Harry Potter e a Tábula de Transmora
Capítulo 8 – O quarto

Megan ia para aula de Herbologia naquela linda tarde de segunda com um sorriso no rosto. No fim de semana anterior, Rony fora mais atencioso que o de costume. Ele a presenteou com flores todas as vezes que se viram. Domingo de manhã, ele enfrentou as risadinhas das amigas dela da Lufa-lufa e foi até a mesa para trazer várias flores. Ele até levou uma pena extra quando eles estavam estudando – ela freqüentemente esquecia a dela no quarto.

No início, ela pensou que ele estava tentando esconder alguma coisa ou que ia pedir algum favor desagradável. Mas ele insistiu que estava sendo ele mesmo todas as vezes que ela perguntou sobre o porquê da mudança. Domingo à noite, depois de beijos intensos numa das estufas, eles ficaram abraçados olhando as estrelas. Depois de uma hora nessa paz relaxante, ele dormiu. Ela observou o peito dele subir e descer com o ritmo da respiração e não conseguiu deixar de pensar sobre o futuro deles. O nome Megan Weasley passou por sua cabeça e eram esses mesmos pensamentos traziam um sorriso a seu rosto agora.

Ela chegou na estufa D e sentou em seu lugar no meio da sala. Ela gostava bastante de Herbologia, mas não o suficiente a ponto de sentar na frete e ser assistente da Professora Sprout – uma tarefa que geralmente cabia a quem sentava na primeira fila. Geralmente era bom chegar cedo na aula de Herbologia – mas não foi o caso hoje.

"Você com certeza parece muito feliz hoje." uma voz feminina veio detrás dela. Megan virou na cadeira e se deparou com Lilá Brown e Parvati Patil sorrindo maliciosamente para ela.

"Ah, oi" ela disse, sorrindo para as duas alunas da Grifinória. Ela não conhecia muito Lilá nem Parvati, mas não tinha nada contra as duas alunas populares.

"Tem alguma coisa que a gente deva saber?" Parvati perguntou, cutucando Lilá. Megan notou o gesto e franziu a testa.

"Não. Por que a pergunta?"

"Ah – nada," foi a resposta de Lilá. "Só que eu apostaria que sei o que te deixou com esse brilho nos olhos." Ela piscou e Parvati corou um pouco e riu. As duas olharam pela sala, aparentemente procurando por alguém.

"O quê?" Megan disse devagar, contraindo as sobrancelhas.

"Você sabe!" Lilá disse. "Vamos lá, Megan. Todas somos garotas crescidas aqui."

"Eu sinceramente não tenho idéia do que você está falando." Megan perguntou confusa.

"O nome Rony Weasley te lembra alguma coisa?" Parvati falou.

"Bem, ele tem sido um doce ultimamente..." Megan começou a dizer, o sorriso voltando.

"E?" Parvati e Lilá disseram ao mesmo tempo.

"E eu realmente gosto dele." Megan disse, suas bochechas corando com o tanto que ela gostava dele, e até o amava.

"É só isso? Não tem mais nada que queira nos dizer?" Lilá incitou, sussurrando como se fosse uma conspiração e se inclinando para frente para que só Megan pudesse ouvi-la.

"Não tem mais nada a ser dito." Megan sussurrou em resposta. "Ele é maravilho. Ponto final."

"Maravilhoso em que sentido?"

"Vocês querem me dizer aonde querem chegar com isso, já está ficando meio idiota, não acham?" Megan disse, impaciente e lembrando que a aula começaria em alguns minutos.

"Já transou com ele? Sim ou não." Lilá disse de vez, a cabeça inclinada para um lado. Ela olhava para Megan na expectativa, enquanto Parvati ria e olhava em volta.

Megan se irritou muito com a pergunta. As bochechas coraram de raiva e constrangimento e ela virou-se rapidamente na cadeira, sem responder. Como elas ousavam perguntar uma coisa tão pessoal? Nem as melhores amigas dela perguntavam coisas assim.

"Acho que isso responde, não é, Parvati?" Lilá disse, alto o suficiente para que Megan e outros alunos ao redor ouvissem

"Isso não é de sua conta." disse uma voz do lado direito de Megan. Era Hermione Granger, e ela parecia irada.

"Qual é Hermione! A gente só estava se divertindo!" Lilá disse sorrindo.

"Megan com certeza não parece estar se divertindo. Ouvi o que perguntou, Lilá. Essas coisas são particulares." Hermione disse, a voz dela levantando intensamente. Megan virou para porta, checando se Rony tinha ouvido a conversa também, mas ele não estava lá. Ele e Harry freqüentemente chegavam faltando menos de um minuto pra aula, o que significava que Hermione e Megan acabavam guardando seus lugares.

"Era só conversa de garotas..." Lilá disse, chateada. "Além disso, ouvimos rumores que eles tinham transado então queríamos saber a verdade, só isso."

"O quê?" Hermione e Megan disseram juntas, Megan virando na cadeira.

Parvati se chegou para frente, sussurrando para as outras garotas, "Não posso dizer quem me contou, mas ouvi no salão Comunal ontem à noite. Alguém disse que viu vocês dois juntos na estufa domingo de noite e que foi uma cena e tanto."

Megan engasgou de constrangimento, cobrindo a boca com as mãos. Ela virou na cadeira e olhou para frente, sem conseguir dizer nada. Claro que eles não tinham transado, mas não queria falar disso com elas. Como Hermione dissera, não era da conta delas.

"Por que vocês não passam mais tempo estudando e menos fofocando? Talvez assim suas notas em Herbologia melhorassem." Hermione disse, bastante impaciente.

"Claro, ó grande Monitora-chefe de Hogwarts." Lilá disse arrogante. "Pedimos desculpas por perturbar a virgem da Lufa-lufa e prometemos não irritá-la mais." Parvati começou a rir e o rosto de Megan corou ainda mais e Hermione soltou um "Hmfph".

Nesse momento, Megan viu Rony entrando apressado, seguido por Harry Potter. Eles tomaram os lugares guardados rapidamente, Rony entrando no lugar à direita de Megan. A professora Sprout limpou a garganta e começou a aula.

"O importante a se saber sobre Tupperwicks é que eles são muito úteis, mas muito caros. Normalmente, nós apenas lemos sobre eles nos livros e estudamos o único Tupperwick que Hogwarts mantém numa seção segura dessa estufa. Esse ano, entretanto, tivemos a felicidade de receber trinta Tupperwicks de um doador anônimo."

Os estudantes murmuraram animados com a notícia.

Hermione se aproximou para sussurrar, "Harry, eu já ouvi falar sobre isso. Quem quer que tenha doado essas plantas deve ser muito rico pra ter tanto dinheiro! Elas só crescem em dois lugares do mundo e houve uma seca em uma dessas áreas, fazendo as plantas morrerem." Harry concordou com a cabeça e continuou ouvindo a aula atentamente.

"Vou levar vocês para a área de segurança da estufa onde estão esses maravilhosos espécimes, mas antes de fazer isso, uma aula sobre suas funções." a Professora Sprout continuou, parecendo mais animada do que no dia que as espinhas apareceram nas mandrágoras.

"Tupperwicks servem como depósito para poder mágico. Os Druidas antigos usavam essas pequenas plantas luminosas para transportar feitiços de defesa. O poder dos Tupperwicks está no fato da mágica armazenada neles poder ser liberada sem varinha. Então os Druidas enchiam a planta com encantos mágicos e feitiços que seriam úteis caso fossem atacados durante viagem e andavam sem varinha. Hoje em dia, todos os Aurores carregam uma folha de Tupperwick, que tem a capacidade de armazenar no mínimo dez feitiços muito complexos, por menor que seja."

A professora olhava a sala animada enquanto explicava. Ela estava virando para levá-los até a seção reservada da estufa quando Hermione levantou a mão.

"Sim, Srta. Granger?"

"Desculpe, Professora, mas alguns bruxos das trevas no passado não usavam os Tupperwicks para canalizar a energia de seus entes amados que estavam perto de morrer? Acho que li sobre isso em 'A ascensão e queda das Artes das Trevas'." Alguns alunos remexeram desconfortáveis em suas cadeiras com a menção desse tipo de ritual bizarro.

A Professora ficou um pouco chocada com a pergunta, mas logo se recompôs.

"Você nunca deixa de me impressionar com seu conhecimento, Srta. Granger. Sim, existem usos obscuros para a planta, mas não tenho a permissão de ensiná-los sobre isso. Vou dizer a vocês, entretanto, que essa é outra razão para as plantas ficarem sob rígida segurança."

Um silêncio tenso seguiu a sua resposta. Harry, Hermione e Rony se entreolharam antes da Professora os chamar para segui-la e olhar as plantas.

Depois que a aula terminou, Hermione se apressou para alcançar Megan que estava saindo rápido da estufa, seguindo para sua aula.

"Megan! Espere!" Hermione gritou para ela.

Megan estava quase na porta de entrada quando ouviu Hermione. Ela parou e virou para esperá-la.

Correndo com mais velocidade que o de costume graças às corridas matinais, Hermione logo alcançou Megan. Ela estava com um olhar preocupado e Megan sabia que ela ia falar sobre o que acontecera antes da aula.

"Você está bem?" Hermione perguntou.

"Um pouco irritada com Lilá e Parvati, mas fora isso estou bem. Obrigada por perguntar." Megan respondeu, sorrindo para Hermione.

"Aquelas duas sempre foram desse jeito." Hermione disse, "Elas ficam tentando enfiar o nariz onde não são chamadas. Isso é muito irritante."

"Obrigada por me defender, de verdade." Megan disse, enquanto as duas andavam devagar na direção do castelo.

"Tenho experiência com as perguntas daquelas duas." Hermione disse, estreitando os olhos.

"Mesmo? Elas ficam enjoando você sobre Harry?"

"Enjoando não é a palavra certa. Talvez tortura seja mais adequado. Elas começaram com isso no quinto ano e faz pouco tempo que pararam." Hermione disse, lembrando de quando ela encontrou Lilá e Draco e como as perguntas pararam depois disso.

Megan parou quando ela disse isso e segurou Hermione pelo braço, levando-a para um pequeno jardim bem ao lado da entrada do castelo.

"O que foi?" Hermione perguntou.

"Você tem um minuto? Tem uma coisa que está me incomodando há um tempo e acho que você é a pessoa certa para falar sobre isso." Megan respondeu.

"Claro, Megan. O que há errado?" Hermione disse, seu estômago revirando de preocupação.

"Não tem nada errado, é só que tenho sentido pressão de todos os lados ultimamente por causa dessa questão do sexo. Eu nem posso falar com minhas amigas da Lufa-lufa porque elas acham que estou mentindo e que Rony e eu já transamos."

"Oh," foi tudo o que Hermione conseguiu dizer. Ela nunca conversara com Rony sobre seu relacionamento físico com Megan. Ele uma vez perguntara como as garotas gostavam de ser beijadas, mas antes que ela pudesse responder, Harry se intrometeu e a conversa mudou de rumo, acabando com os três rindo com a história do primeiro beijo de Rony.

"Isso te choca?" Megan perguntou, voltando a atenção de Hermione para a conversa.

"O que? Você ainda não ter dormido com ele?" Hermione perguntou.

"Sim. Considerando o tempo que estamos junto, você achou que a gente já tinha feito?" Megan perguntou, as bochechas corando.

"Claro que não!" Hermione respondeu. Além do fato de não gostar de especular sobre a vida amorosa dos outros, ela sabia que se Rony tivesse dormido com Megan, ela acabaria sabendo. Rony não conseguia esconder muita coisa de seus dois amigos, não que ele tentasse esconder esse tipo de coisa.

"Bem, eu tenho a sensação que ele espera que a gente faça logo, apesar dele dizer que vai esperar até que eu esteja pronta. Mas não sei se vou estar pronta algum dia. Acho que só deve fazer isso com a pessoa com quem vai casar e não tenho certeza que será ele." Megan disse, a voz bem suave.

"Está tudo bem." Hermione disse, colocando a mão sobre o ombro de Megan, "Tenho certeza que ele entenderá. Rony pode parecer estar preocupado com isso às vezes, mas acho que ele gosta de você pelo que é."

"Está certa, Hermione. Acho que me senti pressionada, só isso. Quase todas minhas amigas já fizeram ou planejam fazer antes dos dezessete anos. Angélica diz que quem não faz antes dos dezessete tem 50% de chance de morrer virgem. Você acha que é verdade?"

"Nunca ouvi uma bobagem tão grande!" Hermione disse indignada. "Isso é idiotice pura!"

"Achava que você ia dizer isso. Mas como pode ter certeza?" Megan perguntou, preocupada.

"Eu não preciso ter certeza!" Hermione disse veementemente. "Farei amor quando estiver preparada para isso e não antes disso. Não vou deixar que estatísticas ridículas ou um medo irracional me influenciem numa decisão tão importante!"

Megan olhou para ela pensativa e suspirou aliviada. "Você está certa, Hermione. Como sempre..." ela disse, sorrindo. "Rony diz que confia cegamente em seus conselhos e agora sei porque."

Hermione sorriu também. "Obrigada, Megan. Mas saiba que apesar de eu falar com tanta facilidade e segurança sobre isso, também tenho minhas dúvidas. Não tem sido fácil para mim e Harry."

"Ah?"

"É. Nós conversamos muito sobre isso mas ainda não chegamos a uma decisão. O fato de algumas pessoas tentarem me convencer que ele só está comigo ainda porque sou algo certo não ajuda. Isso me chateou muito quando ouvi."

Megan engasgou e cobriu a boca. "Quem diria uma coisa dessas? Além de ser uma completa mentira, é tão horrível."

"Dou uma chance de acertar." Hermione disse.

"Draco?"

"Acertou de primeira." Hermione respondeu, balançando a cabeça com raiva. "Às vezes acho que ele existe apenas pra me irritar. Ele acha que é engraçado."

Megan riu com isso, o que fez Hermione olhar confusa para ela.

"Desculpe Hermione, não estou rindo de você, estou rindo de mim. Lembro que eu tinha uma teoria que Draco Malfoy gostava de você no quinto ano. Eu contei a Rony e ele riu tanto que tive que colocar um feitiço calmante para ele para parar."

Hermione deu um sorriso ao ouvir a revelação. "O que te fez pensar que Draco gostava de mim? Ele me odeia, Megan. Eu represento tudo o que ele não gosta. Não esqueça que sou nascida trouxa."

Megan balançou a cabeça, sorrindo. "Eu não sei. Rony contou o que aconteceu no quinto ano e como Draco te salvou dessa maldição terrível. Mesmo que Rony tenha dito que ele usou uma poção do amor, perguntei por que ele se envolveria se te odeia tanto."

Hermione suspirou. Ela também pensava muito sobre isso. Nunca discutiu sobre o que aconteceu no quinto ano com Draco, apesar deles passarem várias horas trabalhando juntos durante a semana. Em algum lugar dentro dela, sempre se preocupava com porque ele se esforçou para ajudá-la. Ela sabia que Harry odiava dever algo a Draco por ele ter ajudado com o complicado feitiço que a trouxe de volta de seu sono amaldiçoado. Ela sorriu para Megan, sem saber o que dizer.

Megan continuou, quebrando o silêncio, "Também tem algo no jeito que ele te olha, que me faz pensar que ele está louco de amor por você, ou muito apaixonado. Mas provavelmente é minha imaginação. Amor e ódio podem se parecer muito quando são muito fortes."

"É, talvez você esteja olhando demais para Malfoy, Megan. É melhor não dizer mais nada, ou talvez eu conte a Rony." Hermione disse brincando. Apesar de seu tom estar leve, ela parecia preocupada.

As duas sorriram com esse comentário antes de Hermione olhar para seu relógio.

"Nós devíamos ir pra aula." ela disse. "Me diga se tiver algum problema por se atrasar. Vou dizer que estávamos discutindo algo importante – assuntos de monitora-chefe."

"Legal." Megan disse alegre, sentindo-se mais leve. Com isso, elas chegaram às escadas do castelo e partiram em seus caminhos para suas aulas.

****

Mais tarde naquela noite, Hermione bateu na porta do escritório da Professora McGonagall, seu estômago dolorido de tanto revirar a noite toda. Ela estava pontual para a reunião semanal e decidiu que essa era a hora perfeita para discutir um assunto que ficou em sua cabeça durante toda semana.

"Entre." A voz de McGonagall respondeu do outro lado da porta.

Hermione parou um instante para ajeitar a mochila no ombro e depois virou a maçaneta vagarosamente para entrar.

Ela já estivera nesse escritório várias vezes antes, e nunca mudara durante os anos. Era pequeno, mobiliado com uma mesa simples e duas cadeiras para visitas. Uma chama calorosa enchia a lareira.

"Como está, Srta. Granger?" McGonagall perguntou detrás de sua mesa, indicando a Hermione que ela podia sentar. Ela colocou a pena no suporte, enrolou o pergaminho e recostou em sua cadeira.

Elas começaram a discutir os tópicos de costume da reunião: pontos das casas, desempenho dos monitores, o torneio de xadrez e o andamento do dormitório feminino. Quando elas terminaram os assuntos de costume, Hermione guardou a lista e decidiu que essa era a hora certa.

"Tem outra coisa que gostaria de discutir, Professora. Está me incomodando há um tempo e acho que é meu dever como monitora-chefe falar sobre isso."

A Professora McGonagall se inclinou para frente em sua cadeira, o rosto se contorcendo de preocupação.

"Bem, diga o que é, Srta. Granger. O que quer que seja, tenho certeza que podemos consertar."

Hermione parou por um instante, lembrando as falas que ensaiara e memorizara mais cedo na biblioteca.

"Gostaria de expressar minha preocupação com a influência que a Professora Monroe tem nos alunos." Hermione disse, mais abruptamente do que planejara.

A professora levantou as sobrancelhas e recostou na cadeira, colocando as mãos sob o queixo num jeito muito parecido com o de Dumbledore.

"Continue por favor."

"Sim. O que acontece Professora, é que ela se veste de forma completamente inadequada para a aula. Isso não só distrai os garotos, que ficam olhando para ela ao invés de prestar atenção, mas algumas garotas estão começando a se vestir daquele jeito. Anteontem Gina Weasley entrou no Salão Principal vestindo uma roupa que parecia saída diretamente do guarda-roupas da professora Monroe."

"Entendo." a Professora Mcgonagall falou, pensativa. "O que sugere que se faça, Srta. Granger?"

"Acho que alguém deve falar com ela sobre o jeito que ela se veste. Ela precisa saber dos efeitos que tem sobre os alunos. Não devia se vestir daquele jeito. Eu francamente acho chocante que o Professor Dumbledore permita isso, professora, sem querer desrespeitá-lo, é claro."

"Não considero um desrespeito, Srta. Granger. Vou dizer a você que houve muita discussão entre os professores quando ela foi convidada para ser Professora, e ainda mais quando apareceu vestida daquele jeito. Chegamos à conclusão que porque ela é Auror, tínhamos que dar a ela o direito de se vestir como achasse apropriado para cumprir seu trabalho efetivamente. O couro que ela usa é de Dragão e desvia muitos feitiços que incapacitariam a maioria dos bruxos. Ela ainda sente a necessidade de proteção, apesar de dizermos várias vezes que está a salvo em Hogwarts."

A Professora McGonagall parecia bastante irritada e ficou claro para Hermione que ela provavelmente era um dos professores contra deixar a Professora Monroe se vestir como quisesse.

"Ela era muito parecida com você." a Professora Mcgonagall continuou. "Nunca esquecerei como ela era tímida e gostava de livros. Ela demorou a florescer e freqüentemente vinha a minha sala durante o primeiro ano porque tinha dificuldades em fazer amigos e as pessoas caçoavam porque ela tirava notas boas."

"Não consigo imaginá-la diferente do que é hoje." Hermione disse, tentando imaginar a Professora Monroe chorando no banheiro feminino. "Ela é tão decidida e segura."

"Apesar da aparência externa poder mudar, a pessoa interior é um produto do passado. Nunca esqueça disso, Srta. Granger." a Professora Mcgonagall disse. "Mas temos que lidar agora é como o jeito dela se vestir está afetando a população estudantil. Apesar de não poder fazer nada como membro docente, acho que algo possa ser feito."

"Acha?" Hermione perguntou.

"Sim. Admiro você por ter a atenção e coragem de falar sobre isso. Recomendo que esse balaço seja atingido de frente, com você falando diretamente com ela sobre isso."

"Eu?" Hermione disse.

"Sim, acho que vai ser uma boa experiência para você, Srta. Granger. Vai ter mais impacto vindo da Monitora-chefe que pode testemunhar que o fato é realmente um problema, contando as observações que só um aluno pode fazer."

"Mas... mas... eu não posso!" Hermione disse, ansiosa. Ela tinha que arranjar um jeito de sair dessa – uma reunião com a Professora Monroe provavelmente seria mais constrangedora do que falar sobre sexo com os pais.

"Você pode e fará, Srta. Granger. Não aceitarei desculpas. Agora, tem mais alguma coisa que queira discutir?"

"Não." Hermione disse distraída.

"Bom. Então lhe desejo uma boa semana. Por favor me diga se a Professora Monroe lhe causar algum problema."

Hermione assentiu com a cabeça, levantou do lugar e saiu do escritório da Professora Mcgonagall se perguntando se o trabalho de Monitora-chefe ia ficar ainda mais difícil.

*****

Foi um treino de Quadribol particularmente longo, então Harry passou o dobro do tempo embaixo do chuveiro quente do banheiro masculino. Quando ele começou a achar que estava na hora de terminar, ouviu Rony falando do outro lado do boxe.

"Harry? Você está aí?"

Ele saiu da fase de "relaxar" e mudou para a fase "terminado", desligando o chuveiro e fazendo o som de água pingando encher o cômodo cavernoso.

"Sim, Rony, estou aqui." ele falou.

"Estava procurando por você, parceiro. Esse deve ser o treino de Quadribol mais longo que você teve em toda sua carreira. Você está treinando muito o time."

"Precisamos de toda a vantagem que pudermos contra a Sonserina sábado. Ouvi dizer que o goleiro deles esse ano é muito bom, então queria que nossos artilheiros treinassem mais arremessos." Harry falou para ele. Pelo eco da voz, adivinhou que eles eram os únicos no banheiro. Bom. Ele não queria que mais ninguém ouvisse seus planos para o jogo.

Harry abriu a cortina do chuveiro e esticou a mão para a coisa fofa à sua esquerda que ele sabia que era sua toalha. Ele rapidamente se secou e amarrou a toalha em sua cintura. Pegou os óculos do pequeno banco à sua direita e os colocou. Pegando o kit de banheiro do mesmo banco, ele saiu do box e se juntou a Rony em frente às pias.

"Não sei pra que você ainda tenta pentear os cabelos. Faz alguma diferença?" Rony disse, quando Harry começou a pentear os cabelos em frente a um dos espelhos encantados. Tinha um feitiço impedindo que embaçasse mesmo quando tomassem banhos longos e quentes. Hermione colocou o mesmo feitiço nos óculos dele anos atrás.

"Hábito, acho." Harry respondeu, passando o pente por uma parte particularmente teimosa. Ele concordou silenciosamente com Rony. Não fazia diferença.

"Algo importante vai acontecer amanhã à noite, e queria que você fosse o primeiro a saber." Rony disse, num sorriso de orelha a orelha.

"Deve algo muito bom. Fazia um tempo que não te via com um sorriso tão grande." Harry disse, olhando para Rony pelo espelho.

"E é. Amanhã vai ser a grande noite com Meg." Rony disse, um pouco tímido.

Harry largou o pente e virou para olhar Rony. "O que? Está tentando ganhar de mim e de Hermione e ser o primeiro?" ele sorriu.

"Muito engraçado." Rony disse. "Sabia que ia dizer isso. Não, é só que a hora parece certa. Tenho algo muito especial planejado e tenho a sensação que vai ser a noite perfeita."

"Então ela decidiu que quer, no fim das contas?" Harry perguntou, sem querer se intrometer, mas lembrando da última vez que conversara com Rony sobre isso.

"Ela vem me dando todos os sinais e com certeza parece que vai concordar. Claro que não vou forçá-la a fazer nada que não queira." Rony respondeu sinceramente.

"Claro que não."

"Tenho quase certeza que ela vai dizer sim dessa vez".

"Se é isso o que quer, então espero que esteja certo." Harry disse, e depois pausou para sorrir. "O que se diz numa situação dessa? Boa sorte? Feliz transa?"

"Há, há, há!" Rony respondeu, tentando esconder o sorriso quando Harry deu um murrinho em seu ombro.

Harry se voltou para o espelho para uma última olhada. Correu os dedos pelos cabelos e pegou o kit de banheiro. "Fico feliz por você, Rony. Ela é uma ótima pessoa e vocês parecem muito felizes juntos. Notei que não têm brigado como de costume".

Rony pareceu pensativo, os olhos arregalados enquanto saiam do banheiro. "Não, não temos brigado. Tudo tem estado tão bom ultimamente. Parece que nem precisamos conversar para ficarmos bem juntos."

"Parece que passam muito tempo se beijando." Harry brincou, e Rony tentou puxar a toalha de Harry, mas sem sucesso; Harry foi muito rápido para ele.

"Bela tentativa, Rony," ele disse rindo, "mas sete anos de Hogwarts me ensinaram algumas coisas – como um feitiço para manter minha toalha firme no lugar, mesmo que fique presa em alguma coisa. Lembra o que aconteceu no sexto com Neville?"

"Nunca esquecerei – ele deu um show para o dormitório inteiro." Rony disse. "Lembra quando Simas entrou no banheiro feminino e descobriu que a porta era enfeitiçada para gritar quando um garoto a toca?"

"Foi uma das coisas mais engraçadas que já vi. Parvati Patil correndo pela escada só de toalha, o cabelo todo desarrumado, a varinha apontada para as costas de Simas." Harry disse rindo.

"Algumas garotas com certeza ficam melhor quando estão secas e maquiadas!" Rony disse, sorrindo e balançando a cabeça.

Eles riram mais um pouco enquanto voltavam para o dormitório e se aprontavam para cama.

***

Entrando debaixo das cobertas, Harry disse boa noite a seus colegas, sentindo-se um pouco nostálgico pelos anos que passaram juntos. Em menos de um ano, todos iriam se separar. Já começavam a falar o que queriam fazer depois da formatura de Hogwarts. Rony acabara de contar como estava ficando sério com Megan. Tudo parecia estar mudando tão rápido, e ele não tinha certeza de como se sentia. Teve dificuldades para dormir, então levantou e pegou as cartas da caixa de coisas que seus pais deixaram. Eram cartas de seu que sua mãe guardara.

Ele não tinha certeza se queria ou não lê-las. No início, o pensamento na privacidade de seus pais o impediu de ler. Mas depois ele percebeu que existia alguma razão pra seus pais terem compartilhado isso com ele. Decidindo dar uma olhada pra ver como se sentia, Harry pegou o primeiro maço, amarrado com uma fita vermelha e saiu de ponta de pé para o salão comunal.

A primeira carta o deixou sentado, pensando profundamente, o resto do maço esquecidos na mesa de centro em sua frente. Era uma carta de seu pai para sua mãe, escrita no início do verão entre o sexto e sétimo anos.

Querida Lily,

Espero que tenha chegado bem à casa de seus pais e que essa carta lhe encontre bem acomodada e pronta para aproveitar o verão. Minha viagem de volta ao Hollow foi tranqüila e chegamos em casa em tempo recorde.

Não consigo parar de pensar em você. A última noite que passamos juntos foi a mais inesquecível de minha vida. Quero que saiba que não me arrependo, e espero que você também não. Te amo mais do que posso expressar nesse pedaço de papel e não acho que isso vá acabar. Meus amigos zombam de mim por causa disso, mas eu não ligo. Deixe que eles me perturbem. Eu te amo e sei que isso é certo.

Antes de nos separarmos, me contou sobre suas preocupações se nós duraríamos, que temia que se fizéssemos amor, eu poderia perder o interesse em você. Só quero que saiba que me sinto mais apaixonado por você agora que antes. Você é a bruxa pra mim, Lily, e sempre será.

Teremos tempos difíceis em nosso futuro, mas fico feliz que decidimos não deixar isso ficar no caminho do nosso relacionamento e do amor que compartilhamos. Eu acredito em viver o presente. Quem sabe o que o amanhã trará? A única coisa certa é meu amor por você, e isso, eu sei, vai ser para sempre.

Meu pai disse que talvez possa visitar você de novo como no verão passado, então pergunte a seus pais quando vai ser a melhor ocasião para uma visita e eu estarei aí.

Já sinto sua falta mais que nunca. Eu te amo, Lily Evans!

Com amor, Tiago.

Quando Harry estava decidido a ir tentar dormir, ouviu passos se aproximando. Aparentemente, ele não era a única pessoa com problemas para dormir. Ele levantou os olhos num ângulo que sabia que veria a pessoa e ficou surpreso em ver Hermione.

"Harry?" ela perguntou sonolenta. "O que faz acordado?"

"Ia perguntar a mesma coisa." ele respondeu.

"Não conseguia dormir." eles responderam ao mesmo tempo e riram.

"Você primeiro." os dois disseram ao mesmo tempo novamente, Hermione sentando no sofá ao lado de Harry ele sorriu e a beijou na bochecha.

"Acho que estava pensando muito sobre nós." Hermione disse enquanto Harry virava o corpo para encará-la. Ela estava bonita em seu pijama de listas azuis, o cabelo amarrado de qualquer jeito numa fita preta.

"É, eu também." Harry disse pensativo. "Estava lendo uma carta que meu pai mandou pra minha mãe e isso me fez pensar."

"São da caixa que Sirius deu pra você?" Hermione perguntou, apontando para o maço de cartas sobre a mesa de centro na frente deles. Ela então olhou para o colo dele e viu a carta aberta lá.

Ele viu o olhar dela e fez que sim com a cabeça. "Você quer ler?" ele perguntou, pegando a carta em seu colo.

"Ah, não Harry. Isso é muito pessoal. Eu não poderia." Hermione disse balançando a cabeça.

"Mas eu estou oferecendo. E não há nada pessoal demais quando é para você. Por que não lê? Quero ver sua reação."

Hermione mordeu o lábio nervosamente e tirou a carta da mão de Harry delicadamente. Ele a observava enquanto ela lia a carta, ainda mordendo o lábio. Ela terminou rapidamente e olhou para ele, os olhos bem abertos.

"O que acha?" Harry perguntou.

"Hum, não sei o que dizer," Hermione murmurou. Ela dobrou a carta cuidadosamente e devolveu a ele, seus olhos ainda arregalados.

Ele colocou a carta de volta no envelope e a devolveu para a pilha sobre o centro. Depois se virou para Hermione. Ela tinha um olhar muito sério e olhava para o chão.

"Acho que seu pai estava certo." ela sussurrou e depois levantou os olhos para ele, seus olhares se encontrando calorosamente.

"Você acha?" Harry perguntou nervoso. Seu coração batia forte no peito e ele não via mais nada além dela. Talvez isso fosse um sonho.

"O que você acha?" Hermione perguntou, se inclinando para perto dele. Ele podia sentir o cheiro do cabelo dela e sentir o calor de sua proximidade a seu redor.

"Acho que ele tem um bom argumento." Harry sussurrou, seu olhar abaixando por um segundo para os lábios de Hermione. Ele sabia que se a beijasse agora, não ia querer parar. Ele rapidamente pensou em Snape e no dever de poções que ele começara mais cedo para se distrair.

"Tal pai, tal filho, então?" Hermione disse nervosa, seu rosto perigosamente perto do dele. Ela colocou os braços ao redor do pescoço dele e lambeu o lábio inferior.

Harry pensou um instante sobre a importância da pergunta. Com cada pedaço de seu ser ele queria dizer sim, mas sua consciência dizia que eles deviam esperar até que Voldemort fosse superado. Mas seus pais não tinham o mesmo peso sobre eles quando tomaram a decisão? Eles não decidiram tê-lo mais tarde apesar do medo e da paranóia que enchiam o mundo naquela época? Haveria hora perfeita, paz perfeita, ou oportunidade perfeita para que eles vivessem suas vidas?

Harry pensou todas essas coisas enquanto olhava para Hermione. Ela massageava a parte de trás do pescoço dele e parecia nervosa, mas animada. Respirando fundo ele se decidiu. Ele a amava mais que qualquer um ou qualquer coisa, ele sabia. Nada iria mudar isso – nem a formatura, nem Voldemort e nem a Ordem. A qualquer custo, ele ia fazer os momentos deles juntos os melhores, quer fossem dois dias ou dois séculos.

"Sim, Hermione." ele disse sorrindo. "Eu quero." E esmagou seus lábios contra os dela, beijando-a apaixonadamente. Ela respondeu ao beijo, os dois respirando penosamente. Havia algo diferente nos beijos dessa noite. Havia um apetite maior do que Harry sentira antes e ele sabia agora porque estava com medo de beijá-la antes. Quanto mais se aproximava o aniversário dela, mais difícil a espera se tornava.

Felizmente pra os dois, Hermione teve o bom senso de parar antes que fossem muito longe. Ela interrompeu o beijo, empurrando Harry gentilmente quando ele tentou refazer o contato. Os lábios dela estavam inchados e seus olhos brilhavam.

"Isso vai ser tão bom." ela disse, segurando as mãos dele nas dela. "Agora só temos que esperar meu aniversário até umas oito da noite."

"O que?" Harry disse, de repente sentindo como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre seu colo. "Como assim até oito da noite? Agora que decidimos, pra que esperar? Quinta à noite, mais ou menos um minuto depois da meia noite quero estar em seu quarto, sozinho com você e te beijando apaixonadamente em sua cama."

"Harry," Hermione disse, em seu característico tom 'não acredito que preciso te explicar isso', "não queremos acionar a maldição de Morgana agora, não é? Não agora, quando estamos tão perto de superá-la. Eu não vou fazer dezessete até oito da noite. Essas maldições com suas regras podem ser bem especificas, você sabe."

Harry rolou os olhos. Ele sabia que ela estava certa, mas isso estava ficando ridículo. Claro que ele a ouvira, mas agora que eles decidiram, era ainda mais difícil de esperar. Resignado, ele respirou fundo e sorriu para ela.

"Bem, então vamos praticar, enquanto esperamos." ele disse.

"Praticar? Praticar o que?" Hermione perguntou, levantando as sobrancelhas em suspeita.

"Praticar os beijos, claro." Harry disse, um sorriso em seu rosto e seus olhos verdes brilhando.

"Nós já praticamos muito isso." Hermione disse, cruzando os braços e tentando sem sucesso esconder um sorriso. "Além disso, eu não sei você, mas acho que passar um tempo separados uma boa idéia. Você sabe, para aumentar a ansiedade."

"Acho que quase dois anos de namoro já me deixaram ansioso o suficiente." Harry disse, agarrando-a pela cintura quando ela começou a levantar. Ela riu quando caiu por cima dele. Ele a beijou mais, feliz com sensação de liberdade por ter tirado essa decisão dos ombros.

******

A aula de adivinhação na manhã seguinte, envolveu uma das experiências mais estranhas que Harry teve. Começou normalmente, com a Professora Trelawney fazendo uma entrada teatral por trás de Harry e dizendo que teve uma visão de morte para os nascidos na metade final de julho. Harry e Rony se entreolharam enquanto pegavam seus livros-texto e abriam na página da aula: compatibilidade astrológica.

"A aula de hoje envolve a influência mágica que as estrelas e constelações têm sobre aqueles que nascem sob seu controle. Essas influências são manifestadas na personalidade daqueles a quem a atribuímos os signos, mas algo que talvez vocês não saibam é que essa influência mística também ajuda a determinar a força da atração física entre dois indivíduos. As estrelas sabem dizer quem é compatível com quem e vamos estudar essas fascinantes mensagens hoje".

"Por que Lockhart não nos ensinou isso no dia dos namorados quando estávamos no segundo ano? Poderia ter evitado que cometêssemos tantos erros." Rony sussurrou, fazendo Harry sorrir.

"Eu olhei os mapas astrais de todos na classe e escolhi os dois alunos cujos mapas se alinham da maneira mais compatível. Harry Potter, poderia vir à frente?"

Harry olhou a sala nervosamente e levantou entre risos de seus colegas. Isso realmente era pra rir. Quase todos os alunos sabiam que ele e Hermione estavam juntos há quase dois anos e havia rumores que ela era o amor verdadeiro dele, não que eles soubessem o que isso significava. Harry riu nervoso junto com seus colegas, esperando o que seria uma demonstração muito engraçada.

"Ah, Professora, isso não é justo!" Parvati disse quando Harry chegou à frente. "Por que não escolheu um dos garotos solteiros?"

A professora lançou à Parvati um olhar de superioridade antes de se voltar para a bruxa sentada ao lado dela. "As estrelas nunca mentem, Srta. Patil. Nós somos meros canais para os segredos que elas guardam". Isso fez Rony perder o controle, que quase caiu da cadeira na tentativa de segurar o ataque de risos.

"Srta. Brown, para frente por favor." Trelawney disse em tom dramático.

"Eu?" Lilá disse, apontando para si mesma. "Com certeza há um engano, Professora". Ela riu junto com Parvati.

"Nenhum engano, Srta. Brown. Para frente, ao lado do Sr. Potter."

Harry cobriu a boca e tentou segurar a risada por causa da cara que Lilá fez ao se levantar e ir para junto dele. Ela acreditava em adivinhação e ele tinha a impressão que ela estava começando a ter suas dúvidas. A idéia de ser compatível com Lilá de alguma forma era uma piada. Todos sabiam que ela era a atual namorada de Draco e que ela só namorava garotos que achava popular ou bonito. Ela olhou para ele de cima a baixo e ficou a seu lado de frente para classe. Harry teve que respirar fundo e morder a língua como a tia Petúnia para manter uma cara séria. Rony não ajudava muito – ele ficava apontando e rindo silenciosamente para os dois.

"Agora," começou a Professora, em seu tom aéreo de costume, "Quero que se encarem e se olhem nos olhos." Isso fez Harry rir pelo nariz.

"Isso é tão idiota." Lilá murmurou enquanto virava para encarar Harry.

"Nem me diga." Harry sussurrou. "Mas eu achava que você gostava de adivinhação."

Lilá não respondeu. Ela estava em pé com uma mão na cintura, olhando desafiadora para Harry. Isso o fez se sentir desconfortável. Ele não gostava de manter contato visual com alguém quando não era nem uma disputa nem Hermione. Ele desviou os olhos.

"Vamos, Sr. Potter. Precisa olhá-la nos olhos para que isso funcione. Esse feitiço irá revelar sua verdadeira ligação. O efeito só vai durar até que pisquem, quando voltarão para a realidade".

"Isso é tão..." Harry começou a dizer, mas foi silenciado por Trelawney, que estava impaciente para que a demonstração começasse.

"Repitam juntos depois de mim." ela ordenou. "Estrellais Combinus".

"Estrellais Combinus." os dois disseram, ainda se olhando. Harry foi instantaneamente preenchido por uma sensação de ligação com Lilá que achou que ia explodir. Ele queria beijá-la, fazer amor com ela, morrer se não a conseguisse. Ele podia imaginar como seria tê-la em seus braços, em sua cama, em sua pele. Por que ele não viu antes? Ela estava sob seu nariz todo esse tempo e ele nunca notara.

Suas bochechas coraram com os pensamentos que passaram por sua cabeça. Ele engoliu seco, imaginando porque sua respiração estava presa nos pulmões e sua visão parecia focalizada somente nela. Queria tanto beijá-la que estava com água na boca. Agora parecia a oportunidade perfeita porque pelo jeito que ela o olhava, sentia o mesmo desejo que ele. Ele piscou, e a sensação se desfez tão rápido quanto viera.

"Que raios foi isso?" Harry disse com raiva, recuando de Lilá. Ela sentia o calor em suas bochechas com as mãos e olhava para ele confusa.

"O que você sentiu?" Trelawney perguntou animada. "As estrelas revelaram sua ligação verdadeira?"

"Eu não senti nada. Vi algumas listas azuis, só isso." Harry mentiu. Ele não ia dizer a ela em frente da turma toda o que estava pensando e sentindo, era muito constrangedor.

A professora olhou desapontada para Harry antes de olhar para Lilá. "E você, Srta. Brown? Sentiu alguma ligação?"

Lilá olhou rapidamente para Harry e corou novamente. Ele desviou o olhar, tentando se concentrar em qualquer coisa menos nela.

"Eu com certeza senti algo, mas não sei como descrever." ela disse devagar.

"Bem, tudo bem." Trelawney disse, batendo palmas em deleite. "Por favor voltem a seus lugares."

Lilá voltou devagar para seu lugar, parando para olhar para Hary pelo menos cinco vezes. Harry a ignorou, voltando para sua carteira no fundo da sala de braços cruzados. Todos seus colegas olhavam alternadamente para ele e Lilá e não riam mais.

Quando Harry sentou em seu lugar ao lado de Rony, podia sentir a mesa balançando por causa da risada silenciosa de Rony. Ele enfiou a cabeça nos braços em cima da mesa e suas orelhas estavam muito vermelhas. Ele levantou os olhos e deu mais uma risada quando viu Harry olhando para ele.

"Que tal foi a ligação amorosa?" Rony disse, engasgando com as risadas. "Você viu as estrelas? Só pergunto porque você estava com uma cara que parecia que alguém tinha lhe acertado."

"Muito engraçado, Rony. E se contar a Hermione sobre isso, vou ter que te matar." Harry disse, entre os dentes cerrados. Rony estava brincando, mas ele ainda estava abalado por causa da experiência bizarra.

"Não acho que tenha que se preocupar comigo, amigo." Rony disse, indicando com a cabeça duas carteiras de garotas olhando para eles. Elas notaram que Harry olhou para elas e desviaram o olhar.

Trelawney continuou explicando que as mensagens das estrelas geralmente são perdidas nos casais mais compatíveis por causa do cotidiano. Só por contato regular uma pessoa começa a sentir uma ligação com alguém que as estrelas tenham escolhido para ela e só se as estrelas estiverem alinhadas da maneira certa para otimizar a ligação. Mas isso não significava que o amor aconteceria, só o desejo. Amor, aparentemente, era algo que nem as estrelas podiam prever.

"Essa deve ter sido a aula mais idiota que tivemos em anos." Harry disse irritado enquanto ele e Rony saíam apressados da Torre Norte.

"Ei, Harry! Espere!" chamou uma voz atrás dele. Ele virou e viu que era Lilá, e suas bochechas coraram.

"Te encontro lá embaixo, Harry." Rony disse constrangido, rapidamente deixando-o no corredor movimentado.

"Rony, seu idiota." Harry sussurrou enquanto esperava Lilá alcançá-lo.

"Harry," Lilá disse, sua mão brincando com seu cabelo castanho. "O que você acha do... do que aconteceu?"

"Foi só um truque de mágica idiota." Harry disse, quando começando a andar novamente, Lilá dando vários passos para acompanhar.

"Você não sentiu nada?" Lilá disse, a voz muito delicada, muito vulnerável.

"Sim, Lilá, senti. Mas isso não quer dizer..."

"Você quer sair qualquer dia, talvez amanhã à noite?" Lilá disse rapidamente passando por ele e impedindo seu progresso. Ele parou de repente para não se bater nela. "Você quer ver aonde isso pode dar?" ela completou, flertando com um sorriso.

"Não, não quero ver onde isso pode dar. Estou com Hermione, como você bem sabe." Harry disse, tentando não parecer indelicado. Ele recuou quando ela esticou o braço e correu a mão pelo braço dele.

"Ninguém precisa saber, eu não vou dizer." Lilá disse sonsa, fazendo-o corar novamente. Ele estava ficando irritado e estava tentando achar a melhor coisa a dizer para fazê-la ir embora.

De uma distância no corredor atrás de Harry, Hermione parou de ir para frente quando o viu conversando com Lilá. Ela nunca vira uma garota dando tanto em cima dele. Ela ficou lá, observando intensamente, se perguntando o que deveria fazer.

"Bem, parece que nós dois vamos ter noites solitárias." Draco disse por cima do ombro dela. Ela virou para encará-lo o rosto cheio de irritação.

"Ah, por favor! Lilá pode trair, mas Harry não faria isso." ela disse impaciente, virando para continuar observando.

"Ele não é do tipo que trai? Pensei ter ouvido um rumor sobre ele nesse verão. Provavelmente ouvi errado. Você sabe que essas coisas acabam aumentando." Draco disse.

Hermione corou. Como ele sabia do que acontecera no verão? Ela pensou em perguntar, mas isso daria crédito aos rumores. Ela remexeu desconfortável enquanto eles continuavam a observar Harry e Lilá.

Nesse instante, Harry jogou a cabeça para trás e riu de coração. Lilá se inclinou para frente e sussurrou algo no ouvido dele. Ele recuou um pouco por causa da proximidade, mas sorriu quando ela se afastou.

"Bem, talvez eu estivesse certo sobre ele. Claro, eu não o culpo, ela realmente é irresistível." Draco disse, colocando uma mão sobre o ombro de Hermione.

Ela tirou a mão dele. "Sai, Malfoy." Hermione disse com raiva. Ela começou a caminhar pelo corredor em direção a Harry e Lilá, mas antes de alcançá-los, ouviu parte da conversa.

"Bem Lilá, isso foi divertido. Sem ressentimentos?" Harry disse.

"Nenhum mesmo. Eu gosto de Hermione. Vocês formam um belo casal." Lilá respondeu, olhando para Hermione se aproximando. Ela virou e foi embora, deixando Harry balançando a cabeça como se tentando limpar os pensamentos. Ele virou no corredor e viu Hermione olhando diferente para ele.

Antes que ela dissesse alguma coisa, Malfoy passou empurrando-a, tentando alcançar Lilá que já estava quase no fim do corredor.

"Oi Harry. Como foi Adivinhação?" Hermione disse, andando até ele.

Harry mexeu nervoso em seus livros, derrubando metade no chão. Ele se abaixou para pegá-los e Hermione se curvou para ajudar.

"Irritante como sempre." Harry disse, corando.

"O que Lilá queria?" Hermione perguntou vagamente quando começaram a andar pelo corredor.

"Estava me incomodando com uma coisa da aula. Nada importante." Harry disse, terminando o assunto. "Como foi Aritmancia?"

Um pouco intrigada pelo jeito nervoso com que Harry agia, Hermione decidiu não perguntar mais nada sobre Lilá. Eles seguiram pelo corredor enquanto ela o contava das teorias do Professor Vector sobre abstrações numerológicas.

*******

Rony estava muito nervoso. Ele esperava que tudo saísse como planejado para essa noite especial. Estava meia hora adiantado para o encontro com Megan no lugar de costume – num corredor próximo à entrada do salão comunal da Lufa-lufa. Vários alunos de Lula-lufa olhavam confusos para ele enquanto esperava, um buquê em suas mãos.

"Rony, está adiantado." Megan disse sorrindo. Usava um dos vestidos favoritos dele e estava simplesmente linda.

"Oi." Rony disse, sorrindo e oferecendo as flores timidamente.

"Obrigada, essas flores são lindas." Megan sorriu e deu-lhe um beijo na bochecha.

"Não tão lindas quanto você." Rony disse, corando um vermelho da cor da Grifinória.

Ela sorriu e pegou as flores da mão dele. "Posso guardar com as outras?"

"Ótima idéia, não pode levá-las aonde estamos indo mesmo." ele respondeu.

Ela olhou curiosa para ele e depois fez um simples feitiço de desaparecimento, enviando-as para o quarto dela, para um vaso com as outras flores que ele dera durante o fim de semana.

"Você parece nervoso com alguma coisa, Rony. Está tudo bem?" Megan perguntou, quando se aproximou e viu a expressão dele.

"Só estou muito ansioso pelo nosso encontro. Quero que tudo saia perfeito." Rony murmurou, enquanto ela colocava os braços por cima dos ombros dele e ele se inclinava para beijá-la.

"Então esse é o encontro especial que você marcara antes e remarcou? Você fez reservas em um restaurante em Hogsmeade ou algo assim?" Megan perguntou.

"É mesmo, desculpe por isso. Minha agenda estava toda desorganizada, mas já consertei tudo. Vou te levar a um lugar secreto, um lugar especial. Tem que me prometer não contar a ninguém sobre isso porque é um segredo de família que foi descoberto por meu irmão Gui".

"Claro, Rony. Isso parece divertido! O que é? Me diz." Megan perguntou, enquanto ele a guiava pelo corredor, os dois atentos procurando professores ou monitores. Estava ficando tarde e logo eles teriam problemas por ficar nos corredores depois da hora.

"É um quarto secreto, escondido durante a maior parte do ano, mas se pode entrar durante a fase certa da lua." Rony respondeu. "Ah! E tem outra coisa que espero que não te assuste."

"O que é?" Megan perguntou, diminuindo o passo.

"Tenho que te vendar para te levar lá. Tudo bem com isso? Espero que sim." Rony disse rapidamente. Ele realmente esperava que ela confiasse nele o suficiente para concordar. Se ela não concordasse, essa aventura seria bem curta.

"Claro. Mas você não confia em mim para me dizer?" Megan perguntou, um pouco magoada.

"Confio, mas meus irmãos disseram que essa era uma das condições para dividirem o segredo comigo. Espero que entenda."

"Me parece safadinho." Megan disse rindo. Isso fez Rony alargar o sorrido enquanto a guiava pelo corredor vazio.

Minutos mais tarde, Rony guiava precariamente Megan vendada pelos degraus da Torre de Astronomia. Ele tirara a carta de seus irmãos e a segurava na outra mão. Tinha um mapa detalhando onde era a entrada do quarto.

"Isso é tão estranho..." Megan disse tropeçando atrás de Rony. "Deve ser o encontro mais estranho que já tive, Rony Weasley. É melhor que seja bom!" ele sabia que ela estava ficando um pouco irritada, e não podia culpá-la. Estava demorando mais do que ele esperava para guiá-la pela torre porque ela tropeçava toda hora nos degraus e se movia lentamente atrás dele.

Por sorte, eles não encontraram ninguém no caminho. Rony não sabia como explicaria porque estava passeando com Megan vendada. Era uma noite de quarta, o que significava que a maioria dos alunos estava na cama. Quando chegaram ao topo da torre de Astronomia, estava deserta e Rony levou Megan diretamente ao local onde a porta estava localizada. Ele olhou ao redor, checando se havia mais alguém, e se apoiou na parede com força. Deu um grito de surpresa quando a parede cedeu e ele quase caiu de cara por causa do impulso. Ele se recompôs e virou, segurando a mão de Megan e puxando-a para dentro também. A porta fechou atrás dela, e eles ficaram na completa escuridão.

"Rony!" Megan disse assustada. "Está muito escuro atrás da venda. E minha voz está ecoando. Chegamos?"

"Sim, acho que é aqui." ele disse, esticando a mão e tirando a venda dela.

"Obrigada." ela disse. "Agora vamos colocar uma luz no lugar". Os dois tiraram as varinhas. "Lumos." eles disseram juntos, e quarto secreto Weasley ficou iluminada pela luz das varinhas.

"Rony Weasley! Foi para isso que me trouxe aqui?" Megan disse, um pouco indignada, apontando para a cama no meio do quarto. A cama estava coberta com uma colcha lilás bem trabalhada, e o que pareciam dúzias de travesseiros com varias estampas. Os adornos da cama não escondiam o fato dela ser apenas um colchão apoiado numa base de pedra, talvez uma mesa de pedra.

"Eu não esperava que tivesse uma cama aqui, Megan." Rony disse numa voz pacificadora que ecoava no quarto praticamente vazio. "Eu pensei que talvez tivesse um sofá, ou uma cadeira legal, mas não... isso". Ele fez um feitiço para acender as tochas que estavam no quarto. Seus olhos vasculharam o quarto à sua frente e ele se aproximou para observar imagens que pareciam pintadas diretamente na parede de pedra. Uma das cenas parecia uma batalha de anos atrás. A parede à sua direita mostrava uma grande luz vindo do que parecia um artigo mágico, mas ele precisava se aproximar para ver o que era. Ele virou para olhar Megan e sua expressão mudou. Ela parecia desconfortável.

"Você está chateada?" ele perguntou.

"Não, Rony. Só estou nervosa, acho." Megan disse tímida. Ela depois sorriu e segurou a mão dele. "Vamos ver o quanto essa cama tem molas, gato".

Rony reprimiu a vontade de gritar "Oba!" e deixou que ela o puxasse para cama.

Os dois pularam na cama e saltaram como duas crianças num trampolim. Eles riam e se divertiam tanto que Rony quase esquecera o que seus irmãos disseram sobre o quarto.A expressão dele ficou pensativa e Megan parou de pular e foi até onde ele estava ajoelhado no centro da cama.

"O que foi, Rony?" ela perguntou, ajoelhando-se na frente dele.

Ele não disse nada. Colocou seus braços ao redor dela e a beijou calorosamente. Ela respondeu passando os braços a seu redor e respondendo ao beijo com mais intensidade. Rony de repente foi atingido por uma sensação maravilhosa. Ele sabia que Megan também a sentia, pois seus beijos ficaram mais urgentes e eles se beijavam com tanta força que ele tinha medo de estar machucando o rosto dela.

Depois de minutos de beijos intensos, Megan se afastou, sem ar. "Está sentindo como se tivesse uma quantidade enorme de magia passando por você? Estou quase bêbada com isso."

"Sim, também estou sentindo. Meus irmãos disseram que tudo nesse quarto parece melhor, que é aumentado magicamente ou algo assim. Mas eu não esperava que fosse assim." Rony respondeu, sentindo seus lábios. Ele afastou o dedo e viu que seu lábio sangrava.

"Rony, me desculpe." Megan disse, arregalando os olhos, as mãos sobre a boca ao ver o sangue. "Não queria te machucar assim."

"Não dói." ele disse sorrindo. "Na verdade eu gostei de como a gente estava se beijando".

"Foi muito bom, não foi?" Megan disse corando. Ela olhou para Rony e ele estava num forte tom de vermelho, até as pontas das orelhas.

Ele se inclinou e a beijou novamente e eles se arrastaram de forma que ele ficou sobre ela. Os beijos ficando ainda mais urgentes, ele correu as mãos por fora do vestido dela e ela estremeceu com o contato. Ele rolou de forma que ela ficou por cima dele e abriu o vestido dela.

Em minutos, eles conseguiram tirar cada peça de roupa um do outro. Rony nunca estivera desse jeito com Megan. Claro, ele já tinha visto-a sem a parte de cima, ou sem calcinha, mas nunca a vira completamente nua. Era difícil chegar a esse ponto enquanto namoravam na estufa ou silenciosamente atrás das cortinas da cama. Ele olhou para ela, decorando cada curva, cada ângulo de seu belo corpo.

"Você é tão linda." ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a tremer. Eles recomeçaram a se beijar, Rony usando a língua para imitar os movimentos que ele esperava desfrutar numa maneira diferente nos momentos seguintes. Eles se tocavam, se acariciavam, se davam prazer e aproveitavam a nova intimidade e proximidade. Megan apenas suspirava e os dois se separaram para recuperar o fôlego. Eles estavam deitados lado a lado, tocando gentilmente enquanto saboreavam o momento.

"Meg," Rony disse, num tom grave, ofegante, "Quero ter certeza que está tudo bem com você. Sei que conversamos sobre isso antes, mas quero ter certeza".

Megan sorriu pra ele. "Bem, sei que nunca fomos tão longe antes, mas eu realmente te amo Rony, e sinto que isso é certo".

"Fico tão feliz que tenha mudado de idéia." Rony disse aliviado.

"Como assim?" Megan perguntou, levantando a mão dele até sua boca e beijando-a.

"Sobre fazer amor. Fico feliz que queira, porque espero por esse momento há muito tempo".

"Ah não, Rony!" Megan disse, cobrindo o rosto. "Era isso que você queria dizer? Estou tão envergonhada!" Ela virou a cabeça e enfiou o rosto num grande travesseiro.

Depois Rony conseguiu fazê-la tirar o rosto do travesseiro, Megan sentou e puxou um pouco da colcha para seu redor, se cobrindo.

"Meg, o que foi?"

"Isso é tudo minha culpa!" ela disse. "Devia ter sido clara com você desde o inicio".

"Sobre o que?" Rony perguntou, coçando a cabeça.

Megan respirou fundo e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. "Prometa que não vai terminar comigo por causa disso".

"Quer por favor explicar sobre o que está falando, está me deixando louco." Rony disse. Sua necessidade por Megan estava latejando de dor, apesar do rumo dessa conversar estará ameaçando frear seu desejo.

"Certo. Eu decidi anos atrás, mesmo antes de ter conhecido você, que queria me guardar para o homem com quem fosse me casar." Megan disse gentilmente. Suas bochechas estavam vermelhas e parecia estar com vontade de chorar.

Rony sentou. "Então, o que isso significa para a gente?" ele perguntou.

"Significa que não quero transar, Rony. Faço quase qualquer outra coisa, mas quero guardar minha virgindade para meu futuro marido".

Agora foi a vez de Rony enfiar o rosto em um travesseiro. No entanto, ele se sentou rapidamente, percebendo que Megan estava sentada ali, provavelmente pensando que ele a odiava, quando na verdade ele não sabia o que dizer.

"Por que não me disse isso antes?" ele finalmente perguntou.

"Achei que você ia terminar comigo." ela disse, quase engasgando. "Você parecia tão ligado a isso e eu achei que se evitasse tempo suficiente, talvez nunca precisasse contar. Sei que foi idiota e lamente muito mesmo."

Rony esfregou os olhos com força e olhou para ela, piscando. Ele estava sem palavras. Pra falar a verdade, ele estava extremamente desapontado. Quando ele dissera que estava esperando esse momento há muito tempo, era verdade. Ele estava sentindo extremamente feliz que perguntou diretamente antes que as coisas saíssem do controle.

"Meg, eu não sei o que dizer." Rony começou. Ele parou, o que foi tempo suficiente para ela descer da cama e procurar freneticamente pelas roupas que tinham jogado.

"O que foi?" Rony disse de repente, surpreso pela ação dela.

"Eu já entendi." Megan disse, vestindo as roupas de costas para ele. "Você não me quer mais porque não pode dormir comigo. Sabe, nem tudo tem a ver com sexo, se estiver pensando. Só porque não podemos dormir juntos, não quer dizer que é o fim do mundo".

"E se eu disser que pretendo casar com você no futuro? Que acho que você vai ser minha esposa, isso mudaria as coisas?" Rony disse sinceramente. E ele realmente queria dizer isso. Ele pensava como seria perfeito se ela fosse parte da família dele, como ele a amava, e como ele não imaginava a vida sem ela. Mas ele devia ter guardado essa declaração para outra hora.

"E como você nunca disse antes?" Megan perguntou em tom de acusação. "Como posso saber se não está dizendo isso só pra dormir comigo?"

"Não acredito que esteja me acusando disso!" Rony respondeu furioso. Ele levantou da cama e começou a se vestir também. "Eu lhe conto o que sinto e você me acusa de inventar isso só para dormir com você. É isso que você acha de mim?"

Megan fechou o zíper do vestido e pegou o sapato. "Não sei o que achar, Rony. Eu preciso de tempo. Preciso pensar mais sobre isso e não quero mais ficar aqui. Quero ir embora, por favor".

Rony olhou para ela e terminou de se vestir. Ele podia ouvir que ela estava chorando, mas estava com muita raiva pra fazer algo sobre isso. Essa provavelmente era a pior briga que eles tiveram e ela estava sendo tão irracional. Era isso. Estava cheio. Estava cansado dessas brigas. Elas estavam ficando cíclicas.

"Estamos terminados, Meg. Ouviu? Terminou. Não acredito que você jogou tudo o que disse na minha cara desse jeito. Você me magoou mais do que pode imaginar. Preciso de alguém que confie em mim e não que pense que estou com ela só por causa de sexo." Rony disse com raiva. Ele pegou a venda do bolso e ela virou e tomou da mão dele.

"Eu mesma coloco isso, obrigada." ela disse zangada e amarrou a venda. Suas mãos tremiam enquanto ela a colocava. Respirou fundo.

"Lamento se te magoei, Rony, mas você não pode ver as coisas pelo meu lado um pouco? Na noite que digo que não vou transar até que esteja casada, você diz que quer casar comigo um dia. Qual é! Isso não parece verdade." Megan falou.

Eles não disseram outra palavra até que ele a levou para fora do quarto. Quando eles chegaram a um local longe o suficiente da Torre de Astronomia, Rony tirou a venda. Os olhos dela estavam inchados de chorar e ela parecia tão arrasada quanto ele se sentia.

"Você está partindo meu coração, Meg. Eu te amo mais do que amei qualquer pessoa e aí descubro que você não confia em mim. Não agüento mais isso." Rony disse triste. Toda a energia para gritar e brigar o abandonou durante a descida das escadas da Torre.

"Rony, não queria te magoar, mas você também me machucou. Eu às vezes realmente não te entendo." Megan respondeu num sussurrou agudo. Com isso, ela virou e foi em direção ao Salão Comunal da Lufa-lufa, deixando um Rony muito infeliz pelo caminho.

Depois de minutos em pé pensando, Rony decidiu voltar para a Torre da Grifinória. Ele gostaria que Harry ou Hermione estivessem acordados, porque ele realmente precisava de um amigo para conversar.

Ele parou em frente ao retrato da Mulher Gorda e murmurou a senha – "Torta de abóbora" – e entrou no salão comunal. Ele avançou e viu seus dois melhores amigos no sofá de frente para a lareira as cabeças inclinadas para frente numa conversa profunda.

"Oi." Rony chamou chateado, indo em direção de seus dois amigos. Eles levantaram os olhos, com expressões diferentes enquanto ele se aproximava.

"É, eu sei. Voltei cedo de meu encontro com Meg. Vocês nunca vão adivinhar o que aconteceu..." Rony começou a dizer.

"Então você viu a Marca Negra também?" Harry perguntou, fazendo Rony parar, a voz presa na garganta.

"Como é?" Rony respondeu. Ele olhou mais de perto para Hermione. Ela tinha lágrimas nas bochechas.

"A Marca Negra, Rony. Pensamos que você tivesse visto, sobrevoando a Floresta Proibida." Hermione respondeu.

"O que aconteceu?" Rony perguntou horrorizado, olhando para Harry.

"Moody está morto".