Harry Potter e a Tábula de Transmora
Capítulo 6 – Os convites

Mais tarde naquela noite, Harry sentou à mesa do Salão Comunal escrevendo uma carta para Sirius. Ele tinha ido deitar, mas não conseguira dormir. Dezenas de perguntas sobre a reunião da Ordem passavam por sua cabeça como milhões de pomos – rápidos, velozes e difíceis de segurar. Ele torcia que seu padrinho pudesse lhe dar algumas respostas e um pouco de alivio tão necessários.

Harry colocou a pena sobre a mesa, releu seu pergaminho uma última vez e sorriu. Havia um fio de cabelo castanho longo, ondulado em cima dele. Pegando-o, ele o enrolou folgado no indicador. Apesar de já estarem juntos há dois anos, ainda o agradava estranhamente encontrar fios de cabelo de Hermione em seu casaco, embaixo de seu travesseiro ou em sua mochila. Ele uma vez brincara que era a forma dela marcar seu território.

O som de alguém vindo do dormitório masculino trouxe Harry de volta para o presente. Quem seria a essa hora? Já era quase uma da manhã.

Era Rony e ele parecia apavorado.

"O que foi?" Harry perguntou, se perguntando o que teria deixado Rony tão pálido.

"Não conseguia dormir. Quando percebi que não estava na cama, vim procurar você. Você também não conseguiu dormir?" ele disse com a testa franzida enquanto sentava-se no sofá de frente para a lareira.

Harry deixou sua pena e sua carta na mesa e se juntou ao amigo. Ele sentou-se ao lado dele no sofá, esticando as pernas para frente e cruzando-as no tornozelo. As chamas amarelas dançando na lareira produziam longas sombras nas paredes do salão comunal e Harry observava sua profundeza. Pelo canto do olho, ele percebeu que Rony fazia o mesmo, mas com um olhar hipnotizado e nervoso.

Depois de instantes, Rony falou.

"Estou me sentindo muito estranho." ele disse devagar, ainda olhando para as chamas.

"Por que?" Harry perguntou, também continuando a deixar o fogo capturar seus olhos.

"As coisas com Meg ficaram sérias."

Harry tirou o olhar do fogo bem rápido, aproveitando um instante para avaliar a expressão de seu amigo. Rony o olhou nos olhos e Harry pode ler a pergunta antes que ele a fizesse.

"O que está acontecendo comigo?"

"Você já estava sério em relação a ela há algum tempo, não é?" Harry perguntou, voltando a observar o fogo.

Rony levantou e pegou o atiçador de brasas junto à lareira. Ele mexia com uma das brasas enquanto respondia, as novas brasas descobertas renovando o vigor das chamas e espalhando calor pelo rosto de Harry por suas pernas esticadas.

"Sim, estava, mas dessa vez é diferente... mudou de algum jeito. Não consigo explicar direito, mas me deixa desconfortável. Não desconfortável de uma maneira ruim, mas de um jeito bom. Isso está fazendo sentido?" ele guardou o atiçador e voltou para o sofá.

"Tem certeza que não foi alguma coisa que comeu?" Harry brincou irônico.

"Hã?" Rony disse, dando um olhar peculiar para Harry.

"Tenho certeza que vai ficar bem, Rony," Harry disso com segurança, lutando contra a vontade de rir. "Você provavelmente comeu muita torta de abóbora na sobremesa. Você nunca se dá muito bem com ela." Ele roubou um rápido olhar do amigo para garantir que ele não estava levando a brincadeira mal.

"Ha. Ha." Rony disse, encarando Harry com uma irritação exagerada, a cabeça torta para um lado. "Não, eu não acho que foi a torta." Ele cruzou os braços e olhou para frente de novo.

"Bem, então deve ter sido outra coisa." Harry começou tentativo. "Poderia ser aquela palavra de quatro letras?"

Rony suspirou. Claramente ele estava com mais problemas do que deixava transparecer. "O que? Você quer dizer 'amor'?" Rony disse devagar, seu olhar ansioso refletindo o fogo brilhante à sua frente.

"Com certeza não quis dizer outra palavra com quatro letras." Harry respondeu, agora um pouco mais sério. "Sim. Amor. Pode ser isso que está te incomodando?" ele disse, levantando uma sobrancelha.

"Bem, eu disse que a amava hoje."

"Você disse? Bem, você já tinha dito antes, não foi?" Harry incitou.

"Claro, eu tinha dito antes. Mas só porque senti que devia. Dessa vez, fui tomado de repente por um sentimento que eu estava... que eu senti..." Rony lutou, aparentemente tentando encontrar as palavras certas.

"Fora de controle? Nervoso? Feliz e assustado de uma vez?" Harry terminou por ele.

Rony virou todo seu corpo na direção dele, acenando com a cabeça veementemente.

"Sim! Exato!"

"Não tenho idéia do que está falando." Harry disse rapidamente, olhando para frente. Ele podia sentir Rony olhando confuso para ele, com o queixo caído. Harry virou para ele de vagar, lutando pra permanecer com uma expressão neutra. Ele perdeu a batalha e começou a rir, Rony juntando-se a ele, balançando a cabeça em descrença.

Depois que o riso acabou, Rony recostou no sofá, afundando-se nele. Por um tempo, eles continuaram como começaram, olhando para as brasas laranjas que tomaram o lugar das chamas. Harry ouviu Rony respirar fundo e ficou grato por ele parecer menos preocupado que antes.

"Harry?" Rony disse, a voz soando muito distante.

"Sim?"

"Obrigado."

"Disponha, Rony."

******

Gina pulou algumas vezes para fazer se aquecer antes de partir com o resto da turma para a corrida matinal. Estava mais frio que de costume nesta manhã e a respiração dos corredores formava uma névoa branca ao redor deles enquanto seguiam a Professora Monroe pelo caminho conhecido. Como da última vez, Gina e Draco lideravam o grupo, junto com a professora.

Por minutos, tudo o que Gina ouvia era o som de sua própria respiração. O ar gelado da manhã incomodava seus pulmões. Ela logo esqueceu isso quando Draco quebrou o silêncio com um comentário cortante. Dessa vez ela estava pronta – ou assim ela pensava.

"Correndo mais devagar hoje, Weasley." ele disse. "Eu disse que estaria passando você em questão de dias. Nenhum Weasley nunca foi melhor que um Malfoy em nada."

Professora olhou significantemente para Gina, murmurou algo sobre correr na frente de todos um pouco e depois saiu, correndo uns cinco metros à frente deles. Gina agora corria com Draco Malfoy. Lado a lado.

Ao invés de analisar o que isso podia significar, Gina resolveu não deixar o comentário de Draco sem resposta.

"Na verdade, Draco," ela disse, dando uma pausa para tentar olhar para ele rapidamente como se sentisse pena, "eu estava indo mais devagar para mostrar à professora Monroe que tenho consideração com aqueles que não tem a mesma disposição para correr que eu."

Draco deixou escapar uma risada curta, de menosprezo, "Ah, é mesmo?"

"È," ela continuou, "achei que estaria cansado de sua noitada com a bruxa número dois ontem." ela disse num tom fingindo pena.

A demora na resposta indicava que ela tinha acertado em algo, ou que ela ao menos o fizera dar uma pausa. Talvez isso não fosse ser tão difícil afinal. Ela estava enganada.

"É, e o que você entende sobre noitadas, pequena Gina?" Draco zombou como ela se tivesse quatro anos. "Pelo que soube, você está tão próxima de transar quanto a velha McGonagall."

Gina sentiu seu rosto corar com esse comentário. Ele parecia ter o talento de escolher tópicos que ela não sabia como lidar. Seu coração disparou e ela tentava achar uma resposta que não parecesse que ela estava descendo para o jogo dele.

"Bem, ao menos tenho exigências." ela disse tentando não parecer muito defensiva.

"É, isso é o que todas as garotas impolurares dizem para justificar a falta de experiência." ele disse caçoando. "Dá um tempo. Por favor." Ele balançou a cabeça, mostrando sua desaprovação.

"Isso não foi muito legal!" Gina falou antes que pudesse conter. Ela rapidamente trouxe a mão para cobrir a boca antes que falasse mais. Maldito seja, ela pensou.

"E quem te disse que eu era legal?" Draco disse irônico. "Se você está esperando gentileza, sugiro que vá pra trás correr com sua paixão eterna – Potter."

Gina decidiu ignora-lo e colocou vendas invisíveis pelo resto da corrida. Ela estava com raiva de si mesma por ter deixado ele irrita-la de novo. Sem pensar, ela começou a correr mais depressa até que alcançou a professora. Juntas, elas terminaram a corrida, deixando Draco sozinho para observa-las correndo pelos olhos estreitados.

******

Quando Harry entrou no Salão Principal naquela manhã, foi recebido por um pequeno grupo de estudantes, todos segurando o Profeta Diário, seus rostos refletindo curiosidade e preocupação. Eles perguntaram sobre como ele se sentia com libertação de Sirius Black e o que ele achava sobre isso.

Ele os assegurou que estava feliz com a noticia e revelou que ele estava bem com seu padrinho. Depois de receber mais algumas respostas, o grupo de alunos preocupados dispersou, alguns indo embora discutindo em murmúrios o que souberam. Harry sorriu e sentou com Rony e Hermione na mesa enquanto uma coruja carregando o Profeta Diário para Hermione pousou a sua frente.

"Acho que as corujas matinais já chegaram." Rony comentou, puxando um prato de bacons e olhando a coruja marrom solitária sobre a mesa.

Hermione mordeu o lábio, desamarrando o exemplar do Profeta Diário e entregando a Harry. "Bem, se vocês dois não tivessem demorado tanto tempo tomando banho depois da corrida, estaríamos aqui mais cedo." ela falou, seu cabelo ainda úmido.

Harry não teve que procurar muito pela manchete que Sirius descrevera na noite anterior: "Acusações contra Sirius Black desmentidas – Ministro da Magia se desculpa Pessoalmente". Harry não conseguiria controlar seu largo sorriso mesmo que quisesse. Ele leu a matéria, a carta, duas vezes, Hermione olhando por cima do ombro dele. Ele depois pediria dez cópias do jornal para guardar para posteridade. Essa era a melhor notícia que ele lia desde a carta que recebera quando tinha onze anos.

Quando ele estava colocando um copo de suco de laranja, aplausos ecoaram da mesa da Sonserina. Levantando os olhos, ele viu Draco Malfoy entrando orgulhoso no Salão Principal com seu sorriso sarcástico. Rolando os olho e imaginando o porquê da confusão, Harry voltou a ler o Profeta Diário. Se fosse importante, ele acabaria sabendo o que Malfoy fizera pra conseguir tanta atenção.

"Vocês souberam?" Simas Finnegan disse animado, pulando na cadeira junto a Rony.

"Não, o que?" Rony e Harry disseram simultaneamente. Hermione levantou os olhos de seu prato de frutas.

"Malfoy agarrou outra ontem!" Simas disse, o espanto inconfundível em sua voz. Harry e Rony se entreolharam. Eles sabiam o que isso significava. A sorte mudara naquilo que era a maior aposta da história de Hogwarts.

Hermione se intrometeu. "Francamente!" ela disse em tom muito baixo, tirando um livro para ler. "Vocês não pensam em mais nada?" os três olharam para ela. "Esperem! Não respondam. Eu não quero saber." ela completou rapidamente, balançando a cabeça. Ela olhou para Harry indicando que estava irritada com o tópico de Simas. Rony não notou.

"Então, quem foi dessa vez?" Rony perguntou, mastigando um pedaço de bacon.

"Eles não disseram," Simas sussurrou num tom baixo, conspiratório, "e vocês sabem o que isso significa."

Os olhos de Rony se arregalaram de choque. "Sem essa!" ele disse alto, depois baixou a voz para completar, "Uma da Grifinória!"

"Certo-o." Simas disse, olhando ao redor da mesa da Grifinória.

"Não entendi." Harry disse, "?Como sabem que ela é da Grifinória?"

Rony e Simas se entreolharam. Simas tomou um gole de chá e se inclinou para frente, sussurrando, "Funciona assim, Harry, cada casa tem um representante cuidando das apostas, eu sou o da Grifinória, se você ainda não descobriu. Quando acertamos a aposta, Malfoy dizia que a gente teria que aceitar a palavra dele. Bem eu nem Kevin Entwhistle da Corvinal aceitamos esse trato. Não podíamos confiar que Malfoy não ia mentir -,"

"Não posso dizer que não concordo." Rony interrompeu.

"Certo," Simas continuou balançando a cabeça concordando, "Então Wayne da Lufa-lufa sugeriu um trato. Malfoy teria que dizer o nome da garota, mas só para os representantes da aposta em cada casa, e só para os que não estivessem na mesma casa que ela. Então, a menina com quem ele dormiu ontem é da Grifinória."

"Ah." foi tudo o que Harry conseguiu dizer. Ele não tinha idéia de como isso tudo foi tão organizado.

"Essa é a bruxa número dói.," Simas disse, um pouco ansioso. "Nesse ritmo ele vai chegar a doze antes do natal!"

"Duvido." Rony disse. "Os testes do fim de período vão atrasá-lo. E ainda tem quadribol e suas tarefas como Monitor-chefe. Ele vai estar ocupado. Nosso dinheiro está a salvo."

Hermione levantou os olhos do livro, olhando suspeita pra Rony. Seu rosto corou e ele rapidamente completou, "porque não estamos nessa aposta idiota, insensível. Ainda bem que não cometemos esse erro.." Simas apoiou a história e pegou a jarra de suco de abóbora, sabiamente mudando o tema pra a temporada de quadribol.

Depois de alguns minutos, o Salão Principal se encheu com o som das batidas de asas, que Harry identificava como a chegada do correio-coruja. Isso seria comum, não fosse o fato do correio-coruja já ter chegado naquela manhã.

Ele levantou os olhos e viu dezenas de corujas douradas voando por cima das cabeças. Quando ele ia virar para perguntar a Rony ou Hermione o que isso significava, uma das corujas pousou em sua frente. Harry desamarrou o pequeno pacote de sua perna. A coruja dourada levantou vôo de repente, sem olhar para trás. Nesse instante, uma coruja marrom normal pousou na frente de Hermione, que desamarrou depressa o pequeno pedaço de pergaminho endereçado a ela.

"O que será isso?" Rony perguntou, olhando de Harry para Hermione enquanto eles abriam suas encomendas.

Hermione abriu a sua primeiro. Harry parou de desenrolar seu pacote e a olhou lendo, seus lábios fechados em concentração. Ela começou a balançar a cabeça e olhou para ele pra Rony rolando os olhos.

"É um convite para o Torneio de Xadrez." ela disse. Não lembro de ter lido nada tão arrogante em toda minha vida. Pelo jeito que escreveram a carta, deixaram claro que eles só estão me convidando porque sou monitora-chefe. Que bando de esnobes!"

Harry voltou a abrir seu pacote e não acreditou no que viu quando finalmente tirou todo o papel marrom. Era uma caixa de cetim vermelho mais ou menos do tamanho da mão dele.

"Uau! Olhe isso!" Rony exclamou. "Deve ser do Clube de Campo e Castelo Mago, Harry. Vê o emblema na tampa da caixa? Você deve ter sido convidado também!" ele olhou como se quisesse pular para o outro lado da mesa tirar a caixa das mãos de Harry.

Harry coçou a cabeça e colocou a caixa sobre a mesa, atento ao fato que Hermione, Rony, Simas e mais dois alunos da Grifinória o olhavam. Ele olhou a seu redor incerto antes de abrir a caixa. Dentro estava um Cavalo de um xadrez muito elegante, acompanhado por um pequeno envelope no qual estava escrito:

Para Harry Tiago Potter, filho de Tiago Edmundo Potter, mais recente herdeiro do lugar da família Potter no Clube de Campo e Castelo Mago

Harry olhou espantado pra Hermione, que deu os ombros, uma expressão um pouco irritada em seu rosto. Depois olhou para Rony que levantou as sobrancelhas e disse rapidamente, animado, "Abra."

Harry tirou a peça de xadrez da caixa e entregou a Rony, que exclamou entusiasmado. Era a melhor peça de xadrez bruxo que Harry vira. Ele depois abriu o envelope, quebrando o lacre de cera. Como Rony adivinhara, era um convite muito formal para o Torneio de Xadrez.

"Você está certo, Rony." Harry disse depois de ler o convite. Ele entregou a Hermione que o leu rapidamente. Seu queixo caiu e ela parecia ofendida com alguma coisa.

"O que foi, Hermione?"

"Harry," ela disse, "esse não é o mesmo convite que recebi. O seu está escrito em tinta dourada, pra começar. Depois tem a escrita. Está bem claro que eles me consideram uma cidadã de segunda classe. Eles até entregaram meu convite com uma coruja marrom ao invés da coruja dourada. Que bando de preconceituosos, esnobes... -,"

"Hermione." Rony interrompeu. "O que tem isso? Pelo que parece, Harry foi convidado porque o pai dele era membro do clube. E daí se eles mandam convites mais legais pra membros?"

"Aposto que eles são como todos os outros clubes do mundo mágico: machistas e preconceituosos contra qualquer um que não tenha sangue puro ou rico. Aposto que convidar alguém nascido trouxa como eu foi muito difícil para eles!" Hermione disse, claramente irritada.

"È, mas você ouviu o que Dumbledore disse na festa de abertura," Rony disse. "Eles estão se esforçando para mostrar simpatia aos que estão lutando contra as forças negras."

"Vou ter uma conversa com Dumbledore!" Hermione disse, levantando-se abruptamente de seu lugar. "Isso é revoltante! Olha a sua volta Rony. Olhe quem recebeu convites! Você vê alguém que seja pobre ou que não seja sangue puro segurando uma caixa de cetim vermelha?"

Junto com Simas e Rony, Harry olhou ao redor pelo Salão Principal, observando quem recebera o convite. Seus olhos pousaram sobre Draco Malfoy, arrogante, girando a peça entre seus dedos enquanto lia o convite. Revoltado com a idéia de ter algo em comum com Malfoy, Harry desviou o olhar.

Antes que pudesse dizer algo pra acalma-la ou conforta-la, Hermione marchou para fora do Salão Principal, sem esperar ele ou Rony que estava indo para aula de Defesa Contra Artes das Trevas.

"Merlin, ela está bem irritada, hein?" Simas disse, voltando a seu café da manhã. "É lua cheia ou algo assim?"

******

O mau humor de Hermione só fez aumentar durante a aula de Defesa Contra Artes das Trevas. Parecia que a nova professora tinha implicado com ela, por alguma razão.

"A resposta não está completamente correta, Srta. Granger." a professora Monroe disse. "Será que você leu o mesmo livro que nós?"

Hermione se apressou em se defender. Seu rosto tinha um tom levemente rosa e seus ombros estavam visivelmente tensos. "Como assim não está correta?" ela perguntou incrédula. "Eu li em Hogwarts, uma história."

A professora deu um sorriso condescendente para Hermione e depois olhou com ar superior para o resto da turma. "Eu pedi para alguém nessa turma usar esse livro como referência para a tarefa?" ela perguntou.

A maioria da turma murmurou ou fez algum sinal negativo. Os poucos que não responderam estavam ocupados prestando atenção ao figurino da professora, uma seleção tão provocante quanto àquela do primeiro dia de aula.

A professora voltou sua atenção à Hermione, que tinha uma expressão de confusão e ansiedade. "Apesar de admirar você buscar outros materiais para completar sua tarefa, espero validação de qualquer informação de outra fonte que use. Se tivesse pesquisado a credibilidade de Hogwarts, uma história, descobriria que não é muito respeitado quanto a documentação sobre duelos de bruxos. Esperava mais de você, Srta. Granger."

Hermione mudou a expressão ao ouvir isso. Seus olhos ficaram cinza e ela respirou fundo várias vezes para se acalmar. Ficou claro por sua expressão que ela nunca fora criticada assim por um professor. "Sim, Professora." ela respondeu, sem levantar os olhos. Seu rosto estava rosa e ela parecia devastada.

"Que bom que esclarecemos isso." a professora disse sorrindo. "Se tem uma coisa que não suporto é uma sabe-tudo que não confirma os fatos."

Harry colocou os braços ao redor de Hermione numa tentativa de acalma-la. A professora Monroe levantou as sobrancelhas e virou para escrever no quadro, "Cinco pontos da Grifinória, Sr. Potter, por demonstração pública de afeto."

Rony engasgou com a injustiça de tudo isso e Harry removeu seu braço de Hermione, seus olhos estreitados de raiva. Como eles iam enfrentar um ano inteiro com essa professora de Defesa Contra Artes das Trevas?

******

"Ela provavelmente me odeia por causa de Harry." Hermione pensou alto enquanto esperava na sala do diretor. Ela ainda estava preocupada com a aula de Defesa Contra Artes das Trevas daquela manhã. E como já não fosse o suficiente, ela ia se atrasar para a reunião com Draco para organizar o Torneio de xadrez se Dumbledore não aparecesse logo. Ela batia o pé impacientemente no chão, e seus olhos pousaram sobre Fawkes, que estava em seu poleiro do outro lado da sala circular.

"Olá, Fawkes." Hermione disse com um sorriso que fez seu rosto relaxar um pouco. "Harry me contou tudo sobre você. Você parece gostar muito dele. Devo me preocupar?"

Fawkes inclinou sua bela cabeça vermelha e dourada confusa para o lado. Ela ia levantar para fazer carinho nele quando ouviu passos se aproximando.

A porta da sala se abriu e o Professor Dumbledore entrou relaxado. Hermione levantou da cadeira num gesto de respeito.

"Por favor sente-se, Srta. Granger." ele disse, fazendo um gesto para ela se sentar e se acomodando em sua cadeira atrás da mesa. "Agora, o que posso fazer por você?"

"Obrigada por concordar em me receber, Professor." Hermione começou, sentindo a sensação de nervosismo familiar que sentia sempre que falava com esse bruxo tão importante.

"Claro." Dumbledore disse, relaxando em sua cadeira e sorrindo para ela, "E devo dizer que acho que já está fazendo um bom trabalho como Monitora-chefe."

"Obrigada." Hermione disse orgulhosa. "É mais ou menos por isso que estou aqui. Sinto como se fosse minha obrigação como Monitora-Chefe chamar sua atenção para esse problema."

"Por favor, sinta-se à vontade para dizer o que passou por sua cabeça, Srta. Granger."

Esse comentário relaxou Hermione um pouco e ela sentiu a confiança aumentando dentro dela enquanto falava.

"É sobre o torneio de xadrez. A entrega dos convites hoje de manhã foi uma declaração clara que os que estão organizando esse torneio estão fazendo exclusões. Alem disso, o jeito que escreveram meu convite deixou muito claro que só estão me convidando porque sou monitora-chefe, não porque tenho outros méritos para me classificar." Hermione disse, exatamente como ensaiara no jantar.

"Tenho que admitir que fiquei surpreso em como eles entregaram os convites, Srta. Granger. O Clube de Campo e Castelo Mago prometeu que iriam quebrar essa tradição esse ano e iriam ser mais discretos com os convites. Já falei com o presidente do Clube para expressar o que acho sobre isso." Dumbledore respondeu.

"Ah," Hermione disse, sem certeza se devia continuar. Dumbledore pareceu perceber sua hesitação e fez um gesto indicando que ela deveria se sentir livre para falar.

"Posso ser bem franca, Professor?" Hermione perguntou.

"Claro."

"Fico surpresa que Hogwarts esteja sediando um torneio organizado por uma diretoria tão elitista. Pesquisei sobre eles e descobri que possuem um histórico de discriminação contra nascidos-trouxas. Pensei que Hogwarts era contra isso." ela disse.

Dumbledore parou por um momento, aparentemente considerando as palavras de Hermione. As tochas da sala dele refletiam em seus óculos de meia lua e Fawkes soltou uma nota longa e trêmula. O som era tão reconfortante que ela logo sentiu a tensão em seus ombros sumir.

"Não é só você que se sente assim, Srta. Granger." Dumbledore disse finalmente . "Muitos pais preocupados mandaram corujas quando fizemos o anúncio sobre a sede do torneio. Vou dizer o que disse a todos eles: tenho esperanças que esse clube tenha começado uma jornada vagarosa para se tornar mais inclusivo e mente aberta sobre seus membros expressando interesse em ter a sede do torneio aqui. Acredito que incluindo e dando boas vindas àqueles que antes tinham idéias contrárias às nossas pode fazê-los mudar com nossa influência."

"Mas você realmente acha que eles querem fazer o torneio aqui porque estão com a mente mais aberta? Minha preocupação é que eles queiram acesso à Hogwarts para outras razões menos nobres que poriam todos nós em perigo." Hermione disse, tentando não parecer muito melodramática e mordendo seu lábio, nervosa. Talvez preocupações com a segurança o fizessem mudar de idéia.

Dumbledore sorriu gentilmente. "Você pensa como um Auror, Srta; Granger. Devo admitir que a segurança continua sendo uma de minhas maiores preocupações para esse torneio, mas estou disposto a arriscar pelo bem da escola e de todos nós. Se pudermos ganhar mais aliados em nossa luta contra Voldemort, estaremos melhor equipados para derrotá-lo e impedir que seus seguidores retornem."

Não fosse o que sentia por Maddie, Hermione tomaria o comentário de Dumbledore sobre suas habilidades parecidas com Auror como um elogio. Assim, ela não sabia exatamente como responder ao que ele dissera. Algo lhe dizia para deixar pra lá, mas sua determinação teimosa estava fazendo disso um desafio. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Dumbledore falou novamente.

"Entendo que esse clube pode representar tudo o que detesta no mundo mágico, Srta. Granger, mas, por favor, tente lembrar que os membros também são pessoas. O Clube Castelo está cheio de tradições e um senso de família e honra que data de antes da fundação de Hogwarts. Harry, na verdade, pode rastrear seus ancestrais até os fundadores do Clube. Entenda, eles não são de todo maus. Você não vai descontar em Harry a descendência dele, do mesmo jeito que ela não liga para sua. Uma vez que abrimos a mente para olhar as pessoas por seus méritos pessoais e não por sua família e status econômico conseguimos aprecia-los por quem são e pelo que têm a oferecer. Temos sempre que lembrar de não julgar as pessoas ou grupos de pessoas antes de lhes dar uma boa oportunidade de demonstrar quem realmente são."

Houve uma pausa enquanto Hermione pensava nas palavras de Dumbledore. Ela era culpada da mesma mente pequena pela qual condenou os Clube Castelo?

"Tem mais alguma coisa que deseja discutir comigo, Hermione?" Professor Dumbledore disse, puxando-a de sua introspecção silenciosa.

"Não, professor, isso era tudo." ela disse.

"E você está confortável com o que discutimos?" ele perguntou.

Começando a se sentir cada vez mais culpada com as palavras de Dumbledore, Hermione não pôde levantar os olhos para ele quando respondeu. Ela conseguir dizer, "Sim, Professor. Obrigada. O senhor me deu muito para pensar. Estarei fazendo os preparativos para os torneios dentro das casas ainda hoje."

E com isso, ela desceu as escadas da sala de Dumbledore e partiu para sua reunião com Draco na sala do monitor e monitora chefes.

A reunião com Dumbledore levara menos tempo que ela esperava e ela ficou meio hora adiantada. Bom, ela pensou, posso dar os toques finais no calendário da Copa Inter-Casas de Quadribol. Ia ser bom ficar em dia pela primeira vez desde o dia que chegara.

Girando a maçaneta de sua sala, ela a encontrou trancada. Isso não a surpreendeu. Quando eles ganharam a sala, Hermione e Draco combinaram de deixá-la trancada pra que ninguém entrasse e lesse pergaminhos confidenciais. Ela tirou sua varinha e apontou para porta, dizendo o feitiço de costume para abrir a porta que eles colocaram. A fechadura abriu e ela tentou a maçaneta de novo. Dessa vez abriu.

Quando ela entrou na sala, derrubou sua mochila e engasgou com a cena à sua frente. A pouca luz iluminava o sofá da sala e os corpos nus e enlaçados de Draco Malfoy e Lilá Brown. Por sorte, eles estavam cobertos por um tipo de manta, mas ficou claro que ela os pegou no meio de um momento muito íntimo. Lilá gritou de surpresa e enterrou o rosto no ombro de Draco, tentando esconder-se sob ele. Ele parecia tão chocado quanto Hermione, seus olhos cinza arregalados. Ele ofegava e parecia um pouco pasmado.

******

Ofegante de ansiedade, Gina subiu correndo para o dormitório feminino com livro que pegara na biblioteca. Ficou feliz ao ver que nenhuma de suas colegas do sexto ano estava lá; ela preferia fazer esse projeto sem suas perguntas enxeridas e sugestões irritantes.

Ela colocou o livro sobre sua cama e foi até seu malão. Abriu com duas batidas de sua varinha e uma senha secreta.

Desde os eventos em seu segundo ano, ela ficou paranóica com as pessoas mexerem em suas coisas. Ela ainda se sentia culpada por ter feito aquilo com Harry para recuperar o diário maléfico. Apesar dele ter dito que a perdoara, ela nunca se perdoaria de verdade. Ela às vezes achava que a paranóia era sintoma da culpa que ela continuava a carregar. Talvez algum dia ela esquecesse.

Tirando o material para seu projeto, ela fechou o malão e deu um olhar furtivo pelo quarto. Ela sentou na cama com os itens. Fechando bem as cortinas, ela sentou na cama, com as pernas cruzadas sob ela e começou a trabalhar.

Quando ela ia começar a trabalhar, ela ouviu as vozes familiares de Anya e Myriene se aproximando do quarto. Mexendo-se rápido, Gina jogou seu material e o livro ainda aberto embaixo do travesseiro antes que elas entrassem no dormitório. Ela já ia abrir as cortinas para cumprimenta-las quando ela ouviu um fragmento de sua conversa. Elas falavam sobre ela. Ela sentou-se devagar na cama, respirando sem fazer barulho para poder ouvir.

"Acho que Gina só está atraída por ele porque ele é mal. Lembra do que aconteceu no nosso primeiro ano, não é?" Myrene disse. Gina achou ter ouvido ela guardar os livros e sentar na cama que era em frente à de Gina.

"Mas não faz sentido.", Anya disse cética, "Ela parece com medo de qualquer um ou qualquer coisa relacionada com Artes das Trevas. Ela devia estar evitando-o, isso sim. Ele com certeza é bonito, mas se tem algum aluno em Hogwarts que emana maldade, é ele."

Gina lutou contra a vontade de pular da cama e gritar com suas duas amigas. Como elas podiam pensar que ela estava interessada em Draco Malfoy? Elas não falaram no nome dele, mas ela entendeu de quem elas falavam. Com o rosto corado de choque, raiva e vergonha, ela continuou a ouvir.

"Bem, acho que ela está procurando um substituto para Tom" Myrene disse e depois adicionou, "ou então ela está tentando esquecer Harry. Imagine como deve ser difícil para ela, estar ao lado dele o tempo todo quando ela visita Rony. Eu ia ficar maluca se gostasse de um cara e ele me tratasse como irmã. Ela diz que o esqueceu, mas a gente sabe que não é assim, não é? Lamento por ela, de verdade. Era de se esperar que ela corresse com Draco, ao menos ele não vai trata-la como irmã."

Gina olhou feio, sem fazer barulho, ao ouvir Anya e Myrene rirem. Elas andaram pelo quarto alguns minutos, vestindo-se pra ir dormir. Elas às vezes gostavam de estudar no dormitório ao invés do salão comunal ou da biblioteca, para que pudessem fazer o dever e fofocar ao mesmo tempo. Gina às vezes se juntava a elas nessa diversão, mas não era o caso hoje.

Depois de alguns instantes, Anya falou de novo, num tom muito preocupado. "Só espero que ela não se envolva com ele. Ele tem uma reputação péssima. Ele a usaria e deixaria de lado, como todas as outras bruxas que caíram no feitiço dele. Essa é última coisa que a pobre da Gina precisa. Ela já é tão sensível, já imaginou como ela seria de coração partido?"

O queixo de Gina caiu em reação a isso e ela cobriu a boca para não fazer barulho. Ela não acreditava que suas amigas pensavam realmente que havia o risco dela se envolver com ele. E por que elas achavam que ela era sensível? Ela não agia tão sensivelmente assim, agia? Claramente elas não estavam sintonizadas com a nova Gina.

"Coitadinha..." Myrene disse, seu tom ecoando a preocupação de Anya. "Acha que devemos falar com ela?"

"Mmmm," Anya falou, "Não sei. Ela odeia quando a gente tenta se envolver nos problemas dela. Lembra quando ela terminou com Wayne ano passado? Ela se recusou a falar sobre isso até que estivesse pronta. Acho que seria inútil falar alguma coisa com ela, e ela poderia ficar com raiva."

"Bem lembrado," Myrene concordou, "vamos torcer para que nada entre eles aconteça. Ele parece odiar de verdade o irmão dela. Talvez isso impeça que ela deixe-o se aproveitar dela."

Gina rolou os olhou ao ouvir isso, balançando a cabeça descrente.

"Eu não pensei nisso," Anya disse, soando impressionada e aliviada. "Você está certa, Myrene! Draco e Rony se odeiam! Pode imaginar o escândalo se Gina namorasse o pior inimigo de seu irmão? Ela nunca faria isso!"

"Me sinto muito melhor." Myrene disse, suspirando aliviada. Ela puxou a cadeira da mesa, o som familiar de madeira sendo arrastada alcançando o ouvido de Gina.

"Eu também." Anya disse bocejando. Ela também puxou uma cadeira, e em segundos, o quarto estava completamente em silêncio com duas garotas tentando estudar e uma tentando não chorar.

********

"Não era pra você chegar até daqui a meia hora", Draco finalmente disse, seu tom um perturbado e arrumando a coberta sobre ele e Lilá. "Vamos nos ajeitar em um minuto. Como pode ver, me pegou no meio de algo".Ele se curvou para dar um beijo na testa de Lilá.

Sem dizer uma palavra, Hermione virou as costas para a cena incomoda. Preparando-se freneticamente para sair, ela se curvou para juntar os livros, as penas e pergaminhos que se caíram da mochila. Ela notou que Lilá parecia aborrecida porque ela estava sussurrando algo numa voz aguda para Draco que Hermione não conseguia entender. Mas ela não ficou pra tentar entender, saindo da sala o mais rápido que pôde, fechando a porta atrás dele e se afastando um pouco da sala.

Seu primeiro instinto foi de ir para biblioteca e remarcar a reunião com Draco para outro dia. A idéia de voltar para a sala depois do que viu a enjoava. Por outro lado, ela realmente precisava terminar o calendário do Torneio de Quadribol e também prometera a Dumbledore que ia trabalhar no calendário do Torneio de Xadrez das Casas ainda essa noite.

Depois de pensar alguns minutos, ela decidiu que ia ter que engolir o desconforto e continuar com a reunião como agendado – depois ela ia conversar com ele sobre seu comportamento. Ele tinha que entender que usar a sala deles para esse tipo de coisa era inaceitável. Por que ele não tinha a decência de respeitar que essa sala também era dela? Eles teriam que fazer algumas regras sobre o uso da sala se quisessem evitar situações constrangedoras como essa.

E falando em constrangimento, ao menos ela não era Lilá Brown. Hermione tentou imaginar como Lilá estava se sentindo agora, mas não conseguiu. De repente, ela fez uma teoria que não saia da cabeça. Lilá era a bruxa com quem Draco marcara outro ponto naquela aposta idiota? Se Simas estava certo em sua teoria que a bruxa que Draco conquistara era da Grifinória, então tudo se encaixava. Mas por que Lilá estaria com Malfoy? Ela era praticamente a garota mais popular da escola. Ela poderia ter qualquer garoto que escolhesse. Não fazia sentido.

Nesse instante, a porta da sala abriu e Lilá saiu, colocando o cabelo atrás da orelha e segurando os livros contra o peito. Ela olhou furtivamente pelo corredor e pareceu muito infeliz de ver Hermione se aproximando.

"Lamento por isso, Hermione." Lilá disse, os olhos abaixados enquanto se aproximava. "Isso foi muito constrangedor."

"Com certeza." Hermione disse gentilmente. "Lilá... você está bem?"

Lilá levantou os olhos. Seu rosto estava rosa, o cabelo bagunçado e seus lábios um pouco inchados. Parecia que ela tinha chorado, mas seus olhos não tinham sinal nenhum de lagrimas. "Estou bem, por que pergunta?"

Hermione parou, pensando no que dizer. Ela queria perguntar a Lilá se ela tinha ficado completamente maluca. Queria perguntar se ela sabia o que estava fazendo. Ela queria perguntar se ela ao menos gostava dele. Ao invés disso, ela colocou uma expressão de preocupação, sem querer se intrometer, mas querendo mostrar a Lilá que ela se importava.

"Só espero que ele não te machuque, Lilá. Ele não tem a melhor das reputações." Hermione disse, tentando dizer que se preocupava pelo tom de voz e pela expressão.

Lilá deixou um sorriso cínico enfeitar seu rosto. "Eu sei o que você pensa dele Hermione, e não posso dizer que a culpo. Mas eu não estou namorando ele por sua personalidade, se é que me entende. Tentei isso ano passado, se você se lembra, mas isso não funcionou."

"Então por que voltou com ele agora?" Hermione tinha que perguntar.

"Primeiro, não voltamos." Lilá corrigiu. "Segundo, isso não é de sua conta." Sua voz estava irritada. Ela correu os dedos pelas pontas do cabelo, desembaraçando-os devagar.

"Desculpe, não queria me intrometer." Hermione disse rapidamente, sentindo seu rosto corar. Ela gostava de Lilá e não queria irrita-la.

"Não, eu que me desculpo. É que eu não estava preparada para alguém descobrir sobre a gente." Lilá disse mais calma. "Você vai ser boazinha e não dizer a ninguém, certo?"

"Claro." Hermione respondeu. "Prometo. A ninguém."

"Obrigada." Lilá murmurou, "Até mais".Ela virou e foi embora, indo na direção da torre da Grifinória.

Balançando a cabeça como se isso fosse ajudá-la a organizar seus pensamentos, Hermione ajeitou a mochila sobre o ombro e voltou para sua sala para encarar Draco.

Quando se aproximou da sala, a porta estava aberta e ela entrou. Draco estava vestindo o casaco pela cabeça. Hermione tirou a varinha, sussurrou um feitiço rápido e ele foi parado ali, os braços presos acima da cabeça e presos no casaco, com o rosto escondido.

"Espere até que eu solte os braços", Draco disse com a voz abafada. Tudo o que Hermione podia ver era o topo da cabeça dele, os cabelos loiros dele passando pelo buraco do casaco.

"Não vai soltar seus braços até que me dê sua palavra em uma coisa, Malfoy", Hermione disse firme.

Houve uma pausa, durante a qual Draco lutou contra os efeitos do feitiço de Hermione. Com os cotovelos dobrados, ele dançava cegamente pela sala, o casaco ainda cobrindo a cabeça e seus braços ainda presos. Ele parou a tentativa inútil de quebrar o feitiço quando bateu a cabeça na moldura da lareira.

"Ai!" Ele gritou com a voz abafada. "Isso é castigo por transar com Lilá? Está com ciúmes?"

Hermione balançou a cabeça descrente. "Isso é sobre cortesia mútua, Malfoy, e o fato de você estar muito carente disso".

"Desde quando está me chamando de Malfoy, Granger?" Ele disse, finalmente parando em pé e soando muito impaciente.

"Desculpe", Hermione disse. "Acho que voltei a te chamar de Malfoy porque você está me irritando muito agora, mais que o de costume".

"Ah, bom. E eu pensei que estava perdendo o jeito".Veio o comentário irônico de baixo do casaco.

Hermione expirou impaciente e decidiu rapidamente que essa tática não estava funcionando. Ela levantou a varinha, e num instante Draco estava livre do feitiço. Ele terminou de vestir o casaco pela cabeça, o tempo todo olhando feio para Hermione que ainda segurava sua varinha.

"É assim que você trata todas suas paixões, Hermione? Ou isso é especial, só para mim?" Draco disse irônico enquanto ia até sua mesa e sentava. Para o grande alívio dela, ele não tirou a varinha. Ela não estava com vontade de lutar com ele e já estava ficando tarde.

Hermione ignorou o último comentário e se concentrou em seus pensamentos. Ela precisava ter certeza que esse tipo de situação desconcertante e desconfortável não iria se repetir.

"Você tem que me dar sua palavra que não vai usar essa sala para transar", ela disse muito séria. "Essa sala pertence a nós dois e você não tem o direito de usá-la para algo assim".Ela guardou a varinha, foi até a mesa dela, sentou ainda encarando-o e cruzou os braços.

Draco olhou impaciente para ela. Ela continuou a encará-lo e a esperar.

"Eu não vou concordar com essa regra de jeito nenhum", ele disse irritado. "O principal propósito desse lugar é conexões intercasa. Não, não vou desistir disso sem lutar".Ele cruzou os braços, decidido.

"Se você não concordar com isso, terei que denunciá-lo por fazer sexo com uma aluna", Hermione disse, ameaçando. "Não ache que eu não faria isso. Seria bem mais fácil trabalhar com um monitor-chefe que não me irritasse sempre que pode".

Draco pensou sobre o que ela disse em silêncio. Ele sorriu maliciosamente e a encarou.

"Certo, tudo bem. Te dou minha palavra que isso não acontecerá novamente, Hermione, mas só porque você me fez um favor hoje." ele disse. Ele se recostou na cadeira, cruzou os braços atrás da cabeça, despreocupado, e colocou as pernas sobre a mesa, cruzando-as no tornozelo.

"Eu te fiz um favor? Desculpe, mas não entendi", ela disse, confusa e irritada.

"Você me livrou de ter que abraçá-la depois, eu odeio ter que fazer isso – que perda de tempo", ele disse, rolando os olhos e balançando a cabeça devagar.

O queixo de Hermione caiu de indignação. "Você é uma pessoa horrível! Não tenho idéia do porquê uma bruxa inteligente como Lilá se envolveria com você. Ela deve estar louca! Está claro que você não gosta nem um pouco dela, então não sei porque ela te daria um minuto de seu tempo, quanto mais..." mas ela não conseguiu terminar a frase. Ela não queria refrescar a memória com imagens de Draco e Lilá transando.

"Bem, ela não gosta nem um pouco de mim também, então não importa muito", Draco disse obscuro. Ele tirou as pernas da mesa e puxou a cadeira mais para mesa num movimento brusco. Hermione estava com muita raiva pra conseguir pensar em uma resposta.

Depois de dez minutos de silêncio, durante o qual Hermione esvaziou a mochila e organizou seus pergaminhos, eles começaram a trabalhar no calendário do Torneio de Xadrez das Casas, nenhum dos dois mencionando a discussão.

*****

Rony virou seu malão de cabeça pra baixo até que encontrou. Estava preso entre Quadribol através dos séculos e sua cópia antiga de Chudley Canons: caminhando para vitória. Agora que ele decidira que Megan era a escolhida, precisava reler a carta que os irmãos enviaram com mais cuidado:

Caro Rony,

Parabéns por chegar ao seu sétimo e último ano de Hogwarts. Para sermos completamente francos, esperávamos que sumisse junto com Harry ou que os reprovassem por causa de Poções. (Jorge me deve dez galeões – sai fora, Fred, foram só cinco!)

Estamos escrevendo porque chegou a hora de saber um dos segredos mais bem guardado da família. Isso é algo que vem sido passado desde que Gui descobriu enquanto estava em Hogwarts. Todos os irmãos de nossa família – exceto Percy, que não conta porque é um grande dedo-duro – saberão agora desse segredo.

Contando um pouco da história, Gui descobriu esse lugar especial por acidente. Ele estava dando uns malhos com sua namorada na época, Roberta Dumee, apertando-a muito forte contra uma parede perto da Torre de Astronomia. Inesperadamente, uma porta secreta abriu. Roberta caiu de costas em um quarto estranho. O resto é história Weasley.

Esse quarto secreto, escondido serviu muito bem a todos nós. Já se perguntou de onde vem nossa fama de bons beijadores? Não se pergunte mais. Algo nesse quarto faz tudo parecer muito melhor. Mas só leve bruxas que você realmente goste para lá. Elas têm que prometer manter o segredo. Descobrimos que usar vendas ajuda (e não estamos sendo safados com isso – bem, Jorge está, mas eu não!).

Não conte esse segredo a ninguém, ou vai arruinar para todos nós. Queremos mantê-lo livre para passar para nossos filhos e assim por diante. Ah, e não diga a Gina! Não queremos que ela leve ninguém pra lá. Ela não pode transar até que esteja casada!

Fizemos um mapa para que possa achar o lugar. Só pode ser aberto durante certas fases da lua – cheque o mapa para mais detalhes.

Esperamos que se divirta com isso tanto quanto nós. Mas se assegure de manter esse segredo bem protegido – e se mantenha protegido. Ha! Ha! Ha!

Fred e Jorge

Rony dobrou a carta e estudou o mapa. Parecia fácil de achar. Ele só precisava olhar a hora certa para poder abrir a porta. Consultando várias tabelas astronômicas, Rony tinha certeza de ter identificado a próxima noite de lua cheia.

"Você está livre quarta à noite?" Rony perguntou a Megan naquela noite enquanto eles estavam na biblioteca fazendo o dever de Herbologia.

"Claro", ela disse. "Por que?", ela olhou desconfiada para ele e esfregou os olhos. Estava ficando tarde.

"Quero te levar para um lugar especial" Rony respondeu. "Um lugar que você nunca esteve antes".Ele esticou o pé por baixo da mesa para cutucar o dela. Ela sorriu sonolenta para ele.

"Parece divertido", ela disse, massageando a parte de trás de seu pescoço com a mão direita. "Para onde vamos?"

"É segredo", Rony disse, colocando suas mãos atrás do pescoço dela e tomando o lugar das dela na massagem. Ele empurrou os dedos nos músculos tensos que encontrou até que sentiu ela estremecer. "Está bom?"

"Maravilhoso", Megan ronronou. Ela fechou os olhos. Havia um traço de um sorriso em seus lábios e ela começou a relaxar com a massagem de Rony.

"Onde aprendeu isso?", ela perguntou depois de alguns minutos relaxantes.

"De você", ele respondeu francamente. Depois ele pressionou os lábios em um dos pontos mais sensíveis do pescoço dela e ela gemeu de prazer.

"Madame Pince com certeza vai nos pegar se continuar assim, Rony. O que te deu hoje? Parece que não consegue tirar as mãos de mim – não que eu ligue".Ela se ajeitou na cadeira, abriu os olhos e virou para encará-lo.

"Não pude segurar", Rony disse. "É quase como se estivesse no piloto automático".

Megan sorriu para ele. "Queria poder te levar para meu dormitório. Não seria legal te abraçar e dormirmos agarradinhos?"

Rony engoliu seco. Ele gostaria de fazer muito mais que apenas se abraçar e dormir agarrado com Megan. Enquanto lhe dava um beijo na bochecha, fez uma prece silenciosa para que quarta fosse a noite.

******

"Toc, toc",

"Quem é?" Draco e Hermione responderam. Hermione rolou os olhos e apontou a varinha para porta, abrindo-a com um feitiço simples enquanto uma voz suave, mas confiante respondeu:

"Sabrina Eng", a porta abriu, mostrando a tão popular Artilheira e capitã do time de Quadribol da Corvinal.

"Oi Sabrina", Hermione disse sorrindo e levantando para cumprimentá-la. "Por favor, entre.Obrigada por vim tão rápido."

Sabrina sorriu também, depois olhou desconfiada para Draco, que abaixara a pena e olhava para ela com interesse.

"Olha se não e minha adversária favorita da Corvinal. Não tivemos a chance de colocar a conversa em dia desde que voltamos para escola, Sabrina. Por que não veio para um bate-papo?", ele disse, com uma chama em seus olhos.

Sabrina e Hermione se entreolharam se entendendo e Hermione sentou atrás de sua mesa, balançando a cabeça e examinando um pergaminho.

"E o que te faz pensar que estaria interessada em conversar com você, Sr. Malfoy?" Sabrina disse, provocando.

Draco levantou e foi até ela. Ela não recuou mesmo quando ele estava a centímetros de seu rosto. Seus olhos castanhos estavam cheios de determinação e sua boca estava firme. Claramente, a proximidade dele não a incomodava nenhum pouco. Ela cruzou os braços e sorriu.

"Não me chame de Sr. Malfoy. Me faz parecer tão... chato", Draco sussurrou. Ele levantou a mão para tocar o cabelo longo e negro de Sabrina, mas ela recuou um pouco.

"Boa palavra para descrever, Draco – chato. Ele não fala muito bem, Sabrina?" Hermione disse, sem tirar os olhos do que estava lendo.

"Sim, você sempre me impressiona com seu charme e humor, Draco. Mas estou aqui a negócios, então, se você não se importa," ela deu um passo para o lado e foi até a mesa de Hermione, "preciso falar com Hermione".

"Nós nunca temos tempo, não é Sabrina?" Draco disse maliciosamente. "Talvez da próxima vez, quando ela não estiver aqui".Ele piscou e voltou para mesa dele.

"Desculpe, Draco. Vai ter que ficar lá fora um pouco enquanto discuto o calendário dos jogos de Quadribol para esse ano. O capitão de Quadribol da Sonserina não pode ouvir o que Corvinal acha do calendário. Tenho certeza que entende", Hermione disse, num tom oficial.

"Entendo", Draco disse, "vocês duas precisam de privacidade para discutir como eu sou um bom partido. Não se preocupe; darei todo tempo que precisam. Devem ter muito o que falar." ele pegou a pena, um livro, alguns pedaços de pergaminho e saiu da sala ouvindo Sabrina rir e Hermione fazendo sons de irritação.

Em minutos, a porta da sala abriu. Sabrina saiu, olhou para Draco que estava levantando do chão onde lia o livro. "Ela é toda sua", Sabrina disse com um sorriso satisfeito, olhando para dentro da sala para Hermione. Draco ficou na porta, olhando-a andando pelo corredor por instantes, antes entrar na sala.

Quando ele entrou, achou Hermione ajeitando o pente no cabelo. Ele se distraiu com isso e prendeu a ponta do sapato no tapete enquanto voltava para sua mesa.

"Não diga que está caído por Sabrina" Hermione zombou, olhando chateada para ele.

"O que esta fazendo com esse pente?", ele disse, ignorando o comentário.

"Nada."ela respondeu, num tom que denunciava que ela estava fazendo alguma coisa.

Draco coçou a cabeça e sentou atrás de sua mesa. Em minutos, outra pessoa estava batendo na porta da sala de novo. Dessa vez, a pessoa abriu a porta sem esperar por uma resposta.

"Chamou?" Harry disse, colocando a cabeça para dentro da sala. Ele sorriu para Hermione, que sorriu em resposta e olhou para Draco.

"Ah, é você", Draco e Harry disseram ao mesmo tempo. Hermione riu.

Ignorando Draco, Harry entrou na sala e foi direto para mesa de Hermione, ainda sorrindo.

"Como vai?", ele perguntou.

"Um pouco cansada, mas fora isso estou bem. Já planejamos todos os detalhes do torneio de xadrez, então pelo menos isso já está feito. Agora estou dando os toques finais no calendário do torneio de Quadribol dessa temporada – essa é a razão para ter te chamado", ela disse, com um olhar de desculpas.

O sorriso de Harry sumiu. "Esperava que quisesse me ver para outra coisa," ele disse, uma ponta de desapontamento em sua voz, "mas tudo bem. O que tem o calendário?"

"Desculpe, Harry, não devia ter te chamado usando -", Hermione começou, mas Harry a interrompeu abruptamente, olhando para Draco.

"Deixa pra lá, amor. Você precisava de mim e aqui estou. Agora, cadê o calendário?"

Hermione olhou por cima do ombro para Draco que rolou os olhos e pegou os livros da mesa. Ele começou a ir embora da sala como da outra vez, mas parou ao chegar na porta.

"Confio que posso deixar vocês sozinhos por alguns minutos sem que quebrem a nova regra, Hermione", ele disse sem olhar para trás.

"Nova regra? Que -", Harry perguntou, irritado.

"Tchau, Draco!" Hermione disse, levantando e indo ate ele para empurrá-lo pra fora. Harry o ouviu rindo antes que ela fechasse bem a porta.

"Como você agüenta dividir uma sala com ele?" Harry perguntou, enquanto a observava voltar para mesa.

"Acredite, hoje está sendo ótimo. Antes de hoje, consegui evitá-lo a maior parte do tempo. Mas hoje trabalhamos no calendário o torneio de xadrez e você não vai acreditar no que o peguei fazendo quando cheguei aqui".

"O que?"

"Ele estava transando com alguém naquele sofá ali", Hermione falou, apontando para o sofá do outro lado da sala.

Harry fez um som de nojo antes de dizer, "Que imagem amável, Hermione. Quem foi?"

"Não posso dizer", Hermione respondeu. "Eu lhe dei minha palavra".

"Nunca pediria pra quebrar sua palavra, Hermione", Harry disse sério. "Mas vou lhe perguntar uma coisa".

"O que é?"

"Ela é da Grifinória?"

"Harry!" Hermione disse, de queixo caído.

"Certo, certo", ele disse, levantando as mãos para acalmá-la. "Venha sentar comigo um pouco, tem uma coisa importante que precisa saber", ele disse, segurando-a pela mão e levando-a para o sofá.

"O que é, Harry?", ela perguntou ansiosa enquanto sentava.

"Só... isso", ele sussurrou, abaixando a cabeça para lhe dar um beijo firme.

O beijo a pegou de surpresa. Desde a conversa que tiveram sobre confiança, eles não se beijavam tanto quanto costumavam. A reação de Harry à reunião da Ordem e as noticias que ele compartilhou dela, foi um balde de água fria nas afeições físicas deles na noite anterior. O beijo dessa noite parecia um copo de água refrescante depois de uma longa caminhada num dia quente. Sedenta por mais, ela se perdeu numa onda de sensações físicas e emocionais e respondeu ao beijo. Antes que ela percebesse o que estava acontecendo, ela estava deitada no sofá, o corpo dele apertado contra o dela enquanto eles se abraçavam e beijavam fervorosamente.

"Senti tanta falta disso", ela disse ofegante entre os beijos, olhando em seus olhos verdes e sorrindo.

"Eu também", Harry murmurou, sua voz um pouco tensa. "Preciso de você, Hermione".

Com isso, houve um aumento brusco na intensidade dos beijos. Hermione podia sentir as batidas rápidas do coração dele em seu peito, e os dois começavam a respirar mais pesadamente. Suas mãos acariciando, seus lábios dando prazer, seus suspiros aumentando – eles estavam fora de controle. Se eles não diminuíssem a velocidade, poderiam fazer algo que não deviam. A mente de Hermione estava fora de foco ela sentia-se tonta. De repente, ela percebeu que não queria parar isso – ela precisava muito dele. Em algum lugar no fundo de sua mente, ela desejou que Harry tivesse controle suficiente pelos dois.

"Acho que vou ter que estupefazer um dos dois para que parem", a voz irritada, mas irônica de Draco soou do nada.

Os dois engasgaram e separaram, sentando-se rapidamente. Eles não o ouviram entrar. Hermione ajeitou sua blusa e saia enquanto Harry arrumou os óculos no rosto e correu a mão pelo cabelo, frustrado. Os dois encararam Draco que estava de pé, com os braços cruzados, balançando a cabeça, em reprovação.

"Você não bate na porta?" Harry perguntou muito constrangido, limpando a garganta.

"Você não segue as regras?" Draco respondeu, olhando feio para Hermione.

"Do que diabos ele está falando?" Harry perguntou, virando-se pra Hermione.

Hermione mordeu o lábio, e deu um beijo na bochecha de Harry. "Depois que o encontrei aqui com a bruxa -"

"Então você contou a ele!" Draco gritou irritado.

"Claro que contei! Não era pra manter em segredo, era?" Hermione gritou.

"Ela disse que ia te pedir para não contar a ninguém", Draco disse friamente, "acho que dar a palavra não vale tanto para os alunos da Grifinória. Devia saber que não podia confiar em você".

"Malfoy!" Harry disse em aviso, levantando do sofá.

"Não, Harry", Hermione disse, levantando também. "Eu cuido disso".Ela colocou um braço na frente dele, impedindo que ele avançasse até Draco.

"Eu não disse com quem, Draco. Foi isso que prometi manter em segredo e ao que vou ser fiel", ela disse sincera.

"Tá certo", Draco respondeu malévolo; "acho que vou ter que confiar em você. Como fui tolo em questionar a integridade de alguém da Grifinória. Onde estava com a cabeça?"

"Ignore", Hermione disse a Harry quando ele abriu a boca para responder. Ela o pegou pela mão e o levou até a porta. Ela sabia que ele estava furioso com essa conversa com Draco e não queria que isso enfraquecesse a relação de trabalho tumultuosa que tinha com Draco. Harry a acompanhou relutante.

Quando saíram para o corredor, Hermione fechou a porta da sala atrás deles e levou a mão dele até sua boca, beijando-a. Ela olhou nos olhos dele e pode ver sua frustração.

"Não deixe que ele o atinja, Harry", ela disse gentilmente. "Ele esta sempre tentando irritar a gente. A pessoa mais forte é a que consegue ir embora sem descer ao nível dele".

Harry respirou fundo e a olhou nos olhos. Ele estava muito sério e parecia bastante chateado com alguma coisa.

"O que ele disse lá dentro me deixou com muita raiva. Mas já deixei pra lá", ele disse acenando com a mão como se fosse matar um inseto irritante. "O que me preocupa agora e que se não fosse pela interrupção, nós provavelmente teríamos feito amor bem ali, naquele sofá." Ele respirou fundo outra vez, estudando preocupado a expressão dela.

"Eu sei", ela murmurou, abaixando o olhar para os pés.

"... e poderíamos ter acionado a maldição de Morgana e arruinado tudo", ele continuou.

"Eu sei", ela murmurou de novo.

"Espero que não esteja... zangada", ele disse ansioso. Ela levantou os olhos para ele, surpresa.

"Por que estaria zangada?"

"Conversamos sobre esfriar as coisas por um tempo e daí, nós simplesmente... eu..." ele gaguejou, claramente com dificuldades, "E só que eu me deixei levar", ele disse finalmente. Ele a olhou profundamente com aqueles olhos verdes brilhantes.

Hermione deu um passo para frente e se pressionou contra ele, o tomando num abraço, o qual ele retornou. Ela podia senti-lo tremer e o coração dele estava batendo quase tão rápido quanto na hora em que estavam juntos no sofá.

"Esta tudo bem, Harry", ela sussurrou, repousando a cabeça no ombro dele, "Nós dois nos deixamos levar. Eu não estou nem um pouco zangada, exceto talvez comigo. Eu perdi o controle completamente. Tinha prometido a mim mesma que não deixaria isso acontecer – ao menos até que estivéssemos prontos."

"Isso é tão confuso e frustrante", ele disse, expirando alto.

"É sim", Hermione concordou.

"... e, além disso tudo, temos que agradecer Draco por ter nos salvo de nós mesmos." ela completou. Ela tirou a cabeça do ombro dele e a deixou a centímetros do rosto dele.

"Isso me deixa muito melhor", Harry murmurou sarcástico antes de beijá-la.

Depois de alguns instantes nesse beijo, Harry se afastou, com uma expressão de curiosidade em seu rosto. Hermione inclinou a cabeça para um lado, imaginando o que ele estava pensando.

"Então, qual era a regra que Malfoy estava falando?" Harry perguntou.

"Ah, isso", Hermione disse, balançando a cabeça e sorrindo. "Eu o fiz concordar que não haveria sexo em hipótese alguma em nossa sala. Ele ficou muito irritado com isso, mas finalmente concordou".

"Isso explica porque ele ficou com aquela cara quando nos encontrou daquele jeito", Harry disse, com um largo sorriso.

"É, bem. A gente devia seguir a regra. Mas tenho que admitir que tem algo de sexy em dar uns malhos no meu escritório".

"Foi divertido, não foi?" Harry disse, piscando para ela. "Mas não foi por isso que me chamou lá, foi?"

"O calendário!" Hermione falou, "Eu quase esqueci!"

"Por que você não o traz quando voltar para Grifinória mais tarde?" Harry sugeriu. "Ai eu dou uma olhada. Confio que você foi justa. Alguma coisa que deva saber?"

"Na verdade não. A primeira partida é contra Sonserina, 20 de setembro."

"Um dia depois de seu aniversario", Harry lembrou. "Não sei como isso vai afetar meu jogo", ele disse, brincando, cutucando-a em flerte.

Ela sabia ao que ele estava se referindo, e isso também passara por sua cabeça. "Você vai ter mais sorte, Sr. Potter", ela disse, com um brilho nos olhos.

O rosto de Harry ficou muito sério e ele colocou as mãos no rosto dela. "Sempre me disseram que eu era o bruxo mais sortudo, mas nunca acreditei nisso até que você disse que me amava".

Depois disso, ele lhe deu um beijo, muito doce e gentil.

"Te vejo no salão comunal", ele sussurrou, afastando o rosto do dela. Ainda sem palavras e pasmada pela declaração amorosa dele, ela o observou indo embora, até que ele virou para descer as escadas, o que bloqueou sua visão.

Ela suspirou e sorriu, sonhadora. Como eles se amavam! Algum dia, ela pensou, eles oficializariam isso.

Ela voltou para a sala, seu sorriso intacto. Draco não tirou os olhos de seu trabalho quando perguntou, "Pensei que vocês se controlassem mais. Os pombinhos já prepararam tudo?"

Hermione olhou para ele, surpresa com a pergunta. Ele nunca demonstrara nenhum interesse no relacionamento dela e Harry. Mesmo depois que ele ajudou a quebrar a maldição de Morgana no quinto ano, era assim.

"O que te importa?", ela tinha que perguntar.

Ele virou para ela, lançando um olhar penetrante antes de responder. "Bem, só achei melhor te prevenir contra a tentação", ele disse. "Potter não traz boa sorte, Hermione. Vai cometer um grande erro se dormir com ele. Pelo jeito que as coisas iam quando entrei, vocês estavam quase lá".

"Isso não é de sua conta", Hermione respondeu, sentindo suas bochechas corar de vergonha. Como ele se atrevia a levantar um tópico tão intimo?

"Permita-me dar um conselho a você, Hermione", Draco disse como se estivesse prestes a derramar anos de sabedoria sobre ela.

Hermione rolou os olhos, "Tenho certeza que vai dar mesmo que eu não queira."

Ele continuou, ignorando-a, "Você esta se metendo em encrenca com ele. Conheço seu tipo, Hermione, e tenho certeza que você já decidiu que ele o homem de sua vida. Bem, deixe-me dizer porque acho que você deve repensar".

Hermione olhou para Draco, o queixo caído em descrença. "Isso vai ser ótimo para rir!", ela balançou a cabeça e voltou para o trabalho, fingindo que não o ouvia.

Para sua surpresa, ele continuou. "Você tem certeza que quer ficar com uma pessoa que provavelmente não viverá até os trina anos? Voldemort uma hora vai pegá-lo e quando o fizer, você vai ficar completamente sozinha. É isso mesmo que você quer?"

"Você está muito certo que Voldemort vai pegá-lo", ela disse, desconfiada, tentando desesperadamente esconder a surpresa de como ele se aproximou dos sentimentos de Harry na noite anterior.

Draco parou por um segundo, depois levantou e foi até a mesa de Hermione. Ele tirou sua varinha e apontou para uma maçã que estava numa estante próxima e começou a levitá-la distraidamente. Enquanto fazia isso, recomeçou a falar, "Certo, vamos dizer que por uma chance remota ele não seja morto por Voldemort," Draco parou para olhar com incredulidade para ela, "Você tem certeza absoluta que ele é o bruxo para você? Como você sabe que não tem alguém melhor no mundo? Como você sabe que não vão se separar depois que se formarem em Hogwarts?"

"Já terminou?" Hermione perguntou, imaginando porque ele estaria fazendo essas perguntas e a irritando com elas.

Ele abaixou a maçã e puxou uma cadeira pra perto dela. Ele a colocou de costas e montou na cadeira, repousando os cotovelos nas costas da cadeira, de frente para Hermione. Ele olhava para ela como se esperasse sua atenção completa. Rolando os olhos de novo, ela recostou em sua cadeira, cruzou os braços e o olhou feio, impaciente.

Ele desviou os olhos para o chão, quase como um garotinho que estava com vergonha de falar. Quando ele levantou o olhar para ela, havia algo em seus olhos que Hermione nunca vira antes. Ele estava realmente preocupado com o bem-estar dela? Tão rápido quanto pensou isso, ela deixou a idéia de lado. Draco Malfoy nunca pensara duas vezes nela – exceto quando ajudou Harry a quebrar a maldição no quinto ano. Mas Hermione nunca acreditou que ele fizera isso por se preocupar com ela.

Os lábios dele formaram um sorriso gentil, quase como se estivesse paquerando-a. Ela já o tinha visto sorrir assim para muitas bruxas e estava completamente chocada que ele tenha sorrido assim para ela. Com nojo, ela retribuiu o olhar dele com um de desprezo e virou a cabeça para o lado, olhando para o teto. O tempo todo não podia evitar procurar uma explicação para o comportamento estranho dele. Ele a odiava, então por que estava mostrando toda essa preocupação de repente? Por que ele estava usando seu charme agora? Ela chegou a duas possibilidades: ele devia ou querer alguma coisa ou estar em alguma aposta. Bem, ela não ia dar o que ele queria; mais que isso, ela não ia jogar seus jogos infantis.

"Hermione", Draco praticamente sussurrou, "não é fácil para mim lhe dizer isso, e sei que todos meus amigos vão rir de mim se souberem, mas com o passar dos anos, comecei a te admirar e respeitar".

"Hmph", foi tudo o que Hermione conseguiu dizer, seu nariz ainda apontado para cima, os braços cruzados. Ela não ia ouvir essa besteira. Ela pensou em levantar, mas ainda tinha trabalho a fazer e não queria começar outra briga.

"Se você acredita ou não, é irrelevante", ele disse, e depois riu baixou. Ele depois falou baixo, como se para si mesmo, "sabia que ela não ia acreditar em mim".

Depois continuou sinceramente, "Você sempre me desafiou, Hermione. Você às vezes diz coisas para as quais não tenho resposta – e isso não é fácil, porque sou muito bom em réplicas – mas você é uma bruxa muito poderosa, e estaria errado se não te considerasse uma oponente formidável. E tem algo nessa bruxa que eu não posso deixar de admirar".

Isso pegou Hermione de surpresa. Ela quase baixou a cabeça para olhar para ele, mas ela preferiu abaixar os olhos. Ela se sentiu obrigada a checar se ele tinha enlouquecido, e pelo que vira, ele ainda parecia perfeitamente normal – pelo menos pra ela. O que ele estava aprontando?

Draco se inclinou e apoiou o queixo nas costas da cadeira. "É minha admiração por você que me impede de ficar quieto sobre seu relacionamento com Potter, sei como é ter dezessete anos, e estou disposto a apostar que ele só está com você porque é fácil. Você é uma coisa certa, quando chegar ao seu aniversário daqui a uns dias. Mas aposto que quando você der o que ele está procurando, você voltará a ser a Hermione de sempre, a amiga dele que gosta de livros e que é ótima em ajudá-lo a fazer o dever ou sair de uma situação difícil."

Por um momento, houve silêncio. Hermione estava fumegando e dando batidinhas com seu dedo contra seu braço enquanto Draco estava sentado em sua cadeira e corria a mão em seus cabelos, ajeitando-o como se fosse para deixá-lo num alinhamento perfeito.

"Não acredito nem que estamos discutindo isso", Hermione disse finalmente, se convencendo que Draco estava enganado e só estava tentando deixá-la irritada. "Isso não é de sua conta. Prefiro que não toque mais nesse assunto".

Draco riu, levantou da cadeira e voltou a seu trabalho. Enquanto estavam sentados em silêncio, Hermione se perguntava se sua imaginação estava maluca. Parecia que Draco olhava para ela todas as vezes que virava a página de um livro.

********

Harry voltou da visita ao escritório de Hermione ainda um pouco agitado. Ele já ia subir para o dormitório para tomar um banho quando Colin Creevy apontou na direção de uma das mesas no salão. Havia um pacote médio e aparentemente chegara via coruja meia hora antes.

Indo até a mesa, ele viu a caligrafia familiar de seu padrinho no topo do pacote. Isso deixou Harry confuso. A última vez que falara com Sírius, ele não mencionara nada do pacote. A última coruja que recebera foi sobre a reunião da Ordem. Além de responder a pergunta de Harry, a única outra informação quer Sírius dera foi que estaria mudando para o novo apartamento, localizado a cinco milhas de Hogsmeade.

Havia um pedaço de pergaminho preso ao topo do pacote, o qual Harry puxou, desenrolou e leu:

Harry,

Peço desculpas por não lhe entregar essa caixa pessoalmente. Meu novo supervisor no Departamento de Mistérios me deu várias missões que me impedem de te visitar em Hogwarts.

Enquanto me preparava para mudar, o Ministério retornou as posses que foram confiscadas quando fui jogado em Azkaban. Eu tinha me esquecido disso. Minha experiência em Azkaban me fez esquecer vários detalhes de minha vida antiga.

Em todo caso, essa caixa na verdade pertence a você. Tirei da casa de seus pais a pedido deles um mês antes deles serem mortos. Eles queriam ter certeza que se algo acontecesse a eles, você teria isso para lembrar-se deles.

Não tive coragem de olhar o conteúdo na época, e não tive coragem de olhar agora. A única coisa que Tiago me disse foi para você mesmo ver. Fico feliz que você, o dono de direito, agora está em posse.

Sírius.

Harry hesitou apenas por um instante antes de rasgar o papel marrom que cobria a caixa. O topo parecia estar selado por um feitiço. Tirando a varinha do bolso de suas vestes, Harry murmurou um feitiço simples e a caixa se abriu facilmente, revelando vários itens. Havia um pequeno envelope bege em cima das coisas na caixa. Tinha o nome dele escrito numa letra energética, redonda. Harry esticou a mão para dentro da caixa, puxou o envelope para ler a carta endereçada a ele.

Nosso querido Harry,

Se está lendo essa carta, deve ser porque morremos. Seu pai e eu temíamos muito que isso acontecesse, por isso fizemos essa seleção de memórias para você.

Por favor, saiba que te amamos e sentimos muito sua falta. Você é a pessoa mais importante no mundo para nós e queremos que saiba que você é especial e muito amado.

Você está destinado a grandes coisas, Harry. Nunca deixe de acreditar em si mesmo. Nunca deixe de acreditar em seus amigos. Sempre se mantenha verdadeiro ao seu coração e nunca fará nada errado.

Te amamos.

Mamãe e papai.

Harry puxou uma cadeira e sentou. Ele segurava a carta em uma mão e a cabeça na outra, os cotovelos apoiados na mesa. Ele apenas ficou sentado, sem saber o que pensar ou o que sentir. Pra falar a verdade, ele estava se segurando forte para não explodir de algum jeito. Ele estava dividido entre gritar de raiva e urrar de tristeza. Seus olhos foram perdendo o foco e sua mente se afastou quilômetros das pessoas no salão comunal. Foi assim que Hermione o encontrou momentos depois.

"O que foi, Harry?", ela perguntou, a voz cheia de preocupação. Ela colocou uma mão no ombro dele e deu um aperto.

De algum jeito, ele conseguiu sair do transe em que se encontrava e levantou os olhos. Estava claro pela reação dele que ele não parecia bem.

"O que houve, Harry?", ela perguntou, gentil, seus olhos castanhos refletindo preocupação.

Harry não conseguia falar. Parecia que sua voz estava presa na garganta. Ele entregou a carta de seus pais a ela, e a observou enquanto ela lia.

Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto de Hermione quando ela devolveu a carta a ele. Ele colocou a carta de volta na caixa e se virou para ela, tomando a mão dela nas dele.

"Está tudo bem", ele conseguiu dizer, olhando para ela.

Hermione secou os olhos com a mão livre e fungou. "Você quer que eu ajude a olhar isso, Harry?", ela perguntou, a voz tremendo um pouco.

Por algum motivo, Harry queria um tempo sozinho com o conteúdo da caixa e disse isso para Hermione do jeito mais gentil que conseguiu. Ela o entendeu completamente, oferecendo-se para ajudar de novo, se ele mudasse de idéia. Com beijo suave na bochecha dele, ela foi para seu quarto. Dando a ele todo o tempo que precisava para dar um passeio pelas lembranças de seus pais.

****

Era uma hora da manhã e Harry estava na frente da porta do quarto de Hermione, embaixo da capa de invisibilidade. Ele puxou a varinha, sussurrou um feitiço para destrancar e girou a maçaneta sem fazer barulho. Fechando a porta atrás dele, tirou a capa de invisibilidade e sussurrou, "Lumos," iluminando o quarto com o brilho de sua varinha.

Ele estava segurando um livro embaixo do braço, o qual ele colocou no colo quando sentou cuidadosamente na borda da cama dela. Parando antes de acordá-la, ele a observou dormindo por alguns instantes. Seus sentimentos de tristeza e solidão por olhar as memórias de seus pais diminuindo um pouco ao se deixar distrair com o quanto a achava atraente.

Ela estava deitada de costas, seu rosto virado para o lado direito onde ele estava sentado. Seu braço direito embaixo das cobertas, enquanto o outro estava dobrado no cotovelo, mão a altura da cabeça, com o punho fechado relaxado. Geralmente seguro para trás pelo pente que ele dera, o cabelo dela estava espalhado pelo travesseiro e emoldurando seu rosto.

A expressão de paz em seu rosto dava a impressão dela estar com um brilho interno. As pálpebras que escondiam seus olhos castanhos pareciam refletir o brilho da varinha. Seu pequeno nariz mexia no ritmo de sua respiração, lembrando Harry por um momento de um pequeno coelho branco que ele transfigurara em uma cartola numa aula. Ele quase riu ao pensar nisso, mas seus olhos se concentraram em seus lábios – os lábios que ela mordia quando estava nervosa ou assustada; os lábios que ela contraia quando pensava muito; os lábios com os quais ela fazia bico quando estava frustrada ou irritada; os lábios que ela usava para beijá-lo por mais vezes do que ele conseguia lembrar. Eles formavam um pequeno sorriso e pareciam tão suaves, tão convidativos.

Ele colocou gentilmente o livro no criado mudo e se inclinou para frente, curvando a cabeça para beijá-la. Os lábios dele encontraram o dela suavemente e ela inspirou profundamente. Ao invés de abrir os olhos como ele pensou que ela faria, ela respondeu ao beijo, suspirando enquanto o beijo continuava. Ele a beijou com mais intensidade, e ela equiparou a força dele com um pouco da dela, levantando a mão esquerda e colocando-a na parte de trás do pescoço dele, puxando-o para ela e aumentando o ritmo.

Quando ele ia puxar as cobertas para ter um melhor acesso ao resto do corpo dela, pensamentos do porquê ele estava ali invadiram sua mente. Ele terminou o beijo com um sorriso e ela abriu os olhos vagarosamente.

"Você não vai acreditar no sonho maravilhoso que acabei de ter, Harry.", ela sussurrou, um sorriso preguiçoso em seus lábios.

Ele continuou a brincadeira, "Por favor, me conte".

"Tinha um bruxo lindo que entrava escondido em meu quarto e me beijava loucamente", ela começou.

"É mesmo?", ele conseguiu dizer, tentando desesperado lutar contra a vontade de pular sobre ela e fazer isso mesmo.

"Mesmo", ela respondeu marota, e depois sentou, apoiando-se na cabeceira. "Mas já chega de falar sobre mim, tenho certeza que não entrou aqui para me beijar. O que houve?", ela cruzou os braços, sua expressão mudando de divertimento pra preocupação.

"Bem, estava olhando o livro que Sírius me enviou", Harry disse, sem olhá-la nos olhos. Ele não queria mostrar o quanto aquilo o perturbara.

"Harry, você está bem?" Hermione disse suavemente, tocando o braço dele de leve.

"Vou ficar", ele respondeu olhando rapidamente para ela. Ela não pareceu muito convencida.

"Você parece chateado, Harry. Tem certeza?"

"Na verdade não", ele disse dando um pequeno sorriso. "Mas não se preocupe com isso agora, queria a sua ajuda".

"O que foi?"

Ele pegou o livro que colocara no criado-mudo e entregou a ela. Ela olhou para capa e depois para ele, confusa. "Achei isso entre as coisas que meus pais me deixaram na caixa." ele explicou. "Como pode ver, parece estar escrito em runas, e eu não sei ler. Queria saber se você tem alguma idéia do que diz".

Hermione olhou o título entalhado no livro mais de perto. Ela sorriu. "Está escrito em runas babilônicas, Harry. Foi uma das primeiras runas antigas que estudamos e -",

"O que diz?", ele perguntou, interrompendo-a impaciente. "Desculpe, é que estou com uma sensação estranha sobre isso e não queria esperar ate amanhã para descobrir", ele completou, ao ver a expressão de mágoa no rosto dela.

"Bem, vou ter que pegar meu tradutor", ela disse, jogando as cobertas para o lado e levantando. Ele a observou enquanto ela ia ate sua escrivaninha e deu uma rápida olhada na silhueta do corpo dela através da camisola quando ela ligou a luz da mesa. Ele se mexeu um pouco na cama, indo um pouco para o lado, para que ela pudesse sentar junto a ele quando voltasse.

"Aqui está o que precisamos", ela disse, virando da mesa com Traduzindo o oculto: um guia de Runas Antigas para iniciantes. Ela sentou junto a ele, puxou o livro dele mais para perto, estudou os símbolos e virou as páginas do livro de runas. Depois de um minuto que pareceu uma eternidade para Harry, ela levantou os olhos da tarefa, com uma expressão de curiosidade.

"Diz, 'Diário Pessoal de Lily Potter, pesquisadora especial do Departamento de Mistérios'" Hermione leu, quase perplexa. Harry não sabia como reagir. Ele olhou para Hermione como se ela tivesse mais o que dizer.

"Harry!" Hermione disse animada, "Isso é extraordinário! Você vai poder saber o que sua mãe fez! Talvez possa conseguir algumas respostas de por que Voldemort quer você morto!"

"Talvez", Harry disse cético, olhando para suas mãos. Ele não sabia o que dizer ou o que sentir com isso.

Hermione pareceu ter uma inspiração repentina, porque pulou de onde estavam sentados e começou a andar pelo quarto, olhando para ele animada.

"Sabe o que isso quer dizer, Harry?", ela disse ofegante, enquanto ia de um lado pra outro.

"Não, o que?"

"Quer dizer que você vai poder descobrir como sobreviveu a tentativa de Voldemort de te matar. Talvez sua mãe tenha colocado algum feitiço de proteção em você no caso de algo acontecer. Ah, Harry! Isso é quase bom demais pra ser colocado em palavras!"

Harry desejou partilhar do entusiasmo dela. Ao invés de se animar com essa noticia, o fez sentir ainda mais desanimado. Ele pensou que devia estar tão entusiasmado quanto Hermione com a possibilidade de descobrir mais sobre sua mãe ou como ela salvou sua vida, mas não conseguia. Ele estava assombrado por uma pergunta que não conseguia esquecer: se a mãe encontrara um meio de salvá-lo, porque não o usou para se salvar e salvar seu pai? Harry suspirou involuntariamente, e depois deu um pequeno sorriso para Hermione.

Hermione parou de andar e tirou os dois livros da cama e os colocou sobre a mesa. Ela depois sentou ao lado de Harry, que olhava para o vazio. Tomando as mãos dele nas dela, ela o puxou com ele quando se deitou. Ele não resistiu, e se achou deitado sobre os lençóis dela, a cabeça apoiada em seu braço dobrado.

"Por que não dorme comigo hoje?", ela disse gentil, seu rosto cheio de preocupação. "Você parece estar precisando de companhia".

"O que? Você quer dizer, ficar aqui a noite toda com você? Aqui? Na sua cama?" Harry disse, nervoso com a proposta inesperada.

"Sim".

"Mas, não podemos, eu poso ser pego!", Harry respondeu rápido, se perguntando porque ele que estava dizendo isso a monitora-chefe.

Hermione sorriu para ele com um olhar malicioso. "Por acaso, eu sei que não vai haver nenhuma inspeção nos dormitórios hoje. Sabe, existem alguns privilégios em ser monitora-chefe".

Harry corou e ele retornou o sorriso dela nervoso. O prospecto de passar a noite dormindo com Hermione era realmente muito atraente. O único problema era que ele não tinha certeza se era uma boa idéia, por causa da Maldição de Morgana. Eles estavam a alguns dias do aniversário de Hermione, mas quanto mais ele se aproximava, mais abalada sua determinação em agüentar ficava. Talvez fosse parte do preço que devesse pagar pela cura.

Hermione pareceu adivinhar o que se passava pela cabeça dele, porque parou de sorrir e cruzou os braços. "Sei o que está pensando, Harry. Não se preocupe. Ofereci que ficasse aqui como uma amiga, não como sua namorada. Vai ser como quando Rony ficou aqui comigo quando você terminou – totalmente casto. Não quero que fique sozinho o resto da noite se puder evitar. Você parece tão tenso, tão solitário".

Após uma breve pausa durante a qual Harry ponderou sobre as palavras dela, ele concordou em ficar. Hermione ficou feliz. Ela foi para a extrema esquerda da pequena cama e sorriu enquanto Harry entrava embaixo das cobertas para se juntar a ela.

Levou uns dez minutos até que eles achassem uma posição confortável para dormir. No princípio eles rolaram de um lado para outro se acotovelando constrangidos. Numa hora Hermione quase deu uma joelhada num lugar que com certeza faria Harry gritar alto o suficiente para acordar o castelo todo. Finalmente, eles decidiram dormir na posição colher.

Deitado ali com Hermione em seus braços, Harry se maravilhou com o quanto isso parecia natural e confortável. Ele respirou fundo, inalando o aroma familiar do cabelo e pele dela. Ele se aninhou mais perto dela, ávido por mais de seu calor confortante. Isso, combinado com a respiração suave, constante, gradualmente acalmaram sua mente nervosa e seu corpo cansado e o levaram para um sono profundo e reparado.