"O segredo do coração é engastado
Em tristeza, e só na tristeza
Encontra-se a alegria, ao passo que a felicidadeSó serve para ocultar o mistério da vida"
(Kahlil Gibran)
XVIII Capítulo
Fora mais uma noite mal dormida. Mas desta vez não fora martirizado pela a imagem triste de Sakura, mas sim por sonhos bonitos. O mais estranho era de que nunca havia tido sonhos "bonitos"... Sonhos de que tão bonitos havia tirado dele a capacidade de dormir.
Durante a noite havia sonhado com Sakura em uma imagem mais eterna do que normal. Que de tão irreal havia o assustado... Era como se ela já não pertencesse mais a seu mundo. Havia acordado na mesma hora, mas em vez de sentir pânico, como era comum, se sentiu estranhamente feliz, pois de uma certa forma era aquela imagem de Sakura que queria guardar. Uma imagem pura e bonita, que de tão reconfortante o assustava. Agora estava pronto para deixar aquela casa talvez para sempre, iria deixar tudo para trás... Suas irmãs, sua prima, sua quase tia... e Sakura. Estava indo para talvez nunca mais voltar.
-Desejo muita sorte meu irmão!-Shiefa falou beijando o rosto do irmão com carinho.-Acabe com aqueles demônios...
-Farei isso...-disse olhando para os lados e não encontrando Sakura.
Queria poder vê-la mais uma vez. Só Buda sabia quando isso poderia acontecer novamente, e se aconteceria... Talvez aquele fosse o último contato entre ambos. No fundo sentia que nunca mais a tocaria novamente. Ele estava indo para uma guerra onde sabia muito bem que não tinha a possibilidade de sair vivo. E Sakura logo voltaria para o Japão o lugar que nunca deveria ter saído... Não existia a mínima possibilidade de seus destinos se cruzarem novamente.
-Um guerreiro Li luta até a morte.-Meilin disse sorrindo.-Estarei torcendo para que o senhor e meu esposo saiam vivos e com a graça da vitória em suas espadas.
Ele torcia para que as conseqüências daquele ato imprudente não viessem afundar mais o seu país. Sabia o quanto a Inglaterra era vingativa... Ao tomar Hong Kong da China ,o grande império da rainha Vitória ,dera o exemplo de como poderia ser vingativa com quem a traísse. E não precisava ser dotado de inteligência para saber o que estava para acontecer.
-Assim espero...-disse impaciente.-Se tiver alguma mensagem para teu marido terei o prazer de entregar.
-Ah, sim...-ela disse pegando o papel lacrado e entregando.
Todas ficariam protegidas ali. Não tinha homem na face da terra que pudesse atravessar aquele desfiladeiro sem conhecer o verdadeiro caminho. Apenas ele e algumas pessoas no grupo sabiam do verdadeiro caminho. Estariam seguras ali... Longe das bombas e das doenças que alastravam as ruas de Pequim.
-Shoran...-Kaho falou finalmente.-Bem, não desejo sorte, pois não há sorte em uma guerra e sim um acaso que pode levar a vitória ou a morte. Espero muito te ver vivo...
-Eu sei, mas não tenho tanta certeza da vitória.
Estava impaciente, queria muito ver Sakura. Ela estaria tão chateada com ele a ponto de não vim nem se despedir... Será que não queria mais vê-lo.
-Vá atrás dela, Shoran.-Kaho sussurrou sorrindo discretamente.-Pela a primeira vez na vida seja sincero e abra seu coração, pois quando a pessoa que amamos sai de nossa vida... A dor é tão grande, que chega ser maior que a morte.
Não poderia ficar ali à espera de Sakura. Logo teria que partir, mas não antes de se despedir da jovem que de uma certa forma mudara sua vida. Entregando o cavalo para o jovem criado, deu a instrução para ele manter o cavalo ali, pois não tardaria a partir, mas que antes tinha um assunto de extrema urgência. No fundo tinha uma idéia da onde Sakura poderia estar...
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Bem, não sou muito boa para descrever meus sentimentos numa folha de papel. Aliás, nunca fora capaz de falar sobre eles até conhecê-lo... Tive uma infância normal, minha mãe amorosa, como sinto a falta dela... Ainda tenho a voz dela gravada em minha memória. Sempre que quero escuto ela cantando para mim. Não sei porque de uns dias para cá venho sentindo um aperto horrível no peito, como se ela estivesse precisando de mim. Meu pai sempre foi ausente, e quando estava em casa sempre mostrou uma face fria e distante, mas de uma certa forma sempre me amou... E eu pensava que o amava até ele me obrigar a partir para um país estranho e me casar com um homem que nunca havia visto na vida. Naquele momento percebi que não passava de uma mísera mercadoria para ele. Touya sim foi um pai para mim... Não sei como ele está, ou onde está, mas não há um dia que não me lembre dele.
Para mim Eriol foi um monstro que fez papel de intermediador com meu destino. Agradeço a ele por estar ali, se não fosse aquele estúpido casamento, talvez não tivesse conhecido Shoran, e talvez nunca pudesse vir a conhecer o verdadeiro mistério do amor.
O destino me colocou frente a frente com meu amor, e agora me tira ele. Sei que ele não me ama, e talvez nunca venha me amar. Mas quero muito que encontre a mulher certa para seu coração. Só eu sei o quanto sou insignificante. Agora ele deve ter partido... Não me despedi dele, meu coração não agüentaria ver ele se distanciando para a morte. Como queria que nada daquilo estivesse acontecendo. Agüentaria tudo, menos a morte dele.
Sakura parou de escrever sentindo que alguém se aproximava. Shoran não poderia ser, pois certamente já tinha partido. Poderia ser um ladrão, ou algum criado mal intencionado. Não era seguro ficar na beirada do lago sozinha. Temerosa, Sakura fechou o livro e colocou o tinteiro em cima do livro. Se fosse alguém estranho sairia correndo.
-Sabia que iria te encontrar aqui...—a voz conhecida soou sobre as folhagens.
Shoran não havia ido embora ainda. Como fora tola em pensar que ele se daria por vencido... Shoran era orgulhoso não admitiria que ela fugisse dele sem explicação.
-Pensei que já tivesse partido para Pequim.Sakura falou recuperando a compostura.
Shoran olhou para ela com extremo carinho. Nunca mais veria imagem tão bonita em toda sua vida. Se fosse um artista a pintaria naquele momento. Os olhos verdes cintilavam como duas jóias raras, o vestido ocidental destacava o alto decote, que evidenciava os seios. Ela daria um ótimo quadro impressionista.
-Tem uma frase de um escritor ocidental que descreve a senhorita em poucas palavras: -disse sentando a seu lado.-"Como teu riso dói"...
Sakura achou engraçada a terna frase de Shoran. Ele nunca demonstrara essa face "romântica". Aliás, nunca ninguém lhe falara palavras tão bonitas como aquelas. Mas o que mais a intrigava era o fato dele não ter ainda partido para Pequim. Shoran não era homem de ficar parado...
-Nem estou sorrindo.-disse dando-lhe os ombros.-Nunca mais me assuste... Eu quase morri de medo quando escutei passos. Por um momento pensei que fosse um ladrão.
-Deculpe, mas bem que podia ser um ladrão, ou o que é pior um lobo, ou um urso.-Shoran falou sorrindo.
-Pensei que tivesse partido.-repetiu curiosa.
-Nunca iria partir sem te ver novamente.
Sakura abaixou a cabeça envergonhada.Além de não querer demonstrar o quanto estava triste pela a partida dele.
-Devia partir sem olhar para trás.-disse seca.-Quando mais protelar pior vai ser a despedida... Além do mais pensei que já tivesse feito isso a noite passada.
Sim, mas o amor fazia as coisas parecerem mais complicadas do que já é. Amava Sakura e não podia ir sem antes olhar novamente para aqueles olhos verdes.
-Eu sei... Mas não podia ir embora antes de te revelar uma coisa.-disse a abraçando, sorriu satisfeito ao perceber que não fora repelido.-Eu durante anos vivi preso em um mundo frio onde aprendi ser duro e nunca por hipótese nenhuma amar alguém.
Sakura sentiu o sangue gelar na veia. Aquelas palavras seria o indício de que Shoran a amava? Não, era impossível... Ele já tinha falado com todas as palavras que sentia apenas desejo e pena por ela.
-Mas algo mudou assim que você entrou na minha vida.-revelou aproximando o rosto do dela.-Sei que é muito tarde, mas não quero que pense mal de mim...
-Shoran...
-Shh, olhe para mim.-disse erguendo o rosto dela com carinho, passando pela a última vez as mãos naquela pele.-Eu te amo, Sakura.
Sakura sentiu os olhos lacrimejarem. Na noite passada o ouvira dizendo que não a amava, mas em seu sonho ele havia aparecido e havia dito aquelas palavras. Estava confusa, feliz e triste... Imensamente triste. Pois dali em diante talvez nem Deus os ajudasse.
-Eu lamento por tudo o que passou. Eu teria passado pela a senhorita, mas muitas vezes o meu dever falou mais alto.
Shoran nunca passara por tanto nervoso na vida. A expressão do rosto da garota era indecifrável. Tinha um certo receio em não ser correspondido. Agora sabia o quanto ela havia sofrido ao ser rejeitada por ele.
-Eu sei...-sussurrou ela abrindo um sorriso de felicidade.-Obrigada, Shoran...
-Obrigada por quê? Sou eu que devo algo a você.
-Por me amar.-ela falou abrindo um sorriso entre lágrimas.-Você não sabe o quanto essas palavras me fizeram bem.
-Eu mais do que ninguém sei.-disse retribuindo o sorriso, logo em seguida a beijou.Você foi o meu maior presente.
O beijo teve gosto de despedida. Quanto mais profundo tornava mais desesperada Sakura ficava. Seu coração dava como certo a separação definitiva. Não podia ficar longe dele... Não agora. Mas não era questão de querer e sim de poder. E esse poder ela não tinha.
-Agora tenho que ir, Sakura.-disse olhando para baixo.-Tenho que partir antes do meio dia, pretendo chegar antes do anoitecer.
Ela concentiu com a cabeça baixa. Aquele momento estava sendo duro para ambos. Nenhum imaginava uma vida sem o outro. Sakura mantinha a cabeça baixa. Shoran olhava distante e vago. Não houve palavras... Shoran apenas se virou e foi de encontro ao seu destino.
"Eu te amo". Sakura se lembrou das palavras. Seria aquelas juras que a manteria viva pelo o tempo que fosse, mas nunca iria desistir de Shoran... Nunca.
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1 mês depois...
Pequim: Embaixada Britânica
-Nenhuma novidade tenente Touya?-perguntou sir Claude.
-Não senhor.-disse obediente, mas no fundo odiava por ter que dar satisfação àquele inglês, mas com Yukito entre a vida e a morte era a obrigação dele assumir esse papel.-E a situação tende a piorar, pois não temos mais munição...
Cada dia mais a situação piorava. Pequim estava semi destruída pelo o fogo dos Boxers. E eles cada vez mais isolados do mundo. Não tinha mais notícias das forças aliadas em Tsinten. Em suma estavam isolados do mundo. Já faltava medicamentos, e se a situação dos hospitais já eram precárias antes agora estava pior ainda.
-Não tem alguma forma de conseguirmos essas munições?-perguntou o velho com a mão na cabeça.
Não havia outra alternativa a não ser descer o esgoto. Era arriscado mais era o único meio... de sobreviver até a ajudar chegar.
-Sim, mas requer homens treinados para isso.
-Então tenente… Se sinta livre para pegar quantas pessoas precisar para a missão.
Fazendo um gesto com a cabeça, Touya saiu da sala. Não havia mais nada a ser tratado com aquele senhor. Tudo o que precisava já estava pronto. Agora só precisava esperar anoitecer e descer para a boca do inferno, e assaltar os boxers embaixo dos narizes deles.
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Shoran olhava tediado para sua espada. Quantas pessoas havia matado naquele dia? Quatro, cinco,seis? Não sabia, não queria saber. Em cada rosto em que passava a espada via Sakura. Sua vida se resumia nela... Em suas poucas horas de sono era nela que sonhava. Queria que tudo aquilo acabasse logo, pois já não sentia prazer em matar.
-Shoran, parabéns amigo!-Chao disse sorrindo.-Sua técnica com espada melhorou muito de um tempo para cá.
-Não vejo o que parabenizar.-falou cínico.
-Mas eu sim.-disse bebendo um líquido branco.-Vamos ficar dois dias sem atacar os bárbaros.
Não pode deixar de estranhar aquela reação inusitada do primo. Não era Chao o tão ansioso para acabar com aquilo, mas agora com sadismo quer prolongar o sofrimento daquelas pessoas.
-Estranho...
-Não foi minha ordem.-ele explicou.-Mas sim da imperatriz...
Só podia ser. Aquela mulher, que um dia julgara honrada não passava de uma velha hipócrita. Odiava todos que participavam daquele massacre incluindo ele. Que por ser covarde amava uma mulher proibida.
-Já imaginava.-disse silibicamente.-Qual é o próximo passo?
-Proteger o túnel que fica as munições.-disse acendendo o cigarro.-Pelo o que fiquei sabendo eles estavam quase sem armamento... E é bem provável vim nos saquiar.
Não era por menos. Aquelas pobres almas estavam isoladas do mundo. Até que seria justificável que eles cometessem tal desatino.
-Eu posso ficar de guarda.-se ofereceu sorrindo.
-Mas...
-Bem, Chao eu ficaria entediado se tiver que ficar nessa casa.
Estava sendo sincero. Queria ficar de guarda... Não seria obrigado a matar. Além de ser uma ótima solução para seus problemas.
-Se assim deseja não te impedirei, mas fique sabendo que como seu amigo não gosto nenhum um pouco que faça o trabalho de um soldado raço.-disse Chao dando os ombros.
-Começarei hoje.-falou se levantando da cadeira ignorando as palavras de Chao.
Para ele não tinha diferença nenhuma entre um soldado raço para com ele. Ambos tinham a mesma obrigação: "Shan, Shan, Shan" Não havia obrigação maior a não ser matar estrangeiro, mesmo que eles fossem crianças, mulheres ou velhos. Era revoltante em pensar que já teria matado quantas crianças em nome de sua causa? Era óbvio que em um dos ataques poderia ter deixados várias mulheres sem marido... Ele odiava a pessoa que havia se tornado. Se não fosse Sakura talvez estivesse até hoje vivendo na escuridão.
-Faça o que bem quiser Shoran.-Chao falou saindo da sala.-Ah! Chegou cartas do desfiladeiro...-disse abrindo um sorriso.-Meilin já ganhou bebê... e é um homem, mais um varão na família.
Shoran sorriu, Meilin deveria estar nas nuvens... Conhecia muito bem as tradições da família. E o nascimento de um homem era a consagração da mulher.
-Parabéns, Chao.-cumprimentou.
-Tem uma carta para você também.-disse com desdém.-Me parece que é daquela japonesa.
Shoran escutou quando estava de costas. Seu coração disparou... Só um motivo muito forte levaria Sakura a escrever para ele. Será o que mais temia havia acontecido? Empalideceu só em pensar naquela garota esperando um filho dele. Um filho destinado a ser bastardo...Não ela devia ter cedido a impulso. Além do mais era muito cedo para saber se estava ou não grávida.
Shoran andava a esmo pelos corredores da casa, ansioso para saber o que Sakura queria ou não com ele. Dúvidas povoavam sua cabeça. Mal esperou chegar na mesa que continha vários envelopes. Um deles era destinado a ele. Mas qual? Procurando entre várias correspondências achou o envelope branco... escrito seu nome.
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Sakura olhava para o espelho. Ninguém notaria que estava grávida, mas poderia lhe dar um alto grau de anemia. Sua palidez era crescente desde que Shoran partira. A incerteza e o medo te ter aquele filho a estava matando. Fora esse mesmo desespero que fizera escrever aquela maldita carta para Shoran. Deveria ter seguido o conselho de Shiefa e ter tirado aquela criança. Shoran nunca iria assumir aquele filho.
-Como você está meu bem?-Kaho perguntou passando a mão no cabelo dela.
-Melhor... Queria muito estar com minha família.-disse passando a mão na barriga.
Não tinha mais aquele mal estar horrível que imundava sua boca. Tirando os repentinos ataques de tristeza até que estava melhor.
-Você vai estar ao lado dele o mais rápido possível.-disse Kaho sorrindo.-Eu providenciarei que tenha esse bebê longe daqui... Não quero vê-la sofrer mais do que já está sofrendo.
Sakura olhou para a paisagem fria e gélida. Não deveria estar feliz com seu estado, e sim desesperada. Mas no fundo se sentia completa por estar caregando um filho de Shoran. O que mais a afetava era o fato de que criaria aquela criança sem pai... Temia que o seu bebê viesse a sentir horrores por não ter um pai. Sua família não iria apoiá-la...Certamente seu pai a deserdaria, e a deixaria na ruína total . Mas mesmo assim não se arrependia por estar gerando aquela vida. O amor seria o suficiente para ela e seu bebê.
-Obrigada, senhorita Misuki.-disse abaixando a cabeça.-Mas acho que é melhor a senhorita não se envolver...
-Como não me envolver Sakura...-ela falou sorrindo tristemente.-Eu sei o desespero que deve estar sentido com a espectativa de criar um bebê sem o pai... Sei que as coisas mudaram, mas até hoje a sociedade tanto oriental como ocidental menosprezam as crianças que não tem pai, as mães dessa crianças são consideradas prostitutas... E infelizmente não conseguem emprego, e o único caminho que resta é abandonar o filho e se tornar prostituta.-concluiu Kaho amarga.
-Eu sei disso...Mas jamais abandonarei o meu bebê.
-Eu também sei disso, Sakura.-falou acariciando o cabelo da jovem.-Mas você ainda é muito jovem, e sei o quanto sofrerá sem um marido para te apoiar.
Quanto mais pensava nisso, mas crescia em seu interior a vontade de lutar. Iria sofrer, mas nunca iria perder a esperança. Aquela criança era a única coisa que lhe importava... O único ser humano que acabaria de vez com a sua solidão.
-Eu-eu infelizmente estou sozinha...
-Não.-Kaho falou decidida.-Sozinha a senhorita nunca vai estar... você tem o seu bebê, e tem a mim.
-Como assim?
-Eu pensei em te levar para Sião.-estava decidida a proteger Sakura. Havia prometido a si mesma. Aquela tinha o sangue de Touya nas veias... Não podia decepcionar seu grande amor. Protegeria Sakura e aquele bebê com o próprio sangue.
-Sião, na Tailândia?-perguntou curiosa.
O que levaria Kaho a lhe oferecer ajuda? Perguntou para si mesma passando a mão na barriga. Talvez aquela fosse a melhor solução para seu problema. Na Tailândia ninguém a conhecia... Talvez fosse ali seu caminho para a tranqüilidade. Mas antes de tudo precisava resolver seu problema... Precisava ver sua mãe pela a última vez. De um tempo para cá vinha tendo pesadelos horríveis com ela morta... Temia que algo tivesse ocorrido com sua mãe.
-Sim, querida.-disse sorrindo.-Sião é uma cidade tranqüila... tem um ótimo clima para passar por uma gravidez.
-Eu queria poder dizer um sim, mas isso é impossível...-falou abaixando a cabeça.
-Por quê?-perguntou decepcionada.-Não vê que será para o bem dessa criança.
-Quero ver minha mãe, senhorita Misuki.-revelou ela se levantando.-Sinto que algo de errado está acontecendo com ela.
Kaho admirava a vontade de lutar daquela garota. Mas não gostava da burrice que era os sentimentos dela. Não via que ficando ali corria o risco de ter seu filho tomado. Ouvira uma conversa de Meilin com a ama de leite deYaoh... E algo de muito sério aquela mulher estava tramando. Segundo ela era inconcebível uma estrangeira estar concebendo um filho de um Li. Que como podia ser de Shoran poderia ser de qualquer soldado...ou melhor poderia ser do maldito noivo dela. Se não a tirasse dali, tinha certeza de que Meilin roubaria aquela criança e daria para um criado, ou até pior poderia jogar no lixo.
-Não aceito um não como resposta.-disse olhando para ela séria dessa vez.-Você não ver que Meilin está enciumada... Está achando que você quer roubar a glória da maternidade dela... Ela pensa em acabar com a sua vida, e consecutivamente com seu bebê.
Sakura ficou pálida. No fundo tinha medo disso, Meilin havia mostrado de várias formas seu ódio por ela. De um tempo para cá vinha notando que ela a seguia com os olhos como se fosse atacá-la.
-Vamos aproveitar agora... Que dá para fugirmos daqui.-disse pegando um pedaço de papel.-Shoran antes de partir me deixou um mapa explicando muito bem o caminho mais rápido para sair daqui caso houvesse uma invasão inimiga.
Mas uma vez teria que fugir. Desta vez iria embora da China para talvez nunca mais voltar. E desta vez seria para sempre.
-Então Sakura?
-Sim, eu aceito...Mas antes quero ver minha mãe.-Falou sentindo os olhos arderem
Alguma coisa lhe dizia que sua mãe estava bem próxima dela. Estava aflita precisava encontrar sua mãe antes que ela partisse para eternidade.
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Aquele esgoto parecia um túmulo. Os dois soldados que havia selecionado pareciam com medo. Deveria ter ido sozinho... Assim não teria que vigiar dois garotos. Não sabia o que esperava dentro daquele tunel. Quanto mais distante ficava da embaixada, mas o ar era precário. Estavam próximo do depósito de armas... Sua missão seria pegar o máximo de munição possível, e depois explodir o compartimento.
-Senhor parece que temos companhia.-disse o mais jovem apontando para um homem com a túnica dos boxers.
Touya estacou ao ver que o "soldado"na verdade era um dos líderes. Shoran Li, o homem que havia seqüestrado sua irmã. Havia chegado a hora de acertar as contas. Acabaria com a vida daquele desgraçado que havia desonrado sua irmã.
-Fique longe, pois isso é pessoal.-disse Touya pegando a espada.
-Mas, senhor...
-Acate minhas ordens.-dise autoritário sem admitir réplica.
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Shoran não tinha tido coragem de abrir aquela carta. Seu temor havia acabado de transformar ele num canalha. Amava Sakura mais temia estar certo. Não queria assumir uma responsabilidade agora...No meio de uma guerra. Às vezes se perguntava se devia abrir ou não aquela carta. Uma voz interior o alertou para que rasgasse aquela maldita carta.
Não tinha outra alternativa a não ser fazer o que sua razão mandava. Seja o que fosse Sakura não era mais de seu interesse. Gostava muito dela, mas antes de tudo vinha sua obrigação moral com sua família. E sabia que era proibido se casar com uma estrangeira.
Como o simbolismo do fim de seu caso de amor com aquela garota. Shoran rasgou a carta... E sentiu que o pouco que restava de seu amor se foi com aquela carta. Lutaria para esquecê-la, arrancaria seu coração se fosse preciso. Desistiria sobre o seu dever do pátrio poder se caso ela estivesse grávida. Sakura era bela, não tardaria para conseguir um marido. Doía pensar assim, mas não havia outro caminho... Sakura definitivamente havia morrido para ele.
