Capítulo 12 – O torneio

Draco estava sentado no parapeito da Torre de Astronomia imerso em pensamentos. Não restava muito tempo até que os Comensais da Morte fizessem sua jogada. Logo, ele teria terminado sua parte no plano e isso não incomodaria mais. Pensando bem, isso nunca teria fim, teria? Como Maddie lhe dissera uns dias atrás, algumas coisas nunca terminam.

Ele pensou nela e na discussão que tiveram. Ele lamentava que não estivessem do mesmo lado. Sempre era bom achar um adversário à altura. Mas era melhor ainda ter um aliado cujas habilidades pudessem ser trabalhadas até alcançarem a perfeição.

iA porta de sua sala foi aberta fazendo um alto barulho, Draco levantou os olhos de seu trabalho, tentando esconder sua surpresa com uma expressão de tédio. Maddie entrou marchando e parecia com tanta raiva quanto um hipogrifo agitado. Draco sabia que ela estava furiosa antes mesmo que abrisse a boca. Devagar, ele se apoiou em sua cadeira, braços cruzados, sobrancelha levantada, fingindo curiosidade. Ela teria coragem de acusá-lo diretamente ou escolheria uma tática mais sutil?

A porta bateu atrás dela. Draco podia ver a carranca dela do outro lado da sala. Num rápido movimento, a varinha dela estava em sua mão. Ela murmurou um feitiço silenciador. Devagar pra que ela não pudesse ver, Draco puxou sua varinha. Só por precaução.

Enquanto ela se aproximava, o carpete Oriental que adornava o chão era comprimido a cada passo. A aura ao redor dela estalava com poder. Draco não pode evitar o sorriso ao sentir um orgulho Sonserino dentro dele. Maddie era a personificação do que Salazar mais admirava em seus alunos.

"E o que, se posso perguntar, está achando tão divertido, Sr. Malfoy?" Maddie perguntou, de pé em frente á mesa dele com os braços cruzados. Ela ainda segurava a varinha, que estava num ângulo estranho na dobra do braço dela.

Draco tirou o sorriso do rosto e olhou para sua mesa. "Sr. Malfoy, é?"

"É assim quando faz algo tão idiota que não merece a intimidade que vem de se chamar pelo primeiro nome," Maddie disse. Ela batia o pé direito no chão e seus olhos estavam estreitados. Draco várias vezes tentara imagina-la zangada – as mulheres eram tão atraentes quando estavam zangadas – e parecia que ele ia ver muito isso agora.

Ao invés de responder, ele preferiu ficar em silêncio. O silêncio era uma arma muito poderosa quando usada corretamente. Bruxos adultos caíram aos prantos no escritório de seu pai, várias vezes, só por causa do poderoso uso do silêncio. Por que levar essa conversa adiante se não tinha interesse em continuá-la?

"Então?" Maddie disse depois de encara-lo por alguns segundos com seus furiosos olhos amendoados.

"Então o que?" Draco perguntou, levantando e dando a volta na mesa. Ele se apoiou tranqüilamente contra a mesa e cruzou os tornozelos. Sentido-se audacioso, ele olhou para ela com um largo sorriso. Uma rápida checagem na distância entre eles lhe dizia que ele precisava cuidar da proximidade física. Ele estava ao alcance de um tapa. E apesar de não achar que Maddie era do tipo de dar tapas, queria estar preparado para esquivar-se de um ataque frontal se ela fizesse um.

"Algo foi roubado de meu quarto e eu quero de volta," ela falou irritada. "Todo."

"Do que está falando?" Draco perguntou, um tom inocente em sua voz. "Talvez pudesse descrever o que perdeu e eu posso lhe ajudar a encontrar."

Maddie deu um sorriso apertado. "Acho que nós dois sabemos do que estou falando, Draco."

"Ah, então é Draco, agora que quer algo de mim," ele respondeu, levantando as sobrancelhas.

"Você é tão irritante," Maddie falou agitada, fechando os punhos.

"Eu tento."

Ela respirou fundo e colocou as mãos no quadril, a varinha ainda na mão direita. "O que foi roubado não pode ser usado pra brincadeiras. Pelas minhas contas, dois alunos foram afetados, talvez mais."

"Como pode saber isso?" Draco perguntou.

"Há meios de saber que o pó foi usado," ela disse entre os dentes cerrados, parecendo muito com Hermione quando era provocada demais.

"Sei," Draco respondeu. "Pó, você disse? Parece algo muito fácil de perder. Talvez um dos elfos-domésticos..."

Maddie falou mais alto que ele. "Pra ser sincera," ela disse, o volume de sua voz muito mais alto que antes. "Uma pessoa tem que ser um completo tolo pra usa-lo sem treinamento adequado porque o culpado pode ser pego. Ele usa as próprias memórias e experiências de quem o usou para criar falsas memórias. Até que o efeito do pó seja removido, essas memórias são verdadeira para aqueles em quem o pó foi usado. Perceba que é só uma questão de tempo até que eu descubra."

Draco levantou um pouco suas sobrancelhas ao saber disso, e depois se reprovou mentalmente por não se controlar melhor. A chave para ganhar esse confronto era não mostrar nenhuma emoção a não ser curiosidade acadêmica misturada com um pouco de desinteresse. "Sabe mais alguma desse... como chamou mesmo? Ah sim, ?"

"É experimental então os efeitos que possui em pessoas diferentes ainda não é explicado completamente. Combina uma poção do amor, maldição Império e um feitiço de memória, junto com outros feitiços. O perigo pra suas vitimas é que as memórias falsas podem deixa-las loucas, especialmente se agirem diferente do seu normal," Maddie explicou. Draco a observou enquanto ela ia até a lareira e parou em frente a ela para olhar no fogo.

"Então, por exemplo," Draco ofereceu, olhando pelo ar como se houvesse exemplos flutuando, "se alguém usasse numa pessoa para convencê-la que fez algo contrario a seu comportamento normal – como trair seu namorado – ela pode ficar louca por isso?"

"Que exemplo maravilhosamente detalhado," Maddie disse, batendo palmas com entusiasmo. "Você aprende tão rápido." Ela não olhou para ele, mas continuou concentrada no fogo. O jogo de sombras e luz da lareira a faziam parecer uma peça de um xadrez de bruxo. A rainha preta podia ter recuado, mas Draco não ia abaixar suas defesas nem por um segundo.

"Me orgulho de ser um bom aluno," Draco respondeu, sorrindo orgulhoso como se ela tivesse acabado de dar cem pontos á Sonserina. Jogar com Maddie estava ficando cada vez mais divertido, mas ele tinha que tomar cuidado. Manipular colegas de casa, monitores e até alguns professores era brincadeira de criança para ele, mas ela estava em um nível completamente diferente nesse jogo. Pelo histórico da carreira dela, ele sabia que ela se orgulhava de sua habilidade de fazer as pessoas agirem de forma diferente do normal e dizerem coisas que normalmente não diriam. Um movimento em falso e ele se encontraria em mais problemas do que seu pai poderia remediar. Uma regra importante para se lembrar em qualquer jogo de estratégia era nunca se rodear consigo mesmo. Se ele revelasse demais, teria dificuldades para manobrar se as coisas ficassem difíceis e poderia acabar na defensiva. Draco estava andando numa corda bamba, aludindo ao que fizera com Hermione. Era arriscado dar idéia que usara o pó; entretanto, o risco valeria a pena se o ajudasse a orquestrar o ataque final que neutralizaria Maddie para sempre.

"Claro, estou ainda mais preocupada com os efeitos desconhecidos no bruxo ou bruxa que usou o pó," Maddie murmurou num tom alto, com se não falasse com ninguém especifico. Draco voltou sua atenção a sua oponente. Por um momento, ele sentiu como se tivesse sido atingindo por um balaço no estômago. "Interessante," ele conseguiu dizer, se prendendo para não se inclinar para frente com interesse. Suas mãos agarraram a borda da mesa na qual se apoiava e ele rapidamente as soltou. "Tais como..."

"Ataques emocionais aleatórios, perda de memória, perda de controle. Há um custo pra cada feitiço, sabe, e uma parte desse custo é tirado da pessoa que o coloca nesse caso. Agora vê como importante que me ajude a encontrar o que perdi? Não queremos que ninguém se machuque."

Este era um momento crucial. Se ele fizesse a jogada errada, ela venceria. Draco refletiu um pouco, admirando o ataque repentino que Maddie usara. Era hora de um contra ataque. Ele teria que pensar mais tarde sobre os efeitos que ela revelara que o pó possuía.

"Espere um minuto," ele disse, franzindo a testa como se estivesse pensando profundamente. "Entendi certo que o que roubaram de você pode ser classificado pelo Ministério da Magia como uma substância ilegal?"

"Talvez."

"Então acho que não poderei lhe ajudar a encontrar," Draco declarou, dando a volta na mesa e se acomodando em sua cadeira. "Na verdade, se eu fosse você, não diria a ninguém sobre isso ter sumido. Imagine o dano que pode causar a sua carreira se fosse revelado que você possui uma substância que é derivada de uma maldição Imperdoável. No mínimo você seria removida do cargo de professora de defesa contra antes das trevas. Dumbledore tem uma mente bem fechada sobre o uso de Maldiçoes Imperdoáveis, mesmo entre os funcionários, pelo que eu soube. É possível que seja obrigada a renunciar a seu cargo de Auror sob desgraça e desonra depois que o público souber dessa substância dúbia. Que destino terrível, só porque não sabe onde colocou um pouco de pó em seu quarto"

Draco balançou a cabeça com pena como se ela tivesse acabado de dizer que o pai dela morrera. Quando ela abriu a boca para responder ele sentou direito na cadeira e pegou a pena onde havia largado. "Acho que nossos assuntos terminaram, não concorda, Professora Monroe?" ele disse, mergulhando a pena no tinteiro e tentando esconder o sorriso. Era bom superar um oponente à altura e pela cara dela, ela estava admitindo a derrota. Cheque-mate.

Maddie virou e partiu para porta. Quando Draco levantou os olhos de seu pergaminho para vê-la sair, ela parou e movimentou a varinha na direção de uma das cadeiras na frente da lareira, que voou pela sala e parou na frente da mesa de Draco. Maddie foi até ela e sentou, seus lábios num sorriso que lhe diziam que ela não o deixaria ganhar. "É hora de termos uma conversinha," ela disse a ele./i

Relembrando o encontro agora, Draco percebeu que devia ter inventando alguma desculpa pra sair dali. Ele devia ter parado enquanto ainda estava em vantagem, mas seu orgulho idiota o atiçou a continuar. Se tivesse ouvido o lado mais racional de seu cérebro, não estaria sentado sozinho na Torre de Astronomia perdido em pensamentos.

*******

Depois de completos os rituais de abertura,a reunião da Ordem começou com vários membros falando ao mesmo tempo. Eles estavam agitados pelo que ocorreu com as vassouras durante o jogo de Qaudribol vários dias atrás. Harry olhou nervoso para Sirius, que apenas acenou e olhou para Dumbledore na expectativa.

Dumbledore pôs-se de pé e levantou as mãos. "Entendo suas preocupações com as vassouras, mas a não ser que se acalmem, essa reunião vai demorar até o nascer do sol. E eu, pelo menos, gostaria de dormir essa noite."

Os membros da Ordem se acalmaram e os que estavam em pé tomaram seus lugares.

"Obrigado," Dumbledore disse. "E agora, vamos ouvir do professor Snape sobre as vassouras e nossa analise sobre o que as fez parar. Severo?"

Professor Snape levantou de seu lugar e colocou sua capa de lado, revelando uma caixa de madeira. Colocando a caixa no chão, ele balançou sua varinha e ela se transformou num largo quadro de giz. Só Snape mesmo pra fazer sua apresentação num quadro. Harry esperava agora que aparecesse um caldeirão e ingredientes para poções.

Snape olhou serio a seu redor antes de começar. "De acordo com pesquisas feitas por mim e por Thomas Bode, o único feitiço que poderia ser usado para fazer as vassouras pararem é o feitiço iObstruros/i. Somente um círculo de bruxos segurando as mãos e recitando o feitiço pode invoca-lo. É preciso proximidade com o objeto que vai ser imobilizado e o alcance do feitiço é bastante curto. Já que ninguém viu bruxos ou bruxas num círculo no campo de Quadribol durante o jogo, pode-se deduzir que ou estavam escondidos sob capas da invisibilidade ou havia alguma força envolvida para aumentar o feitiço."

Silêncio foi a resposta a apresentação de Snape. Harry remexeu em sua cadeira. A tensão na sala o lembrava de como se sentia antes que seu time saísse pra jogar alguma partida difícil de quadribol. Só que isso era pior. Sentar nessa mesa com alguns dos bruxos e bruxas mais poderosos que lutavam contra Voldemort e os Comensais da morte. Se eles não sabiam o que fazer, que esperança existia?

A Sra. Longbottom se inclinou para frente. "Sim," Snape disse acenando para ela.

"Acho que sabe o que vou perguntar, Snape, mas vou dizer assim mesmo," a avó de Neville falou. "Que outra força poderia ser usada para aumentar o feitiço? Por favor não diga que Voldemort pretende explodir outra escola em sua busca por destruição."

"Explodir a escola? Ele não vai explodr a escola, Rute. Por favor, acalme-se," Sr. Bode interferiu. Não era normal que ele falasse numa reunião então todos imediatamente olharam para ele.

"Uma das teorias que o Ministério está formulando em segredo é que Voldemort estava procurando por um objeto mágico antigo quando invadiu e incendiou Beauxbatons ano passado," Sr. Bode disse direto. Sua expressão estava neutra, como se tivesse comentando sobre o tempo.

Sons de choque, incluindo o de Harry, responderam sua revelação. Em seu sexto ano, ele, Hermione e Rony escaparam por pouco antes que Voldemort fizesse os feitiços que destruiriam a escola de bruxaria mais amada na França. Na época, todos pensavam que ele estava atrás de Harry, e não de algum antigo objeto mágico.

"Por que só estamos sabendo disso agora?" Sirius perguntou, sua voz baixa mas afiada.

Sr. Bode virou um pouco a cabeça e olhou meio de lado para Sirius. "Ia contar na hora certa."

"Na hora certa?" Sirius repetiu, aumentando a voz com raiva. "Vou dar sua hora certa, Bode. Como pode achar que podia esconder essa informação da ordem?"

Bode deu os ombros e voltou a virar para frente, com a cabeça erguida. Sirius explodiu, gritando como Bode foi insolente e desleal. Harry se sentiu muito irritado com ele também. Os membros da Ordem não deveriam compartilhar informações importantes aberta e livremente com os outros membros?

Claro, essa provavelmente não era a primeira vez na Ordem que alguém guardava segredo. Harry poderia apostar que havia no mínimo mais dois membros que possuíam segredos que não planejavam compartilhar. Ele os olhou. Maddie olhava feio pra Bode. E Snape... quando Harry voltou sua atenção para ele, viu Snape o observando. Os dois desviaram o olhar.

"Sirius, por favor," Dumbledore implorou. "Sente-se. Não temos tempo para discutir isso agora. Temos muitos outros assuntos que precisam ser tratados e ainda não decidimos o que, se vamos agir, planejamos fazer sobre o mal-funcionamento das vassouras. Precisamos achar uma maneira eficiente para desfazer o feitiço."

Ao ouvir isso, Harry prestou mais atenção. Além de querer saber mais sobre o feitiço e quem poderia tê-lo feito, ele vinha enfrentando mais dificuldades desde que as vassouras pararam de trabalhar. Quadribol foi cancelado temporariamente e ele precisava desesperadamente do alívio que um forte treino de Quadribol lhe proporcionava. A distância de Hermione dele o deixava no seu limite e voar sempre lhe ajudara a recarregar as energias e sentir-se mais equilibrado. Com sorte, alguém conseguiria fazer as vassouras funcionarem de novo. Se ele tivesse que esperar muito, planeja sair escondido do território da escola para Hogsmeade ou talvez para floresta Proibida para poder voar. Pelo menos as vassouras funcionavam fora do terreno da escola.

Relutante, Sirius obedeceu a Dumbledore e sentou. Ele colocou a mão sobre o ombro de Harry e se inclinou para sussurrar. "Sem confiança, a Ordem um dia vai cair, Harry. Se não tivermos fé um no outro, não somos nada."

Antes que Harry pudesse processar o que Sirius dissera, Lupin levantou e foi até Snape e seu quadro. Snape, que parecia irritado com a aproximação de Lupin, apagou o que escrevera e tomou seu lugar.

Lupin limpou a garganta antes de começar. "Não temos idéia de qual objeto mágico antigo Voldemort poderia estar procurando, se é que está. Há vários que podem ser usados para aumentar feitiços, mas a maioria deles é pura lenda, e é improvável que ele consiga encontrar. A melhor teoria é que há um bando de Comensais da Morte que recentemente adquiriram capas da invisibilidade. Vocês devem lembrar que vários seminvisos foram roubados recentemente. Talvez os comensais da morte tenham usado para fazer suas próprias capas."

"Isso pode explicar como os Tupperwicks foram roubados também," Harry falou, fazendo Lupin sorrir orgulhoso. Por um momento, Harry se sentiu de volta ao terceiro, sentado na aula de Defesa Contra Artes das Trevas.

"Precisamente," ele disse, sua expressão ficando mais obscura enquanto continuava. "Talvez seja por isso também que Moody foi tirado de nós. Sua habilidade de ver atrás de capas da invisibilidade arruinaria os planos deles." Harry não pode evitar que seu olhar vagasse até o lugar vazio entre a avó de Neville e Bode.

O que seguiu foi uma discussão detalhada sobre a segurança no torneio de xadrez na sexta. Apesar do ministério estar fornecendo segurança oficialmente, a Ordem decidiu dar segurança extra. Sun Chang comandava a operação. Ele distribuiu tarefas e depois deu uma palestra sobre a planta do Salão Principal e dos salões ao redor.

A maioria dos membros da Ordem que conseguiu convites, iam ficar monitorando as portas principais e qualquer convidado suspeito que estivesse na lista. O trabalho de Harry era mais simples. Tudo que precisava fazer era estar presente e preparado para ajudar se algo saísse do controle.

"É importante que se comporte normalmente, Harry, e não fique procurando outros membros da Ordem enquanto estiver passeando pelo torneio," Sr. Chang disse.

Harry balançou a cabeça positivamente. "Sim, senhor. Tomarei cuidado."

"E quem será seu par?" Sr Chang perguntou. "Quero olhar o histórico dela só por precaução."

"Hã." Harry respondeu, olhando ao redor da mesa para os rostos que lhe encaravam. "Eu não sei." Ele inclinou a cabeça e olhou para a madeira da mesa.

Sirius riu de coração. "Claro que você sabe," ele disse, dando um murro no ombro de Harry. Ele então virou para Sun Chang. "É Hermione."

"Na verdade, não vai ser Hermione," Harry disse. Sirius olhou para ele, pasmado. Todos os olhos da mesa ecoaram a mesma expressão.

"Como é?" Sirius perguntou.

"é uma longa história, que eu prefiro não discutir no momento," Harry disse, depois sibilou para seu padrinho, "Depois, Sirius."

"Por favor mande uma coruja quando souber quem é," Chang disse, acenando com a cabeça para Harry. "Pelo que sei o Clube Mágico de Campo e Castelo seria ofendido se não levasse um convidado. Você não quer insulta-los. Queremos que eles fiquem confortáveis com você. Pode ser útil se as coisas ficarem difíceis. Você conhece o ditado: é importante manter seus amigos próximos, e seus inimigos ainda mais próximos."

"Se for assim, eu devia levar Malfoy," Harry disse para si mesmo, conseguindo uma risada abafada de Maddie.

"Ah, os Malfoy vão estar lá. Todos eles. Você ganhou grande coisa entrando no Clube de Campo e Castelo, Harry. É o melhor do esnobismo entre os bruxos," falou Fletcher, que ficara em silêncio na maior parte da reunião.

"Ora, Fletcher," Maddie respondeu. "Nem todos os membros são esnobes. Alguns deles são pessoas decentes, amigas."

"Voltando ao assunto," Chang disse, olhando ao redor da mesa. "Tem mais uma coisa que precisa saber, Harry."

"O que é?"

"Você provavelmente vai ser bombardeado pela imprensa quando chegar. Alguns dos repórteres do iProfeta Diário/i conseguiram convites para o torneio."

Essa revelação fez o estômago de Harry revirar. Já era ruim o suficiente ele ter que encontrar um par para esse evento. Agora teria que lidar com a imprensa também? Visões de Rita Skeeter inundaram sua mente e ele se encontrou fazendo careta.

"Não fique tão chateado, Harry. Você é um talento com a imprensa," Maddie zombou. Ela piscou para ele e ele a encarou feio em resposta. "Apenas sorria e deixe que ele tirem algumas fotos que eles vão te deixar em paz."

"Onde vou encontrar uma garota que ature tudo isso?" Harry perguntou, quase pra si mesmo.

Ninguém respondeu.

Harry não pode evitar o pensamento que estava feliz que Hermione estaria lá, mesmo não sendo seu par. Apenas vê-la o distrairia do quanto desconfortável e constrangido ele estaria naquele grupo de bruxos esnobes e reportes felizes e cheios de maquinas.

******

Draco olhou para as estrelas e admirou quantas podia ver. Ele era bastante critico com Adivinhação e Astrologia, mas nessa noite ele não podia deixar de imaginar se as estrelas teriam as respostas para as perguntas que tinha sobre seu futuro. Se elas pudessem falar, diriam que ele estava completamente enganado? Maddie achava que sim. A voz dela ecoava em sua mente, incessante e inesquecível.

i"Estou decepcionada com você, Draco," ela disse, ajeitando a saia num gesto que, para ela, era extremamente incomum e modesto. o tom que usava era leve, quase leve demais. Os olhos dela a entregaram. Ela realmente sentia isso.

Draco revirou os olhos. Estava se cansando da presença dela e precisava voltar a seus planos malignos e tortura a sangue frio – também conhecido como dever de Poções.

"Diria pra me poupar disso, mas não sei porque, não acho que funcionaria," Draco disse, dando a Maddie um sorriso irritado. Quanto tempo levaria até que ela percebesse que estava perdendo tempo?

"Você é um bruxo de muitos talentos, Draco, só um idiota não percebe isso," ela disse. "O que é tão irritante é que você não usa seus talentos ao Maximo. Há tanto que você poderia ser, mas você se deixou jogar na lama de falsidades e mentiras que os Comensais da Morte representam."

"E o que você sabe sobre falsidades e mentiras?" Draco perguntou, sem se preocupar em confirmar ou negar a acusação oculta que ela fizera.

"Sei o suficiente," ela disse, sua voz mais profunda, mais séria.

"Aparentemente, não sabe o suficiente pra diferenciar o que é verdade e o que é propaganda," Draco respondeu.

"Ah, a verdade! Você foi manipulado a acreditar que a verdade é absoluta, mas você é inteligente o suficiente para perceber que a verdade não funciona desse jeito. Sua habilidade de aprender e entender são maiores que a da maioria; entretanto, você não consegue usa-las onde realmente importa. Por isso, vai pagar a não ser que mude seu jeito."

"Está me ameaçando?" Draco perguntou, tentando parecer que achava engraçado.

"Sem ameaças, apenas lhe dizendo os fatos," Maddie respondeu.

"Os fatos? Você não entende os fatos e não me entende. Como poderia? Não sabe nada sobre mim," Draco replicou e cruzou os braços.

"Eu sei que você é um produto do meio," ela disse. "Desde o jeito orgulhoso que curva os lábios até o tom de sua voz. Seu pai lhe impôs e você deixou que ficasse como parte sua. Você o seguiu cegamente, sem questionar. Alguém pode até dizer que você sempre foi o filho perfeito."

"Tomo isso como elogio."

"Que descuido meu," Maddie falou ríspida, "queria insultar você."

Draco remexeu desconfortável em sua cadeira. "Sinto orgulho de minha família e especialmente de meu pai. Os Malfoy..."

"Os Malfoy são conhecidos por seus preconceitos e uso das Artes das Trevas. Está ignorando isso porque quer ou já chegou a uma conclusão lógica que o dizem é certo?"

"Nós estamos certos," ele disse. "Achei que entenderia isso, devido a seu... passado." Ele deixou que o último comentário entrasse na sala casualmente, imaginando como ela reagiria à revelação que ele sabia sobre seu passado do que lhe dissera antes.

Maddie inspirou rapidamente. "Posso ser a filha de Comensais da Morte, mas não deixei que isso ditasse meu destino."

"Não tem escolha sobre seu destino, por definição," Draco disse, sentindo-se mais incendiado. "Seus pais estavam destinados a morrer e você estava destinada a fazer um juramento contra tudo o que eles acreditavam; do mesmo jeito que eu estava destinado a ser filho de meu pai e fazer o que puder pra ajuda-lo a realizar seu nobre trabalho."

"É ai, meu amigo, que se engana," ela disse, levantando da cadeira e ficando de pé em frente a mesa de Draco, as mãos na cintura. Ela parecia maligna. Ele não gostava dela em cima dele desse jeito; dava a impressão que ela estava em vantagem. Ele levantou de repente e ficou cara a cara com ela. Talvez isso a fizesse recuar. Foi um erro estratégico.

"E diga-me, minha amiga, onde estou enganado?" Draco perguntou, desviando seus olhos rapidamente para os lábios dela e voltando para encara-la nos olhos. Ela era apenas outra mulher, outra mulher que poderia ser distraída e deixada desconfortável com um simples olhar, um gesto sutil, um toque na hora certa.

"Você é arrogante," ela sussurrou, respondendo ao olhar dele. Ele apertou os olhos involuntariamente com isso, parando quase numa careta. "Você superestima suas habilidades e comete erros tolos, como roubar o pó de meu quarto."

"Não tem vontade própria," ela continuou, sem piscar. "Segue as ordens de seu pai sem pensar por si mesmo. Cumpre as ordens dele mesmo sabendo que é errado, mesmo sabendo que fere pessoas boas – pessoas de quem você gosta e respeita." Ele abriu a boca para falar, mas ela continuou antes que pudesse dizer qualquer coisa.

"Você é solitário," ela declarou, seus olhos um pouco aguados pelo esforço de não cortar o contato visual. "Você tenta substituir amor com intimidade física, afastando qualquer um e todos que tentam se aproximar porque tem medo do que poderia significar se importar." Ela terminou piscando longamente e Draco recuou um passo, sem saber como reagir a esses ataques que ela lançava.

"Não me dá nenhum prazer lhe dizer isso Draco, mas sinto que é meu dever. Sabe, já fui como você e precisou que alguém dissesse que eu podia mudar, que eu controlava minha vida..."

"É uma historia longa?" Draco perguntou, interrompendo-a falando numa risada forçada. "por que se for, pode querer economizar o fôlego para contar a alguém que se importe."

Maddie franziu a testa e ficou completamente em pé. "Fiz tudo o que podia por você, Draco. No fim das contas, só depende de você. Espero que tome a decisão certa."

Draco forçou um sorriso. Ele não deixaria que ela saísse ainda. Tinha algo o incomodando e ele precisava esclarecer. "Você armou pra eu ficar com Gina porque achou que ela me ajudaria ver a luz? Seu plano falhou, Maddie. Eu descobri de cara."

Maddie afirmou com a cabeça. "Sim, coloquei vocês dois próximos sabendo que eram compatíveis astrológicamente. Pode me culpar? É tão raro achar duas pessoas assim e ela é uma boa pessoa, Draco. E pelo que vi, você não ficou imune ao charme dela."

"nunca poderia me apaixonar por alguém que está abaixo de mim," ele disse, com mais força do que planejava.

Maddie levantou as sobrancelhas. "Bem, parece que ficou um pouco nervoso com esse assunto. Talvez seja uma boa hora para eu ir." Com isso, ela foi lentamente até a porta. Ele a seguiu, querendo dizer mais alguma coisa, ou ao menos bater a porta atrás dela.

"Isso ainda não acabou, eu..." Draco começou a dizer, mas ela o interrompeu, colocando um dedo firme sobre os lábios dele.

"Shhh," ela sussurrou. "Isso está terminado por enquanto. Mas antes de eu ir, acho que é justo lhe dizer que se me fizer sua inimiga, não mostrarei compaixão." Ela tirou o dedo dos lábios dele, virou abruptamente e falou por cima do ombro. "Tchau, Draco."/i

Draco olhou para o céu novamente. Uma densa névoa havia chegado e coberto as estrelas que ele observara quando chegara a Torre. A lua estava cinza e borrada no céu. As luzes no chão estavam embaçadas, cada uma parecendo um casulo de uma lagarta.

Por mais que fingisse não ligar para o que Maddie dissera, ele ficou impressionado com o quanto ela chegou perto da realidade. Talvez fosse isso que lhe dera um lugar entre a elite dos Aurores. Ele se orgulhava de suas habilidades de manipulação, mas não foi páreo para ela.

Várias e várias vezes revisou o que ela dissera, tentando desenvolver uma técnica que poderia ter usado pra vencer o confronto. Devem ter sido feitas muitas pesquisas e observações para saber onde dar o golpe que o colocara na defensiva. Qualquer lutador aprendia o forte e as fraquezas de seu oponente, e ele fora capaz de descobrir o suficiente sobre ela que seria útil, mas ele falhara na hora de usar isso a seu favor. Se ela tentasse ataca-lo assim de novo, ele estaria mais preparado.

Olhou para seu relógio. Eram quase dez horas. Essa era a hora de costume de seu encontro com Lilá na torre. Mas ela não estaria ali naquela noite, disso ele tinha certeza. Desde que usara o maldito pó nela, ela não pensava em nada além do Potter.

Sendo o bruxo nobre que todos esperavam que fosse, Potter não colocara um dedo nela. Que perda de tempo foi tudo isso e agora ele estava pagando. Draco desejou ter conseguido tirar de Maddie como desarmar o pó depois dele ter sido usado. Não só queria se assegurar que ele não sofreria efeitos colaterais, mas também queria livrar Lilá da influência do pó. Sentado sob as estrelas, ele lamentava sua ausência. Ansiava por seus beijos, seus gemidos e seu corpo, apesar de reconhecer o vazio dessas intimidades.

Depois ele pensou em Gina e o beijo que trocaram há poucos dias. Todos os pensamentos em Lilá se dissolveram e ele ficou com a imagem de Gina, seus olhos fechados, seu queixo inclinado para trás com um sorriso no rosto. Ele sabia que se apaixonara por ela e não era por causa da conexão astrológica que tinham, apesar disso realmente aumentar a intensidade da atração física entre eles. Pelo que aprendera na aula de Adivinhação, a conexão não fazia as pessoas se apaixonarem, apenas aumentava a atração se os sentimentos já estivessem lá.

E os sentimentos por Gina já estavam lá, por mais que quisesse negar.

Por semanas, ele sentia como se alguém segurasse seu coração e tentasse torce-lo toda vez que pensava nela. Um desejo louco de possui-la, corpo e alma, freqüentemente o tomavam fazendo-o suar e sentir como se a gola de suas vestes estivesse muito apertada. Ele lera o livro de poesias dela todo e ficou pasmado com como as palavras falaram com ele, especialmente o poema sobre fogo e gelo. Essa era a maneira que via seu relacionamento com Gina; ela era o fogo para seu gelo. Mas o problema era que ele não podia deixar o fogo dela dissolver o gelo dele em nada. Ele não podia deixa-la queima-lo e faze-lo esquecer quem ele precisava ser.

Como se seus pensamentos a tivessem chamado, ele ouviu a voz dela atrás dele. "Draco, é você?"

Ele não virou, mas prendeu a respiração enquanto os passos dela se aproximavam. Com um sorriso, ele pensou em como ela estava começando a ter uma noção de hora como Malfoy.

*******

"Ei, Hermione," uma voz feminina sombria falou por cima da pilha de livros. Hermione levantou e olhou por cima da pilha. Era Megan e ela parecia acabada.

"Oi Megan, como vai?" Hermione perguntou, franzindo a testa de preocupação. Parecia que Rony não era o único sofrendo com o rompimento.

"Já estive melhor," Megan disse suspirando. "Mas vou sobreviver."

"Quer falar sobre isso?" Hermione perguntou, sentando e colocando a pilha de livros para o lado para que sua amiga tivesse lugar para se juntar a ela.

"Não sei. Não consigo decidir se conversar ajudaria ou machucaria," Megan respondeu olhando para o lugar vazio junto de Hermione."alem disso, você tem seus próprios problemas."

Hermione balançou a mão, rejeitando esse pensamento. "Não ligue pra meus problemas. No momento estou preocupada com você. Você parece estar precisando de um amigo. Você sabe, conversar sobre seus problemas leva a um melhor entendimento dos fatos e sentimentos envolvidos," Hermione disse, como se citasse um livro. Franziu a testa a ao perceber que estava dando um conselho que não usara para si mesma. Sua mãe sempre dissera que devia fazer o que aconselhava. Talvez um dia ela adotasse esse conselho.

"Você promete não dizer a Rony?" Megan perguntou, colocando uma mão nas costas da cadeira. Se Rony soubesse disso, ela estaria acabada. Mas precisava conversar e Hermione tinha uma ótima visão do que se passava na cabeça de seu amigo ruivo.

Hermione concordou, "Claro que não vou contar. Vai ficar entre nós."

Megan suspirou e puxou a cadeira. Hermione fechou o livro a sua frente e virou de modo que ficou de frente pra Megan enquanto ela falava. "Sinto tanta falta dele, Hermione. Mas ele mentiu pra mim sobre uma coisa muito, muito grande."

Um alarme soou para Hermione, como uma brisa fria num dia escuro de inverno. Sentiu a sensação familiar de ansiedade se formando. "Rony, mentir? Sempre soube que ele é um péssimo mentiroso. Ele às vezes exagera em algo pra mim e Harry, mas nunca soube dele mentir quando é importante. Pode me dizer sobre o que é?"

"Não posso," Megan disse, mexendo nervosa com os dedos. "Envolve um segredo. O que posso dizer é que ele me enganou sobre uma coisa e não admite o que é ainda pior."

"Isso parece muito ruim," Hermione disse, pensando muito sobre o que Rony poderia ter mentido. "Tem certeza que ele entendeu o que você perguntou? Rony pode ser muito desligado às vezes, especialmente quando está chateado com alguma coisa. Talvez tenha sido um mal entendido."

"Não seria a primeira vez que tivemos problemas de comunicação," Megan admitiu. Ela passou as mãos pelos cabelos. "Merlin, Hermione, isso é tão frustrante."

"Frustrante é uma boa palavra pra descrever a situação. Tão chato, irritante, angustiante e incômoda. Se pudéssemos ler mentes, provavelmente não estaríamos nesse estado," Hermione disse, inconscientemente segurando o pente em seu cabelo, o pente que Harry lhe dera de natal dois anos atrás.

"Sim, é muito frustrante," Megan disse, concordando e franzindo a testa confusa. Elas ainda estavam falando do mesmo bruxo?

"Se ao menos conseguisse uma resposta direta dele," Hermione disse. "Mas ele não diz nada. Ele apenas olha pra mim e desvia o olhar quando o pressiono. Eu sei que ele está aprontando alguma e eu vou pegá-lo, nem que seja a última coisa que faça." Ela não estava mais olhando para Megan, mas sim olhando para frente, como se imaginando uma discussão com outra pessoa.

"Quem está aprontando alguma?" Megan não pode evitar a pergunta.

"Oh!" Hermione voltou à realidade, sua concentração voltando para Megan. "Ninguém, quer dizer, uma pessoa. Acho que também tenho um segredo que não posso contar." Ela olhou para Megan se desculpando e se endireitou na cadeira.

"Você devia tentar falar com ele novamente," Hermione disse. "Vocês dois merecem uma segunda chance e sei que ele faria qualquer coisa pra te ter de volta."

Megan concordou com a cabeça. Ela tinha que tentar. Uma última vez.

*******

Milicent Bulstrode olhou por cima do tabuleiro de xadrez para Rony. Ela acabara de fazer um movimento muito tolo com sua torre do rei, e Rony ia dar o coup de Grace.

Foi uma partida difícil e frustrante. Risos e brincadeiras dos Sonserinos não ajudaram. Eles ficavam fazendo barulho de beijo e sussurrando coisas como "talvez se você a beijar, ela te deixa ganhar" e "ela vai ser sua rainha, entende?" com certeza o que eles estavam fazendo era ilegal, mas nenhum dos juizes parecia notar. Ele esperava que Harry, que estava a sua direita, pudesse ouvi-los e os fizesse parar. As brincadeiras deles eram em parte culpa dele porque ele fizera Rony admitir, sob influencia do veritaserum, que seu primeiro beijo fora co Millicent Bulstrode.

Rony moveu seu bispo três casas adiante. "Cheque-mate," ele disse, relaxando na cadeira e respirando aliviado.

A platéia aplaudiu desordenada. Simas, que estava como técnico de Rony nessa partida, deu tapas em seu ombro e pegou a mão dele para levantar como se ele tivesse acabado de ganhar uma luta de boxe, e não uma partida de xadrez. Harry gritava mais que o comum e Rony conseguiu ver Hermione e Megan sentadas juntas na platéia, as duas em pé aplaudindo. Hermione mandou um beijo pra ele quando ele olhou pra ela e fez sinal de positivo. Megan deu um pequeno sorriso e desviou o olhar. Talvez ela quisesse conversar depois da partida.

"Merda," ele teve a impressão de ouvir Millicent dizer, chamando sua atenção para sua oponente Sonserina. ela virou para olhar seu técnico, Malfoy, que olhava reprovando e balançando a cabeça.

Ele se sentia bem por derrotar Malfoy, mesmo indiretamente. Rony esperava enfrentar Malfoy no torneio – diziam que ele era forte no xadrez – mas Millicente vencera o campeonato da Sonserina, para surpresa de todos.

"Foi uma boa partida," Rony se inclinou para frente e ofereceu a mão. "Obrigado."

Millicent tomou a mão dele, mesmo que Malfoy tivesse balançado a cabeça para que ela não fizesse isso.

"Obrigada, Rony. E desculpe pelas brincadeiras. Eu nunca contei a ninguém," ela deu um pequeno sorriso.

"Não ligue pra isso," Rony disse. "Eles só estão com ciúmes." Ela sorriu e deu uma risadinha.

"Parece que o Clube Mágico de Campo e Castelo ganhou um grande presente," Draco disse. "Me pergunto, Weasley, se suas vestes de gala vão ter rendas nos punhos como tinham no quinto ano?"

"Também está com ciúmes, Malfoy?" Rony perguntou, movimentando as sobrancelhas. Nem Malfoy podia acabar com seu bom humor.

Antes que Malfoy pudesse responder, Rony deixou a mesa e se juntou ao grupo que esperava, os aplausos da área da Grifinória enchendo o Salão Principal e o fazendo sorrir de orelha a orelha.

Como campeão do Torneio de Xadrez de Hogwarts, ele seria convidado para o torneio do Clube Mágico de Campo e Castelo que começaria na sexta. Até onde Rony sabia, nenhum Weasley já tinha sido convidado para um evento promovido por esse clube tão exclusivo. O clube era conhecido por suas taxas astronômicas e comportamento antitrouxa. Eles olhavam para famílias como a Weasley como se eles fossem uma desgraça para o mundo bruxo. Rony ficaria satisfeito pelo resto da vida se ganhasse o torneio esnobe deles e os provasse que dinheiro e posição na sociedade não denotavam necessariamente talentos ou habilidades.

Na manhã seguinte, Rony mandaria uma coruja pra seu irmão Carlinhos para confirmar que precisaria dele como técnico pro torneio iminente. Depois, tomaria coragem pra pedir a Megan que fosse seu par. Talvez, apenas talvez, ela sentiria em seu coração vontade de lhe dar uma segunda chance.

*******

"Não, aqui não é Draco, então, vá embora," Draco disse, sua voz cheia de sarcasmo. Talvez se ele voltasse a trata-la como antigamente, ficaria seguro.

"Eu devia te empurrar desse parapeito, Draco. Você é um vilão, um mentiroso e um trapaceiro. Não acredito que fui idiota o suficiente para beija-lo!" Gina gritou, fazendo duas corujas que estavam no topo da Torre voarem.

"Também adorei te rever, Gina," ele disse por cima do ombro, virando para encara-la. "Já estava de saída."

Ele levantou e começou a andar por ela, mas ela ficou em pé em frente a porta do lado de dentro. "Não tão rápido," ela disse com raiva. "Tenho algo a te dizer e já te procurei muito pra esperar mais."

"Se veio aqui pra me dar bronca por desistir de correr, desista," ele disse.

"Não é sobre isso e você sabe," Gina disse. As mãos dela estavam na cintura e seus olhos cheios de fogo. Se eles estivem à luz do dia, ele achava que as bochechas dela estariam vermelhas. Mas sob a luz embaçada da lua, a pele normalmente branca dela tinha um tom meio acinzentado.

Draco levantou uma sobrancelha. "Isso vai ser interessante," ele caçoou, se apoiando num dos pilares de pedra e cruzando os braços.

"Vou direto ao ponto então," Gina disse, avançado contra ele um pouco. Ele respirou fundo ao perceber que ela ia ficar tão perto dele quanto ele pudesse suportar – ou talvez mais perto ainda. Os olhos dele recusavam-se a obedecer a seu comando para focalizar num ponto sobre a cabeça dela. Ao invés disso, ele se encontrou entre olhar entre os olhos dela, analisar o efeito da luz da lua nos cabelos dela e admirar a curva de seu pescoço.

Draco se repreendeu mentalmente para poder se concentrar. Se jogasse certo, poderia tirar Gina de sua vida para sempre. Seria a saída mais fácil, mas ele tinha que fazer isso. Ela estava ficando muito próxima e começando a significar muito para ele. Ele estava com medo.

"Eu sei que beijou Hermione," Gina disse.

"Ela lhe disse?" ele perguntou, abaixando os olhos para seus sapatos, os quais, ele notou, precisavam ser lustrados.

"Eu adivinhei," ela respondeu, sua voz abaixando como se ela repassasse a cena em sua cabeça. "Você sabe que somos amigas? Você é mesmo tão estúpido que não achou que iríamos conversar?"

"E daí?" Draco disse, jogando as mãos acima da cabeça. "Eu beijei a Granger. Grande coisa. Agora acho que você vai comentar que eu dormi com Lilá ou que eu toquei Pansy semanas atrás no salão comunal da Sonserina."

"Não, não vou comentar sobre elas porque elas não me preocupam. Mas me preocupo com Hermione e acho que deve grandes desculpas a ela."

"Devo desculpas a ela? Foi ela quem me beijou! Eu apenas reagi com qualquer bruxo com sangue nas veias reagiria," ele disse, evitando olha-la nos olhos.

"Não acredito em você," Gina replicou.

"Como referência ofereço o exemplo do nosso beijo na outra noite. Foi daquele jeito," Draco disse. "Se minha memória está certa, não fui eu quem instigou esse beijo também."

O queixo de Gina caiu. "Não acredito que teve a audácia falar nisso agora."

"Não acredita? Tenho que dizer, Gina, que você é muito mais ingênua do que eu pensava. Se esperava por um segundo que eu me rebaixaria pra ficar com você então se prepare para um grande desapontamento."

"Não acredito que estou aqui ouvindo isso!" Gina fumegou, olhando irritada pra todos os lugares menos pra ele.

"O único motivo de eu ter falado com você é porque fui afetado pela compatibilidade astrológica entre nós. Sem isso, você é tão interessante quanto aquela rachadura na parede," Draco disse, olhando por cima do ombro dela e apontando com a cabeça.

No início, Gina parecia que tinha levado um tapa dele. O cabelo dela estava desarrumado e ela fazia um careta. Mas então ela ajeitou os cabelos atrás da orelha e olhou para ele, seu rosto brilhando com um sorriso.

"Já entendi o quer, Draco. Está enganado sobre nós e sabe disso. Com ajuda de Hermione, pesquisei sobre essa compatibilidade astrológica que temos. Diz muito claramente em todos os livros de adivinhação que peguei que essa compatibilidade não junta as pessoas. Só põe fogo numa faísca já existente."

"E que tipo de faísca pode existir entre alguém como eu e alguém como você?" Draco respondeu. "Você representa tudo que desprezo."

Gina o encarou, as palavras dele deixando-a em silêncio por um momento.

Draco deixou a parede na qual se apoiava e se aproximou. Ele não queria que houvesse qualquer dúvida que ele queria dizer cada palavra que ia dizer. Para o recado ser bem dado, precisava estar olhando pra ela de cima.

"De que forma te odeio? Deixe-me contar quantas são," declarou, mostrando as mãos como se pra começar a contar.

"Está corrompendo Shakespeare agora? Se não te odiasse antes, com certeza te odeio agora," Gina replicou, repreendendo. Apesar da resposta esperta que deu, ele sabia que a tinha onde queria. Se ela se calasse por mais de dois segundos, ele conseguiria afasta-la para sempre.

Mas era isso mesmo que queria?

Ele parou por um momento, tomando a presença dela e tentando reconciliar as emoções confusas que experimentava. Ela estava linda, mas mais notável, ela parecia mais dividida do que qualquer garota que já olhara pra ele. O que a atraíra pra ele? Ela tinha alguma coisa por bruxos que a tratavam mal? Ele a lembrava das experiências que teve com Tom Riddle na câmara secreta?

Seus pensamentos tomaram outro rumo, apesar dele tentar controla-los. Sendo completamente sincero consigo mesmo, havia uma parte dele que queria ficar com Gina, que precisava ficar com Gina. Mas seus deveres lhe diziam que devia deixa-la. Antes que ele pudesse falar mais, ela falou.

"Você sempre fica olhando pra pessoas que odeia, ou é só comigo?" ela perguntou.

"Não," ele conseguiu dizer, tentando manter-se concentrado. "Só estava pensando em sua família e em como são pobres e sem classe."

Ela ficou furiosa, do jeito que ele sabia que ela ficaria, e cruzou os braços. Ele se aproximou. "Mas isso é só o início. Tem tanta coisa em você que odeio que nem sei por onde começar."

Os olhos dela brilharam com raiva e ela deu as costas a ele. Ele deu a volta de modo que ficou na frente dela e eles ficaram nessa dança algumas vezes até que ela finalmente desistiu.

"Eu odeio que não tenha orgulho bruxo," ele disse. "Ninguém em sua família tem. Me deixa enjoado o jeito como se associa com sangues-ruim e com trouxas."

"Odeio que seja da Grifinória, uma casa feita claramente pra os alunos mais estúpidos da escola."

"Odeio que seja irmã de um dos maiores idiotas da escola, que é o melhor amigo de uma das pessoas que mais desprezo nesse mundo."

Ela abaixou a cabeça e algumas lágrimas caíram no chão. Inesperadamente, isso o fez sentir como se tivesse levado um murro no estômago. Ele se lembrou que tinha que afasta-la enquanto tinha chance, antes que fosse muito tarde e ele se entregasse a seus sentimentos por ela.

"Entendo," Gina disse, sua voz anasalada por causa do choro. Quando levantou os olhos para ele, os dela estavam inundados e inchados e cheios de mágoa.

O impacto do que dissera e fizera o atingiram em cheio, empurrando-o para o precipício no qual ficara durante uma eternidade.

"Ainda não terminei," ele murmurou, aproximando-se ainda mais. Ela levantou as mãos para afasta-lo, mas ele segurou seus pulsos.

"Eu odeio que nossas conversas de manhã enquanto corríamos eram a melhor parte de meu dia. Odeio que tenha confiado em mim o suficiente para contar o que te aconteceu na câmara secreta. Odeio que toda vez que estou perto de você, mesmo agora, quero abaixar minhas defesas e ser eu mesmo. Odeio que seu cabelo seja tão vermelho que brilha, mesmo que não haja nenhuma luz. Odeio que sua risada me faz pensar em poesia e música e em voar. Odeio que você tenha tido a coragem de dar o primeiro passo e me beijado na outra noite. Odeio que me faça pensar em coisas que não devia pensar, como desafiar meu pai e esquecer tudo o que ele defende."

"Você... odeia?" Gina perguntou, a cabeça um pouco inclinada para o lado. Sua testa estava enrugada em confusão. Seus olhos, que estavam do tamanho de pires, encaravam os dele.

"Eu odeio," Draco repetiu, notando que se sentia quente. Entregando-se ao impulso que formara, ele a puxou para beija-la.

"Eu não preciso disso!" Gina gritou. Ela recuou um passo e lutou para livrar seus pulsos. "Estou torcendo pra que caia do parapeito." Ele a olhou enquanto ela saia.

"Espere!" Draco chamou. "Gina!"

Ela parou. Por um instante que pareceu uma eternidade, nenhum dos dois se moveu.

"Eu quero que fique," Draco disse, finalmente quebrando o silêncio entre eles. Ele prendeu a respiração, pensando se ela ia responder, torcendo que ela respondesse, desejando que respondesse.

"Me dê uma boa razão, por que devia fazer isso?" ela perguntou, ainda de costas pra ele.

"Por que acho que estou me apaixonando por você," ele disse, sua cabeça latejando de repente. "Achei que isso era obvio pelo que disse há alguns instantes."

Ela continuou de costas para ele. "E Hermione?"

"è complicado, mas acredite quando digo que não sinto nada por ela."

"E você espera que eu aceite só isso?" ela perguntou.

"É tudo que posso dizer sem arriscar sua segurança e a dela," ele replicou. "Gostaria de poder explicar tudo a você, mas jurei manter segredo."

Ela parou novamente antes de recomeçar outra rodada de perguntas.

"Lilá? Pansy?"

"Muito acabado e muito ano passado," ele disse, tentando andar silenciosamente enquanto se aproximava dela pelas costas.

"E o que você diria a seus amigos? O que eu diria aos meus?" ela perguntou, sua voz tremendo.

"Eles não têm que saber."

"E quanto a seu pai? E meu pai? Nossas famílias se odeiam, Draco," ela disse.

"Eles também não precisam saber. Vai ser nosso segredinho. Você sabe guardar segredos, não é, Gina?" ele perguntou. Estava próximo o bastante para colocar sua boca junto à pele do pescoço dela. Ela estremeceu quando ele respirou, mas não se afastou.

"Sim... sim, sei guardar segredos," ela sussurrou, oferecendo mais de seu pescoço, que ele aceitou satisfeito, pressionando seus lábios contra o calor. Quando ela suspirou e virou para encara-lo, ele sabia que a tinha ganhado.

"Apenas me prometa uma coisa," ela disse, colocando os braços sobre os ombros dele e apoiando seu corpo contra o dele.

"Qualquer coisa," ele conseguiu dizer e realmente prometeria. Não havia quase nada que pudesse negar a ela agora.

"Prometa que enquanto estivermos juntos não vai machucar nenhum de meus amigos ou minha família," ela disse, seu olhar muito sério.

"Prometo," ele sussurrou. E selou a promessa com um beijo.

Ele capturou a boca dela com a sua num movimento rápido. Ela estremeceu e respondeu ao beijo, fazendo-o sorrir contra seus lábios. Ele vinha ansiando pelo beijo dela e não se desapontou. Ela não desapontou. Ele a rodeou com seus braços e sua capa e puxou o corpo dela ainda mais contra o seu enquanto pressionavam seus lábios várias e várias vezes.

Beija-la o deixava completamente fora de controle, uma sensação que ele geralmente evitava a todo custo. Mas isso valia pena. Ela valia a pena. Nenhuma bruxa o fazia sentir tanta fome e tão saciado ao mesmo tempo. Eles rapidamente aumentaram os beijos e ele saboreou as sensações inebriantes libertadas quando ele roçou a língua dela com a sua. Cada vez que fazia isso, ele a sentia se pressionar cada vez mais contra ele e ele a imitou, forçando cada vez mais o beijo.

Depois de vários minutos, eles se separaram, os dois ofegantes. Draco tomou a mão dela e a olhou nos olhos, que estavam vidrados e sorriam pra ele. O beijo o deixara tão quente que ele estava insensível ao frio da torre, mas havia outras coisas que ele queria evitar ali e já tinha sido muito descuidado.

"Vamos pra algum lugar mais privado," ele disse, indicando a porta.

Gina concordou. "Onde?"

"Que tal meu quarto?"

"Não tenho certeza se é uma boa idéia. Quer dizer, nós acabamos de... quer dizer, não sei se..." ela gaguejou, seu rosto cheio de constrangimento e incertezas. Ele se inclinou e plantou outro beijo longo e vagaroso na boca dela e se afastou.

Ela engoliu fazendo barulho e apertou mais a mão dele. "Como me levaria até lá sem sermos pegos?"

Draco deu um sorriso torto e levantou uma sobrancelha. "Digamos que tenho um sistema que funciona muito bem."

Os olhos de Gina pareciam que iam sair das órbitas. Ela abaixou os olhos para seus sapatos e Draco teve a impressão que a viu olhar para as mãos dadas deles. Quando o olhar dela voltou ao dele, havia um fogo nos olhos dela.

"Só preciso saber uma coisa," ela disse, colocando o cabelo atrás da orelha, nervosa.

"O que é?" ele perguntou, torcendo que ela não perguntasse alguma coisa que não pudesse responder. Ele queria agrada-la e – mais importante – queria leva-la para seu quarto para que pudessem terminar o que começaram.

"Por que cancelou as apostas?" ela perguntou.

Draco remexeu desconfortável. Revelar a verdade agora, pareceria um plano pra faze-la dormir com ele. Ele a queria muito, mas também queria que fosse na hora fosse certa. Ele já dormira com várias bruxas, mas Gina era diferente. Ele tinha a chance de ter uma relação de verdade, pela primeira vez e não queria estragar isso. Ele a olhou nos olhos e tomou uma decisão. Fazer a coisa certa significava ser sincero. Maldita Lilá por ter ensinado isso a ele! Ele só teria que deixar de fora a parte de ter mentido para Potter e tê-lo feito acreditar que Hermione era a causa dele ter cancelado a aposta.

"Sabia que não podia vencer a aposta," ele finalmente disse. "Sabe, uma certa bruxa me chamou atenção e não conseguia parar de pensar nela, por mais que tentasse." Ele parou e acariciou a bochecha dela com as costas dos dedos. "Você me fez perder a aposta, Gina. Feliz agora?"

Dizer que ela ficou triunfante seria uma hipérbole. Por um momento, Draco achou que ela ia comemorar, ou começar a pular como uma garotinha boba. Mas ela não fez isso. Ela apenas lhe ofereceu um sorriso muito brilhante e um beijo na bochecha. "Vamos então," ela disse. "Mas espero que não ligue se a esquecer seu quarto por enquanto. Por mais que queira olhar o Salão Comunal da Sonserina, prefiro ir pra outro lugar. Talvez outro dia?"

Abrindo a boca para protestar, Draco pensou melhor e mudou a resposta. "Me deixe esclarecer uma coisa. Nunca deixei alguém de fora da sonserina ver nosso Salão Comunal. Segredos de casa são muito importantes, especialmente com vocês, grifinórios," ele replicou. Ela levantou as sobrancelhas.

"E claro que não precisamos ir pra meu quarto," ele completou, surpreso com o tom gentil estava usando.

Gina relaxou visivelmente. "Talvez possamos ir pras masmorras de Snape. Nós da Girfinória achamos o melhor lugar do castelo pra se agarrar," ele disse e depois cobriu a boca como se tivesse deixado as palavras escaparem. "Ah, mas não devia ter te dito. É um segredo."

"Grifinórios vão para as masmorras se agarrarem?" Draco disse, esquecendo a maçaneta e tudo mais, com a surpresa. Talvez eles realmente fossem a casa da coragem.

"Brincadeira," Gina disse, balançando as mãos dele e rindo. "Não sabia que era tão crédulo, Draco. É meio fofo."

"Por favor," ele disse, passando pela porta. "Nunca me chame de fofo."

*******

Havia alguns convidados entre os alunos para o jantar naquela noite de quinta no Salão Principal. Era a noite anterior ao torneio de xadrez e alguns pais de alunos chegaram um dia antes para jantar com seus filhos e ajudar o clube com detalhes de última hora. Carlinhos estava lá porque, como todos técnicos, tinha permissão pra ficar no castelo durante o torneio. Havia uma ala especial para os visitantes, mas Carlinhos insistiu em ficar no dormitório com Rony e seus colegas. Ele queria se sentir de volta a escola, mesmo que fosse só por alguns dias.

"Pelas barbas de Merlin," Carlinhos disse de queixo caído. "Aquela é Madeline Monroe?" os olhos dele estavam fixados na mesa dos professores, especificamente em Maddie, que acabara de puxar a cadeira e sentar.

Harry e Rony trocaram um sorriso sarcástico por cima do grande leitão assado em cima da mesa.

"Por que está tão surpreso, Carlinhos?" Gina, que estava sentada junto de Harry, perguntou. "A gente te disse que ela era a nova professora de Defesa Contra Artes das Trevas."

"É, e eu te disse que era gostosa," Rony completou, ganhando um olhar de reprovação de Gina.

"Mas eu não acreditei em você," Carlinho disse, fazendo barulho ao abaixar o garfo. "Ela não parece nada com quando estava na escola."

"Como ela era?" Rony perguntou, com a boca cheia de purê de batatas.

Carlinhos continuou a olhar e Harry jogou um guardanapo nele, acertando na testa. "Na verdade ela era muito parecida com Hermione no primeiro ano," Carlinhos disse, virando pra Harry e sorrindo. "O cabelo dela era mais comprido e sempre carregava uma mochila atolada de livros."

"Como sabe que Hermione fazia isso; você se formou antes dela entrar na escola?" Gina perguntou.

"Gina," Rony disse, parando para engolir a comida, "Hermione costumava trazer a mochila de livros para Toca quando ia visitar. Não se lembra? Levou um tempo até que eu e Harry conseguíssemos convence-la que ela não precisava carregar aquilo pra todo canto."

"Ah," Gina respondeu, olhando para seu prato, que estava quase tão cheio quanto no início do jantar.

"Sem fome, Gin?" Harry perguntou, olhando sério para o prato dela. Gina balançou a cabeça. Harry notou o tom mais escuro sob os olhos dela. Talvez ela estivesse nervosa com a noite de amanhã.

"Eu já te agradeci?" Harry perguntou. Mas antes que ela pudesse responder, Carlinhos pulou de sua cadeira como se tivesse sido atingido por um raio.

"Eu vou falar com ela," ele disse. Limpou a boca no guardanapo e foi até a mesa principal. Para o horror de Rony e Gina, ele parou em frente ao lugar de Maddie e estendeu a mão, se apresentando.

"Eu não quero ver aonde isso vai dar," Rony murmurou para Harry. Parecia que todo Salão Principal parara para olhar.

O que aconteceu a seguir foi muito inesperado.

Segui-se um estrondo, o barulho de alguma coisa caindo. Maddie levantou da cadeira, agitada. "Desculpe," falou. Ela tirou a varinha e disse um feitiço, mas ao invés de limpar a bagunça, apenas a deixou pior. Carlinhos começou a rir, mas quando ela olhou para ele com raiva, a alegria dele virou desculpas. Ela se apressou como se fosse sair da mesa principal, mas Carlinhos a seguiu. Quando ela ia virando no canto, tropeçou na toalha de mesa e ele a pegou em seus braços.

Harry virou para Rony e Gina, que pareciam pasmados. Maddie nunca agira tão desastrada e estava assim na presença de Carlinhos. "Acho que ela realmente gosta de seu irmão," Harry lhes disse. "Ela comentara algo antes, mas achei que estava brincando."

Eles viraram para Carlinhos e Maddie novamente. Os braços dele ainda a seguravam e os dois se olhavam como se hipnotizados. Rony virou para Harry. "Nossa, acho que você está certo."

******

"É agora ou nunca," Megan disse pra si mesma enquanto se aproximava. Rony estava levantando do jantar, balançando a cabeça e rindo. Ele deu um murrinho no ombro de seu irmão. Harry comentou alguma coisa que Megan não ouviu e Rony e Carlinhos começaram a rir mais. Antes que pudesse perceber, estava logo atrás dele, cutucando seu ombro.

"Rony," ela disse enquanto ele virava. "Posso falar com você?"

A surpresa de Rony de vê-la ficou evidente. Os olhos dele pareciam que iam sair das órbitas e a boca estava um pouco aberta.

"Claro, Meg," ele disse, tocando o ombro dela num gesto familiar. "Vejo vocês mais tarde," ele disse pra Harry e Carlinhos, que já estavam indo embora. Megan viu o olhar preocupado de Harry quando ele virou e acenou para Rony.

"O que houve?" Rony perguntou, mexendo com seus livros.

"Queria falar com você sobre os Tupperwicks," Megan respondeu.

"Ah, isso," Rony disse, olhando a sua volta para o Salão Principal. "Achei que tivesse dito..." ele começou, o olhar cheio de mágoa.

"Sim, você disse que não os pegou, mas eu não lhe contei a história completa," Megan disse.

Ele olhou para ela e coçou a cabeça. "Talvez seja melhor irmos pra um lugar mais particular." Ela concordou.

Quando ele segurou a mão dela, foi como se uma corrente elétrica tivesse passado por ela. Era tão bom toca-lo de novo, mesmo que fosse só a mão. Como ela sentia falta do seu toque. Quase como se ele tivesse lido sua mente, olhou para a mão dela e sorriu.

"Senti falta disso," ele disse, mostrando as mãos dadas deles.

"Eu também," ela conseguiu dizer, engolindo com dificuldades, como se um sapo de chocolate gigante estivesse preso em sua garganta.

Quando eles chegaram numa pequena alcova fora do Salão Principal, ela soltou a mão dele. O que ela ia dizer a ele talvez o deixasse com mais raiva do que nunca. Mas ela precisava lhe contar a verdade pra ter esperanças de uma reconciliação.

"Eu voltei ao quarto," ela disse direta.

"Você o que?" ele gritou, alto o bastante pra que ela ficasse com medo de serem encontrados.

"Shhhhh," ela disse, olhando furtivamente ao redor. "Eu disse..."

"Eu sei o que disse," Rony interrompeu, o rosto vermelho de raiva. "Não acredito que fez isso! Depois de jurar que não via nada." Ele xingou.

"Me desculpe," ela respondeu, a culpa que a atormentava reaparecendo.

"por que fez isso?" ele perguntou. "Por que voltou lá?"

"Por favor não me pergunte isso," ela falou angustiada.

Uma longa pausa se seguiu durante a qual Rony e Megan trocaram olhares hesitantes. De repente, Rony levantou as sobrancelhas.

"Espere aí," ele disse alto. "Foi por isso que achou que eu roubei os Tupperwicks? Você achou os tupperwicks no quarto quando voltou lá?"

Megan afirmou com a cabeça veementemente.

"Meg, por que não disse logo? Eles ainda estão lá?" ele perguntou urgente.

"Não sei, não voltei mais lá," ela respondeu, respirando fundo e começando a se sentir uma idiota por achar que Rony tinha colocado os tupperwicks no quarto. Pela reação dele, estava claro que era inocente.

Rony olhou ao redor, "Precisamos ir olhar se ainda estão lá," ele disse, segurando o braço dela. "Como eles podem ter parado lá se eu sou o único que sabe do quarto?"

"Você é o único?" Megan perguntou.

"Você e meus irmãos são os únicos a saber onde é," Rony disse. Ele então a segurou pelos ombros com urgência. "Ah, Meg, precisa prometer que não vai contar a Carlinhos. Ele me mataria se soubesse que você descobriu onde é. Prometa que não vai contar a ele. Por favor." Ele implorou.

"Prometo," Megan disse. Rony soltou os ombros dela e suspirou aliviado. Dando seu sorriso mais charmoso, ele se inclinou e a beijou na bochecha, deixando uma marca nova e quente – mas indolor.

"Vamos lá mais tarde," ele disse sorrindo para ela. "Me encontre no pé da escada da Torre de Astronomia meia noite."

"Certo," ela respondeu.

"É melhor eu ir," ele disse, olhando perigosamente para os lábios dela. "Quer dizer, tenho que ajudar Carlinhos a achar um lugar." Ela sorriu com a familiar maneira desajeitada.

"Te vejo meia noite," ela disse enquanto saíam da alcova. "Tchau." Cada um foi para seu lado.

Megan olhou para trás, e o pegou olhando para ela. Ela se sentia mais leve que o ar quando ele sorriu e ela sorriu de volta, imaginando onde Hermione estaria a essa hora. Ela precisava agradecer.

*******

Ela estava tão nervosa e ansiosa que achava que podia passar mal. Cada pensamento racional lhe dizia que era cedo demais. Mas cada sentimento que tinha lhe dizia o justamente o contrário. Agora ela o seguia por uma escada estreita e cumprida.

Nos últimos dias, Gina descobriu um mundo maravilhoso. Nesse mundo, havia sorrisos, caricias gentis e declarações de desejo em sussurros. Havia longas maratonas de conversas, com temas que variavam desde a cor do céu até a credibilidade do destino. Histórias da infância eram compartilhadas e analisadas, geralmente junto com brincadeiras e provocações; provocações que inevitavelmente levavam a lutas corporais, que inevitavelmente levavam a beijos quentes. Era irresistível. Ele era irresistível. Como qualquer outro aventureiro que descobria um novo mundo, Gina se perguntava se era a primeira a experimentar tal alegria. Esse prazer e deleite que com certeza não faziam parte do cotidiano.

Eles pararam na frente de uma alta porta de madeira com o escudo da Sonserina. Draco tocou a porta com sua varinha e murmurou um feitiço desconhecido. Ele parou, a mão na maçaneta.

"Tem certeza disso?" ele perguntou, seus olhos encontrando os dela. Ela engoliu a seco.

"Estou nervosa, mas vou ficar bem," ela respondeu, fazendo-o sorrir.

Quando eles entraram no quarto dele, estava completamente escuro. Ele virou e a segurou pela cintura, plantando um beijo longo, intoxicante, em seus lábios. Ela sentia-se em brasas.

"Que rude de minha parte," ele sussurrou quando se separaram. "Ainda não lhe dei um tour" esse comentário, que pareceu estranhamente formal, após a intimidade do beijo fez com que ela risse.

"iIncêndio/i," ele disse e o fogo acendeu na lareira em frente a cama dele.

Os olhos de Gina varreram o quarto, notando que os móveis eram parecidos com os de Hermione, só que a predominância de cores era verde e prata ao invés de vermelho e dourado. O quarto era grande, com uma cama com dossel, uma mesa e cadeira, duas escrivaninhas um guarda-roupa e duas janelas acima da lareira estilo gótico.

"Faz frio durante a noite aqui, então venho tentando vários feitiços para aquecer pra se ajudam," Draco comentou, abrindo suas vestes da escola.

"Então isso explica porque ficou com tantas bruxas," Gina murmurou, sabendo que ele a ouviria. "Pra ajudar a ficar quente?"

"Cuidado, Gina. Você pode magoar meus sentimentos," ele respondeu, tirando as vestes por cima da cabeça.

"Sentimentos? Você?" ela disse sutil.

Ele foi até o guarda-roupa e o abriu. O queixo dela caiu. Sem dúvidas, era o guarda-roupa mais arrumado que já vira. Tudo estava organizado por cor e por tamanho. Gina se perguntou como ele conseguia que todas suas gravatas ficassem perfeitamente penduradas, equilibradas com todas outras.

"Acho que já falamos sobre isso," ele disse, guardando as vestes. "Você é diferente das outras. Além disso, só trouxe poucas pra meu quarto e elas raramente ficavam." Ele fechou o guarda-roupa e voltou pra ela, passando a mão por seus cabelos. Ela fechou os olhos, saboreando a sensação.

"E por que sou diferente?" ela perguntou.

"Deixe-me pensar," Draco respondeu. Ele deitou na cama , olhando para ela enquanto deitava de lado, a cabeça dele apoiada no braço.

"Você é a primeira ruiva que já namorei," ele disse. "E eu nunca tive uma bruxa que conseguisse me acompanhar quando corria. Já tem duas diferenças."

"Sei," Gina respondeu, sorrindo. "Então é por isso que gosta tanto de mim?"

"Não deixe que isso suba pra cabeça," ele disse, olhando para ela desejoso. "Por que não vem até aqui e deixa que eu te ajude a tirar essas vestes?"

Com o coração batendo forte no peito, Gina sentou na borda da cama. Ele saiu da cama e se ajoelhou na frente dela. Ele sorriu, sua pele clara refletindo o calor da lareira. Com mãos habilidosas, ele rapidamente a libertou de das vestes da escola. Ela levantou para que ele pudesse tira-las de debaixo dela e ele as jogou no guarda-roupa. Com um rápido feitiço e um giro na varinha, a porta do guarda-roupa abriu e as vestes delas ficaram penduradas arrumadas junto com as dele.

"Isso foi..." Gina começou a comentar, mas foi interrompida por um beijo firme.

Os beijos dele tinham uma urgência, muito mais urgência do os que eles trocaram nos últimos dias. Mas isso não a incomodava. Deixavam-na ansiosa por mais. Ela estava tonta, talvez por falta de oxigênio, então se sentou. Ao invés de sentar do lado dela, como ela esperava, ele a empurrou gentilmente até que ela se deitou na cama. Sem tirar a boca da dela, ele se colocou sobre ela. Ela suspirou involuntariamente quando sentiu o peso dele sobre si.

Eles já tinham feito muito mais que isso no curto período que estavam juntos, mas estar na cama deixava as coisas muito mais intensas. Quando ele beijou um ponto sensível no pescoço dela, ela achou que enlouqueceria de prazer e expectativa. O cabelo macio dele fazia cócegas em sua orelha enquanto ele a beijava e ela passou a mão por ele, admirando como ele respondia a seu toque.

Peça por peça, ele sistematicamente a livrou das roupas. Ele parecia controlado por um desejo de tocar, beijar e provar cada centímetro da pele dela. Ela retribuía, apesar de um pouco mais timidamente. Uma coisa que o deixava ainda mais bonitos pelos olhos dela era que sua inexperiência não parecia incomodá-lo. Pelo contrário, ele parecia achar isso excitante.

Momentos depois, os dois ofegantes e cobertos de suor, ele parou e segurou o rosto dela entre suas mãos. Um pedaço de madeira na lareira estalou e depois se quebrou.

"Eu prometi a mim mesmo que você não seria como as outras Gina. E não é," ele sussurrou.

"Não sou?" ela perguntou, muito distraída pelo fato dele estar deitado nu sobre ela.

Ele balançou a cabeça. "Acho que te amo. E não foi porque nossos aniversários se cruzam ou porque você tem cabelo vermelho ou porque é boa corredora. É por você."

Gina sentiu seus olhos enchendo-se de lágrimas. "Eu também tem amo," ela sussurrou. Uma lágrima rolou pela bochecha dela e ele a beijou.

"Então espero que entenda quando digo que não acho que seja uma boa idéia que façamos amor hoje," ele sussurrou, saindo um pouco de cima dela.

"Hã?" Gina olhou para ele confusa.

Draco expirou audível. "Nós ficamos meio fora de controle esses dias. Não acha?"

"Um pouco," ela murmurou, levantando o braço e passando o delo pela testa dele. "Mas estava pronta pra fazer amor com você."

"Mas grande parte disso pode ser atribuído a meu charme irresistível?" ele murmurou no pescoço dela, deslizando languidamente a mão do quadril dela, pelo lado do corpo para acariciar seu seio.

"Hã..." foi tudo o que conseguiu dizer. Ela puxou o rosto dele pra o dela, dando-lhe um beijo longo, profundo. Ele retribuiu ao beijo, mas depois se afastou e sentou.

"Estamos vivendo num mundo de sonhos, Gina, se acharmos que isso pode dar certo," ele disso, olhando para semi-escuridão a sua frente.

"O que há de mal em sonhar?" Gina perguntou, sentando e abraçando-o. Ela o beijou gentilmente no pescoço.

"Não é a realidade. Não posso viver assim, e você não deveria também," ele disse. "Vão acontecer coisas que vão mudar o mundo bruxo que conhecemos. Você e eu estaremos em lados diferentes nesse novo mundo. Eu tenho minha família e aliados e você tem os seus."

"Do que está falando, Draco?"

"Não posso lhe contar tudo, mas acredite em mim quando digo que vai ser pro melhor," ele respondeu. Como ela ainda continuou confusa, ele continuou, "Você já perdeu alguém que amava? Alguém que não queria que morresse?"

Ela ficou ainda mais confusa, mas respondeu, "Sim, todos já perderam. Não é? Quando tinha sete anos, minha avó faleceu, mas já estava doente há muito tempo."

"Quando tudo isso terminar, a morte não será mais comum. Se alguém não está pronto para morrer, não precisarão faze-lo a não quando estiverem muito, muito velhos," ele disse, os olhos arregalados de animação.

"Mas Draco, a morte é parte do ciclo natural da vida. Você é inteligente o suficiente pra saber disso." Ela puxou as cobertas da cama e colocou ao redor deles.

"Bruxos costumavam viver muito mais antes do nosso sangue ser diluído pelo sangue Trouxa," ele falou. "Não é natural como nossas vidas ficaram mais curtas. Todas as doenças que sofremos porque nosso sangue foi manchado por trouxas. Nada disso será problema depois que..." A voz dele parou e ele curvou a cabeça.

"Depois que o que?" gina implorou.

"Não posso te dizer," ele murmurou. "Não devia ter dito tudo isso que disse."

Por um minuto, Gina temeu que ele pegasse a varinha e usasse um Obliviate nela, tirando todas memórias dessa conversa. Mas ele não fez nenhuma menção de pegar a varinha. Ele ficou sentado olhando para frente.

"Você realmente acredita nisso, não é?" ela perguntou.

Ele afirmou com a cabeça e olhou para ela. "Ainda quer ficar comigo?"

"Você não planeja machucar nenhum trouxa, não é?" ela perguntou, seus olhos enchendo de lágrimas. "Porque se planejar, não poderia ficar com você." Ela balançou a cabeça e secou as lágrimas.

"Não, não vamos machucar ninguém," ele disse, tocando-a de leve. "Mas depois que acontecer, provavelmente haverá uma guerra. Sua família e a minha estarão em lados opostos."

"Eles estão em lados opostos agora, não é?" Gina disse. "Mas isso não nos impediu de nos..." ela não teve ousadia de terminar a frase.

Mas aparentemente Draco estava muito mais ousado que ela. "Diga," falou. "Continue. Diga. Estamos apaixonados. Nós nos amamos." Ele parou e virou para ela, sua expressão mais gentil do que ela já vira. Sua voz suavizou quando repetiu. "Nós nos amamos."

"Sim," Gina murmurou, concordando com a cabeça. Apesar de só terem passado alguns dias, ela sabia que era verdade.

Como Romeu e Julieta, os dois jovens amantes prometeram não deixar a realidade do mundo destruir o que descobriram. Então, com muitos gemidos de prazer, e alguns ofegos de dor, Gina se entregou para ele de corpo e alma.

E ele lhe prometeu que nunca amaria mais ninguém como a amava.

******

"Eles estavam aqui. Eu juro, Rony. Estavam bem aqui," Megan disse.

Eles estavam no quarto secreto. Megan estava de pé no lugar onde tinha visto os Tupperwicks. Rony olhava por cima do ombro dela e apertava os olhos, como se isso fosse ajuda-lo a ver as plantas não existentes.

"Eles não estão aqui agora, não é?" ele disse, recuando quando ela virou. O rosto dela lutava para manter a compostura.

"Me sinto uma idiota. Mas você acredita em mim, não é?" ela perguntou.

"Claro que acredito em você. Ouça, por que você nos faria procurar nesse quarto por meia hora se não achasse que eles estavam aqui? Você não é tão boa atriz."

"Ainda bem," ela disse, abraçando-o apertado. Ele sorriu a abraçou, mas não pode evitar um sentimento de tristeza.

O que estava acontecendo com os tupperwicks era desconcertante. Ele queria conversar com Harry sobre isso, mas não queria quebrar a promessa que fizera a seus irmãos. Ele tinha que pensar bastante. Antes que pudesse ter qualquer pensamento, sentiu os lábios de Megan nos seus.

Surpreso, mas contente, ele respondeu ao beijo. Era tão bom estar abraçando e beijando-a novamente.

"Esse foi o jeito de eu dizer desculpa," Megan sussurrou, quando se afastaram.

"Você tem que dizer desculpas mais vezes," Rony respondeu. Quando ele não riu, ele rapidamente completou. "Quer dizer, eu gosto do jeito que pediu desculpa."

Eles compartilharam uma risada há muito tempo necessária e decidiram sair do quarto. Enquanto admiravam as estrelas na Torre de Astronomia, Rony aproveitou a oportunidade para convida-la para ser seu par no torneio de xadrez.

"O prazer vai ser meu," Megan disse, sorrindo. Rony deu um beijo na bochecha e os dois voltaram a olhar as estrelas.

Estava uma noite fria, mas clara e bonita. Era o tipo da noite que a maioria gosta de passar nos braços da pessoa que ama.

*******

Desde o quarto ano, Harry odiava lidar com a imprensa. Esta noite, ele entraria numa sala onde seria atacado por todos os lados por repórteres fazendo perguntas e tirando fotos. Enquanto a noite se aproximava, ele ia ficando cada vez mais nervoso pela ansiedade do antes do ataque. A sensação que tinha no estômago era bastante similar ao que sentira antes da primeira tarefa no torneio tribruxo. O que Harry não daria para ter outro round com o dragão ao invés de ter que aparecer essa noite!

O par dele, quem ele tinha convidado – não, implorado – pra acompanha-lo, segurava sua mão com firmeza e lhe dando a segurança que ia dar tudo certo. Os dois esperavam na fila do lado de fora do Salão Principal e seriam os próximos a entrar. A fila estava cheia de bruxas e bruxas em trajes formais, usando suas melhores vestes, conversando entre si e olhando na direção dele ocasionalmente. Olhando em volta, ele não viu nenhum membro da Ordem, mas havia alguns bruxos e bruxas estranhamente familiares. Talvez fossem pais de alguns de seus colegas.

Se Harry não estivesse tão nervoso, apreciaria os sons harmoniosos da musica orquestrada que flutuava pelas portas abertas. Do jeito que estava, foi distraído por um bruxo barulhento que recepcionava os convidados na porta quando entravam e anunciava seus nomes para os outros convidados.

Ele deu um passo a frente e o bruxo esticou a mão. "Não preciso perguntar seu nome, Sr. Potter," ele sussurrou e apertou sua mão. "Pode me dizer o nome de sua acompanhante?"

"Srta. Virginia Weasley," Harry respondeu, apertando a mão de Gina e falando "Obrigado."

O recepcionista limpou a garganta. "iBruxas e bruxos, apresento Sr. Harry Potter e sua convidada, Srta. Virginia Weasley."/i

Harry e Gina entraram juntos no Salão Principal, sob luzes de flashes e – surpreendente – aplausos. Olhando pra Gina, Harry admirou como ela estava lidando bem o ataque dos repórteres e fotógrafos que se juntaram ao redor deles como leões se aproximam de uma presa. Ele tentou colocar uma face corajosa, mas era difícil manter qualquer expressão que não fosse uma careta, a cada flash disparado em sua direção que o fazia ver grandes manchas flutuando. Havia também as perguntas, que eram bem irritantes. Disseram para ele ignora-las, mas ele não era muito bom em ignorar as coisas.

"Como se sente por finalmente poder representar a família Potter, Harry?"

"Você espera ver Você-sabe-quem hoje?"

"Quem você acha que vai ganhar o torneio?"

"Ela é sua nova namorada?"

Como todas as perguntas foram feitas de uma vez só, foi difícil pra Harry responde-las imediatamente. Ele preferiu esclarecer algumas coisas grupo, então decidiu não seguir o plano original. Ele limpou a garganta e olhou a sua volta, bastante inseguro. Para sua grande surpresa, os repórteres se calaram. Pelo canto do olho, ele teve impressão Del ver Chang e Fletcher entre eles.

"Estou aqui para ver meu melhor amigo, Ronald Weasley, participar desse torneio. Meu par dessa noite é irmã dele e minha amiga, Gina Weasley. Espero e acredito que Rony vai ganhar o torneio. Já vamos agora, para que não percamos o inicio da partida."

Quando Harry terminou, colocou o braço sobre o ombro de Gina e guiou pelo grupo de repórteres que tiravam mais fotos e faziam mais perguntas.

Depois que se libertou dos repórteres, Harry percebeu o Salão Principal totalmente transfigurado. Lembrava um clube de Senhores antigo e formal. Através da maior parte do chão, estava um tapete rico, vermelho profundo e cintilava quando as pessoas passavam por eles. As mesas longas onde se realizariam as partidas eram feitas de madeira escura, sólida e suas pernas eram grossas como as de Hagrid. Esculpidas nelas, havia estatuas de dragões, que combinavam com os dragões bordados nas costas das cadeiras cobertas de couro, que acompanhavam as mesas. Pendões com o brasão de do Clube Mágico de Campo e Castelo estavam pendurados nas vigas e pareciam encantados para balançar, mesmo sem vento. Na periferia do Salão, havia sofás e cadeiras de couro ao redor de pequenas mesas, algumas com garrafas cheias do que parecia ser Vinho do Porto Bruxo. Na parede do outro lado, onde a mesa dos professores geralmente ficava, estava a orquestra. Todos estavam com vestes de seda pretas e seus instrumentos – Harry só reconheceu alguns – estavam muito bem polidos e brilhavam sob a luz das centenas de velas que flutuavam sobre suas cabeças.

Como as partidas do torneio ainda não tinham começado, os convidados participavam de uma das duas atividades. Alguns casais dançavam na área em frente à orquestra. A maioria dos convidados conversava, com seus drinks na mão e sorrisos firmes nos lábios. Harry não estava a muito tempo ali, mas já se sentia desconfortável. Talvez ele ficasse perto dos jogadores, observando em silêncio e fingindo estar prestando muita atenção pra conversar com alguém.

Harry virou pra Gina, que olhava para o Salão, impressionada. Ela estava a visão de beleza nessa noite. Sua mãe lhe fez vestes de gala decotada que parecia costurada com finas linhas de prata. Suas mechas ruivas, que geralmente ficavam soltas sobre os ombros, estavam empilhadas em sua cabeça, algumas ficando solta e emoldurando seu rosto oval. Ela usava luvas brancas e o colar e brincos de cristal de sua mãe. Ela lembrava a Harry uma cantora da voz bela que vira uma vez na televisão.

"Vamos ver em que mesa Rony vai jogar," Harry sugeriu a Gina. Ela parou, e ele seguiu a direção do olhar dela. Era Malfoy, e ele olhava pra ela como se pretendesse memorizar cada curva de seu corpo. Quando viu Harry olhando, rapidamente mudou sua expressão pra uma de extremo desgosto.

"Se ele continuar olhando pra você assim, vou ter uma conversinha com ele," Harry enquanto guiava Gina para uma das mesas.

"Não vai ser necessário," Gina respondeu um pouco estridente. "Eu mesma vou falar com ele."

******

Como as partidas só iam começar depois de uma hora, Sirius tinha tempo para alguns drinques antes de se acomodar em seu posto junto da orquestra. Ela não teve a chance de falar com Harry desde que chegara e Harry parecia muito concentrado em sua conversa com Rony que estava bastante nervoso.

Ele foi até uma bela morena com vestes azul escura que estava num grupo de jovens bruxas. De costas, ele quase não a reconheceu. Ela estava mais alta do que ele lembrava e mais magra. Alem disso, ele nunca vira o cabelo dela daquele jeito. Quando ele parou junto dele e chamou sua atenção, ela sorriu, seus grandes olhos castanhos brilhando instantaneamente. Era de se esperar que se afilhado se apaixonasse por ela. Ela não só era inteligente, como também era inquestionavelmente linda.

"Sirius!" ela disse, dando um passo a frente e ficando na ponta dos pés para beija-lo na bochecha. "Como está?"

"Vou ficar melhor quando tiver a chance de falar com você," ele respondeu, se arrependendo na mesma hora de ter sido tão direto. A expressão dela mudou como se ela esperasse uma bronca.

"Não fique tão preocupada," ele disse, oferecendo o braço e levando-a para o lugar dele junto da orquestra. "É sobre seu assunto favorito."

"Transfiguração?" Hermione perguntou, olhando confusa para ele.

"Não. É sobre Harry," ele respondeu, quando chegaram ao lugar dele. Ela tirou o braço dela do dele.

"Claro," ela disse, conseguindo dar um pequeno sorriso. Ele olhou por cima do ombro dela e viu Harry olhando. Ele tinha que fazer isso rápido.

"Olhe, ele não disse o que aconteceu, mas espero que saiba que ele está quase morrendo por não estar com você. Estou preocupado com ele, Hermione."

Hermione respirou angustiada. "Também estou preocupada com ele. Mas acredite em mim. Vai ficar tudo bem. Só preciso de um tempo."

"Certo," Sirius respondeu. "Desculpe se me intrometi demais." Ele de repente perdeu a concentração, congelando por dentro, como se tivesse sido atingido por um feitiço resfriante. Sons de gritos distantes ressoaram no fundo de sua mente.

"Está tudo bem," Hermione respondeu, sua voz muito distante. Ela inclinou a cabeça para um lado, sue expressão de repente cheia de preocupação. "Você está bem, Sirius."

"Apenas com frio," ele respondeu, suas pálpebras pesando. Então ele viu Maddie entrar no salão. Hermione também deve ter visto Maddie, porque estreitou os olhos e deu um passo pra mais perto dele.

"Harry me disse que você conhecia a Professora Monroe antes dela vir ensinar em Hogwarts. É verdade?" ela perguntou.

"Infelizmente sim," Sirius respondeu, direto. Ele precisava de outro drink. Agora seria a hora perfeita pra contar a Hermione tudo sobre Maddie, mas ele preferia que não tivesse tanta gente por perto. Talvez ir pra o torneio não tivesse sido uma idéia tão boa. Era provável que visse muita gente que não via há muito tempo e ele não podia se dar a luxuria de se distrair por muito tempo enquanto estava de serviço.

"Ela quer ser minha tutora e me ajudar a me tornar Auror," Hermione disse. "Não tenho certeza do que fazer."

"Vou te dizer o mesmo que disse a Harry," Sirius falou sério. "Fique longe dela. Bem longe." Ele tremeu e pegou sua varinha.i "Accio fiewhisk/i." Um copo de cristal voou em sua direção e pousou gentilmente em sua mão. Ele tomou um gole.

"Por que diz isso?" Hermione perguntou, mordendo o labio.

Siriu tremeu. Aquela sensação voltou. Ele se sentia como se não dormisse há dias. Talvez por isso ele disse a Hermione mais do que dissera a qualquer um há muito tempo.

"Vamos dizer que ela me enganou num assunto muito pessoal. Ela fingiu ser alguém que não era e depois usou informações pessoais sensíveis que descobriu pra me manipular e tentar me capturar quando escapei de Azkaban. Nunca a perdoarei por isso. Nunca."

Hermione cobriu a boca com as mãos e depois olhou nos olhos de Sirius, claramente chateada. "Desculpe, Sirius. Agora sou eu a culpada de me intrometer. Desculpe."

Ele balançou a cabeça. "não se preocupe. Fico feliz que saiba. Mas vamos manter entre nós. Há coisas que fiz muito tempo atrás que não devem ser trazidas pra esse mundo." O olhar dele passeou pelo salão e pousou numa bruxa que acabara de entrar. Ele quase derrubou o copo. Era ela. Como era estranho ele estar falando nela na hora em que entrou no salão. Mas isso não deveria surpreende-lo. Quando eles estavam juntos, sempre tiveram boa sincronia. Ele maravilhou o fato dela não parecer nenhum dia mais velha do que da última vez que a vira dezessete anos atrás.

"Você conhece a mãe de Lilá?" Hermione perguntou, mencionando a mulher pra quem ele olhava.

"Pode-se dizer isso," ele respondeu, pegando outro copo.

Enquanto os dois olhavam, Lilá Brown correu para os braços da Sra Brown, dando um grande abraço e conversando animada sobre alguma coisa. A sra Brown sorriu e virou para seu par, que depois saiu e foi falar com um oficial.

"É um pena o que aconteceu com o pai dela," Hermione disse enquanto olhavam. "Lilá ficou chateada durante o quinto ano quando ele morreu."

"É, uma pena," Sirius disse educado, tomando outro gole de seu drinque. Quando ele abaixou o copo, viu Maddie vindo em sua direção.

Com um sorriso nos lábios, ela os cumprimentou. "Boa noite, Hermione," ela disse acenando com a cabeça. "Sirius." Ele acenou com a cabeça e resposta e desviou o olhar. Maddie fingiu não notar a frieza.

"Estão gostando do Torneio? Estou completamente maravilhada com como o Salão Principal ficou decorado. Não concorda, Sirius?" ela disse, dando um sorriso ainda maior.

Sirius secou o copo e deu um sorriso frio para ela. "O que você quer, Maddie?" Hermione mordeu o lábio novamente.

O sorriso que estava tão largo e brilhante de repente se transformou num olhar frio. "Preciso falar com Hermione."

"Hã... certo," Hermione disse, insegura. Maddie segurou seu braço, mas antes que pudesse leva-la, Sirius se inclinou e sussurrou no ouvido de Hermione. "Não confie nela."

*****

A noite começara razoavelmente bem. Draco não reagira tão mal quanto ela esperava, Harry estava encantador com ela durante todo tempo e Rony estava muito bem em sua partida. A única coisa ruim era os convidados esnobes. Mas ao invés de achar isso irritantes, ela achou engraçado. Ela e Harry começaram uma competição pra achar a pessoa mais metida no salão. Quem ganhasse, poderia dizer que doce queria da DedosdeMel e o perdedor teria que trazer para o vencedor quando ele ou ela quisesse. Então Gina saiu do banheiro feminino com um sorriso no rosto, ansiosa pra voltar à brincadeira no Salão Principal.

Antes que ela chegasse à porta, viu um garotinho, de mais ou menos cinco anos, sentado numa cadeira no corredor, brincando com o que parecia ser uma varinha de brinquedo. Os olhos dela estreitaram. Tantas pessoas nesse meio achavam que era seguro deixar crianças pequenas brincar com varinhas, mesmo que isso fosse perigoso. Eles se achavam acima da lei só porque eram ricos. Coitado, provavelmente iria para Sonserina como Draco.

Quando ela estava passando, ele gritou pra ela. "Ei, você é muito bonita!" ela olhou para ele e sorriu. Com seu corpo magro, cabelo loiro platinado e olhos azuis, ele parecia muito com um ajinho.

"Obrigada. Você também é bem bonito," Gina disse rindo. O garoto levantou da cadeira e segurou a mão dela. "Por favor, sente," ele disse, puxando-a.

Divertindo-se, Gina sentou. "Que tal assim?" ela disse, sorrindo.

"Ótimo!" ele disse. "Quantos anos você tem?"

"Seu pai não te ensinou a não perguntar a idade a garotas?" Gina respondeu, inclinando-se e olhando bem pra ele.

"Não, ele não ensinou," o garotinho respondeu, levantando a cabeça e olhando curioso para ela.

"E o que, exatamente, está acontecendo aqui?" perguntou uma voz muito familiar, que fez Gina virar a cabeça rapidamente.

"Draco!" O garotinho falou. Ele correu até Draco, e ficou na frente dele, a cabeça inclinada para trás pra poder olhar pra ele. "Podemos dar uma volta? Eu quero voar. A mamãe não deixa e você é meu único prima que sabe voar e não vai levar bronca."

Ao invés de responder ao garoto, Draco ficou olhando pra Gina. Ela sentiu suas bochechas corarem, mas olhou da mesma forma e depois sorriu. O lábio de Draco curvou um pouco e olhou para o garotinho. "Quem é sua amiga?" ele perguntou.

"Ah, ela," o garoto disse orgulhoso, "ela é minha nova namorada," Draco olhou pra Gina divertindo-se e ela abafou uma risada.

"Bem, devo dizer que tem um ótimo gosto pra alguém tão jovem," Draco comentou. Ele deu um pequeno empurrão nas costas do garoto, empurrando-o para Gina. Quando os dois estavam na frente ela, Draco fez as apresentações.

"Earnest, essa é Gina Weasley," Draco disse, ouvindo as risadas de Gina.

"Prazer em conhece-la," Earnest disse, com a dignidade de aproximadamente sete anos.

"Como vai?" Gina respondeu , apertando a mão dele.

"Estou bem," Earnest respondeu e depois sentou no chão na frente de Gina e olhou entre ela e Draco, ansioso. "Estou entediado," declarou. Draco limpou a garganta desaprovando.

"então não gosta de xadrez bruxo?" Gina perguntou, usando o pé pra dar um rápido chute em Draco. Olhou para ela fingindo estar chocado e depois se apoiou na parede junto a cadeira dela e piscou pra ela.

"Nem um pouco," Earnest respondeu. "Quer dizer, não quando não posso jogar. Eles não me deixam jogar."

"Algum dia vai ganhar esse torneio," Draco disse, "mas enquanto isso, aposto que seus pais estão procurando por você. Talvez seja melhor voltar pra onde estão."

"Certo," Earnest choramingou, "E minha nova namorada?"

Gina sorriu e consertou a gola dela. "Vou ficar bem. Obrigada, Earnest. Foi muito bom conhece-lo."

"Eu vou cuidar dela," Draco disse, cruzando o olhar com o de Gina. O olhar que deu a ela dizia exatamente como cuidaria dela. Ela umedeceu os lábios em antecipação.

Com o senso de hora gerado e passado por várias gerações, Lucio Malfoy entrou na hora que Earnest estava abrindo a porta. Falando com alguém fora do campo de visão, Lucio ordenou, "você deve me informar imediatamente."

"AH, Earnest," ele disse, virando pra frente ao ver o garoto. "Seus pais estão a sua procura." O olhar dele então repousou em Gina e depois foi parou em Draco. Sem tirar o olhar do filho, continuou, "Vejo que estavam certo quando achavam que você estaria fazendo algo que não é bom pra você."

"Eu tenho uma namorada, tio Lucio," Earnest disse, correndo de volta pra Gina e segurando sua mão. "Ela é de longe a garota mais bonita. Não está orgulhoso?" Gina tentou puxar a mão gentilmente, ma Earnest tinha muita força pra alguém tão pequeno.

Lucio estreitou os olhos para o sobrinho. "Claramente, você não sabe quem é, Earnest. Terei que conversar com seu pai sobre que tipo de família ele deveria te ensinar a evitar."

Seu olhar frio retornou para Draco, que se afastara da parede e agora esta a vários metros de Gina. "Seu primo falhou em seus deveres deixando você conversar com ela."

"Mas tio Lucio," Earnest, puxando as vestes do homem mais velho. "Ela é muito legal."

"Vá para seus pais, garoto," Lucio esbravejou, fazendo Earnest sair correndo pela porta.

Gina levantou e cruzou os braços. "Parece que a educação como de cedo, não é, Sr. Malfoy?"

"Não o suficiente," ele disse olhando pra Draco por cima do ombro dela. "E o que você está fazendo aqui, quando devia estar lá dentro?"

"Procurando meu primo," Draco respondeu rapidamente.

"Apenas se certifique que ele não chegue perto... disso," ele disse, indicando Gina.

Muito chateada pra ficar mais, Gina marchou pelo pai de Draco e voltou para o Salão Principal. Essa divisão entre eles era tão forte, quase uma lei. Teria sido a noite anterior tinha sido o maior erro de sua vida?

******

O olhar de Harry varreu o salão à procura de Gina. Rony estava próximo de ganhar sua partida e ele sabia que ela não queria perder isso. Todos os membros da Ordem estavam em seus postos, alguns dele fazendo algum sinal quando o viram.

Sirius era o único que não parecia notar o que ocorria a sua volta. Seus olhos estavam fixados na bruxa que falava com Lilá Brown. Harry supôs que era mãe dela. Os traços eram muito parecidos, quase como se Lilá fosse uma versão mais nova da bruxa mais velha, só que com cabelo castanho escuro.

A sra. Brown tinha um rosto em formato de coração, emoldurado pelos cabelos loiros de comprimento médio. Seus olhos pareciam feitos de cristal – como os de Lilá – eles eram puro azul do céu. Ela era um pouco mais alta que a maioria das bruxas, mas se portava com graça, o que combinava com seu corpo magro. Sua boca, composta por lábios muito parecidos com os que lembrava ter beijado no outro dia, estava sem expressão, quase como se ela tivesse esquecido como sorrir.

Surpreso, Harry viu Hermione olhando para ele, seus olhos procurando os dele enquanto se aproximava. Ele torcia que ela não o tivesse visto observando Lilá e sua mãe.

"Harry," Hermione sussurrou. "Como Rony está indo?"

"Muito bem," Harry respondeu. Os dois olhavam o tabuleiro agora. "Como você está?"

"Já estive melhor," sussurrou, dando um sorriso meio torto, que fez o coração dele pular. "Precisamos conversar," ela completou.

"Claro," ele sussurrou, depois a segurou pela instintivamente e a levou para longe de mesa.

"Estou preocupada com Gina," ela disse enquanto eles andavam. "E não quero desconcentrar Rony da partida, preocupando-o com isso."

"Vamos sentar aqui," Harry apontou para duas cadeiras num canto do Salão Principal.

"Não, não podemos conversar por muito tempo. Só tem duas coisas que preciso dizer. A primeira é que quero que fique de olho em Gina," Hermione disse apressada.

"O que foi?" Harry perguntou, franzindo a testa preocupado. Seus olhos começaram a procurar por Gina novamente.

"Acho que ela está namorando Malfoy," Hermione disse, hesitante.

"O que?" Harry disse.

"Não posso dizer como descobri isso, mas não tinha certeza até ver como agiram hoje. É bastante obvio."

"Hermione, pense no que esta dizendo. Como eles podem estar namorando quando você acha que ele gosta de você?" Harry perguntou.

"Essa é a outra coisa que quero falar," Hermione sussurrou rapidamente. "Maddie e eu conversamos mais cedo essa noite e ela disse..."

"Não me importo com que ela disse," Harry disse se opondo.

"Harry!" Hermione disse, "por favor escute. É importante!"

"Certo," ele disse, "mas por favor me perdoe se trata-la como suspeita. Tenho certeza que concorda com minhas razoes."

"Você vai ouvir ou não?" ela retrucou.

"Desculpe. Por favor, continue."

"Maddie disse que acha que Draco está aprontando alguma. Ela não disse o que é, mas disse que não devo me preocupar com coisas que talvez não tenham acontecido," Hermione disse.

"Como ela sabe de você e Draco?" Harry perguntou, sua voz engasgada na garganta. Toda vez que pensava em Hermione e Draco, ficava com vontade de esmurrar alguma coisa.

"Eu certamente não contei, mas aconteceu uma coisa estranha semana passada quando ela me viu na biblioteca," Hermione disse. Ela então contou como Maddie perguntara quem foi a ultima pessoa que tinha beijado e quando Hermione não disse quem era, pediu desculpas e saiu feito um raio da biblioteca, falando coisas sem sentido.

"Então deve ser um feitiço," ele disse, suspirando. "Você estava certa, Hermione. Graças a Merlin. Você não sabe como isso me deixa aliviado."

"Eu também," ela concordou. "mas escute, tem mais. Ela acha que Draco está tentando nos separar. Até que ela descubra o que está acontecendo, quer que eu fique longe de você. Ela disse que posso estar em perigo. Alem disso, vai ser mais fácil pegá-lo se não souber que seu plano foi descoberto."

Harry pensou em tudo que Hermione dissera antes de responder. Sua cabeça estava girando. Havia partes da historia que pareciam não se encaixar.

"Acho que isso se encaixa com sua teoria que malfoy e Gina estão juntos," Harry disse. "Mas não entendo porque Maddie simplesmente não chama e pergunta o que está fazendo, especialmente se isso vai ajudar a anular o feitiço que Malfoy colocou em você."

"Ela sugeriu que Malfoy talvez esteja tentando fazer uma armadilha pra você pros Comensais da Morte te usarem em algum ritual bizarro. Isso me assustou, Harry. Não consegui esquecer o que aconteceu no nosso quarto e como Voldemort usou seu sangue pra recuperar o corpo. E se ele planeja trazer outra coisa de volta? E se ele quer te matar de uma vez por todas?"

Harry segurou Hermione pelos ombros, tentando acalma-la. "Não se preocupe comigo, estou bem. Se não notou ainda, quase todos os membros da Ordem estão se certificando que nada dê errado. Se Malfoy quer me pegar, vai demorar muito pra conseguir."

"Estou mais preocupada com quando o torneio terminar. Harry, e se ele quer machucar você? Não conseguiria viver. Gostaria de poder avisar a Gina."

"Ele nunca poderia me machucar," ele a assegurou. "E eu vou conversar com Gina." Sem pensar, ele se inclinou e beijou a testa dela. Ela o empurrou.

"Harry!" ela disse. "Não. Eles podem estar olhando."

"Quem? Não vejo Malfoy em lugar nenhum."

"Não é só Draco. São todos os Comensais da Morte nesse grande plano, seja lá qual for. Não acha que todos eles sabem o que está acontecendo?" ela disse, olhando para os convidados, por cima do ombro de Harry. Harry olhou para trás e viu dois bruxos olhando interessados para eles. Ela estava certa.

"Bem é o seguinte, Hermione," ele disse, falando alto. "Não posso perdoar i que me fez. Nós nunca vamos voltar, entendeu? Nunca!" ele piscou pra ela e a cutucou, encorajando.

Hermione ficou surpresa por um momento, mas rapidamente se recompões e deu um tapa no rosto dele. "Tome isso, Potter," ela disse, entre os dentes cerrados. "Não acredito que um dia pensei que te amava." Infelizmente, um repórter do Profeta Diário viu a encenação deles. Harry ficou temporariamente cego por um flash que disparou. Hermione saiu, deixando Harry com a mão sobre a bochecha vermelha e saindo constrangido do local enquanto mais ou menos uma dúzia de bruxos e bruxas, inclusive Malfoy, fingiam não olhar.

Momentos depois, enquanto voltava para o lado de Carlinhos, que consultava Rony sobre uma jogada, harry não conseguia tirar os olhos de Hermione. Os olhares que ela lhe dava, davam vontade de leva-la para um canto remoto do castelo e beija-la até que os dois ficassem sem ar.

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"Cheque-mate," Rony declarou e a platéia a seu redor aplaudiu educadamente.

Rony esticou a mão por cima da mesa e apertou a do seu adversário, um bruxo de meia idade que se chamava Thomas Westford. "Parabéns," o homem disse.

"Obrigado," Rony respondeu. "Foi uma boa partida."

Carlinhos o balançou pelo ombro e ele levantou, sorrindo. Megan, que aplaudia entusiasmada com Gina e Harry, deu um passo a frente e ele lhe deu um beijo na bochecha. Gina correu até ele, dando um grande abraço. Quando ela o soltou, ele se viu de frente para Hermione, que parecia ter chorado. Mas ela tinha um sorriso nos lábios.

"Está tudo bem?" ele perguntou.

"Oh, Rony! Estou tão feliz por você! Você ganhou! Conseguiu!" Ela se apressou pra frente e num segundo o abraçava com tanta força que ele mal podia respirar. Rony olhou para Harry, mas ele tinha saído dali com Gina.

"Significa muito pra mim você estar aqui," Rony disse pra ela. "Senti sua falta, Hermione."

"Também senti a sua," Hermione disse, abaixando a voz. "Fale com Harry, ele sabe o que está acontecendo."

Rony concordou.

"É melhor eu ir agora," ela disse, saindo tão rápido quanto chegou.

"Eu já te disse o quanto gosto dela?" Megan perguntou, tomando a mao dele na sua.

Ele apertou a mão dela, ma continuou a olhar Hermione, a preocupação evidente em seu rosto. "Sim, já falou algo assim."

"Sr. Weasley?" uma voz rouca falou, fazendo-o virar na sua direção. Quem falava era um dos organizadores do torneio.

"Sim?" Rony respondeu.

"Por favor me acompanhe. Precisamos rever as chaves do torneio com você e seu técnico. Sua amiga também pode vir."

Rony sorriu para Megan, que sorriu de volta. Amiga, com certeza!

"Vamos," ele disse. Levou a mão de Megan até seus lábios enquanto seguiam o organizador.

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"O que foi, Harry?" Gina perguntou. Ele dissera que precisava falar urgentemente com ela sobre alguma coisa, mas não disse o que era.

Harry esfregou as têmporas. "Tem uma coisa que preciso perguntar e quero que me dê uma resposta sincera."

Gina pareceu surpresa com isso. Seu rosto corou e ela apertou os lábios. Ela não era boa mentirosa e Harry saberia se ela mentisse sobre alguma coisa.

"O que você quer saber?" ela perguntou, olhando direto nos olhos dele.

Harry hesitou. Ele odiava ter que fazer isso com ela, mas precisava saber a verdade. "Certo," ele começou. "Isso vai parecer que eu fiquei doido, mas me escute. Uma fonte confiável me disse que está namorando Malfoy. É verdade?"

Na hora que terminou a pergunta, teve vontade de desfaze-la. A expressão no rosto dela era a mesma de quando acordou de seu sono profundo na câmara secreta no segundo ano dele. Por um segundo, achou que ela fosse desmaiar. Ele a segurou pelos ombros, mas ela o afastou gentilmente.

"Isso é alguma piada?" ela perguntou. Harry balançou a cabeça. Ela não ia facilitar as coisas, ia?

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Lá estava ele – Carlinhos Weasley – e ele vinha em sua direção. Maddie desesperadamente tentava parecer ocupada, mas na verdade ela tinha esperança que ele a procuraria depois da partida de Rony.

"Pare," ela murmurou para si mesma. "Vai ficar tudo bem. Relaxe. Ele é só outro cara."

"Maddie?" uma voz lhe chamou. Era Carlinhos. Ela deu a volta, seu sorriso firme no rosto. Quando os olhos dela posaram nele, o sorriso hesitou. Ele sem duvidas era o bruxo mais atraente que ela já vira.

"Queria saber o que vai fazer quando as coisas se acalmarem," ele disse. "Pensei que poderia querer ir pra Hogsmeade tomar alguma coisa."

"Eu... eu adoraria," Maddie gaguejou. "Por que não nos encontramos daqui a meia hora no saguão de entrada?"

"Parece ótimo," ele disse, sorrindo.

O coração de Maddie pulou. Sua mente girou com milhões de pensamentos. Mas a pergunta que tinha em sua mente era se ela estava certa ou não sobre ele anos atrás quando ela ainda estava na escola. Só havia uma maneira de saber.

*****

"Algo entrou no castelo," Sirius disse com urgência. "Posso sentir."

"Calma, Sirius," Dumbledore disse, colocando uma mão segura em seu braço. "Já checamos pelo menos dez vezes. Ninguém achou nada. Talvez seja hora de deixar isso pra lá."

"Mas eu juro que senti algo estranho."

"Vamos checar mais uma vez então, depois mandamos todos parar," Chang disse, parecendo educadamente preocupado.

Sirius respirou profundamente. Talvez estivesse imaginando coisas. Foi uma noite longa e tensa. Uma boa noite de sono ajudaria muito.

Talvez ele passasse pra fazer uma visita a Madame Pomfrey para pedir um poção pra dormir, das do tipo sem sonho. Ele queria que as imagens que o assombravam todas as noites sumissem de sua cabeça, pelo menos enquanto dormia.

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Notas da autora: A tensão aumenta... o que Sirius sentiu?

No próximo capitulo, veremos mais do torneio. Como Rony vai se sair? Gina vai contar a Harry sobre Draco? O Profeta diário vai publicar a foto de Harry levando um tapa? Quem poderia ter tirado os tupperwicks do quarto secreto? Essas perguntas e outras serão respondidas no próximo capitulo.