Quem há no mundo que aflições não passe.
Que dores não suporte?
Mais ou menos d'angústias cabe a todos,
A todos cabe a morte.
Espera! - Gonçalves DiasXXXI Capítulo
Kaho encarava de peito aberto a ira controlada de Chang. O garoto exigia uma explicação que só ela poderia lhe dar... Ter a certeza de que ele não conhecia o passado da garota dava a ela uma certa vantagem. O que não era muita, mas já era grande coisa. Evitava ter que pensar naquela maldita pergunta que a atormentava. Afinal era ela quem devia explicações para o jovem.
- Conheço a mãe dessa jovem...- Revelou passando a mãos nos cabelos de Hanako. - Coincidência ou não Hanako é filha de uma grande amiga minha que mora no Japão... Até agora estou confusa, pois não acredito em que essa mulher que até alguns anos atrás era um bebê esteja aqui no seu quarto. Ainda mais ela sendo filha de quem é...
A senhora falava de forma quase indecifrável. Mas o fato de Hanako não ser uma completa desconhecida já o acalmava... Agora sabia bem aonde estava pisando. Ao mesmo tempo que isso era bom, dava a ele um novo sentimento, que era ansiedade. Só o fato de nunca mais vê-la o deixava nervoso querendo escondê-la de tudo e de todos. Mas sabia que aquilo não era o certo... Não podia negar a Hanako o direito de procurar novamente a família. Embora tenha ela repetido várias vezes que não queria encontrá-los novamente. O que dava a ela a certeza de que a menina estava bastante magoada com os seus entes.
- Como assim? Me desculpe, senhora Mizuki... Mas essa história é estranha...
- Eu sei meu jovem, mas você não sabe da meia verdade. - Disse segurando as mãos da menina. - Um dia ficará sabendo de tudo... E garanto que não ficará nada feliz quando descobrir o que se esconde por trás dessa brincadeira maldosa do destino.
Sua vida era cheia de enigmas, e parecia que queria dificultar mais ainda esse fato. Já não bastava ter vários problemas na vida agora tinha mais um. O que dava a entender era que Hanako tinha uma profunda ligação com ele. Mas que tipo de ligação teria a sua vida com aquela garota que mal acabara de conhecer? O que o destino tinha a ver com isso... Eram muitos mistérios dos quais tinha o direito de saber.
- Não compreendi o que quis dizer. - Falou pensativo.
- Mas quem disse que iria compreender? - Disse ela sorrindo. - Ainda tem muito a aprender na vida, Chang. Quem sabe o um dia, não muito longe, venha saber da verdade...
Não gostava nada da forma que tratava o garoto. Sabia que no fundo Chang havia herdado o sangue bom da família Li... E não aquele sangue amargo e destrutível de Meiling e Chao. Não conhecia o garoto muito bem, mas desde que havia olhado para ele, tinha percebido quem e como ele era. No fundo Chang tinha um grande coração, e por isso não devia saber de nada... Ainda era muito cedo. Só contaria o que estava acontecendo quando tivesse uma conversa séria com Hanako.
- Até esse momento não encontro nenhum motivo aparente para não saber do mistério em que está se transformando minha vida, senhora Mizuki. - Disse exasperado. - Fico confuso em não saber aonde estou pisando... Mal sei quem é essa garota, mas já tenho um certo receio por estar com ela aqui.
- Não fique nervoso. - Disse a senhora. - Nesse momento os seus medos não contam. - Concluiu, levantando-se da cama. - A única coisa que posso dizer é que Hanako é um anjo muito importante na vida de todos que a cercam.
Chang acompanhava todos os movimentos da mulher. Não acreditava naquela justificativa... Não queria. Entre tantas pessoas naquele momento na China, ele fora o escolhido para estar naquele lugar, naquela hora... Tudo fora planejado pelo o destino, ou até mesmo por Deus. Embora não acreditava na fé cristã tinha um absoluto respeito.
- Chang não querendo ser indiscreta, mas já sendo... Acho melhor que Hanako viesse a ficar comigo nesse período de convalescença. - Ela falou olhando para ele. - Não fica nada bem para uma jovem dama ficar no quarto de um rapaz solteiro, mesmo sendo ela, uma doente desacordada. Além do mais, minha casa tem mais conforto, e o senhor daqui a pouco sairá para trabalhar...
- Não, desculpe-me, mas daqui Hanako não sai. - Interrompeu Chang com cara de poucos amigos. - Para mim pouco importa dormir no chão ou na cama, desde de que Hanako esteja bem, o meu conforto não importa. E quanto ao meu trabalho não se preocupe, irei resolver sem maiores problemas. - Concluiu, decidido mostrar a aquela mulher que havia ganhado maturidade. - Mas em todo caso agradeço pelo seu interesse em tentar nos ajudar, senhora Mizuki.
Kaho não pode deixar de admirar a atitude do jovem, mas ao mesmo tempo o considerava um burro, pois sabia das dificuldades do jovem mancebo. O garoto mal conseguia comer quanto mais cuidar de uma jovem doente. Mas não podia fazer nada, nem ao menos colocar juízo na cabeça desmiolada daquele rapaz...
- Tem certeza de que não quer mesmo minha ajuda? Não cobro nada e ainda mais você tem todo ou qualquer tipo de liberdade para visitá-la.
Não deixava de ser uma proposta tentadora. Afinal tinha uma vida atribulada... Se dividia entre os estudos e o trabalho, do qual não ganhava muito, mas já dava para sobreviver. Não podia abandonar tudo agora, ao mesmo tempo que não poderia deixá-la sozinha contando apenas com a ajuda de Marta, da qual nem mesmo confiança tinha. Mas não podia nem pensar em tê-la afastada dele. Seria um golpe duro demais, do qual não estava querendo sofrer naquele momento tão delicado.
- N-não... - Disse sem convicção. - Gostaria muito de poder ter a ajuda da senhora durante o dia... Mas não acho justo que fique responsável por algo que não foi a senhora que procurou.
Era um garoto de bastante garra, e dava para perceber que gostava realmente de Hanako. Embora conhecesse a garota há tão pouquíssimo tempo. Kaho tinha um sério pressentimento contra aquela relação. Não queria ser precipitada, pois seu sexto sentido errava na maioria das vezes, mas temia que a compaixão de Chang por Hanako virasse algo mais forte do que uma simples amizade. Não queria que a história se repetisse. Já não bastava ver tantas pessoas feridas por uma mentira...
- Se quer assim, assim será. - Disse sorridente. - Mas vou ficar com ela aqui durante a tarde inteira. Hanako é uma garota sensível demais, e não ficaria nada feliz se acordasse e não visse nem eu ou você aqui ao lado dela. - Concluiu indo até a porta. - Preciso ir agora, pois minha filha deve está preocupada. Mas volto com o café da manhã.
Chang não dava ouvidos para o que Kaho dizia. Apenas olhava para a menina a sua frente como há horas fazia. Era impressionante o poder que a jovem tinha sobre ele... Talvez realmente seria melhor que ela saísse logo de sua vida, pois não queria de forma alguma que ela deixasse qualquer tipo de marca em sua alma.
Não queria saber o motivo que o deixava tão inseguro. Nunca fora uma criança confiante, aprendera a ter segurança quando o tio havia ensinado a ele técnicas marciais. A luta pela sobrevivência de uma certa forma havia feito dele um homem firme em suas decisões. Tanto que havia depois de anos tomado coragem e saído de casa mesmo não tendo certeza da onde poderia seguir... Agora estava ali parado nos pés de sua cama olhando para uma estranha.
- Droga... - Praguejou ajoelhando do lado da cama. - Acorde logo Hanako... Já não agüento mais esse suspense todo... - Concluiu em um sussurro.
Pegando as mãos jovens dela, Chang pôs a beijá-las de forma carinhosa e terna... Sem paixão ou luxúria. Era uma ternura que nascia do mais profundo canto de seu coração. Um sentimento novo e inexplicável.
- Por que você deixa-me assim sem razão? - Perguntou passando as mãos no rosto dela.
Ela não o respondeu. Apenas dormia placidamente como se nunca mais fosse acordar. A simples constatação deixou-o nervoso e agitado. A queria do lado dele até que conseguisse se reconciliar com a família. Não era justo ver uma jovem tão bonita e saudável naquele estado... Hanako não tinha o direito de querer morrer. Esse foi o seu último pensamento antes de se entregar ao cansaço.
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Era a primeira vez que Tao visitava o centro de "diversões" naquela região de Pequim. Não fora difícil localizar o paradeiro do grande Yukito Tsukihiro. Felizmente havia vários informantes prestativos em cada rua da cidade. O que era de grande ajuda para o seu plano. Já não se importava se estava agindo certo ou errado, e nem queria examinar sua consciência naquele momento. Tinha dois trunfos nas mãos e não podia jogá-los ao vento agora. Naquele momento tinha apenas dois objetivos na vida, o primeiro era conquistar em pouco tempo a confiança de Yukito e depois matá-lo a sangue frio, a fim de mostrar a todos que a China não era um país corrompido que se vendia em trocas de poucas e míseras terras.
- Deseja algo, meu senhor? - A voz doce e delicada de uma jovem chamou sua atenção.
A garota possuía incríveis olhos castanhos e vestia uma camisola preta semi-transparente. Roupa típica entre as concubinas locais... O velho bordel tinha lá um certo charme, mas o cheiro podre de corrupção impregnava o ambiente. Para todos os lados que olhava via algum general do alto escalão inglês se entretendo com alguma mulher. Aquilo era hipócrita, justo eles que sempre pregavam a mensagem de que uma família unida fazia um país feliz. Tudo aquilo era propaganda enganosa. O que não era novidade nenhuma...*
- Sim, apenas um instante em sua companhia... - Disse sorrindo com falsidade. - Mas é claro que não irei importuná-la se caso já esteja com outro companheiro.
- Não, o senhor jamais será um incômodo. - Falou graciosa. - Venha e sente-se comigo no bar.
A sorte parecia esta sorrindo para ele. Tinha tudo o que queria até mesmo um pretexto nas mãos.
- O que deseja senhor...
- Shhh, não me chame de senhor. - Disse educadamente levando um dedo nos lábios carnudos dela. - Me chame apenas de Hao, e quero, por favor, um copo de Uísque inglês.
A jovem estava ruborizada de vergonha. Nunca havia pegado um cliente tão interessante como aquele. Parecia um homem normal, até mesmo com poucos recursos, mas tinha a expressão limpa e transparente... Ele não estava ali pelo mesmo motivos dos outro senhores ali presentes. E era isso o que o deixava mais atraente.
- Meu nome é Yu Che, sou de Hong Kong. - Falou observando as feições dele. - Seu nome é Hao... Belo nome.
Tao sentiu uma grande ternura pela a moça. Um sentimento que para ele era inadmissível... Ainda mais para uma prostituta. Não devia se envolver com ela...
- Eu sei... - Disse pensativo. - Como veio parar Pequim? Deve ter sido uma viagem cansativa... - Praguejou consigo mesmo por estar se comportando como um menino adolescente.
- Perdi tudo... Minha família até mesmo o único tesouro que tinha no mundo. - Falou olhando para o chão.
Era dolorido lembrar de seu passado comum a tantos outros naquela cidade. Havia perdido a única coisa na vida... Já não tinha mais como viver sozinha e mendigando pela as ruas. Mas mesmo assim havia preservado sua pureza... Até que pessoas mal intencionadas haviam a violentado consecutivamente até ela desfalecer. Por algum tempo desejou a própria morte, por diversas vezes havia tentado suicídio mais fora tudo em vão. Até que recebera a notícia que estava grávida... Por vários meses passara odiando aquela criança que fora fruto de uma violência mais do que física, mas também da alma. Mas assim que pegara pela primeira vez aquela criança nos braços sentira um amor maternal. E nos meses seguintes batalhou para cuidar dele... Até que em mais uma trapaça do destino ela perdera tudo de novo. Uma maldita peste levou para sempre o seu bebê. E a partir daí pouco importava o que ela fazia para sobreviver...
- Lamento muito por você. - Tao falou comovido.
- Eu também lamento, mas sempre aprendi a erguer a cabeça e dar a volta por cima. - Disse sorrindo. - Afinal devo honrar o meu nome.
- E isso que importa... - Sussurrou ele olhando para ela. - Pretende ficar nessa vida para sempre?
- Sabe que não sei te responder. - Disse pensativa. - Tem dias que quero sair correndo daqui, mas tem outros, como esse especificamente que me sinto feliz.
Yu era uma garota especial, mas a vida havia sido dura com ela. Talvez aquela fosse a mulher certa para estar ao seu lado quando estivesse próximo do fim de seu plano. Além de inteligente era atraente... Certamente saberia seduzir muito bem Yukito. Pensou ele sarcástico passando às mãos pelo rosto dela.
- Também sinto feliz por estar com você hoje.
Sem mais palavras a jovem aproximou delicadamente do rosto dele, quando Tao percebeu já estava beijando os lábios sedutores da jovem chinesa. Seu coração disparava como nunca havia disparado antes. Ela realmente sabia seduzir um homem...
- Mas se lhe disser para sair hoje dessa vida, a senhorita sairia? - Perguntou novamente ansioso e ofegante.
- Isso é uma proposta?
- Talvez...
Yu não pretendia confiar num estranho... Ainda mais numa pessoa que mal conhecia. Mas tinha uma imensa vontade de confiar nele. Mas não podia, não confia mais em ninguém. Não gostava de se prostituir, mas era seu único maio de sobreviver enquanto seu filho não a chamava para o lado dele. Sabia também que era arriscado por em cheque uma "estabilidade" que era garantida para ela naquela casa.
- Não sei o que te responder... - Disse ainda pensativa. - Temo confiar em você, mal o conheço, senhor...
- Te entendo. - Falou ele sorrindo. - A senhorita, assim como eu, nunca teve oportunidade na vida, e teme ser magoada pela milésima vez... - Fez uma pausa significativa. - Mas acho que agora o destino voltou a sorrir para você... Nunca pedi a ninguém, mas confie em mim, pois nunca serei capaz de fazer algo que te ferirá novamente.
Precisava daquela menina. Yu tinha um brilho doce e sensual no olhar que era capaz de hipnotizar até mesmo um anjo, e sabia também que Yukito era maluco por mulheres "inocentes". Segundo algumas pessoas o casamento dele com Sakura Kinomoto fora uma farsa inventada pelo o velho general, que não queria ver a filha desonrada em público. O motivo não se sabe qual, mas se tinha certeza de que aquele relacionamento era uma mentira. Isso para ele já havia deixado de ser um boato no momento que pusera os olhos em cima de Hanako.
- Não estou propondo uma união. - Esclareceu ele. - Mas sim uma sociedade. Preciso de você, Yu.
Não compreendia o motivo que levava aquele senhor a confiar tanto nela. Simplesmente duvidava da palavra dele. Embora não percebesse nenhuma maldade no coração daquele homem. Precisava de mais explicações... Não iria entrar num barco sem saber para onde estava indo. A vida havia ensinado a duras penas à não confiar em ninguém.
- Me dê um motivo para confiar no que o senhor me propõe? Sinceramente não entendo tamanha insistência...
Realmente não seria nada fácil... Mas insistiria até que ela concordasse a seguí-lo. Mesmo que tivesse que contar ou omitir algumas partes de seu plano.
- Não posso dizer nada agora, apenas de que é para uma causa nobre. - Falou olhando seriamente para ela. - Gostei realmente de você Yu, e por isso tenho a coragem de pedir sua ajuda. - Conclui secamente. - Você não ficará por nenhum momento desamparada, nem por mim ou pelo o grupo pelo qual trabalho.
Ela olhava fixamente para ele como se quisesse saber de sua verdadeira intenção. Não a culpava, qualquer pessoa nas condições dela iria suspeitar de algo. Mas não queria perder tempo. Não estava aquela hora do dia ali para se divertir com uma concubina, e sim para espiar e conquistar a confiança de sua vítima, mas Buda colocara em seu caminho aquela menina que o ajudaria da melhor maneira o possível. Tinha certeza, e por isso arriscaria sua pele se fosse necessário.
- Não sei se devo confiar em sua palavra, senhor. - Falou sincera, pegando uma das mãos dele. - Mas meu coração disse para dar um voto de confiança... Afinal já não tenho mais nada à perder nesse mundo. - Pausadamente continuou. - Devo seguir com o senhor... Mas preciso de um tempo para arrumar minha situação aqui...
- Não se preocupe com isso, pois eu próprio me encarregarei de te ajudar. - Interrompeu ele sorrindo. - Juro de que jamais se arrependerá de sua decisão.
Era o que ela esperava... Sua vida era cheias de arrependimentos, e não queria ter mais um em sua costas, pois sua cruz já era pesada demais para carregá-la sozinha.
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Sakura se sentia bem entre os braços de Shoran. Sentia-se amparada... Sua alma estava em paz, embora temporária mais presente. Era um sonho bom do qual não queria acordar. Era bonito demais, porém, tinha certeza de que duraria pouco, muito pouco. Como sempre, alguma nuvem negra iria separá-los novamente. Mesmo nos braços dele não podia esquecer de sua filha... Da filha de ambos. A cada minuto que passava era tempo perdido. Não queria que ele estivesse ao lado dela, mas sim na rua atrás de sua filhinha... Que por sua covardia tinha a sua vida posta em um cheque que não tinha valor nenhum.
- Nunca mais se ajoelhe aos meus pés, Sakura... - Ele sussurrou, beijando a têmpora dela com paixão. - Não suportaria vê-la se humilhar por minha causa... Irei atrás de Hanako até no fim do inferno. - Repetiu ele fechando os olhos. - Ela não tem meu sangue, mas é sua filha e isso que importa.
Sakura sentiu uma grande ponta em seu coração. Era duro ouvir da boca dele palavras que tinham um propósito tão doce, mas que para ela soavam como um punhal que sempre apunhalava pelas costas. Ele tinha o direito de saber da verdade, mas ela não tinha coragem. Hanako era mais filha dela do que dele... E agora aquela criança corria um risco grande nas mãos, quem sabe, de pessoas mal intencionadas.
- Shoran... Minha vida durante dezessete anos foi baseada na minha filha. Eu vivi e respirei por ela... Eu não tinha nada, de mim tudo foi tirado. Primeiro você... Depois meu irmão e por último minha mãe. - Ela soluçou. - Tudo o que fiz de certo ou errado foi para o bem dela...
Shoran sentia o desespero dela. Sabia que Sakura tinha algo de muito sério que escondia dele, mas não era de sua capacidade perguntar. Tinha medo de saber a verdade... Tinha medo de por tudo a perder. Ele já havia feito Sakura sofrer muito. O passado não tinha o poder de voltar, mas a sua consciência sim tinha o poder de condená-lo. Queria apenas viver aquele momento e nada mais...
- Shhh, você não me deve explicação nenhuma... - Disse beijando o rosto dela. - O passado não importa mais...
- Mas já não posso mais viver com medo, Shoran. - Rebateu Sakura nervosa. - Meu casamento é um mentira... Minha vida é uma mentira... - Pausadamente continuou. - Vivo enganando quem mais amo nesse mundo.
O coração de Sakura batia descontroladamente, sua respiração era ofegante. A vontade de poder falar sobre seus fantasmas era maior do que seu medo de pôr tudo em jogo. Estava presa em um redemoinho de mentiras que precisava sair senão morreria afogada no meio de sua própria mentira.
- Nada mais importa Sakura... O nosso passado já não pode mais voltar, não fique presa a ele tentado dar satisfação sobre seus atos. - Falou ele olhando diretamente nos olhos dela. - Eu te amo como há dezessete anos atrás... É um amor diferente mais maduro, mas é aquele mesmo sentimento que me faz perder o controle a cada toque seu... Eu te amo Sakura, e amo sua filha também como se ela fosse de meu sangue...
Meiling não agüentava ficar vendo o idílio amoroso dos dois "pombinhos". Odiava observar, o amor e a atenção pelo o qual ele olhava para aquela mulher. Fora aquele olhar cheio de ternura e amor que quisera sempre de Shoran, mas ele nunca havia lhe direcionado. Tinha uma ânsia quase assassina... Iria matar aquela mulher, mas não no sentido físico, mas sim na alma dela.
Afinal Shoran merecia saber que era pai de uma menina que no momento passava por privações na rua. Pela a primeira vez sabia que tinha que fazer e que aquela era a coisa certa. O dinheiro não importava mais, pois já não agüentava mais ver tanto amor jogado em sua cara.
- Mas ela é priminho... - A voz maldosa, porém, alegre soou na biblioteca.
Shoran afastou Sakura de seus braços e olhou bem para a mulher que adentrava triunfalmente no aposento. Sentia uma fúria quase latente... Por um momento se sentiu perturbado com a resposta direta que ela havia lhe dado, mas não podia confiar numa mulher despeitada que já havia dado vários sinais de que odiava Sakura. Sabia muito bem que Meiling iria fazer de tudo para envenená-lo contra Sakura.
- Quem te deu a autorização para entrar aqui sem bater na porta? - Shoran indagou evitando olhar para o rosto de Sakura.
- Ah, priminho... Eu moro aqui, nunca precisei pedir autorização para entrar aqui. - Falou cinicamente. - Sei que peguei a grande senhora em flagrante traindo o pobre marido... Mas juro que não contarei a ninguém o que vi aqui hoje.
Sakura estava transtornada com aquela situação. Meiling a odiava ao ponto de contar toda a verdade a Shoran da maneira dela... E o pior era que nada poderia fazer. Ela estava em desvantagem... Morreria se percebesse o olhar de raiva e interrogação que Shoran lançaria para ela quando descobrisse a verdade.
- Afinal a "grande senhora" e tão virtuosa ao ponto de esconder do marido e do amante quem é o verdadeiro pai de sua filha... - Falou maldosamente olhando para Sakura. - Duvido que você saiba qual é o verdadeiro pai de sua filha...
Sentindo o sangue subir a cabeça, Sakura olhou bem para o rosto de Meiling. Tinha pena daquela mulher. Afinal ela pensava que aquele jogo de difamação iria magoá-la, quando na verdade a deixava mais enojada de tudo o que estava acontecendo a sua volta. Sabia muito bem quem era o pai de Hanako, e Meiling tinha mais do que certeza de que sua filha era a única herdeira de Shoran. Ela colocava a paternidade de Hanako em cheque... Sua intenção era fazer Shoran duvidar de sua integridade como mulher... E isso ela não deixaria acontecer.
- Você não sabe de nada Meiling... Eu sei muito bem quem é o pai de minha filha. Jamais duvidei ou dormi com outro homem a não ser ele. - Disse emocionada. - Fui fiel a ele do primeiro até o último instante... Você não tem o direito de me difamar.
- Se tem tanta certeza assim fale para Shoran que ele e o pai de Hanako. - Disse sorrindo maldosamente. - Diga que você fugiu, por que tinha medo de perder seu rebento... Diga para ele que você enganou aquele pobre homem...
Shoran sentiu a verdade cair sobre ele com o efeito de mil bombas. Escutava aquela discussão inútil sem saber na verdade em que lugar Meiling queria chegar, mas agora já não tinha certeza em que confiar. Olhava para Sakura mais ela não o encarava... Seus olhos estavam baixos e vermelhos. Esperava uma manifestação da parte dela negando, mas ela havia se calado como se reservasse a ela o direito de permanecer calada... Quando ele tinha o direito de saber toda a verdade. Não queria ficar com a verdade e maldade de Meiling. Já não confiava na prima... Na verdade já não sentia nem mais ódio por aquela pessoa. Já não sentia mais nada.
- Fale Sakura... Shoran tem o direito de saber que a bastarda que você gerou é filha dele e, portanto, tem o direito sobre a herança dos Li. - Continuou Meiling se aproximando dela. - Estava grávida quando você e Kaho fugiram do desfiladeiro...
Sakura não sabia o que fazer ou o que dizer. Tinha que explicar tudo, mas a Shoran e não para aquela mulher. Ela entre todas não tinha o direito de julgar seu ato, ou muito menos falar daquela maneira de sua filha.
- O que aconteceu Lady Sakura?! O sapo comeu sua língua? Fale que tinha vergonha de estar grávida de um rebento de um rebelde que a havia deixado sozinha... - Disse chacoalhando Sakura.
Sakura não segurando mais a raiva se descontrola de vez ao escutar as palavras duras e mentirosas de Meiling. Nervosa empurra a garota e bate nela, sem dó ou piedade. Não deixaria que aquela mulher destorcesse a verdade. Nunca havia sentido vergonha de Shoran... Havia o amado como nunca fora capaz de amar o próprio marido.
- Isso é mentira!!! Eu nunca tive vergonha de Shoran!!! Como posso ter vergonha do único homem que amei na vida? Você não sabe nem da meia verdade!! - Disse seriamente não deixando os seus verdadeiros sentimentos virem à tona. - Eu fugi porque tinha medo, mas ao mesmo tempo teria ficado se tivesse tido uma reposta positiva de você, meu amor... Esperei e nunca recebi... E por isso fugi. - Concluiu olhando diretamente para Shoran. - Me perdoe...
Shoran sentiu uma grande emoção tomar conta dele... Seu coração batia descontroladamente. De repente tinha uma filha. Do nada descobrira que tinha uma filha... Não sabia o que pensar, mas agora fazia sentido o desespero e as palavras de Sakura. Sim, sua filha estava perdida em alguma parte daquela cidade, e ele idiota a deixara na mão de um desconhecido.
- Como pode ser tão cínica, Sakura. - Meiling ironizou com a mão no rosto. - Como ousa tocar em mim... Aqui você devia ficar quieta e ajoelhar-se perante meu primo, pois você traiu a confiança dele. Além de fugir com o bebê teve a coragem de voltar para essa casa com a filha dele dizendo que ela era filha de outro homem. - Concluiu se afastando. - Tenho repúdio por você... Mas creio que um dia pagará por tudo que me fez... Sua desgraçada...
- Cale a boca, Meiling. - A voz áspera de Shoran chamou sua atenção. - Você não tem direito nenhum de falar por minha pessoa, ou muito menos erguer a voz desse jeito para a mãe... de... minha filha...
- Eu tenho todo o direito do mundo. - A mulher replicou. - Ela me tirou você...
- Como assim, Meiling? Para mim desde do começo deixei bem claro o tamanho do meu afeto que tinha pelo seu filho e não por você. - Disse Shoran encarando a mulher na sua frente com um certo repúdio. - Nunca falei que te amava ou dei a entender que sentia algo por você. Nunca te dei falsas esperanças. - Concluiu olhando para Sakura. - Nunca dei falsas esperanças para ninguém, pois meu coração e minha mente sempre pertenceram a Sakura e a nenhuma mulher mais.
Sakura mal conseguia colocar os pés no chão de tão nervosa que estava. Escutar Shoran falando com tanta propriedade que Hanako era filha dele fora um sonho realizado. Saber que ele entre tantas pessoas era a única que podia condená-la, mal a indagou sobre a paternidade de Hanako. Amava Shoran e sabia que era correspondida, mas isso não era forte o suficiente para dar certo...
- Como o senhor ousa a falar assim comigo? - perguntou Meiling já nervosa. - Essa mulher o enganou, ela fugiu com sua filha... Ela o traiu casando com outro... Ela é uma vagabunda.
Já estava farto dos ataques de Meiling. Não queria ter problemas agora... Não agora que tantas coisas novas explodiam a sua volta. Mas não deixaria que a petulante senhora pisasse sobre Sakura daquela forma. Estava na hora de mostrar a Meiling aonde era o verdadeiro lugar dela.
- Por favor, Meiling, pela educação que bem recebeu de nossa família se retire daqui agora. - Disse seriamente. - Esse assunto diz respeito a mim e a Sakura. Tanto ela como eu sabemos até que ponto foi nossa relação e cabe a mim e a ela conversamos. Por favor, saia... Já não quero ouvir mais nenhum insulto de sua parte para com Sakura. - Ameaçou nervoso. - Pois se não terei que tomar algumas atitudes mais drásticas.
Sabia que havia perdido mais uma vez para a "Doce" Sakura. Não iria mais se humilhar... Afinal tinha orgulho. Mas não desistiria nunca de destruir Sakura. Desde seu aparecimento não pôde deixar de sentir ciúmes... Ela tinha atenção do homem mais lindo e interessante que já havia conhecido. Todos percebiam o grande interesse que Shoran nutri pela jovem japonesa. Quando ela ficara grávida desejara mal para a criança. E agora ela, justo ela havia dado a Sakura uma segunda chance com Shoran. Certo, ela até que poderia ficar com ele, mas nunca teria paz, pois ela não iria deixar.
- É claro que tenho... Mentira tem perna curta, Sakura. - Falou agora vermelha. - Eu odeio você por tudo o que fez a mim e ao meu futuro... Você tirou um lugar que era meu, e por isso você vai sofrer Sakura... Ah, se vai... - Disse saindo nervosa da sala.
Sakura não havia ficado nervosa com as ameaças de Meiling. No fundo já até acostumada estava... Desde do princípio aquela mulher se opusera na sua vida como uma verdadeira antagonista de folhetim. Agora mais do nunca não se importava com o que Meiling poderia fazer a ela... A única coisa que temia era a reação de Shoran agora que estavam sozinhos.
- Precisamos conversar, Sakura. - Sussurrou Shoran pegando em seus braços.
Já não tinha mais como fugir. Era agora ou nunca mais... Aquela era sua última oportunidade para fazer sua filha feliz de verdade. Aquela era a única oportunidade de ser feliz com Shoran...
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Olá Pessoal!!!!!!!!!!!!!!
Bem, foi essa aforma que Shoran desobriu a verdade. Poderia ter escrito algo que gerasse revolta como a ira dele ao descobri que havia sido enganado por muitos anos. Mas achei melhor fazer algo mais doce. Afinal seria desconexo Shoran ficar nervoso, pois ele de uma forma indireta ou não contribuiu para isso tudo.
Sei que ficou doce (aliás, qual fic minha não é). Mas gostei do resultado final. Acho que não desagradei ninguém (espero eu).
Bom, eu estou com uma fic nova ( outra????). Sim, outra fic, mas essa eu havia prometido no final do ano lembra??!!! So agora tive coragem de passar para o word. Vamos a um resumo dela:
Uma Chance Para Amar
By Anna lennox
Para a jovem empresária e critica de arte Sakura Kinomoto o dinheiro e a fama poderia compra tudo... até mesmo o amor. Mas um jovem pintor decide mostra que por trás de todo aquele luxo e sofisticação havia uma mulher capaz de amar.
Bem, espero conta com vocês também nessa fanfic's.
Quero agradecer e muito tadas as review's enviadas por vocês. Espero recebê-la nesse mais novo capítulo.
Um beijo especila para: Lan Ayath, Dani Glatz, Carol Higurashi Li, Nana Suzuki ( adorei seu novo nick, Anaisa), Bella-chan, Jibrille (Nina), Alexiel Goddess of the war (Nath), Rafinha Himura Li, Laine, RubyMoon e a Rê_~Chan.
Um beijo também para Carol e para Bella-Chan.
Espero conta com vocês no próximo capítulo.
Bjs!!!!!!!!!!
Vistem também meu bloguinho: ( http:// theimmortal.weblogger.terra.com.br"):
Anna Lennox
17/04/2004
