"A quanto chega

A pena forte!

Pesa-me a vida,

Desejo a morte,"

(Marília de Dirceu- Tomás Antônio Gonzaga )

XII Capítulo

Shoran ainda estava se recuperando do susto que fora ver Sakura sobre a mira da arma de Lin. Já até tinha uma idéia de que um dia isso viria a acontecer... Só não imaginava que viria a acontecer tão cedo. E muito menos imaginava que sua reação seria tão violenta... por um momento, pensou que não chegaria há tempo de salvar Sakura da morte... Naquele exato segundo pensou que iria matar Lin, e deveria ter feito isso, se fosse há duas semanas atrás talvez teria feito isso, mas agora que estava mudado, já não se sentia tão forte e capaz de matar quem quer que fosse. Mesmo que essa pessoa merecesse morrer...

- Desculpe-me... não foi minha intenção. - a voz trêmula de Sakura soou nas suas costa. - Eu...eu só acatei as ordens da senhorita Kaho...

Naquele momento sua vontade era de abraçá-la e dizer de que alguma forma...De que tudo que estava ocorrendo nada tinha haver com ela... que de agora em diante a protegeria. Mas jamais poderia fazer isso, pois estaria ferindo suas próprias regras... que era nunca se aproximar de mulher nenhuma... não uma mulher tão especial como ela, porém, senti-la ela tão perto o deixava terrivelmente desconcertado.

- Não foi culpa sua, senhorita Kinomoto. - falou com dificuldade, ainda de costas para ela. - Agora, por favor, se vista... não quero ser responsável pela sua nudez.

Ela nem havia percebido que estava nua. Nem ele mesmo havia dado conta disso... devido a seu estado emocional abalado por encontrá-la sendo maltratada por Lin. Mas agora, seria um idiota se não percebesse que ela estava nua. E seria um burro se não se sentisse atraído por aquele corpo.

- Com licença...- ela sussurrou envergonhada.

- Tenha toda, senhorita. - ele falou friamente escutando os passo apressado dela indo até o toalete.

Shoran sentia o coração reprimido... não sabia o que estava ocorrendo com ele. Sua vontade era fugir...sumir, mas não estaria fazendo a coisa certa com seu avô ou com Sakura.

- Droga, droga!... Por que tenho que sentir isso?...Era tão melhor quanto eu não sentia nada. - sussurrou virando para olhar para o quarto.

Sim, realmente aquele era o aposento que a garota merecia. Não um porão que há meses atrás haviam preparado... E que julgava que a noiva de Eriol merecia. Como fora tolo, antes não tivesse se envolvido nisso. Agora se via encantado por uma japonesa que, acima de tudo, era sua prisioneira.

Seu sentimento, no momento, pouco importavam. Aliás, seus sentimentos nunca importaram a ninguém... desde de pequeno a única coisa que lhe ensinaram fora a arte da luta, como matar e ficar passivo a situação. O único livro que havia decorado era o de estratégias... Seus conhecimentos não iam muito longe, para ele sempre fora matar ou morrer.

O silêncio do quarto estava o deixando irritado. O clima seco do lugar dificultava ainda mais seu raciocinio.

- Como isso foi acontecer?...-sussurou dando as costas novamente. - Como irei ajudá-la se enm ao menos sou capaz de encará-la?

O cheiro de lavanda invadiu o ambiente tirando de vez a concentração de Shoran. Estava perdido... Ele, Shoran Li, um dos mais fortes guerreiros de toda a China...não era capaz de fitar uma mulher. Se um de seus inimigos ficasse sabendo disso, certamente ficaria surpreso, como ele estava no momento.

- Posso saber o que o senhor quer comigo? - ela perguntou timidamente.

Temeroso como a muito não se sentia, Shoran virou-se para ela. Não era a hora para ter medo de uma mulher, como Lady Sakura... ou muito menos ficar impressionado com a pessoa dela. Mas não pôde deixar de achá-la bonita... Aliás, estava linda com as roupas emprestada de Kaho.

"Por que tu és tão pura e bonita? Seria muito melhor se fosse fria e feia... você me pouparia muita dor de cabeça". – Pensou, notando o contraste entre a beleza do vestido típico chinês e a beleza quase ocidental da jovem. Os cabelos dela estavam soltos e batiam até a cintura... os olhos cor de esmeralda já não tinha o mesmo brilho, mas não deixavam de ser bonitos, além de se confundirem com o verde do vestido. Mas o que mais chamou atenção foi o crucifixo que ela tinha no pescoço... Ele não pôde deixar de repudiar aquele ato ou ela era muito burra, ou queria ser morta. Se alguém a visse com aquele objeto ela certamente seria morta.

- Menina, eu já falei para você não provocar ninguém. - Shoran disse tentando não parecer muito afetado pela a beleza da garota.

- Mas eu não provoquei...

- Sh, Sh... É minha vez de falar... e quando falo, espero que você abaixe a cabeça, pois não preciso escutar a sua defesa agora. - ele falou duro, num tom áspero e cortante

Sakura engoliu seco. Odiava ter que abaixar a cabeça, quando na verdade queria falar... dar a sua opinião, contar sua parte da história. Não fizera nada para ser atacada por Lin, mas ele não estava disposto a escutar a "sua verdade". Aliás, o que o levaria acreditar em uma cristã como ela?... No momento, ele devia estar com vontade de matá-la e não de escutar o que ela tinha a dizer.

- Senhorita, eu não estou disposto a agüentar esses olhos acusadores. - Shoran disse sorrindo cinicamente.

Shoran não estava agüentando a força daquele olhar. Eles transmitiam tanto dor e decepção que, a qualquer momento o obrigariam a cometer alguma loucura... No momento, sentia-se um dos piores homens do mundo por estar magoando a única mulher... que um dia fora importante em sua vida.

- Como o senhor quer que eu te encare? - pergunto cínica. - Sorrindo, feliz com o meu seqüestro?...

De repente, Sakura deu as costas para ele, o medo que sentia de Shoran era imenso, maior do que tudo. No momento, ela sabia que ele era seu único aliado ou o seu pior inimigo... não sabia o motivo que a levava a confiar tanto nele, mesmo sendo ele o seu seqüestrador. Talvez o seu amor havia deixado-a cega; nervosa, Sakura observou a paisagem gótica da região... ali não havia nenhuma flor ou cor. O negro era a cor que predominava, mas nem a paisagem deprimente conseguiu desfiar sua atenção de Shoran, tudo o que via era a imagem atordoante de Shoran, olhando cinicamente com aqueles olhos chocolates para ela.

"Você não está bem, Sakura"- pensou para si mesma, ao se dar conta do quanto aquele homem a estava afetando. "Ele não é o garoto tímido que você conheceu há dias atrás. Agora ele é um terrorista, que pelo visto, não gostava nem um pouco de você". O mais engraçado era que há uma semana atrás havia poupado a vida dele... Antes tivesse deixado sir. David matá-lo. Talvez, a essa hora ela não estivesse ali, sofrendo com toda a insegurança que a situação a levava a sentir.

- Para mim, pouco me importa a forma com que a senhorita me olha. - ele falou num tom irônico.

- Então, por que me ameaçou?

- Eu não te ameacei, senhorita. - disse irado. - Apenas me expressei mal. Na verdade aqui você deve ficar quieta... pouco me importa se está satisfeita ou não.

- Então posso saber o motivo de sua presença aqui? - perguntou intrigada.

Como ele poderia responder, se nem ele mesmo sabia o motivo de sua presença ali. A vontade de sentir o cheiro familiar e reconfortante dela o fizera ir até aquele local. E graças a isso tinha lhe poupado à vida.

- Sim, eu vim saber se precisar de algo. - ele falou temeroso, deixando pela primeira vez transpassar seus verdadeiros sentimentos pela voz. - Deve estar com fome... e eu posso trazer algo para comer.

Por um momento jurou ter escutado algum sentimento na voz dele... talvez arrependimento, mas foi por um milésimo de segundo, que não fora capaz de distinguir. Devia estar cansada e isso a fizera escutar demais... Shoran Li não tinha sentimentos, era tão frio e cruel como Otelo ao matar a mulher amada.

- É muito engraçado. - disse irônica, sem temer a reação do jovem. - Não seria mais fácil me deixar morrer de fome... Garanto que vocês ficariam muito satisfeito ao ver o sofrimento de uma cristã a beira da morte, implorando por água ou comida.

Ela estava certa, seria mais fácil deixá-la passar fome, mas seu avô não concordaria com sua atitude, Tshao Li parecia muito ligado aquela jovem. Seu senhor poderia ter se encantado com a beleza da garota... e agora estava pensando em fazer dela sua amante. Shoran sentiu o rosto ficar vermelho de cólera... nunca, nunca iria deixar aquele homem toca num fio de cabelo dela, pois antes o mataria... destruiria qualquer homem que tentasse se aproximar dela.

- Senhorita não brinque com fogo...- Shoran falou impaciente. - Eu estou aqui para ajudá-la e não para deixá-la morrer de sede ou fome, eu não sou seu noivo...

- Estranho senhor, pois eu não vejo diferença nenhuma entre os dois.

Ela estava tirando-o do sério. Era o cúmulo compará-lo com Eriol... nunca havia matado ninguém por prazer, como aquele desgraçado vinha fazendo com seu povo. O grupo, antes de tudo, tinha uma causa justa e jamais deixaria quem quer que fosse, desmerecer isso... mesmo que essa pessoa fosse muito importante para ele.

- Não me compare com seu noivo, senhorita Kinomoto. - ele falou se aproximando dela. - Tem muitas coisas que você não sabe sobre o almirante Eriol Hiragisawa.

- E o que deveria saber sobre ele? Que ele é responsável pela morte de milhares de pessoa ou que ele, entre todos os ingleses, é o que mais amedronta você? Isso eu já sabia...- falou completamente descontrolada.- Eu já sabia também, que sua atitude racional e mesquinha de me oferecer migalhas do que vocês comem, não é muito diferente da atitude fria e distante de Eriol.

Ele merecia ouvir todas aquela palavras frias e cortantes, sabia que não era diferente de Eriol, mas aquela era a primeira vez que alguém falava isso para ele. Por um momento, achou que iria perder o controle e bater na jovem, mas o olhar frio dela o fez mudar de atitude.

- Pense bem antes de falar, mulher, pois não hesitarei em corta esse pescoço lindo. - ele falou pegando ela pelo braço. - Nós, o Yijetuan, odiamos tudo o que sua religião prega... Mas nosso único ideal expulsar os bárbaros de nossa terra., não queremos mais a degradação de nossos templos ou a morte de mais algum irmão... Eu não quero que nenhuma criança chinesa fique órfã... assim como eu.

Sakura ficou pálida. Tinha perdido todo e qualquer tipo de controle... e havia falado demais, ele agora estava transtornado... e tudo por sua causa. O coitado, devia ter sofrido horrores quando criança, mas isso não dava-lhe o direito de cometer babares... assim como Eriol, não era um anjo, como havia deixado transparecer.

- Eu… eu sinto muito por você. - Sakura disse cabisbaixa, evitando encará-lo, ao mesmo tempo em que tinha vontade de abraçá-lo e sentir-se protegida e amparada.

- O quê? Você não sente o mínimo que eu senti ao ver meu pai morto na minha frente. - ele respondeu apertando mais os braços dela, deixando vergões na pela da jovem. - Você sempre teve tudo... nunca foi exposta aos horrores de uma guerra... você não sabe o que é chorar sangue, toda a vez que um amigo morre ou sua irmã é humilhada na rua por algum soldado inglês. Você não sabe o que é passar fome, pois as suas terras não foram confiscadas pelo o governo inglês. Sakura você não sabe de nada...

- Você está me machucando... por favor, me solte. - ela falou com os olhos lagrimejando.

Shoran não a soltou, apenas diminuiu a pressão nos braços dela. Ela nada tinha haver com o seu ódio por ingleses... ela, assim como ele, nunca tinha feito nada para provocar isso e, ela entre todos, era quem mais tinha motivo para se revoltar, pois nem uma explicação lógica havia sido tido.

- Se a senhorita não que se machucar, então não me provoque. - ele falou aproximando mais ainda dela.

Contemplavam-se, como que atraídos por um forte magnetismo. Naquele momento, Eriol ou Yijetuan não existiam. Apenas os dois eram importantes... nenhuma palavra seria mais apropriadamente dita naquele momento, além de que, ambos estavam irremediavelmente hipnotizados um pelo outro.

- Eu já lhe disse que você é muito bonita? - Shoran sussurrou.

Ela não respondeu, apenas ergueu a cabeça e voltou a encará-lo. Já não tinha o mesmo olhar de ódio e repulsa... nos seus olhos agora havia paixão. Sentia tentada a beijá-lo, mas não seria atitude digna de uma dama naquele situação...

- Por quê...? Por quê tenho que passar por isso...- ela sussurrou olhando diretamente para ele.

Desejava-a como nunca desejara ninguém antes, mas era impossível se envolver com ela... e de forma nenhuma queria usá-la como um passatempo, era inútil se iludir. Além do mais, nunca fora muito bom para se enganar, com ele as coisas eram transparentes. Quando tudo aquilo acabasse, Sakura regressaria a seu país e ele... bem, ele seria preso ou morto. Talvez com sorte, conseguiria fugir para as Filipinas e lá conseguir dupla nacionalidade.

A abraçou com força e, em seguida, depositou-lhe um beijo terno na testa.

- Você estava na hora certa, no lugar errado, Sakura. - ele sussurrou voltando encará-la.- E não adianta sofrer, pois nada mudará o que de fato aconteceu.

Naquele momento ela tinha certeza de que ele jamais a machucaria e, se um dia viesse a cometer algo contra ela, certamente não seria porque de fato queria, mas sim por seu senso de companheirismo com o grupo. Mas ainda tinha uma dúvida... se ainda podia ou não confiar nele? Por um momento, jurou que vira o sentimento de piedade em seus olhos, mas por outro havia escutado palavras duras e frias. Preferia ficar com um pé atrás com relação a ele... nunca saberia o quanto ele poderia magoá-la ou feri-la.

- Eu... só queria um pouco de paz. E aonde fui me meter, Meu Deus! - ela sussurrou deixando as lágrimas escorrerem por sua face.

Odiava vê-la chorando. Se fosse outra mulher certamente a trancaria ali e a deixaria verte um rio de lágrimas, pois isso não o afetaria. Mas, com Sakura as coisas eram diferentes, pois quanto mais ela chorava mais seu coração doía e sua mente o culpava. As lágrimas dela tinha o efeito de milhares de tiros em seu coração.

- Por favor, pare de chorar... suas lágrimas não servirão de nada, apenas irão inchar seu rosto... e deixar seus lindos olhos vermelhos.- disse por fim, sentindo que estava cometendo um erro grave. No momento ele era um ser humano... um homem que odiava ver a mulher amada sofrer.

No momento, queria deitá-la naquela cama e fazer dela sua mulher... sim, sua e de mais ninguém. Sabia que enfrentaria a imperatriz ou qualquer santo para ficar com ela e, mesmo sabendo que seus pensamentos era infundados e inúteis... não pôde deixar de senti-los, pois agora, antes de ser um rebelde, era um ser humano dotado de fraquezas e defeitos.

- Eu...

- Shhhh... não quero mais nenhuma palavra de auto flagelação saída de sua linda boca, senhorita Kinomoto.-ele falou interrompendo-a, apertando o rosto dela entre as mãos. - Eu... eu não devia estar aqui.

O contato das mãos dele sobre o seu rosto a estava enlouquecendo, desejava-o com ardor... se ele não a beijasse naquele momento, iria enlouquecer. Se odiava por ser tão fraca, mas agora nada a faria mais feliz do que um beijo do primeiro homem que a fizera pensar em amor.

- Devo estar maluco, mas se não a beijar agora, acho que enlouquecerei. - ele sussurrou, pousando os lábios nas testa dela. - Seu desejo estava deixando-o louco... passando os olhos na face dela em seguida parou nos lábios carnudos dela.

- Nós não...- ela disse fascinada pelos olhos castanhos dele. - Por favor, saia do meu quarto...- pediu, num resto de lucidez que ainda tinha.

- Não sei se sou capaz...- ele falou sorrindo, beijando o rosto dela.- A senhorita é uma bruxa...lentamente, ele aproximou os lábios dos dela.

- Você é minha bruxa...-ele sussurrou arrebatando os lábios virgens dela.

No começo o beijo foi terno, como Sakura havia sonhado ser seu primeiro beijo, mas com o tempo, Shoran aprofundou o beijou transformando em arrebato de paixão e loucura. Por um momento pensou que não seria capaz de reagir a tamanha paixão ou ternura... estar com ele era como estar no céu. Mas aquilo não era certo... ele era seu seqüestrador e, em hipótese alguma, seu amante.

- Não... não isso não é certo! - gritou ela escapando dos braços dele.

Shoran olhou atordoado para jovem, num momento ela estava correspondendo a seus beijos, no outro ela o estava mandando embora. Era tudo confuso, mas era verdade de que aquele fora o melhor beijo de todo sua vida. Nunca havia se sentido tão completo, com um simples contado físico, como havia sentido no momento em que os doces lábios dela entraram em contato com os seus.

- Menina... Você sabe como endoidecer um homem. - Shoran concluiu satisfeito andando até a porta. - Bem, agora eu vou buscar Dim sum.- disse saindo do quarto sorrindo.

Sakura sentiu a face ficar rubra de prazer e ódio. Não queria de forma alguma ser tratada como mero objeto por aquele... aquele bárbaro. Ninguém podia ter a dimensão do ódio que sentia por si mesma por ter sido tão fraca, mas no que dependesse dela, nunca, nunca mais iria ser tocada por aquele homem.

- Quero saber almirante! Onde está minha filha? - Fujitaka falou extremamente violento. - Eu ouvi boatos...

Fujitaka estava desesperado. Ao viajar durante horas sem fio, ouvira boatos de que o almirante Eriol Hiragisawa havia sido atacado por uma força rebelde e sua tropa havia sido aniquilada... ninguém sabia quantos haviam morrido. Mas a sensação de sua filha estava envolvida nesse confronto, não saía de sua cabeça. Nadeshiko durante horas tentara consolá-lo dizendo palavras de carinho, mas ela nunca mentia, e ele sabia que sua esposa também estava preocupada. Agora estava ali, frente a frente com o homem que escolhera para filha, e sabia que não tinha feito a melhor escolha, pois lorde Eriol era frio.

- Desde de quando um senhor idôneo, acredita em boatos de pessoas que não tem o que fazer? - Eriol falou cínico sorrindo indolente. - Sakura está em Cantão com senhorita Tomoyo.

Eriol tinha motivos fortes para mentir. Ele tinha planos de se casar com Sakura, ainda que fosse libertada... Na verdade o dinheiro dos Kinomotos seria muito útil para ele e sua causa. Tomoyo estava escondida num vilarejo ao sul de Cantão, e lá ficaria até que Fujitaka e sua esposa partissem dali e por hipótese nenhuma deixaria a informação do seqüestro de Sakura vazar.

- Mas por quê o senhor as mandou para tão longe? Não seria melhor e mais seguro deixar minha filha aqui? -Nadeshiko perguntou nervosa.

Alguma coisa era obscura naquele homem que a fazia desconfiar das verdadeiras intenções. Seu extinto maternal avisava-a de que sua filha estava correndo risco de vida, e o pior de tudo que não podia fazer nada... a não ser rezar.

- Uma norma de segurança, não é seguro manter duas damas aqui em Pequim. - Eriol falou convincente. -agora meu sogro, porque não vai descansar com sua senhora em um de meus aposentos? May, uma das minhas criadas, irá te mostrar o caminho. - concluiu chamando a criada.

Fujitaka assentiu cansado. Depois de doze horas de viagem... nada seria melhor do que um bom banho e uma cama quente. Lorde Eriol era de confiança da rainha mãe e jamais mentiria para ele. Assim que tivesse descansado, iria propor a Nadeshiko uma viagem a Cantão... Queria abraçar a filha e perguntar se ela estava realmente feliz com aquela situação.