Gosto quando te calas porque estás como ausente

E me escutars de longe; minha voz não te toca.

É como se tivessem esses teus olhos voado,

Como se houvesse um beijo lacrado a tua boca.

Neruda

                                                            33 Capítulo

-Maldito...-sussurrou Yukito irado com a perda de sua carteira.-Sabia o quanto esse povo era miserável, mas nunca julguei que fossem tão nojentos e baixos ao ponto de roubar um representante digno do governo japonês.

Era revoltante, ao mesmo tempo que era um ato sem sentido que nem merecia consideração. Já estava preparado para aquela situação. Fora muito bem instruído para não andar pelas as ruas sem acompanhado de dois ou mais oficiais. Mas não nascera grudado com ninguém, e queria ter sua liberdade. O que mais o deixava irritado era o fato de ter sido roubado por uma criança...

-Fique calmo senhor.-um velho comerciante falou em mandarim.

-Como quer que fique calmo velho?!-exclamou sarcástico.-Fui lesado por um malandro que mal tem idade para sair sozinho na rua.

Mary não conseguia conter a risada. Aquilo era hilário... Nas poucas horas que teve a sorte de ficar ao lado dele havia conhecido o lado mais violento. Nunca poderia imaginar que uma alto funcionário da embaixada japonesa fosse feito de palhaço por uma criança que tinha a idade de ser neto dele. Mas aquilo não era surpresa... todos os orientais eram meio lerdos. O que a ajudava em muito, pois só com aquele otário conseguira dinheiro o suficiente para um mês sem se deitar com mais nenhum nojento.

-Infelizmente o senhor nunca mais verá sua carteira.-o senhor respondeu sorrindo.-Acho até melhor...

-O senhor não tem que acha nada.-a voz irada de Yukito soou alto, tão alto que algumas pessoas já se aglomeravam a seu redor.-Fui roubado e isso não vai ficar assim...

Yukito não controlava sua fúria. Era apenas uma carteira sem valor nenhum e com poucas moedas, mas se importava sim com sua reputação. O que o seu superior acharia se ficasse sabendo que fora roubado por um pivete chinês. Não, isso nunca iria acontecer... Já bastava ter dado seu nome a uma bastarda por causa de seu desejo cego por uma mulher que dormia com um fantasma.

-Povo mesquinho, o meu pior castigo foi ter que vir até a sua terra para negociar pedaço de terra que por direito pertencem a nós japoneses.-vociferou ele vermelho.-Por mim tudo isso devia ser por direto do governo do Japão...Nunca vamos esquecer das injúrias cometidas por vocês...

-Não fale bobagem senhor Tsukihiro.-a voz masculina soou às suas costas.-Nem todos japoneses são corretos e nem todos os chineses são corruptos, senhor.-concluiu segurando a carteira em uma das mãos.

Era sua entrada triunfal. Como deste de pequeno havia imaginado... Sua vingança havia finalmente começara. Tao vibrava em seu interior. Tudo estava dando certo... Logo logo, o povo tentaria linchá-lo por tantos insultos que haviam recebido, e ele estaria ali para salvá-lo da fúria da população local.

-Quem é você?-perguntou o homem frio virando para Tao.-E o que está fazendo com minha carteira?-perguntado intrigado.

O chinês era alto e tinha uma expressão levemente familiar. Em seus olhos havia uma expressão soturna, era como se ele estivesse feliz por tudo o que estava acontecendo. Não era psicólogo e muito menos sabia avaliar a personalidade alheia, mas tinha certeza de que algo estava por trás de tudo aquilo.

-Meu nome é Haoh.-disse sorrindo.-Bem, como chinês digno corria atrás do pivete que te roubou isso.-disse mostrando a carteira.-Consegui pegá-lo, mas acho que não seja uma boa idéia entregar essa carteira ao senhor, pois não acho justo que o senhor receba isso de volta depois de todos esses manifestos contra meu país.

-C-como assim? Essa é minha carteira tenho o direito de tê-la de volta...

A expressão do todo o poderoso Yukito Tsukihiro era engraçada. Percebia-se que o homem era mesmo um covarde... Sinceramente tinha até pena de tirar a vida de um homem ridículo como aquele, que era até mesmo enganado pela a própria mulher na cara dura. Talvez devesse pegar mais leve com ele.

-Devia nunca mais devolvê-la ao senhor, mas tendo sangue chinês e com muito orgulho... sendo honesto como sou, e como tenho certeza de que todo o meu povo é, entrego a carteira ao senhor.-disse entregando a ele o objeto.-Por favor, tome mais cuidado ao sair na rua, pois por causa de seu país e de todas as potências que invadem consecutivamente há pessoas como aquela criança que rouba para ter o que comer, quando sua filha e sua mulher estão dormindo em seu palácio.-concluiu erguendo a cabeça com orgulho, ao mesmo tempo que era aplaudido por todos que passavam na rua.

Sua ira só se intensificou mais com o discurso daquele moleque. Para ele nem mesmo a devolução da carteira era um sinal da honestidade daquele povo. Nada mudaria a visão distorcida que tinha daquele país... Fora ali que perderá tudo até mesmo a chance de ser feliz com sua esposa.

-Sua honestidade me comove.-falou irônico.

Tao teve vontade de socar o nariz perfeito daquele senhor. Yukito cavava sua própria sepultura ali na frente de uma população revoltada e sedenta por vingança. Aquele homem não podia saber, mas ele era sua salvação. Poderia ter mesmo deixado-o sozinho a mercê de um povo revoltado, seria uma forma de cumpri seu dever, mas não seria uma vingança. Por causa daquele homem seu pai fora condenado a morte.

-Devia comover mesmo, pois nunca vi um homem tão arrogante a ponto de não agradecer um favor prestado.-disse sorrindo.-Agora é melhor o senhor e sua mulher irem embora o quanto antes, pois aqui ninguém é ladrão ou assassino, mas não gostamos de ser humilhados... Ainda mais por um japonês.

Foi então que Yukito observava a multidão que ser formava a seu redor. Com certeza não sairia dali com vida se continuasse a insultar aquela população. Não queria fazer parte de um acidente diplomático... Mais uma vez fora idiota ao perde o controle. Nunca devia ter se rebaixo ao ponto de brigar no meio da rua como se fosse uma mulher.

-Acho melhor irmos embora Yukito.-Mary sussurrou a seu ouvido.-Não quero morre como uma cadela no meio da rua.

A situação já não era mais tão engraçada. Havia um ódio latente que irradiava daquelas pessoas. Yukito havia mexido no brio daquela população... Até ela se sentia um pouco ofendida. Fizera errado ao aceitar a sair com ele.

-Posso te ajudar a encontra o caminho mais fácil para fugir daqui.-Tao falou se aproximando do casal.-Nunca seria capaz de agredir uma pessoa, mas sou apenas um contra mais de cem e pessoas.-concluiu sorrindo afavelmente.-Claro que isso vai custar muito dinheiro.

Não entendia nada do que estava acontecendo ali. de repente  o líder daquelas pessoas se oferecia para tirá-los dali em trocar de dinheiro. Realmente não conseguia entender até onde a ética tinha valor para aquela população. Ficava feliz por não estar completamente errado em seu julgamento.

-Não sei se devo confiar no senhor.-Yukito falou sério

-É sua única salvação,  pois não erguerei uma palha para ajudá-los quando começarem a ser espancados.-Rebateu Tao erguendo às mãos.

Mary estava nervosa.  A população estava revoltada, logo logo começariam a gritar palavras de ordem e em seguida seriam espancados de forma cruel até a morte.  Não,  iria com aquele homem mesmo que tivesse que deixar Yukito sozinho a mercê daquele povo irado.

-Não senhor não precisamos da sua compaixão...-Yukito falou irritando com a situação que se envolvera. Preferia ser linchado por milhares de pessoas do que ser salvo por um chinês.

-Então lavo minhas mãos.-disse dando as costas para ele.-Só lamento pela sua senhora que me parece muito nervosa.

Além de arrogante era orgulhoso, Tao pensou com um sorriso cínico nascendo em seus lábios. Não demoraria muito para que a população que agora só observava com raiva, mas não demoraria muito para que começassem a atacar. Com certeza inventaria várias dores de cabeça no futuro, mas ao mesmo tempo não seria o ideal... Não seria a vingança pelo qual havia sonhado desde o começo. Mas infelizmente nada poderia fazer se aquele homem não queria sua ajuda... Seria estranho se num ato impensado pegasse a mãos dele e fugisse. Seria ridículo...

-Espere moço...-a voz com grande sotaque inglês soou em suas costas.-Eu te pago a quantia que quiser desde que me tire daqui!

Bem, mais uma vez o destino o surpreendia. Parecia que Yukito ficaria sozinho... Nem mesmo a amante queria ficar a eu lado numa hora tão conturbada como aquela. Dava para percebe que aquele senhor sabia mesmo cativar as mulheres.

-Ora, ora, ora.-disse sarcástico.-Negócio fechado minha dama.-concluiu abrindo caminho até o carro que havia alugado especialmente para aquele teatro.-Mas antes tente convencer seu marido... Pois tenho certeza de que não quer ficar viúva tão cedo. Embora sua beleza seja...-se afastou com um sorriso malicioso nos lábios. 

Yukito olhava irado para Mary. Se antes não tinha certeza de que não devia confiar em nenhuma mulher agora que jamais confiaria nenhuma mulher. Não que pensasse que aquela concubina tinha algum tipo de sentimento por ele, mas nunca imaginara que ela teria tamanha capacidade de largá-lo naquela hora. Nunca admitiria que uma mulher o tratasse daquela forma.

-DesculpaYukito, mas sou jovem e não quero morrer aqui.-sussurrou pegando a mão dele.-Deixe esse seu orgulho de lado e venha comigo... Sei que tem uma família que precisar do senhor. Não deixe que a ira esconda seu real sentimento.-falou puxando ele pelas as mãos.-Agora não é a hora certeza para acabar tudo...

Estava em estado de transe. Se não saísse dali sabia muito bem a que a esperava. Já havia presenciado um linchamento público e não fora nada fácil. Tinha certeza de que Yukito não havia gostado nada de sua atitude, mas não devia consideração a um homem que mal conhecia... Naquele momento era uma mulher livre para decidi o próprio caminho.

-Vamos... Garanto que não será humilhante, pois ninguém precisar saber o que aconteceu.-falou não se importando com a opinião pública. Naquele momento era esposa do grande embaixador... Além do mais seria mais humilhante se caso o abandonasse a julgamento popular.-Por favor, não seja teimoso... não me abandone agora.-falou abraçando ele.

Naquele momento Yukito viu apenas Sakura em sua frente. Relembrou do momento de seu casamento quando Sakura chorara feito uma bebê... Quem estava presente na cerimônia feitas as pressas, imaginara que a noiva chorava de felicidade, mas ele sabia que aquele choro era de sofrimento por está se casando com o homem errado. Aquilo afetara seu orgulho... Mas simplesmente não podia deixá-la na mão. A amava... e tinha certeza de que ainda gostava muito de sua esposa. Gostava a ponto de ficar com ela mesmo sabendo que jamais teria aquele amor correspondido.

Sem palavras acompanhou Sakura e não Mary. Sabia que estava agindo sobre um forte sentimento que não deixara transparecer durante anos e só agora vinha a tona. Amava sua esposa a ponto de lutar contra todas as armas que possuía para nunca perdê-la... Precisar está vivo e ter o carinho e respeito de Hanako...Sabia que era difícil, pois passara muitos anos renegando e humilhando aquela criança. Mas para todos os casos ainda era o pai dela... E tinha o direito de ser feliz.

Era pelas as duas que entrava no carro daquela desconhecido. E partia sobre os xingamento de uma população revoltada. O único pensamento em seu coração era a esperança de reconquistar seu grande amor.

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Shoran observava ao longe aquela cena patética que Yukito Tsukihiro era o protagonista principal. Poderia ter intercedido por ele como aquele senhor que havia o retirado, mas não tinha motivo para isso... Yukito era para ele um figura revoltante que havia usurpado de forma erronia seu papel como pai. Que havia tido a mulher mais especial do mundo em suas mãos e havia deixado escapar para ficar tendo casos ilícitos com qualquer mulher de baixa reputação. Admitia que nunca fora santo, mas nunca esquecera Sakura por nenhum momento, e quando se deitava com alguma mulher era apenas para satisfazer um desejo físico e não sentimental, pois esse só ficara saciado há poucas horas atrás quando a tivera entre os braços.

Sabia que era antiético deixar uma pessoa que estava hospedando em sua casa a mercê de uma população enfurecida,  mas fora o grande Yukito que transformara em um pequeno erro se transforma em uma " quase assassinato". Nada poderia fazer...  Sabia,  porém,  que ali estava sua vingança por todas as humilhações que a pequena Hanako havia sofrido durante anos.

Aliás,  era por ela que estava vasculhando cada pedaço de Pequim.Tinha esperança de alguém tivesse visto alguma movimentação estranha que o levasse ao paradeiro de Hanako.  Mas até agora para seu desespero nada havia sido descoberto.

A menina havia desaparecido como num passe de mágica. Não havia deixado rastro nenhum... E aquela situação o estava alarmando. Antes pouco importava realmente onde a aquela garota estava, sentia vergonha, mas havia ficado até mesmo aliviado com aquela situação. Mas agora Hanako era sua filha e se algo acontecesse com aquela garota seria por usa culpa... Sim, apenas sua culpa. Havia deixado um estranho responsável em achá-la... Nunca conseguira olhar de novo para Sakura se algo acontecesse com a filha de ambos.

-Infelizmente não posso te ajudar, Li.-um velho ancião disse sorrindo.

-Ninguém comentou nada, ou viu nada de estranho ontem a noite?-insistiu nervoso.-Tai-Ling isso é muito importante para minha pessoa...

-Não, não vi nada mesmo Li.-repetiu novamente.-Essa menina não passo perto de minha barraca... e até esse momento ninguém comentou nada a respeito disso.-concluiu pensativo.-Infelizmente desta fez não poderei te ajudar.

-Entendo...-sussurrou puxando o capuz sobre o rosto.-Mesmo assim muito obrigado meu senhor.

Cada passo que dava mais sentia o desânimo tomava contar de seu ser. Nem seus amigos de longa data podia ajudá-lo no momento. Só tinha uma saída, procurar até achar um caminho que o levasse até sua filha. Só Buda sabia o quanto necessitava abraça aquela menina... Ninguém podia medir o tamanho de sua felicidade ao saber sobre a verdadeira paternidade de Hanako. Era uma pena ter descoberto a verdade tão tarde... Nem ao menos sabia se voltaria ver sua filha.

-Tente em alguma pensão, Li.-Tai falou sorrindo.-Não sei o motivo que o leva a procura essa menina, mas se ninguém sabe sobre o paradeiro dela é bom sinal. Na certa ela pode estar hospedada em alguma pensão.-concluiu vendo o rosto do menino que vira crescer abrindo para um novo motivo para ter esperança.-Seu sobrinho poderia te ajudar...

-Chang? Mas nem ao menos sei onde ele esta morando...-falou pensativo.

Realmente Tai tinha razão. Daquela fez seu grande amigo da época mais triste de sua vida o ajudava com pensamentos concretos. Mas ao mesmo tempo sabia que o silêncio poderia ser mais assustador do que a certeza de que algo havia acontecido com sua filha. Não gostava de senti impotente perante os acontecimentos quando uma criança precisava dele em alguma parte daquela cidade. Duvidava muito se Chang o ajudasse... Desde o dia que ele saíra de sua casa nunca mais havia recebido sequer uma notícia dele. E depois da chegada de Sakura no dia interior nunca mais tinha pensado no bem estar do garoto. Na verdade tinha certeza de que Chang já não necessitava dele ou de Meiling. O garoto já sabia cuidar de si mesmo sozinho.

-Mas eu sei.-respondeu o velho pegando um pedaço de papel.-Ele esteve ontem aqui entregando jornal.-informou escrevendo.-E deixou o seu novo endereço... Até achei estranho, pois nunca pude imaginar que aquele garoto fosse sair da barra da saia de Meiling.

Nem ele mesmo um dia pudera imaginar que Chang fosse tomar atitude radical como aquela. Mas ficara orgulhoso do menino que ajudara a criar. Com a saída dele de sua casa teve certeza de que jamais esperaria atitude diferente do garoto. Agora estava mais satisfeito por saber que ele trabalhava de forma digna e correta. Embora achasse que ele merecia algo melhor do que um mísero entregador de jornal.

-Aconteceram algumas brigas entre ele e Meiling, e Chang, como o pai não gosta de sentir pressionado... Ainda mais pela a pessoa que o criou.-disse pegando o endereço.

-Sei que é pecado, mas a morte de Chao bem ou mal foi o melhor que aconteceu.-falou com um suspiro.-Infelizmente o meu amigo já não estava em sã consciência quando tramou junto com aquela desgraçada aquele maldito cerco as embaixadas.

-É, o meu primo teve o final que merecia.-disse pensativo.-Mas a justiça não foi justa com ele... ou com nós, pois a verdadeira criminosa não foi punida.

Conhecia Shoran desde muito pequeno. Ele fora o primeiro professor de artes marciais do garoto herdeiro do sangue de guerreiro dos Li. Estava presente quando pela a primeira vez vira aquele garoto chorar sangue sobre o corpo do pai, estivera presente no momento em que perdera tudo pela a segunda vez... e agora estava presente no momento em que ele se reerguia com dignidade e respeito. Sempre tivera certeza de que Shoran seria o único Li a prosperar.

-E jamais será Shoran, mas um dia a história ira provar que o Boxers foram um mero fantoche nas mãos daquela mulher.-falou sorrindo.-É uma pena que Chao tenha deixado duas crianças sem pai...

-C-como assim duas crianças?-perguntou Shoran intrigado.

Como assim duas crianças? Conhecia seu primo e o único filho que Chao havia tido fora Chang e nenhum mais. Só se seu primo tivesse um caso extra-conjugal, o que não seria nenhuma surpresa para ele.

-Acho que está mais do que na hora de você saber sobre o passado de Chao.-disse o velho decido a contar toda a estória que envolvia Tao.-Mas acho que no meio da rua não é o cenário ideal para essa conversa...-sorrindo abriu uma porta que dava a sua casa.-Vamos até minha casa lá contarei tudo que envolver Chao e aquele menino... já estou velho Shoran, quero morrer com minha consciência limpa.

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-Como assim Shoran já sabe da verdade?!-Mai gritou nervosa.-Sakura você endoideceu...

Sakura tranqüilamente penteava o cabelo. Aquele ataque de Mai já não a assustava ou deixava nervosa... Sabia o quanto Mai estava sofrendo com tudo, mas o sofrimento dela não era maior do que o seu. Além do mais Shoran tinha o direito de saber a verdade. Afinal ele era o pai de Hanako... Agora nada mais a assustava a não ser o fato de perde a filha. Aquela dor seria a pior. Só de imaginá-la já a deixava desesperada.

-É isso que acabou de ouviu Mai.-disse virando para a babá.-E não me arrependo de ter contado a verdade... Mai você não percebe que essa é a única chance de ter nossa Hanako de volta?

-Não, não compreendo.-disse indo até Sakura.-Temo por você Sakura... O que será de você se seu marido descobrir de toda a verdade?... O que será de nossa menina se perder o nome?

Pouco se importava com a reação de Yukito quando descobrisse a verdade. Em dezessete anos de matrimônio nunca havia sido infiel, quando seu marido chegava ao cúmulo de levar suas amantes para sua casa dizendo que era sua "amiga íntima". Tivera que engolir o orgulho várias vezes. Quanto a Hanako, sua filha tinha um pai de verdade, e conhecendo bem Shoran ele nunca a deixaria desamparada.

-Cansei, Mai, cansei de ser infeliz e de manter um casamento de aparência. Quero ser feliz com o único homem que fui capaz de amar no mundo.-disse levando o rosto entre as mãos.-Droga... tentei da de tudo para minha filha... um nome, um pai, mas a única coisa que conseguia dar a ela foi infelicidade e um pai que nunca foi capaz de dar amor a ela. E nome minha amiga é o que menos importa.

-Tudo isso é bonito, mas querida, Yukito é vingativo, temo que ele em alto desespero machuque você e a nossa menina...

Mai era uma ótima amiga, às vezes esquecia que ela era apenas sua empregada e nada mais. Durante os anos só pode contar com ela... e aquele afeto crescera tanto que Mai agora era mais sua irmã do que outra pessoa fora capaz de ser. Além do mais tinha uma gratidão eterna com aquela mulher que tantas vezes a consolara quando fora pisoteada por Yukito ou Tomoyo.

-Shhh... Nunca deixarei que Yukito toque num fio de cabelo de nossa Hanako.-disse passando as mãos no cabelo da jovem.-No começo Mai... Hanako era apenas minha filha, mas com o passar do tempo ela virou nossa filha, pois sei se um dia eu faltar você estará aqui para cuidar de minha pequena.-disse beijando o rosto da empregada.-E sei que jamais a desamparará... foi  por isso que contei a verdade para Shoran... Ele mais do que ninguém merece saber sobre a verdade que envolver a nossa pequena.

-Não sei o que seria de mim sem você e Hanako.-disse sentido os olhos arderem.-Estou morrendo por dentro Sakura, por não saber sobre nossa Hanako.

Deus com certeza havia posto Mai em sua vida para ajudá-la. Nunca seria eternamente grata a alguém como era com aquela mulher. Sem ela e seu carinho por Hanako com certeza já havia desistido de tudo a muito tempo.

-Obrigada por tudo, minha irmã.-disse abraçando Mai.-Não sei o que seria de mim sem você...

Mai chorou como criança. Daria sua vida por elas... Durantes anos vivera por Sakura e Hanako. Aquelas palavras eram por demais especiais para ela... Não imaginava uma vida sem elas, por isso temia o futuro.

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Chang se sentia no céu ao ver Hanako acordada e com uma expressão bem mais viva do que há horas atrás. Quem parecia não estar nem um pouco feliz era Marta que tinha a cara fechada como se estivesse incomodada com algo. Não podia fazer nada contra o mal-estar de Marta. Na verdade o que mais importava naquele momento era o bem-estar de Hanako que contava.

-Como estar se sentido, Hanako?-perguntou Marta dando um sorriso falso.

-Ainda estou fadiga, mas sei que isso logo ira passar.-respondeu alegre.

Era ela linda. Aqueles olhos verdes brilhava como duas esmeraldas. Já não via a mesma tristeza da  noite anterior... percebia sim que uma nova Hanako renascia das cinzas como uma fênix. Nunca sentira tamanha vontade de beijar alguém com tanta paixão como sentia agora por Hanako. Talvez fosse por isso que Marta estava nervosa.

-Torço pela a senhorita...-disse bebendo chá.

Se não fosse pelo o fato de Change mostra um grande sentimento por aquela menina até ela mesma teria gostado da simpática menina. Era impossível não gostar daquela garota... A menina tinha o rosto de anjo e uma voz tão linda e delicada que a fazia se lembra de sua irmã mais nova. Mas não podia gostar daquela mulher que era sua rival... Sua rival pelo o amor de Chang.

-Hanako espero que não esteja chateada comigo por chamar Marta e a senhora Kaho...

-Não Chang... Acho que estava sendo burra ao imaginar que minha família estivesse sequer preocupada com o meu paradeiro. A essa hora devem estar fazendo festa com o meu sumiço.-disse tristemente.-Eu que devia ficar sem graça por estar aqui de favor... mas isso vai mudar. Amanhã mesmo irei procurar emprego...

-Claro que não menina Hanako.-Kaho falou entrando no quarto.-Não está em condições de sair para procurar emprego.

Hanako se sentia amada por todos. Era incrível que houvesse pessoas tão boas como aquelas numa sociedade tão privada de vários recursos. Não queria dar despesas a eles... não se sentiria bem se ficasse ali de favor... já passara anos de favor na casa daquele homem que julgara ser seu pai.

-Fico comovida com tudo pelo o que estão fazendo por mim, mas acho que sou forte o suficiente para ajudá-la nos serviços da pensão senhora Mizuki.-disse abaixando a cabeça.-Quero trabalha para poder dormir e comer com dignidade.

Kaho sentiu uma ternura grande por sua afilhada. Aquela menina era especial como a mãe... Tinha tanta força em seu interior que nem ela mesma sabia usá-la. aos poucos tinha certeza de que perceberia que não adiantava nada ter tamanho orgulho... Não sabia que motivo a trouxera ali, mas sabia muito bem que aos poucos tiraria a verdade dela.

-Se é assim que deseja, menina. Pode ter certeza que contara com a minha ajuda.-disse sorrindo.

Hanako sorriu de voltar. Havia gostado de Kaho... sentia algo especial por aquela mulher. Era como se ela de uma certa forma já tivesse passado em sua vida em determinada época, o que era impossível dadas as circunstâncias de seu nascimento. Mas a que a deixava mais nervosa e excitada era Chang. Os olhos perspicazes dele não parava de encará-la. Às vezes flagrava ele olhando para seus lábios como quisesse beijá-la. Porém, logo desviava envergonhado.

-Serei eternamente grata a senhora...-disse, e a cumprimentou beijando as mãos da mulher.

-Tens que ser eternamente grata a o menino Chang... sem ele jamais teria chegado até mim.-disse sorrindo para menina.

-Eu já sou grata a ele... Muito, muito mesmo...-falou olhando para ele.

Chang sentira o rosto ficar vermelho. Sabia que tinha sair logo dali antes que perdesse por de vez o controle sobre os seus sentimentos e a beijasse na frente de todos. Não sabia o que estava acontecendo com ele... sentia-se muito confuso com tudo o que estava acontecendo em sua vida. Precisava pensar...

-Nunca precisara me agradecer, pois você já operou um milagre em minha vida.-disse docemente se levantado da cadeira.-Agora tenho que ir, pois o meu trabalho me espera.

Hanako definitivamente não era para ele. A menina era pura demais... seria realmente um pecado iludi-la como havia feito com Marta... Sabia que ela sentia algo por ele. Não era cego e lia nos olhos dela os seus verdadeiro sentimentos. Ele sentia o mesmo, mas para ele tudo era mais complicado. Tinha mais o que perder do que ela.

Não podia desiludi-la. Foi com esse pensamento que a beijou Marta nos lábios antes de sair de sua casa. Não vira a reação de Hanako, muito menos tinha visto o rosto supreso de Marta. Mas sabia muito bem que havia atingido seu objetivo. Mas aquilo não o deixou feliz...

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Olá Pessoal!!!!!!!!!!!

Bem, pessoal no próximo capítulo Shoran vai conhecer toda a estória de vida de Tao.  Qual será a reação dele ao saber que tem mais um parente???  Bem,  nem eu mesma sei (ainda não terminei de escrever esse capítulo).

Hoje tenho pouca coisa para comentar...  Na verdade ando meio desanimada com tudo.  Acho que realmente preciso de uma férias.

Reviews:

Desculpas se caso esquecer ou não colocar algum nome,  mas a ff.net não me enviou todas as reviews e no site só dá para visualizar três.  Se caso você me enviou reviews  semana passada me avisar que no próximo capítulo terei o prazer de agradecer.Certo?^_^

Anaisa, Carol, RubyMoon, Yume Rinku, Bella-chan e Lan Ayath.

Obrigada,  obrigada,  obrigada. Por favor,  nunca se esqueçam de me envirem review's.  Qualquer manifestação de carinho por essa fic já me faz muito feliz.  E não peço muito...  não é mesmo?

Obrigada também a Carol e a Bella,  que sempre agem de forma tão gentil comigo e com minhas fic's!!^^

Muitos beijos!!!

Tchau!!!!

Anna Lennox