e até do perfume da flor;
duvida de toda a verdade,
mas nunca do meu amor..."
(Hamlet-William Shakespeare)
IV Capítulo
A expressão assustada dos olhos doces de Mai o fez acordar para a realidade. Agora que estava realmente perdido... pois certamente aquela garota daria com a língua nos dentes, e contaria que ele tinha uma arma...e seu plano de seqüestrar Sakura iria definitivamente por água abaixo. Tinha que calar a boca daquela garota de alguma forma... teria que mata-la.
Mas seria muito arriscado, tendo em vista que Mai era uma peça importante em seu baralho e descarta-la agora seria atrasar em pelo menos um mês o seqüestro... e isso não seria cômodo para ele, muito menos para Chao ou Wang. E ele não queria ser culpado pela decorrida do Yijetuan.
-Por favor não me mate... eu lhe imploro. - Mai disse nervosa.
Não deveria ter vindo ali... agora sim estava com sérios problemas. Como sairia dali viva... tendo uma pistola apontada para seu peito e pronta para ser disparada. E como estava sendo idiota ao sentir desejo por aquele rebelde... mesmo sendo ele agora o dono da arma que a mataria. Mas seu coração e seus sentidos não podiam ou não queriam negar que sentia uma forte atração por ele.
Teria que mostrar sua verdadeira face se quisesse ficar viva... teria que seduzir Shoran e esse pensamento a deixou mais tranqüila...e excitada.
-Por Deus...Shoran, vire essa arma para outro lado. - falou com a voz sensual.
A mudança de comportamento deixou Shoran atordoado. Nunca em sua vida imaginara que Mai fosse agir como uma felina... alguma coisa estava errada e ele teria que descobrir. Além do mais não gostava de mulheres assim... preferia aquelas que ficavam caladas e se submetiam apenas em dar prazer a ele.
-O que você está fazendo aqui Mai?-perguntou mantendo a arma apontada para a moça.
"Seu truque não havia dado certo." Pensou angustiada. Teria que se aproximar mais dele...mas como tendo uma arma apontada para seu colo.
-Vim apenas ver se precisava de algo. - falou com a voz trêmula.
"Não era verdade... viera ali para se oferecer a ele" Shoran pensou olhando para as curvas dos seios da jovem. Definitivamente era uma bela mulher com lindos seios, lábios carnudos e pernas bem torneadas... mas não era seu tipo, aliás, até aquele momento nunca havia reparado nos atributos físicos da criada. Sendo que a única mulher que havia reparado naquela vida era na jovem japonesa, cujos olhos...eram semelhantes a duas esmeraldas.
-Mentira...-falou determinado a cortar o mal pela raíz.-Fale a verdade para mim jovem Mai?
"Droga... desculpe meu Deus pelo fraquejo, pois acho que logo estarei a seu lado." Mai orou em silencio, retirando a cruz que tinha no pescoço.
O que chamou a atenção de Shoran, pois era a primeira vez que se dava em frente a um cristão chinês...e isso não lhe agradou nem um pouco... pois este é outro bom motivo para acabar de vez com aquela jovem intrometida.
-Eu...eu não menti...-falou tensa.-Como não te vi mais... depois que havia pedido para ir a cidade... resolvi vir aqui...
-Então por que hesitou tanto em falar?
Estava perdida... pois os olhos dele não desgrudavam da cruz que ela carregava no pescoço. Finalmente, caira a ficha... ele era um rebelde , certamente esse era seu fim. Era o que merecia por ter sido leviana... ser morta por um rebelde Yijetuan. Nem Deus seria capaz de salva-la do destino tão cruel e miserável a que estava predestinada.
-Eu...eu queria apenas ser...ser sua mulher.-disse ela rapidamente não escondendo a vergonha.-É uma saída...que achei para sair desta vida triste que levo.
As lágrimas começaram a cair sobre sua face... e com as mãos trêmulas começou em vão a limpa-las, mas seu planto era maior. Isso deixou Shoran um pouco mais comovido com a garota.
-Por favor...abaixe essa arma que contarei toda a minha história...-pediu ela suplicante.-Por Deus...Shoran, sei que você odeia todos os cristãos...sei que você é um rebelde... mas também sei que você é um chinês como eu...então não atire por favor...não antes que eu contar como vim parar aqui...
Sabia que estaria errando ao dar ouvidos a Mai, mas não podia negar a ela ao direito de se explica...além do mais, se caso ela colaborasse com ele...poderiam ter uma bela parceria... ela poderia ser a ponte que ligava ele a Sakura.
-Fale Mai... estou te escutando.-falou seco abaixando a arma.
Podendo respirar um pouco mais aliviada por não estar na mira da pistola de Shoran, Mai sentou na beirada da cama do moço sem se importar com o que ele poderia pensar dela.
-Eu tinha doze anos quanto fiquei orfã... era sozinha e não vi outra alternativa a não ser sair do vilarejo que morava e tentar a vida na cidade... mas foi em vão, já que a situação ficou pior... não tinha nem o que comer...- a voz não queria sair. - Então um dia passando pela embaixada britânica... vi um anuncio, no qual oferecia emprego e comida para chineses... que aceitassem servir de escravos para eles... e bem eu aceitei.-fez uma pausa dolorosa.-Em pouco tempo fui educada sobre os pretextos cristãos... e fui mandada para a casa de sir Eriol... na qual estou até hoje.-tentava em vão formular o seus pensamentos mais não conseguia.-Um dia estava trabalhando... como normalmente faço... e vi do nada sir David aparecer... com o ódio normal dele...me bateu, me humilhou e por fim me estuprou... tenho a marca da crueldade dele até hoje em meu corpo...e em meu coração. E ao te conhecer pensei em ter encontrado o homem que me tiraria daqui...
Shoran escutou quieto toda a história de Mai... uma história triste, porém não diferente de muitas por aí... mas o que era o mais revoltante foi saber que aquele brutamontes covarde fora capaz de violentar uma chinesa, mas que acima de tudo era uma mulher que merecia um pouco de consideração.
-Eu não sou contra sua revolta..até torço por ela, mas hoje não posso me dar ao luxo de abandonar tudo isso e ir viver na miséria...-ela finalizou olhando para os olhos dele.-Por favor, poupe minha vida...juro que da minha boca não sairá um pio que te prejudicaria.
Não tinha alternativa a não ser confiar na jovem, pois lhe faltava coragem para matá-la...sabia que estava sendo um covarde...até mesmo um traidor por descumprir as leis dos boxers...mas estava seguindo a razão, e ela no momento lhe pedia para deixar a garota viva.
-Dessa vez você escapou por pouco... tome juizo garota.-falou sério voltando a guardar a arma na gaveta.-Pode ir embora... e se você preza sua vida nunca mais entre assim no meu quarto.
"Não iria embora antes de retribuir o gesto de bondade dele." Pensou Mai indo de encontro a ele, sabendo que estava pronta para dar um passo importante em sua vida. e sabia que não iria se arrepender.
-Mai...
-Por favor, não fale.-pediu suplicante.
Tocou-o nos braços e estremeceu ao sentir os músculos reagirem ao contato. Puxou-os, então, devagar para envolverem-na, e suspirou aliviada quando eles a estreitaram. O tamanho e o poder latente daquele corpo lindo pareceram encolher seus sentidos.
-Me ame... Shoran.-ela falou olhando para ele.-Sei que não tem uma mulher a muito tempo... e eu sou essa mulher, por favor me faça sua.
Ele era um homem, e Mai estava certa... fazia tempo que não sentia uma mulher junto ao seu corpo. Mas em vez de ver o rosto de Mai...via o rosto angelical de Sakura... sentia o cheiro de cerejeira...
-Quero que me beije.
Sem esperar os lábios se encontraram e o mundo desapareceu para Shoran. Apenas o seu prazer importava... e mais nada, mas sem saber o por que sentia que estava fazendo amor com Sakura e não com Mai.
Sakura olhava desanimada para o rosto da prima Tomoyo, que obedientemente sentada ao lado de Eriol bordava. Podia ver que havia uma admiração latente entre os dois, o que deixava ela com ciúmes, pois sua prima mudara com ela, chegando ao ponto de marcar seu casamento sem ela seu conhecimento.
Bem, até agora não se conformava com aquilo...mas já não tinha lágrimas para chorar, já não tinha voz para gritar e muito menos animo para fugir... seu destino estava traçado... jogado aos quatro ventos. Sua sina era ser infeliz e ter oito filhos com um homem que odiava ao invés de amar.
Estava sozinha e tinha que aprender a lidar com isso. Conformar-se e ser feliz com o futuro que Deus havia lhe dado.
-Você está se sentido bem?-a voz poderosa de Eriol perguntou segurando suas mãos.
"Não...e tire essas mãos imundas de cima de mim" Sakura pensou nervosa.
-É claro que estou bem, meu senhor.-falou mentindo.-Mas posso saber o motivo da preocupação?
-Suas mãos estão geladas... e hoje você está mais quieta do que o normal.
Queria matá-lo... seu ódio era poderoso e certamente iria matar Eriol com ele... ele iria pagar por todos os crimes que tinha cometido ou seu nome não era Sakura. Não sabia como, mas destruiria ele.
-Desculpe se causei preocupação ao senhor... mas hoje estou cansada.-falou retirando educadamente as mãos das dele.
Iria trata-lo tão mal que este não veria alternativa...senão devolvê-la para a família. Essa seria sua estratégia...e começava a partir de agora... iria ser fria com ele completamente.
-Eu me preocupo com o bem estar de minha noiva e jamais isso será um problema para mim.-disse sorrindo para Tomoyo.-Sua prima sabe como você é importante para mim.
Tomoyo era a incentivadora maior de tudo aquilo...era ela que dava esperanças a Eriol, teria uma conversa decisiva com ela e acabaria com o estágio de cúpido da prima.
-É verdade prima...-confirmou Tomoyo sorrindo.
-Eu me importo tanto contigo que amanhã permitirei que saia para um passeio com a senhorita Tomoyo e sir David.-informou ele feliz.-Pequim é uma cidade interessante... e será muito importante que a conheça enquanto pode.
Não sabia se ria ou chorava... primeiramente não tinha interesse nenhum em conhecer essa cidade, que estava infestada de rebeldes... e segundo, odiava estar com sir David...o homem era o demônio em pessoa, além de odiar o olhar de cobiça que ele lhe lançava quando Eriol não estava olhando.
-Espero que tenha gostado do meu presente - Eriol falou sorrindo.
Iria obedecer ao noivo pela última vez, pois tinha que sair um pouco daquela prisão que fora encarcerada... iria visitar a cidade inteira sem medo...pois a morte no momento seria sua única sua salvação.
-Claro que sim... meu senhor.-falou cinicamente.
O silêncio impregnou na sala, deixando Sakura aliviada. Levantou-se calmamente e foi pegar um livro qualquer... sem nenhum entusiasmo para ler o que nele contia. Mas faria de tudo para não escutar aquela voz sonora e fria de Eriol.
Sua vida aos poucos se transformara em um inferno, desde o momento em que Lord Eriol entrara nela.
Shoran estava sentado olhando pensativo para o corpo adormecido de Mai... estava arrependido por ter se deitado com a moça, aliás havia sentido e pensado em uma pessoa que para ele no momento era impossível... havia pensado em Sakura.
Estava maluco ao sentir aquilo pela noiva de seu inimigo. Não fora justo com ninguém, nem com ele ou muito menos com Mai. Além do mais, o cheiro de sangue estava invadindo suas narinas. E no fundo tinha certeza que algo muito ruim havia acontecido.
Oie! Como estão!
Antes de brigarem comigo... não foi minha intenção fazer Shoran se render ao encantos de Mai, mas com o andar do capítulo isso aconteceu. Desculpe pelo o capítulo ter saído muito pequeno, mas é que meu PC deletou o capítulo que era para ser postado e esse foi escrito um pouco às pressas.
Bem, o próximo capítulo terá a tão esperada cena do seqüestro... além da primeira cena romântica do casal mais Kawaii do mundo...Sakura e Shoran, depois de muita briga, claro!
Agora vamos aos agradecimentos:
Um abraço para minha amiga e revisora Gizeli. Nesse capítulo ela fez milagres...
Mas uma fez obrigada por todo o incentivo. Espero por mais reviews, Ok!
Um beijo!
Até a próxima semana.
Tchau!
Anna
