Capítulo 3 – Sempre foi você...

Na manhã seguinte, Seiya estava muito nervoso. Esperara tanto por aquele momento... Se seus amigos estivessem certos, ela também o amava, mas... E se não estivessem? E se ela gostasse dele apenas como um amigo, como um Cavaleiro? "Você já perdeu tempo demais, Seiya. É agora ou nunca!", dizia para si mesmo. Ele foi para a mansão passar a manhã ajudando na decoração da festa. Quando chegou, Shiryu, Hyoga, Fleur e Shunrei já estavam começando. Shun estava ao telefone, ligando para os convidados e Ikki tinha se encarregado de comprar as bebidas e apanhar a comida que havia sido encomendada.

Depois que a casa já estava arrumada, todos finalmente puderam descansar e almoçar. Como todos estavam reunidos à mesa, Shiryu achou que seria uma boa hora para contar que estava namorando Shunrei.

- Finalmente, hein? – Hyoga riu

- Vocês formam um lindo casal! – elogiou Fleur

- E por falar em lindo casal... – começou Seiya - Sabem quando fui visitar a Minu no orfanato? Bom, eu descobri que ela está noiva. E não é de qualquer um não, é do Jabu!

Os garotos começaram a rir.

- Ah, conta outra, Seiya! – disse Shun rindo

- É sério! Eu o vi com ela!

- Esse cara não tem jeito mesmo... Agora ta dando uma de urubu atrás de carcaça... – disse Ikki tentando parecer sério e provocando muitos risos

- Ah, não fala assim! – disse Seiya tentando segurar o riso – Ela ainda é minha amiga... Ou foi...

- Foi mal então!

- Bom, eu já vou indo. – disse Seiya se levantando – O avião da Saori vai chegar às 6 da tarde e eu quero estar lá pra recebe-la.

- Boa sorte com ela, vê se não vai deixar ela esperando! – disse Ikki rindo

- Não, dessa vez eu vou chegar na hora, é importante demais! Falou aí, pessoal!

- Boa sorte, Seiya. – disse Shunrei

- Não conta nada da festa! – lembrou Fleur

- Pode deixar. Tchau!

Já estava quase na hora. Quando Seiya chegou ao aeroporto, o avião já estava começando a fazer o pouso. Ele quase chegou atrasado, pois tinha parado em uma floricultura para comprar um lindo ramalhete de rosas para Saori. As pessoas começaram a chegar no salão de desembarque e o coração dele batia cada vez mais forte até que ela apareceu. No momento em que seus olhos se cruzaram, ela sorriu. Ele também sorriu e logo se aproximou para abraça-la. Depois de tanto tempo, sentir o corpo dela juntou ao seu foi maravilhoso para ele.

- Seiya... Como é bom ver você...

- Isto é para você, Saori... – disse ele entregando as rosas

- Obrigada, Seiya... Você não sabe o quanto eu senti sua falta...

- Eu também senti muito a sua falta, não sou o mesmo sem você, Saori.

Ela sorriu envergonhada olhando nos olhos dele. Ele teve vontade de beija-la, mas preferiu esperar até que chegassem na festa. Teriam muito tempo juntos agora.

- Posso te levar pra casa? – perguntou ele

- Claro que sim...

No caminho para a mansão, eles não conseguiam tirar o sorriso de felicidade de seus rostos. Ele contou a ela sobre Fleur, que ia morar no Japão, sobre o namoro de Shiryu e Shunrei e o noivado de Minu e Jabu. Quando finalmente chegaram, ele abriu a porta para ela e...

- SURPRESA!!! – gritaram todos

- Que bom que você voltou, Saori!

- Sentimos sua falta!

Todos queriam cumprimenta-la e perguntar como estavam as coisas no Santuário, por isso Seiya se afastou um pouco. Depois de algum tempo, a festa já estava animada e Seiya, não agüentando mais, resolveu procura-la e dizer de uma vez tudo o que sentia, o quanto a amava. Ele se dirigiu até onde estavam Hyoga e Fleur, atrapalhando o namoro dos dois.

- Vocês viram a Saori?

- Nossa, cara, desculpe! – disse Hyoga – Faz uns cinco minutos que ela pediu pra gente avisar que ela queria conversar com você!

- É mesmo. – disse Fleur – Ela disse que ia observar as estrelas...

- E só agora vocês me dizem!

- Foi mal! – disse Hyoga sorrindo – É que a gente acabou se distraindo...

- Não tem problema, eu já sei onde ela está. – disse Seiya se afastando do casal

Havia um lugar da mansão que Saori mais gostava, era o planetário que seu falecido avô havia construído especialmente para ela. Seiya sabia disso e achava que ela estaria lá e ela estava mesmo. Ela olhava para as estrelas e pensava em tudo o que tinha acontecido. As estrelas pareciam brilhar com mais intensidade particularmente naquela noite. Saori sentiu que alguém se aproximava.

- Que bom que você voltou, Saori...

Ela se virou para ver quem era.

- Jabu?

- Você está linda hoje, como sempre.

- Obrigada. Soube que você e Minu estão noivos. Parabéns!

Ele começou a se aproximar dela de um jeito estranho. Estava escuro ali, mas conforme ele chegava mais perto dela, ela foi percebendo pela expressão de Jabu que ele não parecia estar "normal".

- Mas agora que você voltou... Quem sabe a noiva não pode ser você?

Ele tentou tocar o rosto de Saori, mas ela se afastou.

- Do que está falando? – perguntou ela intrigada

Ele a segurou pelo braço para impedir que ela se afastasse mais.

- Eu posso te fazer muito feliz, Saori! Mais do que qualquer um, mais do que o Seiya!

- Me solta, Jabu!

Saori tentou se soltar, mas ele era muito mais forte, era um Cavaleiro. Ele a seguro pelos dois braços e a puxou para junto dele com a intenção de beija-la. Ela sentiu o cheiro forte de bebida que ele exalava.

- Você não sabe o que está dizendo, está bêbado! Me larga, você está me machucando! – disse ela com medo, aumentando o tom da voz.

- Eu vou te mostrar como você vai ser feliz do meu lado... Você vai ser minha agora, Saori!

- Me solta, agora! Alguém, socorro!!! – ela gritava enquanto começava a chorar

Nesse mesmo instante, Seiya estava chegando ao planetário quando ouviu Saori gritar. Ele disparou na direção da porta e viu Jabu tentando beijar Saori à força.

- Tire as mãos dela, seu imbecil! – gritou enquanto o socava

Jabu voou longe com o soco. Ele limpou com a mão o sangue que escorria da boca. Tentou levantar-se, mas perdeu o equilíbrio e caiu novamente.

- Você está bem, Saori??? – perguntou Seiya desesperado. Se não a tivesse procurado... Nem queria imaginar o que Jabu seria capaz de fazer com ela.

- E-estou... – disse ela chorando

Seiya a abraçou.

- Saori! – chamou Jabu, que também chorava.

- Não dirija nem mais uma palavra a ela! – disse Seiya com raiva

- Ele está bêbado... – disse ela baixinho, em meio a soluços.

- Me perdoa, Saori! Que droga! – Jabu insistia

- É melhor você ir embora, Jabu... – disse Saori

- Mas...

- Saia daqui agora! – Seiya gritou

Jabu se levantou e cambaleou até a porta. Virou-se e viu Seiya enxugando as lágrimas da garota, que agora sorria para ele. "Eu perdi", pensou. Antes de sair, ele ainda pediu:

- Não contem pra Minu, por favor... Ela gosta de mim.

Finalmente Seiya e Saori estavam sozinhos.

- Saori, tem certeza de que está bem? – perguntou Seiya preocupado. Ele observou as marcas vermelhas que Jabu havia deixado nos braços da garota.

- Eu estou bem, sim, graças a você... – disse ela tentando sorrir para ele

Ele a abraçou novamente.

- Só de pensar que algo ruim poderia ter acontecido com você...

- Ah, Seiya...

As estrelas pareciam brilhar ainda mais só para eles. Aquele abraço... Saori desejava poder continuar assim para sempre, envolvida no abraço de Seiya.

- Obrigada, Seiya, você me salvou...

- Saori...

- Você me salvou, Seiya, no dia em que você voltou da Grécia, naquele primeiro dia em que nós nos vimos depois de tantos anos... Você me mostrou um novo jeito de viver... Sinto muito que eu tenha feito você sofrer tanto como Cavaleiro...

- Não sinta, Saori. Eu faria tudo de novo se fosse preciso para ter você perto de mim...

Eles se olharam nos olhos, que se enchiam de lágrimas. Um sentimento tomava conta deles. Um sentimento bem mais forte que eles. Ele a segurou pela cintura e sentiu o corpo dela perto do dele, seus rostos se aproximaram lentamente até que as bocas se uniram em um beijo cheio de paixão... As pernas fraquejavam, o coração parecia que ia explodir... Saori teve certeza de que poderia cair se ele não a estivesse segurando.

- Eu te amo, Seiya...

- Eu te amo, Saori... Sempre te amei, sempre foi você...

E mais uma vez eles se beijaram apaixonadamente. Passaram a noite ali, abraçados, contemplando as estrelas. Estavam livres para sentir o amor em sua plenitude. Não eram mais um Cavaleiro e uma deusa. Eram um homem e uma mulher apaixonados...