"O homem, que apesar das demonstrações se obstina,
Será logo irremediavelmente arruinado".
Provérbios 28.29
XXII Capítulo
16 de Abril de 1917
Japão, Porto de Nagoya.
Havia passado dezessete anos desde sua chegada desesperada ao Japão. Grávida e desamparada, não viu outra saída a não ser se casar com um homem que não amava e a quem muito menos tinha carinho. Sete meses depois, fora presenteada com uma linda menina, pequena para os padrões normais de um bebê... Mas sua filha. Como um raio de luz, Hanako tomara conta de sua vida completamente. Mas a pequena menina estava crescendo, e cedo ou tarde iria se casar, a deixando para sempre num vazio. Não era egoísta a ponto de negar o direito da filha se casar, mas, se via no direito de saber ou não o que era certo para ela. Porém, no momento, o que importava era o fato de que estava voltando para o país onde aprendera a viver... O país onde o verdadeiro pai de sua filha morava.
- Está passando mal, mamãe? - perguntou Hanako, sentando-se ao lado dela no convés do navio.
- Estou bem, querida... - Sakura falou, acariciando a face da filha.
O sol brilhava forte no céu. Tudo estava saindo melhor do que imaginavam. Se Deus quisesse, não teriam tempestade no caminho. Graças a tecnologia avançada, o navio era a vapor, o que significava que a viagem seria feita num máximo de dois dias podendo até chegar antes do previsto. O que a não animava em nada.
- Não acredito, minha mãe... - a menina falou, beijando as mãos gélidas de Sakura. - Há tempos venho notando uma certa fadiga, e de um dia para cá a senhora está pálida.
Estava nervosa. Tinha medo do que poderia vir a ocorrer com ela e com Hanako se Shoran descobrisse a verdade. No mínimo, ele se sentiria traído, pois bem ou mal, ela havia fugido dele... E tinha absoluta certeza de que Shoran havia lido aquela maldita carta. Hanako era a cara dele, e mesmo que mentisse e contasse que sua filha era na verdade filha de Yukito, ele não acreditaria.
- É apenas cansaço...- ela falou levantando-se. - Estou bem.
Não, não tinha o que temer. - Sakura pensou nervosa.Hanako era legalmente filha de Yukito, e jamais seu esposo deixaria outro homem contestar a paternidade de sua filha. Estava protegida por Deus e pela lei. Nada e nem ninguém roubaria sua filha dela.
- A senhora devia ter procurado um médico antes de partirmos. - Hanako disse repreendendo a mãe. - Só em pensar que a senhora pode estar doente...
- Shhh, querida. - Sakura falou voltando a sentar-se ao lado da filha. - Eu estou bem querida...
Se perdesse sua mãe, certamente não saberia o que fazer de sua vida. Estaria perdendo uma parte vital dentro de si... Mai era sua babá, sentia por ela algo a mais do que simples carinho, mas Sakura era sua mãe. Sem ela, estaria entrando num mundo vazio e escuro. Bem ou mal, não sentia nada por seu pai. Era duro ter que admitir que não tinha sequer um pingo de carinho por ele. Rezava todas as noites para que Deus a perdoasse por tal heresia. Era um pecado não amar o próprio pai, mas como podia amar uma pessoa que fora um mero fantoche... e que nunca havia demonstrado carinho por ela?
- Sinto que algo está deixando a senhora aflita...- a jovem falou, não conseguindo tirar aqueles pressentimentos horríveis de sua cabeça. – Juro, não contarei a ninguém... Apenas quero que a senhora divida seus problemas comigo. Já não sou mais uma criança... E preciso e quero que a senhora fique ao meu lado, sempre.
Sakura sentiu as lágrimas aflorarem em seus olhos. Como queria poder contar toda a verdade a ela, acabar de uma vez com todo aquele teatro que estava em cartaz há dezessete anos. Mas não podia. Seria como jogar o nome de sua família na lama novamente. O seu tão idoso pai, não suportaria mais nenhum escândalo.
- Deve ser impressão sua, querida. - Sakura mentiu virando o rosto para ela não enxergar a mentira em seus olhos. - O que uma mulher como eu, posso reclamar da vida...? Tenho um marido com um bom trabalho, uma filha linda... O que mais quero da vida?
Sua mãe mentia. Ela nunca havia sido feliz... Nunca em todos aqueles anos, a vira trocar um gesto de carinho com o marido. Ela nunca havia sorrido com sinceridade. Sua mãe era muito infeliz com aquela vida.
- Amor... - Hanako disse a palavra chave. -Você não ama meu pai...
Sakura sentiu a face ficar rubra de nervoso. Não parecia que havia passado o melhor dela para sua filha. Admitia que fora errada de tentar "impor" uma família feliz a ela, mas não fizera por mal, e sim pela vontade insana de dar uma família perfeita ao único ser que restava a ela.
- Hanako... onde você está garota?! - Mai gritou na anti-sala que dava para o convés.
"Droga... Como pude me esquecer de Mai??" - a garota perguntou mentalmente, lembrando-se que havia deixado a babá a sua espera na suíte. Parecia um carma nunca conseguia falar com a própria mãe... Sempre alguém aparecia para interromper a conversa. Não era justo. Não quando tinha um mistério sobre sua verdadeira origem.
- Estou aqui, Mai! - Hanako gritou.
Sakura pode soltar um suspiro de alívio. Mai era seu anjo da guarda... Não sabia o que seria dela se aquela mulher não tivesse intrometido-se naquela conversa. Estava pondo um ponto final numa conversa sem futuro. Era triste e admitia, mas não queria que sua única filha soubesse a verdadeira razão para tamanha infelicidade.
- Por Deus menina, que susto você me dá... - Mai suspirou entrando no convés.
Mai olhou para a expressão envelhecida da patroa. Sakura tinha 37 anos, mas aparentava menos. Sua jovialidade triste dava-lhe um ar etéreo, um ar de um ser sobrenatural. Sabia que tal beleza de nada valia, pois sua alma era totalmente triste e obscura. O fato de depois, de dezessete anos continuar amando o mesmo homem, a deixava mais melancólica. Menina Hanako havia puxado isso de lady Sakura.
- Desculpe, Mai... -a menina pediu, fazendo uma referência com o rosto.
A timidez e a tristeza de Hanako devia-se ao fato de nunca ter tido uma demonstração de carinho daquele a quem se julgava filha. Juntando com a maldade da senhorita Tomoyo... No fundo essa história nunca teria fim. Só havia uma salvação para as duas mulheres a sua frente... Que era encontrar novamente Shoran. O que era mais uma utopia do que uma realidade.
- Avise sempre Mai quando sair, Hanako. - Sakura falou andando até a porta. - Afinal, Mai também é um pouco sua mãe.
Se não fosse aquela jovem chinesa, talvez nem ela ou Hanako estivessem vivas. Seu parto foi muito dificil. O que era esperado por todos, pois fora com imensa tensão que completara oito meses de gestação. Havia várias vezes desmaiado... No sétimo mês, tivera até um princípio de aborto. Se não fosse a persistência daquela mulher e o carinho com que ela tratava sua filha naqueles longos anos dificeis, com certeza a essa hora não estaria com Hanako ao seu lado. Enquanto Mai vivesse, Hanako nunca estaria desamparada.
- Aonde vai, senhora? - a empregada perguntou intrigada.
Há dias vinha notando o ar preocupado de Sakura. Não havia encontrado palavras certas para perguntar, mas sabia que a lembrança de Shoran era mais forte a cada ano que ela vivia, e a inesperada viagem para China devia a estar preocupando. Uma preocupação em vão, pois Shoran não estaria em Pequim ou muito menos reconheceria Hanako. A China era grande e poucas pessoas pareciam se dar conta disso.
-Vou rezar... - Sakura falou, entrando no quarto.
Fazia um bom tempo que não conversava com Deus... Na verdade, fazia anos que não pisava numa igreja. No fundo, culpava Deus por todas as tragédias que haviam ocorrido em sua vida. Isso foi de uma certa forma, uma fuga para não encarar a realidade. Afinal, vivera uma vida inteira fugindo da verdade... E agora só Deus poderia iluminar sua cabeça. Naquele momento, era O único em quem devia confiar.
- Vou com você, mamãe. - Hanako falou, passando por ela determinada. - Apenas vou pegar minha...
- Não, não Hanako. - Mai falou. - Sua mãe precisa de um tempo sozinha. Além do mais, a senhorita tem um compromisso comigo hoje.
- Mas...
- Mai está certa, minha filha. - Sakura falou indo até a menina. - Preciso de um tempo sozinha com Deus.
Seria bom para Sakura reencontrar-se com Deus. Não deixaria Hanako atrapalhar aquele momento da vida de sua patroa. Há muitos anos que ela vinha renegando Deus, e não tinha momento mais oportuno para reencontrá-lo.
- Certo..Eu compreendo. - a menina sussurrou abaixando a cabeça.
Sakura saiu do quarto rapidamente. Não queria dar margem para uma segunda interpretação de sua filha. Precisava pensar que rumo dar a sua vida, se devia ou não contar a verdade para Hanako.. Afinal, ela era a parte mais interessada. Tinha apenas que conversar com Deus... Precisava de respostas, que só ele poderia lhe dar.
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Shoran nunca havia sentido-se tão desconfortável na vida, como naquele momento. Meiling parecia querer devorá-lo com os olhos... Certamente pensava que ele tinha mandado Chang embora, quando fora completamente ao contrário. Fora seu sobrinho que quisera assim, nunca havia se importado com os olhares de censura que sempre recebia, mas dessa vez se sentia profundamente incomodado. Afinal, gostava daquele menino como um filho.
- Por que, Shoran? - a mulher perguntou, olhando-o com um certo rancor. – Por que você deixou meu filho partir?
Odiava de fato quando Meiling fazia aquele joguinho. Sua prima não passava de uma menina fresca e mimada. Esse era um dos principais motivos pelo qual ele nunca se casara com ela, não dormiria com uma mulher volúvel... Não depois de ter tido Sakura entre seus braços.
- Chang é maior de idade, Meiling. – falou, tentando ser paciente. - Estava na hora dele seguir seu destino.
- Você fala isso porque ele não tem seu sangue...
- Shhh... Nunca tratei Chang mal. Aliás, sempre o tratei como meu filho. Mesmo não sabendo o que é ser pai. - Shaoran falou, parando de comer. - Dei tudo para ele... Cuidei dele melhor do que seu falecido marido poderia cuidar.
Meiling abaixou a cabeça. Não queria que ele visse seu rosto transtornado. Sempre tivera a esperança de seu filho ser dono de tudo aquilo. Por que Chang teve que ir embora agora que tudo ia se acertar? Shoran até estava sendo mais carinhoso e atencioso com ela. Agora tudo havia voltado a estaca zero. Não fora capaz de tirar aquela menina do coração dele, mas poderia ter o dinheiro dele... E isso ninguém roubaria dela.
- Não fale assim de Chao...
- Falo como quero, minha prima. - ele disse calmamente, não deixando transparecer a raiva que tinha em seus olhos. - Você não conheceu nem dez por cento de seu marido... Eu convivi com ele. E a senhora devia dar graças a Buda por seu filho não ter saído igual a ele.
Estava farto de agüentar Meiling em sua vida. Tinha que tomar uma decisão sobre o destino dela. Queria ela o quanto antes fora dali... Iria mandá-la para bem longe de Chang e dele. De preferência, ela voltaria para o lado de Shiefa no desfiladeiro.
- Como ousa falar mal de meu marido? - a mulher falou quase descontrolada. - Nunca abri a boca para falar um "a" sequer da vadia que você colocou sobre nosso telhado, há dezessete anos atrás.
Meiling se arrependeu amargamente por ter pronunciado aquelas palavras. A expressão de Shoran havia se modificado completamente. Agora, era mais irada do que fria, ofender Sakura não havia sido uma boa estratégia.
- Meiling, você entre todas as pessoas é a última que tem o direito de abrir a boca para falar mal de lady Sakura. - ele falava calmo, ao mesmo tempo que soava ameaçador. - Ela não é uma vadia, aliás, poucas pessoas que conheço foram tão dignas como ela foi.
- Mas ela se entregou a você... Sem ser casada contigo e tendo um noivo. Isso não é um comportamento para uma mulher digna.
Seus princípios o impediam de calar a boca daquela mulher a tapas. O cinismo com que ela falava, parecia que sabia de algo. Ninguém sabia o quanto ele se arrependia por não ter lido aquela carta... Se pudesse voltar no tempo, ele tinha feito muitas coisas diferentes. Nunca deixaria a mulher amada partir. Se pelo menos tivesse uma segunda chance, mas até isso fora negado a ele.
- Ela se entregou a mim por amor e não por luxúria, como a senhora fazia com os empregados quando seu marido não estava. - ele falou maldosamente, vendo a cara da prima empalidecer. - Se Chang não fosse igual a Chao... certamente duvidaria da paternidade dele.
Em questão de segundos, Shoran estava de pé segurando as mãos descontroladas de Meiling, que inutilmente tentava espancá-lo. Pelo visto, ela havia se descontrolado. Aquilo só o fez ter certeza, de que não existia lugar para ela naquela casa.
- Como ousa falar isso sobre a minha honra? - ela gritava, enquanto tentava esbofeteá-lo. Seus cabelos já estavam soltos. - Nunca trai Chao... E Chang é filho dele.
Durante anos, acalentara o sonho de ter um filho de Shoran, no fundo já considerava Chang filho daquele homem e não de Chao. Durante anos, quisera tanto gerar um filho dele, que tivera ciúmes enormes daquela desgraçada, a qual hoje devia ter um filho dele em seus braços.
- Chega, Meiling! - Shoran disse seriamente. - Acho que nossa relação se desgastou... Por favor, espero que assim que o embaixador japonês for embora, você minha prima, pegue suas coisas e parta para o desfiladeiro.-concluiu, afastando ela delicadamente.
- Não!!!
Aquele, sem dúvida era seu maior pesadelo, só em pensar em voltar para aquela prisão a deixava desesperada. Ficaria longe de seu único amor... Não, não... Era incapaz de deixá-lo.
- Já não dá mais para agüentar... Você não percebe que sempre acha um motivo para brigar ou implicar comigo? Chega, Meiling! - Disse em poucas palavras. - Estou cansado, já não sou mais um mocinho e preciso de paz.
Ele não podia mandá-la de volta para aquele buraco. Ninguém gostava dela naquele lugar. As irmãs de Li tinham um profundo ressentimento por ela, pois pensavam que ela fora a única culpada pela fuga de Kaho e Sakura. De certa forma sua conversa com a bastarda havia ajudado um pouco, mas se ela tinha fugido, sua culpa não era. Aquele fato, só demonstrara como a idiota japonesa era burra.
- Não, por favor Shoran. Eu faço de tudo, mas não me deixe longe de você e do meu único filho.- a mulher suplicou.
Shoran não se deixou comover com o apelo desesperado de Meiling. Não sairia de sua casa, e já não havia clima para aquela mulher ali. Meiling era uma pobre manipuladora. Já não havia espaço...
- Não adianta chorar, Meiling. - falou indo até a porta. - Já tomei uma decisão e não vou voltar atrás com a minha palavra.
Com um gesto bruto, Shoran se retirou da sala deixando Meiling sozinha aos prantos. Por um momento teve pena, mas depois viu que era necessário para ambos... Ela não iria já no dia seguinte, porque iria receber hóspedes e ele pouco sabia como era recepcionar pessoas em sua casa. Estava fazendo um bem para ele e para a jovem... Não era justo prendê-la ali, a impedindo de refazer a vida. Pela primeira vez em anos, Shoran sentiu que um peso saía de suas costas. Enfim, havia feito o certo.
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Sakura entrou na simples capela do navio. Ali não predominava o luxo, certamente nem um padre existia... Seria o comandante do navio que iria fazer uma pequena celebração. Deu graças a Deus por isso, pois queria ter privacidade. Há anos que não rezava... Queria, ou melhor, necessitava de uma certa forma, de um apoio para sua alma.
Sentando-se num banco, Sakura abriu a pequena Bíblia... A única lembrança que tinha de Shoran. Até hoje se lembrava com perfeição do dia que ele lhe devolvera aquele pequeno livro. Esse fora o único objeto que não se desfez quando chegou ao Japão.
Agora sabia o quanto burra fora em deixá-lo. Ficara sabendo que Chao Fu Tien havia sido morto... Certamente agora Meiling era a esposa de Shoran. Não era isso que aquela mulher queria? Pois bem, ela havia conseguido.
Abrindo o livro que devido ao tempo estava empoeirado, começou a ler os salmos, foi para os provérbios e depois para o cântico. Seus olhos marejaram ao ver a página marcada. Se lembrava bem daquele dia... Fora a noite mais linda da sua vida. Uma noite que de tão linda, nunca mais voltaria a acontecer. Tinha perdido aquele pouco de felicidade, mas havia ganhado uma filha.
Na verdade, tudo não passara de um ato inconseqüente de sua parte, mas o que poderia pensar de uma jovem de vinte anos de idade, no meio de uma tragédia que havia levado dois seres queridos para ela? Ainda via sua mãe, linda, embaixo de uma árvore... Ela ainda estava ali, mas Touya... sentia que Touya ainda estava vivo, em algum lugar. Parecia loucura, mas tinha horas que podia sentir a presença do irmão ao seu lado.
Deus havia lhe dado várias provas, algumas tão difíceis que não conseguira agüentar. Quem sabe ele não a estava mandando de volta para China, para ser feliz? Talvez não fosse tarde demais para o amor... Talvez ainda houvesse uma última chance.
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- Como pode ver, Chang essa é uma pensão um tanto precária.- Tao Jung falou, abrindo a porta do quarto. –Ficará sozinho temporariamente, mas certamente com algum tempo terá um companheiro... Será mais fácil assim.
Chang não vira alternativa a não ser procurar o amigo. Não se importava com o tamanho do quarto... ou muito menos se era bom ou não. O que importava, era que estava longe das imposições da mãe e das loucuras do tio.
Os dois deviam pensar que ele voltaria para casa em menos de duas horas, mas estavam profundamente enganados. Não agiria como um menino mimado. Trabalharia como um chinês digno...Mostraria a todos que poderia ser melhor que o tio, e que não precisava do dinheiro dele.
- Não tem importância... O que realmente importa, é que vou seguir meu futuro sem interferências de nenhum parente. - ele falou, entrando no quarto.
Era muito excitante saber que morava em uma república. Ali, teria livre expressão política... Não teria que esconder sua opinião. Arranjaria um emprego para pagar suas despesas. Talvez Tao tivesse algo. Queria ser completamente independente do tio. Por enquanto, aceitaria a ajuda dele, mas não seria para sempre. Não queria um tostão sequer dele. Amava o tio, mas não estava disposto a seguir o mesmo caminho que ele havia traçado para sua vida. No fundo, Shoran não passava de um velho lobo solitário.
- Bem, aqui não se tem normas. A nossa única lei é que jamais aceitamos comércio de drogas no ambiente. - Tao explicou abrindo a janela. - Não queremos nenhum entorpecente aqui. Entendeu, Chang?
Não era usuário, mas não era cínico ao ponto de negar que consumia. Mas não era viciado, e já fazia um certo tempo que não usava qualquer tipo de sonífero. Sua vida era mais preciosa.
- Sim, quanto a isso não terá problemas.
- Fico feliz por isso. - o amigo falou sorrindo. - Estou satisfeito por ver que você tomou uma decisão em sua vida.
Já estava mais do que na hora de tomar um caminho em sua vida. Era para ter tomado essa decisão antes, mas sua covardia havia o impedido de seguir em frente com o seu plano. Usara o argumento nacionalista para encobrir que já não agüentava mais ficar naquela casa.
- Eu também. Estava insuportável viver lá. - confessou sentando-se na cadeira. - Meu tio sempre foi quieto, mas minha mãe sempre demonstrava o interesse que tinha pelo o dinheiro dele. Isso me enojava... Fiz o certo. - concluiu abaixando a cabeça.
- Nunca tive uma família... Minha mãe sempre foi meu único porto seguro... Pouco contato tive com o meu pai. Na verdade, sempre fui sozinho. - Tao falou sentando-se ao lado dele.-Sei o que deve estar sentindo, mas não passei pela mesma situação...
-Já tomei minha decisão. - Chang falou decidido. - Agora preciso arranjar um emprego... Se caso você souber sobre algo, me avisa.
- Claro, pode sempre contar comigo, Chang. - Tao falou, se levantando da cadeira. - Deve ter uma vaga em aberto no jornal... Deve ser coisa pequena, mas já ajuda.
Não se importava em que área fosse trabalhar. Queria mesmo era ocupar sua cabeça, e não pensar muito no que havia deixado para trás. Dera um passo arriscado na vida... Talvez até mesmo um passo errado, mas agora já o tinha feito e não podia ser mudado. Não abaixaria sua cabeça, ou muito menos voltaria atrás com sua palavra. Jamais voltaria para a mansão do tio.
- Claro. - disse um pouco mais animado. - Que dia posso voltar a procurá-lo?
- Daqui há dois dias... Deve ser tempo o suficiente para conseguir uma vaga para você. -Tao disse otimista, abrindo a porta. - Bem Chang, vou deixar você sozinho para por suas coisas em ordem.
A amizade com Tao não tinha preço. Sem o amigo, certamente estaria na rua... ou até mesmo voltando para casa antes do tempo. Devia muito a ele. Era uma dívida de honra, que cedo ou tarde pagaria.
- Obrigado por tudo, Tao. - ele falou, enquanto o companheiro fechava a porta.
Tao não respondeu, apenas sorriu. Chang era como seu irmão... Nunca deixaria um irmão na rua. Não era bonzinho como Chang devia pensar, e se ajudava ele era porque de uma certa forma aquele menino era seu único parente.... Seu único irmão...
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Olá Pessoal!!!!!!!!!!
Esse capítulo ficou meio chato. Acho que por ser um capítulo de transição. Pois o próximo será o encontro de Sakura com o Shoran. Até lá, eu estou ansiosa para que isto aconteça logo. ^^
Ando pensando em fazer um triângulo amoroso entre Chang, Hanako e Tao. O que acharam? Afinal Tao é meio irmão de Chang... Seria uma boa disputa. Além do mais, ficaria sempre um suspense...
Comentários:
Bella-Chan: Olá Querida!!!!!!Bem, acho que mais dois capítulos Hanako saberão da verdade. E quanto ao encontro vai ser no próximo capítulo (garanto isso porque já o escrevi). Bjs!!!!!
Serenite: Parabéns pelo aniversário, Serenite. Espero que tenha muitos anos de vida com saúde e prosperidade. ^_^ O encontro de Sakura com Shoran será no próximo capítulo, Bjs!!!! E feliz aniversário!!!!
Miyazawa Yukino-Erika:Olá Erika espero que tenha gostado desse capítulo. Eu também adoro Chang, ele é tudo o que quero em homem (exageros à parte eu amor Chang). Acho que isso ficara mais claro quando Hanako e ele se virem pela a primeira vez. Bjs!!!!
Lan Ayath: Olá lan!!!!! Eu prometo que isso ira acontecer o mais rápido o possível, pois também estou ansiosa por isso. Bjs!!!!
B166ER: Olá Rafa!!!! Eu estou com pena da pobre garota. Saia de uma e entra em outra. Aonde minha imaginação vai parar. Em algum lugar isso vai acontecer.rsrs Obrigada pela a review!!!Bjs!!!!
Suu-Chan: Olá Suu!!!! Bem, eu concordo com tudo o que falou. A saída de Chang nada mais é que estratégica. Acho que o primeiro encontro de ambos vai acontecer acidentalmente... Só mais tarde que eles vão saber o grau de parentesco. Tomoyo deve aparecer apenas no final. Obrigada pela review!!!!Bjs!!!!
Rê_~Chan: Fico feliz que tenha gostado Renata!! A sua opinião é sempre bem vinda. Bjs!!!!
Sandor Yamato: Olá!!!Fiquei imensamente feliz com sua review. Com o tempo a historia se desenvolvera melhor. Estou mais empolgada com a segunda fase do que com a primeira. Pode deixar que estarei sempre me superando. Bjs!!!
DrakAngel: Olá Nathasha!!!! Bem, o mesmo digo do seu blog. Ele é fofo demais... Melhor do que o meu diga de passagem. Estou a sua disposição para te ajudar no que for possível para sair logo sua fic. Pode ter certeza de que ajudarei em muito. Bjs!!!!
Nina: Olá amiguinha querida!!! Bem, Essa semana não deu para ir ao correio (sabe como é... recomeço de aula é fogo), mas nessa semana irei. Quero enviar logo a cartinha para você. Fico feliz que tenha gostado amiga!!!!bjs!!!!
Carol: Olá amiga!!! Eu fiquei muito, muito feliz em saber que está gostando da minha fic. Continue me enviando review. Viu!!!!!!Bjs!!! te adoro!!!!
Um beijo para Lê e a Lídia.
Bem, espero a opinião de todos. Por favor, não custa nada!!!!
Bjs!!!!
Anna
