Harry Potter e a Tábula de Transmora Capítulo 11 - O jogo

I've paid my dues
Time after time
I've done my sentence
But committed no crime
And bad mistakes
I've made a few
I've had my share of sand
Kicked in my face
But I've come through – Queen

Era uma manhã fria e clara. O sol inundava o salão principal, dando uma dor de cabeça a Harry enquanto ele tentava engolir alguma coisa durante o café da manhã. Rony estava sentado a sua frente, de costas para mesa da Lufa-lufa, fazendo uma careta.

"Precisa comer alguma coisa, Harry," ele disse, olhando Harry empurrar a comida de um lado para outro no prato. "Por Merlin, ouviu o que disse? Falei igual a..."

"Hermione," Harry suspirou, levantando os olhos de seus ovos mexidos, esbagaçados por causa da várias viagens que fizeram pelo prato.

"Agora não é a melhor hora de pensar nela. Agora é a hora de pensar em quadribol. Vocês têm que vencer Sonserina, e não vão fazer isso se não entrar no espírito do jogo," Rony disse.

Harry largou o garfo ruidosamente, tomou um grande gole do suco de abóbora e limpou a boca no guardanapo, preparando-se para levantar. Rony estava certo. Ele precisava sair dessa.

"Malfoy vai desejar nunca ter visto uma vassoura," Harry disse, um olhar nervoso, mas malicioso em seus olhos.

"É assim que se fala, companheiro," Rony disse, esticando o braço para dar um murro no braço do amigo.

Da mesa de Sonserina, veio o som de aplausos, e Harry e Rony viraram para olhar o porquê do barulho.

Havia um pequeno grupo de garotos de pé, aplaudindo Draco Malfoy, que estava sentado. Ele levantou, balançando as mãos para interromper e parecendo metido como sempre. Alguns deles lhe deram tapinhas nas costas, enquanto outros aplaudiram mais um pouco e voltaram para mesa. Simas, com os olhos arregalados e sorrindo veio direto para Rony e Harry.

"Vocês nunca vão adivinhar o que aconteceu," Simas disse.

"O que?"

"Draco cancelou a aposta. Ele pagou pra todo mundo. Disse que não está mais interessado nisso e que se cansou. Acho que ele descobriu que não tinha chance nenhuma de vencer."

Harry e Rony se entreolharam descrentes.

"Aqui está," Simas disse, pescando em seu bolso estufado. Ele retirou vários galeões e os entregou para Rony.

"Eu não acredito," Rony disse, olhando para o ouro em sua mão.

"Nem eu acreditei," Simas disse, "pra ser franco, estava começando a ficar preocupado. Ele acabou de terminar com Lilá e todos esperávamos que ele estivesse pronto para adicionar mais uma à lista a qualquer hora. Mas é verdade. A aposta terminou."

"Eu não gosto disso," Harry disse, repentinamente se sentindo mais enjoando que antes.

"Bem, eu te dei a chance de entrar na aposta, Harry. Mas você escolheu ficar de fora. Azar o seu," Simas disse, dando uma cotovelada em Rony, que sorria desconcertado.

"É, azar o meu." Harry murmurou.

"Lá está Dino," Simas disse, olhando para a porta do Salão Principal. "ele vai vibrar! A aposta dele foi a segunda maior da Grifinória. Até mais." Ele disse e foi embora.

"Harry," Rony disse, balançando a mão na frente do rosto de Harry, que não notou. "Harry!" Rony tentou novamente, ainda sem resposta.

Quando Rony ia balançar Harry, Malfoy veio ate eles, com seus companheiros de quadribol de guarda. Harry rapidamente voltou à realidade e levantou, quando ficou obvio que Malfoy vinha falar com ele.

"O que você quer?" Harry perguntou, sua raiva aumentando. Os membros do time da Grifinória se juntaram atrás de Harry, que cruzara os braços.

Malfoy não respondeu logo à pergunta. Ele apenas ficou lá, a meio metro dele, numa posição bastante relaxada. Rony lembrou que esse era o mais próximo que ele estava de Malfoy desde do que aconteceu com Hermione. Ele lutou contra uma vontade de transformar Malfoy numa fuinha bem onde ele estava. Harry tinha muito mais controle; se fosse Rony no lugar dele, seria suspenso por amaldiçoar o capitão do time adversário antes do jogo.

Malfoy deu um sorriso maldoso. "Eu já te disse que você tem um ótimo gosto para mulheres, Potter?" ele zombou, dando um tapa nas costas de Harry quando passou por ele. As vestes verde e prateadas de quadribol invadiram o vermelho e dourado da Grifinória enquanto Malfoy e sua tropa passavam.

Harry virou, a varinha em punho. Por um segundo, Rony achou que Harry fosse enfeitiçar Malfoy, mas ele não fez isso. Com os olhos estreitados, ele o olhou indo embora com seus colegas de time, que seguiam seu capitão como um bando de Maria-vai-com-as-outras.

Quando Malfoy e o time da sonserina tinham ido, Harry sentou. "Preciso tirar a imagem dele com Hermione de minha cabeça," ele resmungou, segurando a cabeça entre as mãos. Ele tinha um olhar meio selvagem.

"Talvez ele estivesse falando sobre Lilá," Rony ofereceu, sabendo que não era verdade, ms tentando ao máximo ajudar.

"Não. Era de Hermione," Harry disse, obscuro. "Ele está falando assim para me descontrolar. Mas não vai funcionar. Me recuso a deixar que isso me afete. Não convoquei tantos treinos extras e passei tanto tempo bolando novas formações de ataque só para perder porque não consegui me controlar."

Houve uma pausa, durante a qual Harry cruzou os braços e se recostou no banco e olhou para as vigas. O sol vindo do teto encantado do Salão Principal fazia seus óculos brilharem como a superfície de um lago numa manhã branda de inverno.

"É assim que se fala," Rony disse finalmente, tentando parecer entusiasmado. "E como dissemos ontem," ele completou, "vamos descobrir um jeito de recuperar Hermione e Meg. Depois do jogo."

"É," Harry disse, sentando normal e concordando com a cabeça. "Depois do jogo."

****

Essa era a oportunidade perfeita. A maioria dos alunos e professores estariam no campo de quadribol para assistir à partida. Sempre havia muito barulho nas partidas de Grifinória contra Sonserina por causa da rivalidade entre as casas. Ninguém estaria por perto para ver Megan andando pela Torre de Astronomia para procurar o que ela nomeou de Quarto da Separação.

Há alguns dias, ela e Rony tiveram a pior briga do relacionamento deles. Isso a deixou completamente infeliz, solitária e deprimida. Rony era o mundo dela e a dor que sentia pela ausência dele era esmagadora. Ela não sabia como ia agüentar vê-lo em Herbologia na segunda. Ela precisava estar em contato com ele de alguma forma, mas ainda estava muito chateada para procura-lo. Voltar a cena do crime era a melhor opção.

Os rosto dela queimou quando ela pensou no que Rony diria se soubesse o que ela estava fazendo. Ele havia sido inflexível para que ela não olhasse enquanto a levava para o quarto secreto Weasley. Ela acatou o pedido dele na subida, fechando bem os olhos sob a venda e sem tentar lembrar pra onde ele a estava virando. Mas o caminho de volta foi completamente diferente. Chateada e com raiva com o que acontecera – e também muito suspeita do quarto aonde ele a levara – a venda não era tão divertida quanto na subida. Sem sentir que poderia confiar em Rony, ela prestou atenção aonde ele a levava.

Olhando furtiva para o corredor, Megan apressou o passo e subiu as escadas que levavam à torre de Astronomia.

****

Harry podia ouvir a torcida na arquibancada, enquanto ele e seus companheiros de time estavam na área de espera ao lado do campo. A qualquer instante, o time seria anunciado, as portas se abririam e eles voariam para o jogo.

Mas esse não era um jogo de quadrilbol qualquer. Era a abertura da temporada, e mais importante, eles jogariam contra a Sonserina. Harry nunca teve tanta vontade de vencer a Sonserina como ele queria hoje. Malfoy precisava entender uma coisa. Não importava o que fizesse a Harry, Harry sempre seria melhor que ele no quadribol.

Harry censurou seus pensamentos. Como ele dizia a seus companheiros de time varias vezes, era má idéia fazer de um jogo um assunto pessoal. A questão não era pra ser vencer Malfoy, era pra ser sobre a Grifinória vencer Sonserina jogando melhor e com mais habilidade.

A energia que emanava de seus colegas era palpável. Harry tinha ficado nervoso na hora de dar o discurso antes do time sair do vestiário. Ele seria inspiratório e energético como Olívio Wood? Suas palavras deixariam o time se sentindo confiante e preparado como as de Angelina Johnson deixavam? Se ele ainda estivesse com Hermione, provavelmente pediria a ela ajuda para juntar as idéias, ou pra escolher algumas frases. Pra dizer a verdade, ele deveria ter começado o discurso há dias atrás, mas ele foi distraído por outras coisas, como o rompimento de Rony e Megan.

Apesar da falta de preparo, Harry de algum jeito achou dentro de si o que precisava ser dito ao time. Ele lembrou do que falara há instantes atrás, se perguntando sobre o que fizera com que ele conseguisse passar por isso sem se entalar com as palavras.

Olhando ao redor do vestiário onde ele e seus companheiros de time estavam sentados, o olhar de Harry se concentrando em cada um, enquanto falava.

"Bem, pessoal. Essa é a primeira partida da temporada. Treinamos duro para se esse dia, e acho que temos tudo o que precisamos pra vencer Sonserina. Temos os dois melhores batedores da escola, Dan e Drew, que não só vão nos proteger dos balaços como também vão fazer uma grande partida no ataque – acertando os balaços na direção dos atacantes da Sonserina bem como no apanhador, se ele entrar em meu caminho."

Todos olharam para Dan e Drew, concordando.

Harry continuou "... e nossos Atacantes merecem os mesmos elogios. Três vezes eles foram o motivo de termos ganho partidas em outros anos, por causa de sua grande habilidade com a goles e da coordenação de Andy, John e Emma e suas jogadas perfeitamente executadas. Os atacantes da Sonserina vão ficar procurando a goles enquanto marcamos pontos contra o goleiro deles, que não vai ter nenhuma chance contra nossos lançamentos tanto praticados." Todos aplaudiram concordando. Dan deu um beijo na bochecha de Emma – eles estavam namorando desde que se juntaram ao time dois anos antes – e Drew John aclamaram. A adrenalina no vestiário estava aumentando enquanto Harry continuava, sem conseguir conter o sorriso.

"E claro, não podemos esquecer nossa goleira, Anya," Harry disse, e depois parou, enquanto o time ria junto.

Anya se juntara ao time no ano anterior depois de ser descoberta por Harry tarde da noite quanto ele tinha ido voar para arejar a cabeça. Ela também estava voando, numa tentativa de esquecer alguma coisa que a deixara com raiva e voou desavisada para o salgueiro lutador. Harry ouviu um grito abafado e viu Anya se desviando e abrindo caminho entre os galhos, finalmente sendo atingida no peito. Mas ela permaneceu na vassoura e recebeu os golpes como se estivesse preparada e eles fossem bem-vindos. Ele voou para ajuda-la, só para descobrir que ela não queria sair ou ser resgatada. Ela descobriu a batalha contra a árvore era uma ótima maneira de aliviar o stress e a raiva. Harry implorou pra que ela fizesse o teste para a posição livre de goleiro no time. O resto, como eles dizem, é história de quadribol da Grifinória.

"Anya," Harry continuou, limpando a garganta e olhando para ela, "nunca deixou uma goles passar por ela em todas as partidas de quadribol que já jogou. Anya raivosa, tenho certeza que não vai nos decepcionar!" o time riu e se animou, e Anya parecia divida entre estar satisfeita e estar muito zangada. Harry fez uma anotação mental para perguntar a Gina o que Anya fazia antes do jogo pra ficar tão furiosa.

"E uma observação mais pessoal," Harry disse, suas bochechas corando com uma energia animada e nervosa, "quero agradecer a todos por treinar tão intensamente e com tanta lealdade. Ganhar essa partida significa muito pra mim, não só porque quero vencer a Sonserina. Esse é o primeiro jogo da última temporada que vou passar jogando o esporte que mais amo com as pessoas de quem mais gosto de jogar no mundo todo. Só queria dizer... obrigado."

O silêncio encontrou as palavras dele e Harry olhou para seus companheiros a sua volta, que pareciam sem palavras. Finalmente, Emma quebrou o silêncio. "Acho que falo por todo time, Harry, quando digo que você é o melhor capitão que poderíamos ter." A voz dela tremeu um pouco, mas ela sorria. Dan colocou a mão sobre o ombro dela, e todos do time concordaram com um aceno de cabeça, olhando para Harry com o que ele depois descobriu que era admiração e respeito. Ele achou que fosse se entalar bem ali, não fosse pelo som da sirene, avisando que era hora de ir pra a área de saída. Ele olhou mais uma vez para seus companheiros e depois levantou.

"Agora vamos lá ensinar à Sonserina como se joga quadribol," Harry rosnou, olhando para seus companheiros com determinação. Ele podia sentir seu coração acelerando, a adrenalina pré-jogo correndo em suas veias.

"Vai Grifinória!" eles gritaram, todos levantando e seguindo Harry porta afora.

O apito soou, trazendo Harry de volta ao presente. Antes que pudesse piscar, as portas de madeira se abriram e o time de quadribol da grifinória voou para o campo sob o grito da torcida e com as apresentações sendo feitas.

*****

Megan procurou pela parede no lado leste da torre por uma junção ou qualquer outra indicação da entrada secreta do Quarto da Separação.

"Está aqui, eu sei que sim," sussurrou para si mesa enquanto usava as duas mãos para apalpar as pedras de a textura áspera que compunham a parede.

Fechando os olhos para poder se concentrar melhor, se lembrou do barulho de algo arrastado que Rony fizera antes de leva-la para o quarto naquela noite fatídica.

Fazendo uma careta e apertando os dentes por causa do barulho, ela passou as unhas pela parede quando um vento forte entrou pela torre, levantando a capa atrás dela. Ela começou a tremer, por causa de uma combinação de nervosismo, uma reação física às unhas arranhando a parede e o efeito congelante do vento.

Era inútil. A parede era uma massa inflexível. Talvez ela tenha se enganado quanto à localização. Ela se criticou por ter vindo ali. Como voltar ali ajudaria?

Megan sentiu as lágrimas encherem seus olhos mais uma vez. Ela não lembrava de nenhum outro momento em sua vida que tivesse chorado tanto. Normalmente, ela teria lutado contra as lágrimas, se distraído pensando em outras coisas. Mas ela não tinha forças para parar as lágrimas agora. Era mais que o suficiente. Era a hora de deixar as coisas seguirem de seu jeito.

Ela se inclinou para frente, descansando a testa contra a pedra áspera. Suas mãos ainda estavam pressionadas contra a parede, uma de cada lado da cabeça, quase como se ela estivesse deitada sobre um travesseiro numa cama, só que era vertical e não horizontal. Ela procurou o apoio da parede por vários minutos enquanto seu corpo balançava com o ataque de soluços que ameaçavam corta-la ao meio. Não fosse pela parede, ela teria afundado no chão, enfiando a cabeça nos joelhos.

Então aconteceu. Era diferente de qualquer coisa que esperava. A pedra começou a esquentar como se possuísse um fogo ardente por trás dela. No inicio, Megan não notou a mudança na temperatura. Ela atribuiu ao calor que estava gerando por chorar tão forte. Mas então o calor se intensificou a um ponto que ela não podia mais atribuir ao calor de seu corpo. Ela recuou bem a tempo de ver a parede se dissolver bem diante de seus olhos. Seu queixo caiu e por um momento ela parou, pasmada.

Depois de um momento para secar as lágrimas dos olhos e concentrar seus pensamentos, Megan ajustou a capa a seu redor antes de entrar pela porta.

******

O apito de Madame Hooch soou e eles partiram. Harry voou para cima o mais rápido que sua Firebolt podia enquanto os artilheiros lutavam pelo controle da goles. Era bom estar no ar frio de outono. Cortava seu rosto e o fazia formigar. Tudo que o incomodava saiu de sua mente e ele se concentrou em sua tarefa. Na maioria das vezes que ele jogava quadribol era assim; o som da torcida era sufocado, a sensação de controlar a vassoura parecia mais que natural e cada partícula de seu ser ficava concentrada em achar o pomo. Harry gostava dessa sensação de concentração completa. Aqui ele estava no controle. Aqui ele era calmo e composto. Aqui ele era o mestre de seu destino.

Harry acenou para Dan quando ele golpeou um balaço que o batedor da Sonserina tinha mandado na direção de Harry. Inclinando-se pra frente para ganhar velocidade, Harry começou seu padrão de busca pelo pomo ao redor do campo, apertando os olhos para procurar e evitando os Balaços quando necessário.

Quando ele voou para uma parte vazia do campo, ouviu a voz familiar de Draco sobre seu ombro direito.

"Ei, Potter," ele gritou, colocando as mãos ao redor da boca para obter um volume maior. Ele parecia querer alguma coisa.

Harry rolou os olhos por reflexo e decidiu fingir que não o ouvira. Ele não precisa de nenhuma distração agora; precisava se concentrar no pomo. Alem disso, ele não sabia se confiava em si mesmo se ficasse numa distancia suficiente para acertar Malfoy. A cena de Malfoy com Hermione no sofá ainda estava muito fresca na mente de Harry para que sua mente não tivesse vontade de mandar Malfoy para "grande aventura seguinte" como Dumbledore chamava.

Mas parecia que Malfoy não queria ser ignorado. "Ei, Potter!" ele gritou ainda mais alto, se aproximando. "Você nunca vai acreditar na boa noticia que tenho pra você."

Harry olhou a sua volta. O pomo não estava a vista. Quando ele estava se preparando para virar e dizer a Malfoy pra dar o fora, Rachel marcou um gol contra Sonserina. Harry vibrou junto com seus companheiros e com a maioria da torcida. Grifinória 10, Sonserina 0. Rachel tinha executado perfeitamente a Manobra Heimlich – nomeada em homenagem ao bruxo que tinha sido e um ótimo jogador de quadribol, mas um pouco polêmico por ter mostrado aos Trouxas como ajudar alguém que está se engasgando.

Voando por cima das arquibancadas, Harry viu uma pessoa que o fez parar no meio do vôo. Era Sirius! Harry não esperava ver seu padrinho por pelo menos mais duas semanas, mas ali estava ele, torcendo com todos. Ele estava sentado numa seção reservada à visitantes e parecia estar se divertindo. Harry voou rapidamente por cima pra dar um oi.

A torcida vibrou ainda mais nas arquibancadas e Harry virou bem a tempo de ver Dan acertar um balaço para tirá-lo do caminho de Rachel, que voava em direção aos aros. Ela fez um movimento de cima pra baixo exagerado, largando a goles bem atrás da vassoura de John, na posição perfeita pra uma Varrida Wood. Quando John ia golpear a goles pelo aro do meio com a cauda de sua vassoura, foi empurrado por um dos batedores da Sonserina, um sextanista de nome Dirk Peterson.

O apitou soou e a Grifinória ganhou um arremesso por uso excessivo de cotovelos por parte da Sonserina. Os sonserinos na arquibancada vaiaram e protestaram, mas logo foram calados pelos gritos da Grifinória. John, que era o melhor arremessador, fez a goles passar pelo goleiro da Sonserina, Marcus Vicus como se ela tivesse sido atraída pelo aro. A arquibancada vibrou. Os Sonserinos se reagruparam, formando um circulo ao redor de Malfoy.

O jogo continuou, com a Sonserina ainda mais agressiva. Eles seguravam mais a goles e mandando os balaços bem na direção dos atacantes. Ao invés de esperar o balaço atacar para defender seus jogadores, os batedores da Sonserina os perseguiam, muito ansiosos para joga-los contra os adversários.

A torcida parou quando um balaço entrou em contado com Emma e quase a derrubou de sua vassoura. Voando através do campo, Dan a segurou bem na hora. Mas não foi a coisa certa a se fazer.

A área que Dan cobria agora estava livre para que os Sonserinos fizessem sua jogada. Todd Lint, um dos atacantes da Sonserina, marcou um gol fácil, sem defesa dos Grifinórios que estavam distraídos por sua companheira machucada.

Madame Hooch pediu um tempo e Harry voou para olhar Emma.

"Você está bem?" ele perguntou, olhando dela pra Dan.

"Sim," Emma disse, fazendo uma careta. O balaço a atingira na parte de trás da cabeça e Harry podia ver a área inchando.

"Ela está zonza," Dan disse, colocando um braço protetor ao redor dela.

"Acha que ainda pode jogar?" Harry perguntou.

"Estou bem," Emma disse, se ajeitando e olhando rápido para Dan. "Só fiquei tonta por alguns segundos e não está doendo tanto. Quero ficar."

"Certo, vou deixar você no jogo. Me diga se não se sentir que não pode mais jogar," Harry disse, começando a decolar.

"Espere!" Dran gritou.

"Não," hArry respondeu, "por favor voltem a suas posições. O apito vai soar a qualquer instante."

"Mas não acho que ela deva jogar," Dan disse pelos dentes cerrados.

"Sei que está preocupado com ela, Dan, mas ela disse que está bem e temos que acreditar nela. Não deixe que seus sentimentos afetem seu jogo. Sei que é difícil, mas é o que todos temos que fazer," Harry disse.

Dan balançou a cabeça, mas decolou assim mesmo. O apito tocou e Harry voltou a se concentrar em seus movimentos de apanhador. Se ele pegasse o pomo agora, não precisaria se preocupar com Emma jogando machucada. Ela era uma jogadora durona, mas Harry tinha duvidas se deveria te-la deixado jogando. Quanto mais rápido terminasse melhor.

"Estou com a sensação que está me evitando, Potter," Harry ouviu Malfoy dizer. Ele tinha emparelhado com ele e Harry virou para encara-lo, ao mesmo tempo mantendo os olhos ao redor do campo procurando pelo brilho dourado tão importante.

Olhando impaciente para Malfoy, Harry levantou voou de novo, querendo dar outra rodada pelo campo. Seus olhos procuravam, sua atenção e concentração e achar o pomo. Draco voava a seu lado, de vez em quando entrando em sua frente e empurrando-o contra as arquibancadas quando estavam próximos.

"Vamos logo, Malfoy," Harry disse irritado, "Está claro que você tem algo a dizer, então diga logo e vá embora."

"É sobre Hermione," Malfoy disse, sua voz sem o tom zombeteiro que geralmente tinha. Surpreso pelo tom inesperado, Harry se desconcentrou da procura pelo estádio e se virou para olhar rapidamente o rosto pálido de Malfoy.

"O que tem Hermione?"

"Estou te livrando da dívida que tem comigo do quinto ano. Você sabe de qual estou falando, Potter," Malfoy disse. Os dois mergulharam para evitar um balaço, Malfoy rindo.

Harry concordou com a cabeça, seu estômago se reduzindo a uma pequena bola. Notou que estava voando num ritmo mais forte e mais rápido que o seu normal, o vento forte fazendo que suas vestes balançassem atrás dele. "E por que me livraria de minha dívida, Malfoy?" ele gritou por cima do ombro.

"Hermione pagou seu débito por você," Malfoy respondeu. O queixo de Harry caiu ao ouvir essas palavras e ele parou de repente. Malfoy também parou. Os dois ignoraram o grito de seus companheiros que perguntavam o que acontecera.

"Ela queria ir mais alem do que eu pedira," Malfoy continuou, "mas eu não podia deixar. Como sabe, nunca poderia dormir com uma sangue-ruim. Mancharia minha reputação. Eu tenho meus padrões."

"Você é um mentiroso, Malfoy!" Harry gritou. "Sempre achei que você era um trapaceiro e mentiroso e agora tenho certeza. Hermione nunca faria algo assim, você sabe muito bem."

Malfoy riu e saiu, deixando Harry flutuando acima do campo de Quadribol, furioso.

Era bem do feitio de Malfoy armar uma cena dessas. Ele era capaz de qualquer coisa para vencer e parecia que ele planejou isso por muito tempo. Ele provavelmente esperava irritar Harry o bastante para que ele não se concentrasse em ganhar o jogo.

Mas Malfoy o subestimou.

Buscando forças dentro de si, Harry colocou a raiva que sentia de lado e voltou sua ateçao para o jogo. Era a hora de fazer o que ele tinha vindo fazer no campo e nada - nem mesmo Malfoy e seu golpe baixo – o deixariam longe de seu objetivo.

****

Megan ficou feliz por não ter deixado seu lado racional mantê-la longe de seu objetivo. Agora que estava ali, sabia que era onde devia estar. Obviamente estar nesse quarto a fazia pensar mais claramente no que acontecera entre ela e Rony que resultou no rompimento. Ela queria o que o sentimento de mágoa desaparecesse e queria descobrir o que fazer depois.

Megan olhou para cama e sentiu-se reagindo a uma emoção selvagem nostálgica. Ela podia sentir o beijo de Rony em suas bochechas, seu pescoço, seus lábios como se ele estivesse ali com ela. Ela podia seus sussurros suaves e o barulho dos lençóis. Ela podia sentir o gosto das lágrimas dele se misturando às dela enquanto se beijavam, o gosto suave de Rony maravilhosamente deleitando sua língua e fazendo seu coração derreter.

Era demais. Doía querer vê-lo de novo. Com cada fibra de seu ser, ela desejava que nunca tivessem brigado e que nunca tivessem vindo a esse quarto idiota. Ela estaria sendo desonesta consigo mesma se continuasse a negar, por mais que a magoasse, que ainda o amava e queria voltar para ele.

"Oh, Rony! Sinto tanto sua falta," Megan gritou, se jogando na cama.

Mas então ela notou algo que a fez parar de chorar abruptamente. O que era aquilo no chão junto ao pé da cama?

Ela sabia que não devia invadir o que não lhe pertencia.

****

Energizado com a adrenalina de sua raiva, Harry percorreu o campo em alta velocidade. O placar marcava Grifinória 30, Sonserina 40. Esse placar confirmava o plano de Malfoy. Aquela rápida conversa sobre Hermione era para distrair Harry do jogo que se passava logo abaixo dele. Ele se censurou por permitir que isso ocorresse.

E então ele viu. Perto do alto do aro esquerdo da Sonserina, o pomo de ouro estava a meio campo de distancia. Checando se Malfoy o vira, Harry notou que ele ainda não o tinha localizado ainda mesmo estando bem mais perto. Ao invés de fazer um vôo em linha reta até o pomo, ele decidiu voar calmamente em sua direção e depois fazer uma subida bem abaixo do local onde ele brilhava. Qualquer outra tática não evitaria que Malfoy chegasse lá antes. Harry prendeu a respiração e fez sua jogada.

Em menos de um minuto, ele estava posicionado na base do aro e olhando para o pomo. Observando-o, Harry podia vê-lo dançando através do aro suas asas douradas refletindo a luz e parecendo vapores cor de ouro. Quando ele ia executar sua subida, Malfoy o viu. Num instante, os dois estavam voando em direção ao pomo, as vassouras quase perpendiculares com o solo enquanto eles subiam.

Malfoy estava a mais ou menos meio metro à sua esquerda, mas com possibilidades de alcançar o pomo. Harry estava numa posição um pouco mais favorável, mas precisava garantir que pegaria o pomo e não Malfoy. Com seu rosto sentindo a pressão da subida, Harry virou pra cima ganhando ainda mais velocidade e passou de Malfoy. Seus olhos estavam no prêmio. Ele tirou a mão direita da vassoura e a esticou na direção do pomo.

***

Megan jogou as pernas pro lado da cama e se abaixou na frente do objeto que chamou sua atenção. Se sua memória estivesse correta, ela estava olhando para uma das plantas mais raras no mundo e parecia haver várias delas. Mas como os Tupperwicks pararam ali? Rony lhe dissera que era o único que conhecia esse lugar. Ela tinha quase certeza que os Tupperwicks não estavam ali da ultima vez. Claro, ela estava um pouco distraída na ocasião.

Um pensamento terrível lhe ocorreu. E se Rony tivesse roubado os Tupperwicks? Ela lutou contra o impulso de correr e ao invés disso se aproximou mais, seus olhos brilhando com a luz estranha que vinha das folhas compactas dos Tupperwicks. Seria fácil toca-las, mas ela tinha experiência bastante para saber que tocar plantas mágicas como essa podia causar problemas enormes e até mesmo ser fatal. Ela preferiu deixar pra lá.

Quando ia se levantar, expirou profundamente. Para seu horror, uma das folhas do Tuperwick tremeu antes de cair no chão e explodir a seus pés, desaparecendo num turbilhão de vento e de fagulhas prateadas. Megan cobriu a boca com as mãos e recuou quando a energia mágica dissipou do ponto no chão onde a folha caíra.

******

Bam! A vassoura de Harry parou abruptamente. Assim como a de Malfoy. Os dois foram jogados para frente, o braço de Harry parecendo que foi tirado do lugar por causa da força da separação de sua vassoura, agora parada.

Maddie pulou em pé na hora que viu todas as vassouras no campo pararem e fez a primeira coisa que lhe veio à mente. Conjurou algo para impedir a queda dos alunos que caíam rapidamente em direção ao chão. Professor Snape, que também se levantara, abaixou sua varinha quando percebeu que Maddie já tinha resolvido. Em menos de um segundo, Snape olhava para o que sua colega conjurara. Virou com a sobrancelha levantada para ela, a cabeça meio torta para o lado.

Ela deu os ombros. "Foi tudo em que pensei."

Era uma cena estranha. Harry, Draco, Dan e Marcus todos pulavam pra cima e baixo depois de cair no campo de quadribol que não era mais feito de grama, mas sim composto pelo maior colchão que alguém já viu. Os outros jogadores se seguravam em suas vassouras, cada um num nível diferente de precariedade, flutuando imóveis no sobre o campo. Alunos e espectadores gritavam horrorizados e alguns dos professores correram até o campo pra ajudar os alunos a descerem.

Alem do braço, que parecia ter deslocado, e do galo na cabeça no lugar onde Malfoy se batera contra ele quando chegaram ao colchão, Harry estava bem. Quando parou de pular, checou rapidamente seus colegas e parecia que todos sairiam sem problemas disso.

Então um pensamento lhe ocorreu. Eles ainda estavam jogando. Parecia que Malfoy tinha pensado isso e estava tentando ao máximo sair do colchão, seu rosto pontudo olhando na direção onde tinham visto o pomo da última vez.

Tinha desaparecido. No meio da confusão, Harry o perdeu de vista. O que aconteceria agora? Continuariam a jogar sem vassouras?

Harry continuou procurando pelo pomo, quase por instinto, quando desceu pelo lado do campo elástico de quadribol. O colchão de Maddie provavelmente salvara sua vida. Quando desceu no chão firme, seu tornozelo torceu como se tivesse pisado sobre uma pedra bem grande.

"Ai," Harry disse, segurando o tornozelo, sentado na ponta do colchão. Ele olhou para o chão. Tinha pisado no pomo! Sem pensar duas vezes, mergulhou de cabeça, pousando sobre o ombro direito e agarrando-o com as duas mãos.

Harry levantou, sem saber se seria apropriado levantar o pomo e declarar a vitória ou esperar até que as coisas estivessem sob controle. Antes que pudesse decidir, alguém gritou. Parecia ser Rony.

"Ele pegou o pomo! Harry pegou o pomo! Ganhamos!"

******

Depois de guardar os equipamentos do time, Harry colocou a vassoura em cima do ombro e começou a voltar para o castelo. Ele dissera a seus colegas de time para não esperar por ele e pediu que Rony procurasse por Hermione. Ele não a vira na partida e estava preocupado com ela, especialmente por causa do que aconteceu com as vassouras, que ainda não funcionavam.

Ele se arrepiou quando um vento frio passou por ele. Era bom tomar um banho e limpar todo o suor e sujeira da partida. Depois ele celebraria a vitória da grifinória contra a Sonserina junto de colegas de casa com comida roubada da cozinha. Na cabeça de Harry, a vitória nunca foi tão doce.

Claro que existia um pouco de amargura. Havia sua preocupação com Hermione e o simples fato dele sentir saudades dela. Havia a análise inevitável sobre o que ocorrera no campo para fazer as vassouras pararem de funcionar. Pensando melhor sobre isso, Harry logo concluiu que essas duas coisas provavelmente estavam relacionadas com Voldemort. Não era ele sempre o responsável por essas coisas?

Harry levantou os olhos um instante para ver a que distância estava do castelo e viu alguém vindo em sua direção. Parecia Lilá, mas ele não tinha certeza por causa da distância. Talvez ele devesse desviar para cabine de Hagrid para evita-la, ele pensou. Ele apressou o passo e mudou de direção.

Mas não deu certo. Ela o chamou. Por educação, Harry diminuiu o passo. Parou do lado de fora da cabana de Hagrid, o que ele esperava que a impedisse de fazer outra cena como da última vez que a vira.

"Oi, Harry," lilá disse, sem fôlego, quando parou na frente dele.

"oi," foi tudo o que conseguiu responder. Ele se sentiu corar, o que era uma surpresa.

"Eu... queria... dar os... parabéns," Lilá disse, claramente desacostumada a correr pelos terrenos da escola. Harry lembrou que nunca a viu nas corridas matinais.

"Obrigado," Harry respondeu, se apoiando na cabana de Hagrid. Ele estava tentando parecer relaxado, mas não se sentia assim.

Lilá sorriu. Harry não sorriu em resposta. Ele estava irritado com ele não queria que ela o entendesse mal. Talvez agora fosse uma boa oportunidade para tirar uma coisa que o incomodava do peito.

"Por que está inventado coisas sobre nós?" ele perguntou.

O sorriso de Lilá desapareceu. "Não estou inventando," ela disse, se aproximando.

"Da última vez que soube, precisa de duas pessoas para...bem, você sabe," Harry disse, suas bochechas queimando como se tivesse acabado de tomar um tapa.

"Eu sei bem," Lilá falou sedutivamente, se aproximando ainda mais.

"Pare com isso!" Harry advertiu.

"Por que negar, Harry?" Lilá disse, agora a centímetros de distância. Ela colocou as mãos na cabana, cada uma de um lado dele, na altura do queixo, como se fosse fazer flexões em pé, contra a parede.

"Porque não é verdade. E fique longe de mim," Harry disse, colocando as mãos nos ombros dela e empurrando um pouco. Como não queria machuca-la seu toque era gentil. Além disso, havia algo dentro dele que o deixava com vontade de beija-la, e isso o irritava muito, porque ele amava Hermione e se achava infiel, ao sentir o que sentia agora. Por ele tinha quer ter dezessete anos numa hora como essa? Se ao menos fosse tão velho quanto Sirius. Então poderia tira-la do caminho sem pensar duas vezes sobre isso. Ou talvez não, Harry se corrigiu. Sirius era um conquistador na época dele e provavelmente continuava sendo.

"Você não está mais namorando Hermione," Lilá disse, olhando-o nos olhos. "E não estou mais namorando com Draco. Então qual o problema?"

"O problema," Harry disse, passando por baixo do braço dela e se afastando dela, "é que eu amo Hermione e te beijar iria de encontro a isso."

"Isso não o incomodou na outra noite," Lilá retrucou, abaixando os braços de modo que as mãos ficaram em sua cintura.

"Eu te disse," Harry disse entre os dentes cerrados, "Nada aconteceu na outra noite. Você precisa examinar a cabeça se acha outra coisa. Talvez esteja sob um feitiço ou algo assim."

Lilá não respondeu dessa vez. Seus olhos se enchiam de lagrimas.

Harry se aproximou, sentindo-se culpado por ter sido tão duro. "Desculpe, Lilá. Eu só sei que nada aconteceu e nada vai acontecer. Só estou sendo sincero."

"eu também," Lilá sussurrou. E então se jogou para frente, segurou o rosto dele entre as mãos e o beijou.

Os beijos dela eram tão bons. Faziam a pele dele se esquentar e seu coração acelerar. Seu corpo queria desesperadamente responder ao beijo. Mas sua cabeça tinha outros planos, bem como seu coração.

"Não!" Harry disse e a empurrou. "Não acredito. Qual o seu problema?"

Lilá parecia magoada. "Eu só te amo, só isso." Os olhos dela pousaram sobre o chão.

Harry ouviu alguém limpando a garganta. Ele e Lilá viraram pra ver quem era. Era sirius. Harry se lembrou de agradecer mais tarde pela excelente hora que escolheu.

"Espero não estar interrompendo nada," ele disse.

"de maneira nenhuma," Harry disse, indo até seu padrinho. "é tão bom te ver, Sirius."

"Tenho que ir," Lilá disse, olhando para Sirius e Harry.

"Tchau," Harry disse e acenou constrangido. Ele ainda sentia seus lábios queimando do beijo dela; era estranho. Sirius acenou também.

Harry virou para o padrinho. "Dá pra acreditar na minha sorte?" ele perguntou sorrindo. "Posso pedir pra você me beliscar, porque ainda não acredito que o pomo..."

Sirius estava observando Lilá enquanto ela voltava para o castelo, uma expressão estranha no rosto dele, fazendo com que Harry interrompesse a frase.

"Não sabia que estava namorando com Lilá Brown," Sirius resmungou, olhando rapidamente para Harry.

Harry rolou os olhos irritado. "Não estou. Mas estou começando a me perguntar se sou o único que acha isso."

Sirius não disse nada. Apenas sacudiu os ombros e olhou para Harry, que agora se perguntava uma coisa.

"Como você conhece Lilá Browm, Sirius nunca te falei sobre ela."

Sirius estreitou os olhos, o olhar obscuro que Harry vira quando Sirius foi solto de Azkaban, a mesma profundidade. "Conheci a mãe dela."

"Ah," foi tudo o que Harry disse. Pelo olhar sombrio de Sirius, ele preferiu não insistir no assunto.

"Grande jogo!" Sirius disse, interrompendo os pensamentos de Harry. Harry concordou e eles entraram juntos na cabana de Hagrid onde discutiram a grande vitória sobre Sonserina, as vassouras imobilizadas e mais importante, a próxima reunião da Ordem.

****

Estava mais que calmo na biblioteca pois era uma tarde de sábado, logo após uma partida de quadribol.

Hermione não teve coragem de perder o jogo. Mas ela também não queria sentar com seus colegas para assisti-lo. Ao invés disso, ela preferiu sentar nas escadas que levavam aos camarotes. Depois de ter certeza que Harry estava a salvo e que o jogo tinha terminado, voltou a seu lugar na biblioteca, concentrando-se em sua pesquisa.

Desde a noite de sexta , ela pesquisava possíveis feitiços que Malfoy poderia ter usado para faze-la beija-lo como beijou. As vassouras pararem no ar aumentaram sua pesquisa, como as pilhas de livro ao redor dela podiam confirmar.

Hermione ouviu alguém se aproximando. Ela decidiu não levantar os olhos de seu lugar na Seção Restrita onde ela examinava a alta torre. Ela pensou que devia ter feito pilhas de livro maiores para que ninguém pudesse acha-la.

"Achei que ia te encontrar aqui," a voz sedosa de Maddie falou. Por educação, Hermione tirou os olhos da leitura e olhou para a professora. Ela usava o cachecol da Sonserina no pescoço e vestia-se casualmente, quase modesta, com um casaco de lã preto e calças cinza simples.

"Estou fazendo uma pesquisa sobre a maldição Imperius," Hermione explicou, olhando novamente para o livro. Pra falar a verdade, ela também estava investigando possíveis causas para a parada repentina das vassouras no meio do jogo e Maddie descobriria isso se olhasse para o título dos livros empilhados ao redor de Hermione.

"Ah, Imperius," Maddie disse, deleitada, "uma de minhas favoritas."

"Então já a usou?" Hermione perguntou, enquanto Maddie se abaixava para sentar ao lado dela. Hermione começou a se perguntar se essa visita amigável era uma indicação que Maddie tinha admitido que Hermione a queria como mentora ou se ela tinha algo mais nas mangas.

"É ilegal," Maddie respondeu, suas sobrancelhas bem-feitas se esticando como se tentassem enfatizar o argumento.

"Eu sei," Hermione disse. "Aprendemos isso no quarto ano."

"Sim, eu soube que tiveram aulas muito boas no quarto ano," Maddie disse, esnobando."Claro, sempre achei Crouch um picareta, mas isso era apenas minha opinião."

Hermione não sabia o que dizer, então não disse nada. Ficou um silêncio desagradável no ar enquanto Maddie lia por cima do ombro de Hermione.

"Queria alguma coisa, Professora?" Hermione perguntou, irritada por ter sido interrompida e querendo votar a sua pesquisa.

Maddie rolou os olhos e levantou, olhando para Hermione como se dissesse que queria que ela levantasse também.

"Queria perguntar o que diabos você achava que estava fazendo na outra noite," Maddie bronqueou. Ela não parecia mais a mentora boazinha.

"O que?" foi tudo o que conseguiu responder.

"Dumbledore me disse que quando confessou ter sido atacada fora da escola que você renunciou ao cargo de Monitora Chefe. O que, exatamente, passou por sua cabeça pra fazer uma coisa tão idiota? Você percebe o quanto pôs em risco suas chances de se tornar Auror?"

Hermione sussurrou aliviada. Por um segundo, ela pensou que Maddie ia gritar com ela por beijar Draco. Ela sempre achou que Maddie tinha uma queda por ele, por mais nojento que isso fosse.

"Bem," Maddie disse, "estou esperando uma explicação."

Hermione mordeu o lábio, pensando numa reposta decente. "Havia outras coisas na minha cabeça na hora, nenhuma delas tinha nada com minha chance de ser um Auror."

"Bem, você precisa definir suas prioridades," Maddie disse, as mãos na cintura. Seu queixo estava firme e ela batia a bota no chão de pedra (não tinha abandonado-as).

"Acho que sim," Hermione disse, olhando ao redor, evitando contato visual.

"Olhe pra mim enquanto falo com você!" Maddie reclamou. "Você não pode deixar esse ataque atingi-la, precisa superar e seguir em frente." Hermione levantou os olhos e encontrou os de Maddie.

"Ah não," Maddie disse, cobrindo a boca com as mãos lentamente. "Inferno!" ela exclamou, recebendo vários psius de estudantes próximos que não viram que era um professor que fazia a confusão. Madame Pince estaria ali a qualquer momento se ela continuasse o barulho.

Para aumentar a confusão de Hermione, Maddie parecia chocada e irada. Ela alternadamente cobria a boca com as mãos e as retirava, fechando os punhos. Seu rosto estava contorcido, fazendo uma careta dolorosa e fechada, seus olhos em forma de meia-lua. Hermione recuou um passo.

De repente, Maddie agarrou Hermione pelos pulsos. "Quero que diga a última pessoa com quem esteve, Hermione. Isso é muito importante. Quem foi a última pessoa que beijou?"

O rosto de Hermione queimou. Ela não ia contar pra mais ninguém além de Harry ou Rony e provavelmente Gina o que aconteceu com Draco. E Maddie seria uma das últimas pessoas no planeta a quem ela contaria uma coisa tão horrível sobre si;

Mas ela não podia mentir. Maddie não recuaria sem uma resposta, então ela deu uma. "Não me lembro."

"Está mentindo." Os pulsos dela estavam começando a doer.

"Eu disse que não lembro."

Maddie a soltou. Uma expressão estranha cruzou seu rosto, parecendo como se ela tivesse acabado de acordar de um sonho estranho.

"Eu lamento muito, Hermione," Maddie sussurrou, seu rosto mudando de repente com preocupação. Ela virou e marchou para fora da biblioteca, resmungando frases soltas enquanto saia.

"Ele vai lamentar... faze-lo pagar... brincadeira perigosa... arruinar minha carreira."

Esse comportamento estranho de Maddie deixou Hermione completamente confusa. Ela não conseguiu deixar de pensar que tinha algo a ver com a noite de sexta. Pena que não confiava o suficiente em Maddie para perguntar. Antes disso ela trocaria confidencias com Snape.

Parando um momento para massagear o pescoço, Hermione voltou para sua pesquisa, agora mais convencida que algo sinistro estava acontecendo e ela precisava chegar ao fundo disso.

******

Gina parou abruptamente quando chegou à porta da sala de Draco e Hermione. Vozes – uma ela reconheceu imediatamente – eram ouvidas pela porta aberta e ela não sabia se deveria interromper ou ficar escutando.

Ela arrumou a mochila sobre o ombro e tirou a varinha. Depois de colocar um feitiço silenciante nos pés, ela foi de mansinho até a porta e olhou pela abertura, ouvindo atentamente.

Como ela suspeitava, uma das vozes era de Draco. Ele estava sentado em sua cadeira com as pernas cruzadas sobre a mesa. Apesar deles estarem de costas para porta, Gina reconheceu as formas de Crabbe e Goyle sentados em frente à mesa de Draco. Gina afastou a cabeça e se apoiou na parede do lado de fora pra que Draco não a visse escutando. Ela respirou profunda e silenciosamente, enquanto ouvia a conversa.

"Isso não importa," Draco falou. "Vão acontecer coisas que vão fazer vocês se perguntarem porque se preocuparam com essa aposta idiota."

Crabbe ou Goyle – Gina não sabia dizer qual dos dois – fez um som incompreensível que parecia uma mistura de tosse com uma vaia. Uma cadeira estalou.

"Eu não tenho que me explicar. Preferi terminar por razões minhas, e não quero contar quais são a nenhum dos dois," Draco rosnou. Aparentemente, o que Crabbe ou Goyle comunicou o irritou. Gina achava que sabia do que estavam falando, mas continuou ouvindo para ter certeza.

"Alem disso," Draco completou com a voz mais baixa, "quem escolho pra ficar é problema meu. Estava enjoado de ter que anunciar pra toda escola. O que são algumas centenas de galeões pra mim?"

Outros sons dos capangas de Draco. Gina lutou contra a risada ao ver a comédia que era Draco interagindo com seus amigos. Ela sempre se perguntara porque ele andava com esses dois, e era engraçado vê-lo interagindo com eles ao vivo.

"Vou cobrir vocês, não se preocupem com isso," Draco disse, menos tensão em sua voz. "Mas não é com isso que estão preocupados, é?"

"Seu pai," veio uma voz rouca, grave. Gina se arrepiou, não só de pensar no pai de Draco, que a incomodava até a alma. Não, foi pelo tom de pressentimento naquela voz rouca.

Os pensamentos de Gina se voltaram para o que ocorrera mais cedo durante a partida de Quadribol. O pai de Draco tinha algo a ver com o comportamento estranho das vassouras? Ela se arrepiou de novo, ouvindo atentamente.

Houve uma pequena pausa antes que Draco respondesse a pergunta sobre seu pai. Gina prendeu a respiração, a cabeça latejando com a pulsação. Ela estava quase tonta de antecipação.

Finalmente, Draco disse, "Meu pai não se importa com quem estou. Enquanto eu não me importar, ele não vai se incomodar."

Nesse instante, a mochila de Gina caiu no chão, assuntando-a tanto que ela deixou escapar um ruído fraco. Cobrindo a boca, ela se curvou para pegar seus livros, penas e pequenos pedaços de pergaminho que caíram, durante todo o tempo engolindo a seco, tentando se recompor. Ela sabia que Draco estaria ali em menos de um segundo.

Rápido como um cometa, ele estava ali como ela esperava. A primeira coisa que ela viu foram os sapatos pretos dele. Sentindo-se como uma criança pega roubando biscoitos do pote, seus olhos foram subindo dos sapatos dele...para as vestes...para sua gravata verde e cinza da Sonserina...até chegar no olhar zangado. Ela quis parecer surpresa e se desculpando quando o olhar firme dele encontrou o dela.

Surpreendentemente, ele ofereceu a mão para ela levantar, mas ela recusou. Como ele ousava lançar um olhar que poderia matar e ser educado ao mesmo tempo! O garoto era uma contradição ambulante. Ela levantou sozinha, limpando a saia e pensando rápido numa mentira muito boa para encobrir o que estava fazendo. Felizmente, ela tinha muita prática com essa cena. Ela e rony costumavam ouvir os planos de Fred e Jorge quando eram mais novos, e eles freqüentemente eram pegos e torturados por informações que tinham ouvido. Se ela achasse uma boa mentira, poderia fingir que era verdade e isso poderia salva-la de conseqüências desagradáveis.

"Que prazer em vê-la, Gina. Não sabia que era do tipo espiã. Por que não entra?" Draco disse friamente, colocando uma mão nas costas dela e guiando-a gentilmente para dentro do escritório.

No momento em que ele a tocou, Gina se sentiu estranha de novo. Era a mesma sensação que experimentara na lareira da biblioteca. "Ei," ela disse, tirando a mão dele das costas dela, "não." Ele deu um olhar peculiar para ela, como se tivesse sido acertado por um travesseiro. Claramente, ele não estava acostumado a ouvir um não.

Entrando no escritório, foi recebida pelos olhares vagos de Crabbe e Goyle. Eles estavam de pé, as mãos nos bolsos. Eles olharam de Draco pra ela, como se esperando uma explicação ou então uma briga. Não viram nenhum dos dois.

"Por que vocês dois não voltam para o Salão comunal?" Draco falou. "Vamos continuar nossa conversa mais tarde."

Dando os ombros, Crabbe e Goyle saíram do escritório. Fecharam a porta atrás deles, para grande espanto de Gina. Ela não sabia se conseguiria se manter numa sala sozinha com Draco Malfoy. Merlin, o que estava acontecendo com ela?

Draco foi até a frente de sua mesa, deixando-a em pé no meio do grande escritório, sentindo-se muito sozinha. Ela olhou para a mesa de Hermione, que estava inesperadamente desorganizada.

Draco virou para olhar para ela e se recostou na mesa, seus braços cruzados, os tornozelos cruzados. Quando ela ia dizer alguma coisa, ele levantou a mão, interrompendo-a.

"Eu faço as perguntas," ele disse friamente.

"Você pode fazer as perguntas que quiser," Gina replicou, "isso não quer dizer que vou responde-las." Ela olhou desafiante para ele e cruzou os braços.

"Acho que tenho o direito de saber por que você estava bisbilhotando minha conversa," Draco disse num tom antipático.

"Eu não estava bisbilhotando."

"Sim, estava sim," ele respondeu, estreitando os olhos e descendo da mesa. Ele foi lentamente em direção a ela.

"Não estava não," Gina respondeu, mantendo-se firme. Ela levantou o queixo em sinal de teimosia, observando alarmada o lento progresso que ele fazia em sua direção.

"Estava," ele respondeu, dando um sorriso malvado.

"Não estava," ela disse, pelos dentes cerrados. Ela não estava se divertindo.

"Estava,"

"Não estava,"

Silêncio.

Durante a cena infantil que fizeram, Draco tinha chegado e agora estava a centímetros dela. Gina sabia que ele estava tentando intimida-la ficando próximo, mas ela estava determinada a ficar no lugar e contra-atacar. Entrando na briga como do mesmo jeito que viu sua mãe fazer inúmeras vezes, ela colocou as mãos na cintura e deu a ele seu sorriso mais desarmante. Ela combateria fogo contra fogo.

"O que está fazendo aqui, Gina?" Draco, ainda de braços cruzados, inclinou a cabeça para baixo e sussurrou no ouvido dela. Isso a arrepiou. Ela estava louca por jogar esse jogo com ele? Não demorou muito pra decidir que não estava. Ela não tinha a astúcia de um Sonserino, mas tinha a coragem da Grifinória fluindo em suas veias e seria amaldiçoada se deixasse algo que ele fizesse assusta-la a ponto de recuar.

"Estou aqui pra falar com Hermione," Gina respondeu no ouvido dele, se assegurando de sussurrar com um pouco mais de ar e de que uma mecha de cabelo roçasse o pescoço dele.

Por um pequeníssimo instante, a expressão de Draco mudou de predatório para arrependido antes de sorrir malicioso. Ele recuou um pouco, inspirando devagar e profundamente. Quando os olhos dele passaram rapidamente pelos lábios dela, ela sabia que tinha vencido.

O largo sorriso desapareceu de seu rosto quando ela percebeu que não queria mais nada além de beija-lo – agora – e nunca mais parar. A temperatura dela subiu e seu rosto queimou, mas ela se recusava a desviar o olhar. Eles olhavam profundamente nos olhos um do outro, e ela estava surpresa com quanto desejo essa simples atividade podia conjurar.

Submetida por forças além de seu controle, Gina lentamente passou os braços por cima dos ombros de Draco e enlaçou as mãos atrás do pescoço dele. A pele ali era suave e macia. Ela esperava que ele não pudesse sentir as palmas de suas mãos suadas ou que ela estava tremendo.

"Pensei ter dito pra ficar longe de mim," Draco murmurou. Seus ombros ficaram tensos.

"Ninguém me diz o que fazer," Gina sussurrou em resposta. "E sabe, você não me assusta."

Draco deu um sorriso malévolo forçado e um som saiu pelo nariz. "Pois devia," ele sussurrou no ouvido dela, ficando na posição um instante a mais que o necessário. Gina teve que prender um choro que veio à garganta.

"Quer saber um segredinho?" Gina murmurou em resposta, dessa vez repousando a cabeça no ombro dele e pressionando o corpo contra o dele. Ele estirou os braços do lado dele, mas não a abraçou. Ela quase não notou; estava muito ocupada aproveitando o cheiro dele. Impressionava que ela nunca tinha notado antes que ele cheirava tão bem, uma mistura intoxicante de cedro, artemísia e couro.

"Sinceramente não me importa," Draco respondeu secamente, desviando o olhar.

Gina ignorou sua reação fria. A cabeça dela deixou o ombro dele e ela roçou seus lábios levemente no pescoço dele e sussurrou, "apesar do que diz de não se importar, e apesar de pensar que eu tenho medo de você, a verdade é que você tem medo de mim."

"Não tenho medo de nada," Draco disse firme. Ela teve a impressão de ter ouvido ele engolir.

"Você tem medo disso," Gina murmurou, ficando na ponta dos pés e pressionando seus lábios contra os dele. Uma sensação eletrizante de queda junto com prazer correu por seu corpo.

Quando ele respondeu ao beijo, ela se entregou ao beijo e esqueceu o pequeno jogo deles.os braços dele firmes ao redor da cintura dela enquanto ele expirava rápido, pressionando a boca dele contra a dela, beijando-a profundamente. Gina nunca havia experimentado essa intoxicação desnorteante antes. Ela sentia como se fosse morrer se ele parasse de beija-la. Os lábios dela pareciam um pouco inchados, sensíveis e sua alma parecia mais leve que o ar no topo das montanhas. O gosto dele era como ela esperava: salgado, sutil e irresistível. A língua dele acariciava a boca dela nos lugares certos, e impulsivamente ecoou os beijos dele, levando os dois à loucura. Rápidos clarões de cenas que ela não entendia passavam por sua cabeça, mas ela os ignorou. Tudo o que ela pensava era como era bom beijar Draco.

Quando ela começou a sentir a intensidade do beijo aumentando, ele a largou e recuou. Quando ela abriu os olhos, ele olhava para ela, alarmado.

"Gina," ele ofegou, passando a mão pelos cabelos. "isso foi..." abaixou o olhar, "tão... mágico." Voltou a olhar para ela, seus olhos cinza cintilando intensamente.

Gina concordou e o abraçou contra ela.

"Na verdade," ele disse devagar, seu tom de volta ao normal, "foi quase mágico demais."

"Hã?" Gina reagiu, abrindo os olhos. Ela olhou para ele, confusa.

"Quando é seu aniversário?" Draco perguntou, seu tom sério. Ele saiu do abraço dela.

Pega desprevenida pela estranha pergunta, respondeu por reflexo. "Vinte de outubro. Por que?"

Draco deu meia volta e foi até a estante de livros próxima a sua mesa. Ele pegou um livro de aparência antiga e começou a virar as páginas, parando ocasionalmente para olhar para ela antes de parar numa página e começar a ler. Gina se aproximou alguns passos, querendo ver o título.

Antes que pudesse chegar perto o suficiente, Draco fechou o livro na mesa, assustando-a. "Eu sabia!" ele gritou para o teto. "Como pude ser tão idiota?"

Gina ficou parada, sem saber o que dizer e sentindo-se terrivelmente confusa. Por que ele perguntou do aniversário dela e o que o incomodava? Ela começou a sentir tudo se torcendo por dentro e começa a se arrepender por tê-lo beijado.

"Draco, do que você está falando?" ela perguntou.

Sem responder, Draco apoiou os cotovelos na mesa e colocou as mãos na cabeça. Gina observava em silêncio, seu coração ainda acelerado, seu corpo formigando por causa do beijo. Ela ainda podia sentir o gosto dele quando passou a língua pelo lábio inferior.

"Você nasceu ao meio-dia, não foi?" ele falou, ainda com a cabeça nas mãos, seu olhar focalizado na mesa.

"Como você...?"

"Não pode ser," ele murmurou. O sussurro dele foi cheio de amargura, uma amargura que fez o resto de alegria que ela sentia dissipar.

"Gina, desculpe, estou atrasada," veio a voz de Hermione detrás dela. "Não queria encontrar com -," mas ela parou de falar abruptamente. Quando Gina se virou, viu Hermione olhando para Draco. Ele rapidamente levantou os olhos, cumprimentando Hermione simplesmente levantando e abaixando o queixo. Ele então começou a procurar alguma coisa nas gavetas de sua mesa, empurrando as coisas que estavam lá dentro.

"venha, Gina," Hermione disse, tocando levemente no braço dela. "Vamos para outro lugar."

Olhando uma última vez para Draco – que parecia ignorar as duas – Gina seguiu Hermione para fora da sala.

*******

A festa no Salão Comunal da Grifinória já tinha acabado há muito tempo e agora os alunos estavam apenas relaxando na noite de sábado.

Harry pegou o sofá em frente à lareira e Rony conseguiu assustar duas garotas do primeiro ano apenas sorrindo pra elas. Eles não queriam ninguém por perto pra ouvir a conversa.

"Aqui, companheiro," Rony disse, entregando uma caneca de cerveja amanteigada antes de sentar no chão de costas para lareira de modo que ficou de frente para o sofá.

"Obrigado."

"Então, vmos aos negócios," Rony disse. "Acho que já discutimos até demais a paralisação da vassouras."

"Concordo," Harry respondeu.

"Bom. Então acho que estamos prontos pra bolar estratégias de como fazer Hermione voltar a pensar e como fazer Meg voltar pra mim."

Harry tomou um gole da cerveja amanteigada e limpou a boca com as costas da mão. "Certo."

"Alguma idéia?" Rony perguntou.

"Vamos pensar em um por vez. São situações diferentes, concorda?" Harry perguntou.

"Completamente."

"Bom," disse Harry, tomando outro gole. "Vamos falar de Meg primeiro."

"Por que?" Rony perguntou. "Hermione é tão importante quanto ela, senão for mais porque está agindo estranha e tudo mais."

"Por isso mesmo," Harry disse, "ela é mais complicada."

"Bem, tudo bem," Rony disse, olhando torto. Ele não tinha tanta certeza se a situação com Meg era menos complicada, mas estava disposto a concordar.

"Certo," Harry falou, olhando para o teto em busca de concentração.

Eles ficaram em silêncio alguns instantes, quando de repente, Harry teve uma idéia.

"Talvez você possa dizer a ela que foi um idiota e implorar que ela te perdoe."

Rony soltou um som de irritação. "Harry," ele disse, "isso é o que fiz quase todas as vezes que brigamos e voltamos."

Harry deu os ombros. "Bem, se funcionou."

Rony levantou e começou a andar de um lado para o outro, Harry o seguia com os olhos, uma expressão confusa.

"O problema é que não acho que fui um idiota."

"Nós sabemos disso," Harry disse, "mas vai doer se você tomar a culpa se isso significar que vai tê-la de volta?"

"Sim, doeria," Rony respondeu.

"Não sabia que ainda estava com raiva com o que aconteceu."

Rony respirou fundo e sentou novamente. "Não estou realmente com raiva. Mas quero ser sincero com ela ao invés de sair dessa do jeito mais fácil. Entende o que quero dizer?"

"Claro. Sinceridade. A coragem da Grifinória é bem útil pra isso," Harry disse, franzindo a testa. Seus pensamentos passaram rapidamente pela noite que contou a Hermione que achava que a tinha traído.

O pensamento de Rony voltou para os eventos do dia em que ele e Meg terminaram. Parecia que tudo dentro dele estava virando chumbo. Talvez ele devesse sentar.

"Achei!" Harry gritou, levantando com o copo de cerveja amanteigada na mão.

Ele virou ao ouvir alguém batendo palmas.

"Com certeza achou!" alguém gritou.

Todos riram, inclusive Rony. O Salão Comunal da Grifinória deu mais rodada de aplausos para seu apanhador.

Harry sentou, constrangido. Ele se inclinou pra mais perto de Rony, pra que ele pudesse ouvi-lo sussurrar.

Rony ouvia atentamente enquanto Harry delineava seu plano. Enquanto Harry falava, rony se encheu de admiração e gratidão por seu amigo; admiração por quanto ele tinha se tornado bom em estratégias por causa de sua experiência no quadribol e gratidão por ele entender o quanto Meg era importante pra ele.

"Perfeito," Rony disse, depois que Harry acabou. "Vou tentar isso da próxima vez que a vir, com sorte depois de herbologia."

Harry sorriu e esvaziou seu copo. Era bom ajudar Rony com algo tão importante. Se pelo menos ele pudesse com um plano tão bom pra recuperar Hermione.

Rony e Harry discutiram muito o que poderiam fazer pra que Hermione recuperasse o juízo. Eles concordaram em algumas coisas. Um – Hermione provavelmente ainda estava em choque por ter sido atacada, o que contribuía pra ela estar fora de controle, o que levava a esse comportamento estranho. Dois – ela estava superprotegendo Harry e Rony já que se culpava pelo que aconteceu com Malfoy. Três – ela estava muito teimosa com isso e não ia mudar de opinião a ser que tivesse um motivo muito forte.

E discordavam em quase todo resto.

"Se eu ficar sozinho com ela, vai procurar um motivo pra sair da sala. Acredite, Rony, já a vi fazer isso."

"Não, não, não!" Rony disse, abrindo outra cerveja amanteigada. Estava ficando tarde e ele já estava ficando nervoso. "Se você preparar o cenário completo com velas, música, ela vai amolecer. Eu já vi como ela fica quando está com você, Harry. Ela não vai ter nenhuma chance."

Harry passou as mãos no cabelo. Isso era frustrante. "Ela nunca ficou assim antes, Rony. Ela provavelmente vai apagar as velas e transfigurar o jantar num sapo ou algo assim."

"Essa é a coisa mais idiota que já ouvi. Ela não seria tão fria."

"Ela não pararia por nada se achasse necessário pra me proteger. Ela ter terminado com isso mostra que é verdade."

Rony balançou a cabeça. "Às vezes me pergunto quem é pior – Hermione com sua teimosia ou você com seu medo de rejeição."

"Medo de rejeição?" Harry respondeu. "não tenho medo da rejeição."

"Ah, qual é, Harry. Lembra como estava com medo de convidar Cho para o baile?"

"Mas convidei, não foi?"

"Bem, foi. Depois que fizemos um pacto," Rony respondeu.

"Argh," Harry se irritou. Isso não ia levar a lugar algum.

"Talvez se tirasse notas baixas ela prestaria atenção," Rony disse, sorrindo pra si mesmo enquanto levava a cerveja até a boca.

"O que disse?" Harry perguntou.

"Estava só brincando," Rony respondeu, balançando a cabeça.

"Não, gostei dessa linha de pensamento. Ela prefere morrer a me ver reprovar. E se eu começasse a me sair muito mal?" Harry perguntou.

"Você quer dizer, errar de propósito e depois pedir a ajuda dela?" Rony disse, seus olhos arregalados de animação.

"Sim," Harry disse, "Podia fazer isso e um pouco do que vai fazer com Meg. Você sabe, essa coisa toda de ser romântico. Eu nunca fui muito cheio de romantismos com ela, não é?"

Rony riu pelo nariz, engasgando com a cerveja. "É, e o que fez aniversário de vocês ano passado não foi nada romântico, não é?"

Harry deu um olhar de advertência a Rony, o que o fez rir. "Ei! Só estava tentando provar uma coisa."

Harry recostou-se no sofá, aquiescendo. Estava sentindo uma onda de adrenalina similar a que sentia antes de uma partida de quadribol. "Sabia que conseguiríamos resolver," ele disse. "Sabe, não existe nada que não possamos encarar."

"Exceto por Maddie." Rony disse.

Harry riu e os dois amigos brindaram às suas duas mulheres favoritas.

*****

Gina e Hermione decidiram achar uma sala vazia para que pudessem conversar em particular. Enquanto andavam, Gina tentava descobrir o que acontecera pra deixar Hermione tão chateada e Hermione defendia as perguntas como uma armadura que refletia feitiços.

Era uma surpresa pra Hermione que Gina não soubesse o que aconteceu com Draco. Ela achava que a fofoca já teria se espalhado pela escola. Mas estava enganada. Por motivos próprios, Draco não contara a ninguém o que acontecera. Ela não sabia se isso a deixava mais ou menos incomodada.

Ela sentia-se melhor ao atribuir a falta de interesse dele ao que acontecera na partida de quadribol.

O pensamento de Gina voltava para o que ocorrera entre ela e Draco momentos atrás. Hermione poderia descobrir que ela tinha acabado de beija-lo? Ela perguntaria o que estava acontecendo no escritório? Gina ainda não se decidira se ia contar a suas amigas sobre seus sentimentos por Draco. Pra falar a verdade, não tinha certeza de como se sentia. Às vezes se perguntavam se o que estava acontecendo entre eles não era um jogo mental maluco.

Mas não conseguia tirar as sensações do beijo dele de sua cabeça.

Elas entraram na sala de Flitwick e usaram o accio pra pegar algumas almofadas pra sentar.

"Você parece preocupada, Hermione. Talvez ajudasse se você falasse sobre isso," Gina disse, a testa franzida de preocupação.

Hermione ajeitou a almofada sob ela, se perguntando se devia começar a contar suas preocupações a Gina. Devia começar com a preocupação de estar ficando doida? Ou talvez tentar explicar o quanto se sentia dividida por ter terminado com Harry? Talvez contar a Gina seu medo secreto de que Draco realmente gostasse dela parecesse menos real, menos importante. Talvez elas pudessem rir disso.

Hermione olhou para suas unhas que estavam um farrapo pelo tanto que vinham sendo ruídas. "Ainda estou chateada por causa do ataque," Hermione disse, sem levantar os olhos. "E agora estou preocupada com as vassouras terem parado daquele jeito. Ajudaria se pudesse conversar sobre outra coisa, qualquer que seja."

Gina franziu a testa. Isso não estava saindo tão bem quanto esperava. Se ela não ia ajudar a amiga ouvindo seus problemas, talvez pudesse distraí-la com conversa de garotas.

"Então vamos mudar de assunto," Gina ofereceu. Vendo Hermione se animar com isso, continuou, "Beijei um garoto hoje." Dizer isso a fez corar. A experiência do beijo de Draco estava tão recente que ela ainda sentia o gosto dele em seus lábios.

"Ah?" Hermione perguntou, as sobrancelhas levantadas. Ela não ia bisbilhotar e sabia que não precisava. Gina contaria tudo eventualmente. Essa era uma das coisas que mais gostava na amiga, sua natureza aberta e amiga.

Gina colocou o cabelo atrás das orelhas e cruzou as pernas. "Juro que não estou mentindo quando digo que foi o melhor beijo que já dei. O melhor." Era tão bom poder falar sobre isso com alguém. Ela só devia ser cuidadosa pra não dizer quem tinha beijado. Ela ainda não estava preparada pra que alguém soubesse e não tinha certeza se o beijo ia levar a algo mais.

Hermione sorriu. Era bom conversar sobre a vida amorosa de outra pessoa pra variar. Seu coração estava tão pesado de saudades de Harry e se sentia tão culpada por beijar Draco que qualquer distração era bem-vinda. "Então, o que deixou esse beijo tão extraordinário, se não se importa que pergunte?" Hermione disse.

"A sensação de fazer algo que não devia pra começar," Gina disse, rapidamente, desejando que Hermione não pedisse maiores explicações. "E o fato de ter sentido tão certo. Como se fossemos feitos um pro outro, os lábios dele se encaixavam perfeitamente nos meus. Entende o quero dizer?"

Hermione suspirou. Claro que ela entedia o que Gina queria dizer. Beijar Harry era assim. Como ela queria estar com ele agora! Uma visão de olhos verdes encheu seu pensamento e ela suspirou novamente. Talvez pedir a Gina que falasse mais sobre seu beijo tenha sido má idéia.

Gina começou a rir, trazendo Hermione de volta ao presente. "O que?" ela perguntou.

Gina riu um pouco mais antes de responder. "Teve uma coisa que ele fez com a língua que foi incrivelmente maravilhoso. Imagino se é alguma coisa que aprendeu ou desenvolveu com toda prática que teve."

Uma percepção obscura, assombrosa caiu como uma tempestade sobre Hermione. Ela prendeu a respiração quando outra memória de seu beijo com Draco a inundou. O que ela tinha feito com ele passou de frente pra trás em seu pensamento como um filme. Ela apertou o botão de pausa e revisou as sensações durante o beijo.

"O que foi, Hermione?" Gina perguntou. "Você está bem? Ficou pálida de repente." Se ficasse mais branca, Gina ia sugerir que ela fosse à ala hospitalar.

Hermione engoliu a seco, tentando se recompor e formular a pergunta da qual precisava a resposta sem se entregar muito.

"Ele... ele te abraçou tão forte que você pensou que ia conseguir respirar e depois passou a mãos levemente por suas costas?" Hermione perguntou.

"Sim. Ele fez isso sim," Gina respondeu, enrugando a testa. Não era do feitio de Hermione perguntar tantos detalhes de como um garoto a beijara. Talvez estivesse tendo problemas com Harry e por isso estava tão desanimada.

Hermione enfiou o rosto nas mãos, falando incoerentemente consigo mesma. Gina tentou olhar no rosto dela e ver qual era o problema. Por que estava agindo tão estranha?

"Sei quem você beijou," Hermione disse, olhando pelos dedos separados.

"Como sabe disso?" Gina perguntou. "A não ser..." E então caiu a ficha.

"Você beijou Draco," as duas disseram ao mesmo tempo, apontando horrorizadas uma pra outra.

"Não beijei não!" reagiram, simultaneamente.

"Sim, beijou sim!" as duas gritaram.

Hermione e Gina, as duas agora em pé, olharam um pra outra durante um silêncio de choque por um longo intervalo até que uma delas falou.

"Comece do inicio," Gina disse, afundando em sua almofada e sentindo como se tivesse acabado de viajar de pó de flu. "Mal posso esperar pra ouvir essa."

****

Herbologia nunca demorou tanto como parecia estar demorando pra Megan Jones naquela segunda. Normalmente, Megan gostava das aulas da professora Sprout, mas hoje não. Hoje, Herbologia era um obstáculo pra sua conversa com Rony sobre o que ela tinha descoberto no sábado no quarto secreto. Ela estava ansiosa pra acabar com essa conversa, mas ao mesmo tempo, queria adia-la.

Herbologia nunca demorou tanto como parecia estar demorando pra Rony Weasley naquela segunda. Normalmente, Rony conseguia passar o tempo das aulas da Professora Sprout flertando com Megan, mas hoje não. Hoje, Herbologia era um obstáculo pra recuperar Megan, usando o plano que ele e Harry formularam no sábado. Ele estava ansioso pra falar pela primeira vez com ela desde o rompimento, mas ao mesmo tempo, queria adiar.

"Oi, Meg," Rony disse, tentando soar o mais relaxado possível quando chegou ao lado dela depois da aula.

"Rony," Megan disse, seu rosto corando involuntariamente quando seus olhares se encontraram e a manga das vestes dela roçou na sua. Essa era a primeira vez que se falavam desde que tinham terminado e era bem constrangedor. Os olhos dela começaram a se encher de lagrimas involuntariamente.

"Eu, hã, queria falar com você um instante, se puder," Rony disse.

"Sim, também queria falar com você," Megan respondeu.

Eles saíram da estufa juntos e foram até um lugar mais privado, longe das portas. Quando pararam de andar, Rony virou pra encara-la.

"O que foi Meg?" ele não conseguiu evitar a pergunta. "Você parece assustada."

Ele sempre teve jeito pra ler expressões. Ela sempre teve a mania de mostrar no rosto o que sentia.

"Estou com medo de uma coisa que vi, Rony," Megan disse, com grande dificuldade. O coração dela batia duas vezes mais rápido e ela estava sentindo um calor desconfortável aumentando.

Sem esperar esse comportamento, Rony mudou sua conduta. "O que foi?"

"Preciso perguntar uma coisa e quero que me responda sinceramente."

"Certo," Rony disse, concordando com a cabeça.

"Você roubou os Tupperwicks?"

"Eu o – quê?" Rony respondeu. Seu queixo estava caído e suas orelhas vermelhas.

"Você me ouviu," Megan disse, cruzando os braços. "Você roubou ou não os Tupperwicks das estufas?"

"uh," Rony respondeu.

"Vai responder minha pergunta?"

"Meg, não tenho idéia porque está me perguntando isso," Rony respondeu, mas depois completou quando percebeu que não era essa a resposta que ela esperava, "não, certo? Eu não roubei. Feliz agora?"

Megan não sabia o que fazer. Rony tinha mentido descaradamente. Ela contraiu os lábios, pensando.

"Meg," Rony disse, tocando levemente no braço dela. "Você parece chateada. O que está te incomodando? Por que acharia que fiz isso? Você não acha que os roubei, acha?"

Megan levantou os olhos dos seus sapatos marrons, pra onde estava olhando enquanto pensava o que dizer. Claro que ele também estava lindo e ela se repreendeu por deixar seus pensamentos vagaram pra esse lado. Ela precisava se concentrar em descobrir o que ele tinha feito e tentar remediar a situação se pudesse. Se ela conseguisse fazer com que ele admitisse que roubara as plantas, talvez pudesse convence-lo a devolve-las antes que fosse pego.

"Nunca pensei que fosse mentir pra mim, Rony," ela sussurrou. Depois saiu correndo. Ela correu o mais rápido que podia para dentro do castelo, ignorando os chamados dele.

Rony logo percebeu que chamá-la era em vão. Tanto esforço pra tentar ser romântico, pensou consigo mesmo. Como ele iria fazer com que Megan sentisse algo por ele novamente se ela achasse que ele era culpado de roubo e de mentiras? Claramente, ele precisava arrumar um jeito de esclarecer as coisas. Mas antes, precisava saber de onde ela tinha tirado a idéia que ele tinha roubado as plantas. Pra isso, ele precisava...

***

"Hermione," Harry gritou, correndo atrás dela. Ele a ultrapassou e evitou que ela continuasse pelo corredor, apoiando-se com os braços cruzados numa das paredes de pedra.

"O que você quer, Harry?" ela perguntou, apressada e impaciente. Os braços dela estavam ocupados com uma torre de livros.

Harry deu um de seus sorrisos vencedores.

"Só queria dizer oi," ele disse tentando soar sedutor, mas sem sucesso. "Posso te ajudar com isso?"

"Eu," ela equilibrou a torre de livros, "estou bem."

"Bem, eu não estou," olhando pela direita e depois pela esquerda para olhar pra ela atrás da pilha de livros.

Houve uma longa pausa.

No inicio, Harry temia que ela tentasse passar por ele e continuar sem falar nada, como estava sendo desde que terminaram. Já tinha passado quase uma semana e ele sentia muita falta dela.

Mas então aconteceu algo que ele não esperava. Ela perdeu sua luta contra o equilíbrio e os livros caíram no chão. Por instinto, Harry recuou, evitando por pouco a batida perigosa. Hermione não teve tanta sorte.

"Ai," ela disse, sentando e examinando o pé.

"Hermione!" Harry gritou. Rapido como um foguete, ele chegou ao lado dela, tentando verificar se ela não tinha quebrado nada.

"Estou bem," Hermione respondeu asperamente entre os dentes cerrados, empurrando a mão dele. "Agora, por favor, vá embora." A voz dela tremeu, mostrando a dor que sentia. Se ela achava que Harry a deixaria assim, estava sendo tão idiota quanto Crabbe ou Goyle.

"Não," Harry disse. "Vou te ajudar. Se quiser que eu vá depois disso, então dou minha palavra que irei. Mas não vou sair daqui com você machucada. Não faria isso com meu pior inimigo." Ele só não mencionou as exceções de costume como Snape, Malfoy e Maddie, apesar dele achar que Hermione já estava pensando nisso.

"Tudo bem, então!" ela respondeu irritada. Como ela podia ser tão fria, mesmo estando tão machucada como estava?

*****

"Xeque-mate," Rony disse, relaxando em sua cadeira. Se todas suas partidas fossem tão fáceis, não teria problemas pra vencer o torneio de xadrez Inter-casas de Hogwarts. Por que essas vitórias não podiam se estender para sua vida amorosa?

Durante a ultima semana, ele não tinha conseguido qualquer progresso em relação à Meg. Todas as vezes que seus olhares se cruzaram no Salão Principal, ela parecia assustada e irritada. Estava incomodando Rony tanto que ele não estava conseguindo dormir direito. Ele, entretanto, usou esse problema a seu favor, pressionando seus amigos pra que jogassem xadrez de bruxo com ele pra que pudesse praticar para as partidas.

"Sabia que ia me vencer. Parabéns," Simas disse, levantando e oferecendo a mão.

Rony apertou a mão de Simas. "Obrigado," ele respondeu, enquanto o salão comunal explodia em aplausos, Simas se juntando a eles. Rony acabara de ganhar as eliminatórias da Grifinória.

Agora ele avançaria para as semi-finais e enfrentaria o vencedor do torneio da Lula-lufa. O coração dele devia estar cheio de alegria por causa da vitória merecida, mas não era assim. Ao invés disso, doía por Meg.

Rony fez um juramento silencioso pra si mesmo que até o fim da semana ele não só teria ganhado o torneio de Xadrez, como também acharia um jeito de reconquistar Meg. Não importava o que precisaria fazer; ele precisava ficar com ela de novo. Isso, ele tinha certeza, seria melhor do que vencer qualquer torneio ou que qualquer troféu.

***

Hermione deixou que Harry tirasse seu sapato e usasse alguns feitiços para verificar se havia fratura. Havia. Parecia que uns dois ossos em seu pé tinham sido esmagados por um dos enormes volumes que caiu sobre ele. As fraturas eram muito complicadas pra Harry tentar curar. A maioria dos alunos não tinha nenhum conhecimento de feitiços de cura, porque eles facilmente davam errado. Harry conhecia alguns feitiços médicos, aprendidos informalmente com Madame Pomfrey depois de inúmeras visitas á enfermaria. Se fosse um machucado simples, ele a curaria e ela poderia checar se quisesse. Mas por causa da complexidade da fratura, Hermione precisava ser levada para a ala hospitalar o quanto antes.

"Eu te carrego," Harry disse, levantando.

"Ah, não vai não!" Hermione retrucou. "Eu consigo sozinha."

"sabe, eu acho que você fica muito sexy quando fica teimosa," Harry respondeu, segurando-a pelos cotovelos para ajuda-la a levantar. Ela o empurrou.

"Muito engraçado, Harry. Eu disse que ia conseguir."

"Eu estava indo pra lá mesmo, então qual o problema?" Harry mentiu. Na verdade, não era uma mentira completa, só em parte. Ele teve ordens de visitar a ala hospitalar naquela semana pra reavaliar a eficiência do feitiço de cura que tinha sido aplicado em seu braço depois da partida de quadribol. Depois de não passar lá a semana toda, ele esbarrou em Madame Pomfrey que disse que ele perderia pontos se ele não se consultasse hoje. Ao invés de aceitar a advertência, decidiu seguir seu plano original e tentar achar Hermione pra tentar colocar juízo em sua cabeça. Achar e falar com Hermione estava em seus planos todas as noites dessa semana e ele não se desviaria de seu objetivo.

Um ar de preocupação cruzou o rosto de Hermione. "Como está seu braço?"

"Vai ficar bom. É a menor de minhas preocupações agora."

"Bom," ela disse, com um pequeno sorriso.

"Não sabia que tinha visto o jogo," Harry disse. "Procurei, mas não achei você em lugar nenhum."

Hermione abriu a boca para responder e depois fez uma careta quando tentou colocar peso no pé. Harry a segurou quando ela caia para frente. Ele se encontrou numa posição que ficou muitas vezes antes, segurando Hermione forte perto de si, seus braços ao redor dela, sua cabeça repousada confortavelmente sob o queixo dele.

Ela levantou os olhos e seus olhares se encontraram, fazendo o coração dele inchar e sua temperatura subir. Ele queria desesperadamente beija-la, mostrar o quanto ela significava para ele. Mas não era a hora certa, a não ser que ela indicasse que queria também.

"Nunca perderia um jogo seu," ela murmurou, seus olhos castanhos fixos nos dele. Houve outra pausa, mais intensa que da outra vez.

"Eu, hã, queria te dizer uma coisa," Harry finalmente sussurrou, sem poder e sem querer tirar seus olhos dos dela. "Preciso de você, Hermione. Desesperadamente."

Ele preferiu não tomar a postura desonesta e quase manipulativa que ele e Rony tinham planejando durante o fim de semana. Tirar notas baixas para chamar atenção dela era tão maduro quanto brincar de gato e rato. Ela merecia mais que isso. Ela merecia a verdade; a verdade clara, direta e simples. Então, foi isso que ele a deu. Ele torcia com cada partícula de seu ser que isso funcionasse.

E de certa forma funcionou.

Seus olhos se acinzentaram um pouco, como se ela fosse chorar. "Também preciso de você, mas do que pode imaginar," Hermione murmurou, "Mas agora também preciso que fique longe. Prometo que não vai ser pra sempre. Sei que tenho que descobrir o que aconteceu comigo, e quando o fizer..."

"Podemos ficar juntos de novo?" Harry interrompeu. Ele não podia evitar. Só a possibilidade deles voltarem deixava sua alma mais leve como há muito tempo não acontecia.

Hermione deu um sorriso tímido antes de responder. "Sim."

Harry estava tão feliz com sua resposta que teve que se controlar para não sair cantando e gritando pelo corredor.

Mas o pequeno sucesso da noite não terminou aí. Depois de um pouco mais de insistência, Hermione concordou que ele a ajudasse a chegar na enfermaria. Apesar de não ter deixado que ele a carregasse, ainda assim, ficou satisfeito.