na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada".
(Carlos Drummond de Andrade - Campo de Flores).
XXV Capítulo
Sakura não podia acreditar que estava de volta a Pequim depois de longos anos. Nada havia mudado... As mesmas pessoas, a mesma pobreza. Até a banca de flores em que anos atrás comprara uma flor, ainda estava lá. Isso a deixou incrivelmente aterrorizada. Nunca passara por sua cabeça estar de volta aquela cidade.
Foram longos e duros anos, devia ter envelhecido muito. Já não era uma moça medrosa que estava pronta para se casar com um maníaco, do qual nunca tinha visto a cara. Agora era uma mulher que passara dezessete anos sofrendo por um amor, e que tinha uma filha que era sua única razão de viver. Ainda era uma mulher frágil... Tinha medos dos quais tinha vergonha, pois sabia que era um pecado pensar assim.
Tinha medo de reencontrá-lo, pois não sabia se teria o real controle sobre as suas emoções. Seu instinto a alertava que isso iria acontecer querendo ela ou não, mas mesmo assim não sabia como escapar. Shoran não estava morto como Yukito e seu pai talvez imaginavam... Sabia que ele estava vivo... Bem vivo. Naquele momento, podia sentir a presença dele...
- Senhora? Por favor, ande mais rápido...- um homem resmungou em suas costas.
Olhando par trás se deu conta de que estava impedindo a passagem das pessoas. Sorrindo sem graça, saiu do navio. Certamente estava pálida, o que não era nenhuma surpresa para ela, já tinha dito uma leve previsão de que isso iria acontecer. Era difícil voltar a um lugar, que lhe mostrara o oposto da vida com tanta facilidade. Ali havia amado, odiado e até mesmo chorado. Não podia se esquecer do diário que lhe fora tão precioso, repousando no fundo da baia.
- Mamãe, a senhora está bem? - Hanako falou, se aproximando da mãe.
Aquela pergunta já estava virando rotina. Todos os dias repetia incessantemente a mesma pergunta. Sentia que algo estava incomodando sua mãe profundamente e, naquele momento, podia sentir e ver que sua mãe não estava bem. Precisava saber o que a afligia... O por que de ela ter tanto medo.
- Estou bem, querida. – disse, acariciando o rosto da filha. - Tive um mal estar passageiro...
Aquilo não havia convencido muito, mas preferiu ficar quieta, pois sabia que aquele não era o lugar para perguntas... Definitivamente, aquele era um momento tenso. Até mesmo seu pai não escondia o nervosismo.
- Deixe sua mãe em paz, menina.- Mai chamou sua atenção. - Venha me ajudar com as bolsas.
Sakura agradeceu em silêncio pela intromissão de Mai na conversa. Hanako era uma boa garota, mas tinha seu lado indiscreto. Naquele momento, por mais que desejasse dar um mínimo de atenção para a filha, sabia que não poderia. Estava tão tensa que mal conseguia andar.
- Não há motivos para tanto nervosismo, minha cara esposa. - Yukito falou sorrindo cinicamente. - Garanto que seu "homem" não estará nesse porto justamente hoje.
- Seu cinismo me enoja, sabia? - resmungou continuando a andar.
- Claro, mas não é apenas meu cinismo que te repugna...
- Por favor, Yukito, por hoje não quero discutir com você. - falou baixo, demonstrando -se cansada.
- Não estamos discutindo, querida.
Sakura apenas ignorou o marido. Não iria recomeçar uma discussão antiga... Ele não percebia que aquele era um dos momentos mais difíceis de sua vida? Fora naquele porto que vira Shoran pela primeira vez, fora ali que dera um passo, talvez errado, na sua vida. Naquele momento precisava de apoio, e não de mais uma briga, que já estava virando rotina diária em sua vida, desde que recebera a notícia de que teria que voltar para a China. Já não agüentava mais tanta desavença. Se isso não parasse, logo iria enlouquecer.
Naquele instante, o que mais queria era sua casa e o abraço de sua mãe. Mas infelizmente, não poderia ter nenhum dos dois. Havia perdido tudo e, em anos vivera submissa ao seu marido. Tinha feito o certo para a sociedade, mas havia errado consigo mesma. A sua volta para China só a fizera ver , o quando errada estava em negar sua própria necessidade.
- Bem, ali está o representante do governo chinês. - uma voz masculina chamou sua atenção para o tumulto que se formava em volta de uma pessoa. - Pobre homem, deve estar nervoso com tanta gente em volta...
- Realmente, o pobre homem deve estar assustado, mas acho que se sairá bem dessa, pois não se esqueça de que ele é um dos membros de um dos Clãs mais antigos do país. - a mulher que acompanhava o homem, disse confiante.
- É verdade, fico assustadoramente feliz por ver Shoran reerguido, depois de ter sua vida quase destruída há dezessete anos atrás...
Sakura não escutou mais nada, apenas sentiu seu coração disparar e seus olhos lacrimejarem. Mesmo não podendo ver o rosto dele... Sabia e podia sentir que era... Que era Shoran. Naquele momento, não soube ao certo o que devia fazer, apenas queria revê-lo... Foi com muito sacrifício que conseguiu andar até ele. Quanto mais se aproximava, mais podia vê-lo. Shoran não havia mudado muito, sua aparência... Ainda tinha a mesma expressão séria, apenas o cabelo denunciava sua idade.
Ele já havia descoberto que ela estava ali. Olhava para ela como se visse um fantasma... Mas também não escondia a emoção. Nada mais tinha sentido, a não ser ambos. O porto, as pessoas, o jornalista, seu marido e sua filha haviam desaparecido. Apenas existia os dois e ninguém mais...
- Shoran...- sussurrou bem próxima dele.
Naquele momento, não se importou com o que pensariam ao seu respeito, não se importava com a reação de Yukito, ou muito menos se importava com o que Hanako pensaria dela. Agora, se sentia livre... Sem rancor ou ressentimento. Seu coração estava livre, finalmente estava de volta... Finalmente o destino os estava unindo. E Sakura não podia ser mais grata a ele por dar-lhe a oportunidade de revê-lo antes de morrer.
Nervosa, Sakura sentiu que perdia o sentido, a cada passo que dava... Yukito estava um pouco atrás, mas sabia que algo estava errado, ela podia sentir o olhar frio dele sobre ela. Como iria reagir quando ficasse definitivamente frente a frente com ele? Teria que fingir que não o conhecia, mais isso era impossível... Mas tinha que se esforçar, não poderia deixar Yukito desconfiado... Aquela visita era de grande importância para o Japão, não podia falhar agora...
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Shoran mal conseguia coordenar seus pensamentos. Não sabia o que fazia ou o que dizia... Nunca poderia imaginar que a encontraria ali, depois de tantos anos de sofrimento, convivendo com o seu fantasma, sonhando estar com ela enquanto tinha outra em seus braços... Alimentando um remorso, por nunca poder voltar atrás. Quantas vezes havia falado, não bastava tudo o que fazia lembrá-lo dela? Sua mente estava nublada... Ela parecia tê-lo visto, pois seus olhos não desgrudavam dele. Tinha sentimentos pesados neles. Pode perceber que não era só ele que havia sofrido...
Quanto mais ela se aproximava, mais seu coração batia. Não queria, não podia imaginar que ela estava ali, na sua frente... Como a dezessete anos atrás. Nada havia mudado nela... Até mesmo os olhos tristes permaneciam. Seu corpo era lindo, apenas demonstrava sinal de uma gravidez... Fechando os olhos, sentiu que ao simples pensar naquilo, seu coração já doía. Não suportava aquela idéia de imaginá-la gerando um filho que não era dele. Fora ele o culpado...
O homem que vinha bem atrás dela devia ser o marido. Sim, só podia ser ele. Não sabia se tinha vontade de matá-lo ou torturá-lo aos poucos. Por tudo que lhe era mais sagrado, aquilo parecia um pesadelo, do qual queria e precisava acordar. Não era justo que depois de tantos anos, ainda a amasse. Não era justo ter que engolir que ela estava casada... E... Tinha uma filha... Só podia ser mentira daquele jornalista.
Naquele momento teria que ter o sangue frio, pois não poderia por tudo a perder. E tinha certeza de que teria uma hora oportuna para sentar e conversar com Sakura. Certamente o embaixador não sabia do passado da esposa, e não seria justo para ele agora, saber de toda a verdade. No fundo, seu amor por Sakura era apenas abstrato, algo que jamais poderia acontecer. Tinha que superar aquela surpresa e centrar-se no único assunto que tinha importância para ele no momento. Tinha que conseguir o cancelamento do maldito "tratado iníquo" ao qual a China foi submetida. Era esse o seu dever, era no que ele devia pensar.
*-*-*-*-*
Já não tinha como fugir. A cada passo que dava, mais próxima estava dele. Nunca havia demorado tanto para percorrer um espaço, como estava acontecendo. Sabia que o mundo girava em suas costas, e que logo atrás tinha sua família. Embora Hanako não soubesse, ela estava cada vez mais perto de seu verdadeiro pai. Para sua supressa, a simples constatação não a assustou... Tudo parecia ter perdido o significado... Talvez isso fosse apenas um efeito do choque que havia levado ao revê-lo ou, apenas estava camuflando mais uma vez seus sentimentos.
- Não fique tensa minha querida, garanto que aquele mísero chinês não é seu amado. -Yukito falou maldosamente, passando por ela.
Yukito não sabia de nada, talvez fosse melhor assim. Aquelas palavras maldosas só serviram para deixá-la ainda mais nervosa. Tinha que preservar Hanako e não o marido, e era apenas por sua filha que renegaria seus próprios sentimentos. Não tinha a menor idéia de qual seria a reação de Shoran, quando Yukito o cumprimentasse. Mas tinha certeza de que logo teria a resposta, pois seu marido já havia se aproximado dele.
Por algum tempo, apenas ficara ali observando. A reação de Shoran não era nada amistosa, era seca e fria, porém educada. Os jornalistas a impediam de ver a reação do marido, pois naquele momento aparecia gente de todos os lados. Seu coração parou de bater por alguns instantes, quando ouviu a voz teatral do marido falar:
- Venha rápido, minha querida. Quero que você e minha querida filha conheçam o senhor que irá nos hospedar por alguns meses.
Sakura sentiu o chão sumir, queria que algo lhe tragasse para o centro da terra. Sentiu o peso de tudo, e mal conseguia olhar para a cara do marido... Seu nervosismo era tanto, que chegava a doer.
Obediente como uma gueixa, Sakura se aproximou. Por algum tempo encarou o homem, pai de sua filha, ele não demonstrava sentimento algum, sua reação era digna de um chinês. Ao mesmo tempo, podia sentir que ele estava perguntando-a por que tinha voltado a entrar em sua vida.
- Essa é minha esposa, Sakura Kinomoto. - apresentou sorrindo.
Sakura apenas cumprimentou com a cabeça, num gesto frio, mostrando para ele que nada poderia ser como era antes e que tinha uma família. Shoran sentiu uma pontada no coração, com a interpretação do gesto dela. Queria muito conhecer a filha de Sakura, seria mais reconfortante saber que ela não tinha nenhum traço daquele traste a sua frente. Nunca havia sentido tamanho ódio na vida, como sentira quando tivera a obrigação de cumprimentar aquele homem. Queria ter dado um soco nele... Em vez de um aperto de mãos, ao modo ocidental.
- Prazer em conhecê-la, senhora. – falou, imprimindo um tom indiferente em sua voz. Seria melhor para ambos que ninguém soubesse do envolvimento deles. Se era isso que sua querida Sakura queria, era isso que teria.
- O prazer é todo meu, senhor...
Nunca fora tão difícil esconder suas próprias emoções como agora. Com Yukito era fácil se fazer de indiferente, pois nada sentia por ele, mas com Shoran tudo era mais complicado...
- Cadê Hanako, minha senhora? - Yukito perguntou se mostrando carinhoso.
Repudiava toda aquela encenação do marido. Se mostrar carinhoso, quando há poucos minutos atrás, a estava agredindo. Se mostrar tão educado com Shoran, quando na verdade, odiava cada chinês. Naquele momento, tinha mais do que certeza de que não era como o marido, e que seu maior erro foi ser tão cega, a ponto de ter passado quase vinte anos casada com ele.
- Está vindo logo atrás com Mai...- falou em um tom baixo.
Hanako, então esse era o nome da filha de Sakura. - Pensou sentindo-se mal. Era um belo nome, digno da filha dela, devia ser tão bela como a mãe... Na certa, teria entre quinze e quatorze anos. Sabia que Sakura ficara muito abalada com o que acontecera e não fora capaz de se casar naquele período. Mas mesmo assim, a inquietação interior continuou cada vez mais forte...
Céus!!! a mulher com a qual sonhara nos últimos dezessete anos, estava ali, na frente dele. E nem poder tocá-la podia.
- Aí vem vindo minha filha... - Yukito falou, chamado a atenção de Shoran.
Shoran olhou para direção que apontava o homem. Como se tivesse visto um fantasma, ele ficou pálido... Nunca imaginara que Mai ainda estivesse viva, ainda mais com Sakura. Mas naquele momento, o que mais chamava sua atenção era Hanako que era bela e idêntica à mãe.
- Desculpa, meu pai, mas Mai insistiu para esperarmos por alguns segundos...- a voz abafada e cansada de Hanako foi interrompida, quando percebeu a presença de Shoran.
Sakura sentiu uma onda de emoção sufocar sua voz. Só Mai compreendia muito bem o que estava sentido. Aliás, a babá não parava de encarar o antigo chefe. Ninguém podia compreender o quanto aquele momento era especial e mágico, a não ser ela e Mai. Aquele era o primeiro encontro entre pai e filha. Shoran poderia não perceber a semelhança, mas mais do que nunca, Hanako estava parecida com ele.
- Não importa para onde foi, minha filha. – falou seco, constrangendo um pouco a garota.- Não faça mais isso.
Hanako não escutava o que o pai dizia. Sua atenção estava no homem corpulento e sério a sua frente. Tinha algo de muito familiar nele. Era estranha aquela sensação, se nunca tinha ido para China e muito menos o visto. Só podia ser coincidência... Ou uma terrível confusão.
- Esse é o senhor Shoran Li, ele será o senhor que nos hospedará. - apresentou Yukito completamente indiferente ao que acontecia...
Ela tinha o mesmo sorriso, o mesmo olhar triste e carismático. Tinha até mesmo a mesma covinha de Sakura. Os olhos verdes eram o que mais se destacavam... Ela era linda, igual à mãe. Sentiu uma emoção tão grande, que podia se julgada com paterna. No fundo aquela menina poderia ter sido sua filha se ele não tivesse seguido um caminho obscuro.
- Olá, senhor Li. Bem, meu nome é Hanako Tsukishiro, é um prazer enorme conhecê-lo. - falou simpática.
Era tão bom saber que Sakura tinha uma família. Ficava feliz por ela não ter renunciado a tudo, por causa de um amor nascido de um momento conturbado. Ficava imensamente feliz por ela não ter desistido de ser feliz... Enquanto ele, nada tinha, a não ser dinheiro...
- O prazer é meu, senhorita.
Sakura percebeu que uma lágrima havia rolado em sua face. Discretamente a limpou. Aquele momento era tão lindo, nunca imaginara que poderia acontecer. Sempre pensara que Hanako nunca conheceria seu pai de verdade, mas vira que o destino era imprevisível... Mais uma vez, ele havia pregado uma peça nela...
- Senhores, por favor, apenas uma foto...!!! - os fotógrafos gritaram.
- Claro. - Yukito falou.
Em poucos minutos todos, estavam juntos. Sorrindo sem a mínima vontade, Sakura viu a luz da câmera acender. Em poucos segundos, estava registrado o momento mais marcante de sua vida. Aquele dia ficaria para sempre em sua memória...
*-*-*-*-*-*-*-
Meiling andava de um lado para outro. Estava nervosa consigo mesma por ter dormido demais e perdido a partida de Shoran. Queria ter ido com ele para receber aquelas pessoas. Algo lhe dizia que iria ter uma surpresa desagradável...
Seu instinto lhe avisava dos riscos que Shoran corria, tendo uma japonesa sobre seu teto. Mesmo sabendo que o fantasma chamado Sakura não havia desaparecido por completo da vida do amado, tinha medo de que mais uma como Sakura virasse a cabeça dele.
Andando de um lado para outro, saindo da biblioteca, indo para sala e em seguida, para a cozinha percebeu que havia empregados fuxicando. O que era normal, dado ao comportamento libertino que seu primo tinha com os empregados. Para ela, todos os criados deviam ser tratados a ferro e fogo. A velha imperatriz que estava certa em espancar todos os criados. Para que servia aquele bando de inúteis? Mas por algum motivo, não pôs um fim naquela conversa, e ficou ali escutando...
- O que foi que aconteceu para o patrão rejeitar, Ling Fu? - a velha matrona perguntou com um sorriso malicioso.
- Não sei, Leung. - disse pensativa. - Mas tenho uma leve impressão que seja aquela mulher do passado dele que está de volta...
Meiling sentiu o rosto empalidecer. Não, só podia ser um blefe... Sakura não poderia estar de voltar... Sentiu o desespero de uma simples suposição tomar conta do seu corpo...
- Deve ser apenas imaginação sua, querida. - disse a velha mostrando os dentes podres. - O patrão deve ter seus problemas...
- Não, não... É ela Leung... Ele nunca rejeitou um carinho meu, mesmo que a gente... não...Você sabe...- a menina falou encabulada.
Meiling sentiu o estômago contrair de ciúmes e nojo ao imaginar a criada com Shoran... Seu primo nunca havia demonstrado nada por ela... Quantas vezes se oferecera para acalentar as noites dele, sem compromisso, e ele simplesmente a havia ignorado? Como se seu corpo não fosse bonito, se deitava com uma mísera empregadinha...
- Eu sei querida, mas essa mulher sumiu há anos, o patrão deve até ter se esquecido dela...
- Pior que não, Leung. - Ling falou inconformada... - Ele sempre resmunga o nome dela quando está comigo. Bem ou mal, essa mulher ainda é muito importante para ele...
Concordava com a garota. Bem ou mal, Sakura Kinomoto fazia parte do passado, presente e futuro de Shoran. Tirar aquela mulher da cabeça e do coração dele era impossível. Se aquela suspeita da menina se confirmasse, Meiling tinha certeza de que só havia um fim para aquele romance, era a morte daquela mulher... Ninguém tiraria Shoran dela...
- Ling, avise a patroa que o senhor está chegando!!! - a voz estridente de Ki Tsi soou por todos os cômodos da casa.
Apressadamente, Meiling se reestabelizou. Tinha que parecer mais esposa de Shoran, do que uma simples hóspede. Esse era o caminho para manter a jovem esposa do embaixador bem distante de seu grande amor, pois não suportaria mais uma "Sakura" na vida de Shoran... (Anna, uma nota minha, tadinha da Meiling... Vai ter que conviver com a própria Sakura... Depois que você ler, pode tirar essa observação...)
*_*_*)*)*)*)*)*
Sakura torcia o pequeno pedaço de pano que tinha entre as mãos. Seu nervosismo não passava despercebido pelo o marido e nem por Shoran, que demonstrando frieza, nem olhava para sua cara. Hanako felizmente tinha decidido ir em outro carro com Mai. Para sua sorte, Mai tinha sido discreta e nem olhado para cara de Shoran. Na certa, temia por Hanako também...
- Falta muito para chegarmos a sua propriedade? - Yukito perguntou, passando um pedaço de pano na cabeça. Era uma indireta, pois já não agüentava o calor...
Shoran desprezava muito aquele homem energúmeno. Perguntava-se o motivo para Sakura ter se casado com tamanho fracote.
Escondendo a expressão de desprezo no rosto, Shoran apontou a enorme propriedade que já era vista ao longe.
- Não, no máximo mais alguns minutos...
Sakura olhava admirada para a grandiosidade da casa. Sabia que aquela era a propriedade que fora do pai de Shoran, antes de ser confiscada pelo o governo inglês. Ficava imensamente feliz por ele ter conseguido a proeza de ter aquela terras de volta. Olhando orgulhosa para ele, viu que a expressão dele estava tão tensa, mas ao mesmo tempo, seus olhos estavam mais brandos... Mais límpidos. Sabia que, para ele, era muito importante saber que ela sentia-se orgulhosa dele...
Nervosa, Sakura deixou cair o lenço que logo foi pego por Shoran...
- Obrigada...
- Não a de quê, madame. – disse, estendendo o lenço para ela.
Com uma corrente elétrica as mãos se tocaram. Não foi preciso palavras para demonstrar o quanto estavam saudosos. Dezessete anos eram tempo demais para ambos...Tinham envelhecido, tanto fisicamente como emocionalmente, mas o amor não havia diminuído... Bastara se encontrarem, para perceberem que era idiotice demais ficarem separados... Mas agora havia várias barreiras... Ambos sabiam que algumas eram intransponíveis.
Com os olhos lagrimejados, Sakura sentiu que a carruagem parava. Logo a sua frente, uma grande propriedade se formava. Toda branca e imponente, a mansão dos antepassados de Shoran era linda!
- B-bonita propriedade... - Sakura falou ficando ruborizada.
- Obrigado, madame... - ele disse sério.
- Minha esposa está completamente certa. Nunca pensei que isso fosse... tão grandioso, meu parabéns estou impressionado. - disse saltando do carro.
Não imaginava outra coisa vindo daquele indivíduo, cuja arrogância era tão grande que o deixava tentado a ensinar-lhe boas maneiras. Na certa, o alto funcionário japonês imaginara que sua casa fosse um viveiro. Algo lhe dizia que fora a pessoa errada para comandar aquilo tudo...
- É aqui que iremos ficar? - Hanako perguntou animada atrás dele.
O sorriso da menina era radiante. Depois de Sakura, aquela era a pessoa com quem mais havia tido finalidade a primeira vista. Felizmente, Sakura soubera cuidar muito bem daquela menina, e isso o deixava orgulhoso.
- Sim, espero que fiquem bem em minha casa. - disse sorrindo para a jovem.
- Com certeza ficaremos, senhor Li.
Nada podia medir o sentimento que tinha ao ver Hanako conversando com Shoran. Mesmo sem saberem, ambos tinham o mesmo sangue... Aquilo tudo era de sua filha. Embora não ligasse muito para dinheiro, não podia deixar de pensar que sua filha era uma Li também...
- Bem, podemos entrar? - Yukito falou, já quase desmaiando de calor...
- Claro.
Abrindo a porta, Sakura olhou ao seu redor e nada mais viu do que luxo e ostentação. Era tudo bonito, porém tudo era vazio e deprimente. Será que ele morava ali com sua família? Onde Shiefa e as outras estavam? Continuavam na montanha? Será que ele era casado? Todas essas perguntas só faziam mal...
- Shoran querido, que bom que chegou!!- a voz feminina chamou sua atenção.
Assustada, Sakura olhou em direção da voz. Nada mais viu do que Meiling, que vinha de encontro a Shoran. E, para seu desespero e ciúmes, ela o beijou na boca. Naquele momento teve uma resposta para as suas perguntas... Shoran havia se casado com a pessoa que havia feito mal a ela... Decepcionada, Sakura definitivamente teve certeza de que aqueles meses seriam o piores de sua vida...
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Olá Pessoal!!!!!!
Bem, espero que tenham gostado do reencontro de Sakura com Li. Esse foi o capítulo que mais refiz na minha historia como escritora da fanfic's. Espero não ter decepcionado ninguém. Pois a suas opiniões são muito importantes para mim. Ainda mais agora que não passo por um momento bom em minha vida. Talvez semana que vem não tenha atualização, pois ( talvez) opere minha vista... E assim passarei o final de semana um pouco cansada, mas certamente terei um tempo para postar. Afinal meu problema não é tão grave.
Queria agradecer muito a Lê e a Carol. Sem as duas acho que não sobreviveria.
Aqui também vai meu eterno carinho para Rê_~Chan, Dani Glatz, Anaisa, Miyazawa Yukino-Erika, RubyMoon, Nina, Carol, DarkAngel, Sandor Yamato, Jenny-Ci e a Bella-Chan.
Um beijo a todos que de uma certa forma também lêem essa fic, mas não deixam comentários.
Uma boa semana a todos!!!!!
Bjs!!!!
Anna
Obs: Não se esqueçam de me deixarem suas opiniões.
