Harry Potter e a Tábula de Transmora

Resumo: Nesse capítulo, conhecemos o novo professor de defesa contra artes das trevas...

Capítulo 4: O professor

"Ainda bem que você disse e não eu." Hermione falou. Ela recolocou a cabeça nas mãos e começou a soluçar de novo.

"Hermione, eu-" Harry começou a dizer, mas ela o interrompeu.

"Vá embora, Harry. Por favor. Apenas... vá embora." Ela falou sem levantar os olhos, sua voz fina e trêmula. Ela parecia quase histérica.

Harry hesitou. Estava preocupado em deixá-la nesse estado. Nunca a vira tão chateada nesses seis anos que a conhecia. Ele se odiava pelo que fez e jurou solenemente passar o resto da vida compensando seu ato se ela deixasse.

"Hermione, ainda te amo com todo meu coração." Harry disse sem precisar pensar, com as mãos nos bolsos. Sua cabeça doía por causa do esforço de segurar as lágrimas.

Ela olhou para ele, seus olhos vermelhos e molhados encontrando os dele. "Eu também ainda te amo, Harry. Mas eu... eu não posso ficar com você depois do que fez." Ela fez um esforço muito grande para dizer isso, a última palavra saindo com um soluço. Ela cobriu o rosto com as mãos, os ombros balançando para cima e para baixo com o choro saindo do controle. "Vá embora," ela repetiu, "por favor, vá."

"Não posso te deixar assim." ele disse, se esforçando muito pra não chorar. Seu nariz estava entupido o que fez sua voz ficar anasalada. "Por favor venha comigo. Podemos falar com Rony ou Gina pra ficar com você. Não vou deixar você chorando aqui sozinha."

Ela tentou respirar fundo, mas não conseguia. Sua respiração estava rápida e rasa e ela se levantou sem dizer nada, indo até a porta e abrindo-a. Ficando ao lado da porta aberta segurando-a com mão direita, ela olhou para ele. Harry podia dizer que ela estava lutando para manter uma expressão de controle, mas não estava conseguindo nem de longe.

"Adeus, Harry." Ela disse bem firme. Ela olhou para o teto, evitando a tentativa dele de olhá-la nos olhos.

Sem querer prolongar esse encontro infeliz, e sem querer entristecer Hermione mais do que já tinha, Harry saiu pela porta. Ele a ouviu bater atrás dele, virando para olhar como se pudesse ver através da madeira sólida.

Ele colocou a capa da invisibilidade e saiu correndo para a Torre da Grifinória procurando por Rony.

*****

"Hermione, por favor. Você tem que comer isso, vai te fazer sentir melhor." Rony disse gentilmente a ela. Ele cutucou o braço dela com barra de chocolate da Dedosdemel que pegara embaixo da cama.

Harry o acordara altas horas para que ele fosse ajudar Hermione. Ele nunca o vira tão triste antes. Ele nunca a vira tão triste antes também. Em comparação com esse pesadelo, esse fim de namoro fazia as briguinhas dele com Megan parecerem bem insignificantes.

Harry dera a Rony sua capa da invisibilidade e as direções para a nova sala de Hermione e Rony praticamente voou até lá, quase esperando que ela estivesse se afogando nas próprias lágrimas pelo que Harry descrevera. Harry pegou sua Firebolt e saiu do Salão Comunal corajosamente - sem a capa da invisibilidade para escondê-lo.

Rony a encontrou em sua sala, soluçando incontrolavelmente. Apesar dos protestos dela no início, ele finalmente a convenceu a ajuda-la ir para o quarto. Ele tinha certeza que se ela tentasse caminhar sozinha, acabaria desmaiada em algum canto escondido do castelo.

Ela estava deitada de lado, encolhida, abraçada ao travesseiro e chorando sem dar sinais que ia parar. Rony tentou a barra de chocolate de novo.

"Verdade, Hermione. Isso ajuda. Funciona para dementadores e vai funcionar para isso. Tente um pouco." Ele quebrou um pedaço da barra e provou.

Ela continuou a chorar, se balançando para frente e para trás. De vez em quando, ele a ouvia dizer algo que parecia, "Harry, como você pôde?" ou "Isso é horrível, horrível mesmo" ou "Acabou. Acabou de verdade." Vê-la desse jeito estava deixando Rony muito triste também. Ele apertou os lábios, se concentrando. Tinha que existir algo que ele pudesse fazer para acalmá-la. Ele pensou em Gina e no que fizera para ela quando a coruja deles, Errol, morrera.

Ele saiu da cadeira para sentar junto a Hermione em sua cama. As costas dela estavam viradas para ele e ela não parecia se dar conta de sua presença. Ele colocou uma mão no ombro dela.

"Hermione, eu lamento muito. Por que não senta direito um pouco? Que tal um abraço?" ele disse o mais confortador que conseguiu, esperando que ela não interpretasse isso como uma cantada, no estado perturbado que estava.

Quando ele já estava pensando que ela não aceitaria a oferta, ela respirou fundo algumas vezes e sentou-se devagar. Ela abriu os braços e Rony veio para mais perto, envolvendo-a num abraço apertado. Ele a segurou assim, decidindo que não seria o primeiro a largar. Ela o apertou forte, descansando a cabeça em seu ombro. Ele podia senti-la tremer e balançar como se estivesse doente com uma febre forte. O rosto molhado dela ensopou o pijama dele, mas ele não ligava. Ela precisava dele e lá ele estava. Ficaria ali enquanto ela precisasse.

Depois de alguns minutos, ela relaxou o abraço, mas continuou a segurá-lo. O choro tinha diminuído e ela parecia respirar melhor. Levantando a cabeça, ela falou pela primeira vez depois de muito tempo.

"Obrigada, Rony." ela disse.

"De nada." ele respondeu, respirando fundo.

"Rony?" Ela disse, fungando.

"Sim?"

"Sei que isso deve ser chato pra você - ser amigo de nós dois depois do que aconteceu. Não quero que se sinta no meio disso."

Rony parou, pensando na melhor resposta. Ela fungou de novo, esfregando os olhos.

"Eu vim para cá porque Harry me pediu e porque queria estar aqui pra você. Me sinto mal pelos dois. Não se preocupe comigo, vou ficar bem", ele disse reconfortando.

"Mas estou preocupada com isso. Não consigo evitar. Não quero magoar você também."

"Estou bem. É com você que me preocupo. Se concentre em se acalmar e em relaxar por enquanto."

Ela recolocou a cabeça no ombro dele e afundou o rosto, outro ataque de choro a atingindo. Ele esfregou as costas dela tímido, sem saber o que mais poderia fazer.

"Eu...só... não acredito, Rony." ela falou, numa voz fina de choro.

"Shhhh. Respire, Hermione. Você precisa parar de pensar nisso por enquanto."

Ela olhou para ele, lágrimas rolando por suas bochechas coradas. "Obrigada por estar aqui." ela disse, e o abraçou de novo, repousando a cabeça novamente e respirando fundo.

"De nada." ele disse, fechando os olhos e respirando com ela, torcendo que isso a ajudasse a se acalmar. Funcionou.

Ela dormiu em cima dele depois de dez minutos assim, sua respiração nervosa mudando pra uma mais longa, num ritmo mais arrastado. Ele mudou de posição, apoiando as costas na cabeceira da cama, com as pernas esticadas em sua frente. Hermione ainda estava abraçando-o, a cabeça apoiada contra ele, o corpo enrolado na posição fetal.

"Nox," Rony disse, apontando a varinha para a vela no criado-mudo. Ele deu um grande bocejo, suas pálpebras pesadas. Em minutos, ele cochilou, ainda segurando Hermione, fielmente cumprindo seu papel de amigo dela e de Harry.

******

Harry sentou no Salão Principal na mesa da Grifinória vazia, esperando o início do café-da-manhã. Ele ficou voando a maior parte da noite, torcendo que o ar frio de alguma forma deixasse suas emoções dormentes. Não funcionou. Ele se sentia tão triste quanto na hora que saíra da sala de Hermione.

O que fez por ele, foi conseguir concentra-lo em alguma maneira de reconquista-la. Ele passou o tempo todo pensando o que poderia dizer ou fazer para que ela entendesse que ele ainda a amava, apesar do que fizera. A melhor idéia que teve foi pedir que ela o perdoasse e não parar de pedir até que ela cedesse ou o amaldiçoasse de morte. A outra parte de seu plano era mostrar a ela o quanto a amava. Ele tinha esperança que isso eventualmente quebrasse a raiva e desconfiança dela.

Os alunos começaram a encher o salão Principal, mas Harry continuava sentado, pensando profundamente. Ninguém veio falar com ele. Todos pareciam sentir que ele queria ficar sozinho. Ficou grato por isso, porque não sentia vontade de falar com ninguém naquele momento. Ele queria ficar sozinho com seus pensamentos e seu café.

A cadeira em sua frente foi arrastada e ele levantou os olhos. Era Rony. Ele estava com olheiras e enquanto sentava, esfregava a parte de trás do pescoço.

"Você está aqui." Rony disse. "Não tinha certeza de onde te encontraria ." Ele bocejou, se espreguiçando.

A princípio, Harry não disse nada. Apenas olhou para o prato com ovos mexidos à sua frente. Rony fez seu prato, o barulho das colheres batendo no prato, aumentado pelo silêncio deles.

Harry respirou fundo e olhou para Rony. "Como está Hermione?"

Rony largou o garfo no prato e se inclinou para frente. "Não vou mentir pra você. Ela estava em pedaços ontem."

"Ela parou de chorar?"

Rony respirou fundo. "Sim, ela parou depois de um tempo. Tive que abraça-la pra ela se acalmar. Ela dormiu em cima de mim. Eu saí de lá há mais ou menos meia hora." Ele olhou para Harry com um olhar de tristeza antes de continuar. "Ela parecia bastante calma quando saí. Quase como se estivesse tentando bloquear o quanto estava triste."

Harry franziu a testa ao saber disso. Ele estava feliz que ela estava bem, mas estava preocupado que ela entrasse no que ele chamava "modo robô". Ela freqüentemente fazia isso para encobrir seus sentimentos de medo, raiva ou ansiedade. Ela evita a qualquer custo que as pessoas a vissem com um controle menor que cem por cento. Esse comportamento geralmente era manifestado com uma dose extra de esforço para se vestir e atuar como a estudante exemplar. Harry podia apostar que ela compensaria a tristeza que estava sentindo se jogando no trabalho com gosto.

"Oi, Rony. Oi, Harry. Que caras são essas?"Era Gina. Harry levantou os olhos para vê-la sentar junto a Rony. Ele olhou de novo.

Ele quase não acreditava que essa jovem sentada a sua frente era a pequena Gina Weasley. Ela parecia muito mais velha e bonita do que ele se lembrava. Aparentemente, ela tinha crescido bastante no verão. Bochechas mais definidas e uma pele de cor bem branca substituíram seu rosto redondo e sardento. Seus braços estavam mais graciosos e mais longos. Com certeza ela estava com uma postura mais adulta. Ela sorriu timidamente para ele enquanto ele a olhava. Percebendo que tinha olhado por tempo demais, deu um sorriso fraco e desviou os olhos para sua comida.

Nos últimos dois anos, Harry começara a ver Gina como a irmã que nunca tivera. Sua doce timidez e admiração naturalmente a faziam mais querida. Ela ficou visivelmente triste com a noticia que ele e Hermione estavam namorando. Harry já desconfiava que Gina gostava dele antes dessa notícia. Por um tempo, ela o ignorou, fingindo que ele não existia e o evitando como um leproso. Depois que ela aparentemente superou sua decepção, ficou mais confortável perto dele, tratando-o muito mais como um de seus irmãos. Ela ainda era muito tímida como foi desde que a conhecera, mas ela saía de sua casca quando estava com ele, Hermione e sua família. Harry valorizava bastante sua amizade com Gina. Ele sentia um orgulho fraternal ao vê-la crescer e se transformar numa linda mulher que ele sabia que ela seria.

"Qual o problema, Harry? Parece que alguém morreu." Gina perguntou, fazendo- o lembrar de Hermione.

Harry continuou a olhar para seu prato, evitando seus olhos. Ele não queria que ela visse o quanto estava triste.

"Bem, alguém vai me dizer o que há?" Gina falou impaciente, depois de não receber nenhuma resposta de Harry nem Rony.

Harry levantou os olhos e trocou um rápido olhar com Rony, dizendo que ele podia cuidar disso. Ele também podia espalhar a noticia sobre ele e Hermione. Não seria fácil esconder e ele teria que encarar a realidade alguma hora.

"Hermione e eu terminamos." Harry disse, sua mandíbula trabalhando muito pra controlar suas emoções.

"Sem essa!" Gina sussurrou alto, derrubando o garfo.

"É verdade, Gina." Rony disse honestamente, se inclinando e pegando o garfo. Ele pegou um que estava perto dele e entregou a ela.

Gina olhou de Rony para Harry, quase como se esperasse que um deles dissesse que era brincadeira. A expressão dela mudou de choque, para descrença, para preocupação em menos de um minuto. Os olhos dela estavam muito sérios enquanto ela falava.

"Eu lamento, Harry. Espero que possam superar isso." ela disse gentil. "Tenho certeza que o que quer que tenha acontecido vai passar, apenas dê um tempo. Nunca vi duas pessoas que se amassam tanto quanto vocês - vocês estão destinados a ficar juntos."

"Espero que esteja certa, Ginn" Harry disse, com a voz baixa. Ele se perguntou se ela ainda estaria falando com ele se soubesse porque eles terminaram.

Nesse instante, o bater de asas anunciou a chegada do correio coruja. Sem esperar nenhuma carta, Harry nem levantou os olhos. Edwiges pousou na frente dele no mesmo instante que Rony foi bombardeado por Pichi. Rony parecia tão surpreso quanto Harry enquanto desatava a carta de Pichi. Harry começou a desamarrar sua carta de Edwiges, imaginando de quem seria.

"O que é?" Gina perguntou, se inclinando numa tentativa de ler a carta de Rony. Rony puxou para longe dela, seu rosto muito vermelho enquanto ele sorria. "Não é de sua conta, Gina! É um presente surpresa de Fred e Jorge. Eu tenho os melhores irmãos!" O sorriso dele ia de orelha a orelha. Ele deu uma olhada para a mesa de Lufa-lufa, antes de guardar cuidadosamente o pedaço de pergaminho.

"Qual é!" choramingou Gina, "Diga! O que eles deram?"

"Não posso dizer a ninguém, nem a Harry." Rony disse ainda sorrindo largamente. Gina estava zangada. Harry olhou para Rony imaginando o que a carta dizia. Normalmente, ele se aproveitaria dessa oportunidade para perturbar Rony e tentar tirar a informação dele, mas ele estava muito ansioso para fazer qualquer coisa além de abrir sua própria carta e lê-la.

A próxima reunião da ordem de fênix será realizada amanhã às oito horas na sala de Poções. Não se atrase, estaremos iniciando os novos membros, inclusive você.

Professor Dumbledore.

Harry enfiou o pergaminho na mochila e disse tchau a Gina ainda irritada e saiu para Defesa Contra Artes das Trevas com Rony.

*****

Enquanto eles entravam na sala, Rony e Harry viram Hermione sentada sozinha na primeira fila escrevendo num pergaminho. Sua pena tremia freneticamente e ela não desviou os olhos quando eles entraram.

Outros alunos da Grifinória já estavam na sala. Harry achava que estavam ansiosos para conhecer o novo professor de Defesa Contra Arte das Trevas. Eles falavam baixo, animados, olhando para porta atrás deles na expectativa.

Rony hesitou ao ver Hermione sentada lá. Ele olhou para Harry como se esperasse uma indicação do que fazer. Harry foi até a mesa onde Hermione estava sentada e puxou uma cadeira. Ela olhou para ele com os lábios contraídos. Ela balançou a cabeça devagar, pedindo silenciosamente que ele não sentasse ali. Com o rosto queimando, Harry empurrou a cadeira de volta para o lugar e foi para uma mesa no fundo da sala, Rony seguindo-o.

Quando o relógio bateu a hora exata em que a aula deveria começar, a porta se abriu abruptamente. A força fez com que alguns dos pergaminhos que Harry usava para fazer anotações da aula voassem. Ele se curvou, se esticando para o chão para recolhê-los e ouviu o pac pac dos sapatos andando pelo corredor em sua direção. Ele supôs que era o novo professor.

Quando pegou o ultimo pedaço de pergaminho, seus olhos pousaram em uma par de botas de bico fino e salto alto que passavam. Sentando, ele pôde ver as costas da mulher que ia em direção à frente da sala. Seu queixo caiu. Olhando em sua volta, ele notou que a maioria estava tão chocada quanto ele.

Ela estava vestida da cabeça aos pés em couro preto. O cano da bota ia até o meio da coxa, quase encontrando a mini-saia, deixando apenas uma pequena faixa da pele branca exposta. O top de mangas longas era justo o suficiente para mostrar cada curva de seu corpo, e essa era só a vista das costas. Ele ouviu Rony suspirar alto enquanto observava a mulher que caminhava até a frente da sala. Ele olhou para Simas sentado na mesa a sua esquerda e os olhos dele estavam praticamente saindo das órbitas.

Ela virou para encarar a turma, e Harry quase gritou de choque. Era Maddie! Ele engasgou, uma onda repentina de náusea o atacou, suando frio. Ele não esperava vê-la de novo. Mas lá estava ela, bem na sua frente, como o novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas. Ele afundou em sua cadeira, baixando a cabeça, colocando a mão sobre a testa para cobrir os olhos.

"Uau!" Harry ouviu Rony sussurrar, interrompendo seus pensamentos. "Ela é quente ou o quê?"

Harry olhou para Rony impaciente. Ele tinha a mesma cara que a maioria dos homens tinham quando conheciam Maddie - como uma serpente encantada por um feiticeiro.

"Rony," Harry sussurrou, "aquela é a Maddie. Não reconhece da foto do jornal trouxa?"

Rony olhou rapidamente para Harry antes de voltar seu olhar para ela. Os olhos dele se arregalaram ainda mais com o reconhecimento. "Pelas barbas de Merlin! Não acredito!" ele virou na cadeira e olhou chocado para Harry. "O que você vai fazer? Você dormiu com a mais nova professora de Hogwarts!"

Harry não respondeu. Estava muito distraído com os milhares de pensamentos que passavam por sua cabeça. A primeira conclusão a que chegou foi que Maddie - se é que esse era seu nome verdadeiro - o enganara durante todo o verão. Claramente ela era uma bruxa. Claramente ela era mais velha do que o fez acreditar. Claramente ela não era quem fingia ser. Mas por que? Harry podia sentir a resposta desse pensamento na ponta da língua, mas ainda não sabia dizer o qual era. Ele estava bloqueado por muitas emoções fortes e conflitantes que sentia no momento.

Outra onda de pânico lhe atacou quando lembrou que Hermione vira a mesma foto que Rony. Quanto tempo levaria até que ela reconhecesse Maddie e reagisse ao que viu? Ele desviou o olhar para ela. Ela era a única que não estava olhando para bruxa na frente deles. De onde Harry estava, parecia que ela estudando o pergaminho à sua frente. Ele a ouviu limpar a garganta e vagarosamente levar a mão esquerda à boca. Ele prendeu a respiração enquanto ela se virou pra encará-lo, os olhos cheios de lágrimas não derramadas, o rosto com expressão de profundo desprezo. Harry engoliu seco. Esse devia ser o pior olhar que Hermione já lhe dera. Ele de repente sentiu uma vontade de ir até ela. Ele se conteve, entretanto. Não queria fazer uma cena que constrangesse os dois.

A mulher que ele conhecera como Maddie olhava em volta da sala com os olhos estreitados. Harry não acreditava no quanto ela estava diferente - mais velha e astuta. Seus lábios e unhas estavam vermelho sangue e ela tinha um olhar malicioso e ameaçador. Seu cabelo liso na altura dos ombros não balançava quando ela virava a cabeça. Ela estava em pé de uma forma que parecia ficar mais alta - apesar de que esse aumento da altura pudesse ser por causa do salto. Tudo isso combinado com o couro preto, lembrou Harry de uma vilã malvada que vira em um quadrinho que lera quando criança. Quando ele estava pensando isso, seu olhar cruzou com o dela e ela deu seu sorriso malicioso característico.

"Bem, eu esperava boas vindas calorosas, mas isso é ridículo." ela disse, olhando para os colegas de Harry. O queixo dele caiu. Seu sotaque americano sumira sem deixar rastro! Ela parecia mais uma britânica. Ele não acreditava no que ouvia. Olhou nervoso para Rony, que apenas olhava para ela com os olhos arregalados.

Por algum motivo, esse detalhe que aumentava a decepção que sentira pelo verão deixou Harry à beira da razão. Reagindo por puro instinto, ele levantou, pegando seus livros e indo em direção à porta da sala. Ele precisava sair dali; não podia ficar mais nenhum segundo em sua presença. Ele só conseguia pensar em ir até a sala de Dumbledore e tentar chegar ao fundo disso.

"Sente-se, Sr. Potter!" Maddie mandou. A sala toda virou para olhá-lo. Ele parou, de costas para ela.

"Preciso ver o professor Dumbledore." disse, o mais equilibrado que conseguiu, o rosto contorcido de raiva. Ele olhou para frente nervoso e começou a andar de novo.

"Vinte pontos da Grifinória!" ela gritou. A sala engasgou. Harry fez uma careta, mas continuou seu caminho, quase na porta. Ele fez uma anotação mental de tentar recuperar esses pontos em Trato das Criaturas Mágicas.

"Mais trinta pontos!" ela vociferou. "Continue, Potter, vou seguir tirando pontos até que você volte." Seus colegas de casa gemeram coletivamente, sussurrando comentários como, "Vamos logo Harry, sente logo."

Ele parou, seus ombros muito tensos. Ele não podia fazer isso com seus colegas de casa. Provavelmente já os tinha colocado em déficit no Campeonato das Casas pelos seus atos. Maldita Maddie! Ele voltou a seu lugar, olhando atravessado para ela. Rony olhou para ele, balançando a cabeça devagar. Era o único que olhava para ele com simpatia. Seus colegas murmuravam entre si urgentemente, olhando curiosos para Harry. Ele percebeu, tarde demais, o quanto suas ações foram estúpidas e impulsivas. Agora todos comentariam como ele agiu. Era tudo o que ele precisava - que as pessoas especulassem por causa de seu comportamento estranho. Ele se repreendeu mentalmente. Ele deixara suas emoções controlá-lo - algo que raramente fazia.

"Bem, agora que ficou estabelecido que não serei desafiada em minha sala, acho que devo me apresentar. Meu nome é Professora Monroe. Como vocês provavelmente já sabem, sou a nova professora de Defesa Contra Artes das Trevas. Peço desculpas por ter perdido o banquete de abertura ontem. Como o diretor provavelmente explicou, eu estava envolvida num caso altamente secreto no qual trabalhei durante todo o verão." Ela parou, lançando um olhar muito rápido para Harry que ninguém além dele e Rony notou. Hermione olhou por cima do ombro de novo, olhando feio para ele.

"Ela não brincou quando falou dessa história de caso." sussurrou Rony, olhando de lado para Harry.

"Obrigado, Rony. Isso ajuda muito." Harry sussurrou de volta irritado.

"Estou aqui como um favor para o ex-professor Moody. Quando terminar o ano, pretendo retornar a minhas tarefas como Auror do Ministério da Magia." Ela olhou em volta da sala com os olhos estreitados. Ela fungou pretensiosamente.

"Agora me deixe ter certeza que serei clara desde o início. Sei que a maioria dos professores aqui, à exceção de um ou dois, se gabam de não ter favoritos. Eles dizem que prejudicam o processo educacional. Bem, eu não concordo com isso. Ainda sou muito leal a minha casa de meus dias de escola. Vocês da Grifinória terão que provar que podem ser tão astutos e habilidosos quanto meus amados Sonserinos se quiserem ter sucesso em minhas aulas."

"Só podia ser da Sonserina." Rony sussurrou com o canto da boca. Harry nem olhou para ele. Estava ocupado olhando as costas de Hermione, imaginando o que estava passando por sua cabeça e desejando que ela não o odiasse.

"Eu vou ter certeza que todos vocês estarão preparados para o pior quando se formarem em Hogwarts no fim desse ano. Não vou tolerar bobos de mente fraca que passam a vida fugindo da própria sombra. Fui clara?" ela rosnou a última pergunta para eles.

Coletivamente, os Grifinórios recuaram em suas cadeiras assentindo com a cabeça. Neville se lamentou. "Eu disse, 'Fui clara?'" ela gritou ainda mais alto.

"Sim, professora!" a classe respondeu desanimada.

"Vamos ter que melhorar isso." ela disse mais calma.

Ela foi até detrás da mesa do professor e pegou um pedaço de pergaminho. Em pé no tablado de aula, ela fez a chamada. Nada aconteceu até que ela chegou ao nome de Hermione. Ela parou e olhou para quem respondera. Harry viu Hermione revirar desconfortável em sua cadeira antes de responder muito calmamente "Presente."

"Harry Potter." ela disse devagar. Harry não levantou os olhos quando respondeu, houve uma pequena pausa na qual ele se forçou a continuar olhando para o livro fechado em sua frente. "Sabe, eu fiz minha tese final para o Centro de Excelência de Aurores sobre você, Sr. Potter." Harry podia sentir os olhares de seus colegas em sua direção. Ele continuava a olhar para seu livro resoluto, sentindo seu rosto corar e tentando não mostrar muito o quão enjoado e chateado se sentia. Maddie riu enquanto continuava a ler a lista.

"Ronald Weasley?" Ela leu num tom animado. Rony praticamente caiu da cadeira antes de responder. "P-presente" ele disse.

"Como vai seu irmão Carlinhos?" Maddie perguntou. Toda a sala virou-se para Rony.

"Ele está bem." Rony respondeu, olhando confuso para Harry.

"Hmmm... dá pra ver os traços de família. Seu irmão era um cara difícil. Eu era do primeiro ano quando ele já estava no sétimo ano, mas nunca vou esquecê-lo. Muito bonito, ele era, Carlos Weasley. Não pergunte de mim a ele, tenho certeza que ele não se lembra de mim. Ele nunca falava com a gente da Sonserina. Estou muito interessada em ver do que é capaz, Sr. Weasley."

Rony olhou de novo para Harry, dessa vez perplexo. Harry pôde ouvir seu amigo engolindo fazendo barulho. Ele estava visivelmente desconfortável. Seu rosto estava vermelho, e ele se remexia em sua cadeira nervoso. Ele olhava para Maddie como se ela fosse a única pessoa na sala. Harry virou os olhos e pensou se as aulas desse ano seriam realizadas assim: com o uso de intimidação sexual e insinuações.

Os olhos de Harry passearam pela sala, registrando as várias reações de seus colegas homens da Grifinória a nova professora. Seu olhar foi de Dino -cuja boca estava aberta, provavelmente maravilhado - para Simas - que estava recostado em sua cadeira, o rosto vermelho, segurando a pena bem forte - para Neville - que estava assustado que fosse apanhar ou alguém fosse zombar dele ou talvez os dois.

Harry quase não prestou atenção ao resto da aula. Mesmo prestando atenção a apenas alguns pontos da aula de Maddie, ele conseguiu discernir algumas partes importantes. Ela compartilhava a filosofia de Moody de "vigilância constante" e como parte disse ela planejava o treino de defesa tanto usando magia como sem. Eles não sabiam se algum dia enfrentariam alguma coisa sem suas varinhas, e ela queria ter certeza que eles estariam completamente preparados se essa situação acontecesse. Parte do treinamento não mágico envolvia entrar em forma.

"Além de Quadribol, essa escola tem uma falta de treinamento físico." ela disse. "Para aqueles que quiserem créditos extras, eu vou dar a oportunidade de ganhá-los seguindo um regime de treinamento e uma dieta simples. O treino físico envolve correr todos os dias às 5:30 da manhã em ponto. Para a dieta, a cozinha foi informada que deve fazer mais alimentos saudáveis. Os estudantes que seguirem uma ou as duas dessas recomendações receberão créditos extras, proporcionais ao nível de participação."

"Alguma pergunta?" Maddie perguntou, olhando a sala, aparentemente acabando o sermão.

Surpreendentemente, Hermione levantou a mão. Harry sentiu seu estômago revirar, como se estivesse cheio de moscas voando lá dentro.

"Sim?"

Hermione limpou a garganta. "Quando as corridas começam? Onde devemos nos encontrar?"

Maddie sorriu. "Boas perguntas, Srta. Granger. Para recompensar sua atenção aos detalhes, vou devolver os pontos que nosso precipitado Harry perdeu no início da aula. Fico feliz que Dumbledore tenha feito uma boa escolha pra Monitora-chefe." A classe murmurou agradecendo, enquanto Hermione olhava para frente impassível. Harry imaginou se esse era o jeito de Mad-, não, Professora Monroe de se desculpar para Hermione pelo que acontecera com ele.

"Vamos nos encontrar no Salão Principal às 5:30, a partir de amanhã. Por favor, usem roupas apropriadas para o clima. Correremos faça chuva ou faça sol."

Um barulho percorreu a sala enquanto todos pegavam suas penas e pergaminhos para anotar a informação.

"Se é tudo, podem ir." ela disse, indo em direção à porta, como se para abrir para eles.

No instante que essas palavras saíram da boca dela, Harry pegou suas coisas e foi o primeiro a sair antes mesmo que ela chegasse à porta. Ele iria direto para a sala de Dumbledore. Enquanto andava apressado pelo corredor, Harry pensou ter ouvido passos ecoando atrás dele, mas não olhou. Ele não queria que nada diminuísse seu avanço no que ele queria fazer há muito tempo.

Ele chegou à gárgula na frente da sala de Dumbledore e descobriu que não sabia a senha para entrar. No ano anterior, o tema das senhas fora times de Quadribol, mas ele não tinha idéia de qual era o tema desse ano. Ele colocou a mão direita distraidamente sobre a gárgula enquanto coçava a cabeça com a esquerda.

O anel invisível em sua mão direita fez cócegas em seu dedo. Ele olhou e viu que o anel tinha aparecido. Ele também notou que a gárgula que ele ainda tocava com a mão tinha ganhado vida e ia dar passagem a ele. Talvez tivesse instruções de deixar qualquer membro da Ordem que usasse o anel entrar na sala de Dumbledore.

Fazendo uma nota mental de perguntar a Dumbledore sobre outras utilidades do anel, Harry passou pela gárgula e subiu as escadas para a sala do diretor.

******

Rony levantou ao final da aula e passou pela professora Monroe que estava mantendo a porta aberta. Ela piscou pra ele enquanto ele passava, o que o fez sentir-se desconfortável. Ele se encostou à parede do outro lado da sala, esperando Hermione.

Ela foi quase a última a sair da sala. O rosto dela estava contorcido de concentração e ela passou por ele sem nem olhar para trás. Rony foi atrás dela, dando passadas largas e tentando chamar sua atenção. Ela finalmente olhou para ele, surpresa, aparentemente sem ter notado sua presença antes.

"Oi, Rony." ela disse, ainda andando apressada pelo corredor. Ela não olhou para ele.

"Como você está?" Rony perguntou, tentando fazê-la olhar para ele enquanto eles iam para a aula de feitiços.

"Bem." ela disse quase rebelde.

"Você não me parecesse bem."

Hermione parou de repente. Rony continuou a caminhar por um instante e teve que retornar alguns passos para voltar para o lado dela. Ela o segurou pelo braço e o puxou para um pequeno canto na lateral do corredor, ela de costas para parede.

"Certo, eu não estou bem. Mas não posso fazer nada quanto a isso, então pra que conversar sobre esse assunto?" ela sussurrou pra ele. Ela olhou para ele com os olhos vermelhos.

"Não me diga que não notou quem estava na frente da sala." Rony sussurrou.

Hermione baixou a cabeça, sua respiração ficando mais audível. Seus ombros começaram a balançar. Quando ela olhou para ele de novo, seus olhos estavam cheios de lagrimas e ela mordia o lábio inferior.

"Eu não agüento isso, Rony." ela falou. Largou sua mochila e jogou os braços ao seu redor, afundando a cabeça em seu ombro, chorando. Ele respondeu ao abraço, tirando o cabelo dela de seu rosto e torcendo que ela conseguisse se acalmar a tempo da aula de feitiços.

Neste instante, ele ouviu o som de alguém limpando a garganta. Ele largou Hermione e virou para ver Megan ali, as mãos segurando nervosamente a mochila.

"Meg!" ele disse surpreso. Ele sentiu seu corpo reagir ao choque de vê-la ali.

"Oi, Rony. Queria saber se a gente pode ter uma conversa." Megan falou, encarando-o com um olhar estranho. Rony se afastou e revelou que ele estava abraçando Hermione. Megan corou visivelmente. "Ah, meu Deus. Não tinha percebido que você estava com... deixa pra lá. talvez mais tarde, Rony." Ela virou e começou a andar.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Hermione se apressou para parar Megan.

"Por favor não fique com a idéia errada, Megan. Ele só estava me consolando. Só isso. Ele só está sendo um bom amigo, de verdade."

Enquanto Hermione explicava isso, Rony notou a expressão de Megan mudar de constrangimento para simpatia. O rosto cheio de lágrimas falava muito. Isso o deixou aliviado. Ele ficou com raiva de Megan no banquete de abertura, mas a raiva passou ao ver o que Harry e Hermione estavam enfrentando. Ele desejava que pudesse falar com ela e consertar as coisas. Talvez ele fosse realizar seu desejo agora.

"Lamento, Hermione. Ouvi sobre você e Harry. Vocês eram o casal perfeito. Espero que consigam superar, o que quer que tenha sido." Megan disse gentil. Ela olhou para Rony. "Podemos conversar?"

"Claro." Rony disse um pouco nervoso. "Você vai ficar bem?" ele perguntou a Hermione. Ela assentiu com a cabeça, dando um pequeno sorriso.

Ele arrumou a mochila no ombro e seguiu Megan pelo corredor.

******

"Você tem certeza que a segurança vai ser boa o suficiente pra evitar qualquer problema?" Uma voz grossa, mas de certa forma familiar perguntou.

"Nada a se preocupar, Alastor. Vamos tomar as precauções necessárias para evitar qualquer interrupção indesejada." a voz de Dumbledore respondeu.

Harry alcançou o topo da escada e estava encarando a porta da sala do diretor. Ele parou um momento para arrumar os pensamentos antes de bater, e se achou ouvindo uma conversa entre Dumbledore e um bruxo que Harry achou que tinha a voz parecida com a do Professor Moody.

Ele bateu na porta, e ela abriu imediatamente revelando que Harry estivera correto em no que supôs. Moody Olho-torto estava sentado numa cadeira em frente à mesa de Dumbeldore. Os dois sorriram e se levantaram quando Harry entrou na sala.

"Como vai você, Potter," resmungou Moody, oferecendo a mão e apertando a de Harry com força.

"Estou bem, Professor," Harry respondeu. Ele não sabia porque, mas ainda pensava em Moody como professor, mesmo não ter sido ele o verdadeiro professor durante o quarto ano. A última vez que ele vira Moody foi na reunião da Ordem de Fênix a qual Harry comparecera no verão anterior.

"Ahhh, Harry. Como você vai? Achava que talvez fosse te ver hoje." professor Dumbledore disse gentil, apontando para que ele sentasse na outra cadeira em frente a sua mesa.

Harry sentou-se, e o professor Moody fez o mesmo. Tanto Dumbledore como Moody olharam para ele na expectativa, então ele começou.

"Peço desculpas pela interrupção, Professor, mas tinha que vir falar sobre a nova professora de Defesa Contra Artes das Trevas." ele começou. Ele olhou entre Moddy e Dumbledore pra ver suas reações antes de continuar. Os dois ouviam atentamente, com expressões neutras. Harry continuou.

"Sei que isso vai parecer loucura, mas -"

"Mas ela é a mesma pessoa com quem você trabalhou durante o verão?" Moody falou.

"Sim, exato. Como você sabia?" Harry disse espantado.

Dumbledore inspirou profundamente antes de começar.

"Lamentamos, Harry. Acabamos de descobrir, senão, teríamos lhe dito."

"Dito o que?" Harry perguntou, pensando que ele provavelmente podia adivinhar o que eles iam dizer. Uma teoria estranha estava se formando em sua cabeça desde o instante que Maddie entrara pela porta da sala de Defesa Contra Artes das Trevas.

"Que Professora Monroe foi a auror designada para cuidar de você durante o verão." Moody respondeu por Dumbledore.

Harry apenas o encarou, tentando descobrir o que dizer agora. Ele podia sentir a raiva subindo pela garganta, mas estava lutando para manter uma expressão calma para esses dois homens que respeitava muito.

"Acabamos de saber disso, Harry. Como já disse, teríamos dito antes se soubéssemos." Dumbledore disse reconfortante. Harry imaginou se a raiva estava começando a aparecer em seu rosto. Ele respirou fundo e fez um esforço consciente para relaxar os músculos faciais enquanto Dumbledore continuou.

"Quando a Professora Monroe chegou ontem à noite, ela informou que proteger você fora seu trabalho durante o verão. Antes disso, nem sabíamos qual auror tinha sido designado para esse trabalho. Entenda, nenhum membro da Ordem é um auror ativo, então não temos acesso a seus casos mais secretos."

"Mas por que designaram um auror para me proteger? Eles nunca fizeram isso antes, ao menos que eu saiba. Tem mais alguma coisa que eu deva saber?" Harry perguntou, sua mente fazendo várias especulações.

"A única coisa que a professora Monroe dividiu conosco foi que o Ministério acreditava na possibilidade de Voldemort tentar te seqüestrar durante o verão." Dumbledore disse, sua voz carregando uma ponta de aborrecimento.

"Sim, mas vamos tirar mais informações dela mais tarde." Moody falou. "Garanto isso nem que eu mesmo tenha que interrogá-la. Ela sabe que sua lealdade a nós é mais profunda do que um juramento ao Ministério."

Harry olhou de Dumbledore para Moody, pensando como diria o que queria dizer agora. Ele decidiu rapidamente que contar tudo o que ocorrera na noite anterior não só seria constrangedor, como também não serviria para nada. Ele só precisava dizer o quanto estava embaraçado com essa coisa toda e deixar assim. Ele limpou a garganta antes de continuar.

"Obrigado por esclarecer isso para mim," ele disse respeitosamente. "Mas ainda me sinto estranho com toda essa situação. Fiquei amigo dela durante as férias e vai ser bem constrangedor agora ser aluno dela. Vocês me entendem?"

Dumbledore e Moody trocaram um olhar que não passou despercebido por Harry. O que eles sabiam que ele não sabia? Maddie contara o que acontecera? Ele começou a suar por baixo de suas vestes, esperando que isso não fosse se transformar na experiência mais humilhante de sua vida.

"Deixe-me contar um pouco sobre Maddie, garoto. Ela é um dos melhores aurores que o Ministério já viu. Na verdade, fui seu tutor durante a maioria de seu treinamento. Como a maioria os aurores talentosos, ela tende a andar na linha muito fina do que é próprio pra fazer seu trabalho. Ela pode ser corajosa, ela pode ser audaciosa, ela pode até ser falsa, mas faz seu trabalho. Não fico surpreso em saber que ela tornou-se sua amiga para se certificar que não levantasse suspeita alguma que pudesse estragar seu disfarce. Minha pergunta pra você é, está disposto a deixar isso pra trás e se convencer que ela estava apenas fazendo seu trabalho?"

Moody e Dumbledore olhavam intensamente para Harry, esperando sua resposta. Harry se torcia por dentro. Harry sabia que Maddie claramente ultrapassara a linha com o que tinha feito, mas ele queria admitir isso? Harry sentiu seu rosto corar enquanto olhava para sua mochila, tentando pensar o que dizer.

"Bang!" a porta da sala de Dumbledore se abriu abruptamente e Maddie entrou apressada. Todos levantaram até que ela fizesse um gesto para que sentassem.

"Sei o que ele está dizendo a vocês e não é verdade. Tenho uma ótima explicação pra tudo. Permitam que eu dê minha versão da história antes de presumir qualquer coisa" ela disse, bastante agressiva.

Dumbledore tirou sua varinha e a sacudiu na direção de uma cadeira encostada na parede do outro lado. A cadeira começou a andar até que parou ao lado de Harry.

"É muito bom vê-la. Professora Monroe. Por favor, sente-se. Estávamos discutindo assuntos importantes com Harry Potter, quem você com certeza já conhece."

Maddie foi até a cadeira e sentou-se. Ela lançou um olhar penetrante na direção de Harry antes de continuar seu discurso. Harry sentiu seu coração acelerar, enquanto sua raiva o preenchia da cabeça aos pés. Ele estava começando a odiá-la.

"Como eu dizia, tenho uma ótima razão para tê-lo levado comigo para casa na outra noite. Se me deixarem explicar, poderemos esquecer tudo isso."

Harry queria morrer bem ali. Ele daria qualquer coisa para não ficar mais na sala. Ele notou que Moody estava mudando os olhos nervoso, mas Dumbledore ainda tinha sua expressão serena, a cabeça repousando nas mãos.

"É melhor você começar a se explicar e é melhor que seja uma boa explicação." resmungou Moody. "Estamos sabendo disso agora e se você disser que andou brincando com esse jovem, vou retirar sua licença, Maddie. Não pense que não tiraria." Moddy parecia muito zangado.

Maddie se irritou com isso. "Sabe, Alastor, sempre pensei que você fosse uma das últimas pessoas a julgar a mim ou a meus métodos, mas parece que você quer ser o primeiro a assumir o pior de mim. Duvido se estaria agindo da mesma forma se fosse qualquer outro auror. Preciso lembrar que não sou mais sua aluna? Eu passei no teste, lembra?"

Moody respirou fundo, preparando-se para responder, mas Dumbledore levantou a mão."Alastor, Madeline, não faz bem algum ficar discutindo assim. Pense no exemplo que estão dando ao Sr. Potter. Querem que ele pense que não nos respeitamos?"

"Claro que não, Professor." Maddie se desculpou. Ela olhou para Harry e sorriu, desfazendo o sorriso ao notar que ele olhava feio pra ela.

"Agora, por que não continua com sua explicação, Madeline?" Dumbledore disse, indicando que ela continuasse.

Dando mais um olhar de desdém na direção de Moody, ela começou sua história. Harry ouviu, ainda muito atormentado pelo que estava acontecendo.

"Meu trabalho corria bem calmo, até o ultimo dia de Harry na sorveteria. Fiz com que todos, inclusive Harry, se convencessem que eu era uma estudante americana inofensiva trabalhando durante o verão para ter dinheiro pra mais livros - um de meus disfarces favoritos, por razões que não vou mencionar aqui. Enfim, no último dia de Harry, houve uma tentativa de roubo. Sob ordens especificas de não usar magia a não ser em circunstâncias extremas, não podia fazer nada até que o Harry desarmou o suspeito." Nesse instante, ela olhou impressionada para Harry, e Moody fez o mesmo.

"Junto com Harry, conseguimos dominar o suspeito até que a polícia trouxa chegou. Devo dizer que, você realmente me impressionou com como conseguiu manter a cabeça fria numa situação tão tensa, Harry." Ela parou um instante, tentando encontrar seu olhar, mas ele apenas olhava desfocado para frente, desejando estar em qualquer lugar menos naquela sala ouvindo qualquer pessoa menos ela falar.

"O bom foi que conseguimos evitar um desastre. O ruim foi que trouxe muita atenção da imprensa para nós. Eles ficavam tirando fotos e tentando fazer entrevistas. Sabia que isso podia atrair a atenção de Comensais da Morte, então agi rápido. Precisava encontrar um jeito não mágico de escondê-lo, então formulei um plano. Convenci o dono da loja, Sr. Fitzwilliam, a levar a mim e Harry para celebrar. Depois eu o subornei para embebedar Harry o suficiente para que pudesse levá-lo para minha casa e vigiá-lo. Sabia que não conseguiria convencer Harry a vir comigo de livre e espontânea vontade. Ele é muito leal a sua namorada e conscientemente nunca faria nada que parecesse remotamente impróprio."

"Então, você fez com que ele ficasse bêbado para levá-lo para casa com você? E depois?" Moddy falou.

"Estou chegando lá, Alastor, se você for paciente." Maddie disse, irritada.

"Coitado, Harry desmaiou, então eu tive que carregá-lo para fora do clube. Depois que levei para meu apartamento, pude usar magia para ter certeza que ele estava num lugar confortável. Fiquei acordada a noite toda, esperando Comensais da Morte, que por sorte, não apareceram. Quando Harry acordou no outro dia, não tive a oportunidade de explicar o que acontecera. Peço desculpas por isso, não pensei em amarrá-lo à cama para impedir que ele pulasse como fez."

Harry podia ver Maddie olhando para ele pela sua visão periférica, mas continuou a olhar resoluto para frente. Ele estava pensando se a historia era verdade ou se ela tinha escondidos os detalhes da audiência. Ele esperava que fosse o primeiro, porque isso significava que ele não dormira com ela e tudo tinha sido um grande e doloroso mal entendido. Ela ainda tinha muito que explicar na opinião dele.

"Lamento se interpretou mal minhas ações, Harry," Maddie lhe disse. "Eu só estava tentando te proteger e não estragar meu disfarce ao mesmo tempo. Por favor não fique magoado comigo por causa disso"

O silencio preenchia a sala, enquanto Harry pensava o que devia dizer. Ele não confiava que ela dissera a verdade. Até que pudesse falar com ela a sós, ele ainda não teria certeza do que acontecera naquela noite. Para ser sincero, ele não tinha certeza nem se queria saber a verdade, e isso o entristecia.

"Por que não damos um tempo para ele pensar sobre isso? Esse é um problema que vocês dois precisam resolver, Harry... Madeline.." Dumbledore disse, levantando. Todos fizeram o mesmo.

"Espero que descubra que a Professora Monroe é uma ótima professora, assim como foi uma ótima protetora durante o verão, Harry." Dumbledore completou. E com isso, Harry se despediu e saiu da sala.

Assim que saiu para o corredor, sentiu alguém batendo em seu ombro. Ele se virou, imaginado que professor veria. Ele ficou sério. Era Maddie, e parecia que ela queria conversar.

******

Megan guiou Rony pelo corredor antes de puxá-lo para uma sala vazia. Ela não agüentava mais. Tinha que lhe contar sobre seu verão. Precisava contar sobre Ernie. Havia tanto que ele não sabia.

"O que foi, Meg?" ele disse de olhos bem abertos.

"Quero desfazer o mal-entendido de ontem." ela respondeu, tentando olhar nos olhos dele.

O olhar dele vagava pela sala. Depois do que pareceu uma eternidade para Megan, ele finalmente falou.

"Certo." ele resmungou, remexendo-se desconfortável e olhando para o chão. Ele chutou de leve o chão com o pé esquerdo e abaixou um pouco a cabeça. Ele levantou os fatais olhos azuis para ela. Ela sentiu seu coração pular. Ela ainda sentia muito por ele.

"Acho que você deve saber que namorei uma pessoa durante o verão," ela começou. Ele expirou audível e ela sabia que ele estava se chateando. Ela continuou, sabendo que tinha uns dois minutos para dizer tudo antes que ele parasse de escutar.

"Enfim, acho que você já sabe quem é pelo que aconteceu quando você fez aquela brincadeira ontem. Foi -"

"Ernie, é eu sei." Rony terminou por ela. "Mas você está falando como se fosse passado. Você ainda está namorando ele?" Rony olhou para ela com uma intensidade flamejante.

"Não, era isso que queria lhe dizer ontem. Nós terminamos no fim do verão."

Rony suspirou aliviado. Ele distraidamente molhou seu lábio inferior e colocou uma mão sobre o ombro dela.

"Não posso dizer o quanto estou aliviado. Quer dizer, eu estou muito desapontado que você namorou MacMillan durante o verão, mas fico tão feliz que não esteja mais namorando ele." o rosto dele estava muito mais relaxado.

Megan continuou séria. Ela precisava contar tudo antes que ficar tão relaxada quanto ele parecia. Aquela mão no ombro dela não estava ajudando.

"Rony, ouça por favor. Ainda não acabei."

Rony cruzou os braços e assentiu com a cabeça, estimulando que ela continuasse.

"Eu o namorei porque estava tentando esquecer você... e porque queria ver como seria namorar outra pessoa. Encaremos os fatos; a gente vem namorando e terminando desde os quinze anos, estava curiosa pra saber como seria namorar outra pessoa. Mas não deu certo porque não tinha nenhuma química. Depois de um tempo, Ernie e eu percebemos que somos melhores como amigos e terminamos amigavelmente. A razão de ter pensado que era Ernie ontem, foi porque ele vivia fazendo essa brincadeira durante o verão."

"Bem, isso com certeza explica muito." Rony disse. "É só isso?"

"Na verdade, não. Fiquei muito magoada e chateada que você ficou cheio de ciúmes e nervoso antes de falar comigo, Rony." Megan disse, tentando doar muito mais calma do que estava na verdade.

"O que queria que fizesse?" ele replicou, seu tom mudando em um segundo. "Você devia ver como o pessoal de sua mesa estava me olhando."

Megan franziu a testa com isso. Ela teve que clarear as coisas com vários de seus colegas de casa depois do Banquete de Abertura. Noticias de casais que se formavam viajavam depressa pela rede da Lufa-lufa. Pena que as noticias de rompimentos não corriam tão depressa.

"Eu já cuidei que todos soubessem da verdade. Ernie fez o mesmo."

"Certo, então o que isso significa para nós? Você quer voltar? Eu aceito, se você quiser." Rony disse, voltando a seu ar alegre, mais calmo. Ela estava amando Dr. Jeckyll e Sr, Hyde?

"Eu não sei, Rony. Seus ciúmes causaram problemas antes do verão, se lembra?" Megan não queria relembrar isso, mas era um grande problema e ela precisava discutir antes de considerar voltar com ele.

"Eu sei, Meg. Eu sei. Preciso trabalhar nisso. É só que... bem, deixa pra lá." Rony disse, seu rosto corando. Ele a encarou de novo.Ele estava dando aquele olhar de desculpas irresistível, que a fazia derreter.

"Não. Eu não vou deixar pra lá. diga, Rony. O que você ia falar?" Megan sentiu seu rosto corar na esperança que ele fosse dizer aquilo - que ele a amava. Ele já dissera antes, mas ela queria ouvir de novo.

"Me desculpe por ser tão ciumento. É só que gosto muito de você, Meg. Pensei em você durante todo o verão. Até pensei em te mandar uma coruja, mas lembrei que você me pediu pra não mandar. Mantive minha palavra, mas foi um longo verão sem você." O rosto dele estava sombrio; seus olhos meio desfocados. Megan sentiu seu coração descer para os pés. Ela não sabia que seu simples pedido o causara tanta dor.

"Oh, Rony." ela disse, colocando os braços ao redor dele. "Fico feliz que as aulas voltaram. Também senti saudades." Ele abraçou de volta, afundando o rosto no ombro dela. Ele se afastou um pouco e colocou o rosto perto do dela.

"Então, o que diz, Meg?" ele murmurou. "Quer tentar de novo?"

Todos os pensamentos racionais deixaram a mente de Megan e ela se perdeu na sensação de estar tão perto de Rony. Ela respirou fundo, sentindo o aroma doce que associava a ele. A sensação familiar de agitação em seu estômago tomou o controle enquanto ela respondia levando seus lábios aos dele.

A mochila dele caiu de seu ombro enquanto ele respondia ao beijo, movendo suas mão para repousar no quadril dela. Ele se afastou gentil. "Então, acho que isso é um sim." ele sussurrou, correndo seu indicador pelos lábios dela.

Suas mente e coração exaltados, Megan assentiu com a cabeça, sorrindo. Ela queria dançar de alegria. Ela tinha Rony de novo!

"Ótimo! Agora vamos para aula. Nós dois vamos pegar detenção se não nos apressarmos. Ah, eu já disse que amei seu cabelo assim?" Rony disse enquanto eles saiam da sala vazia de mãos dadas.

****

"O que você quer?" Harry perguntou, tentando não soar tão irritado quanto estava.

"Precisamos conversar." Maddie disse, de braços cruzados. Ele sabia que ela estava tentando parecer intimidadora pela postura bem ereta que ela tomou.

"Não tenho nada a lhe dizer, Professora." Harry respondeu, começando a ir embora. Isso não era completamente verdade. Ele tinha muito a lhe dizer, mas não se sentia com a liberdade de dizer agora que ela era Professora. Ele provavelmente seria expulso se dissesse o que realmente queria dizer.

Maddie deu a volta e ficou na frente dele. "Harry Potter, você vai falar comigo sobre isso. Não fique com raiva por uma coisa que fiz para proteger você."

Harry riu pelo nariz. Essa era boa. Ela claramente não compreendia completamente o que fizera a ele. Parte dele queria continuar andando, mas parte dele também queria ter certeza que ela não estava mentindo instantes atrás. Ele precisava saber a verdade. Ele não tinha escolha a não ser ceder e escutá-la.

Harry olhou para seus sapatos, depois para ela. Ela sorriu, corretamente interpretando o silencio dele como aquiescência.

"Primeiro, eu não vou pedir desculpas por minhas ações. Como disse antes, fiz o que devia pra protegê-lo."

Harry abriu a boca para protestar, mas ela levantou a mão. Ele fechou a boca e expirou impaciente.

"Agora me escute. Eu realmente gostei de te conhecer esse verão. Gostaria que pudéssemos continuar amigos, apesar de ser agora sua professora. Eu realmente gosto de você Harry. Por favor não fique zangado por não ter dito a verdade. Eu não podia. Teria ido contra ordens explicitas e talvez colocasse a missão em risco."

"Sim, mas..." Harry começou, mas de novo, ela não deixou que ele falasse. Isso estava ficando frustrante.

"E mais uma coisa. Sobre a noite do clube. Eu estava falando a verdade. Levei você de volta pra meu quarto e te coloquei na cama. Fiquei com o sofá. Eu nunca me aproveitaria de você! Primeiro- eu nunca dormiria com ninguém de meu trabalho, segundo - você é novo demais para mim, e terceiro - sabia que você estava com outra pessoa. Eu poderia dar outras razões, mas acho que você já me entendeu."

Ela olhou para ele bem séria. Apesar de não se parecer nada com ela, Harry se lembrou de McGonagall.

"Não tenho certeza se acredito em você. O jeito que agiu e o que você disse - falou de minha primeira vez e sobre escapadas- só faltou dizer que dormimos juntos."

Maddie olhou para ele com um sorriso condescendente. "Estava falando da primeira vez que tomou um porre, seu bobo. As escapadas foram suas aventuras no jogo da bebida naquela noite." Ela riu antes de continuar. "Acredite em mim, Harry. Se tivéssemos dormido juntos, você se lembraria. Acredite."

Harry virou os olhos por causa do comentário. "Se o que diz é verdade - e ainda não tenho certeza se confio em você o suficiente para acreditar - então como explica o fato que acordei em sua cama sem nada?"

"Você se ensopou de cerveja quando caiu no clube. Eu te levei para casa e dei as costas enquanto usava um simples feitiço Devesitas em você." Ela parou e Harry franziu a testa. Ele nunca ouvira falar desse feitiço. Maddie sorriu.

"É um feitiço bastante útil quando se está... bem, deixa pra lá. Tenho certeza que alguém vai te ensinar mais cedo ou mais tarde. Voltando à história, eu te levitei para cama- ainda de costas. Sabia que se lavasse suas roupas, você suspeitaria de algo, então deixei-as do jeito que estavam."

Harry podia sentir o alivio vagarosamente entrar em sua consciência. Ele tinha uma última pergunta antes de se permitir acreditar nela. Ele estava quase constrangido demais para perguntar, mas precisava saber.

"E os arranhões em minhas costas?" ele perguntou, quase desejando que não o tivesse feito quando ela começou a gargalhar.

"Oh, Harry!" ela disse cobrindo a boca. "Você realmente pensou... isso é tão engraçado!" ela estava quase gritando. Ela estava rindo às custas dele e ele um dia já a considerara uma amiga. Que piada.

Quando ela finalmente recobrou o fôlego, respondeu. "Você ganhou os arranhões quando te arrastei para fora do clube." ela engoliu com dificuldades, ainda se divertindo. "Não podia usar magia para te tirar de lá, então tive que usar força bruta. Não sei se já tentou arrastar uma pessoa inconsciente, mas não é uma tarefa fácil"

Essa era a última informação que precisava. Harry de repente sentiu o alívio correr por todo seu corpo. Ele não tinha dormido com ela! Ele não tinha traído Hermione! Ele mal podia esperar para encontrá-la e contar tudo.

"Harry?" Maddie perguntou, trazendo-o de volta para realidade.

"O que?"

"Você acredita em mim agora? Acredita que não dormimos juntos?"

"Sim, acho que acredito em você agora."

"Bom. Então não há razão para ficar com raiva de mim agora, não é? Podemos voltar a ser amigos agora, certo?"

Ela não podia estar mais errada. Ela achava que apenas por esclarecer o que ocorrera, ela deixaria tudo bem? Ainda havia mais.

"Eu era amigo de uma jovem chamada Maddie Smith, não você." Harry disse irritado. "Eu não sei quem você é." Ele cruzou os braços.

Maddie olhou para ele como se tivesse acabado de tomar um tapa. Apesar disso, ele continuou. Ele tinha que dizer exatamente o que pensava dela; não conseguia se conter.

"A pessoa que conheci não teria que fazer tudo isso para me convencer que eu não dormira com ela - o jeito que você agiu naquela manhã, Maddie! Você sabia o que estava fazendo, você podia explicar o que ocorrera, mas não o fez - e não diga que era parte de seu disfarce. Você podia ter inventado outra coisa. Podia ter me dito a verdade - que eu tinha desmaiado e que tomou conta de mim."

"Bem, você mereceu." Ela respondeu, equiparando a ira dele. "Você, mais que ninguém, devia ser mais cauteloso que ninguém, onde quer que vá. Você não devia se embebedar daquele jeito. Aposto que você nunca mais cometerá esse erro."

"Você está certa, não vou, porque nunca mais vou confiar em você de novo. Você sabe o que me fez? O que fez pra meu relacionamento com Hermione? Você parou para pensar sobre isso?"

Maddie apertou os olhos e falou devagar. Harry podia ouvir a sede de vingança em sua voz. "Eu fiz um favor a ela. Você nunca mais vai chegar tão perto de se perder."

"Ela pensa que a traí! Eu passei uma das piores noites da minha vida por causa de seu joguinho! O coração de Hermione está partido. Meu coração está partido. Isso também era parte de sua missão?" Ele estava quase gritando agora. Sua cabeça latejava e ele podia literalmente ver vermelho.

"Não acredito que você foi idiota o suficiente para contá-la!" Maddie gritou em resposta. "O que você é, um tipo de cachorrinho apaixonado?"

"Acho que deve ser muito difícil para alguém como você entender como funciona o amor verdadeiro." Harry disse, abaixando a voz. Toda a dor que sentira na noite anterior estava voltando agora e diluindo a raiva que sentia. Seu coração doía e ele queria ir até Hermione e dizer o que acontecera.

"O que quer dizer com isso?" Maddie respondeu, as mãos na cintura. Ela claramente se ofendeu com o ultimo comentário.

Harry olhou para baixo enquanto respondia. Ele queria que essa conversa acabasse. Não ia levar a nada e ele ia dizer coisas que talvez se arrependesse depois. Na verdade, ele provavelmente já tinha dito.

"Nada. Esqueça. Eu não te conheço mesmo, então não posso dizer nada."

Maddie ainda estava furiosa. A bota esquerda estava batendo freneticamente no chão de pedra do corredor, e os lábios dela pareciam que tinham acabado de tocar um limão muito azedo.

"Toda essa coisa de 'não te conheço' é besteira. Você me conhece. Passamos um verão inteiro trabalhando juntos."

"Até onde sei, professora, a última vez que vi Maddie foi no clube, na noite anterior a minha partida para Hogwarts. Tchau, professora." E com isso ele foi embora, sentindo os olhos dela fulminando suas costas.

Ele nunca a chamaria de novo pelo primeiro nome.

****

Maddie ficou em pé olhando Harry partir. Ela mordeu o lábio. Às vezes ela realmente odiava seu trabalho e o que ele a levava a fazer. Às vezes ela se odiava ainda mais. Virando-se, ela encontrou Alastor logo atrás dela. Ela fingiu que soube que ele estava ali o tempo todo. Nunca os deixe saber que te surpreenderam. Sempre pareça fria e composta não importando o que está sentindo - Regra Maddie Monroe número quatro.

"Oi, Alastor." ela falou. "Que encontro, hein?"

Ele franzia o cenho. "É. Queria que você tivesse se comportado, Maddie. Você realmente maltratou esse garoto."

"Ele vai sobreviver." ela disse tensa. "Além disso, acho que mostrei boa contenção. Poderia ter feito a manobra padrão da Auror Monroe e ele estaria bem pior - e eu ainda estaria dentro dos limites legais. Ele já é maior."

Moody balançou a cabeça. "Se você está falando daquele Pó Confundus que você inventou, talvez não funcionasse nele. Estamos falando do garoto que resistiu à maldição Império de Voldemort. Ele não é um bruxo comum."

Maddie sorriu para Moody. Ele era terrível em poções e química mágica. Ele ainda não entendia muito sua invenção e como funcionava.

"Quantas vezes vou ter que dizer a você? Não usa Império. Emprega uma combinação de um feitiço de memória e um feitiço confundus muito forte. Quando usei no passado, até mesmo os bruxos de mentes mais fortes se convenceram que fizeram o que sugeri. Eles se lembravam exatamente do que plantei em suas mentes, com cada detalhe. Me tirou de várias confusões, meu querido Pó Confundus. Apenas um pequeno espirro no rosto e eles acreditam no que quer você diga. Você não acredita que realmente dormi com todos aqueles homens que capturei, não é?"

Moody se remexeu desconfortável. Ela podia dizer que ele não tinha certeza se acreditava nela. Bom. Sempre os mantenha na dúvida.

"Só espero que tenha o juízo de não trazer nada daquela coisa para Hogwarts." Moody resmungou, em seu tom de advertência.

Ela não respondeu. Recusava-se a mentir a qualquer um que respeitasse tanto quanto Moody. Claro, ela ocultava a verdade; mas dizer uma mentira não era para ela.

Seu silêncio era sua resposta.

"Bem, tenho que ir." ele disse desconfortável. Ela deu passagem para ele. Pelo jeito que ele estava andando, sua perna estava incomodando-o mais que o normal. Talvez ela pedisse que Madame Pomfrey fizesse algo para ele e mandasse para seu quarto na ala de hóspedes.

Maddie foi na direção inversa de Moody, parou por um momento, olhando para trás dela, para algo branco que entrou e saiu rapidamente na sua visão periférica, por menos que um milisegundo. Ela imaginara isso? Já ia investigar quando lembrou que ainda precisava se acostumar aos sons e visões de Hogwarts. Continuou seu caminho, pensando que esse seria um ano bem interessante.

Enquanto seus passos morriam, Draco Malfoy suspirou aliviado, um olhar de determinação em seu rosto. Graças à nova professora de Defesa Contra Artes das Trevas, ele agora tinha um plano que poderia usar em último caso.

*****

Harry chegou muito atrasado à aula de feitiço, o Professor Flitwick olhando para ele como se já esperasse. Ele imaginou se Dumbledore o avisara que Harry chegaria tarde.

Ele foi até a mesa vazia mais próxima e sentou. Enquanto tirava seu livro, "O Guia Definitivo para os Feitiços Mais Avançados", ele procurou por Hermione na sala. Ela estava sentada na mesa mais próxima de Flitwick, concentranda em cada palavra que ele dizia. Parecia que ela não notara sua chegada. Harry passou o resto da aula olhando para ela e contando os minutos para o fim da aula.

Quando a aula finalmente acabou, ele enfiou os livros na mochila e correu para ela. Ela estava ocupada guardando seus pergaminhos, livros e penas e não olhou para ele quando falou.

"Está tudo bem? Você se atrasou para aula."

Ele colocou a mão na dela e ela parou o que estava fazendo. Ela olhou para ele, encontrando seu olhar, o estômago dele de repente tremeu desconfortável.

"Tenho algo muito importante pra te dizer e não pode esperar." ele disse com urgência.

Ela assentiu com a cabeça, terminou de guardar seu material e o seguiu para fora da sala.

****

Assim que saíram da sala de feitiços, Harry segurou a mão dela. Ela não resistiu, mas queria. Ainda se sentia muito traída e magoada com o que ele tinha feito. Mas ela sabia que ele tinha algo importante a dizer e não queria perder tempo discutindo se ele podia ou não segurar a mão dela.

Harry parou de repente, com a expressão muito intensa. Ele a puxou para um canto corredor que estava cheio de alunos passando para o almoço.

"O que é, Harry?" ela perguntou, começando a ficar preocupada e irritada.

"Pensei que eu pudesse esperar até quando estivéssemos sozinhos, mas não consigo. Preciso te dizer agora, antes que eu exploda. Eu não dormi com Maddie." ele disse, com os olhos arregalados. Ele lambeu os lábios, nervoso.

Hermione sentiu a respiração presa na garganta. Seu queixo caiu e ela sentiu lágrimas coando em seus olhos. Ela desejava desesperadamente que ele estivesse dizendo a verdade.

Ele olhou para ela, seus olhos verdes brilhando de ansiedade. Ela olhou profundamente neles, sabendo que lá poderia encontrar o que queria saber. Ele não estava mentindo. Ela começou a chorar histericamente.

Quando ela se deu conta, ele tinha colocado os braços dele a seu redor e a puxado para si. Ela soluçou contra o peito dele por um tempo, sem se importar com mais nada a não ser o que ele acabara de dizer. Ele acariciou os cabelos dela e ela teve a impressão de ter sentido-o temer uma ou duas vezes.

O contato entre eles combinado com seu choro, estavam deixando-a quente. Ela olhou para ele, lágrimas ainda escorrendo livremente por sua faces. Ele sorria para ela, com amor em seus olhos. Ela procurou um lenço em sua mochila, e o viu segurando um na frente dela, um olhar de desculpas em seus olhos.

"Lamento muito por tudo isso." ele disse.

Hermione respirou fundo. Ela precisava retomar algo que pelo menos parecesse autocontrole antes de poder falar. Tudo o que conseguiu fazer foi dar um pequeno sorriso. Ela secou os olhos e assoou o nariz. Ela começou a se sentir melhor.

"Temos.. ir... lugar privado." ela se ouviu dizer. Sem outra palavra, ele tomou a mão dela nas suas e a guiou pelo corredor. Ela o seguiu; milhões de pensamentos giravam em sua mente fazendo-a sentir um pouco zonza. Ela tinha tantas perguntas que precisavam de respostas.

Depois de alguns minutos, ela levantou os olhos e viu que eles chegaram ao retrato da mulher gorda. Harry falou a senha e eles entraram. O salão Comunal estava quase vazio. Como sempre faziam desde que Hermione era monitora, eles foram para caminhos distintos, Harry correndo pra seu dormitório para buscar sua capa da invisibilidade e voltar para o quarto dela.

Enquanto esperava pela leve batida de Harry, Hermione teve tempo para avaliar como se sentia sobre o que acontecera. Seu primeiro sentimento era de felicidade - ele não a traíra! Mas ela também estava cheia de dúvidas.

A revelação que Maddie era a nova professora de Defesa Contra Artes das Trevas naquela manhã foi tão chocante. Ver essa mulher pela primeira vez e sabendo o que ele fizera com Harry quase deixaram Hermione num estado catatônico. Não ajudava o fato dela ser uma caricatura do desejo sexual de todo adolescente -ao menos pelo que Harry e Rony disseram depois de algumas cervejas amanteigadas uma noite.

Mas não era a aparência de Maddie que levantava dúvidas em sua mente. A questão que infestava sua mente neste momento era como Harry podia ter tanta certeza que nada acontecera entre eles. Claramente ele devia ter falado com Maddie sobre o que ocorrera e ela o convenceu que eles não dormiram juntos. Claramente ele acreditava nela - seus olhos nunca mentiam. Mas como eles poderiam ter certeza? Ele podia confiar que Maddie não estava mentindo para proteger-se?

Hermione suspirou, a respiração de repente presa no peito quando ela percebeu uma coisa: eles nunca teriam certeza absoluta. A única maneira de descobrir seria segurar a Professora Monroe e dar Veritaserum a ela. Já que ela não achava que teria chance de fazer isso sem ser expulsa, Hermione rapidamente tirou esse pensamento da cabeça.

Começou a incomoda-la o fato de Harry ter concluído precipitadamente que dormira com Maddie. Pelo que ele tinha dito, havia provas que levavam a essa conclusão - mas essas provas seriam esquecidas se ele não abrigasse algum desejo por ela, mesmo num nível subconsciente?

Hermione se assustou ao ouvir Harry batendo à porta. Ela foi até lá e a abriu, sabendo que ele estava passando por ela. Ela fechou a porta e ele tirou a capa, o rosto dele brilhando com o sorriso que sempre a deixava com vontade de beijá-lo.

"Trouxe um lanche pra enganar o estômago até que possamos ir almoçar." ele disse animado, segurando pedaços de bolo de caldeirão.

"Boa idéia." ela disse distraída. Ela não conseguia tirar da cabeça a imagem de Harry acordando na cama de outra pessoa - mesmo que ele não tivesse dormido com ela.

Harry deve ter notado o quanto ela estava distraída, porque colocou o bolo na mesa dela e segurou sua mão, a puxando pra sentar na cama. Ele virou para ela e a olhou em seus olhos.

"Antes de começarmos, tem uma coisa muito importante que preciso lhe dizer." Ele estava bastante sério, como se tivesse preparado o que ia dizer a ela. Hermione começou a ficar nervosa, pensando o que viria agora. Ele pegou a mão dela e colocou sobre o coração dele.

"Dou minha promessa que nunca, jamais, vou fazer você passar por isso de novo." Ele disse, sua voz firme, seus olhos verdes, intensos concentrados nos dela. Ele puxou a mão dela para seus lábios e beijou seus dedos.

Hermione sentiu o coração bater descompassado enquanto ela balançava a cabeça em compreensão.

"Agora, sei que você deve ter milhares de perguntas, então deixa eu contar tudo. Certo?" ele levantou sua mão direita para tocar a face dela. Ele parecia que ia beija-la, mas não o fez. Ele abaixou a mão e sorriu, esperando a resposta.

"Acho que tudo bem." ela sussurrou, se perdendo nos olhos dele. Ela sentiu tanta saudade.

Ele começou a narrar a discussão na sala de Dumbledore e a conversa seguinte com Maddie. Ela fez algumas perguntas quando elas surgiram e as respondeu prontamente. No fim, ela sentia como se ele tivesse contado cada detalhe do que ocorrera naquela noite e como ele foi enganado. Ela não questionou os fatos; ela aceitou que ele acreditava que aquilo era a verdade.

"Então, você me perdoa por ter feito você passar por tudo isso?" ele perguntou, sua expressão cheia de ansiedade.

"Claro que te perdôo." ela respondeu. Essa parte era fácil. Ele suspirou aliviado.

"Fico tão feliz que isso tudo tenha acabado." ele disse sorrindo largamente de novo. "Me lembre de nunca mais beber enquanto viver! Acho que não sobreviveria àquilo de novo!"

Hermione riu nervosa. Ela sentia um pouco do alívio transparente nos olhos de Harry, mas em algum lugar ela ainda sentia como se algo estivesse errado. Foi quando ela descobriu. Ela não sabia se ainda confiava nele. Como ela podia saber se ele não ia magoá-la novamente? Ela precisava dizer isso a ele e precisava ser agora.

"Harry, também fico feliz que isso tenha acabado, mas ainda me sinto estranha com tudo isso." ela começou, tropeçando nas palavras. Harry ficou sério de repente.

"Por que? O que está errado?"

Hermione não sabia exatamente como dizer isso, mas ela falou do melhor jeito que pôde, "Como vou saber realmente se você não dormiu com ela?"

Harry franziu a testa. "Eu sei," ele disse, "também pensei nisso. Acho que vou ter que aceitar a palavra dela. É a única coisa que posso fazer para não enlouquecer com isso." ele correu os dedos pelo cabelo, cansado.

A parte de Hermione que era a melhor amiga de Harry de repente despertou e começou a sentir pena por ele. Aquela bruxa horrível o torturara tanto. Hermione decidiu naquele instante que a odiaria. Mas isso não mudava o fato de Hermione ser também namorada dele. Ela precisava seguir seu coração pelo bem dos dois.

"Ela é uma pessoa horrível por ter feito isso a você." ela disse.

"É. Bem, eu me enganei sobre ela, com certeza." Harry disse, encontrando os olhos dela, a preocupação estampada em seu semblante.

Hermione respirou fundo antes de continuar. "Acho que vamos precisar de um tempo antes que as coisas voltem ao normal para nós."

Harry pulou da cama. "O que quer dizer?"

"O que quero dizer é que acho que devemos ir devagar. Precisamos reconstruir a confiança que foi prejudicada com o que aconteceu."

Ela viu que ele não entendera.

"Mas, Hermione, eu não dormi com ela!" ele disse enfático.

"Mas achou que era capaz, não foi?"

"Você sabe que eu nunca te trairia Hermione." ele disse. Seus olhos brilhavam com uma intensidade flamejante. "Eu te amo."

"Eu sei que você me ama, Harry - e eu também te amo. Mas continua o fato que você estragou nossa confiança mútua ao se embebedar e acordar na cama de outra mulher. Por mais inocente que ela faça parecer, você fez uma coisa que colocou tudo em risco."

Harry olhou para ela, claramente sofrendo muito. Ele abaixou a cabeça, olhando para seus pés.

"Então, o que quer dizer, Hermione? O que isso significa pra gente?" ele olhou para ela de novo, encontrando os olhos dela com os seus.

"Significa que precisamos ir devagar e reconstruir nossa confiança. Talvez devêssemos reconsiderar os planos para meu aniversário até que estejamos completamente recuperados disso." ela respondeu com a voz trêmula.

Os olhos dele lacrimejaram, mas ele continuou a encará-la. "Isso é um castigo?"

"Não. É só que antes de levar as coisas para o próximo nível, quero ter certeza que está tudo certo entre nós. Não quero apressar as coisas por causa de uma data marcada na agenda. Quero que seja certo. Quero que seja especial." Ela estava sussurrando tão suave, que teve dúvidas se ele estava escutando.

Ele tomou as duas mãos dela e sentou na cama junto a ela. Dando um olhar que derreteu seu coração, ele respondeu devagar e firme. "Vai ser Hermione. E se você precisa de um tempo antes de se sentir pronta, é sua escolha e eu respeito isso. Eu não concordo, mas respeito. Saiba que estarei pronto pra fazer amor com você assim que você esteja pronta. Eu esperarei para sempre se precisar."

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