Resumo: Enquanto o torneio de xadrez continua, são feitas várias descobertas que levam o trio mais próximo de enfrentar a ameaça maligna do mundo mágico.

Capítulo 13 – Os murais

Harry não sabia o que dizer. Gina olhava pra ele intensamente, seus grandes olhos castanhos procurando pelos dele. Ele expirou e abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas antes que ele pudesse começar, o rosto dela brilhou com um sorriso. A mudança repentina o surpreendeu.

"Você realmente acha que eu namoraria Malfoy?" ela perguntou, inclinando a cabeça para o lado.

"Vi o jeito que ele olha pra você e já te vi olhando pra ele," Harry respondeu.

"Isso não responde minha pergunta."

"E se fizermos assim: respondo sua pergunta depois que responder a minha," Harry falou.

O sorriso de Gina se desfez, mas ela não disse nada.

"Você está ou não namorando Malfoy?" ele repetiu. De repente, ele sentiu os cabelos da nuca se arrepiarem e olhou por cima do ombro. Do outro lado da sala, estava o diabo em pessoa e ele olhava na direção deles. Quando Harry voltou sua atenção para Gina, ela estava de braços cruzados e olhava o chão.

"Nunca faria nada que magoasse minha família... ou meus amigos," ela disse. A cabeça dela ainda estava abaixada, mas ela deu uma olhada para ele.

"Desculpe, Gin. Acho que minha fonte estava errada," Harry disse, desejando desesperadamente que eles não estivessem no meio do Salão Principal com repórteres de plantão em cada canto. Algo dentro dele lhe dizia que ela não estava falando a verdade. Ele queria pressiona-la mais, pra conseguir uma resposta direta dela, mas ele sabia que se fizesse isso, estaria arriscando promover uma cena. Ele não queria flashes disparando como uma chuva de fogos de artifício.

"Vou responder sua pergunta agora," ele disse, depois de uma pequena pausa. "Eu acho que você namoraria Malfoy? Não. Depois de encarar o mal de frente, acho que você já aprendeu a reconhece-lo e como evita-lo. Mas também sei que Malfoy tem seus truques. Ele pode convencer pessoas a fazer coisas que elas não fariam." Harry esperou um momento, para que ela pudesse compreender o que dissera e colocou as mãos nos ombros de Gina como Rony fazia quando lhe dava um conselho, ou agia fraternalmente.

"Quero que me prometa que vai ter cuidado quando ele estiver por perto. Não gosto do jeito que ele olha pra você e ainda não estou muito confortável com o rumor que ouvi. É melhor tomarmos cuidado."

Gina concordou com a cabeça, e ajeitou seus cabelos. Ela então lhe deu um beijo na bochecha e o agradeceu antes de ir.

Harry ficou com uma sensação desconfortável no estômago. Alguém estava mentindo sobre Malfoy estar namorando Gina. Normalmente, ele apostaria que era Gina, porque a idéia de Hermione estar mentindo pra ele era inadmissível. Mas as dúvidas de Hermione sobre a própria estabilidade o deixavam num dilema.

Harry enfiou as mãos nos bolsos e saiu procurando por Sirius. A última vez que o vira, o padrinho de Harry parecia nervoso e pálido.

*****

O Três Vassouras estava mais cheio que o de costume nesta noite, por causa do torneio de xadrez. Maddie e Carlinhos sentaram numa mesa para dois perto da parede esquerda do bar. Quando eles chegaram, Madame Rosmerta jogou seus braços ao redor de Carlinhos e depois de um bate-papo rápido amigável, insistiu que eles sentassem imediatamente.

Maddie agora olhava para seu acompanhante, tentando desesperadamente não parecer uma adolescente apaixonada. Não estava funcionando. O fato dela ter escondido um xodó por ele desde os tempos de escola não ajudava.

Carlos Weasley tinha olhos que brilhavam quando ele ria e um sorriso que fazia você querer ser amigo dele. Como todos os membros da família, ele tinha cabelos vermelhos e pele clara, com sardas. Talvez fossem as sardas que davam esse ar de garoto bonitão ou talvez fosse o fato dele parecer á vontade consigo. O trabalho com dragões lhe dera um corpo de puro músculos – isso ficava evidente pelo jeito que seu suéter se ajustava contra seu peito e braços – mas seus movimentos eram suaves, muito diferentes dos buxos malhados que Mddie conhecia, que pareciam ter sido tirados da geração dos neandertais.

Carlinhos notou Maddie olhando para ele e sorriu. "Eu te lembro alguém?" ele perguntou.

Maddie sentiu seu rosto corar. "Não."

Carlinhos sorriu e tomou um gole de sua cerveja amanteigada. Quando colocou a caneca sobre a mesa, se inclinou para frente e estreitou os olhos, o brilho jovial ainda mais forte. "Sobre sua declaração que conhece Hogwarts melhor que ninguém... duvido que conheça tão bem quanto eu."

Maddie sorriu e colocou sua bebida sobre a mesa. "Carlinhos. Não pense nem um segundo que conhece Hogwats melhor que eu. Além de ser professora, sou uma Auror treinada, profunda conhecedora do interior de todos os locais importantes do mundo mágico."

Ele correu o dedo pela mão dela. Isso fez o coração dela acelerar. "Aposto que te mostrar um lugar no castelo que você nunca viu."

Maddie levantou uma sobrancelha. "Duvido."

"Quer apostar?"

"Não é aconselhável fazer uma aposta com um sonserino. Se sete anos de Hogwarts não te ensinaram isso, me preocupo com você, Carlinhos" ela respondeu.

"Aposto um jantar em Hogsmeade que você nunca viu o lugar pra onde vou te levar," ele disse.

"Concordo com seu jantar e aumento a aposta em uma sobremesa se puder te levar para um lugar que nunca viu," Maddie disse, lambendo a espuma de cerveja amanteigada de seu lábio. Ela notou que ele olhou.

Eles terminaram suas cervejas amanteigadas rapidamente. Enquanto saíam do três vassouras, Carlinhos ofereceu o braço e ela aceitou. Enquanto voltavam para o castelo, Maddie pensou o quanto se sentia segura e confortável, pela primeira vez em muito tempo.

*******

"Vai a algum lugar?" ele perguntou enquanto ela saia do Salão Comunal desacompanhado. De onde estava, tinha uma vista magnífica.

Gina parou mas não se virou. Ao invés disso, falou por cima do ombro. "Ia para Torre da Grifinória."

Passos ecoaram no Salão de entrada quando ele se aproximou dela. Ela se endireitou e e continuou a olhar para frente.

"Você não vai para Torre da Grifinória," ele afirmou.

"Não vou?"

"Não. Você vai comigo para as masmorras da Sonserina," ele murmurou no ouvido dela. Para enfatizar o que dizia, esfregou seus lábios suavemente contra um ponto sensível do pescoço dela e pressionou seu corpo contra o dela por trás.

Gina expirou e virou a cabeça. "Sabe que eu não posso resistir quando você faz isso."

Inesperadamente, o que ela disse o fez sorrir. Ele nunca namorara uma garota que o fizesse sorrir, e para sua surpresa, ele gostou.

"O que você diz?" ele perguntou. "Gostaria de se juntar a mim?"

"E se formos vistos? Harry estava fazendo umas perguntas sobre nós. Ele ouviu um rumor que estávamos namorando. Não sei se devemos..." Gina começou a dizer.

"Shhhh," ele sussurrou, colocando um dedo sobre os lábios dela. Num instante, ele estaria beijando esses lábios, mas por enquanto, ele precisava ficar quieto. O local que eles estavam não era o melhor para se conversar.

"Não seremos vistos. E quando estivermos nas masmorras, vou te disfarçar como fiz antes," ele sussurrou. Ele a sentiu tremer quanto moveu sua mão para a cintura dela.

"Sim. Eu vou com você," ela disse, sua voz hesitando.

O sorriso de Draco se foi, mas a falta de entusiasmo dela não o desanimou. "Me encontra no lugar de sempre?"

"Estarei bem atrás de você," ela sussurrou.

Enquanto ele a guiava para seu quarto, o véu que ele conjurou cobrindo o rosto dela, ele quase foi dominado pelo desejo de beija-la bem ali nas escadas, mas conseguiu resistir um pouco mais.

Quando eles chegaram ao topo das escadas, alcançaram o corredor no fim do qual estava o quarto de Draco. Quando Gina passou pela frente de uma grande janela na metade do corredor, ele a pegou pela cintura e a virou, seus lábios esmagando os dela famintos.

Ela foi pega de surpresa, mas depois relaxou e o beijou. Ele podia sentir o sorriso dela entre os beijos.

Foi bom que Draco estivesse atento aos arredores ou eles seriam surpreendidos. Uma porta no corredor se abriu e um grito estava por vir. Draco empurrou Gina atrás de uma das cortinas.

"É Pansy," ele sussurrou no ouvido dela. "Ela vai vir até aqui porque é a bruxa mais enxerida da sonserina. quando ela puxar a cortina, quero que ela me veja beijando alguém. Ela não vai poder saber quem é porque vou esconder seu rosto com o véu. Ela vai achar que você é o feijãozinho de todo sabor do mês. Isso vai manda-la embora. Entendeu?"

Gina concordou com a cabeça e eles recomeçaram a se beijar com a mesma intensidade. Ela estava ficando bem quente e tinha dificuldades em se limitar apenas a beijar quando ouviu passos se aproximando.

"Não conseguiu esperar até seu quarto novamente?" a voz aguda de Pansy ecoou enquanto Gina sentia a brisa fria quando ela puxou as cortinas.

"Sai pra lá, Parkinson," Draco disse. Ele esperou até que Pansy voltasse a seu quarto e batesse a porta antes pegar Gina pela mão e leva-la até seu quarto.

"Desculpe," ele disse, enquanto fechava a porta atrás deles. "Foi idiota de minha parte te beijar daquele jeito no corredor. Da próxima vez, vou ter mais cuidado."

"Pelo que Pansy disse, parece que você já foi pego nessa situação antes."

Draco parou um momento antes de responder. "Eu gosto de beijar em público. Me processe."

Gina sorriu, olhando pra ele de lado. "Não preciso te processar. Já tenho em meu poder tudo o que quero."

"E o que é?" ele disse, aproximando-se dela com um olhar faminto.

"Seu coração," ela respondeu, colocando seus braços por cima dos ombros dele e se esticando pra beija-lo.

Ele foi pego de surpresa pelo que ela disse. A idéia de ser possuído por ela – ou qualquer um – o chocou. Ela provavelmente notou isso, porque segurou o rosto dele com as mãos e lançou um olhar que derrubou todas suas defesas instantaneamente.

Ele então a mostrou alguns dos prazeres que ela conhecera recentemente.

Depois, enquanto ele a segurava junto a si e brincava com seus cabelos, se lembrou o que ela dissera no salão de entrada mais cedo, naquela noite.

"Potter suspeita de algo?" ele perguntou, sentindo-a ficar um pouco tensa em resposta, antes de beijar o braço dele e relaxar de novo.

"Ele me perguntou se estávamos juntos," ela sussurrou. "Respondi que nunca faria nada que magoaria minha família e amigos."

"Isso não é da conta dele," Draco disse, sua voz ameaçadora.

"Me sinto mal por não ter dito a verdade." Ela murmurou.

"Você disse a verdade. Se dissesse algo como 'não estou namorando Draco', isso seria uma mentira. Mas você não disse nada assim, não é? E me namorar não está magoando sua família ou seus amigos."

"Mas magoaria se eles soubessem," ela sussurrou, se afastando dele. "Me sinto culpada."

"Não se sinta."

"Queria que fosse assim tão fácil, mas não é. Não contar a Harry, me fez sentir uma mentirosa. Ele confia em mim e eu traí essa confiança."

"Potter é um enxerido idiota," Draco disse. A frase saiu de sua boca com tanta facilidade. Ele ouvira seu pai dizer isso inúmeras vezes desde que entrara em Hogwarts.

Gina sentou, segurando o lençol contra si. "Por favor, não fale mal de Harry."

Draco deu um sorriso torto. "Enquanto você continuar assim boa de cama, vou me esforçar pra não dizer nada de ruim sobre seu precioso Harry."

Ela olhou pra ele de queixo caído. "Uau, eu devo ser boa."

Ele se inclinou para frente e plantou um beijo longo e lânguido em seus lábios. "A melhor."

*******

"Aqui?" Carlinhos disse, parecendo completamente confuso.

Maddie sorriu e afirmou com a cabeça.

Quando eles entraram na biblioteca, Carlinhos notou dezenas de olhares se fixarem neles. Ele se sentiu velho por entrar na biblioteca acompanhando uma professora, mesmo ela sendo a mais atraente que Hogwarts já viu. Ela o levou até uma lareira grande no canto mais longe da biblioteca, perto dos livros avançados de poções.

"É aqui?" ele perguntou enquanto eles olhavam de fora. "Eu já vi isso antes. É só uma lareira velha e empoeirada. Já estava aí há décadas, pelo que sei."

"Você devia pesquisar melhor os fatos," Maddie disse. Depois ela abaixou a cabeça e entrou na lareira, deixando Carlinhos coçando a cabeça e olhando para parte de baixo do corpo dela. Ela tinha pernas de matar.

"Vai se juntar a mim?" ela disse, sua voz abafada por estar do lado de dentro da lareira.

Carlinhos deu os ombros, se curvou e entrou. Ficou satisfeito ao ver que o espaço era tão apertado que ficaram colados um contra o outro. Algo em Mddie o fazia sentir como se estivesse de volta a escola, com os hormônios em alta e tudo.

Antes que pudesse pensar mais, sentiu uma sensação estranha, como se estivesse rodando. A lareira parecia estar girando. Quando parou, estava completamente escuro e ele teve a impressão de ouvir água pingando em algum lugar.

"Então?" Maddie perguntou.

"Você me pegou," Carlinhos disse, notando que sua voz ecoava. "Nunca estive aqui antes."

"Acho que você nunca namorou sério com uma Sonserina enquanto estava na escola, então," ela respondeu, sua voz bem audível, apesar de ter sido apenas um sussurro"

"Como assim?"

Ele sentiu a respiração quente dela em seu rosto enquanto falava. "Enquanto estávamos na escola, não podíamos trazer alunos de outras casas aqui a não ser que estivéssemos namorando sério."

"Ah," Carlinhos disse, sentindo sua face corar. Isso significava que ela estava séria com relação a ele?

"Pensando nisso, algumas regras que seguíamos eram bem idiotas," Maddie sussurrou. "Mas tenho muito boas memórias ligadas a essa lareira. E algumas não tão boas."

"Como o que?"

"Meu primeiro beijo foi aqui," ela disse e depois sorriu. "O nome dele era Tiago e ele beijava muito bem."

"E como se mede se um beijo é bom?" ele perguntou. Sentindo coragem, ele colocou as mãos na cintura dela e a puxou pra mais perto de si.

"O beijo tem que me fazer sentir como se estivesse bêbada, como se estivesse voando, como se estivesse tonta. Sei lá." ela murmurou. "Eu devo estar parecendo uma boba."

"Você parece sincera," ele disse, se aproximando para beija-la.

Apesar de estar a maior escuridão, Carlinhos não precisava ver para se inclinar para o lado certo. Durante toda a noite, ele a observou, pensando como seria beija-la. Ele encontrou os lábios molhados, de primeira.

Começou gentil porque ele não queria assusta-la na escuridão. Mas quando ela beijou em resposta firme, ele se permitiu dar tudo de si.

E ele sentiu como se voasse.

********

Hermione voltou apressada para Torre da Grifinória para se trocar, quando o torneio acabou por aquela noite. Era importante passar o maior tempo possível na biblioteca, se ela quisesse entender o que Draco fez a ela, se fez algo. O conselho de Maddie, apesar de enigmático, era uma informação adicional que poderia ajudar na pesquisa.

Quando ela entrou no Salão Comunal, Harry levantou de uma das cadeiras próximas a entrada.

"Hermione," ele disse, cumprimentando.

"Oi, Harry," ela respondeu. Numa rápida olhada pelo salão, ela contou mais ou menos dez alunos , metade estudando, metade conversando.

"Preciso falar com você," ele disse, seguindo o olhar dela e franzindo a testa. "Tem um minuto?"

Hermione abaixou a voz quando notou que alguns alunos os olhavam. Quando voltou a olhar para Harry, seus olhos verdes mergulharam nos dela. Apesar dele estar tentando esconder, ela sabia que algo o estava incomodando. Ela não podia lhe negar o pedido.

"Não podemos conversar aqui," ela sussurrou.

"Onde então? É importante."

"Meu quarto. Em dez minutos. Use sua capa." Ela disse, e passou por ele. Os alunos que olhavam rapidamente enfiaram o nariz no livro.

No caminho até o quarto, Hermione se decidiu. Se ela ia usar o conhecimento que conseguiu no diário de Lílian Potter, teria que agir rápido.

Pouco antes dela e Harry terminarem, Hermione tinha quase terminado a tradução do jornal da mãe dele, quando encontrou anotações de um feitiço experimental. O nome era Feitiço Reivindicador. Lílian o descobriu e usou alguns de seus componentes enquanto tentava desenvolver um contra-feitços salva-vidas.

Hermione estava preocupada que Harry fosse arriscar o feitiço Domus Quattuor que ele souber que existia na Ordem. Ele disse que era arriscado e que havia um custo desconhecido associado ao feitiço. Mas o risco parecia não o preocupar. Harry estava determinado em fazer tudo o que podia e dar tudo o que tinha pra ver Voldemort derrotado. Hermione queria ver Voldemort derrotado também, mas ela não estava disposta a desistir de Harry. Ela desejava que ele não a odiasse pelo resto de sua vida se seu feitiço Reivindicador o impedisse de cumprir com que ele achava que era seu dever como bruxo.

Ela começou a suar frio enquanto olhava o pergaminho com texto do feitiço traduzido. Ela tinha colocado uma pequena caixa de sapatos com os ingredientes necessários embaixo da cama. Ela pegou a caixa e colocou os ingredientes sobre a mesa: uma mecha do cabelo dele, um pequeno espelho, uma foto dos dois, uma vela branca e uma carta que ele escreveu para ela. Se ela fizesse isso certo, Harry não precisaria saber o que ela fez. Ela começaria o feitiço antes dele chegar. O difícil seria faze-lo dizer o suficiente pra que ela pudesse reivindicá-lo. Ele não precisava dizer as palavras exatamente, mas quanto mais próximo ele ficasse do texto original, melhor.

Com uma agulha, ela furou o dedo e deixou uma gota de sangue cair sobre o espelho. Ela pegou sua varinha e sacudiu sobre os ingredientes sobre sua mesa e olhou para seu reflexo. "Adsertora possessionis Harry Potter."

A vela acendeu quando ela parou de balançar a varinha e o feitiço estava pronto.

Menos de um minuto depois, Hermione ouviu um barulho suave na porta. Ela não conseguiu evitar o sorriso, apesar do nervosismo. Ele bateu na porta do mesmo jeito de sempre. Ela abriu a porta, o deixou entrar, esperou um momento e depois a fechou.

Harry apareceu do nada quando tirou a capa da invisibilidade. Ele olhou o quarto como se esperasse que tivesse mudado desde a última vez que estivera ali. Não tinha mudado. Ela ficou aliviada por ele não ter notado os objetos estranhos sobre a mesa dela. Ela estava entre ele e sua mesa, bloqueando a visão.

"Harry," Hermione disse, "Isso vai parecer estranho, mas preciso que me diga uma coisa."

Harry olhou para ela, preocupação visível através dos óculos.

Ela se aproximou dele, corroída pela culpa de engana-lo, mesmo que fosse pelo seu bem. "quero que diga que me ama."

Harry sorriu nervoso. "Isso é fácil. Eu te amo." O olhar nos olhos dele, diziam que ele falava a verdade.

"Você promete que será meu e só meu?" ela disse.

"Por que está me perguntando isso agora?" Ele disse, olhando para ela como se estivesse um pouco maluca. "Você está bem? Talvez deva sentar um pouco." Ele foi na direção dela e ela não recuou, então eles ficaram mais próximo.

"Por favor," Hermione disse, implorando. "Me diga. Não posso te dizer porque é importante, mas é. Apenas prometa que é meu e só meu. Precisa me prometer."

"Sempre fui seu e somente seu," ele disse. "Mas porque precisa que eu diga? Você já não sabe? Não sente? Eu sinto todos os dias. Por isso estou em seu quarto agora. Preciso te ter de volta, Hermione."

A vela que estava acesa brilhou forte e derreteu toda. Quando ela se apagou, tudo o que estava em cima da mesa, exceto pelo espelho, desapareceu.

"O que foi isso?" Harry perguntou, voltando sua atenção para mesa dela. "Teve um flash de lua."

"Uma experiência que estava fazendo," ela disse, tentando parecer despreocupada.

Ele olhou para ela, desconfiado. "O que está aprontando?"

"Não é nada. Não estou muito bem, se quer saber," ela respondeu, sentindo um imenso alívio. Parecia que o feitiço foi feito com sucesso. "Podemos falar de outra coisa?"

Seguiu uma pequena pausa, durante a qual Harry a estudou com tanta intensidade que ela sentiu suas bochechas corarem.

"Você já se trocou," ele observou, olhando desapontado para as roupas da escola que ela usava.

Ela mordeu o lábio. "Preciso ir para..."

"...biblioteca." ele completou por ela.

"Exato," ela disse, sentindo seu coração disparar. A presença dele no quarto a deixava nervosa. Não ajudava o fato dele ainda estar usando vestes de gala. Elas o deixavam ainda mais bonito que o de costume.

Ficou um silêncio desconfortável, durante o qual Harry ficou junto a cama dela, constrangido, com os braços cruzados.

"Por que não se senta?" Hermione disse, oferecendo um lugar na cama.

"Hum, claro," ele disse, sentando na ponta.

Ela puxou a cadeira da escrivaninha e sentou, as pernas cruzadas, olhando para ele na expectativa.

"Então," Harry disse, passando a mão pelos cabelos, do jeito que sempre fazia quando estava nervoso. "Preciso falar duas coisas com você. Já mencionei a segunda, mas vamos falar mais sobre isso."

"Certo."

"Primeiro," ele disse, "estou preocupado com Sirius. Falei com ele depois que o torneio acabou e ele tinha certeza que algo ruim entrou no castelo. A Ordem procurou o que poderia ser, mas não achou nada. Ele disse que estava se sentindo tonto, com frio e letárgico, mais ou menos com quando estava em Azkaban."

Hermione cobriu a boca com mão, horrorizada. "Oh, Harry! Você acha que Dementadores entraram no castelo?"

"Sirius não tem certeza. O que ele sentia era mais fraco do que quando estava perto de Dementadores."

"Quando estava falando com ele, ele ficou pálido de repente e parecia desconcentrado, mas depois voltou ao normal," Hermione disse, sua voz cheia de preocupação. "Teria insistido mais nesse assunto, mas fomos interrompidos."

"Do que vocês dois estavam falando?" Harry perguntou.

"Falamos de você."

"Ah," ele disse, olhando para o chão.

"Ah!" Hermione disse, pulando da cadeira. "Nós também falamos de Maddie.quando ele estava parecendo doente, contou um pouco do que ela fez a ele. Aparentemente, ela o enganou com algo bastante pessoal."

Harry levantou os olhos. "Ele realmente a odeia."

"O que você sabe sobre a mãe de Lilá?" Hermione perguntou.

Harry zombou. "Sei que a filha dela não me deixa em paz. Eu juro, Hermione, não sei o que deu nela pra ficar me seguindo e espalhando por aí que estamos namorando."

Ela inclinou a cabeça, pensamentos girando em sua mente como se estivessem numa penseira. "Me pergunto se Draco não tem nada a ver com esse comportamento estranho. Talvez tenha usado o mesmo feitiço nela que usou em mim."

"O que te faz pensar isso?" Harry perguntou, seu rosto contorcido em confusão.

"Não parece muito o tipo de Lilá, ficar se jogando em você, mesmo depois que você disse que não está interessado, não acha?"

Apoiando-se um pouco para trás na cama, Harry sorriu. "Talvez ela me ache irresistível."

"Você é irresistível," ela disse, sentando novamente na cadeira e tentando suprimir um sorriso.

"Não, não sou não," ele disse sorrindo. "Se eu fosse, você estaria me beijando... estaríamos..."

"Não podemos," Hermione sussurrou, seu sorriso desaparecendo. "Lembre o que Maddie disse. Nós estamos nos arriscando apenas por estarmos sozinhos agora."

"Isso me lembra a segunda coisa," Harry disse, levantando de repente, seu rosto cheio de raiva. "Acho que Maddie está trabalhando com Draco. Acho que ela sabe exatamente o que ele fez com você mas quer se assegurar que você fique do lado dela, pra parecer que está ajudando, mas na verdade ela não está."

"Sirius me disse pra não confiar nela," Hermione disse, levantando devagar e colocando uma mão no ombro de Harry para acalmá-lo. "Mas não devemos tirar conclusões precipitadas."

Ele olhou para a mão dela sobre seu ombro. Seus olhares se cruzaram e os joelhos de Hermione ficaram fracos.

"Só um beijo," Harry murmurou enquanto se aproximava, "Eu me arrisco."

"Não quero te magoar," ela sussurrou, soltando a respiração que estava prendendo. "E se..."

"Vou morrer como um bruxo feliz, com um sorriso no rosto," Harry terminou por ela, seus olhos quentes correndo um segundo para seus lábios. A proximidade entre eles, deu a ela a rápida visão dos longos cílios dele e ela lembrou como eles roçavam em suas bochechas quando eles se abraçavam.

Enquanto ele se aproximava, ela sentia suas bochechas, pescoço e lábios esquentarem, mas estava determinada a dar apenas um beijo casto.

"Eu... eu..." foi tudo o que Hermione conseguiu dizer antes que os lábios de Harry fizessem contato.

Se isso era um beijo casto, então a Maldição Cruciatus não passava de cócegas. Várias semanas sem o toque dele foram o suficiente para fazer Hermione suspirar assim que suas bocas entraram em contato. O que começou como um suave roçar de lábios rapidamente aumentou. Harry passou sua língua pelo lábio inferior dela, fazendo-a tremer. Ela logo ansiava por mais. Quando ele gentilmente segurou a cabeça dela entre suas mão, Hermione se rendeu, aliviando-se no prazer que era beija-lo.

Ele sussurrava constantemente, "Eu te amo, Hermione. Eu te amo."

Ela fechou os olhos e ele os beijou. Os dedos dela passavam pelo cabelo dele e ela teve que se conter para não tirar seus óculos. Ela não queria passar a impressão errada, eles logo teriam que parar.

Como uma investida de um balaço, vívidas memórias da noite que ficara com Draco a atacaram. Draco beijava seu pescoço. Draco abria sua blusa. Ela beijava todo o rosto dele. Ela estava deitada sobre ele, correndo as mãos pelo peito dele e fazendo-o arrepiar. Essas memórias a deixaram mal. Ela queria para-las, mas não conseguia suprimi-las.

Quando abriu os olhos, Harry olhava intensamente para ela, suas sobrancelhas apertadas e seus lábios rosados por causa dos beijos.

"O que você disse?" ele perguntou, ofegante.

"Eu disse alguma coisa," ela perguntou.

Ele olhou pra ela de queixo caído, "Você me chamou de Draco."

Ela deixou escapar um soluço abafado. "Desculpe, Harry. Não queria..."

Harry saiu do alcance dela. A expressão no rosto dele, acertou seu coração. Os olhos dele olharam pelo quarto. "Sei. Provavelmente foi o feitiço."

"É melhor você ir," Hermione disse, lágrimas escorrendo pelo rosto. "É melhor você ir agora."

"Isso é o que você quer?" ele perguntou, se aproximando dela novamente.

Ela secou as lágrimas e deu um passo para trás. Sem conseguir falar, ela apenas afirmou com a cabeça.

"Então eu vou," ele sussurrou.

Ele foi até sua capa e a colocou sobre si. "Tchau," ele disse, fechando a porta atrás dele.

Hermione se jogou na cama, chorando. Levou quase uma hora até que ela pudesse se acalmar o suficiente para lavar o rosto e ir para biblioteca.

*******

"Uma venda?" ela perguntou, olhando de lado para ele. "Bem avançadinho você, Carlinhos."

Ele balançou a cabeça e riu. "Como acabei de dizer, você não pode saber como chegar lá. é um segredo de família e pretendo que continue assim."

Maddie deu um largo sorriso e piscou para ela, tentando ganhar tempo. Ela confiava nele o suficiente para deixar que a guiasse cegamente pelo castelo? Seu treinamento como Auror gritava contra essa idéia, mas seu instinto lhe dizia que ele não pretendia fazer mal algum. Se uma situação difícil aparecesse, ela poderia tirar a venda em segundos.

"Bem?" ele perguntou, sacudindo a venda.

"Por que não?" ela perguntou, sorrindo desconfortável.

"E você promete que não vai contar a ninguém?"

"Prometo," ela respondeu.

Carlinhos inclinou a cabeça e estreitou os olhos. "Mas eu posso confiar nessa promessa?"

O queixo de Maddie caiu. "Como é?"

"Sem querer ofender, Maddie. Mas conheço alguns Aurores e sei como suas promessas podem ser frágeis."

Um entendimento se passou entre eles. Normalmente, essa seria a oportunidade perfeita para Maddie se afastar, se livrar das emoções e se colocar em modo defensivo. Mas seus sentimentos estavam dispostos a dar uma chance a ele.

"É uma promessa de Maddie, não uma promessa de Auror," ela sussurrou, levantando o queixo e cruzando o olhar o dele.

A resposta dele foi dar a volta por ela e colocar a vendo sobre os olhos dela.

"Está bem assim?" ele perguntou.

"Tudo bem."

"Bom. E não perca seu tempo tentado espiar. Está enfeitiçada para não permitir que espie." Ele disse.

Ela riu. "Se eu quisesse olhar pela venda, nenhum feitiço ficaria em meu caminho."

"Certo," ele disse nervoso. "Tem certeza que quer fazer isso? Quer dizer... se não estiver confortável com a situação, talvez não devamos ir."

Ela esticou sua mão, segurando a dele. Apertando para assegurar que era o que queria, ela disse, "Confio em você, Carlinhos."

Depois de quase meia hora de escadas, portas e brisas quentes e frias, eles finalmente chegaram. Pareciam estar do lado de fora, ou pelo menos numa área aberta. Ela tremeu quando uma rajada de vento a atingiu. Eles estavam no alto de uma das torres, talvez?

Algo fez barulho e depois Carlinhos, com uma mão segurando a dela e outra nas costas dela, a guiou para frente. Um barulho abafado atrás dela, a fez pular. "Está tudo bem," ele disse. "Chegamos."

Quando ele soltou a venda, ela não podia acreditar no que via. Ele estava certo. Ela nunca vira esse quarto antes, em todos seus anos como aluna ou em todos seus estudos do castelo para seu treinamento de Auror. A parte de Maddie que amava passar horas na biblioteca se animou em estudar os vívidos murais nas paredes. Havia algo familiar neles.

*****

Hermione bocejou e levantou para procurar mais livros. Ela não estava de relógio, mas sabia que devia estar muito tarde pois a biblioteca já estava fechada há horas. Ainda bem que ela convencera Madame Pince a deixa-la ficar depois que fechou. Era em horas como essa que Hermione não sentia vergonha em usar seu título de monitora-chefe pra conseguir alguma coisa. "Agora, vamos ver." Ela sussurrou consigo mesma. "Preciso de Poções alteradoras de humor de Sandy Wave. Deve estar bem... aqui."

Ela foi até a estante e começou a procurar nas prateleiras.

Antes que ela pudesse encontrar o livro, alguém entrou na biblioteca. O barulho a assustou. Com a mão no coração que batia rápido, ela ouviu com atenção. Não eram muitas pessoas que sabiam como entrar na biblioteca depois dela fechada. Talvez fosse um professor, ou pior, Draco. Prevenindo-se contra o segundo caso, ela preferiu se esconder.

Quando ela espiou do lugar onde estava escondida, ficou surpresa ao ver Maddie. Ela parecia extremamente concentrada e procurava na mesma estante que Hermione procurou alguns segundos antes. Olhando sua talvez mentora, Hermione notou que ela estava bagunçada, isso era estranho para professora. Suas roupas estavam amassadas e o cabelo estava desarrumado.

Quando ela ia se mostrar, Maddie falou. "Ah-há!"

Ela pegou um livro da estante e folheou as páginas até achar o que queria. Curiosa sobre o que poderia ter trazido Maddie à biblioteca numa hora dessas, Hermione decidiu permanecer escondida. Talvez ela pudesse achar alguma pista do que Malfoy lhe fizera com outro método de pesquisa: espionagem.

Uns dez minutos se passaram até que Maddie se satisfez que leu o suficiente. Colocou o livro cuidadosamente de volta na estante e saiu tão rápido quanto chegou.

Hermione respirou aliviada antes de puxar a varinha e ir até a estante.

"Libris identificus," ela murmurou. O livro que Maddie lera escorregou gentilmente na prateleira e Hermione o puxou.

"Remembrus paginas," ela disse, batendo a varinha na capa do livro.

Enquanto o livro se abria até a última pagina que foi lida, Hermione sorriu. Quando ela decorou esses dois feitiços dois anos atrás, Harry e Rony gozaram dela por ela estar muito obcecada com livros e bibliotecas. Ela mal podia esperar para contar como os usara com esperteza. Isso, é claro, se um dos dois falasse com ela. Ela ficou séria ao pensar nisso, bem no instante que a página se revelou.

Hermione podia sentir seus ombros ficando tensos enquanto ela lia. Quando terminou, fechou o livro com força.

"O que está aprontando, Maddie?" ela sussurrou.

*******

Uma fanfarra abriu o segundo dia do torneio. Os semi-finalistas com seus pares entraram no Salão Principal sobre um carpete lilás, uma música régia ecoando ao fundo, vindo da orquestra. Fotos eram tiradas e entrevistas eram feitas. Meg não parecia se incomodar com as luzes dos feitiços de flashes. Ela apenas sorria para Rony e apertava seu braço, passando confiança.

Rony olhou pelo Salão. Harry e Gina estavam a sua direita. Os dois batiam palmas mas somente Gina sorria. Rony queria ter algum tempo pra conversar com Harry sobre os Tupperwicks. Como ele ficou até tarde com Meg no dormitório dela, acabou passando a noite lá. Acordou cedo para bolar uma estratégia com Carlinhos e não teve a chance de contar a Harry sobre a descoberta de Meg. Ele falou silenciosamente, "Preciso falar com você," para Harry que concordou com a cabeça enquanto Rony e Meg passavam.

Hermione estava do outro lado do tapete. Ela sorriu e esticou a mão para ele quando ele passou. Ele segurou a mão dela e beijou, ganhando alguns cliques extra e uma risada de Meg.

Quando ele levantou os olhos, depois de beijar a mão de Hermione, ele a viu. Ela estava exatamente igual a quando dissera tchau no final do quarto ano dele. Fleur Delacour sorriu e acenou para ele da mesa onde ele iria jogar sua próxima partida. O sorriso que ele tinha no rosto congelou e ele começou a suar frio.

Minutos depois, Rony sentou na cadeira à frente da beleza de cabelos claros. O colarinho de suas vestes apertava seu pescoço e seu coração batia como se ele tivesse acabado de chegar de uma corrida matinal. Ele rezava que Meg não notasse o quanto Fleur o deixava nervoso.

Fazia anos que não a via, mas ainda a achava extremamente atraente. Também não podia esquecer o quanto ficou constrangido quando a convidou para o Baile de Inverno e ele a ignorou como se não estivesse ali. Claro, ela tinha o beijado em agradecimento por ajudar com a irmãzinha dela na segunda tarefa, mas essa lembrança não trazia nenhum consolo no momento. Sua mente vacilou enquanto ele tentava não ficar distraído por ela durante a partida. Quando ela fez o primeiro movimento, ele tentou começar um bate-papo pra aliviar a tensão.

"Então... por que mudou de sobrenome, Fleur? Você se casou?" ele perguntou.

"Minha mãe casou novamente, e então tive que mudar de sobrenome," ela respondeu, piscando para ele. "Acho que não esperava me ver aqui hoje."

Rony concordou com a cabeça e estudou o tabuleiro. Ele quase engasgou com o que viu. As peças do xadrez de Fleur estavam flertando com as dele! Ele moveu o peão da rainha, e ao invés dele destruir o peão de Fleur, ficou ao lado dele, dividindo a mesma casa.

"EI!" Rony gritou, olhando para Fleur. "Você fez alguma coisa com minhas peças." Ele olhou a sua volta, procurando um juiz.

"Estão em perrfeita orrdem," ela respondeu baixinho, de modo que somente Rony pôde ouvir. "Elas reagem como seus donos, oui?"

Rony virou para olhar Meg, que franziu a testa. Era imaginação dele ou ela percebera o que o incomodava?

"Algum problema, senhor?" um juiz perguntou, dando um tapinha no ombro de Rony.

Recompondo-se em sua cadeira, Rony olhou para Fleur alguns instantes antes de reponder. Um sorriso cruzou seu rosto. "Não, tudo certo," ele respondeu.

"Tudo bem?" Meg perguntou.

Ele fez que sim e olhou por cima do ombro pra ela. "Fico feliz que esteja aqui."

Pensando no quanto amava Meg, ele deu um empurrãozinho em seu peão. O peão pareceu acordar de seu transe amoroso, se balançando como um cachorro depois de um banho. Um momento depois, os pedaços do peão de Fleur caiam do tabuleiro, seus fragmentos se espalhando por toda parte.

******

"Sei que seu intervalo acaba daqui a pouco, Carlinhos, mas preciso perguntar de novo. Preciso saber como chegar até aquele quarto," Maddie disse. Estava ficando sem paciência.

"Sinto muito, mas é impossível," Carlinhos respondeu, sorrindo. "Achou que eu ia mudar de idéia da noite pro dia?"

Maddie olhou impaciente para o Salão Principal, amaldiçoando o fato deles não estarem sozinhos para poder interroga-lo devidamente. Então ela teve uma idéia.

"Vamos conversar num lugar mais calmo," ela disse, com sua voz mais sensual. Ela segurou a mão dele.

Carlinhos riu e permaneceu exatamente no mesmo lugar. "Acho que sou bobo? Sei o que está tentando fazer, Madeline. Já disse que não vou contar e não vou mudar de opinião. Nem se você me beijar até que eu morra."

Ela bateu o pé. "Eu vou achar esse quarto," ela disse entre os dentes cerrados, "com ou sem sua ajuda."

"Mas vai manter sua promessa," Carlinhos disse. "Prometeu que não contaria a ninguém, se lembra?"

"Me lembro sim," ela disse, franzindo a testa.

"Ótimo," ele disse, procurando por Rony.

"Eu podia te dar Veritaserum," ela disse. "Daí você me diria."

"Você poderia fazer isso," ele disse. "Acontece que eu sei que o uso de veritaserum é extremamente regulado. Você poderia ter muitos problemas se usasse sem ter autorização."

"Que tal tortura? Talvez você reagisse a isso?"

"Pensei que já tivesse tentado isso ontem, quando parou de me beijar," Carlinhos brincou.

Maddie sorriu apesar da situação. Pensou por um segundo se devia dizer a Carlinhos do que ela suspeitava, mas então se lembrou da promessa de manter os segredos da Ordem.

"Você é resiste muito bem ao meu charme," Maddie comentou.

"Trabalhar com dragões me ensinou algumas coisas e me deu algumas habilidades que são úteis de vez em quando," ele respondeu, aproximando-se dela.

"Eu adoraria te ver com um dragão," ela respondeu, sentindo esquentar. O salão pareceu desaparecer enquanto ela se perdia em seus olhos sorridentes.

"Você viu, ontem de noite," ele saiu de fininho, voltando para checar como Rony estava.

Ela levantou as sobrancelhas e resistiu a um sorriso.

Depois de alguns minutos assistindo à partida, ela saiu. Teria que encontrar o quarto sozinha. Com sorte, tinha prestado atenção suficiente enquanto ele a guiava naquela maldita venda.

******

"Você parece cansado" Sirius disse a seu afilhado.

Harry deu os ombros e não disse nada.

"Aposto que acerto de primeira," Sirius disse. "É Hermione, né?"

Aqueles olhos verdes – tão parecidos com os da sua mãe – arregalaram um pouco. Ele acertou em cheio.

"Não vai me perguntar como eu sabia?" Sirius disse, tentando chamar a atenção de Harry, que tinha se voltado para a bruxa em questão.

"Eu chuto que não foi pela foto na primeira página do Profeta diário," ele respondeu, seu rosto trabalhando duro pra formar um sorriso educado.

Harry, como a maioria dos bruxos da Grã-Bretanha, acordou com edição de sábado do Profeta, que trazia na primeira página uma foto preto-e-branco de Hermione dando um tapa na cara de Harry. Na fotografia, Harry se abaixava e tentava evitar o tapa. Antes mesmo dele se sentar à mesa da Grifinória para tomar café-da-manhã, Malfoy e seus seguranças imitavam a foto de Harry e ficavam gritando para ele.

"O que foi, Potter? Não conseguiu agüentar como um bruxo de verdade?"

"Quer um feitiço anti-machucante. Potter? Você não quer estragar esse rostinho bonito pra fotos."

"Na verdade, não tive a chance de ler o jornal hoje." Sirius disse."O que eu ia dizer, é que você está com a mesma cara pra baixo que seu pai tinha quando brigava com sua mãe."

"Nós não brigamos," Harry respondeu, cruzando os braços. "As coisas apenas estão... estranhas. Podemos mudar de assunto, por favor?"

"Certo," Sirius disse, grato por essa oportunidade pra mudar o tópico. Apesar de querer apoiar Harry, não queria se intrometer muito.

"não quero te alarmar, mas algumas coisas aconteceram ontem. Achamos que talvez exista uma brecha na segurança," Sirius disse.

"O que aconteceu?" Harry respondeu, sua expressão mudando de tristeza para preocupação.

"Durante toda a noite me senti estranho. Minha energia ficava diminuindo, me senti quase como se tivesse voltado a Azkaban. A grande diferença é que essa sensação não era ao intensa ou tão longa quanto quando estava preso. Contei a alguns membros da Ordem que estava de serviço na hora e procuramos por Dementadores no castelo."

"Acharam alguma coisa?" Harry perguntou, descruzando os braços e apertando o queixo.

"No início, não achamos nada. Mas quando já íamos desistir, achei uma capa da invisibilidade abandonada. É impressionante o que descubro quando estou transformado."

Harry não comentou nada, mas se remexeu desconfortável.

"Naturalmente, verifiquei se era a sua. Quando vi que não era, fui direto à Dumbledore. Baseado em onde achei a capa, achamos que um dos jogadores do torneio a contrabandeou para dentro," Sirius disse.

"Já procuraram por outras?" Harry perguntou.

"Ia chegar aí agora," Sirius disse, sorrindo. "Precisamos procurar em alguns dos quartos de hóspedes. Infelizmente, também precisamos monitorar a segurança por aqui. É ai que você entra."

Sirius parou para olhar pra Harry, que concordava. Seus olhos estavam estreitados e ele nem piscava.

"Suspeitamos de Karkaroff. O retorno dele à publico foi muito próximo pra ser uma coincidência. Nossa teoria é que ele pode estar ligado ao sumiço dos Tupperwicks e ao feitiço que causou o mal funcionamento das vassouras durante o jogo de quadribol."

"Então quer que eu vasculhe o quarto de Karkaroff?" Harry perguntou. "por que eu?"

"Pessoas do meio de karkaroff conhecem muitos de nós da Ordem. Se um de nós sumisse por um tempo, eles suspeitariam. Mas ninguém sabe de você. Além disso, você é aluno. Você pode sair pra fazer um trabalho da escola. A única razão aparente para estarmos aqui é o torneio."

"As pessoas vão notar se eu sumir. Tem repórteres me seguindo por toda parte," Harry disse, olhando por cima do ombro. "Tá vendo? Tem alguns nos olhando agora mesmo."

"Não se preocupe com eles, Harry. Aja naturalmente, como se fosse dar uma volta. Leve Gina com você, talvez eles pensem que vão sair pra namorar."

"Muito engraçado, Sirius. Não acha que isso vai fazer com que eles tenham mais vontade de nos seguir?" Harry disse.

"Vai achar uma saída," Sirius disse, um pouco impaciente. "Quando terminarmos nossa conversa, passe por mim e eu colocarei a chave que precisa em seu bolso. O quarto é 3745."

"Certo," Harry disse, se compondo e virando a cabeça pra onde Rony jogava. "Vou daqui a pouco. Não quero perder o fim do jogo de Rony. Se bem que parece que está acabando com Fleur. Se ele vencer, vai jogar contra Karkaroff na final."

"Harry," Sirius disse, fazendo seu afilhado virar e encara-lo de novo. "por favor, tome cuidado."

"Não se preocupe comigo, Sirius. Tenho mais de seis anos de experiência em andar escondido por esse castelo. O que pode dar errado?"

Eles deram uma risada nervosa, antes de Harry passar por ele, indo diretamente até Gina.

*******

Gina estava tão concentrada assistindo ao jogo de seu irmão que se assustou quando Harry lhe deu um tapinha no ombro e isso fez com que várias pessoas olhassem feio para eles. Corando bastante, ela permitiu que Harry a afastasse do jogo.

Ele inclinou o rosto até o ouvido dela e sussurrou, "Quer me ajudar com uma coisa?"

"O que é?" ela respondeu.

"É um pouco perigoso..." Harry começou, mas Gina interrompeu.

"Então pode contar comigo," ela sussurrou, animada de finalmente ser incluída em uma das missões de Harry. Ela sempre tinha ciúmes de todas as histórias que Rony contava durante o verão.

"Você nem sabe o que eu vou pedir pra você fazer," ele respondeu, olhando desconfiado para ela.

"Confio em você," ela sussurrou. "Além disso, sei que você não me pediria se achasse que era realmente perigoso. Você e meus irmãos me protegem demais."

"E parece que temos um bom motivo," Harry respondeu, olhando por cima do ombro pra ver se alguém os observava. "Mas agora não é hora de discutir isso. Precisamos agir rápido, e de preferência, sem ninguém notar."

Gina riu, "Bem isso vai ser fácil, ninguém te nota mesmo. Aquele repórter, por exemplo," ela disse, apontando o queixo na direção do repórter. "Está tão ocupado sem te notar que fica anotando coisas em seu caderninho e olhando em sua direção."

"Muito engraçado, Gina," Ele respondeu. "Apenas me encontre no Saguão de Entrada em dez minutos, certo? Eu cuido dos repórteres."

"O que vamos fazer?" ela perguntou, enquanto eles voltavam para o jogo de Rony.

"Vamos fazer uma visita à ala de hóspedes," ele respondeu, pelo canto da boca.

Nunca, dez minutos demoram tanto a passar. Gina mudou a posição em que estava no mínimo três vezes, mas tinha vontade de se mexer ainda mais.

Quando ela viu Harry silenciosamente sair e ir para porta, ela esperou dois minutos e depois o seguiu. O saguão de entrada estava cheio de repórteres com cara que tinham perdido seu animal de estimação. Gina não pode evitar de se sentir um pouco como eles, harry disse que a encontraria ali, mas não estava em lugar nenhum.

Decidindo que passar tempo com repórteres não era uma boa idéia, ela saiu na direção da ala de hóspedes. Quando ia virando num corredor, o grupo de repórteres fora do alcance dos ouvidos, ela teve a impressão de ouvir passos atrás dela. Ela se virou rápido, mas não havia ninguém.

"É você, Harry?" ela perguntou, mas não obteve resposta.

Gina continuou a ir para ala de hóspedes, pisando leve e prendendo a respiração, ouvindo. Quando ela ia entrar na ala, um braço a segurou pela cintura e a puxou para um canto. Antes que ela pudesse gritar, viu que era Harry.

"Desculpe, por isso, Gina," ele disse. "Foi mais difícil despistar os repórteres do que pensei. Espero não ter te assustado muito."

"Era você que estava me seguindo? Onde está sua capa?" ela perguntou.

"Não estava te seguindo," ele disse, preocupado. "Mina capa está no meu dormitório. Estava esperando aqui, esperando que você percebesse que não conseguiria despistar os repórteres por lá. Conheço uma passagem secreta no Banheiro dos Monitores."

"Estranho," ela disse. "Podia jurar que ouvi passos atrás de mim" Ela teve um calafrio, uma sensação estranha no estômago.

"Estou começando a achar que vamos encontrar várias capas da invisibilidade em nossa busca," Harry disse, estreitando os olhos.

"Onde vamos procurar?" Gina perguntou.

"Desculpe," Harry disse, sorrindo. "Devia explicar logo, não é? Preciso que fique de guarda enquanto procuro no quarto de Karkaroff. Ele pode ter contrabandeado capas da invisibilidade pra dentro e se ele tiver feito isso, preciso descobrir. Ele também pode estar envolvido no desaparecimento dos Tupperwicks."

Gina arregalou os olhos.

"Você tem que prometer que não vai contar a ninguém," Harry disse, muito sério. "Revelar essa informação traria vários problemas, entendeu?"

Gina concordou com a cabeça e suas bochechas corara – era animação, medo ou os dois?

Eles esperaram até que um elfo-doméstico passasse e depois andaram cuidadosamente pelo corredor. "Tente parecer natural," Harry sussurrou, notando os ombros tensos de Gina.

"Aí está," ela disse, apontando. "Quarto 3745."

"Certo," Harry disse, pegando a chave no bolso. "Quero que fique de guardo enquanto entro. Se vir alguma coisa, bata duas vezes na porta."

"Certo," Gina disse, ficando de costas para Harry enquanto ele mexia na fechadura. O coração dela batia rápido, de animação e nervosismo e seus olhos vasculhavam a procura de sinais de repórteres ou dos companheiros de Karkaroff. Havia uma janela do outro lado, enfeitada com cortinas roxas. Ela olhou através dela para o salão principal e usou o reflexo nela para observar o progresso de harry.

O clique da porta abrindo foi ouvindo e Harry entrou no quarto, fechando a porta atrás dele, silenciosamente. Não passaram dois minutos e ela sentiu o tapinha dele no ombro.

"Não achei nada. Vamos embora."

Quando eles viraram para ir, ouviram Karkaroff vindo pelo corredor na direção deles, conversando com seu técnico.

"Droga," Harry sussurrou. "Sirius me disse pra não ser visto. Queria estar com minha capa. Não tem lugar nenhum pra se esconder, a não ser voltar para o quarto de Karkaroff. Mas isso é muito arriscado."

"Tenho uma idéia," Gina sussurrou. "Apenas siga o que estou fazendo."

Com o coração batendo forte, ela segurou a mão de Harry e eles correram na direção da janela, do outro lado do corredor.

"O que...?" Harry disse, enquanto Gina o empurrava para trás das cortinas grossas.

"Eles vão nos ver aqui, e quando puxarem a cortina, é melhor que a gente pareça ocupado," ela disse, empurrando Harry contra parede. "Me beije."

"O que?" Harry sussurrou, empurrando-a gentilmente. "Não posso fazer isso."

"Tem alguma idéia melhor?"

Harry balançou a cabeça e puxou o rosto dela pra mais perto. "Desculpe, Gin," ele murmurou, abaixando seus lábios até os dela e fechando os olhos.

Desde que o conhecera, Gina imaginava como seria beijar Harry. Agora que ela experimentava pela primeira vez, conseguiu deixar de lado qualquer sentimento desse tipo que tivesse por ele. Apesar dos beijos serem bem executados tecnicamente – ele não esmagou seu queixo, não babou nem a engasgou com a língua – ela não sentia nenhuma faísca entre eles. Ela esperava que seus joelhos fraquejassem, que sua respiração parasse ou pelo menos sentir um calor. Mas ao invés disso, ela apenas se concentrava em seguir o ritmo dele e tentar fazer que a cena deles parecesse convincente.

"Quem está aí?" Karkaroff rosnou.

Puxaram a cortina e Gina e Harry separaram, os dois ofegantes. Ela ajeitou sua roupa e pensou em algo que a fizesse corar.

Harry limpou a garganta. "Desculpe," ele disse. "Estávamos apenas... quer dizer... estávamos tentando achar um lugar mais particular."

"O que estão fazendo aqui?" o técnico de Karkaroff perguntou.

Karkaroff virou-se para ele. "Não é obvio, Hector?"

Hector olhou desconfiado para eles. "Parece que os jornais estavam certos sobre você, senhor Potter. Acho melhor você e sua namorada acharem um lugar mais apropriado pra seu passatempo. Essa área é restrita aos jogadores e seus técnicos."

"Desculpe," Harry e Gina disseram juntos, Harry correndo a mão pelos cabelos. Ele pegou a mão de Gina e eles saíram para o corredor principal, sem olhar para trás.

Quando chegaram em um local seguro, se separam e um ajudou o outro a se recompor, o cabelo de Gina desarrumou um pouco e Harry tinha um pouco do batom dela em seu rosto. Ele sorriu e balançou a cabeça enquanto limpava o rosto com um lenço.

"Você acha que os enganamos?" Gina perguntou, tentando quebrar o silêncio.

"Espero que sim," Harry respondeu, olhando um pouco constrangido pra ela. "Olhe, Gina, não quero que tenha a idéia errada. O beijo foi..."

"Não se preocupe," ela disse, interrompendo. "Eu senti que você não beijou de verdade."

Harry, que tinha começado a andar, parou de repente, olhando confuso para ela. "Como assim?"

Gina sorriu para ele. "Qual é Harry. Parecia que estava beijando meu irmão, ou algo assim."

Harry arregalou os olhos e pareceu insultado. "Está dizendo que eu beijo mal?"

"Não," Gina disse, "só que eu sabia estava me beijando pra distrair Karkaroff e não pra me beijar. Tenho certeza que sentiu a mesma coisa."

Ele não respondeu, mas se aproximou dela, sua expressão muito séria. "Já me disseram que eu beijo muito bem!" ele disse, sorrindo. "E adoraria provar. Venha aqui, deixa eu tentar de novo."

"Não!" Gina disse, rindo. Harry se junto a ela, colocando o braço sobre o ombro dela e beijando sua testa.

Eles continuaram andando e quando viraram num corredor, encontraram Rony.

"O que estão fazendo aqui?" ele perguntou, olhando para Gina.

"Estava ajudando Harry com uma coisa," ela respondeu. Pelo canto do olho, ela viu Harry limpando um pouco de batom que ficou na bochecha.

"Estava procurando por você, Harry. Tem uma coisa que preciso lhe dizer," Rony disse, seu olhar alternando entre Gina e seu melhor amigo.

Neste momento, Gina viu Draco de relance. Ele parecia estar escondido atrás da estatua de Beluah, o chato.

"Acho que vou voltar para o Salão Principal," Gina disse, olhando de rony para Harry.

"Gina, você não precisa ir," Harry disse.

"Vemos você lá," Rony disse, olhando firme para Harry.

"Certo, vejo você lá," Gina falou por cima do ombro. Quando ela passou por Draco, sussurrou algo que só ele pôde ouvir.

******

"Por favor, diga que você e Gina não estavam se agarrando," Rony disse, assim que Gina ficou fora do alcance para ouvir.

"Certo. Não vou dizer," Harry disse, a voz um pouco exagerada. Ele estava se sentindo uma combinação de culpa e ansiedade e Rony não estava ajudando nenhum pouco.

As orelhas de rony ficaram vermelhas. "Você! Vocês dois! Não acredito! Não vou acreditar! O que vai dizer a Hermione? Como pode fazer isso com ela? Como se atreve a beijar minha irmã!"

"Isso foi fácil," Harry disse, colocando a mão sobre o ombro de Rony. "Só fizemos isso para despistar. O que está fazendo aqui? Ganhou de Fleur?"

"Ela fez uma jogada muito ruim e eu me aproveitei," Rony disse, um pouco desconfortável.

"Desculpe, por ter perdido essa," Harry disse. "Bom trabalho. Você a venceu!"

Rony deu seu sorriso torto. "Obrigado." Ele disse. "Agora pode me contar de novo porque teve que beijar Gina?"

"Karkaroff estava vindo e tínhamos que parecer... ocupados. Era o único jeito. Acredite em mim, Rony, nosso motivos foram completamente profissionais. Ela é como uma irmã para mim."

"Acho que vou deixar essa passar, então," Rony disse, depois de alguns segundos de um silencio desconfortável. "Então, vai me dizer o que está fazendo aqui?"

harry respirou aliviado e contou sobre a missão que Sirius lhe dera e como ele precisou da ajuda de Gina. Ele também deu informações suficientes para que ele entendesse porque essa missão era importante. Rony ouviu atentamente, fazendo algumas perguntas que Harry respondeu.

Era bom finalmente ter a oportunidade de conversar com Rony. Desde que ele voltara com Meg, ele não o via no dormitório, que era onde geralmente eles conversavam quando o dia era muito ocupado. Isso, junto com o torneio de xadrez, deixaram Rony indisponível nas últimas 48 horas.

"Então eles acham que Karkaroff está relacionado com o mal funcionamento das vassouras?" rony perungou, seus olhos estreitados em confusão. "Mas como?"

"Há duas maneiras das vassouras terem ficado ruins. Uma teoria envolve vários bruxos embaixo de capas da invisibilidade e evocando magias muito poderosas. A outra envolve aumento da magia de um feitiço simples usando um objeto mágico muito poderoso. Mas não sei o que pensar agora. Quando vasculhei o quarto dele, minutos atrás, não achei nenhum sinal de capas da invisibilidade nem sinal dos Tupperwicks que ele talvez tenha roubado."

"tupperwicks!" Rony disse, alto demais.

"Shhh," Harry disse. "Mais baixo."

"Por isso que te procurei, Harry. Tem algo a ver com os tupperwicks. Não tinha certeza se devia te contar, mas também não tive a oportunidade porque estava muito ocupado com o torneio e você estava atrás de Hermione."

"O que foi?" Harry perguntou, preferindo ignorar o comentário sobre Hermione por enquanto.

"Acho que sei onde estão, ou pelo menos onde estavam. Posso te mostrar, mas acho que vou ganhar uma briga eterna com as futuras gerações dos garotos Weasley," Rony respondeu, nervoso.

"Shhh," Harry disse. "Acho que estou ouvindo alguém."

Harry e Rony entraram na sombra de uma escada próxima e esperaram. Olhando discretamente, eles viram Maddie. Ela parecia estar ou hipnotizada ou sonambulando no meio do dia. Seus olhos estavam fechados e ela andava com as mãos esticadas, resmungando pra sim mesma. Rony e Harry se entreolharam, confusos.

Eles esperaram até que Maddie passasse. Quando eles iam sair do esconderijo, ouviram mais passos. Voltando para o lugar onde estavam, esperaram.

Quando olharam pra ver quem estava vindo, não viram ninguém.

"Estranho," Rony sussurrou.

"É alguém usando uma capa da invisibilidade," sussurrou Harry. "Posso ouvir a respiração." Rony engoliu fazendo barulho.

"Ele está bem na esquina junto de nós," Harry murmurou. "Acabo de ouvir as vestes arrastando. Aposto que esta pronto para nos atacar, é melhor tentarmos pega-lo primeiro."

"Bom plano" Rony respondeu, tirando a varinha. "Estamos em dois. Ele não vai ter chance."

Harry concordou. "Pronto?"

Rony fez que sim.

"No três. Um... dois.. três!"

Eles pularam do lugar onde estavam escondidos quando bem quando o suposto atacante apareceu.

"Hermione!" Harry gritou, esticando seus braços bem a tempo de impedir que Rony a esmagasse.

"Você está bem?" Harry e Hermione perguntaram ao mesmo tempo.

"O que está fazendo aqui?" Rony e Hermione disseram.

"Você primeiro," os três disseram.

A tensão entre eles sumiu e eles começaram a rir.

"Eu senti falta de vocês dois," Hermione disse, o sorrindo sumindo do rosto. "Parece uma eternidade desde a ultima vez que estivemos juntos."

"Também senti sua falta, Hermione," Rony respondeu.

"E você jpa sabe como me sinto," Harry completou concordando com a cabeça.

Hermione balançou a cabeça devagar. "Depois do que fiz ontem, não pensei que você fosse querer ficar no mesmo lugar que eu."

"O que ela fez?" Rony sussurrou pelo canto da boca.

"Disse algo estranho quando Harry me beijou," Hermione respondeu, fazendo Rony franzir a testa e Harry se remexer desconfortável.

"é o feitiço," Rony disse.

Hermione concordou com a cabeça, mas os olhos dela não levantaram do chão.

"Não estou mais chateado," Harry disse. "foi minha culpa, não devia ter tentado."

Quando ela levantou os olhos, havia lágrimas neles. "por favor, diga que ainda é meu amigo, Harry. Mesmo que não possamos ficar juntos, por favor diga que ainda quer ser meu amigo."

Rony cruzou os braços e foi um pouco pra longe, tentando dar a eles pelo menos um pouco de privacidade.

Aproximando-se de Hermione, Harry não conseguiu pensar em nada alem de tentar dizer algo pra que ela se sentisse melhor. "Claro que ainda somos amigos," ele sussurrou. Gentilmente, como se tocando uma gota de orvalho numa folha, ele secou uma lágrima.

"Eu não agüento mais," Hermione disse, mal conseguindo se segurar.

"Ouça," Harry sussurrou na voz mais consoladora que pôde, "só porque não podemos namorar agora, não quer dizer que não podemos ser amigos. Vai ser difícil voltar a isso, mas é melhor do que ficar completamente separados. Concorda?"

"mas e se tiver sido programada pra te machucar?" ela disse, secando as lágrimas.

"Você não vai me machucar," Harry respondeu.

"Você não vai conseguir colocar um único feitiço nele enquanto eu estiver por perto," veio a voz de Rony. Ele se juntou aos dois. "tem que parar de nos evitar como se fosse uma arma programada para matar, Hermione. Não só por causa da nossa amizade. Tem coisas estranhas acontecendo no castelo e não poder falar sobre isso com vocês dois está me enlouquecendo."

"Então, o que diz?" Harry perguntou a ela. "Amigos?"

"Claro," Hermione respondeu, novas lágrimas escorrendo por seu rosto. Ela correu de repente e deu um grande abraço em Harry e Rony.

"Então, de que coisas estranhas estava falando, Rony?" Hermione perguntou quando eles se separaram. "Tem algo a ver com Maddie?"

"Maddie?" Harry perguntou.

"Eu a estava seguindo há poucos instantes," Hermione se aproximou e sussurrou. "Ela está aprontando algo e achei que essa era a oportunidade perfeita pra descobrir mais."

"Como sabe que ela está aprontando algo?" Harry perguntou.

Hermione contou que viu Maddie lendo um livro tarde da noite na biblioteca e como conseguiu descobrir que página ela tinha lido.

"Minha teoria é que ela está procurando esse quarto secreto com tapeçarias especiais. O livro não estava muito claro sobre o que tinha nessas tapeçarias, só tinha que dizendo que elas tinham desenhadas cenas da batalha que envolviam um objeto mágico conhecido como tabula de transmora," Hermione disse.

O queixo de Rony caiu e ele balançou a cabeça devagar. "Eu devia ter dito a vocês dois. Devia ter pensado melhor e não ter mantido segredo."

O olhar de expectativa em seus dois amigos foi tudo o que Rony precisou para relatar a história do quarto secreto dos Weasley, incluindo o aparecimento e desaparecimento dos Tupperwicks.

"Tem algo que preciso dizer também," Harry disse, quando Rony terminou.

"Tem mais?" Hermione perguntou, descrente. "Primeiro o quarto, que eu acho desprezível, e agora você diz que ainda tem mais. Quanta coisa eu perdi."

"Você não sabe da missa a metade," Harry disse e começou a contar o que tinha dito a Rony sobre a capa da invisibilidade que a Ordem achou e como eles suspeitavam de Karkaroff.

"E ainda tem mais," Harry continuou. "Coisas que não tive chance de contar nem a você, Rony. A outra teoria da ordem sobre o mal funcionamento das vassouras envolve um antigo objeto mágico. Hermione, você procurou mais informações sobre a tabula de transmora?"

"Claro que procurou," Rony respondeu por ela. "Ou não?"

Hermione deu um pequeno sorriso antes de ficar séria novamente. "Claro que procurei. Era um objeto usado pelos Druidas para aumentar feitiços. A lenda diz que a tabula de transmora está escondida em uma das muitas escolas de magia européias. Mas todas as escolas foram procuradas sem achar nenhum sinal dela."

"Então, Maddie acha que o quarto secreto guarda a Tábula de Transmora?" Harry disse, baixinho.

"Aposto um milhão de galeões que está lá no quarto!" Rony disse, quase gritando. "Toda vez que entro lá, sinto que há algo diferente com minha magia."

"E aposto que quem colocou os Tupperwicks lá, sabia que a Tábula de transmora aumentaria qualquer feitiço contido em suas folhas," Hermione completou, seu rosto corado de animação. "A razão para terem tirado os Tupperwicks de lá depois é porque ficou claro que mais alguem tinha acesso ao quarto quando Megan disparou uma das folhas sem querer."

"Devemos voltar naquele quarto," Harry disse. "Antes que Maddie chegue lá. não confio nela."

"Mas ela não sabe onde é, " Hermione disse, impaciente. "Ela estava ainda agorinha andando pelos corredores de olhos fechados, você não viram? Muito estranho."

"Mas ela já esteve lá," Rony disse com um sorriso. "Ela e Carlinhos estavam muito amigos ontem de noite. Que cachorro! Aposto que a levou até lá. Ela está tentando achar o quarto pelo que lembra. Tenho certeza que ele a vendou."

Harry teve que segurar uma risada quando Hermione olhou para Rony, meio horrorizada, meio 'não é hora pra isso'.

"Mesmo que não saiba onde, claramente mais alguém, alguém que esteja ligado ao desaparecimento dos Tupperwicks sabe," Hermione disse impaciente. "Temos que dizer a Dumbledore."

"Ainda tem mais," Harry disse, uma sensação amarga repousando sobre seu estômago. "Alguns membros da Ordem acham que Voldemort invadiu Beauxbatons porque estava procurando um antigo objeto mágico. E se ele estivesse procurando a tábula de transmora?"

"Mas pra que ele a quer?" Rony perguntou.

Harry hesitou. Dentro de sua cabeça, havia uma batalha entre duas forças: a promessa que fizera à Ordem de manter segredo e a necessidade urgente de chegar à raiz do problema que a Ordem enfrentava. Percebendo que provavelmente ele não era o único bruxo a fazer isso, ele decidiu quebrar o juramento de manter segredo e encarar as conseqüências, quando e se elas aparecessem.

"Vou dizer a vocês dois uma coisa que me disseram na noite que entrei para Ordem. Tem a ver com Maddie e com o porque ela foi escalada para me proteger durante o verão. Os Aurores descobriram de uma fonte confiável que o plano de Voldemort poderia ser usar uma arma secreta para matar todos os bruxos e bruxas nascidos trouxas."

Hermione cobriu a boca, totalmente chocada.

"Tem mais," Harry disse, sem querer faze-la se sentir ainda pior do que ela já estava, mas sabendo que precisava continuar. "A razão que os Aurores tinham pra me proteger era porque Voldemort precisava de um inocente que tivesse sobrevivido uma maldição fatal pra que seu plano funcionasse. Naturalmente, eles acharam que era eu."

"Mas você é o único que sobreviveu a uma maldição fatal," Rony disse. "Além disso, você só tinha um ano de idade. Não dá pra ser mais inocente que isso."

"Então os aurores não estavam te protegendo só pra você fazer o feitiço Domus Quattor," Hermione completou. "Estavam preocupados que Voldemort te usasse pra matar nascidos trouxas."

Harry concordou, olhando alternadamente para seus dois amigos.

"Merlin," Rony disse. "Me sinto um idiota por estar me preocupando com xadrez quando Voldemort pode estar a instantes de matar milhares, talvez milhões."

"Não se pudermos evitar," Harry disse, se preparando pra sair. "Vamos até esse quarto de Maddie e ver o que podemos descobrir. Se acharmos a tábula de trasmora lá, vamos direto até Dumbledore." Ele completou com a última frase porque Hermione já tinha aberto a boca pra falar e ele sabia o que ela ia dizer.

"Concordo," Rony disse. "Vem com a gente, Hermione?"

"Claro."

Com Rony liderando, eles subiram as escadas da Torre de Astronomia. Harry não pode evitar o sorriso, apesar da situação de perigo em potencial que eles iriam enfrentar. Ele finalmente se sentia mais em casa em Hogwarts do que se sentia quando pegou o trem na plataforma 9 e meio.

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Notas da autora: O que o trio vai encontrar no quarto secreto? Quem deixou a capa da invisibilidade na porta do quarto de Karkaroff? Quais serão as conseqüências do feitiço reinvidicador que Hermione colocou em Harry?

O próximo capítulo é um pivô da historia. Só falta mais uns três capítulos, então os 2 próximos vão ser o clímax da história, e o capítulo final vai concluir as coisas. Não consigo expressar o quanto foi divertido escrever essa historia. Espero que tenha gostado até aqui e mal posso esperar pra dividir a conclusão com vocês.