"Tuas carícias nos inebriarão mais que o vinho.
Quanta razão há de te amar".
Cânticos dos cânticos
XXI Capítulo
Dia 14 de Abril de 1917, JapãoEra deprimente entrar naquela casa. Por algum motivo Hanako sabia que ali não era seu lugar. Não era de hoje que percebia a forma superior que todos olhavam para ela. Nada tinha vida era tudo morto, sem sentimento... Às vezes achava que as únicas pessoas que gostavam dela eram sua mãe e Mai. Até sua tia, na verdade prima, a olhava como um ser baixo como se fosse ela que morava de favor ali, e não ela que contava apenas com a boa vontade de sua mãe. Mas algo no seu íntimo avisava que aquela época absurda iria mudar... Algo iria acontecer.
-Pronto Mai.-disse sarcástica.-Chegamos ao purgatório...
-Não fale assim, menina.-a babá reprimiu, ao mesmo tempo em que fazia um gesto para os empregados guardarem as compras.-Essa é a sua casa...
-Não, não é minha casa.-rebateu tirando os sapatos apertados.-Duvido que algum dia tenha sido.
Hanako alternava estado de extremo bom humor para extrema melancolia. No fundo sabia o que mais ela e lady Sakura temiam estava para acontecer. Não demoraria muito para Hanako perceber que não era filha de lorde Yukito como crescera acreditando. Odiava lady Tomoyo pela hostilidade que tratava a menina... Tudo ali era feito para ferir Hanako. Aquela menina entre todas não merecia ser tratada assim. Afinal ela era herdeira do clã.
-Tudo aqui é seu... Menina.-ela falou sorrindo.-Não se esqueça que seu pai é dono disso tudo.
Seu pai, seu pai nunca fora seu pai realmente. Sempre distante e frio fazia questão de falar que não queria nada com ela. Às vezes duvidava de que ele era realmente seu pai, ou um mero fantoche nas mãos de Sakura. Além do mais não tinha nada dele.
-Eu tenho minhas dúvidas, Mai.-disse melancólica.-Por favor, Mai, prepare meu banho, enquanto isso vou vê como minha mãe está.
-Certo, querida.-ela falou subindo as escadas.
Tinha que conversar com sua mãe. Esclarecer de vez as dúvidas que povoavam sua cabeça. Não queria acreditar que fosse uma bastarda, mas tudo se encaminhava para esse caminho. No fundo sentia que não era filha de Yukito... Nenhum sentimento o ligava a ela.
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Sakura olhava fixamente para o espelho com os olhos inchados de tanto chorar, só via uma mulher incapacitada de amar, que se sentia fraca por saber que não teria forças para combater o amor. E que depois de tantos anos de um casamento que nascera fadado ao fracasso sentia que não teria forças para conter a própria emoção ao rever o único homem que amara na vida.
Porque Yukito não enxergava que viajar agora era o ponto final do relacionamento de ambos. Se tivesse coragem iria desafiar o marido... Mas há muito tempo havia perdido essa virtude. Agora era uma conformista, que cujo único ideal era permanecer trancada naquela prisão de luxo.
-Posso entrar, Sakura?-Tomoyo perguntou na soleira da porta.
Tomoyo era a única pessoa que sabia sobre seus sentimentos. Era única pessoa que podia compreender o seu motivo para ser infeliz. Ela era uma boa moça, nunca se casara, e ainda esperava por Eriol... Era uma mulher amarga, e descontava tudo em sua filha. E esse era o seu maior defeito. Se pudesse afastava Hanako definitivamente dela, mas não podia mandar Tomoyo embora. Não agora que a coitada estava definitivamente sem ninguém no mundo.
-Claro Tomoyo.-disse enxugando as lágrimas com a palma da mão.-Entre prima.-concluiu virando em direção da porta.
-É verdade, Sakura?-ela perguntou séria ao entrar no quarto.-É verdade que estamos voltando para China?
Ela já sabia. Yukito devia ter feito questão de comunicar a todos.- pensou Sakura sentindo o gosto da bile na boca. No fundo seu marido estava feliz com a repentina promoção. Já não sabia se o amava ou o odiava. Aliás, nunca pudera sentir nenhum tipo de amor por ele.
-S-sim...
-Não pode ser... E Hanako... E você, como ficaram nisso tudo?-Tomoyo perguntou novamente andando de um lado para o outro no quarto.
-Não sei...-falou ela abaixando cabeça.-Devo obediência ao meu esposo...
Ela havia dedicado meia parte de sua vida a Sakura. Havia abdicado de tudo a fim de ficar com aquela jovem. Não podia deixar a prima sozinha... Mas agora via tentada a fugir dali... Em hipótese alguma queria voltar para China.
-Certo... Você deve obediência a seu marido, mas e sua filha?!-falou ela.-Você sabe que há grande possibilidade de você encontrar com ele... E infelizmente minha prima será fácil para ele deduzir que Hanako é filha...
-Shhh. Ela pode entrar a qualquer momento.-Sakura censurou fechando a porta semi aberta.-Não quero que minha filha saiba a verdade pela a sua boca.
Já estava na hora daquela menina saber a verdade. Não era justo Yukito ficar bancando o pai amoroso de uma bastarda. Aquela que além de estúpida era arrogante... Havia puxado o sangue sujo chinês. E em pensar que havia falado para Sakura fazer um aborto, mas sua prima era muito certinha para cometer esse ato injúria.
-Mas é a verdade minha prima.-falou em um tom alto.-Sua filha não tem nada de Yukito, tem mais daquele rebelde chinês... Será fácil para aquele homem perceber que Hanako é filha dele.
-Não fale assim, Tomoyo.Sakura repreendeu nervosa.-Não fale com tanto ódio da minha filha...
-Por que tampa o sol com a penera, Sakura? Cedo ou tarde Hanako vai descobrir que não é filha de Yukito e sim de Shoran Li, o homem que te seqüestrou há quase vinte anos atrás.
Sakura abaixou a cabeça. No fundo sabia que isso iria ocorrer... Mas queria que fosse ela a contar para Hanako e não um estranho, ou uma pessoa que guardava tanto ódio no coração que era capaz de cegar. Hanako era uma menina pura e delicada. Era uma bonita lembrança que guardava de Shoran.
-Chega, Tomoyo.-disse em um tom sério e cortante.-Não quero que você fale um "a" sequer para Hanako.
Tomoyo virou a cara humilhada. Tinha que admitir que sentia tanto ciúmes de Hanako como sentia de Sakura. Tinha raiva de sua prima por ter sido ela a noiva de seu único amor... E por ela ter encontrado o amor e tido um filho dele. Coisa que nunca poderá ter. Ainda mais agora que Eriol havia morrido...
-Pode ficar despreocupada minha querida prima.-falou em tom mais sarcástico do que o habitual.-Não direi nada relacionado a esse assunto para a princesinha...
-Espero...-disse sentando na cadeira.
Era horrível ver sua prima se consumindo sozinha. Esse era o motivo pelo qual não a abandonava. Tomoyo no fundo era uma boa pessoa... A vida é que fora a culpada por ela está assim tão amarga.
-Bem, que dia iremos partir?-Tomoyo perguntou curiosa.
-Amanhã...
-Tão cedo assim?!
-Sim, Yukito disse que se trata de um assunto diplomático urgente.
Tomoyo não falou mais nada, apenas abriu a porta e saiu sem nenhuma palavra. Estava decidido que ela não iria deixar o Japão novamente... Não iria voltar para o inferno que era Pequim. Iria ficar ali rezando pela a alma de seu único amor.
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Hanako parou no momento em que viu sua tia saindo do quarto de sua mãe. Ela não lhe pareceu nada bem... Estava pálida e com os olhos marejados. Logo ficou preocupada, sua mãe não andava muito bem. Há tempos vinha reclamando de fortes dores de cabeça. O que será que havia acontecido?
-Senhorita Tomoyo?-Hanako chamou alto o suficiente para Tomoyo escutar.
Embora Tomoyo sendo sua prima não podia chamá-la de prima. Ela fazia questão de falar que não tinha o mesmo sangue que ela... E que ambas eram muito diferentes. Desde pequena teve que lidar com a forma dura de lady Tomoyo.
-Quantas vezes lhe já falei para você não gritar, Hanako.-a amarga mulher falou virando-se para ela.
-Muitas vezes por sinal.- Lady Tomoyo havia sido a mais severa de suas professoras. Com ela não adiantava sorrir ou chorar... Ela era dura como aço.
-Peço desculpas, Lady Daidouji.-Hanako falou em um tom divertido.-Mas é que estou muito preocupada com minha mãe ultimamente... Ela anda tão distante, e quando vi a senhora saindo do quarto pensei... Pensei...
-Que algo havia acontecido com ela...-a lady completou com cara de poucos amigos.-Realmente menina você não conhece a mãe que tem...
Tão amarga quanto um limão. Até hoje não sabia o motivo que levara aquela mulher tão alto suficiente a não se casar... Uma vez seu pai havia deixado escapar que Lady Daidouji havia tido vários pretendentes mais havia dispensado todos, pois amava um oficial inglês. Coitada, o seu amor não devia ser correspondido, e ai estava o motivo para tanta amargura.
-Por que devia a conhecer? A minha mãe sempre foi transparente comigo...-disse a menina erguendo o busto.
-Você acha que sua mãe não tem segredos, querida.-maldosamente completou.-Ela tem vários, e muitos com relação a você.
-Como assim?-Hanako perguntou curiosa sentindo o coração sair pela a boca.
-Pergunte a ela, Hanako.-Tomoyo falou.
Dando as costas para a jovem e logo em seguida entrando em seu aposento. Deixando Hanako num mar de dúvidas e conclusões precipitadas. Nervosa andou com pressa até chegar na frente do quarto da mãe. Talvez fosse aquela a hora exata de saber a verdade... E desta vez sabia que existia uma e que não era fruto de sua imaginação fértil.
Hanako entrou sem bater na porta. Sua mãe estava ali pensativa olhando para o extenso jardim. Naquele momento a achou mais deprimida do que antes... Era fato de que algo havia acontecido.
-Mamãe...-ela falou chegando perto de Sakura.
Aquela voz melódica só podia pertencer a Hanako. Quando olhava para a filha, via todos os seus problemas desaparecerem... Por ela fazia tudo, até mesmo agüentar um casamento que nunca foi consumado.
-Olá, minha filha.-disse feliz.-Pensei que tivesse saído com Mai...
-E realmente tinha, mas decidimos voltar mais cedo para casa.-falou abraçando a mãe.
-Venha sente aqui ao meu lado.-Sakura falou levando a filha para o sofá maior ao lado direito da janela.
Sua mãe era tão terna como triste. Sempre se demonstrava feliz, mas no fundo a infelicidade era sua maior companheira. Sua mãe escondia algo dela, e ela precisava descobrir. Era questão de honra, era questão de saber quem ela realmente era.
-Aconteceu algo, mamãe?-ela perguntou sem poder mais conter a curiosidade.
Sakura abaixou a cabeça. Quanto mais cedo contasse para Hanako melhor seria a recepção dela. Mas era difícil ter que dizer a filha que ela era filha de outro homem, e que elas estavam perto de encontrá-lo. Não, não podia falar agora...Contaria apenas da viagem para a China. Hanako não precisava saber da verdade ainda...
-Bem, querida aconteceu sim...
-E foi isso que trouxe senhorita Tomoyo ao seu aposento?
-Sim... é que seu pai foi transferido de posto.-falava pausadamente sem atropelar as palavras.-Na verdade ele foi promovido e temos que nos mudar novamente de residência.
Então era isso que Tomoyo tanto havia falado. Pensou aliviada. Aquilo não era segredo, mas entendia muito bem o nervoso de Tomoyo. No fundo ela não queria sair daquela casa. Mas isso não explicava a vontade que ela tinha de difamar sua mãe.
-Para onde vamos? Kyoto, Nagoya, Tomoeda?-perguntou animada.
-Não, amanhã mesmo iremos partir para Pequim, capital Chinesa.
A expressão de Hanako mudou completamente. Não sabia se via felicidade ou ansiedade nela, ou medo por ir a um país que apenas conhecia pelos relatos de Mai.
-Mas tão rápido assim...?
-Seu pai precisa assinar urgente alguns papéis com um ministro chinês, e isso não pode esperar.-informou ela.-Sei que deve ser um choque para você, mas deve se acostumar com isso...
Sim, ela estava em choque. Não sabia o que falava, se ficava feliz ou triste. Não sabia o que sentia. Era um sentimento tolo de que tudo iria mudar. Mas ela não gostava nenhum pouco de mudanças repentinas.
-Não sei o que falar, mamãe.-sua voz saiu embargada.
Ela iria proteger aquela garota com todas as sua forças. Hanako não teria o mesmo destino que ela. Não iria deixar a filha sozinha nem por um segundo sequer.
-Você terá a mim e Mai para te guiar.-disse abraçando a filha com carinho.- E te juro que nada vai te acontecer.
Hanako sentiu as mãos delicadas da mãe sobre seu cabelo. Adorava quando ela fazia isso, era como se ainda fosse um bebê e ela a tivesse acariciando. No colo dela era o único lugar que estaria segura sempre e sabia disso. Sua mãe não era capaz de esconder nada dela... E se tivesse escondido algo agora não era tão importante.
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Shoran olhou para a mesa entupida de papéis. Era estranho, mas ali era o único lugar que se sentia feliz. O único lugar que realmente se sentia a vontade. Era ali que descarregava sua fúria, seus arrependimentos. Era ali que gastava boa parte de seu tempo...
-Aqui estão as cartas, senhor.-disse Cho entregando mais papéis para ele.-Assim que assina terei que ir correndo, pois lorde Charles espera por eles.
-Me desculpa, Cho. Mas acho que isso será impossível.-Shoran falou abrindo a carta.-Já sei do que se trata e já disse que na minha casa a família Tsukishiro não irá passar por nenhum constrangimento ou dificuldade.
Odiava assinar papeladas sem ao menos ler. Já havia aprendido uma grande lição na vida que era jamais confiar nas pessoas, pois todos os seres humanos eram hipócritas e ambiciosos. E um ministro chinês não era diferente.
-Claro senhor... Mas ele insiste em ter sua confirmação por escrito.- o empregado falou com a cabeça baixa. –O senhor sabe como são esses estrangeiros... Eles sempre acham que são melhores que nós...
Na China ainda era muito forte a presença estrangeira. Depois da mal fadada rebelião em 1900, aquela situação humilhante havia apenas crescido. Mas nada era igual... A China tinha uma monarquia fantoche... O imperador de apenas 14 anos de idade não mandava em nada, e duvidava se algum dia ele tivesse mandado em algo. Havia entrado na política com um único intuito que era uma China justa, não para ele e sim para Chang... A quem considerava um filho.
-Te entendo, mas não confio nada naquele homem.-Shoran falou lendo com bastante atenção o papel.-Se ele disser qualquer coisa mande ele vim se entender comigo, pois não sou um boneco na mão de ninguém...Muito menos na mão de um português.-concluiu ainda demonstrando ideais boxers.
Afinal algumas coisas eram difíceis de serem mudadas. Uma delas era seu ideal político.
-Certo, senhor.-disse ele abaixando a cabeça.-Irei fazer isso.
-Faça isso, Cho.-Shoran disse fazendo um gesto para ele sair.
Shoran viu a biblioteca cair no mais profundo silêncio. Não sabia o motivo, mas naquele dia a voz e o rosto de Sakura não saia de sua cabeça... Era como se pudesse sentir o perfume de cerejeira dela. Era idiotice da parte dele negar o que sentia. Ainda amava Sakura... Era burrice se ainda nutrisse esse sentimento por ela.
-Por que ainda sinto você ao meu lado? Por que ainda tenho que te amar?-perguntou olhando para a própria mão.-Eu entre todos os homens, sou o único que não merece nada de você... Eu matei seu irmão, e naquele dia jurei nunca mais encostar as minhas mãos impuras em você...
Gemendo como se tivesse sido ferido mortalmente, Shoran jogou as cartas no chão. O que estava acontecendo com ele? Em 17 anos Sakura foi a figura mais presente em seus sonhos, mas nunca chegara a ficar naquele estado. O que estava para acontecer?
-Tio...Posso entrar?-Chang perguntou colocando-se na soleira da porta.
Shoran olhou para Chang com sentimento quase paterno. Chang era muito parecido com o pai. Mas tinha a personalidade mais afável... Não via o primo com uma farda e uma arma nas mãos para lutar. Chang daria um ótimo administrador para suas terras.
-Sim, filho...Entre.-Shoran falou tentando parecer o mais natural possível.
-Aconteceu algo de grave, senhor?-o jovem perguntou olhando assustado para os vários papéis jogados no chão.
-Não, apenas uma rajada de vento forte.
Não estava acostumado a demonstrar sua fraqueza a ninguém. A única pessoa que teve o direito de presenciar algum momento difícil dele foi Sakura... Ela havia sido a única a conhecer seu verdadeiro "eu".
-Bem, o que o traz aqui a essa hora do dia?-Shoran perguntou curioso.
-Um assunto muito sério, Tio.-Chang falou andando de um lado para outro.-Vi que vossa senhoria aceitou o convite da república e agora um consorte dela...
-Não sou um consorte da república.-Shoran disse com a expressão completamente diferente. Chang já não era uma criança e pelo o visto tinha idéias políticas. Isso de uma certa forma o assustava.
-Então por que vai colocar aquela gente debaixo do nosso teto?-atacou o jovem nervoso.-Como o senhor decidiu assim que temos que receber aquelas pessoas?! Isso é humilhante...
Shoran olhou bem para o filho único de sua prima. Quantas vezes haviam apartado brigas daquele jovem com Meilin... Ela sempre o havia alertado que Chang andava com alguns comunistas. Nunca havia dado importância para aquilo, pois sempre tivera simpatia pelo o comunismo. Mas não iria tolerar a insolência daquele menino. Afinal aquela casa era dele e colocava quem ele queria ali. E o mundo não era como Chang pensava. Aquele ódio só iria prejudicar ele...
-Porque não tem motivo nenhum para não aceitá-los em minha casa.-Shoran falou erguendo a cabeça.-Eu faço o que quero e no momento acho mais adequado não criar problemas...
-Mas e minha mãe? Como o senhor pensa que ela vai reagir? Ela com certeza não será uma boa anfitriã.-ele falou cinicamente.
-Meilin já sabe que a partir de amanhã teremos hóspedes.-informou sorrindo com arrogância.-E não me pareceu nada triste...Pelo o contrário me pareceu alegre e afável.
Chang olhou com ódio para a moldura pendurada na parede. Nunca conseguia ganhar um embate verbal com o tio. Shoran era invencível tanto na luta com espada como na rapidez em falar. Até hoje não sabia o motivo por ele estar vivo... As más línguas diziam que ele havia desertado assim que vira que a revolução estava perdida. Mas ele recusava ter essa imagem do tio.
-Por que tio? Por que temos que recebê-los? Já não basta a humilhação que nosso país passa todo dia!-Chang falou calmamente.
-Assuntos políticos.-ele informou acendendo um cigarro.-Assuntos delicados demais para ser tratado em uma pensão qualquer.
Seu tio parecia irredutível. Ele iria aceitar passar pela mesma humilhação de anos atrás. Mas agora ele não ficaria ali para ver alguns estrangeiros na casa que um dia foi de seu pai. Ele iria sair dali... Não sabia para onde iria, mas certamente seria para bem longe da família japonesa.
-Então já está decidido? O senhor vai mesmo receber aquela gente em nossa casa!
-Sim, não há nada que se possa fazer.-falou Shoran tranqüilo.
-Então só me resta partir, meu tio.-disse o jovem andando até a porta.-Vou sair de casa.
Shoran não falou nada, apenas observou o jovem abrir a porta. Nada podia fazer, Chang já era um homem e não ficaria desamparado... Era a hora de Chang descobrir como a vida era dura, e que ideais políticos só serviam para complicar mais a vida.
-Isso não é um adeus, Chang.-Shoran sussurrou ao se ver sozinho.-É apenas o recomeço de uma nova vida para você, e para mim é apenas o final de um ciclo... há um longo caminho pela a frente.
Abrindo a gaveta, Shoran pegou um pedaço de pano amarelado pelo o tempo. Aquele era a única prova de que um anjo havia passado pela sua vida. Aquela era a única lembrança que tinha dela. Levando o pequeno pedaço de pano nos lábios... Shoran o beijou. Algo lhe dizia que ela estava cada vez mais próxima dele. Estava ficando maluco... Abrindo a garrafa de Martini bebeu o líquido que estava nele.
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-Você não pode sair daqui, Chang!-Meilin falou se pondo na frente do filho.-Essa é a sua casa...
Chang já não sentia mais aquilo. Havia chegado a hora dele tomar as rédeas de sua própria vida. Iria seguir o caminho que queria sem a intervenção de ninguém... Nem Buda ou sua mãe iria impedir que saísse daquela casa o mais rápido possível.
-Não insista, mamãe.-Chang falou empurrando-a delicadamente.
-Foi Shoran não foi? Foi ele que te mandou embora daqui...
-Não, não foi meu tio.-ele disse abrindo a sacola e colocando o pouco de roupa que tinha.-Eu quero ter minha própria vida... Ficar aqui só iria atrasar mais o que meu destino me reserva...
Durante anos vivera sobre o mesmo teto que Shoran sonhando com ele. Quando descobrira que ficara viúva, passara por momento de tristeza e alegria. Afinal havia conseguido mandar aquela maldita japonesa para bem longe dali... E junto dela foi aquele bebê horrível. Fizera de tudo para tê-lo, mas o fantasma dela ainda era presente nele. Agora tinha que agüentar a partida do filho, que era sua única esperança de que aquilo tudo fosse dela.
-Seu destino é herdar essa casa...
-Não, mamãe.-ele falou fechando a sacola.-Nada aqui é nosso. Você já se esqueceu que nosso dinheiro foi confiscado pelo o governo britânico?
-Mas...
-Mãe eu admiro meu tio... Durante anos ele foi como um pai para mim.-ele falou parando na frente da mulher.-Mas agora eu e ele percebemos que é hora de partir.-concluiu a abraçando.-Vou sempre visitar a senhora.
Dando o último beijo nela partiu sem mais palavras. Deixando a mãe em pânico... Mais uma vez se via sozinha naquela imensa casa. Algo havia mudado... Sabia e sentia que sua vida estava dando uma reviravolta. E por algum motivo não gostava daquela sensação.
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Olá Pessoal!!!!!
Bem, o que acharam desse capítulo? Bem, na minha visão geral ficou legal. Gostei mesmo da parte em que Tomoyo apareceu. Eu mudei ela completamente quis transforma ela numa pessoa fria. Só que não sei se ela vai continua.. Já basta Meiling.^^
Bem, obrigada pelas reviews.
Jenny-Ci: Bem, eu adoro essa revista de romance. A minha pretérita são os históricos. É sempre os mais ingênuos e puros. Eu adoro!!! Eu não penso em matá-los... Mas bem que seria legal. Rsrs Brincadeira. Shoran deve estar com 45 anos de idade (acho que coloquei a idade dele nesse capítulo?! Nem mais me lembra:). Sakura tem 38 anos. Fico feliz que tenha gostado Jenny!!!!Bjs!!!
Miyazawa Yukino-Erika: Olá!!!! Fico feliz que tenha gostado da segunda fase. Eu morri de medo, pois tive que mudar a história toda. A base está modificada. Eu não vou mata Hanako. Eu amo essa personagem... Mas com certeza ela vai sofrer. Estou até pensando em triângulo amoroso. ^^ Shoran e Sakura vão ser muito felizes (isso eu te garanto). Bjs!!!!!
Lan Ayath: Oi Lan!!!! Eu não irei matar Hanako e também estou ansiosa pelo o encontro dela com o pai verdadeiro. Fico muito feliz pela a sua review. Bjs!!!!!!!!
Dark-Chan: Olá!!! Eu estou bem. Pode conta comigo sempre. Eu adoraria ler uma fic sua. Por favor me deixar ler. Envia para mim por e-mail.^_^ Não vou falar que a fic vaia acabar logo, mas acho que logo chegara no final. Se não tivesse batido a cabeça ela já teria acabado. Fico felzi que tenha gostado. E quero ler sua fic!!!! Me envia, viu???? Bjs!!!!
Bella-Chan: Olá Bella!!!!! Shoran na minha fic é burro sentimentalmente. Um homem que não é capaz de amar é um burro. Hanako ficara viva!!!!! Sakura certamente morreria se Hanako partisse. Eu não vou fazer isso com ela. Bjs!!!!!
Rê_~Chan: Olá Renata!!!!! Eu não vou matar Hanako. Mas a coitada não será poupada. Você já até deve imaginar o que vai vim acontecer com ela?! Eu também acho que a família deve ficar reunida. O final vai ser mais ou menos assim. Igual a aquela parte do vento levou em que a mulher a braça o homem, e eles vêem o porto o sol. Bjs!!!!!
Nina: Ola Amiga!!! Estou com saudades. Essa semana não tecla um só dia, e estou muito preocupada com você (Saiba que não é bom ficar triste, eu sei como é...). Você pode conta sempre comigo. E semana que vem vou te enviar a carta (prometida). Eu adoro essa música. É do "Creed" se não me engano. Fico feliz que tenha gostado amiga!!!!!!!
Lara Galla: Olá Lara!!!! Bem, eu achei a forma mais simples de os casais se aproxima. Além do mais será interessante ver o comportamento dos dois cara a cara. Penso!!!!????? Que lindo. Eu sei como é. Sakura e Li serão sempre os protagonistas. Hanako e Chang serão uma ponta, mas é verdade que eles são adoráveis!!!! Eu estou adorando escrever a personalidade de Hanako (de uma forma ela é igual a mim). Bem, nos próximo capítulo Hanako estará mais apegada a mãe.Fico muito feliz que esteja gostando. Bjs!!!!
!B166ER: Olá Rafa!!!!!Bem, aqui no Brasil há pouca informação sobre essa revolução.Nos livros de história que pesquisei nada consegui, pois a informação era escassa. Mas realmente tem, mas não com riqueza de detalhes. O que não concordo. Essa revolução foi um dos primeiro conflitos do século passado. Merecia mais respeito. Fico feliz que tenha gostado!!! Bjs!!!!
Tamaga: Olá!!!Bem, fico feliz que esteja gostando.Sakura têm 38 anos, Shoran entre 42 a 45 (eu não sei ao certo, mas nesse capítulo ele informa a idade. E que ultimamente ando muito esquecida :). Hanako tem 17 anos. Bjs!!!!!
Carol: Olá Amigona!!!!! Estou triste pelo o modem de seu pc tenha queimado. Mas espero que logo seu pai mande arruma.^_^ Eu adorei a sugestão... Estava pensando em algo assim, amiga. Mas em vez do baijo ela escutasse a verdade. Que ela é filha de Shoran. Pensou??? Seria lindo. Te adoro!!! Bjs!!!!
DarkAngel: Olá Nath!!!!!Que bom que gostou. Realmente até eu não conseguia entra no blog, mas agora estou conseguindo. Passe lá sempre. Por sinal adorei o novo template do seu. Bem, vou fazer uma pergunta para Ti: Por que você não escreve fic's? Você que escreve amiga!!!! Por favor, escreva. Fico feliz que tenha gostado do capítulo passado. Bjs!!!!
Serenite: Olá!!! Eu não vou matar nenhum dos maus casais. Acho uma boa idéia matar Yukito e Meiling. Vou estudar essa possibilidade. Embora seria legal que Sakura pedisse o divorcio (mesmo) pouco comum na época. Bjs!!!!!
Danizinha: Olá Dani!!!! Realmente não há empecilhos para o amor. Às vezes acho que o amor maduro é a melhor solução. Quando ser é jovem o amor não tem tanto fundamento. Eu fico feliz por ter recebi sua review Dani, ou melhor, fico lisonjeada, pois você escrever muitíssimo bem também. Espero que tenha gostado desse capítulo também. Bjs!!!!!
Anaisa: Olá Anaisa!!!! Obrigada pela reviews. Eu também não queria a morte do Deus greco, mas era única forma de unir Sakura e Yukito. Fico feliz que tenha gostado. Bjs!!
!Warina-Kinomoto: Olá Duda!!!! Fico feliz que tenha gostado da fic e das introduções. Eu amo história, e deu para ver que serei uma ótima professora. Vou sempre colocar explicações. Bjs!!!
Bem, espero reviews. As suas opiniões para mim são de grande ajuda. Por favor, não custa nada!!!!!Beijos para a Li e Letícia que revisaram esse capítulo para mim.
Bjs!!!
Anna
Obs: Eu fiz uma nova songfic, cujo titulo é "Contigo para sempre", e uma das melhores songfic's que fiz.Com certeza ira chocar vocês. Alguém imaginou que uma dia Sakura viesse a tentar suicidio por amor??? Bem, é só lendo.
