"Jamais nas mãos tua cabeça pousa febril,

Vergada ao peso dos desgostos da memória cruel e dolorosa.

Teu puro coração em si repousa".

(Th. Gautier)

"Lembra-te de mim".....

(Dante, "Purgatório")

Introdução

Olá pessoal!!

Começou a segundo fase da fic. Irão ocorrer vários fatos históricos a partir desse capítulo. A guerra do Boxers terá acabado, mas isso não quer dizer que "o problema" da China com os governos ocidentais e mais o Japão tenha acabado também. Pelo contrário, eles só pioraram. Sei que algumas pessoas devem ter lido o resuminho no meu blog, mas vou colocar aqui também. Prontos para aula de história??? ^ ^ Vamos às explicações!!!!

By Anna

A república chinesa de 1911: o colapso do regime Manchu chega ao seu fim com a deposição da dinastia Ching (uma dinastia que reinava na China desde o século 17). O seu último representante, o imperador - menino Puyi, foi afastado por um golpe incruento. Tudo parecia indicar que a China entrara, ainda que lentamente, no rol das nações modernas com a adesão ao regime republicano. O presidente provisório, Sun Yat-sem, porém, não conseguiu manter-se efetivamente no poder, renunciando em 15 de fevereiro de 1911. Para decepção geral, assume a presidência o despótico general Yaun Shin- kai, que acaba por fazer maiores concessões aos estrangeiros devido ao escasso apoio interno e a desorganização geral do país. O desalento da intelectualidade com o movimento republicano de 1911. está espelhado no conto de Lu Sun "Verdadeira história de Ah Q", onde ele o descreve como um acontecimento confuso, promovido por charlatães, onde somente gente ignorante e crédula termina perdendo a vida. O desaparecimento do poder central acelerou a proliferação pela China afora das trágicas e deletérias figuras dos senhores da guerra (tukiuns), déspotas locais que possuem exércitos privados, que ao mesmo tempo em que espoliam os camponeses, lutam entre si, numa referência as guerras feudais européias. Desde a morte de Yuan, o impopular general-presidente, até o surgimento do novo "homem forte", o general Chiang Kai-shek (a partir de 1926), o país se encontrará dilacerado pelos conflitos internos. Aproveitando-se dessa situação e da guerra que eclode na Europa em 1914, o Japão obriga a China a aceitar as "21 petições" que é mais um gole na taças da infindável amargura nacional.

Como resultado da evolução da União pelo Renascimento da China, fundou-se em 1912 o Kuomintang (Partido Nacional do Povo), que tem seu cérebro teórico em Sun Yat-sen e seu braço armado no jovem general Chiang Kai-shek. Rapidamente, os nacionalistas ganham prestígio na China meridional, enquanto o norte do país se vê convulsionado pelas quadrilhas dos senhores de guerra que lutam pelo controle de Pequim, umas apoiadas pelos japoneses, outras pelos ocidentais. O projeto do Kuomintang prevê a unificação nacional sob uma liderança caudilhesca, baseada numa organização autoritária sem participação popular, similar ao movimento dos "jovens turcos" de Kemal Atatürk que ocidentalizou o antigo império otomano nos anos 20.

A ascensão dos Nacionalistas ganhará novo impulso com a eclosão da Revolução bolchevique de 1917 e com o término da Primeira Guerra Mundial, da qual a China participou ao lado das Potências Ocidentais, esperando desse modo anular os "tratados iníquos" aos quais os japoneses a submeteram, bem como retomar o controle dos territórios "arrendados" à Alemanha.

XX Capítulo

Japão, 1917

A jovem Hanako Tsukishiro andava nervosa pelas ruas tumultuadas de Tóquio. Estava nervosa... De uns tempos para cá, sua vida calma se transformara em uma verdadeira correria. Bem que sua mãe havia lhe dito que, ao mudar de cidade, certamente a sua rotina seria terrivelmente modificada. Aliás, tudo o que sua sabia mãe dizia, acontecia. Mas de maneira alguma podia admitir que seu pai havia pedido transferência por causa dela... Isso não tinha o mínimo cabimento. O general, e agora diplomata, Yukito Tsukishiro tinha outros motivos para mudar de cidade, uns deles era para ficar mais perto da amante. O que era revoltante, ainda mais ao saber que sua mãe sabia e aceitava tudo de boca fechada... Realmente, não havia pessoa tão ou mais bondosa do que Sakura.

Já não era uma criança e seus pais não podiam esconder a verdade dela. Não era justo ver seu pai chegar todo dia com um sorriso nos lábios e o cheiro (repugnante) daquela mulher em suas roupas. Às vezes, chegava a duvidar se sua mãe amava mesmo o general, ou se estava com ele por causa dela. Não era possível que ela não sentisse nada, ao ver o marido chegar depois de ter estado com outra.

Às vezes, tinha que dar razão a sua tia Tomoyo, quando com a cara deslavada tivera coragem de falar que sua mãe era um mero fantoche na mão de Yukito. Era difícil admitir, mas sua mãe não amava mais, em hipótese nenhuma, seu pai. Duvidava se um dia chegara a amá-lo.

- Menina aonde estava?- a ex-babá perguntou, vindo em sua direção com alguns pacotes nas mãos.

Já não era uma menina, mas Mai insistia em tratá-la como um bebê. Aliás, todos a tratavam com um pêndulo de cristal, mas na verdade, ela era, nada mais nada menos, do que um tronco rústico de uma árvore. Ainda tinha que encontrar um escultor para esculpir sua personalidade. Não recriminava a babá que, depois de todos aqueles anos, a devia considerar uma filha.

- Senti necessidade de tomar um ar, Mai .- disse sorrindo.

Mai sentia-se encantada com a jovem. Ela sempre fora muito parecida com a mãe, embora os traços de seu querido Shoran estivessem presentes nela. Hanako era como sua filha... Uma filha que nunca pudera gerar. Havia ensinado tudo o que sabia para ela... desde o inglês, até mandarim e o dialeto manchu. Não deixaria que a filha de um dos clãs mais famosos e ricos da China ficasse sem saber ao menos o dialeto local... Sakura não havia a impedido, ao contrário, havia incentivo a filha a aprender. O mesmo não podia dizer do lorde Yukito...

- Avise quando for fazer isso. - repreendeu carrancuda. - Não é bem visto uma jovem de sua posição, andando nessas ruas perigosas sozinha.

A velha babá chinesa era como sua segunda mãe. Ela era responsável pelo o que era hoje... Afinal, sua mãe sempre lhe fora um pouco distante. Parecia estar sempre em seu mundo, e recusava-se que alguém o invadisse. Era triste admitir, mas sua mãe era infeliz... E no fundo, sabia que ela era a culpada por tudo isso.

- Claro, juro que não faço mais isso...- falou beijando o rosto envelhecido da ex-babá. - Espero que tenha terminado suas compras.

- Felizmente sim. - disse, cedendo aos encantos dos olhos verdes.

Há pouco tempo atrás, fora o pivô de uma briga entre sua mãe e Yukito. Ele estava decidido a casá-la com um jovem senhor de terras ao sul de Osaka. Ele já a considerava mulher pronta para se casar com quem quer que fosse, mas sua mãe não tinha a mesma opinião. Tinha visto o seu estado de nervos e, pela primeira vez, defendido ela da fúria do general. Naquele dia, havia descoberto que sua mãe a amava e a defenderia dos abusos do pai. Afinal, não era de seu agrado se casar com um homem que mal tinha visto o rosto... Mas o que mais lhe chocara depois, fora ver a mãe se debulhar em lágrimas. Naquele dia, conhecera a verdadeira Sakura Kinomoto.

*****

Sakura olhava tristemente para a paisagem deprimente de Tóquio. O que, para uns era progresso, para ela era sujeira. Queria muito voltar para o interior... Ficar inclusa em sua casa ao lado do único ser que era importante para ela, sua filha. Mas tinha que admitir que Hanako havia crescido... crescido o suficiente para viver em uma comunidade, e não presa em uma fazenda.

Era muito dificil acreditar que fazia 17 anos que tudo havia ocorrido. Às vezes, lhe dava a impressão que passara séculos sem ver Shoran, outras parecia um dia. Mas nunca... mas nunca deixaria de pensar nele. Mesmo assim, não pensava nele com tanta freqüência. Shoran, com o tempo, se trasnfomara em uma lembrança boa de seu passado.

- Pensando nele, minha esposa ? - Yukito perguntou entrando no quarto.

O mesmo cinismo pensou Sakura se virando para o marido. Era incrível como o tempo poderia mudar uma pessoa. Yukito era o exemplo vivo que sua tese estava certa. Com o tempo, o carinho que ele sentia por ela se evaporara. Nunca fora capaz de corresponder aos gestos de afeto dele... E por isso, não o culpava por procurar em outra, o que não tinha em casa. Em poucas palavras nunca pudera entregar seu corpo a ele... Não depois de ter pertencido a Shoran.

- Como sempre, meu esposo. - disse, respondendo com sarcasmo.

Sakura viu a expressão dele se modificar. Embora, sendo um bom e compreensivo marido, Yukito tinha um certo machismo. O que era típico... Ainda mais quando a mulher pensava em outro. Se arrependia amargamente por ter se casado com Yukito. Havia destruído a vida dela e, além de tudo, a dele. Pois nunca fora capaz de dar um filho a ele...

- Nem o tempo foi capaz de apagá-lo de seu coração. - ele disse em tom cansado sentando-se na poltrona.

Não entendia aonde Yukito queria chegar com aquela conversa. Durante anos, tentara conversar com ele, mas sempre fora repelida com palavras estúpidas.

- Me responda uma coisa, Sakura... - Ele falou retirando os óculos.

Algo de muito sério havia acontecido. Ela tinha o direito de saber... Seu coração dava um sinal de alerta. O que a estava deixando muito preocupada. Ao mesmo tempo sabia que estava na hora de abrir o jogo com seu marido.

- Sim...

- Você ainda ama aquele homem? - perguntou Yukito se aproximando dela.

"Sim", respondeu mentalmente. Se recriminando por ainda amar Shoran estando casada com um homem tão bom e amigo... Mas o coração era um labirinto de mistérios, alguns indecifráveis. Tinha que ser sincera com ele e com os seus sentimentos.

- Eu tentei lutar contra isso, mas não consegui...

- Você ainda ama aquele rebelde, Sakura? - perguntou incisivo, disposto a chegar a verdade, pois já não agüentava viver naquela mentira.

- Sim, eu ainda amo Shoran. - disse erguendo a cabeça a tempo de ver a expressão do marido endurecer, ao ponto de ele se levantar e caminhar até ela.

Yukito, durante anos, lutara em vão contra o fantasma que havia no coração de Sakura. Por diversas vezes, tentara aproximar-se dela, mas sempre fora delicadamente repelido. Havia dado a vida dele a ela. Havia assumido a filha dela e de um rebelde chinês... Havia aberto mão de ter tido os próprios filhos por amor a ela e ao falecido amigo. Mas agora havia desistido... havia desistido de tudo. Já não se importava com mais nada, mas mesmo assim se sentia traído. No fundo, queria ser o único homem na vida e no coração daquela mulher que nem o tempo fora capaz de tirar a beleza.

- Por que? Por que nunca foi capaz de tirá-lo de seu coração? - ele perguntou se pondo ao lado dela.

- Não sei, Yukito...- disse abaixando a cabeça. - Eu tentei, mas ele é mais forte do que eu...

Era mentira. Sakura nunca havia tentado amá-lo. No começo, entendera-a pelo o fato de estar grávida... Talvez fosse receio de que, ao aceitá-lo em sua cama, prejudicaria assim o bebê. Mas depois que Hanako nascera, tudo ficou como era antes... Na verdade nunca haviam se casado, e sim feito um pacto de amizade, pois na prática, seu casamento com ela poderia ser anulado, pois Sakura nunca cumprira seus deveres como esposa.

- Você nunca tentou, Sakura. - disse a encarando. - Aliás, você nunca pôde esquecê-lo, pois você tem Hanako para lembrar-se daquela época.

Os olhos dele tinha dor e mágoa. Dois sentimentos que ela fora capaz de plantar nele. Já não existia motivo para esconder seus sentimentos, apenas queria uma explicação.

- Hanako não tem nada haver com esse assunto. - disse andando pelo quarto.

- Ela sempre foi um peso nas minhas costas.

Às vezes, tinha certeza de que Yukito odiava Hanako. Outras, de que ele a amava tanto que ficava possesso por não poder falar-lhe isso. Doía ver ele falar assim da filha, Hanako sempre fora um boa menina... Jamais fora um peso para ninguém.

- O que estar acontecendo Yukito? - Sakura perguntou, não entendendo a atitude do marido.

Sim, estava pronto para ser transferido novamente. Mas desta vez, iria para um lugar que jurara nunca mais por os pés. Estava voltando para a China, desta vez teria que negociar com a República Chinesa, da qual provavelmente o pai de Hanako fazia parte.

- Fui transferido...- disse abaixando a cabeça.

Sakura não precisou de mais palavras para entender o significado. Yukito estava preocupado porque fora transferido para China. Não agüentado sobre as pernas, Sakura sentou-se na cama. Seu coração batia descontroladamente.

- Para onde...? - perguntou temerosa.

- Pequim, na China. - disse, sem hesitar.

Sakura sentiu o mundo escurecer. Mas uma vez estava voltando para a China, mas desta vez, ela tinha muito mais a perder. Além de lembranças ruins de seu últimos dias naquele país.

- Eu não queria.. Tentei de todas as formas mudar essa ordem, mas...- ele falou gaguejando, a puxando para perto dele. - Mas não consegui...

O que aconteceria se reencontrasse Shoran? Certamente ele reconheceria Hanako... Certamente tentaria tirá-la dela, ou pior, iria colocar sua filha contra ela. Não, não iria voltar para China...

- Eu não vou. - disse decidida encarando-o. - Eu não posso...

Pela primeira vez, durante anos, Sakura demonstrava suas fraquezas para ele. Durante anos, achara que se casara com uma boneca de porcelana. Sem vida, que apenas obedecia suas ordens e repelia qualquer contato físico.

- Do que tem medo? De reencontrar-se com ele? - Yukito apertou os braços dele com força.

Tinha medo de tudo. Passara anos com medo... Vivia e dormia com o medo. Já não era novidade para ela aquele sentimento. Mas agora não temia apenas por ela, mas sim por Hanako.

- Sim, eu temo por mim, por você... Por Hanako. - ela disse se distanciando dele. - Por favor, Yukito... Eu faço de tudo, mas... Não me leve para Pequim.

Yukito olhou para ela com compaixão, raiva e mágoa. Ela havia aberto muitas feridas. Mas Sakura antes de tudo ainda era irmã do homem em quem mais confiara no mundo, e precisava, de alguma forma, fazê-la encarar a verdade. Se fosse o destino dela se reencontrar com aquele homem, nada poderia fazer para impedi-lo. Há anos desistira de lutar contra um fantasma.

- Infelizmente, Sakura, esse pedido não poderia lhe conceder. - disse duramente, indo até a porta. - Tem uma frase antiga que meu pai sempre falava: "O lugar da mulher é junto do marido". Então, não lute contra isso...- concluiu virando-se para ela. - Providencie tudo para nossa viagem, pois vamos partir em no máximo dois dias.

Sakura escutou os passos decididos do marido no corredor. Assim que não os ouviu mais, sentiu as lágrimas invadirem seus olhos. Não estava voltando para Pequim, mas sim para Shoran. Sentia que o reencontro seria inevitável...

****

Pequim 1917,

Centro estudantil...

- Será que o destino da China está nas míseras mãos de um republicano, ou de um imperador fantoje?! -Perguntava a voz inflamada de Tao Jung.-Será que nunca teremos uma sociedade justa, aonde não há classe sociais? Aonde as pessoas não sejam corrompidas? Meus caros colegas, eu não sei... Acho que as idéias igualitárias de Marx, seriam o ideal para a nossa sociedade.

Chang-hsun Li olhava com fascinação para a figura do amigo. Admirava tudo o que ele falava. Não importanto-se com o que as pessoas diziam ao seu respeito. Naquele momento, apenas uma pequena parcela da platéia o aplaudia. Não entedia o pensamento daquelas pessoas... Durante toda a existência chinesa foram comandados por um imperador. Agora, que poderiam falar o que sentiam, eles tinham medo.

- Vaem, vaem bastante.-disse Tao sorrindo cinicamente.-Um dia vocês irão acordar e ver que uma República ou Monarquia não ajudarão a China a crescer, pois nosso país só irá crescer quando tivermos uma Democracia...

- Como assim uma Democracia? - vozes estridentes soaram no teatro. - Durante anos lutamos contra o regime porco dos ocidentais, tivemos que ingolir a democracia deles...

- Não, não tivemos que engolir a demogracia deles, mas sim o que eles chamam de política de colonização. - Falou ceticamente. - Eles precisavam de mercados para consumir os seus produtos e a China atraiu-os.

- Como um filho de herói tem a coragem de defender as pragas que vieram do ocidente? - as vozes ferozes perguntaram. - Isso é uma desmoralização a seu pai...

Tao Jung era filho de um líder boxers. Igual a ele, embora que consistiam em situações diferente. Jung era três anos amais velho do que ele, e tinha a mesma filosofia da mãe, uma inglesa desgarrada. Era filho ilegítimo...

- Meu pai era um radical, e isso não vem ao caso agora. - falou sorrindo cinicamente. - Mas, antes de tudo, aquela revolta foi impensada e burra... A imperatriz traiu os Boxers. Ela e sua família deviam ser banidas da China.

O silêncio constrangedor tomou a sala. Ali, ninguém tinha a coragem de desafiar ou falar mal da família que foi escolhida por Buda para tomar conta de toda a grande China. Era repugnante ver que aquele país nunca iria mudar. Alguns costumes demoravam séculos para desaparecer, e ali todos estavam acostumados a ficarem calados.

- Amigos, sei que estamos aqui por apenas um motivo. E esse motivo é bem claro na mente de todos. - pacificamente encerrou. - Não há mais espaço na China para a Monarquia... Precisamos de um governo regente que pense na população.

Em meio a aplausos e vaias, Tao se retirou do palco. Aquele dia não havia sido fácil, era difícil fazer as pessoas compreenderem suas idéias com clareza. Afinal, ali todos dependiam dos presentes do imperador.

- Bem, hoje foi mais produtivo do que ontem. - Chang-hsun falou se juntando a ele.

- Sempre otimista, Chang. - disse o garoto sorrindo pegando os livros. - Sua mãe sabe que está aqui...? Aliás, seu tio não admitiria ver o sobrinho dele nesse antro.

Shoran não fazia a mínima idéia de onde estava. Fazia tempo que seu amargo tio deixara de se preocupar com ele. Sua mãe já não comandava sua vida, duvidava de que um dia viera a comandar.

-Por que eles viriam a saber?! Meu tio passa mais tempo trabalhando ou trancado naquele maldito escritório... Minha mãe, coitada, ainda alimenta sonhos amorosos com ele. - respondeu cinicamente .- Não tenho com o que me preocupar, minha família se resumi em minha mãe e em um tio amargo.

Pelo menos Chang tinha uma família. Embora não fosse feliz, tinha com quem contar. Ele havia perdido tudo, o que restava para ele era uma biblioteca, a qual era a sua casa... e fotos, muitas fotos de sua mãe. Apesar, de que era recompensado, levando em conta que era dono do próprio nariz. Não tinha nome, nem nada...

- Mas devia se preocupar.

- Por que? Aconteceu algo?

Tao retirou uma tira de jornal e estendeu para ele.

- Veja, seu tio foi nomeado ministro do exterior e vai receber o general japonês daqui alguns dias. - disse sorrindo diabolicamente. - Ele não iria gostar de ver o sobrinho andando com um bando de comunistas desocupados.

Chang leu com atenção o artigo que anunciava seu tio como novo ministro. Tinha que admitir que isso não era uma surpresa, pois desde de pequeno sabia que seu tio tinha debandado-se para os lados dos republicanos assim que ficou provado a traição da imperatriz dragão. Por causa dela, o clã Li fora falência... Se não fosse Shoran, talvez o Clã Li nem existisse mais. Mas aquilo não deixava de ser um ato repugnante de seu tio... Era revoltante ver que ele estava abrindo a portas de sua casa para uma família estrangeira, sem ao menos pestanejar. Tinha que dar um jeito nisso... Não admitiria nenhum estrangeiro em sua casa.

- Meu tio, felizmente não tem poder nenhum sobre minha vida. - disse entregando o pedaço de papel para o amigo. - Há muito tempo deixei de ser manipulado.

***

Shoran olhava para as vastas terras que cercavam sua propriedade. Era difícil acreditar que havia reerguido seu clã em tão curto espaço de tempo... Não havia sido fácil, ou muito menos satisfatório. Havia exigido muito dele, mas era um Li, e isso já era o suficiente para encontrar forças e seguir enfrente, sem se lembrar do passado. O que era praticamente impossível... As lembranças daquele tempo frio e tumultuado invadiam sua cabeça como um tufão.

- Senhor Li...

- O que foi, Chou? - perguntou impaciente, ao ter seus pensamentos roubados.

- Chegaram algumas correspondências da República para o senhor. - falou o serviçal com a cabeça em gesto submisso. - E o senhor precisa assinar o protocolo com urgência.

Sua vida era um verdadeiro inferno. Às vezes duvidava que existisse felicidade. Ele nunca havia sido feliz na vida... A única pessoa que tivera a capacidade de tirar um sorriso dele havia ido embora há quase vinte anos. E havia sido a pessoa mais importante para ele por muito tempo... Agora já não era mais. Havia aprendido a conviver com a solidão.

Sem palavras, Shoran subiu no cavalo e disparou para mansão aonde vivia com Meilin e Chang. Uma casa que, para ele não tinha nenhum valor sentimental, e que havia comprado para destruir de vez seu amor por uma mulher. O que era uma piada, nunca havia esquecido-se do rosto dela... Pois, por mais que quisesse, Sakura ainda era um fantasma em sua vida.

Se recriminava por pensar nela ainda. Devia estar preparado para receber a família do embaixador japonês em sua casa... Não era hora para ficar lembrando de uma mulher que não via há 17 anos, que talvez nunca mais veria. Naquele momento, ela devia ter um marido e uma ninhada de filhos. Enquanto ele estava ali, ainda pensando nela. Deveria ter se casado com Meilin e tido filhos com ela... Mas sua maldita vontade de ser sincero havia o impedido de fazer o certo. E agora estava ali sozinho, aos quarenta e cinco anos de idade sem uma mulher e sem um filho para herdar suas terras. Enfim, estava sozinho, e esse era o seu castigo... Ficaria só pelo o resto de seus dias... Essa seria sua cruz.

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Olá pessoal!!!!!!!!!!!!!!

Bem, o que acharam desse capítulo? Chato, médio, mais ou menos, ou bom? Na minha avaliação não foi tão legal... Mas serviu como base para os dois personagens centrais. O que acharam de Hanako? Ela deve morrer? Ou devo mantê-la viva.

Espero suas opiniões. Um beijo para:

Nina: Olá Querida!!!! Eu fico feliz em te emocionar com as minhas fic's. Na verdade sei que tenho uma mania de matar todos os meus personagens. Não sei... o que da em mim. Também te adolo amiga. Bjs!!!!!

Miyazawa Yukino-Erika: Olá Erika!!! Que bom que gosto do outro capítulo. Devo não ter agradado a todos com essa reviravolta. Mas você vai ver que daqui por diante a historia vai ganha um ritmo legal. Hanako terá um papel importante na fica, mas não sei se vou mantê-la. Mas provavelmente ela viva até o final. Fico feliz que tenha gostado Erika. Bjs!!!

Bella-Chan: Olá Bella!!!!! Claro que vou aceitar. Não posso separa os dois nessa fic.Afinal o dois é tão fofo. Mas com certeza terá mais obstáculos agora. Mas como aquela frase de amor: "Não há obstáculos para o amor". Acho que vai ser o mesmo na fic. Um beijo!!!!

Lan Ayath: Olá Lan!!! Claro que vai ter chance para os dois. Ainda mais agora que eles estão mais velhos e experientes. Bjs!!!

Serenite: Olá Serenite!!!! Bem, Sakura coitada sofre em todas as minhas fic's. Logo ela vai me denuncia por maus tratos. Que bom que tu gostou!!!! Ficou muito feliz mesmo. Bjs!!!!

Suu-Chan: Olá Ivana!!!! Faz tempo que não teclamos. Entra no icq para conversamos. É isso que estava pensando. Eu adoro ler historia que contem sagas. Isso me atrai e muito. Vou pensa melhor, mas "Entre a cruz e a espada" certamente já é uma saga. Te adoro, amiga. Bjs!!!

Angie M. G: Olá Michele!!! Não é preciso dizer que estou amando sua fic. Mas na minha Sakura e Shoran passaram eternos 17 anos separados, mas agora parece que tudo vai se resolver. Bjs!!!!

Rê_~Chan: Olá Renata!!! Que bom que tu gostou. Eu faço de tudo para inibi meu ímpeto e não mata mais ninguém. Rsrs Fico feliz que tenha gostado. Bjs!!!

Jenny-Ci: Olá Jenny!!! É muito dificil ver Sakura e Shoran sofrendo. Eu sei que fui radical. Mas de uma coisa eu não sou capaz nessa fic é mata o casal. Eu tava lendo no se perfil. É verdade que você gosta daqueles romances comprados em banca de jornal? Nossa eu sou a maior fã daquelas revistas. Eu gasto uma fortuna todo o mês naqueles livrinhos. Bjs!!

Lara Gallas: Olá Lara!!!! Eu sei que fiz literalmente "chove sangue" no capítulo passado. Mas juro que não farei mais. Tomoyo vai aparecer um pouco mais no próximo capítulo. Mas acho que ela não tem muito futuro. Bjs!!!!

Carol: Olá Amiga!!! Nossa fique tremendamente feliz ao receber sua review. Fico feliz com todas que recebo, mas não esperava a sua (não me pergunte o por que, pois eu não sei te responder). Mas fiquei muito emocionada mesmo. Que bom que gostou da minha fic amiga. Te adolo!!!! Bjs!!!!

Tamaga: Olá!!!! Sim Hanako e Chang serão citados, mas não serão os protagonistas. A fic vai continua centralizada em Shoran e Sakura. Eu primeiramente escrevo para mim, mas penso e respeito muito a opinião de meus leitores (eu gostei dessa), já mudei muitas vezes um capítulo inteiro para agradar meu público (gostei novamente dessa ^^). Todas as opiniões são bem vindas, faço mesmo o que me pedem, pois sei que é o melhor para minha fic. Eu acho que é fácil agradar, pois quem geralmente ler gosta do que você está escrevendo. Quem não gosta nem termina de ler e passa para outra fic. Gostei muito de responder sua perguntas!! Não ligo não eu sou meio maluca. Bjs!!!!

Bem, queria mandar um beijo especial para meus anjos da guarda: Letícia (que por sinal da escrevendo uma fic ótima de HK. Quando ela postar eu falo mais), e a Lídia (minha outra querida amiga). Para a Duda e Liara.

Um ótimo fim de semana e começo de semana a todos!!!!

Um beijo!!!!

Tchau!!!!

Obs: Não esquecem de me manda Review. Eu adoro recebe a opinião de todos!!!!^_~