Bellatrix:
Eu já não sabia se as lágrimas e o caminho que elas percorriam já faziam parte de minha aparência. Na realidade. Eu ao menos sabia se ainda chorava, porque parecia estranhamente comum para mim. Porque as lágrimas simplesmente rolavam e nada mais era capaz de impedi-las. O que poderia, afinal?
Tudo parecia faltar. Na verdade, o que mais fazia falta era uma mão quente para secar o meu rosto. E eu já não sabia se me importava com isso. Eu já não parecia me importar com a liberdade. Ou com a prisão. Porque eu sentia que jamais estaria livre. E, quando a verdade assolava a minha mente, quando a angústia me engolia, quando o meu grito desesperado já não soava, eu só pensava em você. Porque, no final das contas, as lágrimas eram pelo nosso passado perdido e nosso futuro impossível.
Então, eu me dei conta de que não havia mais você. Foi então que eu descobri que não havia mais futuro que valesse a pena, ou liberdade. Porque mesmo quando me visse fora das grades, eu já estaria morta. Como você. Porque, separados, nós não somos nada. E então, eu soube que eu jamais seria alguma coisa. Não haveria futuro para nós. Não haveria mais vida, afinal. Eu não poderia amar você. Porque isso só me enfraquecia mais e mais.
Eu consegui manter-me viva por aquelas percepções odiosas. Eu te odiei, porque te amar doía muito. Você apenas me fazia sofrer. E os sofrimentos proporcionados por aquele lugar não eram nada, já que apenas aquela dor interna parecia sobressalente naquele mar de lágrimas. Então, eu me arrependi. Eu chorei, gritei, mas eu já não podia fazer mais nada por aquilo que eu roubei de mim mesma: a felicidade. E o meu choro foi calado em meio aos outros gritos de desespero que ecoavam em meus ouvidos. Novamente, eu chorava por você. Não havia mais nada que valesse a pena.
Foi então que eu vi você pela primeira vez, preso por sua própria agonia. Seus olhos estavam frios. Conformadamente frios. E eu não achei o homem que procurava. Então, eu me odiei por ser capaz também de roubar-lhe a felicidade. Porque quando eu neguei um futuro com você, eu também neguei- nos a vida. E mais nada importava, afinal. Eu não poderia me arrepender, eu não poderia voltar atrás. O que eu tinha de fazer era te odiar para não sofrer. Como se isso fosse possível. Eu jamais deveria me arrepender de alguma coisa. Você não era para mim. Eu não era para você.
É horrível ter de me convencer que tudo foi um erro. Ruim demais, quando eu sinto que o erro, na realidade, foi ter-te deixado por ideais fracassados, por promessas vagas, por um futuro obscuro, sem você. E não adianta mais eu tentar consertar esses erros. Eu não quero voltar atrás. Porque eu não quero te ver na minha frente, novamente. Porque será por você que fracassarei. E eu não quero que nada mais dê errado na minha vida já errada. E não será agora, em que pago por meus erros para com a minha felicidade, que vou largar tudo. Eu não vou desistir. Não agora.
Aliás, eu deveria deixar de pensar que o meu erro foi ter abdicado de nossos futuro fracassado. E não foi. Errado foi amar você. Errado foi ter acreditado que poderia afogar a realidade, foi ter pensado que nada mais era importante além de você, foi ter acreditado que você seria o meu destino e ter aceitado isso, quando deveria ter lutado contra. Errado foi ter deixado você entrar na minha vida, você me amar, deixado você tomar conta de meus pensamentos, de minhas emoções, de minha alma. O nosso amor foi o erro.
E você pode não acreditar na veracidade dessas palavras. Aliás, você não acreditará, porque não quer. Porque você, seu fraco, prefere crer que eu gostaria de ter feito tudo diferente, que eu fui fraca e aceito isso. Eu não aceito. Eu não fui fraca. Exigiu muito mais de mim te largar, porque você, apesar de tudo, era tudo que eu tinha. Você era o meu amor. Foi inexplicavelmente difícil deixar a nossa felicidade para trás. E ainda pior pagar por essa troca, aqui. Mas eu não me arrependo mais de nada, afinal. Nada. Eram apenas promessas vãs, futuro sem reconhecimento. Nada mais que sonhos. E eu queria pra mim muito mais que isso.
E eu consegui. Eu encontrei o reconhecimento. Eu novamente encontrei aquela que deveria ser. Então, eu não seria mais nada além de uma tola apaixonada. Eu voltaria ser Bellatrix Black. E não haveria mais Sirius para enfraquecer- me. Só haveria aquilo que me fortalecia. Entretanto, havia aqueles instantes sombrios em que eu matava, e junto matava mais um pedaço da minha própria alma. E na hora em que eu parava para pensar no que estava fazendo, só vinha você na minha cabeça. Eu sofri, porque eu sabia que aquilo estava errado. Onde estava você? Estava errado.
Eu não sou a mesma, você pode perceber pelos meus olhos. Eu não sou capaz de continuar amando. Porque te amar é como enxergar a luz quando se está há anos na escuridão. Dói. E eu não quero te amar, eu não quero voltar atrás, eu não quero desistir. Eu não quero me sentir fraca novamente. E o que eu quero, eu consigo. Eu irei te apagar, irei apagar essas lembranças maravilhosas do nosso passado, porque isso apenas machuca mais. Não haverá mais você. Não haverá amor. Então, eu estarei finalmente livre. E eu lutarei contra isso sempre, mesmo que seja em vão. E será. Então, é melhor que você sequer exista.
Porque eu te amo. E esse amor sempre vai corroer a minha alma como veneno. Mesmo que seja um amor em ruínas.
————————-
N/A: Oh, eu tinha esquecido de postar o cap 2, foi mal. Hihihi Mas tá aí...
Bjos
Eu já não sabia se as lágrimas e o caminho que elas percorriam já faziam parte de minha aparência. Na realidade. Eu ao menos sabia se ainda chorava, porque parecia estranhamente comum para mim. Porque as lágrimas simplesmente rolavam e nada mais era capaz de impedi-las. O que poderia, afinal?
Tudo parecia faltar. Na verdade, o que mais fazia falta era uma mão quente para secar o meu rosto. E eu já não sabia se me importava com isso. Eu já não parecia me importar com a liberdade. Ou com a prisão. Porque eu sentia que jamais estaria livre. E, quando a verdade assolava a minha mente, quando a angústia me engolia, quando o meu grito desesperado já não soava, eu só pensava em você. Porque, no final das contas, as lágrimas eram pelo nosso passado perdido e nosso futuro impossível.
Então, eu me dei conta de que não havia mais você. Foi então que eu descobri que não havia mais futuro que valesse a pena, ou liberdade. Porque mesmo quando me visse fora das grades, eu já estaria morta. Como você. Porque, separados, nós não somos nada. E então, eu soube que eu jamais seria alguma coisa. Não haveria futuro para nós. Não haveria mais vida, afinal. Eu não poderia amar você. Porque isso só me enfraquecia mais e mais.
Eu consegui manter-me viva por aquelas percepções odiosas. Eu te odiei, porque te amar doía muito. Você apenas me fazia sofrer. E os sofrimentos proporcionados por aquele lugar não eram nada, já que apenas aquela dor interna parecia sobressalente naquele mar de lágrimas. Então, eu me arrependi. Eu chorei, gritei, mas eu já não podia fazer mais nada por aquilo que eu roubei de mim mesma: a felicidade. E o meu choro foi calado em meio aos outros gritos de desespero que ecoavam em meus ouvidos. Novamente, eu chorava por você. Não havia mais nada que valesse a pena.
Foi então que eu vi você pela primeira vez, preso por sua própria agonia. Seus olhos estavam frios. Conformadamente frios. E eu não achei o homem que procurava. Então, eu me odiei por ser capaz também de roubar-lhe a felicidade. Porque quando eu neguei um futuro com você, eu também neguei- nos a vida. E mais nada importava, afinal. Eu não poderia me arrepender, eu não poderia voltar atrás. O que eu tinha de fazer era te odiar para não sofrer. Como se isso fosse possível. Eu jamais deveria me arrepender de alguma coisa. Você não era para mim. Eu não era para você.
É horrível ter de me convencer que tudo foi um erro. Ruim demais, quando eu sinto que o erro, na realidade, foi ter-te deixado por ideais fracassados, por promessas vagas, por um futuro obscuro, sem você. E não adianta mais eu tentar consertar esses erros. Eu não quero voltar atrás. Porque eu não quero te ver na minha frente, novamente. Porque será por você que fracassarei. E eu não quero que nada mais dê errado na minha vida já errada. E não será agora, em que pago por meus erros para com a minha felicidade, que vou largar tudo. Eu não vou desistir. Não agora.
Aliás, eu deveria deixar de pensar que o meu erro foi ter abdicado de nossos futuro fracassado. E não foi. Errado foi amar você. Errado foi ter acreditado que poderia afogar a realidade, foi ter pensado que nada mais era importante além de você, foi ter acreditado que você seria o meu destino e ter aceitado isso, quando deveria ter lutado contra. Errado foi ter deixado você entrar na minha vida, você me amar, deixado você tomar conta de meus pensamentos, de minhas emoções, de minha alma. O nosso amor foi o erro.
E você pode não acreditar na veracidade dessas palavras. Aliás, você não acreditará, porque não quer. Porque você, seu fraco, prefere crer que eu gostaria de ter feito tudo diferente, que eu fui fraca e aceito isso. Eu não aceito. Eu não fui fraca. Exigiu muito mais de mim te largar, porque você, apesar de tudo, era tudo que eu tinha. Você era o meu amor. Foi inexplicavelmente difícil deixar a nossa felicidade para trás. E ainda pior pagar por essa troca, aqui. Mas eu não me arrependo mais de nada, afinal. Nada. Eram apenas promessas vãs, futuro sem reconhecimento. Nada mais que sonhos. E eu queria pra mim muito mais que isso.
E eu consegui. Eu encontrei o reconhecimento. Eu novamente encontrei aquela que deveria ser. Então, eu não seria mais nada além de uma tola apaixonada. Eu voltaria ser Bellatrix Black. E não haveria mais Sirius para enfraquecer- me. Só haveria aquilo que me fortalecia. Entretanto, havia aqueles instantes sombrios em que eu matava, e junto matava mais um pedaço da minha própria alma. E na hora em que eu parava para pensar no que estava fazendo, só vinha você na minha cabeça. Eu sofri, porque eu sabia que aquilo estava errado. Onde estava você? Estava errado.
Eu não sou a mesma, você pode perceber pelos meus olhos. Eu não sou capaz de continuar amando. Porque te amar é como enxergar a luz quando se está há anos na escuridão. Dói. E eu não quero te amar, eu não quero voltar atrás, eu não quero desistir. Eu não quero me sentir fraca novamente. E o que eu quero, eu consigo. Eu irei te apagar, irei apagar essas lembranças maravilhosas do nosso passado, porque isso apenas machuca mais. Não haverá mais você. Não haverá amor. Então, eu estarei finalmente livre. E eu lutarei contra isso sempre, mesmo que seja em vão. E será. Então, é melhor que você sequer exista.
Porque eu te amo. E esse amor sempre vai corroer a minha alma como veneno. Mesmo que seja um amor em ruínas.
————————-
N/A: Oh, eu tinha esquecido de postar o cap 2, foi mal. Hihihi Mas tá aí...
Bjos
