Estava escuro e frio quando Edwiges acordou Harry na manhã seguinte. Ele precisava de um despertador para as 5 da manhã para poder se aprontar para corrida e ganhar os créditos extras de Defesa Contra Artes das Trevas.
Na noite anterior, Hermione disse que decidiu participar do programa de corridas e que esperava que seus dois amigos fossem com ela. Rony recusou inicialmente. Ele dissera que não tinha interesse em ter notas altas em Defesa Contra Artes das Trevas. A sua determinação diminuiu quando Hermione compartilhou com eles sua preocupação da professora Monroe não ser justa nas notas – e talvez tentasse reprová-los em retaliação pelo o que acontecera com Harry. Isso deixou os três num silêncio pensativo, que acabou com Rony concordando. Tanto ele como Harry concordaram em correr como experiência nas próximas semanas.
Então Harry foi até a cama de Rony e o acordou. Ele resmungou algo incoerente e rolou na cama. Harry virou os olhos. Rony nunca fora uma pessoa matinal, e ele duvidava que os últimos eventos fossem mudar isso. Harry tinha a vantagem da experiência de ter que acordar cedo para ir trabalhar na sorveteria, então acordar tão cedo não o incomodava tanto.
Eles se vestiram em silêncio, se batendo na meia escuridão. Rony fez quatro tentativas antes de conseguir amarrar o tênis direito. Ainda esfregando os olhos, eles desceram as escadas do dormitório masculino e entraram no salão comunal da Grifinória. Mais ou menos uma dezena de Grifinórios de vários anos estavam sentados esperando outros se aprontarem para que pudessem ir para o Salão Principal. Maddie devia ter se assegurado que todos alunos fossem notificados sobre a chance de credito extra, mesmo sem ter dado aula a todas as turmas.
Os companheiros de casa de Harry pareciam muito cansados e sem entusiasmo com a tarefa que tinham pela frente. Alguns os cumprimentaram quando eles entraram, mas a maioria continuou olhando para o carpete Oriental que adornava o chão do salão comunal. Harry olhou para Rony, querendo compartilhar o quanto achou essa cena engraçada. Rony deu um grande bocejo e esticou os braços acima da cabeça.
"Onde está Her-mio-ne?" Rony perguntou entre outro bocejo.
Harry sentiu algo batendo em seu ombro esquerdo, antes que pudesse responder. Ele virou-se e a viu atrás deles. Ela usava um casaco vermelho, calças pretas e tênis brancos. O cabelo dela estava preso num rabo – o que caiu muito bem. Mostrava mais a curva do pescoço dela, uma parte que Harry gostava bastante de beijar nos momentos mais apaixonados deles. Ele sorriu e se inclinou para dar um selinho nos lábios dela. Ela sorriu para ele doce, os olhos caídos dela revelando o quanto ela estava cansada.
"Bom dia," ela disse suave. "Já disse o quanto estou grata que vocês estão nessa comigo?" ela deu um sorriso exagerado.
"É, você disse algo sobre isso, mas não custa ouvir de novo," Rony brincou. Hermione riu e deu um murro no braço dele.
"Isso provavelmente vai ser bom para a gente," Harry disse, tomando a mão de Hermione na sua e tentando reunir algum entusiasmo. "Além disso, vai nos dar a chance de conversar, sem a interferência de quadribol, tarefas de monitora-chefe ou Megan."
"É, pena que ela não vai correr com a gente," Rony disse abafando outro bocejo, enquanto eles iam até o Salão Principal. "Mas você está certo, Harry. Boa chance para conversar – se pudermos falar enquanto corremos. Não sei vocês dois, mas não sou bom corredor. Sou regular, mas não muito bom. Gui e Gina são os dois com talento para correr na família."
"Fizemos um treino cardiovascular no acampamento de verão. Mas estou com você, Rony, tem muita gente melhor que eu em corrida," disse Hermione, um pouco ansiosa.
"Cardiovas- o que?" Rony perguntou, fazendo uma careta de confusão.
"Cardiovascular," Hermione corrigiu enquanto eles continuavam andando. "Relacionado com as funções do coração e pulmões. Honestamente! Eles deviam ensinar disciplinas trouxas como Biologia aqui."
Ela olhou para Harry pra ver se ele concordava. Ele riu e virou para ver a de onde vinham os passos que se aproximavam atrás deles.
"Ei, vocês três! Esperem!" era Gina. Ela corria depressa até eles, quase tropeçando de entusiasmo.
Os três pararam e esperaram alguns segundos até que ela os alcançou. Ela estava vestida de um jeito parecido com o de Hermione, exceto que o casaco dela era verde e os tênis dela estavam velhos e usados. O cabelo dela estava seguro com um elástico. Seus olhos azuis estavam bem abertos e seu rosto estampava um amplo sorriso.
"Por que vocês três estão tão sérios? Hora de correr! E está uma linda manhã também! Vamos lá, aposto uma corrida com você até o Salão Principal, Harry!" Gina disse, sua voz muito animada.
"Talvez outra hora, Gin," Harry respondeu. "Quero economizar energias para corrida de verdade."
"E você, Hermione? Aceita? Não vou nem perguntar ao Rony, ele nunca corre comigo na Toca. E aí? Vamos mostrar aos garotos de que somos feitas!"
Harry sentiu os ombros de Hermione ficarem tensos perto dele. Ela não gostava de recusar um desafio, implícito ou não, mas ele sabia que ela provavelmente ia recusar esse. Ele estava certo.
"Não dessa vez, Gina. Onde está o resto do pessoal do sexto ano da Grifinória? Tenho certeza que um deles vai apostar com você," Hermione respondeu.
Gina embirrou. "Não consegui convencer nenhum a vir comigo. Acreditam? Quem não gostaria de correr numa manhã como essa? Fico feliz em poder ganhar crédito extra por uma coisa que sempre fiz mesmo."
"Preguiçosos," Rony resmungou. Hermione olhou para ele e depois olhou para Harry tentando conter o riso. Ele riu como quem sabia. Hermione falara com ele e Rony sobre sua preocupação com a turma de Gina. Pela pouca representação essa manhã, eles com certeza mereciam a reputação de serem uma das turmas mais relaxadas que Hogwarts já vira.
"Você está sempre tão animada durante as manhãs, Gin?" Harry perguntou, quando eles entraram no Salão Principal.
"Desde que fez catorze anos, ela acorda cedo todo o dia pra correr," Rony respondeu, "Estou dizendo, ela e Percy herdaram os genes 'estamos vivos e irritantemente cheios de energia de manhã'. Nós outros herdamos os genes 'estou miserável, mas vou tentar suportar a manhã o melhor que puder'. Isso não se mistura bem na mesa do café da manhã. Tive que bater em Percy uma vez por sugerir que eu tentasse tomar banho antes de descer pra tomar café. Que cara chato!"
"Bem, vejam isso. Por que estão todos reunidos na mesa?" Hermione perguntou. Eles tinham chegado ao Salão Principal, cheio de estudantes perto da cabeceira da mesa da Sonserina. Maddie estava sentada ali, claramente gostando de ser o centro das atenções. Ela estava rindo e conversando com alguém que Harry não pôde ver quem era.
"Claro que ela ia nos fazer ir até lá. Já começou o favoritismo," Rony falou irritado. Hermione e Harry se entreolharam. Ele estava certo. Ela disse que era a favor dos sonserinos, mas um professor sentar à mesa dos alunos era algo sem precedentes. Apesar de não ser uma refeição oficial, isso deixava bem claro a quem Maddie era leal.
"Não seja tão dura com ela, Rony," Gina disse, recebendo um olhar dele, Harry e de Hermione. "O que?" ela disse defensivamente ao ver a reação deles.
"Nada!" Rony respondeu rapidamente. "Queria saber por quanto tempo vamos correr." Gina levantou as sobrancelhas, ainda curiosa, mas deixando isso de lado.
Eles se juntaram ao grupo de estudantes. Harry agora podia ver com quem Maddie ria daquele jeito; era Malfoy. Era de se esperar que ele fosse atraído por ela como uma abelha para o mel. Harry notara a semelhança dela com Malfoy quando a conhecera no verão. Enquanto Harry observava, Maddie esticou a mão e a encostou no braço de Malfoy, rindo de algo que ele dissera. Era de se esperar que ela não fosse deixar uma coisinha como a relação professor/aluno atrapalhar seu flerte, Harry pensou irritado.
Levantando de seu lugar momentos depois, ela chamou os alunos para que se reunissem ali. "Parabéns," ela disse, falando com eles, "vocês deram o primeiro passo em direção a uma vida mais longa. Eu aplaudo especialmente aqueles que ainda vão me conhecer oficialmente na sala, mas tomaram a boa decisão de se juntar a nós. Agora, me acompanhem se puderem!" sem dizer mais nada, ela partiu.
Todos correram atrás dela, tropeçando um pouco na porta, depois se espalhando no campo. A luz começava a aparecer numa colina distante, dispersa apenas pela neblina densa que se fixara ali durante a noite. A primeira respiração de Harry do ar matinal foi fria e úmida. Ele ouviu Hermione tossir a seu lado e olhou pra ver se estava tudo bem. Ela estava olhando determinada para frente, seus olhos focalizados na nuca da professora que estava impondo um passo muito rápido para a primeira manhã.
Depois de alguns minutos correndo em silêncio, Rony falou. "Já viram aquilo?" ele disse, ofegando bastante. Ele levantou a mão e apontou para frente do grupo. "Olhem quem está correndo com ela."
Harry apertou os olhos para ver o que Rony estava falando. Tinha um aluno de cada lado correndo com Maddie. Um era Gina, o que não surpreendia Harry, considerando o que Rony dissera mais cedo sobre as habilidades de corrida dela. Mas o outro aluno o surpreendeu ao mesmo tempo que o irritou. Era Malfoy.
"Ah, ótimo!" Rony disse. "Ele também sabe correr. Que inferno."
"Eu não sabia que ele se exercitava. Não esperava que a família dele valorizasse uma atividade tão Trouxa. Talvez eles não saibam disso," Hermione ponderou, a voz apertada por causa do esforço da corrida.
"Queria saber como ela está suportando aqueles dois," Harry disse, seu rosto ficando tenso ao pensar em Gina exposta a essa ameaça.
"É," Rony disse entre sua respiração ofegante, "talvez devesse falar com ela depois. Não a quero andando com essas pessoas."
Harry olhou as costas dos três que lideravam o grupo e viu Maddie dando uma cutucada com o ombro de brincadeira em Gina. Era melhor Rony dizer algo a Gina, Harry pensou, ou eu mesmo falarei.
******
Gina apertou o elástico na cabeça enquanto mantinha o passo com a professora Monroe. Ela estava muito satisfeita de poder correr numa velocidade que era confortável pra ela. A professora Monroe parecia impressionada por sua habilidade de acompanhar. Isso, aliado ao fato dela estar ganhando pontos extras numa aula que ela freqüentemente achava desafiadora, devia ter feito o dia dela. E era isso que aconteceria se Draco Malfoy não estivesse correndo com ela e a professora. No inicio, ela tentou ignorá-lo.
"Então, parece que você é boa em outras coisas além de choramingar e em ser um estorvo, Weasley," Malfoy caçoou.
Gina não respondeu. Ele era uma das poucas pessoas que podiam realmente assustá-la. A mente dela não conseguiu formular nenhuma resposta adequada e começou a ter a sensação familiar de pânico. Desde sua experiência no primeiro ano, ela freqüentemente se achava ansiosa com qualquer coisa ou qualquer pessoa que a lembrasse da maldade pra qual ela quase se perdeu completamente.
Lúcio Malfoy, bem conhecido como apoiador de Você-sabe-quem, foi quem colocou o diário de Tom Riddle nos livros de Gina, acionando uma reação em cadeia que quase culminou na morte dela. Apesar de Draco nunca ter feito nada contra ela pessoalmente, ele era o filho de um bruxo terrível.
"Parece que alguém está começando a cansar, não é, Gina?" a professora Monroe disse, olhando maliciosamente para Gina, depois apontando com a cabeça pra direção de Draco. Com grande esforço, Gina olhou para o bruxo que ela detestava desde que ouvira as histórias de Rony sobre ele depois de seu primeiro ano.
Ela riria junto com a professora não fosse a sensação estranha que teve quando olhou pra ele. Algo nele fez o interior dela se agitar involuntariamente. Confusa pelo fato de Malfoy parecer estar causando essa estranha sensação nela, Gina não conseguia desvia o olhar.
O rosto normalmente pálido dele estava corado por causa do frio matinal e do exercício da corrida, o que o fazia parecer muito menos frio e insensível. O cabelo platinado, normalmente penteado para trás, parecia mais macio. A franja espalhava-se na testa, algumas mechas flutuando na corrente de ar gerada na corrida. Ao invés do sorriso sarcástico que geralmente usava, os lábios dele ficavam abrindo e fechando enquanto ele expirava pela boca e inspirava pelo nariz, ocasionalmente molhando os lábios com a língua. E depois os olhos dele. Normalmente, estreitados e cheios de malicia, eles estavam estranhamente serenos, a cor cinza refletindo a neblina que os envolvia enquanto corriam.
"Tá olhando o que, Weasley?" Draco cortou quando a viu olhando.
Gina rapidamente desviou o olhar, sentindo o rosto corar de vergonha. ela sentiu a professora Monroe olhar pra ela também.
"Ela provavelmente não quer perder você desmaiando de exaustão, Draco," a professora respondeu por ela. "Parece que você está ficando sem ar. Talvez devesse ir para trás com os outros."
Gina agradeceu silenciosamente a Professora por salvá-la da explicação do porque estava olhando como uma estudante que ia desmaiar para o filho de um dos inimigos declarados de seu pai.
"Não se preocupe comigo, Professora. Só preciso de alguns dias antes de poder ultrapassar vocês duas," Draco respondeu, olhando ameaçador para Gina.
Ela fingiu não notar; tentava ignorá-lo. Distraída pelo castigo silencioso em sua mente, ela involuntariamente aumentou o passo.
"Acho que ela está te punindo por esse olhar feio, Draco. É melhor se desculpar, ou estarei te arrastando para a ala hospitalar daqui a pouco," a Professora disse rindo.
"Eu raramente me desculpo por minhas ações," Draco respondeu friamente, respirando com dificuldades, "e nunca desperdiçaria um pedido de desculpas numa bruxazinha amante de trouxas, pobre e ignorante que passa o tempo olhando para o Potter com o olhar estrelado cheio de admiração."
A Professora Monroe encostou em Draco e sussurrou algo pra ele, que balançou a cabeça devagar. Gina não disse nada. Ela estava cheia por uma mistura de humilhação, raiva, medo e vergonha para formular uma resposta. Estreitou os olhos, apertou os lábios e continuou a correr forte, percebendo que seu plano de ignorar Malfoy falhara.
Ela ficou aliviada quando eles subiram o morro voltando para o castelo.
****
"Me diga, Gina," a professora falou quando eles terminaram e começaram a esfriar, "Por que deixa que ele fale com você desse jeito?"
Ela colocara um braço sobre o ombro de Gina e a levara para longe dos alunos que voltavam para o castelo depois da corrida.
"Se você está se referindo ao jeito que Malfoy estava me tratando, bem, eu já estou meio acostumada, professora," Gina respondeu.
"Você nunca deve se acostumar com as pessoas te destratando," a professora falou séria, "e você deve deixar bem claro que esse tipo de comportamento é inaceitável. Nunca deixe ninguém falar com você daquele jeito. Não seja a vitima. Essa é uma das primeiras lições de defesa pessoal. Entendeu?"
Ela pega de surpresa pelo tom da professora. Parecia quase com raiva porque Gina não respondera a Malfoy pelo tratamento que ele dera a ela. Lutou para chegar uma explicação do porque ela o deixava tratar dessa forma e não conseguiu. Ela respirou fundo.
"Entendo, professora. Mas o problema é que tenho medo dele. Ele é uma má pessoa, e me assusta," Gina disse olhando para a professora.
A Professora Monroe parou de repente e virou para olhar Gina bem nos olhos, uma mão em cada ombro.
"Você precisa superar seus medos. Não deixe que eles te superem. Essa é a chave para Defesa Contra Artes das Trevas."
"Mas como?"
"Simples. Encare seus medos diretamente. É o único jeito."
"O que? Ir e discutir com ele? É isso que quer dizer?" Gina estava perplexa que um professor sugerisse isso.
"Por que não? Mostre que ele não pode te tratar desse jeito. Responda aos insultos sem descer ao nível dele. Pegue-o de surpresa agindo de um jeito que ele não esperava. Faça com que ele jogue seu jogo, não o dele. Nunca mostre medo. Nunca," a professora falou intensamente.
Gina baixou a cabeça, balançando em duvida. "Não acho que possa fazer isso. Nem sei o que diria. Ele me faz sentir com tanto medo – como se estivesse de volta à Câmara e não pudesse sair."
A professora começou a andar de novo, colocando o braço protetor ao redor de Gina e puxando-a junto. "Sei o que passou, Gina. Li tudo sobre isso. Tudo o que posso dizer, ou ensinar é que você precisa se esforçar para superar seus medos agora. Quanto mais esperar, mais difícil ficará."
Foi Gina quem parou dessa vez.
"Me diga o que fazer. Não quero mais me sentir assim. Não posso fazer isso às cegas, preciso da ajuda de alguém," Gina falou, sentido-se tremer. Não sabia se era do ar frio da manhã ou a reação de seu corpo à corrida, ou o frio interno que sentiu com a idéia de encarar seus piores medos.
"A primeira coisa que você deve fazer é identificar seus medos. Escreva-os se for necessário – só não use um diário estranho," a professora brincou. Elas riram antes de continuar.
"Depois tem que fazer um plano de como superar cada um. Eu acho que exposição ao que te dá medo uma boa forma de supera-lo. Venha me procurar se não achar um plano para algum."
Ela olhou para Gina e sorriu, "Então, por exemplo, se você quer superar seu medo de Malfoy, deve continuar correndo conosco. Responda a ele ao invés de ficar em silêncio. Ganhe dele em seu próprio jogo e faça com que ele jogue o seu. Como já disse, não desça ao nível dele, mas mostre do que você é feita."
"Não sei se consigo fazer isso. Não estou acostumada a dar respostas rápidas e jogar esses jogos. Essa não sou eu," Gina respondeu.
"Você tem irmãos, não é?" a professora perguntou.
"Sim, seis."
"Bem, tenho certeza que com seis irmãos, você aprendeu muito sobre ser irritada e como fazê-los parar. Use isso em sua vantagem. Pense nele como um irmão irritante ao invés de um inimigo assustador."
"Hmmm. Nunca pensei desse jeito," Gina falou. "Acho que vou tentar. Obrigada, professora." Ela sorriu entusiasmada.
"Fico feliz em ajudar," a professora respondeu, sorrindo. Elas chegaram ao castelo e estavam indo para o Salão de Entrada. "Vejo você na aula." Ela acenou e foi pelo corredor a frente delas enquanto Gina subia as escadas, mentalmente listado o que ela tinha medo.
Quando Gina entrou no quarto, tinha uma sensação de poder que nunca experimentara antes. A professora Monroe acordara algo dentro dela. Ela pertencia à casa da bravura, afinal, e ia provar isso, mesmo que a matasse.
*******
"Acho que estou começando a ter outros motivos para odiá-la," Hermione disse, amargurada, pegando outra garfada de queijo cottage.
"Você não precisa seguir as restrições da dieta, Hermione. Você não precisa de tanto crédito extra assim, precisa?" Rony respondeu, enchendo seu prato com ovos mexidos.
Hermione deu seu olhar McGonagall, o que o fez se calar imediatamente. Ele olhou para Harry e deu os ombros. Harry colocou a mão sobre a boca para abafar uma risada.
"Correr tão cedo devia ser ilegal," Hermione disse bocejando. Ela largou o garfo com queijo cottage e olhou faminta para o prato de Rony.
Harry largou o Profeta Diário do qual lia o pequeno artigo sobre o novo compromisso da Auror Monroe como nova professora de Defesa Contra Artes das Trevas. Era um artigo muito chato e não revelava nada sobre ela. Ele olhou rapidamente para a mesa da Sonserina, notando que ela estava sentada com eles de novo.
"Então não gostou da corrida?" ele se aproximou e perguntou a Hermione.
Ela bocejou de novo. "Eu acho que meu corpo não foi feito para realizar atividades físicas tão cedo."
"Bem, que pena, Hermione," uma voz provocadora veio de trás de Harry. Era Malfoy. "O sexo matinal com certeza é o melhor."
"Ugh," ela disse, seu rosto contorcendo de nojo. Harry e Rony levantaram, encarando Malfoy.
"O que você quer?" Rony disse irritado. Ele e Harry estavam em pé com os braços cruzados.
Malfoy olhou para Harry como quem se divertia e sorriu. "Olhe. Não quero ficar por aqui mais tempo que o necessário. Só vim dizer a Hermione que precisamos nos reunir hoje à noite para organizar o Torneio de Xadrez das casas. É um encontro?"
"Um encontro? Nos seus sonhos, Malfoy. Agora saia daqui," Rony disse, cutucando-o, ao que ele não se opôs. Ele foi embora, rindo.
Hermione falou para ele enquanto ele ia. "Vejo você depois do jantar amanhã à noite, Draco. Traga o horário principal das aulas, por favor." Ela balançou a cabeça enquanto Rony e Harry tomavam seus lugares.
"O que há com ele e sexo?" Hermione disse, mastigando uma maçã. "Ele parece tão preocupado com isso. Ele só pensa nisso?"
"Oi, pessoal." Era Megan. Rony sorriu para ela e abriu espaço para que se sentasse. Ele se inclinou e deu-lhe um beijo na bochecha. Por um instante eles sorriram entre si como se não houvesse mais ninguém no Salão. Depois de um minuto, Megan olhou para Hermione.
"Desculpe, Hermione. Acho que te interrompi. O que estava dizendo?"
"Estava comentando o fato de que tudo que Draco Malfoy parece pensar é sobre sexo. Tudo que sai da boca dele está relacionado a isso."
"Bem, eu li em algum lugar que um bruxo adolescente normal pensa em sexo a cada dois segundos e meio," Megan respondeu. "Acho que Draco apenas diz o que os outros pensam, só isso. Ele gosta de chocar os valores." Ela tomou um gole do suco de laraja e sorriu.
"Bem, gostaria de saber onde você leu isso porque é a primeira vez que escuto algo tão ridículo. Honestamente! Cada dois segundos e meio? Não pode estar certo," Hermione disse em seu tom de conhecedora de livros.
"Acho que foi na Maga Jovem do mês passado," Megan respondeu. "Posso pegar minha cópia se quiser ler."
"Bem, não pode estar certo. Harry? Rony? Vocês podem nos dizer a verdade, não é?" Hermione olhou de um para o outro de seus melhores amigos, que trocaram um olhar desconfortável.
"Já provou os ovos hoje, Harry?" Rony disse com a voz meio fina. Parecia que ele queria rir.
"Não, Rony. Ainda não provei. Eles estão – eh- gostosos, hoje?" Harry disse, tentando desesperado não cair num ataque de risos por causa da expressão de Hermione.
"Vamos lá!" Hermione disse impaciente. "Vocês pensam mesmo nisso tanto assim?"
"Desculpe, Hermione, o que disse?" Rony perguntou segurando a mão junto a orelha, "estava um pouco distraído pensando como Megan fica nua."
"Ei!" Megan riu e deu um murro exagerado no braço dele. Harry e Rony não conseguiram mais se controlar. Eles riram tão alto e tão de repente que Harry achava que todo Salão Principal devia estar olhando.
"Honestamente, Rony!" Hermione disse, lutando contra o sorriso que se formava em seu rosto. Harry notou que ela queria dividir o momento divertido, mas por algum motivo estava se segurando.
"Bem, ao menos não disse o que estava pensando dois segundos e meio antes disso," Rony conseguiu dizer entre as risadas. Isso fez Harry e Rony gargalharem.
"Garotos!" Harry achou ter ouvido Hermione dizer baixo enquanto ele se acalmavam e colocava outro copo de suco de laranja para ele.
Megan apenas sorriu e balançou a cabeça.
*****
Quando eles finalmente terminaram o café da manhã, Megan deu um beijo de despedida em Rony e saiu do Salão Principal com algumas amigas da Lufa-lufa. Harry, Rony e Hermione juntaram suas coisas e foram em direção ao salão de entrada, a caminho de Trato das Criaturas Mágicas.
"Eu não tive tempo de perguntar como foram as coisas com Hermione ontem a noite," Rony sussurrou para Harry enquanto Hermione caminha mais a frente deles. "Você tinha tomado banho e trocado de roupa antes que pudesse perguntar. Assumi que correu tudo bem, já que vocês estão se falando, mas ela parece um pouco distante."
"Correu tudo bem considerando o que aconteceu. Ela só quer ir mais devagar até que se sinta confortável de novo. Acho que vou tomar muitos banhos frios por pelo menos duas semanas," Harry disse, muito frustrado e torcendo que Hermione mudasse de idéia sobre isso. Ele levantou os olhos e viu uma multidão de alunos reunida no saguão de Entrada.
"Que aglomeração é essa?" Harry perguntou distraído.
"Mas por que?" Rony perguntou, ignorando a pergunta de Harry enquanto eles passavam com dificuldades pela multidão. "Você não a traiu, então pra que esse balde de água fria?"
"Ela disse que precisamos melhorar a confiança," Harry sussurrou, ainda querendo saber o que estava acontecendo. "Talvez seja algum anúncio. Vamos dar uma olhada." Harry os guiou na direção do que parecia ser a origem da aglomeração.
"Melhorar a confiança?" Rony disse, abrindo caminho entre alunos do quinto ano da sonserina. "É a coisa mais estúpida que já ouvi. Ela devia confiar mais em você agora, por ter honesto com a coisa toda. Você poderia ter escolhido não contar nada, mas você tomou a decisão mais honrosa. Ela não devia estar te punindo, mas sim te recompensando. O que há errado com ela?"
"Shhh. Nada Rony. Na verdade, acho que ela está certa. Sei que estaria acabado se tivesse sido o inverso. Ela só precisa de tempo, e vou dar todo o que ela precisar – por mais difícil que isso seja."
Eles chegaram à frente do grupo. Hermione e alguns outros alunos estavam lendo um anúncio pregado na parede. Harry deu-lhe uma cutucada nas costas; ela virou e sorriu.
"Esgrima de Bruxos: O antigo duelo de Bruxos. Junte-se a nós na próxima terça às sete e meia no Salão Principal," Rony leu animado; "Isso parece divertido! Aposto que vai ser melhor que aquele clube de Duelos chatos do Lockhart. Lembram? Vamos aprender de verdade sobre um Duelo de Bruxos antigo dessa vez." Seu rosto estava corado de animação enquanto ele seguia Harry e Hermione abrindo caminho pela multidão em direção à porta.
Enquanto Rony os seguia, Harry sorriu para Hermione. "Você vai? Não que vá aprender mais do que já sabe, mas pode ser divertido," ele disse, encostando-se nela, flertando.
"Acho que vai ser ótimo ver da perspectiva dos bruxos," ela disse, depois olhou para ele, sorrindo, com um brilho nos olhos. Eles riram juntos e Rony os alcançou e eles seguiram o caminho para a cabana de Hagrid a Trato das Criaturas Mágicas.
******
Harry remexia em sua cadeira no Três Vassouras. Sirius já estava dez minutos atrasado para o jantar, e ele estava ficando preocupado se ele encontrara algum problema. Quando ele ia sair para dar uma olhada lá fora, Sirius passou pela porta, olhando o ambiente despreocupado. O queixo de Harry caiu. Do que ele estava brincando, entrando no três vassouras sem disfarce? Ele tinha enlouquecido desde a última vez que se falaram?
Sirius encontrou Harry quase imediatamente e andou cuidado entres as mesas, indo a seu encontro, um largo sorriso em seu rosto. Harry notou as expressões perplexas de alguns clientes enquanto eles reconheciam esse bruxo alto, de cabelos negros que parecia familiar. Do canto do olho, Harry viu vários deles saírem pela porta.
"Sirius, o que acha que está fazendo entrando aqui sem disfarce? Quer ser encontrado? Está doido?" Harry sussurrou, levantando da cadeira. O sorriso de Sirius alargou ainda mais, e ele virou, fazendo uma reverencia para todo o bar. Ele virou para Harry, deixando expressões pasmadas com seu gesto.
"Sente, Harry. Vou explicar tudo. Acalme-se, por Merlin!" Siriu disse, alegre. Harry sentou-se relutante, pensando porque Siriu estava sorrindo tanto.
Sirius se acomodou à frente de Harry e sorriu ainda mais. Estava claro que ele tinha boas noticias pela expressão em seu rosto. Isso deixou Harry mais relaxado. Ele procurou por Dementadores e oficiais do Ministério no cômodo antes de voltar a atenção para seu padrinho.
"Tem uma coisa que preciso te dizer, Harry, e não pode esperar nem mais um segundo," Sirius disse sério. Harry se remexeu em sua cadeira de ansiedade. Em algum lugar de sua mente, ele estava sentindo como se Sirius estivesse fazendo alguma brincadeira maluca com ele, pelo seu tom repentinamente sério.
Ele não podia estar mais certo.
"Estou livre, Harry!" Sirius exclamou.
"O que?" harry disse, completamente confuso. Ele achou que ouviu Sirius dizer que estava livre. Isso não podia estar certo, ele pensou.
"O ministério limpou meu nome. Não sou mais um homem procurado. É oficial há," ele parou para olhar o relógio, "trinta minutos."
O queixo de Harry caiu de surpresa. De repente, inundado por alegria, ele pulou de sua cadeira. Sirius fez o mesmo, os dois dando a volta na mesa para trocar um abraço firme e caloroso. Hary sentiu seu anel invisível coçar quando fez contato com Sirius, e ele deve ter notado a mesma coisa porque se separaram, por um segundo, os dois mostrando os anéis que agora estavam visíveis em seus dedos. Depois de perceberem isso, sorriram em reconhecimento e recomeçaram o abraço. Sirius deu um tapinha nas costas de Harry e os dois riram de felicidade e alívio.
Quando se sentaram, pediram um jantar simples e Sirius deu todos os detalhes sobre sua absolvição.
Ele primeiro explicou porque manteve a possibilidade de ser absolvido em segredo. Ele teve ordens diretas do Ministério pra não contar a ninguém o que estava acontecendo; nem mesmo Harry ou Dumbledore podia saber. Eles não deram nenhuma razão para esse pedido, mas Sirius achava que sabia o por que. Se ele fosse absolvido, implicaria o Ministério num grave caso de injustiça. Eles aparentemente queriam manter isso longe da imprensa por quanto tempo pudessem. Depois do que acontecera no ano passado em Beauxbatons, as pessoas começaram a se perguntar se o Ministério não precisava de uma reestruturação completa.
Harry quase não queria respirar pra não perder nenhum detalhe. Ele ainda se recuperava do choque e estava pensando se o sorriso em sua cara ficaria assim para sempre.
"tudo começou quando a invasão a Beauxbatons desenterrou os restos de Rabicho," Sirius recontou. Harry pensou ter visto Rabicho com o canto do olho quando ele e Hermione enfrentaram Voldemort ano passado.
"Quando juntaram tudo o que aconteceu, o Ministério determinou que Voldemort provavelmente deixara Rabicho para morte na masmorra do palácio na explosão que destruiu tudo. Claro que eles não explicaram porque, mas não importa. O que importa é agora havia provas que eu não o matei logo depois da morte de seus pais," Sirius parou, tomando um gole generoso de sua bebida antes de continuar.
"Daí aconteceu uma coisa que solidificou minha chance de liberdade. Depois de investigar o caso mais a fundo, o Ministério determinou que não tinham evidencias suficientes para me condenar, independentes das novas provas. Uma batalha política rolou antes do ministério sucumbir à verdade e decidissem revogar a decisão de me condenar à prisão perpetua e, Azkaban. Eu estava livre finalmente! A historia vai aparecer no Profeta Diário de amanhã, junto com um pedido de desculpas escrito à mão pelo Ministro da Magia em pessoa. Mal posso esperar!" Sirius balançou a cabeça, quase descrente.
"Eu ainda não acredito que você não me contou!" Harry disse, virando a cerveja amanteigada em sua caneca.
"Eu sei. Tinha horas que eu pensava que ia sair gritando pra todo mundo que visse, mas consegui me controlar. Espero que não ache que não contei porque não confio em você. Eu não podia confiar mais em você, Harry," Sirius disse sério.
Harry dispensou a idéia. "Não, não. Não se preocupe. Sei que você confia em mim. É só que seria legal saber antes, só isso. Estou bem. Na verdade, estou mais que bem! Não podia estar mais feliz!" Harry disse, tomando outro gole de cerveja amanteigada. Quando ele colocou a caneca na mesa, um pensamento lhe ocorreu.
"Sirius?"
"Sim?"
"O que você vai fazer agora que está livre?"
Sirius parou por um momento, pensativo. Ele correu a mão esquerda por seu queixo e largou a caneca. Seu rosto esticou lentamente num sorriso quase sonhador.
"Vou ter minha vida de volta, Harry – por inteiro. Já achei um apartamento na próxima cidade depois de Hogsmeade, e vou ver se me deixam voltar a meu trabalho no Departamento de Mistérios – opa, não era pra te dizer isso." Ele disse, fazendo uma careta de brincadeira. Essa era a primeira vez que Harry ouvia falar da profissão anterior de Sirius. Talvez o gosto repentino de liberdade tenha deixado a língua dele um pouco solta.
"Então você trabalhava no departamento de Mistérios antes de ir para Azkaban?" Harry perguntou. Ele não conseguia evitar, queria tentar descobrir mais.
"É, mas por favor não diga a ninguém. Eu trabalhava em segredo na época, Harry. A maioria das pessoas pensava que eu trabalhava numa loja de bicicletas."
Harry correu as mãos pelo cabelo, tentado gravar o máximo que pudesse do que seu padrinho lhe dizia. Queria poder recontar exatamente tudo o que Sirius contara para Hermione e Rony depois. Ele contaria tudo, exceto a parte do trabalho de Sirius no Departamento de Mistérios. Diria apenas que ele trabalhava em segredo para o Ministério e deixaria por isso mesmo.
"No que está pensando, Harry?" Sirius perguntou, enquanto a comida era servida. Madame Rosmerta trouxe pessoalmente, sorrindo para Sirius.
"Posso trazer outra bebida, Sirius?" ela perguntou, sorrindo timidamente. Isso deixou Harry confuso. Ele nunca vira Madame Rosmerta flertar com nenhum freguês antes.
"Claro, Rosmerta," Sirius disse sorrindo para ela. "E outra cerveja amanteigada para Harry quando puder."
Ela saiu, cantarolando
"O que foi isso?" Harry perguntou em voz baixa, para que apenas Sirius pudesse escutar.
"Ela e eu tínhamos uma paquera rolando no passado. Engraçado, né? Ela era bem mais jovem. Todos éramos." Seu rosto relaxou numa expressão distante, seus lábios pressionados firmemente como se para segurar a memória que estava tendo.
"Estranho," Harry disse, pensando num tópico para mudar de assunto.
"Bem, a escola está interessante até agora," ele disse. Isso trouxe a atenção de Sirius de volta ao presente. Ele balançou a cabeça como um cachorro molhado e colocou a mão no bolso das vestes para pegar algo.
"Sim, isso me lembram" Sirius disse bastante sério. "Quero falar com você sobre a nova professora de Defesa Contra Artes das Trevas," ele puxou uma copia do Profeta Diário, que estava aberto no artigo sobre a nomeação do novo membro de Hogwarts.
Com a menção de Maddie, Harry parou de mastigar seu assado e o engoliu inteiro. Isso machucou sua garganta enquanto passava raspando. Ele tomou um gole da cerveja amanteigada, torcendo que Sirius notasse como ele ficou nervoso.
"O que tem ela?" Harry perguntou, tentando soar o mais despreocupado possível. Ele não tinha certeza do quanto queria que Sirius soubesse.
Sirius ficou com um olhar ameaçador. "Quero que fique o mais longe possível dela, Harry. Essa bruxa só traz coisas ruins. Ela é a Auror mais cruel, mais descuidada, mas impiedosa que o Ministério teve nos últimos dez anos. Fico surpreso que Dumbledore tenha nomeado alguém assim para a equipe. Planejo perguntar a ele por que ele fez isso, assim que puder, o que com sorte será hoje, depois da reunião."
Harry recostou na cadeira e largou o garfo. Ele engoliu com dificuldades de novo. Parecia que o pedaço de assado estava preso em sua garganta.
"Ela é tão ruim assim?" Harry disse, tentando parecer despreocupado.
"Ruim? Sim, ela é ruim assim. Confiem em mim, Harry. Ela me caçou durante todo verão, apesar do Ministério estar próximo de me libertar. Os aurores ainda estavam me procurando por que eu tecnicamente ainda estava na lista de mais procurados. Ela usou todos os truques para me capturar, mas acabou falhando. Ninguém vence Sirius Black nesse jogo. Nem mesmo ela." Ele soava amargurado e com raiva.
Harry se remexeu desconfortável em sua cadeira. Ele estava começando a sentir que teria que dizer a Sirius o que acontecera. Talvez ele pudesse pedir conselhos de como lidar a situação com Hermione que resultara dessa confusão. Ele respirou fundo e decidiu se entregar.
"Não tenho certeza se ela passou o verão todo te caçando," ele disse devagar.
As sobrancelhas grossas de Sirius franziram e ele largou o garfo. "Por que você acha isso?"
"Porque ela ficou de olho em mim o verão inteiro," Harry disse, apertando a mesa involuntariamente.
"O QUE?" Sirius gritou. O bar parou por um segundo antes dele acenar que estava tudo bem.
"Acho melhor você se explicar, Harry," Sirius murmurou numa voz profunda, grave e baixa depois que o bar voltou a seu ritmo normal.
"Lembra de uma garota chamada Maddie que mencionei em minhas corujas? Sabe, aquela que trabalhou comigo na sorveteria, a americana?" Harry disse.
"Sim?"
"Bem, Maddie e a Professora Monroe são a mesma pessoa. Ela me disse que estava trabalhando disfarçada para me proteger durante o verão. Mas não há como ela tivesse tempo de te caçar também, a não ser..." Harry parou, pensando muito. Talvez ela tivesse mentindo mais do que ele pensava. Maldita.
"Já sei!" Harry gritou quando um raio de inspiração lhe atingiu. Ele rapidamente abaixou a voz depois de receber um olhar de reprovação de Sirius, "ela deve ter te procurado durante a noite, depois que a loja fechava. Ela me disse que saia para farra, ou para transar, mas aposto que ela parecia cansada o tempo todo porque estava te caçando!"
"Aquela vaca!" Sirius disse, fazendo Harry se acomodar na cadeira. Ele nunca ouvira Sirius chamar ninguém assim.
"Ela provavelmente foi voluntária para ser o Auror a cuidar de você. Ela tem alguma obsessão em me capturar. Ela fez a tese final de Auror sobre você. Queria fazer sobre mim, mas os professores ficaram preocupados que iam alimentar sua obsessão, então ela escolheu fazer sobre você. Eu a odeio, realmente a odeio," Siriu fumaçou. Ele tomou um grande gole da bebida, e soltou um som exasperado.
"Acho que temos mais alguma coisa em comum então," Harry disse. "Eu também a odeio."
"Por que?"
Harry contou toda historia do assalto, da boate, e dos drinques a mais. Ele recontou os problemas resultantes que foram criados entre ele e Hermione e sua frustração com tudo isso. Enquanto ouvia a historia, Sirius apenas girava a caneca sobre a mesa, usando a asa. Perto do fim, Sirius estava balançando a cabeça devagar, um olhar distante.
"Pensei que fosse a primeira coisa que ia mencionar quando te encontrasse hoje," Harry disse, "Você não lê jornais trouxas?"
"não, na verdade não li nenhum desde que parei de trabalhar para o Ministério."
"Bem, nossa foto estava no jornal, pelo que fizemos. Estranho que o Profeta Diário não tenha publicado nada – dava pra pensar que Rita Skeeter faria o dia com essa."
Sirius riu. "Você obviamente não entende muito como os Aurores são poderosos na comunidade Mágica. Eles tem mais influência do até eu posso imaginar," ele disse, "Se eles seguiram o processo padrão de operação, tiveram que censurar a história para que não fosse publicada ou contada de jeito nenhum. Ele cobrem seus passos muito bem quando precisam."
"Quando eu estava na sala de Dumbledore, tanto ele quanto Moody disseram que Maddie era conhecida por andar em cima da linha da moral. Aposto que eles tem muito trabalho para cobrir os rastros dela. Claro que não consegui saber mais porque ela entrou como um furacão agindo na defensiva e me fazendo sentir um idiota."
"Era de se esperar que ela fizesse algo assim. Ela é a rainha do comportamento inadequado. Aposto que Olho-Torto teve muito trabalho sendo tutor dela. Que pesadelo! Aposto que tudo isso foi muito confuso e difícil pra você."
"Foi, mas já estou melhor agora... tentando deixar isso pra trás. A pior parte foi magoar Hermione. Não fosse por isso, acho que poderia perdoar o que aconteceu," Harry disse pesadamente. Ele abaixou os olhos olhando sem foco para os restos em seu prato.
Sirius respirou longa e lentamente antes de se inclinar e limpar a garganta.
"Tem uma coisa que você precisa saber sobre traição, Harry," Sirius começou.
"Mas eu não traí!" Harry falou calorosamente. Ele agora olhava impaciente para seu padrinho.
Sirius levantou a mão para interrompe-lo. "Eu sei. Mas tem uma coisa que precisa entender se quer evitar mais problemas com isso. Acredite, sei como isso pode ser difícil... mas isso é para outra hora." Ele parou para tomar um gole de sua bebida antes de continuar.
"Trair é fazer qualquer coisa que ela observe como traição. Então se você vê um selinho nos lábios de uma bruxa amiga como inofensivo e ela vê como traição, você está traindo."
"Mesmo?"
"Mesmo. Teste se quiser. Seu pai e eu tivemos a sorte de descobrir isso muito cedo. Isso o salvou de muitos problemas com sua mãe, essa pequena regra. Não que seu pai fosse o tipo de trair. Ele era o mais leal de nós."
"Bem, eu não planejo sair beijando outra pessoa além de Hermione," Harry disse sorrindo, "então não acho que vou ter com o que me preocupar. Mas obrigado pela dica, Sirius."
"Disponha, Harry. E boa sorte com essa coisa de tempo de espera. Com sorte, ela vai dormir com você na noite de núpcias," Sirius riu.
Harry jogou um guardanapo dobrado no padrinho, os dois rindo.
*****
"Ali é quem eu acho que é?" Sirius perguntou quando viraram um corredor que ia para a sala de reuniões. Faltavam dez para as oito e Sirius os guiava para a reunião da Ordem de Fênix.
"É ela mesmo. Queria saber o que ela está fazendo na masmorra uma hora dessas. Provavelmente pegando algumas dicas com Snape de como torturar os alunos," Harry disse zangado.
"Bem, vamos tentar ficar quietos para ela não virar e nos ver. Ela vai fazer perguntas que não queremos responder," Sirius sussurrou.
"Concordo," Harry sussurrou em resposta, pisando mais leve enquanto caminha. "Mas não tenho certeza se vai funcionar, ela -"
"Oi, garotos! O que estão fazendo aqui a uma dessas?" Maddie virou-se rápido e veio em direção a eles, aparentemente sem conseguir identifica-los pela distância a que estava.
Harry pode notar Sirius ficar tenso com a aproximação. Eles pararam e Sirius a encarou desafiante. Quando Maddie o reconheceu, deu um sorriso torto. Com as mãos na cintura, ela foi chegou até eles enquanto eles ficaram em pé em silêncio.
"Olha se não é a pessoa que escapou," ela falou, cruzando os braços para encarar Sirius.
"Tenho permissão para recebe-lo aqui," Harry começou, enfiando a mão nos bolsos procurado a permissão de visita que recebera de Dumbledore para o caso de algum monitor ou outra autoridade de Hogwarts perguntasse. Ela levantou a mão para interrompê-lo.
"Não precisa, Harry. Não me importo dele estar aqui. Recebi a noticia que o Ministério foi idiota o suficiente para ceder á pressão e inocentá-lo. Aposto que Dumbledore escreveu a permissão em pessoa, então não precisa me mostrar." Maddie disse, levantando uma mão devagar para tocar a bochecha de Harry.
Antes dela poder alcançá-lo, Sirius a bloqueou, sua mão direita agarrando o pulso dela. O queixo dela caiu de surpresa e ela engasgou.
"Não toque em meu afilhado! Está me entendendo?" ele rosnou.
Por um instante, eles ficaram assim, olhos nos olhos, nenhum dos dois querendo ser o primeiro a desviar os olhos ou a piscar. Pareceu passar uma eternidade antes que Sirius soltasse seu pulso e olhasse para Harry.
"Vamos indo, Harry. Não queremos nos atrasar," ele disse, dando a volta por Maddie como se ela fosse uma árvore plantada no meio do caminho. Perguntando-se sobre o significado do que acabara de ver, Harry seguiu Sirius silenciosamente, torcendo que ela não tentasse dete-los.
"Pra onde estão indo?" ela perguntou, girando em seus calcanhares, os olhos brilhando.
"Não é de sua conta," Sirius respondeu, ainda caminhando.
Eles seguiram pelo corredor e Harry podia ouvir os passos de Maddie atrás deles. Ela estava seguindo-os e isso o deixava nervoso. Será que ia segui-los até a reunião da Ordem de Fênix? Se o fizesse, faria perguntas sobre essa reunião formal de bruxos e bruxas tão importantes.
Eles pararam na frente da porta da sala de reuniões. Sirius virou, olhando para Harry, de costas para Maddie que parou bem atrás dele, uma expressão de curiosidade em seu rosto.
"Acho que já sei pra onde vocês dois estão indo... devia saber," ela disse, colocando uma mão no braço de Sirius. Ele deu um pulo como se ela tivesse dado um choque com seu toque. Ele segurou o dedo anelar, o rosto em puro choque. O queixo de Harry caiu. Maddie era da ordem também.
"Não pode ser," Sirius disse num tom baixo, quase ofegante. "As coisas podiam mudar tanto nesses anos que fiquei fora?"
"Oh, sim, podiam... e mudaram," Maddie respondeu sorrindo. "Pela sua reação acho que não pediram que você votasse do buraco onde estava escondido," ela olhou para Sirius com desdém.
"Charmosa como sempre, Madeline," Sirius rosnou, olhando para ela com ódio. "Vamos, Harry."
"Mal posso esperar para ver Dumbledore explicar isso," Sirius sibilou.
Harry acenou com a cabeça, abrindo a porta. Essa realmente seria uma reunião interessante.
******
Enquanto entravam na sala, Harry viu mais ou menos uma dúzia de bruxos e bruxas sentados em uma mesa de madeira longa. A primeira vez que viera pra uma reunião da ordem, ficou maravilhado com a elegância régia da mesa. Uma toalha de mesa em veludo vermelho-vivo cobria a distancia de seis metros da mesa magnânima, sobre a qual flutuavam candelabros de ouro. A cada meio metro, havia um grande vaso de cristal cheio de flores exóticas perfumadas, acentuadas pela beleza da toalha, que terminava numa barra dourada. Cada cadeira era decorada com um pendão simples do mesmo veludo que a toalha, adornado com a silhueta dourada de uma fênix.
Como de costume nas reuniões da Ordem, ninguém falava até que todos estivessem em seus lugares e a sessão começasse oficialmente. Harry procurou seu lugar à mesa, marcado por seu nome escrito em um pedaço de pergaminho em letra caligráfica. Era bom finalmente ter um lugar à mesa, ao invés de ter que ficar em pé desconfortavelmente enquanto a Ordem tentava tirar informações dele, como fora todas as iterações que tivera com a Ordem até agora. Ele estava aliviado em ver que sentaria junto a Sirius. Fazendo uma careta, viu que Maddie estava sentada na frente deles. Ele evitou os olhos dela enquanto sentava.
Eles estavam alguns minutos adiantados, então ele teve tempo de olhar os outros bruxos e bruxas reunidos ali. Todos eram rostos familiares. Alguns sorriram ao perceberem que ele fazia um inventário dos presentes.
O Professor Dumbledore estava sentado na cabeceira da mesa mais próxima a ele e Sirius. Entre Dumbledrore e Sirius estava o Sr. Olivaras, que sempre olhava curioso para Harry quando eles se encontravam. Continuando pelo lado direito da mesa, ao lado de Harry estava o Sr. Thomas Bode, que trabalhava para o Ministério como "Infalável" – Harry não sabia exatamente o que isso significava, pensou em perguntar, mas depois achou que não teria resposta. Tudo o que sabia era que o Sr. Bode era um homem muito calado, que sempre tinha a aparência de carregar o peso do mundo em suas costas. Harry se perguntava se ficaria assim quando chegasse à meia idade. Continuando pela mesa, estava Olho-torto Moody, seguido pela Sra. Candice Longbottom, avó de Neville. Harry ficou muito ansioso em conhecer essa mulher de quem tanto ouvira falar por seu colega. Ela era tão intimidadora e dominante como Neville descrevera. Do lado oposto a Dumbledore na mesa, estava Mundungus Fletcher, um homem muito velho e de aparência muito fraca que tinha muita influência e poder na Ordem. À sua esquerda estava um lugar vazio, provavelmente para um dos novos membros. Junto do lugar, estava uma das pessoas preferidas de Harry, Remo Lupin, seu antigo professor de Defesa Contra Artes das Trevas. Sun Chang, o pai de Cho, sentava à direita de Lupin – sua especialidade era em estratégias e em manter uma energia positiva na mesa. Ele freqüentemente lutava contra as paranóias e pressentimentos de Moody. Quando Moody começava a falar de caos e do fim, ele levava Bode no assunto, seguido pela Sra. Longbottom, se o Sr. Chang não interferisse e mudasse para um assunto mais positivo. Junto ao Sr. Chang estava Maddie, que aprecia estar tentando aparentar o mais respeitosa possível, apesar de estar envolvida por couro negro da cabeça aos pés. À direita dela, estava Arabella Figg, a bruxa que enganou Harry se passando por trouxa até que ele a vira na primeira reunião da Ordem em seu quinto ano. Ela sorria para ele e dava uma risadinha sempre que o encontrava agora.
Olhando para seu relógio, Harry notou que a reunião começaria a qualquer instante. Ele ouviu a porta abrir, e olhou para checar quem chegara. Pela segunda vez em menos de dez minutos, seu queixo caiu. Era Snape! Pela expressão, Harry sabia que Sirius teve a mesma surpresa. Harry pôde ver a veia na testa de Sirius pulsar como reação à presença da última pessoa que ele esperava ver nessa reunião. Dumbledore tinha ficado completamente doido?
Snape não olhou a sala ao entrar. Ele foi direto para seu lugar e sentou na cadeira ao lado de Lupin. Harry notou que Lupin parecia tão surpreso quanto Harry com a presença de Snape. Entretanto, só eles pareciam se surpreender. Os outros não reagiram à presença dele.
O som de Dumbledore limpando a garganta fez Harry virar a cabeça em sua direção.
"Sejam igualmente bem vindos novos e antigos membros. Eu que dar boas-vindas especialmente a Sirius Black pelo seu retorno como membro ativo da Ordem depois de uma longa ausência," ele sorriu e olhou para Sirius, que acenou com a cabeça. "Eu oficialmente abro essa reunião da Ordem de Fênix. Vamos iniciar nossos novos membros, depois começaremos com os assuntos de costume. Alguma pergunta antes de começarmos?"
Sirius imediatamente levantou a mão. Harry sentiu seu coração bater mais forte, antecipando o conflito inevitável.
"Sim, Sirius?" Dumbledore disse acenando na direção dele.
Sirius levantou e olhou ao redor da mesa antes de fazer sua declaração.
"Quero expressar minha surpresa com dois dos novos iniciantes," ele disse simplesmente e depois sentou. Harry ficou surpreso e aliviado com brevidade e simplicidade da declaração. Ele olhou para Dumbledore, esperando que ele tivesse uma explicação satisfatória sobre a entrada de dois indivíduos tão polêmicos na Ordem.
Dumbledore deu um sorriso forçado e olhou para o outro lado da mesa para Mundungos Fletcher, que concordou com a cabeça e levantou com grade dificuldade. Todos olhos repousaram sobre ele.
"Temos nossas razões e você nos entenderá. Por favor note que eles provaram seus méritos a um ou vários de nós e vão estar ligados por contratos mágicos para servir à Ordem acima de tudo. Eu confirmo minhas nominações," ele disse. Ele tossiu antes de se sentar e todos olharam para Sirius, que estava com as mãos juntas, as pontas dos indicadores empurrando os lábios. Ele se inclinou para frente, balançando a cabeça em descrença.
"Isso ajuda, Sirius?" Dumbledore disse. "Sabemos que você verá como nossa decisão foi sábia. Terá que confiar em nós."
"Claro que confio em você, Professor. Acho que meu único problema é que não confio neles," Sirius disse, inflexível. "Snape já foi um Comensal da Morte, e essa aí," ele apontou zangado para Maddie, "me caçou o verão inteiro. Como espera que confie minha vida ou a de Harry a eles? A explicação vaga de Mundungos não me ajudou a sentir melhor sobre nenhum dos dois, se quer me opinião sincera." Esse comentário levantou murmúrios pela sala. Maddie olhava para Sirius com profunda aversão nos olhos, e Snape balançava a cabeça e olhava impaciente.
"Por favor, acalmem-se todos," Dumbledore disse, levantando as mãos para acalmar a sala, "Todos sabemos muito bem do passado polêmico de algumas pessoas, mas ainda assim, escolhemos iniciá-los. Por favor, saibam que levamos muitos fatos em consideração quando tomamos a decisão. Eles provaram, por ações públicas ou privadas, que merecem ser membros. Talvez você devesse considerar superar suas objeções como primeira tarefa na sua volta como membro ativo, Sirius. Você não é o único com essas objeções, mas a maioria controla essa mesa, e decisão da seleção é final. Vamos ter a associação completa pela primeira vez em mais de vinte anos. Isso deveria ser motivo de festa e não de brigas e divisões."
Sirius respirou fundo e remexeu-se na cadeira. Harry quase podia sentir a raiva rolando por ele como ondas num oceano tempestuoso. Ele simpatizava com seu padrinho, mas estava muito intimidado pelo grupo para admitir isso publicamente. Além disso, Sirius já tinha expressado as preocupações de Harry para Ordem; não tinha valor algum acrescentar um "eu também" à discussão.
Momentos depois, a iniciação na Ordem começou. Era uma cerimônia bastante incomum, conduzida atrás de cortinas fechadas num canto da sala. Todos os membros antigos vestiam vestes vermelhas e foram para trás da cortina para participar, deixando os iniciantes sozinhos. Nenhum deles falava enquanto colocavam as vestes brancas, se preparando para iniciação.
Harry observou, enquanto Snape foi primeiro, seguido alguns minutos depois por Maddie. Nenhum dos dois retornou. Harry achava que os iniciantes ficavam para assistir os outros se iniciarem. Talvez ele fosse o último porque estavam indo pela idade... e a espera estava deixando-o ainda mais nervoso. Trouxe memórias dos momentos anteriores à terceira tarefa durante o Torneio Tribruxo – apesar daquilo ter sido bem pior, na opinião dele.
Quando finalmente o chamaram, Harry pulou e sentiu seu estômago revirar. O mistério que iniciação tinha logo seria revelado. Ele esperava que não fosse nenhum tipo de teste que ele tivesse que passar. Riu por dentro ao perceber que estava experimentando um nervosismo e insegurança igual ao anterior à Cerimônia de Seleção em seu primeiro dia de Hogwarts. Lembrando como correra tudo bem, ficou mais confiante e seu nervosismo sumiu tão repentinamente quanto aparecera.
Abrindo as cortinas vermelhas, ele viu os membros da Ordem encapuzados e formando um semicírculo em volta de uma mesa baixa, coberta com o mesmo tecido da tolha da mesa. Na mesinha, estava uma corrente feita de centenas de argolas diferentes. Ele fechou a cortina atrás dele e foi até a mesa. Dumbledore estava de pé logo atrás da mesa, e Harry podia ver o Brasão da Ordem atrás dele num pendão pendurado do teto.
"Entre, Harry James Potter. Por favor, ajoelhe-se em frente à mesa," Dumbledore disse num tom bastante formal.
Sentindo-se um pouco estranho com esse pedido, Harry procurou por Sirius. Ele não podia distinguir qual das figuras encapuzadas era seu padrinho. A única pessoa que ele reconhecia era Dumbledore, porque o capuz dele estava abaixado e a luz estava sobre a mesa e sobre ele. Dumbledore olhou para ele passando segurança antes de Harry se pôr de joelhos em frente à mesa.
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"Bom," seu pai falou obscuramente. "Agora quero que faça exatamente o que eu disse, Draco. Esse é o primeiro passo para se tornar um membro de confiança de nosso circulo exclusivo. Se completar esse ritual e continuar a servir ao lorde das Trevas sem questionar, será convidado a ser um Comensal da Morte, entendeu?"
Draco remexeu desconfortável. Seus joelhos doíam por estar ajoelhado no chão de pedra. Ele olhou cético para mesa na sua frente; o pano preto cobria algo que ele supôs que fazia parte da sua iniciação.
"Entendi," ele respondeu nervoso.
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Dumbledore leu uma breve história da fundação da Ordem. Foi estabelecida uns dez anos depois de Hogwarts. Godrico Griffindor a começou, junto com outros doze bruxos influentes com o propósito de derrotar forças malignas que ameaçavam criar caos no mundo. Desde sua fundação, a Ordem se opusera ao mal e àqueles que praticavam Artes das Trevas.
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"Os Comensais da Morte foram instituídos pelo Lorde das Trevas para ajuda-lo a derrotar a morte. Nosso objetivo sempre foi erradicar as impurezas que corroem nossa habilidade de alcançar esse único objetivo. Desde seu chamado, devotamos nossa vida a servi-lo e a essa nobre causa. Nada é mais importante," McNair disse detrás da mesa. Ele esticou a mão e puxou o pano negro, revelando uma adaga perfurando uma pequena abelha presa na mesa. Draco estreitou os olhos para a cena estranha.
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Harry teve problemas para ouvir, pois estava distraído pela corrente na mesa em sua frente. As argolas brilhavam de uma forma estranha, e ele tinha a impressão de poder ouvi-las sussurrando para ele. Quando ele voltou sua atenção para Dumbledore, o viu colocar um livro velho e mofado em sua frente.
"Esse é o Livro do Conhecimento da Ordem de Fênix," Dumbledore disse solenemente. "O anel que usam sempre permitirá que abra isso, bem como os outros seis livros do conhecimento espalhados pelo mundo com outros membros da Ordem. Para achar um dos livros, você só precisa pensar nele e seu anel o guiará até o mais próximo."
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Draco olhou a imagem da Marca Negra num pendão atrás de McNair e de seu pai. Era difícil ver detalhes por causa da pouca luz no cômodo. Ele supôs que estavam no porão de uma loja ou de um apartamento em Hogsmeade. Ele ficou surpreso quando seu pai apareceu de repente naquela noite. Antes dele poder entender o propósito da visita, seu pai lançou um feitiço estupurante. Ele acordou nesse lugar frio e mofado, usando vestes negras e com a cabeça dolorida.
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"A corrente na sua frente representa a unidade da Ordem. Cada membro tem sua própria argola, ligada à corrente inteira por contrato mágico. Ao colocar sua argola nessa corrente, está declarando que você está ligado à Ordem pelo coração e por contrato. A sua lealdade estará conosco acima de tudo." Dumbledore acenou com a cabeça solenemente, enquanto uma argola aparecia entre os dedos de Harry. Ele olhou para argola e viu que ela tinha seu nome gravado com letras elegantes, junto com a data de sua iniciação. Pela expressão de Dumbledore, parecia que era pra ele pegar esta argola e prendê-la na corrente sobre a mesa.
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"Bem, vamos lá, garoto," McNAir disse impaciente.
Draco segurava a adaga em sua mão, preparando-se para fazer um corte no dedo como seu pai ordenara. Ele hesitou por um momento.
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"Desculpe, mas preciso entender a última parte," Harry disse nervoso. Ele viu vários membros encapuzados remexerem desconfortáveis.
"Sim?" Dumbledore disse, com uma expressão gentil. Isso fez Harry se sentir um pouco menos nervoso.
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"Se eu fizer isso, significa que vou estar ligado ao Lorde das Trevas para sempre?" Draco perguntou ansioso.
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"Você quer dizer que minha lealdade à Ordem supera tudo? Quer dizer, e se eu me casar ou ter filhos? Claro que não quer dizer que lealdade com a Ordem supera isso, quer?"
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O pai dele esticou a mão por cima da mesa e deu-lhe um tapa.
"Como ousa questionar qualquer coisa desse ritual. Não diga, garoto, que está pensando duas vezes sobre isso," seu pai brigou. McNair estreitou os olhos desconfiado.
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"Sim, Harry. A Ordem requer uma lealdade que supere todo resto – casamento, filhos, até mesmo amizade. A Ordem faz isso para que possamos proteger essas coisas que são sagradas para todos nós. Está disposto a garantir esse tipo de lealdade?"
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Draco engoliu a seco. Parecia que ele não tinha escolha. Já tinha passado do ponto onde poderia parar.
"Só estava me certificando do significado – só isso, pai. Estou pronto," ele disse, olhando entre os dois bruxos à sua frente.
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"E se eu não confiar em alguns membros da Ordem?" Harry disse hesitante. Ele ficou sem graça de perguntar isso, mas precisava saber. Ele não podia jurar com seu coração que confiava em Snape ou Maddie o suficiente para garantir lealdade a eles.
"Você está jurando lealdade à Ordem, como eles são membros da Ordem, está prometendo lealdade a eles. Você precisa decidir se pode fazer isso, ninguém pode decidir por você."
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"É melhor que esteja pronto. Você sempre pertenceu a nós. Agora será oficial," seu pai disse friamente. Draco olhou para seu dedo e o cortou com a adaga, fazendo uma careta.
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Harry pensou um momento antes de responder. Respirando fundo, e confiando que essa era a decisão certa a tomar já que seu pai tomara a mesma decisão, ele acenou, concordando silenciosamente e colocando sua argola na corrente, formando um círculo. Vários membros da Ordem se surpreenderam com isso.
"Que foi?" Harry perguntou, despreparado para essa reação.
"Por que colocou sua argola assim," disse um bruxo encapuzado, que baixou o capuz e revelou que era Mundugus Fletcher.
"Pareceu a coisa certa a fazer," Harry respondeu, imaginando se teria cometido um erro monumental. Dumbledore e Mundugus trocaram um olhar ilegível.
"Não se preocupe, Harry," Dumbledore disse rapidamente. "Vamos continuar a cerimônia." Ele disse a última parte para os membros da Ordem e Mundungus cobriu a cabeça de novo.
******
"Muito bem, Draco," McNair disse numa voz baixa. "Agora deixe uma gota de seu sangue pingar no inseto sobre a mesa." Draco fez como ordenado, muito distraído pelo ritual incomum para notar a dor na sua cabeça e nos joelhos.
"Diga o feitiço que lhe ensinei," seu pai falou.
Draco respitou fundo, olhando para a abelha operária caída na poça de seu sangue. Duvidando que funcionaria, ele disse as palavras do feitiço.
Para sua grande surpresa, a abelha mexeu-se quase instantaneamente. Enquanto ele observava, ela levantou e bateu as asas. Em segundos, tinha voado. Draco olhou para seu perplexo. Ele acabara de trazer o inseto de volta da morte. Seu pai acenou solene com a cabeça.
"Agora repita comigo," McNair disse.
******
"Eu, Harry James Potter, juro solenemente minha lealdade sagrada para Ordem da Fênix."
******
"Eu, Draco Lúcio Malfoy, suro solenemente minha obediência cega ao Lorde das Trevas."
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Harry ouviu um barulho e depois sentiu o peso quente de Fawkes em seu ombro. Ele deveria ficar surpreso, mas pareceu quase natural para ele. Notou vários membros da Ordem se entreolhando. Ele levantou a mão e tocou Fawkes, olhando na expectativa para Dumbledore.
"Já que colocou sua argola na nossa corrente, selou o contrato mágico entre nós. Mas lembre-se, nossa Ordem só é forte enquanto estivermos unidos. Se uma argola da lealdade hesitar, enfraquece todos nós. Você entende e concorda com os termos?" Dumbledore disse solene, olhando Harry nos olhos.
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"Sim," Draco respondeu.
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"Sim," Harry disse firme.
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"Você deu primeiro passo para ser reconhecido como um Comensal da Morte. Agora continue e sempre prove sua dedicação através de sua obediência," McNair falou.
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"Então, bem-vindo à Ordem!" Dumbledore clamou. Os membros da Ordem em volta dele começaram a bater palmas, enchendo a sala com sons de Fênix. Até mesmo Snape batia palmas, apesar da ausência notável de um sorriso em seu rosto. Sirius foi até Harry e lhe deu um grande abraço de parabéns. Todos os membros, inclusive Snape e Maddie se revezaram e apertaram sua mão. Harry pensou na lealdade desses dois em particular. Talvez eles estivessem apenas se mostrando para o resto dos membros da Ordem.
Ele logo tirou esses pensamentos negativos, e se concentrou em aproveitar o momento. Ele acabara de se juntar à Ordem da Fênix – a ordem de seu pai e de gerações de Potter antes dele.
Agora era hora para celebrar não para permitir ceticismo. Teria muito tempo para isso quando a ocasião permitisse.
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Draco levantou muito rápido e sentiu o chão sumir sob ele. Antes de desmaiar, ele sentiu a abelha picando-o na mão esquerda e ouviu seu pai dizendo o feitiço estuporante.
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Fawkes voou para o outro lado da sala para se acomodar em seu poleiro e Harry parou frente à mesa, examinado a corrente. Quase como lesse sua mente, Dumbledore pegou uma parte dela, procurando algo. Depois de alguns segundos, ele ofereceu a corrente para que Harry a examinasse. Ele olhou a argola de perto. Era de seu pai. O nome Tiago Edmundo Potter estava escrito na mesma letra redonda que o de Harry em sua argola. Ele deu uma risadinha quando a tocou, correndo a ponta dos dedos pelo nome de seu pai. Então o segundo nome de seu pai era Edmundo. Ele não sabia. Uma ponta de arrependimento passou por ele e ele voltou para mesa de reunião.
Com os novos membros iniciados, os membros da Ordem voltaram para seus lugares e começaram a parte de discussões da reunião.
******
"Mmmm. Isso é tão bom, Rony. Não pare," Megan murmurou enquanto Rony beijava a curva de seu pescoço. Ele continuou a pressionar gentilmente seus lábios nessa parte sensível dela, esperando mais desse tipo de reação.
Ele amava beija-la onde quer que ela deixasse. Quase tonto de prazer por causa dos beijos e carícias que trocaram, ele queria continuar a provoca-la e dar-lhe prazer antes que eles tivessem que se separar e ir para seus dormitórios. Ele estremeceu, o que o fez se afastar um pouco. Ele focalizou seus olhos nela, quase num transe. Foi quando ele notou. Estava total e completamente apaixonado. Ele engoliu e se afastou mais um pouco, olhando de queixo caído pra ela. Seu queixo caiu ainda mais e ele começou a suar frio.
"O que foi, querido?" Megan perguntou, a testa franzida mostrando preocupação. Ela era bastante observadora.
Rony fechou a boca na tentativa de evitar que uma respiração penosa escapasse. Não funcionou. Megan o abraçou mais forte, puxando-o para si. Ele enterrou o rosto no ombro dela, as pontas do cabelo dela fazendo cócegas em seu rosto. A respiração quente dela acariciava seu pescoço e ele podia ouvir o tum-tum suave de seu coração. Ele tinha que dizer a ela. Dessa vez era pra valer.
Rony saiu gentilmente do abraço e colocou uma mão em cada ombro dela. Ele não tinha certeza se devia dizer isso diretamente, e então percebeu que não importava. Megan o conhecia tão bem que mesmo que ele se atrapalhasse com as palavras, ela o entenderia. Ele tinha que dizer logo, antes que o momento passasse.
Ele olhou bem nos olhos dela; a torre de Astronomia se misturando à paisagem então naquele instante só existia ela – sua Meg. Ele engoliu a seco, torcendo para não engasgar enquanto a dizia. "Desculpe por ter parado Meg, mas é que eu descobri uma coisa... quer dizer, eu percebi..." ele parou um segundo, respirando fundo, "Quero que saiba que eu te amo, Meg. E eu acho... não, eu sinto... quer dizer, o que eu quero dizer é que... eu sei de algum jeito que sempre vou te amar," ele parou e engoliu a seco de novo. Ele mordeu o lábio ao ver lágrimas se formarem nos olhos dela.
"Eu também te amo, Rony" ela conseguiu dizer antes de se derramar em lágrimas. Sem pensar duas vezes, ele colocou seus lábios nos dela, sentindo o gosto salgado das lágrimas e a beijando faminto e sem intenções de parar – nunca.
Só um pensamento passou em sua mente antes dele render sua atenção completa a ela. Era hora de reler aquela coruja recente. Sem dúvidas, ela era a pessoa certa com quem dividir seu segredo.
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"Bem, acho que merecemos alguma explicação para o que aconteceu esse verão, não concorda, Dumbledore?" Sirius falou irritado. Ele estava de pé de novo, os membros da Ordem olhando para ele atentamente.
"Tenho que concordar com Sirius, mas temos que votar," Dumbledore disse, olhando para Mundungos Fletcher do outro lado da mesa, que assentiu com a cabeça. "Todos a favor de pressionar Madeline a revelar a verdade por favor levante a mão." Ele parou, contando as mãos levantadas - oito no total, incluindo Harry e Sirius. "Todos contra?" ele contou três mãos – Maddie, obviamente, Snape e Mundungos Fletcher. "Abstenções," ele completou, notando a mão erguida de Moody.
"Parece que estamos a favor," Dumbledore disse. Ele virou-se para Maddie, que levantou olhando ao redor da sala nervosa. Harry depois saberia que ao dar essa informação à Ordem, Maddie estava colocando sua vida em perigo. A punição para um Auror que revelava segredos para qualquer um de fora da organização era prisão perpetua em Azkaban, o que geralmente terminava em morte, quando os prisioneiros descobriam que era um Auror.
Ela limpou a garganta antes de começar sua narrativa.
Um dos Aurores espiões desenterrou alguns detalhes das estratégias de Voldemort para esse ano. Seus objetivos estavam claros agora. O que não ficou claro era como ele pretendia alcança-los. Antes de morrer por causa de uma maldição irreversível colocada nela pelo Comensal da Morte que ela estava espionando, essa Auror revelou informações criticas. O plano de Voldemort era matar todos bruxos e bruxas de sangue trouxa usando uma arma secreta especial. Mas a busca por essa arma o frustrava. Ele precisava colocar as mãos em um inocente que tivesse sobrevivido uma maldição fatal. Por essa informação, estava claro que Voldemort precisava de Harry Potter como uma parte crucial de seu feitiço.
No mesmo instante, os Aurores se prepararam para achar Harry e protege-lo a qualquer custo. Maddie foi voluntária porque casaria muito bem com sua outra missão – apreender Sirius Black. Então ela protegia Harry de dia e procurava Sirius à noite. Suas ordens foram de evitar o uso de mágica porque chamaria atenção para localização de Harry e o colocaria em mais risco. Ela executou sua missão e mandou seu relatório para o Alto Comando dos Aurores antes de revisar os assuntos para se tornar Professora de Hogwarts.
Maddie contou toda historia em tom monótono. Ela olhava o espaço, como se estivesse fazendo uma apresentação muito chata. Quanto terminou, sentou e cruzou os braços, fazendo beicinho com os lábios.
"Acho que é muita besteira," Moody falou. "Muita mesmo."
"Posso validar os fatos sobre a descoberta do ministério," Snape disse.
A esquerda de Harry, Sirius deu um risinho irônico. Ele obviamente concordava com Moody e tinha duvidas sobre a historia de Maddie. Aparentemente, a validação de Snape não fazia diferença para ele.
Maddie preferiu ignorar Sirius, dirigindo sua animosidade a Moody. "Está me chamando de mentirosa, Alastor? Depois de eu ter feito esse juramento sagrado e tudo? Você acha mesmo que eu seria tão estúpida?" Maddie respondeu a ele, seus olhos brilhando com fúria. Harry não tinha certeza se ele já a havia visto com tanta raiva antes.
"Não fale assim comigo!" Moddy disse, apontando para ela. Ele olhou ao redor da mesa. "Todos sabemos porque os Aurores estão tão interessados em Harry Potter. Agora que ele tem dezessete anos, é uma das opções que eles querem manter, não é?" Ele disse em tom baixo e acusador. Murmúrios se espalharam por todos lados da mesa. Harry pensava sobre o que Moody estava falando. Antes que ele pudesse completar esse pensamento, Sirius estava de pé novamente.
"Sei ao que se refere, Moody, e não vou discutir sobre nada disso aqui. Nem agora, nem nunca. Ficou claro? Não é uma opção, nem nunca poderá ser, indiferente ao que os Aurores pensem. Eles só se preocupam com eles mesmos," Sirius gruniu.
Todos na mesa se afundaram em suas cadeiras por causa da raiva de Sirius, exceto Maddie e Snape que tinham expressões de desprezo – os olhos estreitados de Snape ecoando os de Maddie como se eles fossem irmãos.
"Alguém poderia me explicar do que estão falando?" Harry disse, sua voz mais alta do que ele queria. Ele não pôde evitar. Precisava saber.
Sirius olhou ameaçador para Moody antes de olhar para Harry. Moody continuou em pé e deu os ombros. "Ele tem o direito de saber," ele falou. "E eu vou dizer."
Ele olhou para Harry com pena em seu olho normal. Harry nunca vira essa expressão no rosto de Moody antes. Isso o deixou nervoso, o que não poderia acontecer em hora pior. Algo lhe dizia que precisaria de toda sua firmeza para o que ia escutar.
"Minha aposta é que a única razão para os aurores te protegerem no verão é que agora você tem idade para fazer um feitiço muito perigoso e poderoso que pode eliminar Voldemort de uma vez, com um golpe. O nome é feitiço Domus Quattuor e Sirius não quer falar sobre ele porque ele vem com um preço. Ninguém sabe qual é porque não é determinado até que o feitiço seja invocado. Muitos teorizam que custo pode ser a vida do que invocou, mas ainda não temos certeza. É possível que a conseqüência seja bem maior que essa. É um grande mistério."
"mas se o feitiço existe, porque não usado antes para derrotá-lo?" Harry perguntou.
"Por que o bruxo canalizando-o deve ter uma conexão com a pessoa contra quem está usando para que funcione. Sua cicatriz conecta você a Voldemort pela falha de uma maldição mortal – o que te faz o candidato perfeito para canalizar o feitiço. A outra razão por não ter sido usado é que todas as partes envolvidas devem estar fisicamente em Hogwarts. Essa é uma razão porque ele evita Hogwarts, ele sabe do feitiço." Moody parou um segundo, tomando um gole de seu frasco antes de continuar.
"O feitiço invoca mágica antiga das quatro casas. O canalizador deve ficar dentro de um círculo formado por quatro pessoas, uma de cada casa. Não sei muito mais que isso. As instruções detalhadas do feitiço estão no Livro de Conhecimento da Ordem, que foi atualizado recentemente com informações obtidas numa pesquisa do Ministério sobre o assunto. É considerado um feitiço muito perigoso e experimental pelo ministério." Com isso, Moody virou para o Sr. Bode que acenou a cabeça solenemente.
Quando Moody terminou, houve um grande debate sobre os méritos do uso do feitiço. Para grande frustração de Sirius, a Ordem estava dividida. Alguns achavam que eles deviam considerar, enquanto outros expressavam medo da morte e destruição que poderia trazer. Harry não participou ativamente na discussão, preferindo ouvir os vários pontos de vista expressados pelos seus companheiros da Ordem
Depois que o debate se prolongou pelo que pareceu uma eternidade para Harry, ele decidiu que era hora de falar. Na oportunidade seguinte, ele limpou a garganta e se levantou.
"Sou a favor de usarmos, e sou quem tem mais risco, não é? Então, vamos decidir que é uma opção válida e seguir em frente," ele disse firme. Sentou e olhou para as expressões perplexas que o cercavam.
"é muito corajoso de sua parte, Harry," Dumbledore disse gentilmente de sua cadeira na cabeceira da mesa. Concordo que essa discussão já se prolongou bastante. Mas não precisamos decidir hoje; só para registrar que vamos continuar a confiar em Thomas para nos manter informados sobre qualquer progresso que o Ministério faça em seus experimentos com esse feitiço." Ele olhou para Thomas Bode, que concordou com a cabeça e Dumbledore se levantou devagar, terminando a reunião.
Harry saiu da reunião sentindo uma sensação de destruição se formando dentro dele. Se Moody estivesse certo, havia uma possibilidade muito definida de que ele teria que dar sua vida para derrotar Voldemort. Ele se despediu de Sirius que saiu conversando com Lupin e se dirigiu a confortável familiaridade da Torre da Grifinória.
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Horas depois, Harry se encontrava sentado na ponta da cama de Hermione, olhando para o espaço. Ela andava apressada pelo quarto, guardando livros e arrumando a roupa para o dia seguinte. Ele não conseguia parar de pensar no feitiço Domus Quattuor.
"Você está com está com uma cara tão triste quanto me sinto agora," Hermione disse, sentando ao lado dele. Ela usou sua mão direita para virar o rosto dele em sua direção. Ele forçou seus olhos para se concentrar nos dela quando ela colocou o rosto mais perto dele, e ele pôde ver o resto das lágrimas que ela derramara no Salão Comunal.
Ela e Rony reagiram como ele esperava quando ele contou sobre o feitiço Domus Quattuor – a única coisa sobre a qual ele se sentiu confortável para revelar sobre a reunião da Ordem. Rony estava muito animado para saber mais e expressou suas dúvidas se ele realmente poderia ser fatal. Ele lembrou que Moody sempre parecera muito obcecado com a morte desde que o conheceram e provavelmente estava exagerando para dar um efeito dramático. A reação de Hermione foi de puro choque e preocupação. Ela tentou fazer Harry prometer que nunca usaria o feitiço, o que ele se recusou a fazer. Isso a fez derramar algumas lágrimas silenciosas, enquanto Harry a abraçava e Rony tentava acalma-la com palavras de segurança. Quando ela se recompôs, Rony foi dormir e Harry foi com Hermione para o quarto dela conversar mais.
"É só que eu sinto como se fosse algo que estou destinado a fazer, Hermione," Harry disse devagar. "Nós sempre soubemos que Voldemort está me procurando e que me quer morto, então esse outro jeito de me matar não devia ser tão chocante," ele continuou, "mas por alguma razão, ainda me sinto pesado com isso."
"Talvez seja porque você tem dezessete anos e precisa viver sua vida e não sacrificá-la desse jeito. Você merece mais, Harry." Hermione disse, sua voz cheia de determinação. Harry fechou os olhos com força. A próxima coisa que ia dizer ia ser difícil de sair, mas ele precisava falar.
"Isso me fez pensar sobre as coisas," ele disse, abrindo os olhos para encarar Hermione. Ela se afastou um pouco, com os olhos bem abertos.
"Que coisas?" ela perguntou gentil. Ela o notou respirando fundo, como sempre fazia quando estava tentando se acalmar.
"Sobre nós e nossa relação," ele disse, contraindo os lábios.
"Sobre a conversa que tivemos na outra noite sobre confiança?" ela perguntou.
"Não. Não foi isso."
"Então que foi?"
"Desde que sai dessa reunião, não consigo parar de achar que você merece algo melhor que isso, Hermione," ele disse rapidamente, tentando com todas as forças se manter firme nesse momento difícil.
"Não entendo o que quer dizer," ela disse confusa se aproximando dele. "Eu te amo, Harry. Você é o melhor para mim. Não há algo melhor. Devia saber disso." Ela se inclinou e lhe deu um beijo na bochecha.
Ele deu um pequeno sorriso, sentido-se repentinamente completo com o amor que sentia por ela. Era esse amor que o fazia seguir em frente.
"Você merece estar com alguém que tenha mais chances de ficar por aqui mais tempo. Não posso pedir para você se comprometer comigo, ou se dar para mim se tiver uma chance de morrer. Não poderia te fazer passar por essa dor, eu te amo demais," Harry disse, sua voz tremendo, apesar de sua tentativa de permanecer firme.
"Não podemos viver assim Harry, ficaremos malucos. Eu te amo e quero ficar com você. Tenho certeza que vamos superar esse problema recente. É um nada comparado ao quanto nos amamos. Fico agradecida por cada momento que temos juntos, quer sejam dez minutos ou dez anos. Sempre te amarei, Harry Potter, então não tente nem dizer que eu mereço melhor. Não vou me conformar com mais nada," Hermione disse, sua voz ficando mais fina de emoção. Ela jogou seus braços ao redor dele e o apertou forte, ao que ele respondeu igualmente. Seus olhos estavam úmidos e seu nariz abafado.
"Também te amo, Hermione," Harry sussurrou gentilmente ainda abraçando-a. "Você é a pessoa mais importante do mundo para mim." Ele se afastou do abraço e a olhou nos olhos.
"Acho que não tem muito sentido ficar se remoendo sobre isso, não é?" ele perguntou, um sorriso melancólico em seu rosto.
"Agora você está fazendo sentido," ela disse, respondendo ao sorriso, tímida. Harry suspirou.
"Estou começando a achar que esperar para fazer amor foi uma ótima idéia. Eu odiei de inicio, mas agora acho que a coisa certa a se fazer. Não conseguiria agüentar o pensamento de fazer amor com você e depois te deixar assim," Harry disse triste.
"Não vamos viver para sempre, Harry. Em algum ponto teremos que..." Hermione começou a dizer, mas ele a interrompeu.
"Só preciso me acostumar com isso. Talvez descubra mais sobre o feitiço – ou isso ou a Ordem vai me proibir de usá-lo. Acho que isso me deixaria um pouco melhor."
"Acho que entendo," Hermione sussurrou. "Como você disse não outra noite, esperarei para sempre por você se precisar."
Ela abraçou Harry de novo, que sentiu-a tremer contra ele. Ele olhou para frente, vagamente, tentando tomar alguma resolução interna sobre o que descobrira hoje, mas sem obter sucesso.
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