Capítulo 8 – Um tempo para pensar

Um dia claro surgiu depois que a noite chuvosa acabou. Em seu apartamento, Seiya não conseguia parar de pensar em Saori. Não conseguia acreditar em como, depois de tê-la apaixonada nos braços, de poder tocar seu rosto macio, depois de beija-la apaixonadamente, pôde ter deixado ela escapar... Orgulhoso, naquele momento passou pela sua mente um pensamento... Que mais poderia fazer para provar a ela que a amava? Que simplesmente não existia outra mulher mais perfeita para ele ter ao seu lado? Será que deveria desistir dela diante dessa situação? Ele caminhou até a ampla janela do seu quarto e fitou o horizonte, colorido pelo sol nascente. Como seria bom poder dividir esse momento com ela... Naquele momento ele teve uma certeza: não poderia viver sem o amor de Saori...

No apartamento de Fleur, Saori também não havia conseguido dormir. Depois de tanto tempo ela finalmente tinha começado a acreditar que poderia ser feliz ao lado do único homem que já havia amado em sua vida, mas, na noite anterior, tudo parecia ter caído com a chuva. Olhou-se no espelho; uma lágrima ainda insistia em cair. Ela o amava com todo o seu coração, simplesmente precisava de Seiya para viver... Sem ele, tudo parecia não ter sentido... Enxugou o rosto e forçou um sorriso. "O banco". Se ele não se importava mesmo com ela, ela não deixaria que ele a visse sofrer por ele.

Saori percebeu que Hyoga e Fleur ainda estavam dormindo, e resolveu recompensa-los por terem sido tão amigos no momento em que ela mais precisou. Dirigiu-se até a cozinha. Não tinha muita prática em cozinhar, mas pensou que conseguiria fazer o café-da-manhã dos amigos. No quarto, Fleur despertava do sono nos braços de Hyoga. Ela sorriu. Estava intensamente feliz por estar tão perto do amado. Ficou quieta por alguns minutos observando-o dormir. Envolvida nele, ela quase podia sentir o seu cheirinho de queimado... Queimado???

- Hyoga, acorde!

- Ahn? Quê?

- Acorda, Hyoga!

Ele abriu os olhos.

- Que cheiro é esse? – perguntou ele sonolento

- Eu não sei, parece queimado, mas como?

Os dois se entreolharam.

- Saori!

Levantaram-se às pressas e quando abriram a porta do quarto notaram que o cheiro vinha da cozinha. Passaram pela sala, que já estava com a mesa posta para op café-da-manhã.

- Bom dia! – Saori sorriu assim que os viu – Podem se sentar que eu fiz um café especial para vocês!

- Ah, Saori, não precisava se incomodar... – disse Fleur imaginando o quão "especial" seria o café.

- É mesmo, a gente já vinha fazer o café... – mentiu Hyoga

- Pois já está feito! Podem sentar à mesa!

Os dois se sentaram e Saori começou a servi-los. Hyoga tomou um gole do café e fez força para não cuspir.

- Está bem forte, né? – perguntou Saori rindo

- Não, ta ótimo! É que eu não bebo muito café mesmo!

- Desculpem, as torradas assaram um pouquinho demais, mas ainda estão uma delícia, podem comer!

Fleur olhou para a torrada que estava em seu prato: estava completamente queimada e coberta de geléia. Ela realmente não desejava comer aquilo, mas a amiga a olhava ansiosa. Resolveu morder um pedaço e o gosto era ainda pior que a aparência.

- E aí? O que você achou?

- Hummmm... Está mesmo ótima! Prove Hyoga – ela sorriu olhando para o namorado.

- Está muito boa mesmo! – disse ele

- Que bom que vocês gostaram, fico feliz... – disse Saori rindo

Hyoga e Fleur, entretanto, notaram pelo olhar e pelo tom de voz da amiga que, naquele momento, ela com certeza não estava nada feliz.

- E você, Saori? Não vai sentar e comer com a gente? – convidou Fleur

- Não, eu já atrapalhei vocês demais. O motorista já deve estar me esperando pra me levar pra casa.

- Que pena! Você não sabe o que está perdendo, hein? – disse Hyoga, fazendo Fleur rir muito

- Até logo, gente. Nos vemos a noite, quando a Hilda chegar, não é?

- Claro que sim! Até mais tarde, Saori. – disse Fleur, tentando conter o riso

Assim que Saori saiu, porém, Fleur parou de rir. Ela olhou para Hyoga e sabia que eles pensavam o mesmo.

- Ela tenta rir, mas dá pra perceber que ela está a ponto de chorar a qualquer momento... Coitadinha, Hyoga...

- Eu sei. Se eu conheço o Seiya, ele deve estar pior ainda.

- Mas você não acha que ele a traiu, acha?

- Tenho certeza que não. Aquele cara vive pra ela. Ela que não vê isso.

- Também acho que ele não faria isso, mas... Deixa pra lá. Mudando de assunto, - ela voltava a sorrir – você conhece alguma lanchonete que entregue comida a essa hora?

Ele sorriu.

- Só estava esperando você pedir!

Os dois namorados acabaram comendo batata frita e milkshake às 7 da manhã. Enquanto isso, Saori chegava à mansão Kido. Ela tentava se convencer de que estava bem, mas os olhos já estavam cheios de lágrimas. Entrou na casa torcendo para que ninguém a visse, mas deu de cara com Shiryu, que tinha acordado cedo para visitar a sua irmã. Ele percebeu, pelo semblante da garota, que ela não estava bem.

- Saori, aconteceu alguma coisa? Você não estava com o Seiya?

Ela não se conteve mais ao ouvir aquele nome.

- Ah, Shiryu... – ela abraçou o amigo e desabou em lagrimas

Shiryu não estava entendendo. No dia anterior o casal de amigos não tirava as mãos um do outro, e agora, Saori chorava, como ele nunca tinha visto, ao ouvir o nome do seu namorado.

Saori procurou se controlar.

- Desculpe... - disse ela, baixinho

- Não se desculpe, sou seu amigo. O que foi que aconteceu?

Ela contou a ele tudo o que tinha acontecido na noite anterior.

- Mas não é possível, Saori!

- Você não acredita em mim?

- Acredito. Eu só acho que deve ter sido algum mal-entendido. O Seiya nunca faria isso.

- O Hyoga disse o mesmo. Eu também não teria acreditado se não tivesse visto... Ela se referiu a mim como "o banco"... Acho que o Seiya só quis ficar comigo para garantir o dinheiro dele... E dela...

- Isso não pode ser verdade, Saori. Ontem mesmo ele disse pra mim que queria arranjar um emprego pra não gastar mais o seu dinheiro.

Saori não disse nada. Shiryu era o tipo de pessoa que nunca mentiria para ela, mas também era o melhor-amigo de Seiya. Será que ele não tentaria proteger o amigo?

- Não foi só isso. – continuou Shiryu – Ele também disse que não existe outra mulher para ele, porque você é diferente. Saori, se você falar com o Ikki e o Shun, tenho certeza de que eles dirão a mesma coisa. Sempre soubemos que o coração de Seiya nunca foi da deusa Athena, é da mulher que você é.

Ela continuou calada. Lágrimas silenciosas molhavam o seu rosto. Como ela queria acreditar em Shiryu...

- Não se preocupe tanto, sério. Tenho certeza de que logo tudo será esclarecido. Vá Descansar, parece até que você não dormiu.

- Não consegui...

- Eu vou ter que sair agora, você vai ficar bem?

- Vou sim, obrigada... – ela tentou sorrir para o amigo

Shiryu se dirigiu à porta da mansão e quando ia saindo ouviu Saori chamá-lo.

- Sim, Saori?

- Diga a ele... Diga que eu vou pensar e que... Diga que eu quero um tempo para pensar, por favor.

- Um tempo para pensar? Eu não acredito... Não posso perde-la, Shiryu! Não posso... – Seiya se desesperava. Shiryu havia resolvido passar primeiro no apartamento do amigo para ver como ele estava e para dar o recado de Saori e o encontrou esperando o carro ser consertado por um mecânico.

- Foi isso que ela disse. Ela está muito triste, nunca a vi chorar como hoje.

- E é tudo minha culpa! – disse Seiya não mais segurando as lágrimas

- Calma, Seiya. Você não tem culpa de nada. Não daria pra imaginar que a Shina fosse tão louca... – Shiryu hesitou – Bom, talvez até desse, mas isso não vem ao caso. Me diz, o seu carro quebrou do nada ontem à noite?

- Quando eu fui sair pra jantar na mansão ele não pegou, por que? – Seiya procurou se controlar

- Quando a Saori te deu esse carro? Foi quando voltamos para o Japão, não foi? Então ele tem pouco mais de um ano... Eu fico imaginando como é que um carro relativamente novo como esse quebra do nada... Parece estranho, não?

- Você não acha que – Seiya foi interrompido pelo mecânico que entrava no apartamento.

- Com licença, Sr. Ogawra, o carro está pronto, mas devo lhe alertar sobre algo.

- O que foi?

- Não sei se o senhor tem inimigos, mas os fios que eu consertei não se romperam sozinhos, não.

Seiya olhou para Shiryu. Os fios haviam sido cortados de propósito... Shina queria mesmo ter certeza de que ele ficaria em casa naquela noite.

- Eu não posso perde-la, Shiryu! O que eu faço agora?

- Eu não sei, Seiya, talvez seja melhor você esperar alguns dias mesmo.

- Talvez... Eu não sei se eu agüento isso...

- Tenha paciência, Seiya. Por que você não vem comigo até o orfanato?

- Até o orfanato?

- É, pra você se distrair com as crianças. Ficar aqui sozinho vai ser muito pior.

- É, você tem razão. Eu vou com você, então.

Obs: Muito obrigada a todos que já leram e deixaram reviews! Essa é a minha primeira Fic e espero que seja a primeira de muitas. Bjinhus, Mary Ogawra