum já sofrido por ele antes. Mas o terror que vira nos olhos da jovem fora de uma certa forma chocante para ele.
-Não se preocupe com isso...
Ela não o escutou, num gesto determinado largo a rosa e pegou a mao do jovem chinês e delicadamente retirou o lenço... E começou assim a limpar o ferimento dele.
-Desculpe-me, por favor...-ela falou com lágrimas nos olhos.-Por causa de um pedido tão fútil meu...Você se machucou.
Constrangido, Shoran não tinha palavras para expressar seus sentimentos... Era tão bom estar sentindo aquelas mãos cuidando dele, ao mesmo tempo em que lhe trazia um sentimento de familiaridade incrível... Não resistindo, acariciou o rosto da jovem que imediatamente deixou de cuidar da mão dele.
-Sua pele é maravilhosa...- sussurrou fazendo os olhos dela se encontrarem com os dele.- Seus olhos então nem se fala...
Os olhos se encontraram e por um longo minuto ficaram sem ação...O destino mais uma vez brincara com eles. Não era possível sentir uma atração tão grande por uma pessoa que na verdade havia conhecido há poucos minutos.
-Senhorita Kinomoto... Onde está?- Mai chamava em plenos pulmões.
Sobressaltados, se distanciaram um do outro rapidamente, com medo de serem mal interpretados.
-Senhorita Kinomoto!
Sakura se encontrava mais vermelha do que um pimentão, não sabia como se comportar depois daquilo... Era impressionante, mas realmente não sabia o que falar.
-Agora... Tenho que ir...- falou não conseguindo olhar para ele.- Seremos mal interpretados... Se Mai nos pegar...
Shoran viu Sakura se afastar aos poucos com uma presa impressionante. E teve certeza que estaria em maus lençóis... Ao ter que conviver com a garota, se há poucos minutos quase havia cometido o maior erro da vida dele...Que seria beijá-la. Olhando para o chão encontrou o lenço e a rosa... Timidamente as pegou.
"Terei que devolver isso para você senhorita, mas não pense que desistirei de cumprir minha missão para lhe proteger" pensou ele. "Pois mesmo que tenha que morrer, jamais trairei meus amigos".
-Na onde você se meteu prima...?-Tomoyo falou minutos depois de sua chegada.- Lorde Eriol ficou muito impaciente, pois os convidados dele... não paravam de perguntar de você.
Sakura não escutava Tomoyo... Aliás, não escutava ninguém. Estava nas nuvens realmente... O jovem que conhecera não saia de sua cabeça. Estava perdida...
-Sakura eu estou falando contigo! -Tomoyo falou nervosa.
-Eu sei...- falou subindo as escadas.
-Aonde pensa que vai... Lorde Eriol que falar com você.
Mas ela não queria falar com Eriol, queria ir sim para seu quarto e lá se trancar, como vinha fazendo desde o começou... Ficar sozinha e só com a lembrança do jovem chinês. Mas sabia que isso seria uma afronta contra o noivo... E isso seria inadimissível. Não estava pronta para encarar o noivo de frente.
Shoran olhava para rosa em sua frente e não podia deixar de se sentir ridículo por esta cuidando tão bem dela...Se Chao ou Wang o pegasse fazendo isso, certamente não o mais deixariam em paz... Ele próprio se sentia ridículo, por está adorando uma rosa. E ainda mais por sentir simpatia por uma infiel exploradora... Não ele não sentia nada, pois na verdade ele a odiava... Por tudo que ela representava para Eriol, aquele desgraçado que há cinco anos atrás destruirá a sua vida e de suas irmãs...
Ainda se lembrava do dia que a cavalaria inglesa invadira o templo matando todos que lá estavam... Por apenas diversão. Pois a guerra já havia acabado, e aquelas pessoas já não representavam um risco a eles, já que Hong Kong de uma certa forma era deles.
Tinha que se lembrar dos versos pregados nos templo, nos quais diziam:
"Quando os demônios de fora/
Forem expulsos até o fim/
O grande China, unido, junto à nossa terra trará a paz enfim".
Sim, quando os demônios fossem embora seu país estaria livre e limpo novamente, seu povo não sofreria humilhações...Suas irmãs recuperariam dignidade já roubada... E seus pais poderiam descansar em paz. Sim, iria lutar e matar quantas pessoas preciso para conseguir atingir seu objetivo.
Num gesto raivoso, Shoran começou a treinar com sua espada. Com ela naquele momento matou os assassinos de seus pais, e também matou a criança ferida que ainda havia nele... Já que seu destino estava traçado.
"Como será que esse "rebelde" vai morrer?" Um soldado há muito tempo havia perguntado a Chao "Pela espada, ou por fome?"
Chao naquele momento não respondeu, apenas disse que o destino de cada chinês dependia apenas de Buda. Mas agora sabia que morreria pela a espada... Lutaria até fim, e expulsaria todo estrangeiro de seu país.
Sakura entrou timidamente na biblioteca aonde seu noivo se encontrava. Não estava tranqüila, mas podia dizer quer estava preparada para bomba que estava por vir...Viu que Eriol se encontrava de costas, com um olhar pensativo... Triste... Podia- se dizer com um olhar até humano... O que era impossível, pois Lorde Eriol não era reconhecido por seu jeito amável e sim pela crueldade de seus atos.
-Meu senhor, mandou-me chamar- me...?-perguntou cautelosa.
-Sim... Preciso ter uma conversa decisiva com você.- ele falou virando para ela.
Ele estava serio, com uma expressão enigmática na face... Uma expressão preocupada. Parecia de remorso... Mas porque? Estava curiosa.
-Sou um ser humano tão desprezível, Sakura?- perguntou Eriol, tirando um olhar surpreso dela.
Não sabia o que responder. Mas não podia esconder a verdade, pois para ela Eriol era um ser humano horrível... Mas não desprezível, simplesmente tinha medo dele. Respondendo com sinceridade:
-Tenho medo de você, meu senhor...-falou polida.
Sakura percebeu que Eriol a encarava com uma certa admiração, o que a deixou ainda mais surpresa. Ele a tomou pela aproximado seu corpo mais próximo dele. Em silencio, fitou seu rosto, e acabou descobrindo de que havia encontrado a mulher certa... A mulher que colocavas fogo no seu coração. Fazendo querer ser uma pessoa melhor...Do que nunca fora.
-Será que você acreditaria se lhe falasse... Que entre todas pessoas no mundo é a única que desejo que não tenhas medo de mim?-perguntou baixinho.
Hipnotizada pelos lindos olhos negros de Eriol, Sakura ficou muda... Havia um sinal que a deixou chocada, os olhos expressivos de Eriol estavam cheios de emoção que era simplesmente sincera, e isso a deixou nervosa.
Vendo a hesitação dela, Eriol soltou-lhe a mãos.
-Conversando com Sir Claude hoje... Decidi apresar nosso casamento.
Não... Aquilo nunca viria acontecer. Se casar com ele era fora do contexto... Era inaceitável.
-Não... Eu nem tenho um vestido.- falou nervosa.
-Lady Sofia e sua prima Tomoyo ficaram responsáveis em confecciona o vestido.-informou sentado novamente na poltrona, e logo em seguida bebeu um pouco de vinho.- Nosso casamento está marcado para semana próxima...
Janeiro de 1900.
Centro missionário,
Pequim-China.
Como uma nuvem de tragédia um grupo de rebeldes se preparam para invadir o centro de ajuda estrangeira. Sob o comando de Chao Fu-tein, Wang se preparava para sua centésima missão como rebelde dos Yijetuan... Estava nervoso, aquela missão era de um grande apego... seria o dia de vingança, onde a memória da sua mulher e filhas seria louvada para sempre. A partir daquele dia estaria livre das amarras que o prendiam ao passado.
-No total são doze pessoas... Alguns são mulheres, mas não perdoem.- Chao dava ordem para um grupo de soldados.
-E você... Senhor Chao?- perguntou um garoto.
-Eu irei acertar contas com um diplomata em especial...- falou cínico.- Vamos homens... Vamos expulsar esses malditos da nossa terra.
Os trovões começaram soar no céu cinzento de Pequim, anunciando que ali haveria um massacre... Do qual nunca a humanidade iria se esquecer... Com capuz negro e armado de pistola e espada, um grupo de cinco rebeldes começa a examinar o terreno, visando primeiros os soldados ingleses que protegiam o forte.
"Eram poucos comparado com a força rebelde e certamente não resistiriam por muito tempo" pensou Chao animado, já com a pistola em mãos. "Buda... e pela grande imperatriz lutaremos até a morte".
-Prontos rapazes?-perguntou Wang amimado.- Está na hora...
-Estamos, sim.- respondeu Chao.- Subjugarei o soldado da esquerda e assim subirei logo até o diplomata.
-Muitos bem, rapazes.-Wang falou se levantado.- Darei cobertura a você, Chao.- informou logo depois de assumir sua posição.
A tempestade veio muito poderosa arrastando tudo o que havia, mas não seria capaz de parar os rebeldes.
Chao deu o sinal para começarem o ataque, e como previsto logo os solados foram neutralizados e brutalmente mortos. Todos lutavam... Menos Chao que ficaou minuciosamente detalhando o inimigo... Mas logo com a lâmina de sua espada partiu para cima do oponente.
O conjunto de expressões diabólicas ao individuo com qual Chao lutava, chamou atenção de Wang... O homem era mais equipado do que Chao e certamente teria uma certa facilidade em matá-lo. Rapidamente Wang e foi em socorro a seu líder e irmão. E em questão de minutos o homem estava morto...
-Obrigado Wang!- ele falou.
-Você esta me devendo esse irmão.
Lado a lado, com as espadas numa das mãos e a pistola na outra, eles foram cainhando até o portal. Chao enterrou a espada num oficial que veio em sua frente. Foi salvo por um tiro certeiro de Wang.
-É melhor recuarmos...- Chao falou.
-Não...Não isso nunca, prefiro a morte a ver esses ingleses imundos impunes...-sua voz calou ao receber um tiro certeiro no peito.
Mansão Palmerston
Aposento dos empregados...
Shoran estava tendo um pesadelo, e como o clima lá fora estava escuro... Sua alma não descansava e sua memória voltava para o passado...No dia que seu pai morrera em seus braços...
" 25 de agosto de 1890... Hong Kong-China.
-Shoran... Shoran...Meu filho você está ai...?-perguntou à beira da morte, após ter se ferido mortalmente na barriga.
O jovem Shoran Li de apenas dezessete anos chorava sobre o cadáver semimorto do pai, guardião e...Principalmente amigo.
-Sim, meu pai...-falou com o rosto banhado de lágrimas.
-Shoran... Meu querido filho guarde essas palavras na sua cabeça... E passes para seus filhos... Não há nada mais importante na vida do que ter uma família... E sua terra. Não há orgulho nenhum no que seu velho pai fez... Eu deveria ter dado mais atenção a sua mãe, em vez de sair pela China em busca de aventuras... E agora que Buda esta me levando embora para o lado dele... Vejo que nada é mais importante do que a família. Filho, quero o melhor para você e suas irmãs...agora que eu e Yelan estamos de partida... Fique com suas irmãs, arrume um bom casamento para elas... E se case com a mulher certa, como encontrei sua mãe...
-Você não vai morrer, não vai!-gritou Shoran.
-Adeus meu filho... Que a paz esteja contigo.
O silencio impregnou no quarto...Deixando o jovem Shoran vazio, que abraçava seu pai, não permitindo a partida dele... Por longos minutos passou ali ao lado de sua maior referência... Sua vida, que fora morto por alguns crápulas ingleses. Finalmente, Wang tocou em seus ombros.
-Shoran, ele se foi.-falou com suavidade.
-Eu sei.
Devagar, Shoran largou o pai e estremeceu ao fitar-lhe os olhos vazios, o tocou, e então as pálpebras cerraram.
-Quero ser um Yijetuan...-falou decidido.
A partir daquele dia virou um rebelde...A partir daquele dia perdeu seu coração definitivamente."
Os trovões aterrorizadores soaram lá fora tirando Shoran do seu imenso pesadelo. Nervoso, viu que sua camisa estava ensopada de suor... Levantado, rapidamente sentiu que não estava sozinho no quarto.
E com rapidez impressionante pegou a pistola que sempre ficava ao lado da cama.
-Quem é?- perguntou temeroso.
-Sou eu... Mai...-falou a menina aterrorizada ao se ver na mira da pistola.
Oie!
Aqui está mais um capítulo dessa trama aterrorizante (?)
...Sim aterrorizante principalmente nesse capítulo cuja para falar verdade eu não gostei muito... Tentei chegar mais perto da realidade, e por isso acho que perdeu um pouco da história, pode apenas ser paranóia minha... Mas... Tirem suas próprias conclusões e depois comentem...Ta certo?
Notas históricas
Bem, uma coisa que até agora não comentei com vocês é sobre a Dinastia dominante na China nesse período histórico conturbado. Que foi a dinastia Mandchus ...Que renasceu da política decadente da Dinastia Ming (ela foi à única dinastia Mongol a dominar o China no século XVI, além de ser originaria da Mandchuria e ficou no poder até o ano de 1911).
Para vocês verem o quanto o "Expansionismo inglês" vez para China, que em tratado firmado depois da primeira guerra do ópio, era de que a China teria que pagar uma indenização previa de 21 milhões de dólares a serem pagos em quatro anos, além da total liberdade sobre o comercia... O que agradou os súditos britânicos.
E se contar o preconceito que os chineses sofriam. Conta-se que em muitos estabelecimentos comerciais ou lazer eram fixado cartazes com os dizeres: "Proibida a entrada de cães e de chineses".
Em fim temos que convenha que a arrogância inglesa era demais.
Mais uma vez obrigado pela atenção cedida a essa fic.
Um beijo!
Até a próxima semana!
