"E sangue, que referve-te na taça!

  E sangue, que borrifa-te estas flores!

  E sangue é meu sangue... é meu... Desgraça!"

Os anjos da meia-noite- Castro Alves

                               

                                                                   XXXII Capítulo

Hanako estava perdida num imenso vazio... uma escuridão sem fim onde nada mais existia. Estava com medo e assustada. O frio tomava conta de sua alma e de seu coração. Sua pele estava gélida como se tivesse morrido. Queria muito se agarra a alguém... queria muito ter um pessoa a seu lado. A solidão era o pior sentimento que havia sentido em sua vida... O terror, o pânico e o medo de nunca mais conseguir sair daquele lugar a fazia se encolher mais naquele canto escuro.Tudo aquilo era um sonho... Não podia ser maior que um sonho se não enlouqueceria. Talvez fosse um pesadelo horrível, ou então ela morrera... Queria sair daquele lugar horrível. Queria os afagos de sua mãe. Queria apenas senti-se segura de tudo e de todos.

Era naquelas horas que se lembrava de sua infância quase feliz ao lado de Mai e de  sua mãe. Nunca fora feliz por completo, pois sempre esbarra com os olhos frio de sua tia ou com hostilidade do homem que até poucas horas pensará ser seu pai. Além de sempre esbarrar com piadinhas de mal gosto... Só agora compreendia com grande perfeição o sentido daquelas palavras sem nexo. Ela sempre fora enganada da forma mais vil que havia conhecido... Sempre. Ela tinha o direito de saber da verdade desde do começo, com certeza não teria sido feita de boba tantas vezes.

Podia descreve sua vida em ordem cronológica. Fechando os olhos, Hanako pôde visualizar seu passado com perfeição... Ela tinha sete anos quando pela a primeira vez sofrera com a rejeição do pai. Até hoje podia senti o cheiro doce da mãe quando a consolava inventando uma desculpa pela a falta de sentimento de seu pai. Era uma criança e até naquele dia Yukito jamais a havia abraçado... sempre a havia tratado com cortesia exagerada. Ela era uma criança sozinha...não tinha amigos, pois sempre fora uma estranha no meio de convivência delas. Agora entendia o motivo para ser tão desprezada por todos... Sempre fora uma bastarda sem pai e sem nenhuma educação. Sua única referência era sua mãe e sua babá que sempre fizeram de tudo para transforma sua existência indesejada por muitos em algo grandioso e feliz. No fundo desde de pequena aprenderá que só tinhas as duas no mundo...

No fundo não podia culpar sua mãe...Ela sempre fizera de tudo para poupá-la daquela sociedade mesquinha da qual faziam parte. Mas mesmo assim ela tinha o direito de esconder dela o verdadeiro pai. Sakura bem ou mal havia distorcido completamente sua história de vida, seu pai agora era um figura abstrata... não tinha cara, não tinha voz, não tinha nada... Ele era um anônimo, o qual nunca conheceria. Era terrível perceber que tudo que vivera e acreditava não passava de uma mentira.

-Hanako... você não deve mais chorar.-um voz sussurrou em seu ouvido.-minha menina, deves manter-se forte...

Abrindo os olhos encharcados de lágrimas, Hanako viu uma luza a seu lado... Era uma linda moça com olhos azuis e cabelos incrivelmente negros que não fosse pela a luz que irradiava de seu corpo dava para ser confundida com a escuridão do local. Havia também um cheiro agradável de cravos silvestre. Era uma desconhecida... uma ilusão talvez...

-Quem é você?-perguntou assustada.-O que quer comigo?

A mulher apenas sorriu logo em seguida passou as mãos no rosto dela limpando às lágrimas que ali escorriam. Hanako sentiu uma energia boa que irradiavam daquelas mãos... era da mesma maneira que sua mãe tocava seu rosto quando estava passando mal.

-Eu... é melhor você não saber quem sou.-disse ainda sorrindo.-Eu gosto muito de você Hanako... você foi a única coisa boa que aconteceu para minha Sakura durante anos... acompanho seu sofrimento e sei o que está sentindo...

-Como assim? não compreendo muito bem o que a senhora quer passar...-interrompeu ela nervosa.-Como conhece minha mãe?

Nadeshiko se limitou a sorri... Sua neta era desconfiada. Dava para perceber que não havia puxado o instinto calmo e meigo da mãe... talvez houvesse herdado o lado forte do pai rebelde. Mas não deixava de ter as mesma feição delicada de sua Sakura... de sua menina. Hanako sofria e sua filha sangrava por dentro sabia disso e por isso estava ali... nos sonhos de Hanako. Era a única forma de fazê-la entender os motivos de sua filha ter omitido a verdade durante tanto tempo.

-Não culpe sua mãe pelos os erros do passado...  sei que a ferida ainda é grande em seu coração,  mas Sakura fez de tudo para vê-la feliz.-falou passando as mãos no cabelo da neta.-Não seja tão dura com ela...  Não seja tão dura consigo mesma...  A vida não é uma brincadeira...  sua mãe a ama de verdade e agora sofre por ti...-concluiu séria.-A vida ainda não acabou para você Hanako...  assim que minha matéria sumir você ira acordar e verá que tem pessoas que se preocupam como seu bem-estar...não seja egoísta e viva, não por você e sim pela aquela pessoa que está aos pés de sua cama,  pois ele é seu futuro...

Hanako sentia um gosto amargo na boca...  Aquela mulher era apenas um fruto de seu desespero.  Mas afinal onde estava...  Será que estava dormindo mesmo...Tudo aquilo parecia uma realidade dura e fria. Além do mais a senhora falava com tanto carinho e respeito de sua mãe...era como se elas já se conhecessem a muito tempo.

-Não é preciso entender o que lhe disse agora...  o destino e o presente mostrarão a você que tudo o que lhe disse é verdade.-concluiu segurando o rosto da menina entre as mãos.-Só espero que não tenha que sofrer mais do que já está sofrendo para aprender o grande sentido da vida...

Era difícil compreender o significado daquele sonho. Talvez fosse um presságio de algo pior ou até mesmo uma ilusão criada pelo o seu cérebro para fazê-la entender o sentido para tudo que estava acontecendo. Sua vida ao mesmo tempo em que estava começando estava terminando... Quando acordasse certamente estaria num ambiente estranho ao lado de um homem que havia conhecido há poucas horas e do qual nunca devia ter confiado, mas que havia a acolhido com os braços abertos... Sem ao menos pergunta sobre seu passado.

-Faça o que seu coração mandar...Mas nunca se esqueça que tem uma mãe aflita a tua espera.-disse depositando um beijo na face esquerda de Hanako.-Há um ensinamento de mestre Confúcio que deve sempre pensar e carregar em dentro desse seu coração perturbado...-pausadamente colocou as mãos no coração dela.-"Quando vemos homens dignos devemos pensar em igualá-lo. Quando vemos homens sem caráter oposto devemos olhar para dentro de nós e examinarmo-nos a nós mesmos".

Hanako sentiu o toque delicado daquela mão em seu corpo. Logo por instinto fechou os olhos... era uma sensação boa de conforto e paz. Será que estava certa em julgar tão firmemente a mãe sem ao menos ouvi a versão dela? será que estava agindo injustamente como ser que mais a amo no mundo...? se ele já tinha pagado por uma coisa que até momentos atrás nem imaginava existir... Talvez Sakura tivesse pagado dez vezes mais pelo os erros que ela havia cometido no passado. Devia agradecer a mãe por nunca ter desistido dela. Ao mesmo tempo sentia uma revoltar interior crescer. Afinal ela tinha todo o direito de saber da verdade desde do começo só assim não teria passado por tantas humilhações... O que estava acontecendo com ela... Nunca se sentira tão confusa perturbada e ferida.

-Santíssimo Deus... o que devo fazer?-sussurrou levando as mãos ao peito, ao mesmo tempo em que abria os olhos.

-Estarei sempre a seu lado anjo, sempre a guiarei em seu caminho... Deus é um só e ele infelizmente nada pode fazer para ajudá-la.-disse sorrindo ao mesmo tempo em que a luz a seu redor ia ficando mais forte.- Olhe para si mesma e terá a resposta.-concluiu desaparecendo no ar.

Hanako suspirou o aroma de cravos que ficara no ar. Aquilo tudo parecia uma ilusão, mas daquele devaneio tirá-la um lição da qual nunca esqueceria na vida. A vida era feita de altos e baixa... Era da capacidade dela julgar o que era melhor naquele determinado momento... E naquele instante sabia que devia dar um tempo para colocar as idéias em dia. Pensar em como enfrentaria Sakura novamente. Mas de uma coisa tinha absoluta certeza jamais voltaria a confiar na mãe como antigamente. Nunca mais talvez fosse a chamá-la de sua mãe, pois já não se sentia bem fazendo isso... Para Hanako agora a senhora sua mãe era apenas Sakura sua geradora, e nada mais...

-Sim, lutarei por mim e por mais ninguém...darei o melhor e o pior de mim, mas nunca voltarei a ser a mesma de antes...-falou decididamente fechando os olhos.

~*~*~*~*~*~*~*~

Shoran estava sentado frente a frente com Sakura. ela como sempre evitava olhá-los nos olhos, mas ao mesmo tempo não se demonstrava mais constrangida e sim aliviada. Talvez a culpa por não ter coragem de contar sobre seus laços sangüíneos com Hanako tirasse um pouco de sua espontaneidade. Tinha certeza de que aquela garota era sua filha... Não culpava Sakura pelos os anos em silêncio, pois nem ele próprio poderia afirma qual seria sua reação se viesse a saber naquela época que era pai de um menina. Com certeza fugiria e ficaria maluco, pois não estava preparado para assumir tamanha responsabilidade. Ao mesmo tempo que se ressentia intimamente por ter perdido os melhores anos da vida de sua filha.

-Me desculpe Shoran por tantos anos de silêncio.-falou ela como se lê-se seu pensamento.-Eu era uma criança perdida no meio de uma selva cruel... Minha família estava despedaçada...

-Shhh, eu já sei disso Sakura.-ela falou beijando o rosto dela com carinho.-Eu não te recrimino por ter saído da China grávida e sem ao menos me comunicar... Sei que tentou, mas fui um idiota por ter rasgado a aquele carta antes de ler. Mas isso tudo é passado...-passando as mãos no rosto dela, Shoran fez ela olhar para seus olhos.-A única coisa que quero saber é como minha filha foi criada, como ela nasceu... e se seu marido foi capaz de amá-la como filha?

Era difícil fazer aquelas indagações tão simples no estado emocional que estava. Sabia que nada doeria mais do que saber que Yukito amara Hanako como sua filha, algo que tinha dúvidas... ainda mais sabendo em que local deprimente aquele senhor estava amargando seu casamento falido. Sabia, porém, que seu lado masoquista queria e necessitava saber da vida familiar que Sakura havia constituído com aquele homem.

-Minha vida tem sido uma comédia dramática desde do dia que você partiu para Pequim.-revelou ela, sorrindo entre lágrimas.-Se não fosse por Kaho talvez uma hora dessas eu ou Hanako estivéssemos mortas... ou até mesmo nós duas...

Shoran sentiu a dor dela com perfeição. Tanto ela como sua filhinha havia pagado por seus erros. Aquilo não era justo... devia ter ficado ao lado de Sakura...

-No dia em que minha mãe foi enterrada eu decidi pelo o bem da minha filha se casar com Yukito.-falou com um sorriso sarcástico.-Não havia nada para mim na China... Mal tinha certeza se o senhor estava vivo ou morto... Meu pai havia me pressionado com a idéia de que seu primeiro neto fosse um bastardo... e a minha única saída foi me casar com Yukito perante o único padre que havia no navio.-fechando os olhos de forma triste e dolorida.-Aquele dia foi o pior dia da minha vida...

Era uma jovem perdida e desamparada com medo da morte e da dor... e o que era pior sofrendo por estar longe de seu homem. Ainda doía o momento em que o padre a declarara propriedade de Yukito. Fora ali que começara seu verdadeiro pesadelo.

-Shoran, você não roubou apenas minha pureza e sim meu coração... Estava bem, mas meu corpo latejava de dor, pois não fora assim que imaginara meu casamento. Nunca fui romântica, mas esperava casar com o homem desejado... e não apenas por conveniência.-fez uma pausa.-Nem mesmo quando estava com Eriol...

Sua vontade era de abraçá-la naquele momento, mas sabia porém que nenhum abraço iria apagar o passado doloroso que a perseguia até hoje.

-O parto foi difícil... como falei a minutos atrás Kaho foi o anjo que me salvou da morte e consecutivamente a nossa filha também.-disse pegando um das mãos dele.-No começo até pensei que Yukito pudesse vir a dar o carinho como pai para Hanako, mas com o tempo percebi que ele via na menina apenas um vínculo para se prender a mim...-falou abaixando a cabeça.-Eu...Eu nunca fui capaz de amá-lo... e muito menos dar um filho do qual ele tanto queria. E isso de uma certa forma fez ele se revoltar contra mim, mas em vez de descontar na única culpada que era eu, o fez com Hanako.

Ainda tinha em sua memória o momento em que Yukito rejeitara pela a primeira vez Hanako. A menina era ainda uma criança que queria apenas um pouco da atenção daquele que julgava ser seu pai... Sentira um aperto horrível em seu peito quando vira a sua filha chorando com uma boneca no braço... Havia sido dez vezes pior quando com os olhos tristes e cheios de lágrimas havia perguntado o porquê do pai não amá-la. Era uma pergunta tão inocente e triste que despedaçara grande parte do seu coração. Infelizmente poderia dar tudo a sua filha menos o amor de pai, pois esse era quase impossível comprar.

-Pensei que conforme Hanako fosse crescendo Yukito se apegasse mais nela, mas não foi como imaginei...-ela falou se levantando do sofá - Yukito cada vez mais demonstrava em gesto ou em palavras sua falta de carinho e afeto por Hanako... E eu não podia deixar de sofrer por isso... Aquela menina é uma parte de mim, e tudo que tentei fazer ou fiz foi por ela...-olhando para o jardim da fazenda ela limpou a face.-Mas acho que falhei... como mãe e como mulher.

Shoran sentia os olhos arderem, mas não era por vontade de chorar, e sim pelo o sofrimento dela. não tivera decência de ajudá-la... Faltara com o seu dever como homem quando cedera a seu lado covarde e rasgara aquela carta. Havia feito as duas pessoas mais importantes de sua vida sofrerem... tudo isso em nome do que era certo, não para ele e sim para a sociedade mesquinha em que crescera e achava que poderia mudar. Mais a vida não era um brincadeira ou um jogo do qual pensara que já sabia a regra... A vida era para ser levada a sério. Coisa que ele só viera a prender agora com Sakura.

-Não! você não falhou como mulher ou como mãe Sakura.-Shoran disse indo até ela.-Você deu o melhor de si e criou praticamente sozinha uma menina...Eu te admiro muito por tudo o que fez pensando em mim ou em Hanako...-concluiu segurando o ombro dela com carinho.-E em pensar que um dia fui capaz  de te julgar mal.

Aquela que ali estava a sua frente era sem dúvida a mulher de sua vida. Amava Sakura com fervor... um amor que provara ser mais forte do que tudo até mesmo com o tempo. Achara que não era digno do amor da mulher do qual ele havia tirado o irmão... A julgara com fervor quando descobrira que ela havia ido embora. Cego não havia enxergado a verdade e então havia preferido se encerrar na escuridão. Mas agora quanto já pensava que estava nos seu últimos momentos de vida ela reaparecera trazendo luz e esperança a seu coração. Ele tinha um filha com Sakura... Uma menina que herdaria tudo dele e teria assim o seu nome.

-Esqueça tudo Shoran... já é tarde demais para lamentações.-ela falou virando para ele.-Eu cometi erros que jamais serão apagados ou esquecido por ninguém... Você também cometeu seus pecados, mas não irei julgá-lo... Pois meu coração nunca conseguira transformar esse amor cego e desenfreado em ódio...

Ela não sabia da verdade que o atormentava dia e noite. Nunca teria coragem de revelar que fora ele o responsável pela a morte de Touya... que fora com aquelas mãos que acabara de vez com o único apoio dela. Não... não queria nunca ver os olhos frios e julgadores dela.  A vida já havia feito ele pagar por quase vinte anos pelos os erros do passado. Por causa de sua falta de amor ao próximo havia perdido seu grande amor e consecutivamente o direito de educar sua filha.

-A vida não foi fácil para você, mas não pense que ela foi mais fácil para mim. Carreguei uma cruz pesada por um erro idiota que cometi.-falou abraçando ela.-Um erro que até hoje me persegue em sonhos ou até mesmo acordado.-afastando os cabelos dela olhou fixamente para seu olhos verdes.-Esperei tanto por esse momento que já pensava que jamais a teria em meus braços novamente...Sei que não sou digno de você ou de Hanako, mas juro que jamais terá motivo para ter vergonha de minha pessoa... e juro que mais do que nunca acharei Hanako...

Sakura nunca havia percebido um brilho tão intenso naqueles olhos cor de chocolate. Naquele instante havia mais do que ternura ou paixão, mas também determinação. Mais do que nunca agora ele tinha um motivo para procura por Hanako. Mas mesmo assim algo não a deixava feliz... Sabia que nunca teria um família com Shoran, pois já estava comprometida com Deus e Yukito para vida inteira. Não que temesse um escândalo ainda maior, mas porque sua criação foi assim... Nunca nem mesmo por um homem  desafiaria a vontade de Deus. Embora na verdade nunca seu faz-de-conta com Yukito tenha sido verdadeiramente consumado.

-Eu confio em você...-sussurrou sendo beijada por Shoran.

-Eu sei, Sakura.-disse sorrindo.-Juro que também jamais sairá do meu lado. Darei a você e a minha filha o nome  que sempre deveria ter pertencido.

-Mas...

-Shhh, eu sei que tem seu marido, mas acho que ele não será problema.-disse colocando um dedo nos lábios dela a impedido de replicar.-Não desistirei de você novamente Sakura... Já paguei uma pena dolorida por tenta fazer a coisa certa, mas agora sei que a melhor coisa minha vida é você e Hanako e lutarei com unhas e dentes para tê-las a meu lado.-concluiu a beijando com paixão mal contida.-Agora tenho que resolver alguns problemas, mas logo voltarei com informações de sua... de nossa filha.

Havia cometido vários erros. Um deles havia sido tirar a vida de um homem importante na vida de Sakura. Mas já havia pagado o suficiente por ele... Havia tentado fazer o melhor para todos menos para ele. Lutaria pelas as mulheres de sua vida... Mostraria a Sakura que era capaz de achar Hanako e cuidar delas. Já não era um criança ignorante... Era um homem que sangrava toda fez que pensava no tempo perdido. Agora mais do nunca lutaria para recupera o tempo perdido.

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Yu recolheu as roupas caídas no chão. Em poucas horas estaria longe daquele lugar... Longe daquela vida desgraçada que parecia querer tira o resto de bondade que havia em seu peito. Não que Tao a tivesse "comprado" para fazer caridade. Sabia e não era burra que havia segundas intenções naquela história toda. Mas já estava cansada de sempre ser a vitima... Já havia perdido as únicas pessoas que mereciam consideração de sua parte...

-Parabéns... Finalmente um homem quis te levar.-aplaudiu Meilina entrando no quarto.-O mais estranho nessa estória toda é o fato dele mal tê-la conhecido e já se apaixonado por você.

Meilina Mayer, era uma velha invejosa. Nunca havia conseguido sair dali... Nem mesmo algum homem tinha mostrado interesse por ela. e de um certa forma sempre nutria uma inveja secretar por ela... Algo que nem mesmo ela conseguia explicar.Nunca havia dito nada na vida... a única coisa que tinha era sua beleza e meia-dúzia de roupas doadas por um conjunto de mulheres.

-Vai ver que o senhor se apaixonou por mim...

-Duvido muito querida...-falou sarcástica.-Nenhum homem se apaixona por uma mulher da vida como nós sem descobri nossos dotes na cama.

-Nem todos os homens são selvagens.-disse fechando a sacola de roupas.

-Todos os homens são machos antes de tudo, querida.-rebateu sorrindo.-Algo me disse, o meu instinto nunca falha, que isso é uma armação contra a senhora...

-O que um homem digno como aquele senhor iria fazer contra minha pessoa?-perguntou intrigada olhando para a mulher.

Meilina, uma ruiva corpulenta com mais de quarenta anos. Havia passado boa parte de sua vida entre aqueles quarto satisfazendo em sua maior parte o desejo de estrangeiros velhos e pobres. Já tinha perdido a contas de quantos homens havia se deitado... e nem de quantos havia abortado. Agora que não tinha mais a mesma beleza e jovialidade de antes... agora era um mísera empregada. Não merecia aquele tratamento... justo ela que fora a preferida de um dos maiores homens de toda a China, que fora Chao Fu-tien. Ninguém tinha o direito de menosprezá-la... Ainda mais aquela garota que mal saira do berço.

-Não sei, mas se não me engano... Aquele jovem é Tao...

-Não, ai que se engana querida. O nome daquele senhor é Hao, e quer muito bem minha pessoa.-disse interrompendo a sentença da velha.-Não sendo indelicada, mas já sendo, por favor, saia do meu quarto... preciso trocar de roupa e infelizmente não estou acostumada a ficar nua na frente de senhoras.-concluiu irônica.

-Ele mente para a você, inocente Yu.-disse tranqüilamente abrindo a porta do quarto.-Aquele senhor é filho bastardo de Chao Fu-tien... Não sei o que ele deseja com a senhora, mas acho que é mais uma armação política.-revelou dando uma risada sarcástica.-Aquele sangue não muda... E ele como o pai te abandonará assim que sua missão estiver cumprida. Da mesma forma que Chao abandonou a mim e a mãe dele...

Yu observou irada a retirada vitoriosa de Meilina. Sabia que era quase impossível que Hao tivesse algum tipo de sentimento por ela. não era romântica e por isso não perdia seu tempo nem mesmo para sonhar com seu "príncipe encantado"que a viria tirar da casa da madrasta má. Seja ele Tao ou Hao não importava. Confiava nele e faria agora tudo o que ele falasse... Afinal nada mais importava agora que estava sozinha no mundo.

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Tao estava frente a frente com o se maior inimigo desde então. Sua consciência o mandava seguir em frente com o seu plano arriscado... mas algo o impedia de se aproximar de sua vitima. Yukito estava na sua frente a poucos metros de distância... Era uma ótima oportunidade para se aproximar de vez do inimigo. Agora era só esperar a hora certa... mas que hora seria aquela. Não podia mais desperdiça um segundo sequer. Não devia consideração alguma a aquele homem, que não tinha sequer vergonha na cara,  ou amor a sua família.

Tinha que mentalizar o momento que a senhora sua mãe havia morrido. O momento que fora deixado sozinho sem ninguém... o momento que humilhantemente observara a cabeça de seu pai posta em publico, como traidor. Admitia que Chao poderia ter sido tudo, mas traidor da pátria seu pai nunca havia sido. Afinal não devia obrigação a ninguém...

-Produzir o que necessitas, produzir sem apropriar. Agir sem nada esperar. Guiar sem contrariar, essa é a virtude primordial de um guerreiro.-sussurrou Tao citando um trecho taoísmo.-Seja o que meu pai quiser.-concluiu acenado para um garoto do outro lado da rua.

Aquela criança abandonada seria de grande utilidade. Ele seria seu "abre-alas"até Yukito. Era quase meio-dia, e àquela hora as ruas de Pequim eram tão movimentadas quando em outras partes do dias. Havia carroças, carros (pouco, na maioria de estrangeiros) e principalmente bicicletas, além de vários turistas. O que era de uma certa forma novidade. Até a um século atrás a China era completamente fechada para mundo exterior, agora deixavam estrangeiros visitarem a cidade proibida. Aquilo tinha que mudar, por isso o comunismo teria que tomar contar o quanto antes da política chinesa. Senão as tradições hão tanto tempos cultivadas seria esquecida, pois a nova cultura ocidental iria tomar conta de tudo.

-Vai Yaoh...-sussurrou observando a movimentação do garoto até a vitima.

A criança roubaria a carteira de couro que estava na mão daquele digníssimo senhor. Em seguida ele entraria em ação... Com um ápice digno de uma peça teatral. Entregaria a carteira para o homem. Ganhando assim a confiança dele.

O garoto seguiu suas instrução com esmero. Teria que pagar mais do que o combinado para o menino. Yaoh havia roubado a carteira e Yukito só percebera quando o garoto estava longe. Os gritos ecoaram pela a rua. Mas como todo o bom ator o garoto entregou a carteira para ele.

-Fiz o que me ordenou senhor... Agora quero o meu dinheiro.-disse estendendo a mão.

-Parabéns Yaoh.-falou entregando cinco moedas de ouro para o menino.

O garoto sorriu olhando para o dinheiro. Tao poderia afirma que tão menino nunca tinha pego tamanho dinheiro na vida. mas já se via o olhar ambicioso em seus olhos. Sentiu um baque no coração quando a fisionomia do menino se transfigurou...De repente não era mais Yaoh com as moedas e sim ele na idade do moleque.

-Foi um prazer trabalhar para o senhor.-disse retirando ele de seus pensamentos.

Estava ficando maluco. Yaoh tinha uma estória de vida diferente a da dele, e jamais poderia se sequer comparada com a sua. era um bom garoto...e talvez tinha uma família miserável para sustentar. Nenhum ser humano tinha noção de seu sofrimento.

-Agora vá menino...-disse batendo na cabeça de Yaoh.-Antes que alguém me veja com você.

Logo que terminou de falar, Tao já viu o menino longe. Aquela era a lei da sobrevivência pregada por aquela sociedade. Havia vários meninos iguais a Yaoh, que não media a conseqüências de seus atos. Um dia fora igual a aquele garoto... Agora estava ali olhando para seu maior desafio. Que seria destruir Yukito antes que ele destruísse seu país.

Foi com esse pensamento na cabeça que se aproximou de Yukito. Nada mais iria fazê-lo mudar de opinião. Afinal já estava na hora de por o fim em tudo.

Aquela maldita história já tinha durado tempo o suficiente...

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Hanako sentiu a respiração de Chang assim que acordou. Ele dormia como um anjo a seu lado. Embora em uma posição desagradável o jovem menino parecia estar tendo um sonho bom, pois tinha um sorriso nos lábios. Observando aquela expressão tão sonhadora não pode deixar de senti uma paz interior... Um sorriso cálido e triste saiu de seus lábios.

O menino chinês era realmente bonito. Mas do que nunca o achava interessante... ainda mais agora que podia ver o reflexo do sol naquele rosto delicado. Não sabia qual era seu real sentimento por ele. Era uma mistura de ternura com algo que nunca sentira antes. Um sentimento por ela desconhecido, que nunca imaginara sentir. Era um sentimento maior do que tudo até mesmo contra sua vontade de poder tocá-lo no rosto.

 "...viva não por você e sim pela aquela pessoa que está aos pés de sua cama,  pois ele é seu futuro..."

O rosto delicado da mulher no qual havia sonhado a minutos atrás voltava com força a sua mente. Era assustador percebe que ela estava certa... Chang estava aos pés de sua cama, mas nem por isso era seu futuro. Como alguém que mal conhecia podia já ser considerada como o homem de sua vida. Não.. não, não podia conhecer o amor agora. Não naquele momento tão tumultuado de sua vida.

-Não posso te ... não posso senti nada por você.-sussurrou passando a mão no rosto dele.-Não agora... não sem antes saber quem realmente sou...

...pois ele é seu futuro...

Não ele não era seu futuro. Sonho era sonho e nada mais poderia ser. Não queria ter nenhum sentimento que a ligasse a ele para sempre. Não queria ter que confiar em mais ninguém.

-Apenas preciso de você... sinto que necessito de sua ajuda.-concluiu aproximando do rosto dele.

Sim, necessitava dele...Apenas dele e de seu carinho por ela. no fundo sabia que Chang tinha um ligação quase uterina como o seu passado, presente e futuro. Ele era a chave de tudo. Não queria ficar longe dele.. Não agora que estava sozinha.

"Vou dar  melhor de mim para fazê-lo sorri... sempre", pensou ela depositando um beijo na face gelada dele. "Enquanto estiver a seu lado lutarei para que nunca ninguém te faça algum mal".

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Kaho observava cada movimento de Hanako pela a fresta da porta. Não pode deixar o coração se oprimir no peito. Nunca iria permiti aquele relacionamento... Não por ciúmes, e sim pelos os dois jovens. Seria um inferno se aquela amizade tão pura se transformasse em amor. Meiling nunca iria aceitar Hanako e faria da vida de ambos um verdadeiro inferno.

Amava por demais Hanako para deixá-la passar pelo o mesmo que a mãe havia passado. Só ela tinha noção do quanto Sakura sofrera naquelas anos... Em cada carta que ela enviava vinha um relato fiel do descaso de Yukito com ela e com a menina. Não queria o mesmo destino para Hanako...

Lutaria com unhas e dentes para fazer aquele relacionamento não passar de mero caso de irmãos. Só esperava que o tempo já não tivesse jogado novamente contra ela. Não suportaria vê mais uma vida desgraçada por um amor.

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Olá Pessoal!!!!!!!!!!!^.^

Bem, hoje é dia 15/04/04 ( isso é faz mais de uma semana que escrevi essa fic). não sei porque estou escrevendo essa idiotice. Eu sou maluca mesmo. Falta pouco para o final (Anna erguendo os braço para cima em sinal de alegria). Não vejo a hora terminar a fic. ela esta quilométrica. Logo, logo vão estar fazendo um abaixo assinado para se verem livres de mim. Não sei mais acho que "Entre a cruz e a espada"já deu o que tinha que dar. Foi uma das primeiras fic's grandes de minha autoria. Espero que não seja a última, pois penso em tira umas férias depois do último capítulo.

Mas deixando o baixo astral de lado. Acho que gostei da forma que Shoran agiu... Acho, pois quero muito saber a opinião de todos. Estou aceitando todos os tipos de sugestões. Afinal falta pouco para nunca mais terem que ler essas notas tristes que sempre deixo para vocês. Falta pouco para nunca mais ( talvez) voltar a escrever.

Obriagado a todos pelos o review's: Carol, Lan Ayath, Serenite, Dani Glatz, Anaisa, Bella-chan, Warina-Kinomoto, Sofy-chan, Rafinha Himura Li, RubyMoon, Yume Rinku, Miyazawa Yukino-Erika, Laine* e a Rê_~Chan. Muito obrigada muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada. E nunca se esqueçam de mim, por favor!!!!

Beijos também para Bella-chan e L!!!!! Muito obrigada!!!!

Visitem meu blog: (**www.theimmortal.weblogger.terra.com.br**)

Bjs!!!!

Anna