Capítulo 14 – O Sacrifício
-Estamos quase lá – Rony falou pra trás. Harry e Hermione se apressaram para alcança-lo.
Eles estavam seguindo Rony até o quarto secreto dos Weasley para ver se lá realmente estava a lendária Tábula de Trasmora. A revelação do possível conteúdo do quarto secreto, a descoberta da capa da invisibilidade e o estranho aparecimento e desaparecimento dos Tupperwicks os faziam temer que Voldemort e os Comensais da Morte fariam algo sinistro em breve.
Chegaram ao topo da torre de Astronomia. Um vento forte bateu, os fazendo tremer. Hermione apertou sua capa quando eles chegaram na frente de uma das paredes do outro lado da torre.
-É aqui? Por que nunca ninguém encontrou? – Hermione disse, batendo os dentes.
-Porque – Rony disse –só funciona durante certas fases da lua. Tenho minhas dúvidas se vamos conseguir entrar hoje.
-Mas Megan conseguiu entrar, não foi? – Hermione disse –Estava na fase certa da lua quando aconteceu isso?
Rony estreitou as sobrancelhas, tentando lembrar. –Não tenho certeza. Mas podemos tentar, não é? Qual a pior coisa que pode acontecer?
-Podemos ficar presos no quarto e não conseguir sair até a próxima lua cheia – Harry disse.
-Ou Voldemort pode estar lá – Hermione disse, bastante ansiosa.
-Vocês dois estão paranóicos – Rony disse, olhando de um para outro. –Mas eu não. Vou tentar abrir – ele colocou o rosto contra a parede.
-Você abre a porta com um beijo na parede? – Hermione perguntou.
-Vocês poderiam se virar? – Rony respondeu. – Eu e a parede queremos um pouco de privacidade.
Trocando um olhar preocupado com a sanidade mental de Rony, Harry e Hermione se viraram. Cinco segundos depois, ouviram o barulho de uma pesada porta de pedra se abrindo.
-Me pergunto se os gêmeos inventaram a coisa da fase certa da lua – Rony resmungou enquanto os três colocavam as varinhas a postos.
-Parece bem do feitio deles – Harry respondeu, seu coração batendo rápido de nervoso. Não importava quantas vezes encarasse a morte, não conseguia se livrar da sensação inicial de pânico que se abatia sobre ele como um balde água fria jogado em sua cabeça.
Eles entraram num quarto completamente escuro. Harry sentiu um frio que ia até os ossos o acertar no estômago. Não podia ser o vento porque a porta estava atrás deles e não na frente.
-Lumos – os três disseram em sincronia.
Harry de repente se sentiu tonto. E então ele ouviu.
- Harry não, por favor! O Harry não! - ele ouviu a voz de sua mãe gritar.
Harry cobriu os ouvidos. –Rony...Hermione... acho que tem dementadores aqui.
Sem esperar por suas respostas, Harry levantou a varinha, pensou em sua memória mais feliz e disse –Expecto Patronum!
Um grande cervo prateado saiu da ponta da varinha de Harry, iluminando o quarto e correndo por ele. Dementadores saíram de baixo de capas da invisibilidade enquanto o Patrono passava. Ele os seguiu até a porta, que um deles abriu. Eles fugiram, levando as capas com eles. A porta bateu novamente e o cervo parou, olhou para Harry por um momento e depois se desintegrou.
Ele se virou para seus dois amigos. Hermione parecia que ia desmaiar e Rony balançava a cabeça como um cachorro saindo da água. Harry balançou a cabeça também. Isso o fez sentir um pouco melhor.
-Eu... eu vi coisas terríveis – Hermione sussurrou.
Harry colocou um braço ao redor dela e ela se agarrou a ele, tremendo. –Eu não que me abandone – ela sussurrou.
-Eu nunca te abandonaria.
-Certo, pombinhos – Rony disse, olhando a sua volta, nervoso. –Odeio interromper esse abraço platônico, mas nem tão platônico assim, mas talvez devêssemos descobrir o que raios está acontecendo aqui.
Eles avançaram mais no quarto. Harry acendeu a varinha e a levantou acima da cabeça para espalhar melhor a luz. À frente deles estava uma grande mesa de pedra com várias runas e símbolos inscritos. Quando se aproximaram, ficou claro que era uma tábula de pedra apoiada sobre quatro pilares.
-Não está igual – Rony comentou, enquanto olhavam de olhos arregalados para a tábula.- Onde está a colcha lilás?
Hermione não reagiu. Olhava para tábula como se estivesse hipnotizada por ele. –É ela – ela sussurrou.
-Olhe Hermione – Harry disse, apontando com o queixo para a parede do outro lado. –As paredes têm os murais que você mencionou – mas ela manteve o olhar na tábula.
-Está sentindo a magia vindo daí? – Rony perguntou a ela.
Ela afirmou com a cabeça. –O que acontece se tocar?
-Não sei – Rony respondeu –Nunca toquei diretamente.
-Vamos tentar – disse Harry, indo corajosamente até a tábula e esticando a varinha.
-Cuidado! – Hermione advertiu.
A luz na ponta de sua varinha ficava cada vez mais forte à medida que ele a aproximava da tábula. Quando a varinha fez contato, o quarto se encheu de uma luz capaz de cegar e Harry sentiu uma força mágica correr por seu corpo.
-Está muito claro!- Rony gritou –Pare!
-Nox – Harry disse e eles entraram na completa escuridão. –Desculpe – ele completou, recuando.
-Lumos - eles murmuram, reacendendo suas varinhas.
-Estranho – Harry disse –Senti aquela onda de magia de que você falou uns minutos atrás.
-Viu como aumentou o poder do feitiço? – Hermione disse.
Rony fez que sim.
Hermione abriu a boca pra falar mas alguma coisa, mas antes que o fizesse, a porta se abriu.
-Expelliarmus- uma voz fria mandou. Suas varinhas saíram voando de suas mãos até a de Lorde Voldemort.
*****
-Draco, qual o problema? – ela perguntou. Quando ele a cumprimentou de trás da estátua, sua expressão estava travessa. Mas agora que estavam numa sala vazia, parecia que tinha levado um murro no estômago.
Ele se aproximou dela, ficando tão perto que ela podia sentir a respiração dele em seu rosto. –Quero que saiba de uma coisa e que nunca esqueça disso.
O estômago dela deu um nó. Ele raramente falava tão sério assim com ela. –Se não disser qual o problema... – ela começou.
-Não posso.
-Por que não?
-Também não posso dizer isso. – ele disse, franzindo a testa. Ele segurou as duas mãos dela entre as suas e a olhou nos olhos.
Ela não conseguia falar. Uma sensação ruim se abateu sobre ela, que sentiu seus olhos marejarem e suas bochechas corarem.
-Eu te amo – ele sussurrou e apertou as mãos dela. –Por favor, lembre disso. Não importa o que aconteça, quero que saiba que te amo.
-Draco, por que...?
-Você também me ama?
-Claro que sim– ela respondeu rápido. Era algo de que ela tinha tanta certeza de que sabia quanto sabia o seu nome.
-Me diga.
-Te dizer o que?
-Quero ouvir você dizer com todas as letras.
Ela fez que sim com a cabeça, grandes trilhos de lágrimas escorrendo de seus olhos –Eu te amo, Draco.
Ela a puxou e colocou sua boca sobre a dela, beijando-a. Ela nunca o vira tão sensível ou gentil, mesmo nos momentos de mais paixão. Ao invés de excitá-la, esse beijo lento, brando a deixou ainda mais nervosa. A respiração dele estava forte, penosa como se estivesse desesperado por ar ou amor ou paz. Algo estava errado.
Apesar da ansiedade que sentia, ela retribuiu o beijo, murmurando garantias. Depois de um tempo, ele recuou um passo e a encarou. Ela encarou de volta, dizendo a si mesma que precisava lembrar desse momento para sempre.
Os olhos cinzentos dele estavam incertos e sem foco, como se tivesse bebido demais. Mas o queixo dele estava firme e estava de pé com confiança, suas vestes pretas fazendo seus cabelos parecerem brancos devido ao contraste. Seus lábios estavam com um leve toque rosa por causa do beijo, a única cor que impedia que ele parecesse uma fotografia antiga que ela só via em álbuns de família antigos.
-Tenho que ir – ele disse direto –Por favor, não estrague tudo falando demais. Não sou muito bom com rompimentos e realmente não suporto quando as bruxas choram.
Antes que ela pudesse reagir às dolorosas palavras, ele foi embora.
*****
A primeira coisa que Harry ouviu ao acordar foi a risada de Voldemort.
No início, ele pensou que fosse um pesadelo. Ele tentou abrir os olhos, mas estavam tão pesados que parecia que tinha sacos de galeões amarrados em cada pálpebra. Quando tentou se mexer, descobriu que seus braços e pernas estavam imobilizados, despertando um pânico nele.
-Acorde, Harry Potter – a voz de Voldemort comandou.
Harry sentiu um ar frio correr por si. Ele tossiu e conseguiu abrir os olhos e olhar a sua volta. A cena que viu era pior que um pesadelo.
Tinha dois guardas encapuzados de cada lado. MacNair – o bruxo que quase executou Bicuço no terceiro ano de Harry – estava mais pra esquerda de Harry. Harry ficou bastante surpreso ao ver o bruxo que estava ao lado de MacNair. Era Draco Malfoy. Harry suspeitava que Draco era aliado dos Comensais, mas nunca o vira entre eles, tomando parte em suas atividades. Draco levantou o queixo, cumprimentando quando o olhar de Harry encontrou o seu. O pai de Draco, Lúcio Malfoy, estava em pé bem na frente de Harry. Ele tinha um sorriso de orelha a orelha como se alguém tivesse acabado de dar as melhor notícia de sua vida. Completando o grupo estava nada mais nada menos que o próprio Voldemort. Seus olhos brilharam e sua narina em forma de fenda se contraíram quando ele e Harry trocaram um olhar de puro ódio, fazendo a cicatriz de Harry queimar tão forte que ele achou que fosse morrer. Quando fechou os olhos para recobrar os sentidos, Harry se perguntou o que tinham preparado para ele, e porque o olhavam com tanta avidez. Parecia que ele era um entretenimento preliminar, antes do número principal.
-Foi bastante impressionante – Lúcio Malfoy disse –Por um momento, achei que poderiam escapar.
Memórias do que ocorreu invadiram a mente de Harrry, que ainda latejava por causa da dor na cicatriz. Depois que Voldemort capturou suas varinhas, ele deu um passo pro lado, permitindo que vários guardas encapuzados entrassem no quarto. Harry, Rony e Hermione estavam cercados. Hermione de repente se curvou, gemendo de dor, o que foi distração suficiente para que avançassem sobre os guardas e saíssem correndo. Parecia que único bruxo que tinha varinha no quarto era Voldemort, então Harry, Rony e Hermione conseguiram abrir caminho até a porta aberta, lutando, antes que os feitiços dele os acertassem. Hermione foi a primeira a cair, seu pente se desprendendo e fazendo barulho no chão de pedra do lado de fora, quando dois guardas a arrastaram de volta para o quarto. Rony foi o seguinte; atingido pelo Petrificus Totalus. Eles fecharam a porta antes que Harry conseguisse ficar de pé, depois de ser atingindo pela maldição Impedimenta. Eles entregaram Rony – que gritava bidimensionalmente (o que era estranhamente parecido com quando se fala por um rolo de papel higiênico vazio) – aos guardas do lado de fora pela fresta na parte de baixo da porta. Harry sentiu algo acertar sua cabeça, e a única coisa que conseguia lembrar depois, é de lutar pra abrir os olhos à fraca luz das tochas.
-Que agradável surpresa achar a única pessoa que queria convidar para o nosso pequeno espetáculo – Voldemort disse, falando com o Sr. Malfoy.
Lúcio Malfoy sorriu e olhou para Draco que concordou.
Num segundo, os olhos de Voldemort brilharam como se fossem feitos de fogo. Quando ele falava, sua voz estava cheia de raiva. –E que sorte que Potter e seus amigos intrometidos não arruinaram completamente nossos planos! Você devia saber que eles apareceriam mais cedo do que esperávamos. Sua incompetência será punida assim que terminarmos aqui.
-Sim, Meu Lorde. Me perdoe – o Sr. Malfoy respondeu.
-Onde estão meus amigos? – Harry perguntou no silêncio tenso que seguiu.
-Weasley se juntou aos outros. Você não o verá novamente – Lúcio respondeu. –E sua amiga, Srtª Granger está... – ele não completou. –Quer fazer as honras, Mestre? – ele olhou para Voldemort, que recuou, com um cumprimento.
Harry arregalou os olhos ao ver a cena. Hermione estava inconsciente, amarrada com cordas à Tábula de Transmora.
*****
-Acorde, Rony. Acorde.
-Você acha que ele vai ficar bem?
-Por favor se acalme, Gina. Acho que ele foi atingido pelo Petrificus Totalus. Vai passar logo e ele vai recobrar as sensações. Talvez acorde aí.
-Estou com tanto medo, Megan. O que acha que está acontecendo?
-Não tenho certeza. Seu palpite é tão bom quanto o meu.
Rony decidiu que já tinha ouvido demais Megan e Gina falarem sobre seu corpo imóvel. Ele mexeu o braço, acertando a perna de alguém.
Gina se assustou.
-Parece que ele está acordado – foi a resposta de Megan. Ele sentiu a mão quente dela em sua testa e seus cabelos fazendo cócegas em sua bochecha.
Quando abriu os olhos, ele a encontrou encarando-o intensamente, a preocupação que não estava notável em sua voz, era evidente em sua expressão.
-Estávamos tão preocupadas com você – Gina disse, se ajoelhando do outro lado, de frente pra Megan. -O que aconteceu?
-Fomos atacados – Rony conseguiu dizer, sua voz arranhando a garganta. –Harry, Hermione e eu fomos atacados. Vocês os viram? Onde eles estão?
As expressões de Megan e Gina lhe diziam que seus dois amigos não estavam ali. Gina, em especial parecia ter chorado histericamente.
O efeito do feitiço achatador começou a passar, Rony sentou e viu vários alunos em volta deles. Parecia que todos os alunos de Hogwarts estavam juntos em uma das maiores Masmorras. Mas não havia nenhum professor. Tudo o que se podia ouvir no salão frio eram sussurros nervosos e choros ocasionais.
-Também fomos atacados – Gina disse, pálida e com os olhos vermelhos. –Uma reunião de emergência das Casas foi convocada, e depois estávamos acordando aqui na Masmorra.
-Achei meio estranho interromperem o torneio de xadrez para fazer um anúncio a todos os estudantes – Megan disse. Ela o olhava de perto, avaliando o estado dele.
-A professora McGonagal notou na hora que você, Hermione e Harry estavam sumidos. Ela organizou um grupo pra procura-los, mas todos ficamos inconscientes antes que eles voltassem. Vocês viram alguém?
-Sim. Nós o vimos. Nós vimos V-voldemort – Rony respondeu, dizendo o nome dele pela primeira vez na vida. Megan e Gina ficaram surpresas.
-Viram mais alguém? – Gina respondeu, se recompondo.
-Só mais alguns guardas encapuzados – Rony respondeu. –Foi estranho. Eles não estavam com as varinhas.
-E Draco? Ele também sumiu – Gina falou. –Ele estava lá?
-Provavelmente era um dos malucos embaixo do capuz – Rony disse, estreitando os olhos, desconfiado. –O que isso te importa?
Os olhos de Gina se encheram de lágrimas. –Eu não me importo.
Rony franziu a testa. –Não se importa, não é? Ele te enfeitiçou?
Gina olhou feio para ele. –não estou enfeitiçada. Quer, por favor, deixar isso pra lá?
-Não! – Rony gritou.
Megan apertou a mão de Rony, olhando dele para Gina. –Vocês dois querem parar de brigar? Precisamos descobrir o que está havendo.
-Certo – Rony disse, olhando feio novamente para Gina. –Deixa eu contar o que aconteceu.
Depois de recontar os eventos que levaram à prisão de Harry e Hermione, tudo o que Rony conseguia pensar era como resgata-los do quarto onde estava a Tábula de Transmora. Tinha que haver alguma saída das Masmorras; ele só precisava descobrir como passar pelos guardas. Então ele notou que nem Gina nem Megan falou depois que lhes disse o que acontecera.
-Pare de olhar assim para mim, Meg, estou bem – ele disse. –Gina, relaxe, estou bem.
Megan concordou com a cabeça e se virou de modo que ficou mais perto dele. –Quando Gina me disse que você estava sumido, pensei no pior. Estou tão feliz que está bem – ela o abraçou e ele lhe deu um beijo, sentindo-se meio constrangido por fazer isso na frente de sua irmã.
-Sabia que algo ruim ia acontecer – Gina murmurou enquanto Megan e Rony gentilmente terminaram o beijo. –Meus instintos me diziam – mais lágrimas escorreram de seis olhos, e ela as secou com raiva.
-Você tem bons instintos e devia confiar mais neles – veio uma voz detrás de Gina. As duas garotas viraram pra quem falou.
Ela estava com vestes da Sonserina, alta, com seus cabelos em tranças. Rony virou o pescoço pra olhar entre Gina e Megan, seus olhos quase pulando quando a reconheceu.
-Maddie?
A sonserina fez que sim.
-O que está fazendo aque? – Rony perguntou. –Você não é aluna.
-shhhh – Maddie disse, olhando a sua volta, alarmada. –Boa observação. Pensa rápido, não é mesmo?
-Belo disfarce – Gina disse. –você parece uma aluna do sétimo ano. Como fez isso?
-Não temos tempo para explicações. Preciso saber o que aconteceu, Rony. A versão mais curta, por favor. – Maddie disse.
Rony recontou a estória para Maddie e Sabrina Eng, uma aluna do sétimo ano da Corvinal que Maddie levara com ela. Além dela ser capitã do time de quadribol da Corvinal, Rony não sabia muito sobre Sabrina e se perguntou porque Maddie a trouxera. Não precisou esperar muito por uma explicação.
Quando ele terminou, Maddie ficou um tempo em silêncio. –Já descobri como escapar, mas preciso levar alguns de vocês comigo para dar o passo seguinte.
-Que passo seguinte? – Megan perguntou.
-O feitiço Domus Quattor, também conhecido como Feitiço dos Quatro Fundadores. Exige uma pessoa de cada casa de Hogwarts e só pode ser invocado nos terrrenos da escola. Pode ser o único meio para derrotar Voldemort – Maddie respondeu. –Preciso de alguém da Corvinal, por isso trouxe Sabrina comigo e vou precisar de um aluno da Grifinória e da Lula-lufa, então Rony e Megan terão que vir conosco. Juntos, vamos achar nossas varinhas e depois para o quarto da Tábula de Trasmora resgatar Harry e Hermione. Precisamos que Harry faça o feitiço, e meu palpite é que ele precisará de ajuda para escapar.
-Posso ir também? – Gina perguntou. –Posso ficar de guarda.
-Não. Preciso que fique aqui e tente organizar os alunos. Precisam escapar do castelo, no caso de Voldemort decidir explodir tudo como fez com Beauxbatons no ano passado.
-Como vou fazer? – Gina perguntou.
-Você é mais esperta do que imagina, - Maddie lhe disse. –Tenho certeza que vencerá o desafio. Apenas tenha fé em si mesma.
-Só tenho uma pergunta, professora – Sabrina disse.
-E qual é?
-como vamos escapar sem nossas varinhas?
-Já planejei tudo. Apenas sigam o que fizer.
Muito nervoso, Rony levantou e deu um abraço de despedida em Gina. Ele tinha a sensação que não a veria de novo e lágrimas quentes queimavam no fundo de seu olho, mas ele piscou para que fossem embora. Tomando a mão de Megan na sua, seguiu Maddie para frente da masmorra, imaginando se tinham alguma chance de sucesso.
******
-Hermione! - Harry gritou. Não conseguiu segurar. O choque de vê-la deitada ali impediu que escondesse suas emoções como tentava fazer na presença de Voldemort.
-Hermione – zombou MacNair, enchendo o ar de risos. Harry tentou ao máximo ignora-los, sua cicatriz queimando como se uma brasa quente estivesse amarrada á sua testa.
Hermione se mexeu e os risos cessaram. Lúcio Malfoy avançou e checou se as cordas estavam seguras. Os olhos dela se abriram quando ele deu uma puxão muito forte na que amarrava o pulso seu esquerdo.
-O que... que... Harry? – ela disse, parecendo que todo ar tinha sido tirado dela.
-Estou aqui! – ele gritou.
-Me solta! – Hermione gritou, se debatendo e fazendo o sorriso no rosto de Lúcio aumentar ainda mais.
-Não adianta, Sangue-ruim – Voldemort zombou, andando até ela com a varinha levantada. –Grite e lute quanto quiser. Não há saída. Sabe, você tem um papel muito especial no show. Por mais sujo que seu sangue seja, precisamos dele para nosso ritual.
Ela estreitou os olhos de raiva e depois olhou para Harry por cima do ombro de Voldemort. Harry se debateu mais contra a força mágica que o prendia, apesar de saber que não adiantaria.
-Dumbledore logo estará aqui e você estará acabado – Harry disse entre os dentes cerrados.
-Não haverá interrupções de Dumbledore e de sua preciosa Ordem – Lúcio Malfoy disse. –Me palpite é que nesse momento ele e seus amigos professores está lutando contra os nossos dementadores mais agressivos na sala de Professores. Ele pagará por ter sido idiota o suficiente para deixar que Hogwarts sediasse o torneio.
-Sempre o mesmo bichinho de estimação de Voldemort, não é, Malfoy? – Harry alfinetou dando um sorriso de desprezo.
-Não ouse dizer o nome dele! – gritou MacNair, dando um murro no estômago de Harry, fazendo com que ele se curvasse para frente.
-Ele não deixou vocês ficarem com as varinhas, não é? – Harry ouviu Hermione dizer enquanto lutava pra respirar mesmo com a dor.
-Uma observação bem perspicaz – a voz fria de Voldemort disse. –o jovem Malfoy não mentiu quando falou de sua inteligência. Eu o puni por ter dito tal mentira, mas talvez tenha me enganado.
Os olhos de Harry pousaram em Draco, que parecia ocupado em um duelo de olhar com seu pai.
-Então me diga, Sangue-Ruim, por que acha que não permiti nenhuma varinha além da minha aqui?
-Por que você é um paranóico, desconfiado, idi... – Harry começou, mas foi logo silenciado por outro golpe no estômago, dessa vez pelo guarda à sua esquerda. Quando a mão metálica fez contato com sua barriga, ele reconheceu a pessoa. Era Rabicho.
Antes de responder, Hermione viu Harry se recuperar, sua expressão cheia de preocupação. Quando falou, sua voz estava meio trêmula. –Você não quer outras varinhas aqui porque quer reduzir o número de objetos mágicos no quarto. Isso vai garantir que o feitiço que fizer com a Tábula ganhará a potência máxima. Isso também explica porque me amarrou com cordas ao invés de magia. Talvez a presença de muita magia possa interferir no que está planejando.
Voldemort deu uma risada fria e aguda. –Bom palpita, Sangue-ruim. Mas já chega de conversa. Você está atrasando a diversão que terei ao vê-la morrer.
-Não toque nela! – Harry gritou.
Voldemort riu novamente e levantou a varinha, apontando para Harry. –Sua vez chegará.
Os Comensais da Morte riram e ele falou novamente, silenciando-os. –Três anos buscando e planejando e aqui estamos agora, à beira de dominar a morte e purificar nossa espécie. Por séculos, os bruxos poluíram nosso sangue, casando com Trouxas e Sangues-ruins. Mas tudo isso será anulado hoje. Nesta noite, iremos realizar o objetivo de minha vida de subjugar a morte.
-Dois anos atrás, ganhamos um presente muito raro. Conseguimos achar o que buscávamos, um inocente que tenha sobrevivido a uma Maldição terrível. Ela está aqui na frente de vocês, graças a você, Harry e ao empenho do jovem Sr. Malfoy ela continua sendo o condutor puro que precisamos para canalizar nossa herança para nós, os donos por direito.
-Como assim? – Harry perguntou.
-Seu idiota! – Lúcio Malfoy caçoou. –Não é obvio? Você acionou a Maldição de Morgana, como nosso vidente previu. Meu filho trabalhou incansavelmente a partir desse momento para que sua namorada sangue-ruim sobrevivesse e continuasse virgem para que pudesse ser sacrificada.
-Espere – Draco disse, de braços cruzados. Ele parecia um pouco confuso. Ignorando o olhar de reprovação de seu pai, ele continuou. –Você me disse que ela morreria se não fosse pura e agora está me dizendo que sempre planejou mata-la? Por que não me disse a verdade?
-Você não tem direito a nada, Draco, até que seja realmente iniciado e faça parte do nosso grupo mais íntimo – Lúcio Malfoy respondeu –e o Lorde das trevas não gosta de servos que não sabem seu lugar.
Draco descruzou os braços e se endireitou, olhando de seu pai para Voldemort. Harry não tinha certeza, mas teve a impressão de ter visto um esboço de um sorriso em seus lábios. –Ficaria ainda mais animado com o trabalho se tivesse me dito que ela morreria.
Lúcio fez que sim com a cabeça e colocou a mão sobre o ombro de Draco.
-Um Comensal da Morte à caminho – Voldemort disse, dando a Draco um olhar de avaliação.
Harry deu um risinho e todos os olhos pousaram sobre ele. –Odeio interromper a troca de afeto, mas vocês já falharam.
-Oh? – Voldemort respondeu. –Então, por favor, me diga. Como eu falhei? – seus olhos miraram nos de Harry que os evitou. Respirando fundo, ele tentou tirar todos as emoções de sua cabeça para que pudesse impedir que Voldemort lesse seus pensamentos.
-Não que seja de sua conta – Harry disse –Mas ela não é mais pura. Já estivemos juntos.
-Harry – Hermione sussurrou. Ela chorava.
-Isso é impossível – Lúcio Malfoy olhou com desprezo, virando para Draco. –A não ser que aquele Pó que roubou da Auror não fucione direito, garoto.
Harry e Hermione trocaram um olhar. O que queriam dizer com Pó? Isso explicava as atitudes de Hermione e por que ela ficava tendo memórias do tempo que passou com Draco depois do ataque?
-O Pó funciona bem. Fiz algumas experiências com ele pra ter certeza que funcionava. – Draco respondeu. –Por que não a testa só para ter certeza?
-MacNair! – Voldemort comandou.
MacNair deu um passo a frente com um frasco contendo um líquido preto brilhante nas mãos.
-vou te matar se tocar nela! – Harry gritou. Sua cabeça latejava e ele suava tanto que suas vestes estavam ensopadas.
-Já viu um teste de virgindade antes, Potter? – Draco perguntou, caçoando. –É apenas sangue de unicórnio misturado com Veritaserum. Se ficar branco, ela é pura, se ficar preto, não é.
MacNair destampou o frasco e derramou um pouco do conteúdo no braço de Hermione. O líquido soltou um pouco de fumaça antes de ficar um branco opaco. Draco olhou triunfante para Harry, comemorando com os outros Comensais da Morte. Hermione mordeu o lábio e tentou balançar o braço, para se livrar do líquido, olhando com raiva para Draco.
-Você está mentindo muito melhor – Voldemort comentou.
-Por que não me coloca no lugar dela? – Harry perguntou. –Eu sou puro – Draco riu, mas Harry o ignorou –E eu sobrevivi à Avada Kedrava.
-Não! – Hermione gritou.
Voldemort deu mais uma risada fria e terrível. –Sua hora logo chegará, mas não podemos te usar. Se fosse você que morresse na Tábula, todos os que tivessem sangue misturado morreriam. Não. Precisamos dela por ser nascida trouxa. É para os Sague-ruim que vamos transferir a morte dela e matar enquanto canalizamos a magia deles nisso aqui.
Sacudindo a varinha, ele revelou uma parede com filas de Tupperwicks. –Usando a essência mágica que canalizar com a morte dos Sangue-ruim nessas plantas, poderemos fazer uma poção que fará quem a beber imortal. Não haverá mais mortes, nem doenças.
-Você está louco! – Hermione gritou. –Você não passa de um assassino psicopata!
Voldemort sorriu para ela e depois virou para Harry, com aqueles olhos frios e impiedosos. Ele puxou uma adaga das vestes e a segurou em sua frente. –Você vai assistir isso aqui atravessar o coração dela. Por causa de sua ligação a mim, por essa cicatriz, não quero te matar antes de ter certeza que sua morte não me trará a minha morte. Uma vez que alcançar a imortalidade, nada conseguirá me atingir, nem mesmo a Avada Kedavra. Mas é uma pena eu ter que esperar para te matar. Gostaria de te matar logo. Mas não queremos nos arriscar, não é verdade?
Harry não respondeu. Estava muito desespero para pensar claramente. Não parecia haver nenhuma esperança. Harry e Hermione se olharam, sabendo que esse poderia ser o último momento juntos. Os olhos dela se encheram de lágrimas e ele desejou desesperadamente que pudesse fazer alguma coisa pra salvá-la.
-É hora de matar a Sangue-ruim – Voldemort disse.
*****
-O que é aquela coisa que jogou na cara deles? – Rony perguntou, se esforçando pra acompanhar Maddie enquanto corriam.
Eles conseguiram passar pelos guardas com uma facilidade impressionante. Ele nunca vira bruxos agirem daquela forma antes. Eles pareciam ter tomado uma poção do amor muito forte ou estarem sendo controlados pela maldição Império. Maddie tirou uma pequena lata do sutiã e assoprou todo o conteúdo no rosto dos guardas. Depois de murmurar algumas palavras, eles disseram onde as varinhas estavam escondidas e deixaram que ela, Rony, Megan e Sabrina escapassem na Masmorra.
-É um pequena invenção minha, bem útil para convencer as pessoas que elas realmente fizeram o que você disse que elas fizeram – Maddie respondeu. –Pena que não tenho mais aqui comigo. Deixaria nossa jornada bem mais fácil.
Eles ficaram em silêncio e diminuíram o braço quando Maddie colocou a mão para trás, em aviso. –A sala onde estão guardando as varinhas está ali em frente. Mas vejo dois guardas.
-Como vamos passar por eles sem nossas varinhas? – Megan perguntou.
-Você deveria ter prestado mais atenção às aulas de Defesa Contra Artes das Trevas – Maddie respondeu, levantando a sobrancelha e com um ar de superior.
Num piscar de olhos, Maddie puxou Rony para trás da estátua de Gleda, a glutona. Megan e Sabrina se esconderam do outro lado do corredor atrás da estátua de Hilberto, o feliz. Rony prendeu a respiração enquanto ouviam e observavam de seu esconderijo.
Dois bruxos altos, adultos estavam na frente da porta, as varinhas a postos. Rony engoliu seco, tentando reunir sua coragem.
-Fiquem aqui, a menos que sinalize para vocês – ela sussurrou para Rony e os outros.
-O que você vai...? – Rony começou a perguntar, mas foi interrompido pela surpresa de ver Maddie pular de trás do esconderijo com as mãos na cintura.
-Oi, garotos! – ela disse –Esqueceram de uma.
-Pegue-a! – um deles gritou.
Eles jogaram maldições e azarações em cima dela, mas ela desviou da maioria delas. Uma rebateu no peito dela, que sorriu. –Vão ter que fazer melhor que isso.
-Você nem tem uma varinha! – uma voz profunda falou.
-Mas não é preciso uma varinha pra derrotar um bruxo – ela disse –Você só precisa acreditar com cada fibra de seu ser que vai ganhar.
-O que andam ensinando aos alunos de Hogwarts esses dias? – um deles perguntou.
-Mas eu não sou uma aluna – arremessando suas vestes para longe, revelando seu traje de costume de couro negro de dragão.
-É Madeline Monroe!
-Pelas barbas de Merlim!
-Que inferno!
-Pegue-a!
Mais uma chuva de maldições e azarações se seguiu e dessa vez Maddie não foi rápida o suficiente para evitar que seu braço fosse atingido, uma área que não estava protegida pelo couro de dragão. Abriu um grande corte e sangrava livremente.
-Ai! – ela zombou. –Agora me deixou com raiva. – ela correu até eles, derrubando o mais alto e tomando sua varinha.
-Expeliarmus! – ela gritou, apontando a varinha do Comensal da Morte abatido para seu companheiro. A varinha voou pelo ar; ela a segurou, fazendo uma careta por causa da dor no braço.
-Estupefaça! – ela gritou. Mas a varinha do comensal não respondeu ao pedido de alguém que não era seu dono. O guarda mais baixo de cabelo preto e voz grossa riu.
Ela tentou a outra varinha –Estupefaça! – Sem sorte. Quebrando as varinhas ao meio, ela olhou os dois guardas que se aproximavam.
-Parece que vamos ter que fazer isso do jeito mais difícil – ela disse, acenando a cabeça para Rony.
Ele saiu do esconderijo e Megan e Sabrina fizeram o mesmo. Eles se aproximaram de Maddie e dos guardas devagar.
-Está vendo? – Maddie disse. –Eles também são Aurores. Se fosse vocês, me renderia agora pra não correr o risco de quebrar o pescoço – num acidente, é claro.
Os dois Comensais se olharam por um momento, pensando.
-Se deixarmos vocês passarem, vamos morrer mesmo – disse o de cabelo preto. –Vamos ver o que sabe fazer, Monroe.
Ela se moveu rápido. Antes que Rony e os outros pudessem pular para ajudar, ela nocauteou o de cabelo preto com rápido chute na cabeça. O outro avançou e ela o jogou por cima dos ombros sobre uma das estátuas. Ele levantou, andando como se tivesse rodado por no mínimo meia hora.
Rony pegou um tijolo solto aos pés da estátua de Glena e bateu na cabeça do Comensal tonto. Fazendo barulho, ele caiu no chão.
-Obrigada por isso, Rony – Maddie disse, dando um sorriso pra ele.
-Tenho certeza que conseguiria sem mim – ele respondeu, impressionado.
Ela sorriu e deu um chute para abrir a porta da sala das varinhas.
*****
Voldemort foi até a parede do quarto e começou a ler as inscrições, murmurando para si mesmo e fazendo movimentos circulares com sua varinha. Graças à distração, Harry tentou chamar a atenção de Rabicho.
-Ei – ele sussurrou – Rabicho.
O homem a sua esquerda se virou um pouco. –Não fale, você vai perturbar o Mestre.
-Eu salvei sua vida. Você me deve ao menos uma chance de lutar aqui.
-Não te devo nada – Rabicho respondeu. –Agora pare de falar ou nós dois vamos morrer.
Lúcio Malfoy provavelmente notou que harry estava sussurrando pois foi para trás dele e sussurrou em seu ouvido. –Você finalmente vai ter o que merece, Potter, já está na...
-Hora do sacrifício – Voldemort disse, interrompendo.
-Deixe que eu faço – Draco se ofereceu, fazendo com que vários Comensais da Morte zombassem dele. Lúcio fez menção de dar um tapa em Draco, mas Voldemort o interrompeu, parecendo bastante satisfeito.
-Sabe o que está pedindo, garoto? – Voldemort perguntou a Draco.
-Estou pronto pra ser um Comensal da Morte e jurar minha lealdade a você através de sangue. Já passei em minha prova, entregando a bruxa. Por favor me dê a honra de mata-la por você – Draco respondeu.
-Podia te matar só por falar comigo diretamente assim – Vodemort sibilou. –Mas não vou. Uma coisa da qual sempre suspeitei desde a noite que ajudou a salva-la é que a magia seria mais poderosa se você a matasse no sacrifício. Se você quer, pode ter a honra. Depois que matar por mim e provar sua lealdade, te marcarei como um dos meus e será um membro do círculo mais íntimo, um dos meus servos mais confiáveis.
O punho cravado de jóias da adaga brilhou á luz das tochas quando Draco deu um passo a frente e Voldemort a colocou em suas mãos. Juntos, Draco e Voldemort se aproximaram de Hermione que agora lutava com todas suas forças contra as cordas que a prendia à Tábula de Transmora.
-Não vai funcionar! A Maldição de Morgana não é um feitiço mortal! Eu poderia ter deixado que ela vivesse sem mim! – Harry gritou. Essa era sua última tentativa de distraí-los do que iam fazer.
-Devia ter pensando nisso antes – Draco zombou.
O ar no quarto ficou muito pesado e Tábula começou a brilhar por dentro. Voldemort levantou a varinha e apontou para o coração de Hermione, murmurando.
-Através dela e para todos de seu tipo deixe a morte passar. Transfira a energia da vida dos iguais a ela, que precisamos para nos salvar dos pecados de nossos pais.
Um forte vento girou e apagou todas as tochas, mas o quarto ainda era iluminado pelo brilho da tábula. O uivo era tão alto que Harry não conseguia ouvir Hermione – que parecia estar gritando – nem Voldemort – que parecia estar rindo. Todos no quarto estavam concentrados na magia que se passava diante de seus olhos.
Num momento, Harry sabia que Draco afundaria a lâmina em Hermione e ela morreria. Voldemort sinalizou para Draco que olhava atento para seu Mestre. Ele levantou o braço, preparando para mergulhar a adaga no peito dela. O uivo do vento parou de repente e Harry prendeu a respiração, desejando e rezando que algo pudesse ser feito para salva-los.
*******
-Droga – Rony disse, olhando para o baú lotado com as varinhas dos alunos. –Vai demorar semanas até que a gente ache as nossas.
-Ainda não sabe como distinguir sua própria varinha? – Maddie perguntou.
-Fique à vontade - Rony disse, dando passagem para que Maddie ficasse de frente para o baú cheio de varinhas. –Mal posso esperar para ver isso.
Maddie olhou para a pilha de varinhas e colocou sua mão sobre ela. –Saltio Mano
Rony, Megan e Sabrina trocaram olhares impressionados quando a varinha saltou para a mão de Maddie.
-Sua vez de tentar – ela disse. –Vocês têm que se concentrar na sua varinha: em como ela é, como se sente quando a usa. Por que não vai primeiro, Rony?
-Por que eu? – Rony perguntou.
-Por que não? – Maddie replicou, as mãos na cintura.
Rony não respondeu. Foi até o baú e colocou a mão sobre ele. Fechando os olhos, tentou visualizar sua varinha. –Saltio mano.
Ele abriu os olhos e viu três varinhas saltarem em sua mão, nenhuma delas era a sua. Maddie balançou a cabeça para ele. –Tente de novo
-Espere! – ele ouviu Megan dizer. –Essa é minha varinha!
Rony olhou melhor as três varinhas em sua mão. Uma delas definitivamente era a de Megan e ele lhe entregou. Com um nó no estômago, ele reconheceu as outras duas.
-Nunca vi o feitiço funcionar assim antes – Maddie disse. -De quem são essas varinhas?
-De Harry e Hermione – Rony respondeu.
-Interessante. Mas não temos tempo pra pensar porque você puxou as varinhas deles, então por favor, me entregue e tente de novo – Maddie disse, estendendo a mão.
-Obrigado, mas prefiro ficar com elas, se não se importa – Rony respondeu. Ele as colocou no bolso, tentando ignorar o olhar que Maddie lhe dava.
-Saltio mano – Sabrina disse. A varinha dela pulou obediente em sua mão e ela sorriu.
-Tente de novo, Rony – Megan disse, dando um leve aperto no ombro dele.
-Não temos o dia todo – Maddie completou. Ela olhava pela porta para o corredor e olhou de novo para a sala, sua carranca ainda intacta.
-Sim. Certo. – disse Rony, desejando desesperadamente que funcionasse dessa vez. Respirou fundo, limpou seus pensamentos e disse as palavras do feitiço.
Funcionou corretamente e eles estavam a caminho do quarto secreto antes que ele pudesse celebrar seu pequeno triunfo. Rony liderava, seguido por Megan, Sabrina e Maddie. Só Maddie estava visível porque ela insistiu em colocar um Feitiço da Desilusão nos outros. Ela tentou ensina-los a colocar um nela, mas nenhum deles conseguiu fazer com que funcionasse e eles não tinham tempo pra praticar.
-É só subir... essas... escadas... e estaremos de frente para a parede correta – Rony disse, ofegante por causa da corrida e falando para que pudessem seguir sua voz.
-Deixe que eu vou primeiro.
Rony tirou o pé da escada e deu um passo para o lado. Quando ela alcançou o topo das escadas, sinalizou para que esperassem onde estavam. Movendo-se devagar, ela virou no corredor e desapareceu.
Momentos depois dela sair das vistas deles, ouviram um rugido e depois um grito. Rony subiu as escadas correndo, seguido por Megan e Sabrina. Quando eles alcançou o topo, ele viu algo que o fez deter suas companheiras com o braço.
-Não subam aqui.
-O que foi?
-Ela está bem?
-Apenas façam o que eu digo. Fiquem aí – ele disse, o coração pulsando nos ouvidos.
Rony encarava a besta mais feroz que já vira. E isso não era pouca coisa, considerando que Harry era seu professor de Trato das Criaturas Mágicas e tinha uma afinidade com pânico e perigo.
O corpo de cabra da criatura estava sobre Maddie, que estava deitada de costas no chão, inconsciente. O que fez Rony manter as duas garotas para trás foi que a grande cabeça de leão da besta estava abaixada sobre o abdome de Maddie e bebia o sangue dela por um grande corte no lado. A cauda comprida, verde e com espinhos da criatura balançava enquanto ela bebia, deixando marcas no chão de pedra. A cena fez Rony se sentir um pouco zonzo, mas ele se aproximou devagar, formulando um plano.
-Pare! – Megan sussurrou alto, bem de trás dele. Rony virou, colocando o dedo sobre os lábios e depois a empurrou pra uma pequena alcova.
-É uma quimera – Megan sussurrou. –Vai precisar de minha ajuda. Sabrina vai ficar de guarda nas escadas, vendo se não tem nenhum Comensal.
-Pensei ter dito pra ficar lá – Rony disse entre os dentes cerrados.
-Francamente! – Megan disse. –Precisa deixar o cavalheirismo de lado. Isso é uma guerra, Weasley!
-Como quiser – ele murmurou e depois pausou. –O que sabe sobre quimeras?
-Sei que são ferozes e sedentos de sangue – Megan disse, o sangue deixando seu rosto ao ver a criatura bebendo o sangue de Maddie. –Vai conseguir ver através do Feitiço de Desilusão. Você tem um plano?
-Estava pensando em estuporar ele.
-Não tenho certeza se vai funcionar – Megan sussurrou. –E se for igual a um dragão?
-Bem pensando – Rony disse, chateado. –Precisa de no mínimo seis bruxos pra derrubar um dragão.
-Tem outra idéia? – ela perguntou.
-E se eu chamar a atenção dele e afasta-lo de Maddie? Quando estiver limpo, você pode leva-la para porta e pra longe das vistas.
-Mas e você? Não quero que se machuque também – Megan sussurrou.
-vou ficar bem.
-Vai ser impossível entrarmos no quarto da Tabula, não é? – Megan disse, esfregando o braço dele, para consola-lo.
-É. Não tenho idéia de como vamos passar por essa coisa e entrar no quarto. E mesmo se conseguirmos passar dele, sem a ajuda de Maddie não teremos muito sucesso numa luta contra os Comensais da Morte lá dentro.
Seguiu um silêncio tenso. Rony se remexeu desconfortável, seus olhos nunca deixando a quimera. Megan fungou.
-Talvez Maddie tenha uma idéia do que podemos fazer depois que aquela coisa esteja longe – Megan disse.
-É, se conseguirmos acorda-la – Rony sussurrou distraído. –Certo. Pronta?
-Sim – Megan disse, puxando sua varinha. –Mas Rony?
Rony virou para olhar pra ela. Os olhos dela brilhavam com lágrimas. –Por favor, tome cuidado – ela disse- Não sei o que faria se....
-Não precisa se preocupar com isso, porque vou ficar bem. –ele sussurrou, colocando um braço reconfortante ao redor dela.
Ela fez que sim com a cabeça e deu um beijo na bochecha dele. –Boa sorte.
-Pronta, então? – Rony perguntou. Ele queria terminar com isso antes que perdesse a coragem e antes que Maddie perdesse ainda mais sangue.
Megan fez que sim novamente, segurando a varinha com força e secando os olhos.
-Agora! – Rony gritou, correndo em direção à quimera.
Tudo aconteceu tão rápido que eles mal tiveram tempo para pensar. A quimera levantou os olhos e logo viu Rony correndo perto dela. Levantou e foi atrás dele, rugindo alto. Megan fez um simples feitiço de levitação e levou Maddie até as escadas, onde Sabrina esperava. Deixando Maddie sob os cuidados de Sabrina, Megan virou para ajudar Rony.
A Quimera havia acuado Rony quando Megan os encontrou. Ele estava fazendo o que podia para não cair da torre de Astronomia, mas a Quimera avançava sobre ele.
-Ei, cabeça de leão! – Megan gritou.
Mais ligeiro do que ela esperava, a besta raivosa partiu em sua direção, acertando Rony no ombro quando se virou. Rony, cujo Feitiço da desilusão tinha parado de funcionar, estava agora pendurado na Torre de Astronomia, seu rosto vermelho pelo esforço de se segurar.
-Segure aí, Rony, estarei aí num minuto –Megan gritou por cima do ombro, enquanto tentava escapar da criatura.
Estava claro que a besta levava vantagem sobre ela, mas ela continuou a correr. Notou que a besta não se afastava muito da porta invisível que protegia. Se conseguisse virar rápido o suficiente, talvez conseguisse despista-la e voltar para Rony.
A quimera deu outro rugido e ela gritou. Correndo à base de pura adrenalina, se aproximou da parede do quarto secreto e ouviu outro rugido. A besta estava tão perto que podia sentir seu bafo em seu pescoço. No último segundo antes de colidir com a parede, ela deu um giro de 180 graus e disparou na direção oposta. O rugido seguinte saiu abafado, pois a Quimera batera de cara na parede.
-Rony! – Megan grito, correndo na direção dele. –Segure!
Ele conseguiu dar um pequeno sorriso quando dela chegou à beira e olhou para ele. –Por que demorou tanto?
-Vingardium Leviosa!
Depois que Rony ficou em pé, eles dispararam para as escadas, torcendo que a quimera não os seguisse até lá.
Realmente os seguiu um pouco, mas só até a porta que levava à escada. Rony ganhou outro ferimento no ombro do rabo espinhoso enquanto passava pela porta. A grande cabeça de leão encarava-os e deu um rugido sangrento, grave, com muito mais força e muito mais ferocidade que antes. Megan e Rony sentaram nas escadas, desesperadamente tentando recuperar o fôlego e parar de tremer.
Rony colocou a cabeça nas mãos, uma sensação de completa inutilidade tomando-o por dentro. Ele decepcionara seus amigos quando mais precisavam e não conseguia nem pensar no que estava acontecendo com eles nesse momento, nas mãos de Voldemort.
*****
A adaga estava posicionada na altura do ombro, pronta para atravessar o coração de Hermione. Quando Harry esperava que a adaga abaixasse, Draco colocou seu rosto mais próximo do de Hermione virou a cabeça e piscou para Harry.
-Foi um beijo que começou isso, então é apropriado que um beijo termine, não acham? – Draco falou, olhando a seu redor com um sorriso malvado.
Os Comensais da Morte riram e o encorajaram. Harry gritou e brigou, mas não meio dele escapar. Hermione gritou e se contorceu, mas estava presa. Ela deu um olhar triste para Harry e sussurrou "eu te amo", o que fez sentir como se seu coração partisse em dois. Draco abaixou sua cabeça sobre a dela e a beijou.
-e agora... – Draco falou, se afastando dela. –Você morre, Sangue-ruim.
-Nãaaaaaaaaaaaaaao! – Harry gritou, olhando Draco abaixar a adaga. Hermione gritava e os Comensais riam.
As lembranças do tempo que passou com Hermione passaram por sua cabeça em um milésimo de segundo. Ela estava se apresentando no Expresso de Hogwarts. Eles estavam estudando juntos no salão comunal, trocando olhares. A corrente do vira-tempo era colocada no pescoço dele. Ele a olhava enquanto ela entrava com Krum no Baile de Inverno. Ela mordia o lábio inferior logo antes dele beija-la depois da aula de dança. Os olhos dela se encheram de lágrima quando disse a ele que nunca o deixaria. Eles estavam rindo com Rony, passando pelos portões de entrada, de braços dados, radiantes. Ele a beijava no salão comunal, no quarto dela, no quarto dele. Ela era o amor da vida dele e agora ele estava perdendo-a.
No último segundo, a adaga mudou de curso e afundou na barriga de Voldemort, que se curvou para frente. Draco puxou a varinha da mão dele e jogou para Harry.
-Pegue, Potter – ele gritou.
Harry, que se sentiu livre das amarras mágicas quando Voldemort foi atingido, pegou a varinha. Fazendo careta por causa da dor em sua cicatriz, ele libertou Hermione com um feitiço rápido. Draco a ajudou a sair da Tabula, lutando com os comensais que os atacavam.
-Estupefaça! Estupefaça! – Harry gritou, tentando estuporar Rabicho e Macnair em rápida sucessão. Como a varinha que usava não era a dele, o feitiço não funcionou tão bem quanto ele desejava. Apenas derrubou seus alvos no chão e eles rapidamente se recuperaram. Voldemort estava caído e era protegido por um dos guardas mascarados e Lúcio Malfoy.
Draco e Hermione agora estavam na porta, que estava se abrindo.
-Vamos, Harry! – Hermione gritou.
-Corra, Potter – Draco disse. –Meu pai...
-Mas a voz de Draco foi abafada por um rugido alto, feroz.
-Tranque a porta - Hermione disse quando Harry passou pela porta. Ele virou e disse um feitiço para trancar, torcendo que funcionasse. As batidas na porta indicava que parecia ter funcionado, pelo menos por enquanto.
-Gatinho bonito – eles ouviram Draco dizer e se viraram.
******
Maddie estava um bagaço. Megan e Sabrina faziam o possível para que melhorasse, mas nada parecia conter o sangramento do grande corte que tinha do seu lado.
-Me leve – Maddie murmurou, enquanto tentavam acorda-la. –É a mim que quer. Eu! Eu!
-Maddie! – Rony gritou. –Acorde! – ele olhou as escadas a sua volta, imaginando quanto tempo tinham.
Os olhos dela se abriram e um pouco da cor retornou a seu rosto. –Vamos sair daqui – ela sussurrou.
-Você não vai a lugar nenhum até que tenha parado esse sangramento – disse Megan.
-Vou sim – Maddie respondeu. –E sugiro que não tente – ai - me impedir – ela tinha levantado e parecia que ia desmaiar.
Megan abriu a boca para protestar, mas Rony foi mais rápido. –Deixe que ela faça o que quer. Ela é uma Auror. Eles são treinados para coisas como essa.
Eles observaram enquanto Maddie pegar algo que parecia um band-aid do bolso e usou para tapar seus ferimentos. Rony começou a pensar que talvez ele não tivesse nascido para ser um Auror. Não conseguia suportar ver tanto sangue escorrendo que pingava no chão. O curativo pareceu conter o suficiente para que Maddie não deixasse um rastro de gotas vermelhas; mesmo assim, Rony estava ficando preocupado com a possibilidade dela ficar sem sangue antes que a noite acabasse.
-Está obvio que não conseguiremos entrar no quarto da Tábula de Transmora – Maddi disse enquanto andavam. –Então vamos torcer que Harry e Hermione consigam lutar e sair de lá.
-Pra onde vamos? – Rony perguntou.
-Para a câmara da Ordem de Fênix. – ela disse – Precisamos nos preparar para o Feitiço dos Quatro Fundadores.
-Você está supondo algumas coisas que talvez não devesse – Rony disse a Maddie, andando rápido para acompanha-la.
-Estou?
-Está sim, primeiro, supondo que Harry e Hermione conseguirão escapar. E segundo, supondo que Harry sabe que é pra nos encontrar na Câmara da Ordem. Precisamos dele para fazer o feitiço, não é?
-Primeiro, tenho razões para acreditar que não Harry e Hermione não estarão sozinhos na hora de lutar pra sair do quarto. Não vim para cá apenas para ensinar, Rony – ela disse, seu passo vacilando um pouco quando abaixou os olhos para checar seu ferimento.
-O que quer dizer com isso?
-Não te importa – disse ríspida.
Rony franziu a testa, mas preferiu não insistir. Sabia que ela nunca ia contar a ele.
-Segundo – ela continuou – antes que a Quimera me atacasse peguei uma coisinha que vai me ajudar a contatar Harry de um jeito que ele não poderá ignorar.
Ela tirou um pente decorativo do bolso e entregou a Rony, que reconheceu imediatamente. Era o pente que Hermione usava no cabelo quase todos os dias desde que Harry lhe dera de presente no natal do quinto ano. Tinha belas safiras azuis e propriedades mágicas especiais. Se quem o usasse tivesse nascido em setembro, poderia contatar a pessoa que lhe dera o pente, tocando a safira do meio e chamando seu nome. Uma vez convocada, a pessoa que deu o pente poderia encontra-la concentrando bastante.
-Meu aniversário é dois dias depois do de Hermione – Maddie disse, pegando o pente de volta. –Só preciso fazer um Feitiço Confundus para convence-lo que Harry deu o pente pra mim e não pra ela, que ele vai funcionar. Já tive um pente assim.
-Não tenho certeza se gosto da idéia de você usar o pente assim – Rony disse, olhando desconfiado para Maddie.
-Isso é uma guerra, Weasley. – ela disse, com um traço de riso na voz.
*****
Conjure uma tigela de leite e poderemos passar pela Quimera – Draco mandou, recuando do olhar ameaçador da criatura.
Harry trocou um rápido olhar com Hermione, antes de sacudir a varinha de Voldemort e dizer o feitiço. Nada aconteceu.
-Talvez devesse tentar de novo – Hermione disse, os olhos arregalados de medo. A Quimera se aproximava lentamente, como um gato pronto pra dar o bote.
Mas antes que Harry pudesse repetir o encanto, eles ouviram um barulho. Uma onda arrasadora de leite passou pela porta e por todos os lados da Torre de Astronomia. Harry, Hermione, Draco e a Quimera foram atingidos.
-Eu disse uma tigela de leite, não um maldito oceano! – Malfoy disse enquanto corriam da onda seguinte, ainda maior.
-Passamos da Quimera, então cale a boca – Harry gritou em resposta.
-Aqui! – Hermione falou, e eles a seguiram até uma escada e desceram com a onda.
Quando eles conseguiram deixar o leite para trás, pararam no corredor, recuperando o fôlego. Hermione se apoiou contra a parede, esfregando os pulsos, enquanto Draco sacodia o leite de suas vestes, franzindo a testa.
Harry guardou a varinha de Voldemort e se aproximou de Hermione. –Você está bem?
Ela fez que sim. –Você?
Ele fez que sim também.
-Pensei que eu ia morrer – ela sussurrou.
Ele secou algumas gotas de leite do rosto dela. Era uma cena estranha, estar ali, encharcados de leite e querendo dizer a Hermione tudo o que sentia por ela, mas ao mesmo tempo sabendo que essa não era a hora. Ele fez menção de beija-la, mas foi interrompido.
-Odeio interromper a cena de herói romântico, mas precisamos nos mexer se quisermos salvar o mundo – Draco disse.
Os dois rolaram os olhos e Hermione olhou feio pra ele por cima do ombro de Harry.
-Do que está falando, Malfoy? – Harry disse, sem se importar de virar.
-Esse é o ponto disso tudo não? – Draco disse –É hora do Potter salvar o mundo e derrotar o Lorde das Trevas. Bem. Então vamos lá; quero terminar isso o quanto antes. Tenho que fazer umas coisas, encontrar umas pessoas.
Harry virou para encara-lo. –Se eu fosse salvar o mundo – o que não vou – nunca te levaria comigo.
-Na verdade, Harry – Hermione disse –Provavelmente vai ser melhor leva-lo com a gente. Ele pode ser útil para passarmos dos guardas e pode até saber onde estão nossas varinhas.
Harry ficou um pouco irritada com ela. Ele odiava pedir qualquer coisa a Malfoy, mas sabia que ela tinha razão.
-Então, sabe onde estão as varinhas? – ele perguntou.
Draco riu. –Sempre soube que era Hermione que pensava em tudo – ele caçoou. –Sim, Potter. Sei onde estão as varinhas. E posso te levar lá também, se puder engolir seu orgulho e mostrar um pouco de gratidão por ter salvado o pescoço de vocês.
Várias forças se levantaram dentro de Harry, competindo por atenção. Ele odiava Malfoy por tudo que fez a ele e a seus amigos durante os anos em Hogwarts. Quando Harry ia responde-lo com algumas palavras feias, outra voz falou na cabeça de Harry; o lado mais calmo, mais racional. Talvez Malfoy pudesse ajudar em algo. Ele realmente salvara a vida deles há poucos instantes e se Harry pudesse colocar seu ódio de lado temporariamente, eles poderiam dar um fim para Voldemort.
-Por que fez aquilo? – Harry disse, olhando diretamente para ele pela primeira vez depois que escaparam.
Draco baixou o olhar para o chão, e sem o tom sarcástico de sempre, respondeu. –Não me pergunte isso.
-Acho que sei – Hermione disse gentil. –Você não sabia que iam me matar, não é? Se soubesse disso, talvez não os ajudasse.
Draco olhou sério para ela. –Vocês dois querem achar suas varinhas ou vamos ficar em pé aqui, fazendo terapia de grupo?
-Certo – Harry respondeu. –Vá na frente. Só não esqueça que estou com a varinha apontada para suas costas. Se fosse você, não gostaria de ser o alvo de uma de minhas azarações. Como essa não é minha varinha, as coisas podem dar muito erradas e você pode parar em São Mungos sem saber nem seu nome.
-Vamos – Hermione disse, hesitante. Olhou ansiosa para Harry e os dois seguiram Malfoy, correndo pelos corredores.
******
A Sala de rituais da Ordem da Fênix não era tão espetacular quanto Rony imaginava. Estava completamente vazia, exceto por um grande, livro empoeirado no outro canto da sala. Depois explicaram para ele que só colocavam os móveis na sala quando havia uma reunião oficial ali.
Maddie foi direto ao livro no canto. Ela balançou a mão sobre ele e quando o fez, um grande anel vermelho apareceu em seu dedo. Enquanto todos olhavam, o livro abriu e as páginas começaram a passar como se sopradas pelo vento.
-Rony? – Megan disse. –Pra que esse livro?
-Pro feitiço dos quatro fundadores, eu acho.
-Aqui está! – Maddie gritou. Ela estava sentada na frente do livro, seu rosto pálido avidamente interessado nas páginas diante dela. –Confirma o que já imaginava. Precisamos que uma pessoa de cada casa fique em volta de Harry quando ele convocar o feitiço.
-Agora o que fazemos? – Rony pergutou.
-Agora a gente precisa da estrela do show – Maddie respondeu, pegando pente de Hermione.
Ela bateu no pente com sua varinha, fazendo faíscas verdes saírem de sua ponta. –Confundus.
Maddie juntou um pouco de cabelo de cada lado do rosto, do mesmo jeito que Hermione, e usou o pente para prender atrás. Ela tocou a safira do meio com o indicador e chamou por Harry.
****
Harry, Hermione Draco se depararam com dois bruxos inconscientes em frente a uma porta. Hermione ficou chocada, cobrindo a boca como se fosse vomitar. Draco cuidadosamente fez a volta por eles e empurrou a porta sinalizando pra que entrassem.
-Aqui estão – ele disse, apontando para um pequeno baú aberto.
-Vai levar semanas até a gente ache as nossas varinhas! – Harry protestou.
Draco foi até uma pequena pilha que estava numa mesa em frente ao baú. –Achei a minha –zombou. –Acho que não queriam misturar nossas varinhas com a de vocês. Pensaram bem.
-Qual seu problema? – Hermione perguntou a Draco. Ele não respondeu, mas olhou impaciente para os dois.
-Use o feitiço pra fazer a varinha saltar pra sua mão – Hermione disse, virando pra olhar pra Harry, que estava ocupado procurando as varinhas.
-Desculpe, mas não lembro. Talvez possa me mostrar – ele disse impaciente.
Hermione colocou a mão sobre o baú. –Saltio Mano.
Mas nada aconteceu. Tentou de novo, mas conseguiu o mesmo resultado.
-Deixa eu tentar. – Harry disse, dando a volta nela e colocando a mão sobre o baú. –Saltio Mano. Saltio Mano. Saltio Mano!
Malfoy riu. –Cala boca! – Harry e Hermione brigaram.
-Parece que o feitiço não funcionou – ele disse. –Claro, não estou surpreso que não tenha funcionado com você, Potter. Duvido que consiga se concentrar o suficiente pra fazer coisas tão complexas quanto magia sem varinha.
-Malfoy, cala sua boca, a não ser – O QUE? – Harry disse, imediatamente olhando pra Hermione.
-O que? – ela disse.
-Alguém está me chamando, mas não é você.
-Harry! Eu perdi meu pente na confusão, antes de ficar inconsciente. Talvez alguém tenha pego e esteja usando.
-Parece Maddie.
-Pergunte onde ela está – Malfoy disse.
-Não funciona assim! – Hermione disse. –Pode descobrir onde ela está, Harry?
-Ela... ela está na sala da Ordem – ele disse, os olhos dele estavam sem foco, como se estivesse olhando pra mesma coisa por muito tempo;
-O que é a Sala da Ordem? – Malfoy perguntou, mas os dois disseram pra ele se calar.
- Temos que encontrar com ela lá. – Harry disse, ignorando Malfoy. –Essa pode ser a última chance de nos livrarmos de Voldemort.
-Mas Harry, - Hermione disse –você não falou que o feitiço pode te matar?
-Não temos certeza. Se não nos livrarmos dele, ele pode tentar explodir Hogwarts, do mesmo jeito que fez com Beauxbatons. Sabe de quantas vidas estamos falando? – Harry respondeu.
-Alguém, em nome de Merlim, pode me dizer o que está havendo? – Draco perguntou.
-Não te importa – Harry respondeu. Ele virou pra Hermione. –Vamos.
Hermione concordou, mas depois hesitou. –Harry – ela disse. –Vamos levar Draco com a gente. Ele pode ajudar a passar pelos guardas e é o único de nós três que está com uma varinha em perfeitas condições.
-Não acredito que quer que ele vá com a gente depois de tudo o que fez – Harry disse.
Draco alternou o olhar de um para o outro, finalmente parando em Hermione. –Pela primeira vez, concordo com Potter.
-Precisamos salvar a escola. Não podemos nos das ao luxo de deixar que nossos problemas pessoais interfiram nisso – respondeu.
Nenhum dos dois falou. Eles se encararam e depois desviaram o olhar. Hermione fez um som de irritação.
-Ouça, se passarmos por isso, podemos resolver nossas raivas, rancores, etc. mas precisamos nos unir por enquanto. Lembra do aviso que o Chapéu Seletor deu no nosso quinto ano? Precisamos trabalhar juntos, ou todos podemos morrer.
-Draco sorriu. –Não sabia que curtia fazer drama, Granger.
-ela não está fazendo drama! – Harry brigou.
-Está nessa ou não? – Hermione perguntou a Draco.
-Estou logo atrás – ele disse, fazendo um gesto exagerado coma mão e dando a harry um sorriso exagerado.
-Espero que esteja certa quanto a isso – Harry sussurrou no ouvido de Hermione quando passou.
*****
Eles esperaram na sala de Reunião da Ordem da Fênix pelo que pareceu uma eternidade. No início, eles não falavam. Ficaram sentados em silêncio no chão de pedra, olhando um para o outro, tentando escutar qualquer barulho que indicasse a aproximação de Harry. A tensão era insuportável e cada um lidava de seu jeito.
Megan e Sabrina começaram uma conversa depois de um tempo, sobre um feitiço que Sabrina aprendera recentemente que podia ajudar a fazer uma mala e leva-la até o seu destino com apenas um movimento na varinha. Maddie sentou recostada à parede e começou a mexer no curativo sobre seu ferimento. Rony sentou no chão à frente dela, ansioso pra saber o que ela achava que aconteceria depois.
-Espero que esteja certa sobre isso – ele disse.
Maddie fez uma careta quando puxou o curativo. –e por acaso você já me viu não estar certa sobre alguma coisa?
-Várias vezes.
Ela levantou a sobrancelha. –Não esqueça, Sr. Weasley, que ainda sou sua professora.
-Não esqueci.
-Que bom. Porque não estou com vontade de conversar agora.
-Você acha que ele vai morrer? – Rony falou de vez. –Quando ele me contou sobre o feitiço, disse que havia uma chance dele morrer quando invocasse. Tenho que saber quais chances acha que ele tem, Professora. Ele é meu melhor amigo.
Maddie limpou o dedo sujo de sangue na saia e sentou direito. A expressão dela estava cheia de pena. –Quer a resposta boa ou a resposta sincera?
-A sincera.
-Se qualquer outro bruxo fosse fazer esse feitiço, diria que não tinha chance. Mas estamos falando de Harry. Ele sobreviveu à Avada Kedavra. Se existe alguém que pode sobreviver ao feitiço dos Quarto Fundadores, é ele.
-Espero que esteja certa – Rony disse. Ele ia perguntar a Maddie outra coisa, quando a porta se abriu. Era Harry e Hermione.
-Vocês conseguiram! – Maddie disse, levantando e indo até eles. Ela entregou o pente a Hermione.
-Fica muito melhor em você – ela disse.
-Obrigada. – disse Hermione.
-Graças a Merlim, vocês estão bem! – Rony disse, dando um abraço em Hermione eum murro no ombro de Harry.
Megan e Sabrina estavam logo atrás dele, cumprimentando Harry e Hermione e falando mil palavras num minuto, contando tudo o que passaram.
Quando tudo estava se acalmando, Hermione deu um passo para trás e abriu a porta novamente. Todos olharam confusos, menos Harry, que parecia bastante interessado no teto.
Quando Draco Malfoy entrou na sala, o silêncio era tão grande que dava pra ouvir um flobberworm se torcer.
-Essa é a sala secreta da Ordem da Fênix? E cá estava eu, esperando algo muito mais impressionante.
-O que diabos está fazendo aqui? – Rony gritou, avançando em Malfoy. Maddie o segurou.
-Ele está aqui e é tudo o que precisam saber agora – Maddie disse, parecendo bastante irritada. –agora parem com essa besteira ou colocarei um feitiço pra te amarrar.
Rony parou de lutar e olhou feio para Hermione. –Isso foi coisa sua, não é? Harry, ele a enfeitiçou novamente. Não vê?
Finalmente, Harry falou. –O tempo está passando. Tudo vai ser explicado depois.
-É melhor mesmo – Rony disse entre os dentes.
-Confie em nós, Rony – Hermione disse, colocando uma mão pacificadora em seu braço.
Rony parou de lutar e Maddie o soltou. Ela fez uma careta e Harry viu sangue escorrendo no chão.
-O que aconteceu com você?
-É como disse – ela respondeu – tudo será explicado depois.
-Estamos com sua varinha – disse Megan e Rony enfiou a mão no bolso para pega-las.
-Rony as encontrou quando tentou achar a dele – Sabrina explicou. –Então decidimos guardar pra vocês.
Harry concordou, grato por ter sua varinha de volta. Então seus olhos encontraram o livro do outro lado da sala. –Aquele é o Livro do Conhecimento?
Maddie fez que sim com a cabeça. –Sim. Está aberto na página certa.
-Vamos acabar com isso – ele murmurou, andou até o centro da sala e virou para eles.
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Notas da Autora: o feitiço vai funcionar? Como vai funcionar? Harry vai morrer? Voldemort vai morrer? O que vai acontecer aos alunos e professores?
Obrigado a todos que esperaram tanto por esse capítulo. Tirei uma folga pra entender o livro 5. usei algumas referências dele nesse capítulo, entretanto, agora que o 5º livro foi publicado, minha fic é oficialmente AU, mas pra mim tudo bem
No próximo capítulo veremos Harry executando o Feitiço dos Quatro Fundadores. Só faltam mais uns dois capítulos, então o próximo será pra encerrar o clímax da estória e o seguinte pra concluir a fic. Não posso expressar em palavras o quanto é divertido escrever essa estória. Espero que tenham gostado até aqui e mal posso esperar pra compartilhar a conclusão com vocês.
Nota da tradutora: com esse capítulo, a tradução alcançou o original... antes de traduzir o próximo capítulo, vou ter que esperar Elia atualizar... e isso pode demorar um pouco... vamos ficar todos torcendo que o capítulo 15 saia rápido!
