Capítulo 6 – A dor de Shiryu
Já passava da metade do primeiro tempo e Seiya, Ikki e Hyoga assistiam ao jogo sem beber, pois Shun não tinha aparecido.
- Esse seu irmão, hein Ikki? – disse Hyoga rindo, mas um pouco zangado. Tinham sido obrigados a beber o suco de uva de pacote que Seiya achou no armário.
- Não foi só ele, hoje até o Shiryu sumiu. – disse Ikki sem esconder a zanga
- E pra piorar tá 1 a 0 pra eles! – disse Seiya
- Povo folgado... – resmungou Hyoga
- Hoje vocês perdem, Seiya! – disse Ikki se animando
- Quer apostar? – desafiou Seiya
- Vamos lá! Eu aposto - Ikki foi interrompido pela campainha. Seiya atendeu.
- Seiya, amigão! – disse Shiryu cumprimentando-o com tapinhas nas costas
- Nossa! Esse aí bebeu todas... – Ikki cochichou para Hyoga
- Shiryu?? Tá tudo bem?? – perguntou Seiya surpreso. Nunca tinha visto o amigo assim. Geralmente, em relação à bebida, Shiryu era o mais comedido dos amigos.
- Tá tudo ótimo!! – disse Shiryu cambaleando até o sofá.
- Você não estava com a Shunrei?
- Ela também está ótima!!
- O que foi que houve, Shiryu? – Hyoga perguntou preocupado. Ele, Seiya e Ikki perceberam que Shiryu não parecia estar tão "ótimo" como afirmava.
- Ahn, nós terminamos, mas tá tudo bem! Tudo bem... – ele não conseguiu mais se controlar. Começou a chorar na frente dos amigos. Sentia-se péssimo por isso.
- Desculpem, eu não deveria ter vindo... – disse ele procurando se controlar
- Que é isso, cara! Somos seus amigos! Bola pra frente! – disse Hyoga sem jeito
- É mesmo, se não deu certo não deu, mas pelo menos vocês tentaram! – acrescentou Seiya
Os dois olharam para Ikki esperando que ele dissesse alguma coisa também, mas ele continuou calado. O que diria ao amigo quando ele mesmo ainda não havia esquecido Esmeralda? Definitivamente, não era a melhor pessoa para aconselha-lo a esquecer Shunrei.
Depois de desabafar, Shiryu acabou pegando no sono e, no final do jogo, Ikki e Hyoga o acordaram e "rebocaram" até o carro para que pudessem ir embora. O time de Seiya havia ganhado mais uma vez de virada, mas ele não estava feliz. Sentia pelo amigo, nunca o tinha visto tão triste. Foi dormir sem perceber que alguém o espiava pela janela.
A pessoa que o espiava chegou mais perto da janela. "Vou separar você daquela garota para sempre, Seiya...", pensou. Era Shina. A mulher-cavaleiro tinha se apaixonado por Seiya e, mesmo depois de perceber que ele só tinha olhos para Saori, ainda não tinha desistido de conquista-lo. Quando ficou sabendo que Saori voltaria para o Japão, ela decidiu que iria se esforçar ao máximo para que os dois não ficassem juntos.
- Você vai ser meu, Seiya... Meu... – disse para si mesma.
Alguns dias se passaram desde aquele dia e Shiryu já estava melhor. O apartamento de Fleur já estava pronto e Hyoga estava lá para fazer companhia a ela enquanto Hilda não chegava. Shun quase nunca estava em casa, pois sempre ia encontrar-se com June. Shiryu estava quase sempre lendo um livro. Seiya e Saori estavam aproveitando aqueles dias em que a casa estava vazia para namorarem. Eles estavam se beijando no sofá da sala de visitas quando Tatsumi os surpreendeu.
- Tatsumi! – disse Saori assustada enquanto tentava ajeitar o cabelo
- Desculpe, senhorita! Não tive a intenção de atrapalhar. – desculpou-se o mordomo, envergonhado.
- Que é que você quer, hein? – perguntou Seiya zangado com a intromissão do mordomo. Para ele, dificilmente aquilo teria sido sem querer.
- Eu vim trazer as correspondências da senhorita Kido.
- Obrigada, Tatsumi. Já pode se retirar. – Saori dispensou o mordomo
Saori olhou rapidamente o que Tatsumi tinha trazido. Eram as contas da mansão e do apartamento de Seiya. Quando Seiya tentou espiar o que ela lia, ela se esquivou.
- O que é isso, Saori?? – ele ficou ainda mais curioso
- Não é nada, deixa pra lá...
- Não, eu quero ver, por favor...
- Ah, Seiya... Você não precisa ver isso...
Ela hesitou, mas entregou os papéis a ele.
- Tatsumi não precisava ter me dado isso agora...
Seiya se espantou ao ver o total dos gastos. Naquela hora despertou para o fato de Saori carregava a ele e aos amigos "nas costas". Ele até que economizava, mas os gastos da mansão ultrapassavam os 4 dígitos.
- Saori, isso é muito dinheiro! – disse ele preocupado
- Não tem problema, Seiya.
- Como não tem?? Nossa! Desculpe por isso...
- Tudo bem, Seiya. Mesmo. Eu faço questão de fazer isso por vocês. Foi por minha culpa que vocês sofreram tanto...
- Você não escolheu ser Athena, mas nós escolhemos lutar por você, não fizemos nenhum favor! Além disso, você não pode continuar gastando todo esse dinheiro pra sempre, quero dizer, até pode, mas não é justo!
- Seiya...
- Pode deixar que eu vou tentar arrumar um emprego. Deve ter alguma coisa por aí que eu saiba fazer!
- Bom, - Saori sorriu – você daria um belo ladrão.
- O quê??? – Seiya se levantou sem entender aquilo – Por que você está dizendo isso, Saori??
- Porque eu nem percebi quando você roubou o meu coração...
Ela segurou a mão dele e sorriu olhando-o diretamente nos olhos. Ele simplesmente não conseguia ficar indiferente ao sorriso meigo da garota. Os dois se beijavam com mais intensidade e Seiya tentava resistir à tentação de fazer um carinho mais íntimo na amada. Estava muito feliz por tê-la como namorada, mas, no fundo, ficara realmente preocupado com o valor daquelas contas. De repente, foram interrompidos de novo. Era Shiryu que estava chegando.
- Segunda vez seguida hoje! – Seiya riu meio desapontado
- Desculpem! Eu volto outra hora então. – disse Shiryu sem jeito
- Não, tudo bem, Shiryu. Pode ficar aqui conversando com o Seiya, eu preciso resolver umas coisas na Fundação. – disse Saori levantando-se do sofá. Ela juntou os papéis, deu um beijo em Seiya e saiu da sala.
- Você está do jeito que pediu a Deus, hein, Seiya? – Shiryu ria da expressão que o amigo fez quando Saori saiu
Seiya sorriu.
- E você? Tá tudo bem mesmo agora?
- Eu to levando... É melhor assim.
- Não liga, tem muita mulher no mundo ainda!
- Se a Saori te pega dizendo isso... – Shiryu riu
- Não, mas com ela é diferente! – Seiya sentiu o rosto corar – Não tem outra pra mim, às vezes penso que é o nosso destino mesmo.
- Eu sei! Acabei de ver!
- Mas a gente não anda grudado o tempo todo não, na verdade, estamos indo devagar.
- Nossa! Então você gosta mesmo dela, hein?
- Eu sei... Estou perdido! – brincou Seiya
Depois de rir um pouco, Seiya ficou um pouco mais sério.
- Escuta, Shiryu, eu tava vendo umas contas da Saori... Acho que é melhor a gente arrumar um emprego logo.
- É, eu sei, também ando pensando nisso. O Shun pelo menos já decidiu o que vai fazer da vida. Disse que quer ser Chef... – Shiryu não conseguiu segurar o riso (muito menos Seiya).
- Por falar em Shun, por onde é que ele anda que está tão sumido? – perguntou Seiya
- Ele deve estar por aí com a June. Desde de que a reencontrou ele só fala nela.
Descalços, Shun e June caminhavam pela praia. Ele estava encantado com ela. Percebeu que desde que a havia reencontrado, não conseguia passar mais um dia sem vê-la, sem ouvir a sua voz... Um sentimento forte parecia despertar em seu coração. Algo que ele jamais imaginou sentir tão forte, mas que, ao mesmo tempo, parecia sempre ter estado ali. June também estava nas nuvens com a proximidade do seu amado. "De repente, não mais que de repente", as mãos se encontraram. Ele olhou para ela e sorriu. Ela sorriu de volta. Não soltaram as mãos. Caminhavam lado a lado como um típico casal de namorados.
