Título: Harry Potter e a Tábula de Transmora (17)
Autora: Elia Sheldon
E-mail da Autora:
Categoria: Ação/Aventura
Sub-Categoria: Romance
Censura: R
Spoilers: PF, CS, PdA, CF, OdF
Resumo: A derrota de Voldemort e a morte de Draco levam Harry e seus amigos a uma experiência de fim e começo.
Essa estória é baseada em personagens e situações criadas e possuídas por JK Rowling e várias editoras, inclusive, mas não só, a Bloomsbury Books, Scholastic Books e Raincoast Books, e a Warner Bros, Inc. Nenhuma renda está sendo feita e qualquer transgressão à marcas registradas não é intencional. Outras citações serão feitas quando necessário.
Nota da Autora: Dedicado a John. Obriga por fazer a viagem da vida ao meu lado.

Capítulo 17 - O Fim e o Começo

Lúcio Malfoy encarou o corpo sem vida de seu filho. Seu rosto pálido, tão parecido com o de Draco, não possuía expressão.

-Ele não é meu filho. - Lúcio desdenhou. Sua varinha tremia um pouco, o único sinal visível que ele entendia a magnitude do que acabara de fazer.

Harry se encheu de tamanho desgosto que sentia seu estômago revirar. Deu alguns passos na direção de Gina, que soluçava com a cabeça sobre o peito de Draco. Agachando, Harry colocou uma mão no ombro dela, antes de virar e encarar Lúcio Malfoy.

-E agora - Lúcio disse, apontando a varinha pra Harry; -Vou vingar o Lorde das Trevas. Avada...

-Estupefaça! - veio a voz da porta. Um jato de luz vermelho acertou o rosto de Lúcio e ele caiu inconsciente pra frente antes que pudesse terminar sua maldição.

Snape passou pela porta e entrou na sala. -Você está bem, Potter? - perguntou.

Harry acenou que sim.

-E Draco? - Snape disse, olhando na direção de Gina, que ainda estava sobre a figura sem vida de Draco.

-Está morto. - respondeu Harry, as palavras grudando em sua garganta. -O pai dele...

Snape não disse nada. Recolheu as varinhas de Harry, Gina e Draco e entregou-as para Harry. Erguendo a própria varinha, Snape lançou um raio de luz branco no ar que voou como um pássaro pra fora da sala, provavelmente pra chamar ajuda.

-Não - Gina soluçou do chão. -Não devia ter te feito prometer, Draco. Você não precisava prometer.

Harry não podia mais suportar. Saiu correndo da sala e vomitou bem do lado de fora da porta.

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Harry nunca estivera num velório. Rony lhe contara que era uma tradição antiga. A família Malfoy provavelmente era uma das poucas que ainda o fazia.

Harry e Hermione entraram de mãos dadas no Salão Principal iluminado por velas e olhando desconfortáveis para as pessoas que os encaravam. Para cerimônia, as longas mesas das casas e a mesa principal foram retiradas. No lugar delas, altas cadeiras de veludo verde estavam postas em filas perfeitas, direcionadas pra frente do Salão. As cadeiras estavam arrumadas de modo a ficar um longo corredor levando a um altar oval onde havia velas prateadas e um grande recipiente de pedra, parecendo uma bacia. Algo que Harry só podia imaginar que fosse uma foto de Draco estava ao lado do recipiente, coberto por um material branco de seda.

-Vamos sentar no fundo. - sussurrou Hermione.

Harry concordou, e eles sentaram perto do fim da penúltima fila da direita. Rony e Megan, que os seguiam de perto, sentaram nas cadeiras ao lado da deles.

Ficaram em silêncio, observando os convidados entrando sombriamente. Vários dos presentes lançaram olhares estranhos pra Harry enquanto passavam. Isso não o incomodou; já tinha muita coisa em mente.

-Notou que todos, exceto os alunos, estão usando branco? - sussurrou Hermione depois de alguns minutos.

-Eu esperava preto. - Harry disse olhando uma bruxa com vestes brancas se sentar na primeira fila. Julgando por seu cabelo loiro e face angulosa, tinha parentesco com os Malfoy.

-Vestir preto é um desrespeito aos mortos nas tradições bruxas. Branco é pra mostra respeito e admiração pela vida que se perdeu. - Hermione explicou.

Rony levantou quando Gina entrou, acompanhada pelo Sr. e Sra. Weasley. Gina, que esteve inconsolável nesses dois dias desde a morte de Draco, parecia doente. Estava pálida. Seu rosto estava marcado por lágrimas e parecia que não dormia há semanas. Lágrimas silenciosas escorreram por seu rosto quando passou pelo corredor. Parecia que o apoio de sua mãe era o que a mantinha em pé e caminhando.

-Pobre Gina. - Megan sussurrou.

Rony guiou seus pais e Gina até os lugares que guardava para eles. Gina sentou entre os pais, repousando a cabeça no ombro da mãe. A Sra. Weasley, com o rosto muito sério, murmurou alguma coisa que Harry não conseguiu ouvir no ouvido da filha. Gina balançou a cabeça que não e respirou fundo.

Harry não lembrava de ter visto ninguém tão devastado quanto Gina. Ele se perguntou se algum dia ela conseguiria seguir em frente e aceitar o que acontecera.

Até agora, as lembranças de duas noites atrás continuavam a perturbar Harry. Não dormira ou comera muito bem. Apesar de estar muito ocupado com as aulas - os NIEMs já eram na unidade seguinte - elas não eram distração suficiente.

Parte do que o incomodava era que ficou abalado com o que Draco fez. Harry nunca acreditaria que Draco fosse capaz de dar a vida pra a salvar a sua. O que mais incomodava era que Harry não tinha certeza se Draco entrou em sua frente no último segundo por acidente ou se fizera de propósito. Harry nunca saberia verdade. Uma sensação de vazio preencheu seu interior quando lembrou que nunca poderia agradecer a Draco ou retribuir.

Os pensamentos de Harry foram interrompidos por Hermione apertando sua mão. Ele seguiu o olhar dela e viu a mãe de Draco, Narcisa Malfoy, entrando no Salão. Usava vestes brancas estonteantes, que pareciam um vestido de noiva trouxa. Harry teve que virar o pescoço pra acompanhar seu avanço até o centro do corredor, pois estava cercada por meia dúzia de familiares, todos secando os olhos com lenços. Mas ela não chorava. Seu rosto estava firme como pedra enquanto ia até a primeira fila e tomava seu lugar.

Sirius, acompanhando a Sra Brown e Lilá, entrou em seguida. Lilá olhou pra Harry e depois rapidamente desviou o olhar. Maddie dera a Lilá e Hermione a poção que revertia o efeito do Pó que Draco usara nelas, mas infelizmente não apagou as memórias de como Lilá se comportara com Harry enquanto estava sob efeito do Pó.

-Ainda não acredito que ela é filha biológica de Sirius.- Hermione sussurrou. -Imagino como está lidando com isso, além da perda de Draco.

Harry observou enquanto Lilá sentava ao lado da mãe. O rosto de Lilá estava firme e seus olhos obscuros enquanto olhava para frente.

-Pensei que começaria às sete - Rony sussurrou, olhando seu relógio.

-Todos lugares estão preenchidos exceto por uma na frente - Megan disse, sentando reta pra ver. -Estão esperando alguém.

Como se respondendo ao comentário de Megan, as portas do Salão Principal se abriram completamente revelando Lúcio Malfoy. Havia oito guardas a sua volta, e suas mãos estavam presas. Apesar de estar detido em Azkaban, de alguma forma tinha conseguido vestes brancas muito elegantes. Eram da cor de osso e pareciam brilhar com uma energia mágica. Lúcio andou até a frente do salão de cabeça erguida e sentou na única cadeira vazia. Os guardas conjuraram mais cadeiras e sentaram com as varinhas em punho e apontando para o alvo.

Narcisa Malfoy levantou e caminhou devagar até ficar atrás da mesa oval, de frente para os convidados. -Vamos começar. - ela disse.

O Salão, que estava cheio de murmúrios e sussurros até ali, caiu em silêncio.

-Como mãe de Draco, é meu direito ser a primeira a oferecer uma memória dele. Mas antes, quero dizer uma coisa. - Narcisa começou.

-Decidir terminar minha associação aos Comensais da Morte - declarou. A afirmação foi respondida por "ahhs" de surpresa da platéia. Harry olhou pra Lúcio Malfoy, mas ele não mostrou nenhuma reação visível à declaração de sua esposa. Rony e Hermione olharam pra Harry, de queixo caído, descrentes.

-Além disso, - Narcisa disse para multidão. -encorajo... Não, peço que meus amigos e familiares façam o mesmo. - Mais murmúrios e sussurros. -Foi nossa associação tola e cega com os Comensais da Morte que tirou a vida do meu filho e não descansarei até que eles cessem de existir.

Correu os olhos estreitados pelo Salão. -E assim - ela disse, a voz tremendo um pouco, a única demonstração física de emoção que dera até agora. -Convido todos vocês a oferecerem memórias de meu filho. Aqueles que o amam poderão celebrar sua vida, vendo lembranças que compartilhem hoje.

Ela removeu o pano branco para revelar uma foto de Draco. A imagem mostrava um jovem e orgulhoso rapaz de dezessete anos. Seu rosto estava cheio de vida e sarcasmo enquanto seus olhos vasculhavam como se procurasse algo melhor pra fazer do que ficar numa foto o dia todo.

Gina soluçou e enterrou o rosto no ombro da mãe. Harry ouviu um fungado ao seu lado. Lágrimas brilhavam nos olhos de Hermione e ela mordia o lábio numa tentativa de se manter composta.

-Meu querido filho - Narcisa disse, balançando a varinha sobre o recipiente. -a memória que gostaria de compartilhar a você é a do seu quinto aniversario. Te demos sua primeira vassoura, e nunca tinha te visto tão feliz.

Uma luz branca disparou e uma substância enevoada apareceu no recipiente, girando delicadamente e emitindo fracos sons de risadas. Narcisa abaixou a varinha e retornou a seu lugar, sem olhar nenhuma vez pra seu marido.

Um por um, os convidados foram até a frente contribuir com suas lembranças. Entre eles estavam membros da família de Draco, seus colegas de sala e todos professores de Hogwarts. Lilá avançou e sussurrou sua memória bem baixinho enquanto lágrimas escorriam por seu rosto.

Alguns flashes dispararam quando Lucius se adiantou pra dar sua contribuição. Harry virou em sua cadeira pra ver se alguém tinha deixado os repórteres entrarem.

-Não deviam estar aqui. - Harry sussurrou para Rony e Hermione, indicando os repórteres.

-Alguém na família Malfoy deve ter convidado ou então não poderiam entrar. - Hermione disse. -É assim que um velório funciona.

-Não é surpresa que tenham convidado a imprensa. - Rony sussurrou, ganhando um olhar de reprovação de Megan.

Chegou a vez de Lúcio. Balançou sua varinha sobre o recipiente de pedra, entre sibilos e sussurros. -Deixo a memória de meu filho em seu pior e mais grandioso dia; o dia em que começou sua jornada pra se tornar um servo leal do Senhor das Trevas - o Salão explodiu em gritos e algumas azarações foram mandadas na direção de Lúcio. Nenhuma delas o atingiu, entretanto, seus guardas o protegeram dos ataques. Aparentemente tinha que ser mantido intacto pra que pudesse comparecer ao julgamento pelo assassinato de seu filho. Narcisa continuava sentada firme, as mãos dobradas sobre o colo e os olhos vidrados como se assistisse a uma peça muito chata.

Depois que a ordem foi restaurada, Lúcio voltou a seu lugar. Um silêncio tenso seguiu enquanto a multidão esperava que o próximo se adiantasse. Parecia que ninguém queria ser o seguinte a Lúcio. Harry olhou pra Gina, se perguntando se ela ia deixar alguma memória. Ela notou Harry olhando pra ela e devagar balançou a cabeça que não, o lábio tremendo.

-Como funciona? - Harry perguntou a Hermione, seus olhos fixos na mesa na frente do salão.

-Você balança sua varinha sobre o recipiente enquanto pensa em sua lembrança. É parecido com uma penseira. Uma cópia de sua memória é colocada lá pra que qualquer um veja quando quiser lembrar de Draco.

Harry levantou, puxando a varinha. Estava decidido.

Todo o salão parecia ter voltado à vida.

-O que ele está fazendo?

-Não é Harry Potter?

-Quem deixou o garoto Potter entrar?

-Ele não odiava Draco?

-Eles eram rivais.

-Alguém o detenha!

-Harry - Hermione sussurrou, tocando seu pulso. -Tem certeza?

Harry baixou os olhos pra Hermione, e depois pra Rony. -Tem uma coisa que ninguém deveria esquecer.

A caminhada até a frente pareceu levar uma eternidade, apesar de Harry estar andando tão rápido que era quase uma corrida. Flashes disparavam e algumas azarações foram mandadas em sua direção, mas Harry não ligou. Iria até o fim com isso, não importavam as conseqüências.

Copiando o que os outros fizeram, Harry balançou a varinha sobre o recipiente de pedra. -A lembrança que deixo pra você, é a memória de como trabalhou junto comigo, Rony, Hermione, Megan, Sabrina e Maddie pra derrotar Voldemort. Você foi um herói, Draco, pois apesar do que você foi ensinado a fazer, fez a coisa certa no fim. - parou por um momento enquanto olhava a lembrança rodopiando devagar no recipiente.

Harry levantou os olhos e se deparou com o salão inteirou olhando pra ele. A maioria dos rostos estava congelada com descrença ou choque. Rony e Hermione, que levantaram pra rebater as azarações que foram lançadas em Harry, concordavam com a cabeça em aprovação.

O salão ficou completamente em silêncio. Parecia que o tempo cessara.

Até mesmo os flashes pararam de disparar.

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Harry, Hermione, Rony e Megan ficaram na recepção o tempo suficiente que a educação mandava.

Enquanto estavam lá especulando se os Comensais da Morte iam realmente se desfazer Maddie e Carlinhos se aproximaram deles. Estavam de mãos dadas e ficavam se olhando nos olhos como se estivessem sob a influência de uma poção do amor.

-Tenho uma coisa pra dizer a vocês. - Maddie falou. Ainda estava muito pálida devido a seu encontro com a Quimera.

-O que? - Rony disse, olhando dela pra Carlinhos. -Vai fugir com meu irmão mais velho? - falou rindo.

-Na verdade, sim. - Maddie disse, sorrindo.-Decidi pedir demissão e me mudar pra Romênia pra ajudar Carlinhos a administrar uma nova colônia de dragões.

Rony se engasgou com seu chá. -Só estava brincando!

-Bem, nós não. - Carlinhos disse, então ele abaixou a voz de modo que Harry teve que se concentrar pra ouvir. -Mas seja um bom irmão e não conte nada à mamãe nem ao pai ainda, certo? Quero encontrar o momento certo, preferencialmente enquanto a mãe estiver muito distraída pra começar a planejar o casamento antes mesmo de eu pedir a mão da garota.

-Isso significa que não vai mais ser uma Auror? - Hermione perguntou.

Maddie balançou a cabeça que não. -Vou ficar um período de ausência enquanto penso sobre tudo. Não tenho certeza se ainda quero lutar contra bruxos das trevas. - ela sorriu pra Carlinhos. -E o trabalho deve ficar muito chato agora que Voldemort foi derrotado.

-Espero que esteja certa. - Hermione disse, ansiosa.

Maddie estalou os dedos. -Quase esqueci! Ainda vou te indicar se estiver interessada em se tornar uma Auror. Não conheço nenhuma mulher mais adequada ao trabalho que você.

- Obrigada Maddie. De coração. Obrigada por tudo. E falo com você sobre a indicação. Não tenho certeza se quero ser uma Auror. - Hermione respondeu.

-Não posso te dizer que te culpo, depois de tudo que passamos. - Rony disse.

-Então, quando vocês vão? - Harry perguntou, tentando evitar falar sobre o que acontecera alguns dias antes.

-Imediatamente - Maddie disse. -Já fiz as malas e achei um substituto.

-Quem? - Megan perguntou.

-Vocês vão ver. - ela disse. -Temos que ir! - ela e Carlinhos se despediram e começaram a ir embora.

-Tchau, Maddie. - Harry falou, acenado pra eles com os outros.

Ela parou e se virou. Com uma sobrancelha levantada, mandou um beijo pra ele e depois correu pra sair com Carlinhos.

-Vamos - Rony disse. -Se eles podem ir, também podemos ir, sem parecer mal-educado.

Eles acabaram de dar a senha (Ursa Maior) pra Mulher Gorda quando Harry ouviu alguém chamando por ele. Era Lilá.

-Posso falar com você? Sozinho? - ela perguntou.

Harry olhou pra Hermione, que fez que sim com a cabeça e seguiu Rony através do buraco do retrato. Harry e Lilá agora estavam sozinhos pela primeira vez desde que descobriram que ela estivera sob influência do Pó.

-Só queria me desculpar por como me comportei antes. - Lilá disse, olhando para o chão.

-Ei - Harry disse. -Não se preocupe. Não foi sua culpa.

Levantou os olhos pra ele e deu um pequeno sorriso. -Eu sei disso. Mas ainda assim achei que devia me desculpar.

-Desculpa aceita então. - Harry disse, dando um sorriso confortante. -Então, como você está?

-Vou ficar bem. - ela disse. -Sinto falta de Draco.

-Lamento pelo que aconteceu. - Harry disse. Era a vez dele de olhar para o chão.

-Não foi sua culpa.

-É. - Harry disse sem vida.

Houve uma pausa constrangida durante a qual Harry se perguntou se devia ou não comentar o fato de Sirius ser o pai de Lilá. Ela o salvou, mencionando primeiro.

-Então, agora que sabemos que Sirius é meu pai, significa que somos parentes? - Lilá perguntou.

Harrry riu. -Não sei. Existe algo como irmão por parte de padrinho?

Lilá riu. -É estranho, não é? Imagino se as coisas seriam diferentes se Sirius não tivesse sido preso. Tipo, talvez... Ah, não sei.

Ela olhou pra ele e quando sorriu, Harry percebeu que ela estava corada. Olhou pra seus sapatos novamente e limpou a garganta.

-Algumas coisas com certeza seriam diferentes, mas algumas provavelmente continuariam as mesmas. - ele disse, olhando-as nos olhos.

-Como Draco continuaria sendo aquele orgulhoso irritante. - ela disse.

-Sim. - Harry sorriu. -E tenho certeza que ele e eu continuaríamos sem nos dar bem. Mas talvez por razões diferentes.

Lilá sorriu e então seus olhos se encheram de lágrimas. -Tenho que voltar pra minha mãe. Ela e Sirius estão esperando por mim no Salão Principal.

-Te vejo depois. - Harry disse.

-Até mais. - falou. -E obrigada por ser tão compreensivo.

-Digo o mesmo. - Harry respondeu, sorrindo enquanto a olhava indo.

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Levou várias semanas pra que a história do que aconteceu na derrota de Voldemort deixasse de ser um rumor e se tornasse lenda. A essa altura, a audiência de Lúcio Malfoy já estava marcada e os jornais pareciam cansados de publicar editoriais sobre a decadência de se juntar a sociedades secretas. Gina e Harry foram convocados a Londres pra testemunhar no julgamento no início de Dezembro.

A viagem até Londres foi esgotante. Mas agora finalmente acabara. Harry seguiu Gina até o Salão Comunal da Grifinória, reanimados pela visão da lareira quente e sofás familiares e cadeiras que estavam particularmente convidativas depois de ficar na umidade fria do Caldeirão Furado durante dias.

Rony e Hermione eram os únicos no salão comunal até aquela hora. Estavam sentados em frente à lareira fazendo os deveres e levantaram os olhos quando Harry e Gina entraram.

-Ficamos surpresos por receber uma coruja dizendo que voltariam hoje. - Rony disse. -Não esperávamos que chegassem antes de amanha de manhã.

-Deixaram que viéssemos mais cedo. - Gina suspirou, sentando ao lado do irmão.

-Como foi? - Hermione perguntou, colocando seu pergaminho de lado e olhando preocupada pra Harry e Gina.

Harry e Gina se entreolharam. -Conte a eles. - ela disse. -Eu... Eu vou pra cama.

-Você está bem? - Hermione perguntou a ela. -Quer que suba com você?

-Não, estou bem. - ela disse, conseguindo dar um pequeno sorriso. -Só preciso descansar um pouco.

Ficaram olhando Gina subir as escadas para o dormitório feminino e depois Rony e Hermione viraram ao mesmo tempo para Harry.

-Estou preocupado com ela. - Rony disse, a voz um pouco trêmula. -Já passaram dois meses desde que Draco morreu e ela ainda está tão triste. Acham que ela vai se recuperar?

-Também estou preocupada com ela. - Hermione disse mordendo o lábio. -Como ela foi em Londres?

-Fez um ótimo trabalho como testemunha. - Harry disse. -Respondeu todas perguntas calmamente e se manteve firme até o fim.

Seguiu-se uma pausa durante a qual uma madeira na lareira estalou. A fumaça saiu dela com um sibilo e as sombras no salão se mexeram enquanto as chamas dançavam um pouco mais devagar.

-Então. - Rony disse. -Vão prender o velho Lúcio?

-Ele recebeu prisão perpétua. - Harry disse, olhando pra lareira. Esperava que dar essa noticia a seus melhores amigos iria enchê-lo de triunfo, mas não foi o caso.

-Bem feito pra ele. - Rony disse estreitando os olhos.

Hermione colocou a mão no braço de Harry. -E como você está?

-Aliviado que acabou. - Harry respondeu. -Me interrogaram por horas. Não entendo porque simplesmente não usam veritasserum na testemunha. Deixaria as coisas muito mais rápidas.

-Na verdade, de acordo com Tribunal Bruxo: um compêndio dos procedimentos básicos...

-Por favor, Hermione. Dê um tempo. - Rony falou irritado.

Hermione franziu a testa pra ele.

-Desculpe. - ele disse. -Só estou preocupado com Gina.

-Ela vai ficar bem - Harry disse, tentando soar seguro. -Ela é uma Weasley. Vocês são bem durões.

Rony sorriu. -Somos mesmo, não é?

O silêncio se instalou novamente enquanto os três amigos olhavam o fogo, cada um perdido em seu pensamento.

-Tem mais uma coisa que aconteceu em Londres que quero contar a vocês. - Harry disse depois de quase um minuto.

Hermione arregalou os olhos e Rony sentou. Hermione se aproximou de Harry e o ajudou quando ele tirou sua capa de viagem.

-A Ordem se desfez. - Harry disse, levantando a mão. -Me fizeram devolver o anel e tudo mais.

-Que ótima noticia! - Hermione disse. -Mas Harry, não podíamos ver o anel, era invisível, lembra?

-Verdade - ele disse, abaixando a mão. -Mas isso não importa, Hermione. Ouviu o que eu disse? Terminamos a Ordem da Fênix. Percebe o que isso significa?

-Claro... - Hermione começou a dizer, mas Rony interrompeu.

-Significa que você finalmente está livre, companheiro!

-Exato - Harry disse. -A Ordem era o último vestígio de como as coisas ficaram por causa de Voldemort. Minha vida parece realmente minha pela primeira vez desde que descobri como meus pais morreram.

Os olhos de Hermione brilharam com lágrimas. -Isso é ótimo, Harry, realmente ótimo.

Ela envolveu os braços ao redor dele num abraço apertado.

-Pela primeira vez em minha vida, não quero me torturar pensando no futuro. - Harry disse, passando a mão pelas costas dela e enterrando o rosto em seu cabelo.

-Brilhante, companheiro. Apenas brilhante! - Rony disse, sorrindo.

Hermione se afastou dele, secando as lágrimas com as costas da mão. Harry olhou de Rony, que balançava a cabeça que sim e sorria, para Hermione que olhava pra ele com amor. Ele de repente se sentiu encher de uma enorme sensação de gratidão.

-Vocês dois estão comigo desde o princípio. - Harry disse, olhando de um pra o outro. -Só queria dizer... - interrompeu porque de repente começou a se engasgar. Respirou fundo e continuou -... Obrigado por serem meus amigos, passando por tudo. Nunca sobreviveria sem vocês dois.

Hermione começou a soluçar e se jogou em Harry, abraçando-o novamente. Rony levantou de sua cadeira e apertou o ombro de Harry.

-Nem precisava falar.- Rony disse. -E realmente não precisava. Olha só como ela ficou, toda derretida pelo que você disse.

Hermione se afastou do abraço, um sorriso no rosto e lágrimas escorrendo por suas bochechas. Harry sentiu lágrimas apontando em seus olhos também, então limpou a garganta e desviou o olhar. Quando olhou novamente para Hermione, o rosto dela estava tão próximo que ele não podia ver direito.

-Eu... É... Preciso ir. - Rony disse constrangido. -Megan está esperando por mim... Eu, hã, vejo vocês dois mais tarde.

Deu um tapinha no ombro de Harry novamente, e alisou as costas de Hermione antes de ir direto até o buraco do retrato.

-Te vejo de manhã. - Harry falou.

Os dois olharam enquanto Rony saiam do salão comunal e depois viraram pra se encarar.

Hermione lhe deu um beijo leve, doce como se lhe fizesse uma pergunta. Ele a beijou com uma intensidade profunda igualando a força das emoções que passavam por ele. Era tão bom estar beijando-a. A boca de Hermione estava úmida e seus beijos tinham gosto de uma combinação de sal, das lágrimas, e da essência que era simplesmente ela. Ele segurou o rosto dela entre as mãos e a sentiu sorrir contra seus lábios.

Depois de alguns momentos se beijando, ele se deitou no sofá a puxando pra mais perto enquanto seus beijos ficavam ainda mais quentes. Ele ofegou quando ela montou sobre ele, esfregando seu corpo contra o dele e fazendo-o gemer de desejo. Todos pensamentos sobre qualquer coisa além de quanto a queria voaram de sua mente.

Hermione tremeu quando as mãos de Harry se moveram sobre seu corpo pra acariciá-la por cima da camisa e da saia da escola. Harry estava começando a ficar tonto de desejo, pensando se essa era a noite. Havia algo nos beijos e carícias que pareciam diferente, mais intenso, mais faminto do que eram há muito tempo.

Apesar de estarem livres da Maldição de Morgana e do Pó há quase dois meses, se seguraram pra não ir tão longe. Na noite seguinte ao velório, chegaram muito perto de fazer amor quando Hermione os interrompeu. Depois que a frustração diminuiu, Harry concordou que a primeira vez deles não devia ser enquanto os dois estivessem abalados emocionalmente por tudo que aconteceu.

Mas Harry não conseguia pensar em nada que podia ficar no caminho hoje. Ele estava livre e feliz como não se sentia há muito tempo e tinha impressão que Hermione sentia o mesmo.

Quando ela começou a abrir o cinto dele, Harry a segurou pela mão. -Devíamos ir pra seu quarto.

Ela concordou com a cabeça e eles se ajudaram a levantar. -Não se preocupe em ir buscar sua capa da invisiblidade. - ela disse ofegante, segurando a mão dele e o puxando atrás dela.

Sorrindo pra audácia atípica dela, Harry a seguiu pelas escadas que davam em seu quarto. Um sinal do quanto ela estava distraída era que não lembrou de pegar seus livros e levá-los com ela. Ele olhou pra eles enquanto suas sombras dançavam na luz da lareira.

Quando fechou a porta atrás dele, ela avançou rapidamente e começou a beijá-lo tão intensamente que ele não conseguia respirar. As costas dele estavam contra a porta e podia sentir cada tremor e gemido que ela dava. Começou a se sentir tonto por falta de ar quando a beijou em resposta, mas não queria parar por nada se isso significasse parar o que estavam fazendo. Era tão bom. As mãos dele desprenderam a blusa dela de modo que pudesse sentir sua pele macia. Ela abriu o cinto dele e o jogou no chão. Ele estava passando a mão por baixo da saia dela, sua mão escorregando devagar por suas coxas quando ela começou a recuar para cama, guiando-o enquanto continuavam a se beijar.

Quando sentaram, ela recuou e olhou ansiosa para ele. -Está pensando o que eu estou pensando? - ela perguntou. Seu rosto estava vermelho e respirava rápido.

Harry expirou e passou a mão pelos cabelos. A resposta pra pergunta dela não necessitava nenhum pensamento. O corpo e a alma dele precisavam dela. Ele a olhou nos olhos e fez que sim. Hermione engoliu seco e puxou a varinha.

-Precisamos fazer o feitiço contraceptivo um no outro - ela disse. -E precisamos nos concentrar, Harry. Se não nos concentrarmos o suficiente, o feitiço pode não funcionar.

-Certo - Harry disse. Mas se concentrar em qualquer coisa que não fosse o que faziam ia ser realmente difícil. Qual foi a dica que Sirius lhe dera pra essa situação? Ah, sim... Ele tinha que tentar pensar em algo que achasse chato.

Rezando que sua lembrança da aula de Binns sobre a Rebelião dos duendes fosse o suficiente, apontou a varinha pra Hermione e disseram o feitiço juntos. Houve um momento constrangedor quando abaixaram as varinhas e se olharam. Havia algo em fazer esse feitiço que os obrigava a entender a seriedade do que estavam prestes a fazer de um modo que nunca entenderam.

Nesse momento, Harry teve um pensamento que o fez confiante que essa era a hora perfeita pra darem esse passo no relacionamento deles. Pela primeira vez em sua vida, não estava mais incumbido pelo fardo de seu destino. Podia total e livremente se entregar a Hermione enquanto, juntos, encarassem o novo mundo que estava à frente deles; um mundo onde ele era apenas um homem e ela era apenas uma mulher e eles tinham suas vidas à frente; um mundo onde podiam rir e chorar e enfrentar o bem e o mal como pessoas normais. Não havia mais ninguém com quem preferisse estar nessa próxima viagem. Enfrentariam a fase seguinte de suas vidas, o que quer que lhes esperasse.

Harry se inclinou para frente e gentilmente tirou a varinha da mão de Hermione. Colocou, junto com a dele, em cima do criado-mudo, se curvando sobre Hermione pra fazer isso. Quando passou por ela quando voltava, se aproximou. Sentindo um tremor de antecipação, fechou a boca sobre a dela num beijo que sentiu através de todo seu ser.

Não demorou muito até passarem do ponto onde pararam para fazer o feitiço. Dentro de minutos tinham retirado as roupas um do outro e estavam escorregando juntos para debaixo das cobertas, pele contra pele. Revezaram-se fazendo um ao outro ofegar e suspirar com beijos, carícias e toques, até que as coisas aumentaram até um ponto que parecia a hora certa pra fazer o que ainda não tinham feito.

-Tem certeza? - Harry perguntou entre beijos quentes. Seu corpo doía por ela.

Hermione sorriu. -Sim. - Ela o abraçou contra si mais forte, beijando-o quando alinhou seus quadris sob os dele. Harry sentiu como se seu interior estivesse virando larva derretida.

-Não quero te machucar. - ele disse ofegante.

-Vai ficar tudo bem. - ela assegurou a ele.

Harry não esperava que a primeira vez dele corresse tão fácil. Ouvira dizer que fazer sexo pela primeira vez era um exercício de frustração, especialmente para o bruxo envolvido. Extremante nervoso em poder estragar tudo, se preparou pra esse grande momento enchendo Sirius com séries incansáveis de perguntas quando o vira no verão passado. Seu padrinho lhe dera os detalhes que procurava, mas também enfatizara que era importante que Harry seguisse seus instintos.

Parecia que Hermione também fizera sua pesquisa. Sem palavras, ela o guiava, ocasionalmente dando gritinhos agudos ou pequenos tremores. Houve momentos difíceis, como na hora que Hermione parecia sentir tanta dor que Harry quase desistiu da coisa toda. Houve momentos constrangedores, como na hora que se mexeram um contra o outro, ao invés de se mover juntos. Mas esses momentos, felizmente, não duraram muito e foram de longe subjugados pelo intenso deleite das sensações físicas e emocionais que os enchiam enquanto aproveitavam essa nova maneira de estarem unidos.

Logo depois, Harry cuidadosamente abaixou o corpo, de modo que estava deitado sobre ela sem esmagá-la. Moveu a cabeça pra repousar sobre o travesseiro que dividiam, seu rosto na curva do pescoço dela. Estava sem ar, queimando e encharcado de suor, mas estava muito zonzo e satisfeito pra ligar. Ouviu a respiração rápida de Hermione por um instante e levantou a cabeça um pouco pra olhar pra ela. -Você está bem? - ele sussurrou.

-Estou melhor que bem. - ela sussurrou em resposta, sorrindo pra ele. -Mas... Olhe. - Indicou o teto.

Harry rolou para o lado, levando-a consigo em seus braços, fazendo-a rir. Esticou a mão sobre o criado mudo procurando seus óculos e os colocou. A visão que teve fez seu queixo cair. Havia milhares de estrelas brilhando sobre eles na escuridão. Enquanto olhava, uma delas velejou para direita, passando pela lua crescente. Um fraco esboço do teto do quarto de Hermione era visível. Era como se tivessem sido transportado para o Salão Principal. Por um momento, Harry olhou a seu redor rapidamente pra confirmar que a localização deles não havia mudado sem que notasse.

-É tão lindo. - Hermione maravilhou, se aconchegando nele. O corpo dele formigou em resposta ao movimento dela.

-Como o céu da noite ficou visível pelo seu teto? - Harry perguntou.-Descobriu o feitiço que usavam no Salão Principal.

-Claro que não - Hermione disse. Ela bocejou. -Nós fizemos isso acontecer, alguns momentos atrás. Quando uma bruxa e um bruxo se unem, a magia deles se combina rapidamente pra criar um efeito especial especifico pra eles.

O efeito sonífero do ato de amor deles deixava Harry com dificuldades pra pensar claramente. Levou um pouco mais que o de costume pra lembrar o que Sirius lhe dissera sobre esse efeito, dois anos atrás.

-Então toda vez que fizermos amor, o teto vai ficar assim? - ele perguntou, sua voz bem sonolenta.

Hermione afirmou com a cabeça, lhe dando outro beijo.-Sim. Acho que combina com a gente, não acha?

Harry olhou o céu aberto. As estrelas dançavam e a lua parecia sorrir sobre eles. Ele fez que sim e a abraçou com mais força.

-Pena que vai sumir. Eu gostei bastante - Hermione disse sonolenta.

-Vamos ter que fazer aparecer de novo, certo? - Harry perguntou, um pouco nervoso com a resposta dela.

Hermione se aconchegou mais nele, esquentando ainda mais o corpo dele. -E de novo, e de novo e de novo... - ela sussurrou, flertando.

Harry sentiu sua garganta apertar de emoção enquanto olhava Hermione fechar os olhos e começar a cochilar, um sorriso sonolento em seu rosto. -Eu te amo, sabe. - Harry sussurrou.

Ela abriu os olhos para encará-lo. -E eu te amo.

Harry não conseguia se lembrar de ter se sentido tão satisfeito e completamente feliz com o mundo e com seu lugar nele. Caiu no sono facilmente naquela noite e sonhou com crianças sorridentes enquanto colhiam maçãs bem vermelhas num ensolarado dia de outono.

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Era o dia antes do início de um novo bimestre e o salão comunal estava lotado de alunos discutindo o que fizeram durante as férias e o que esperavam que acontecesse na nova unidade. Harry, Rony e Hermione entraram, depois de uma rápida caminhada pela neve pra visitar Hagrid. Os três amigos facilmente conseguiram os melhores lugares na frente da lareira. Agora que a derrota de Voldemort se tornara pública, todos pareciam ansiosos para tratá-los como heróis.

-Não vai durar muito. - Harry disse sorrindo quando se acomodaram e se esquentaram perto do fogo. -Acreditem quando digo isso.

-Vou aproveitar enquanto durar. - Rony disse, se recostando no sofá e cruzando os braços atrás da cabeça. -Os irmãos Creevy me prometeram trazer cerveja amanteigada sempre que eu quiser. Como posso recusar isso?

-Acho que eles vão ter que entregar no salão comunal da Lufa-lufa, não é? - veio a voz de Gina de trás deles. -Francamente, Rony, eles vão ter que te adotar como membro honorário.

Rony deu um pulo e abraçou sua irmã. Harry e Hermione logo fizeram o mesmo. Quando todos deram seus "olás" e se acomodaram novamente, Gina sentou no tapete na frente deles. Bichento pulou em seu colo e ronronou.

-E como você está, Gina? - Hermione perguntou. -Parece que não te vejo há séculos. Aproveitou sua viagem a Paris?

Gina fungou. -Paris foi legal. - ela disse. -Nunca vão adivinhar quem encontrei por lá.

Rony franziu a testa. -Quem?

-Oi. - disse Simas Finnegan por cima do ombro de Hermione. Sorria para Gina.

Gina levantou e pegou na mão de Simas, retribuindo o sorriso. -Oi - disse animada. -Senti sua falta. Depois que foi embora, fiquei tão entediada.

Harry levantou a sobrancelha e olhou de Rony pra Hermione pra ver suas reações. Rony estava inclinado pra frente em seu lugar parecendo confuso. Hermione sorria, a sobrancelha levantada.

-Volto já.- Gina disse, permitindo que Simas a guiasse embora.

-Ela parece estar melhor. - Hermione disse, olhando os dois. -É um bom começo, de qualquer forma.

Rony concordou. -Mamãe achou que a viagem pra Paris lhe faria bem. Talvez estivesse certa.

-É bom vê-la sorrir novamente. - Harry disse. Ficou preocupado que ela nunca mais se recuperasse da perda de Draco.

Ficaram sentados em silêncio por um momento, cada um perdido em seu pensamento, e então Rony falou. -O que vamos fazer durante o resto do ano?

-Estudar, é claro. - Hermione respondeu. Ela se mexeu em seu lugar, de modo que ficou apoiada contra Harry no sofá enquanto Harry e Rony riam e viravam os olhos pra ela.

-Não foi isso que quis dizer. - Rony falou. Seu rosto estava cheio de animação. -O que vai nos manter ocupados agora que Voldemort foi derrotado, o programa de treinamento de Maddie foi cancelado e não temos que impedir nenhum plano maligno?

Harry olhou a sua volta, observando tudo de modo que pudesse guardar esse momento para sempre. Parecia loucura que ele pudesse, afinal, saber como era ser um estudante normal de Hogwarts. Gina e Simas riam juntos num canto aconchegante lá atrás. Dino, Lilá, Parvati e Neville estavam na grande mesa de carvalho se divertindo com um jogo de Snap explosivo. Os irmãos Creevy estavam com as cabeças juntas, sussurrando sobre algumas fotos numa cadeira entre eles. Tudo e todos pareciam cheios de energia e possibilidades.

Seus dois amigos o olhavam como se soubessem o que ele pensava. Rony dava seu especial sorriso torto "Rony Weasley", Hermione tinha lágrimas de felicidade nos olhos.

-Vamos descobrir. - Harry disse, sorrindo pra seus dois melhores amigos.

E pela primeira vez em sua vida, Harry Potter sabia que tudo estaria bem dali em diante.

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Notas da Autora:Não acredito, mas Harry Potter e a Tábula de Transmora finalmente chegou ao fim. Obrigada a todos que ficaram até o fim comigo, realmente aprecio o apoio e encorajamento. Escrever essa fic foi uma experiência maravilhosa que nunca esquecerei. Um obrigado especial a meus betas, antigos e atuais John, Irina, Li, Libbie e Renee. Um outro obrigado especial a Fran, que traduziu esse e todos os outros capítulos para português. Você fez um belo trabalho! Como um tributo especial para meus leitores brasileiros, ela teve a idéia de postar o último capítulo nas duas línguas ao mesmo tempo. Então esse capítulo está sendo postado na mesma hora em português.

Adoraria saber o que acharam desse capítulo final e/ou da fic inteira. Sinta-se à vontade para manda e-mail, postar em meu grupo do Yahoo! Ou no espaço para comentários. Vou postar minhas fics menores no meu grupo do yahoo além dos outros lugares onde posto. Pra se juntar ao grupo, vá nesse link: http:

Muitas pessoas me perguntaram se escreveria outra fic grande de HP. Não tenho plano nenhum no momento. Meu plano atual é dar uma chance em escrever ficção original. Tenho várias idéias em mente e estou ansiosa pelo desafio e experiência de escrever historias originais. Vou, de vez em quando, escrever outras fics de um capítulo. Os livros de Harry Potter me inspiraram e vou ser eternamente grata a JKR por ajudar a tirar a autora que existe em mim de seu armário.

NT: Tem tanta coisa que eu queria escrever aqui... Mas acho que vou começar agradecendo, à Elia, por ter escrito e ter me deixado traduzir. Conheci bastante gente legal por causa dessa fanfic, e fiz alguns amigos por causa dela... pra essas pessoas tão especiais, que ofereço esse capítulo: Vívian (vê se aparece, menina!), Mari Maisonnave - as primeiras pessoas que adicionei no MSN - Raquel, Ju Oliveira, ... (só pra deixar claro, tem outras pessoas muito especiais pra mim da net, mas acho que conheci devido à fic foram essas). Agradeço também a cada que mandou e-mail ou deixou algum comentário... E aproveito pra pedir que deixem reviews aqui, pra eu poder mandar pra Elia. É isso.... Beijos à todos, e pra quem estiver acompanhando, nos vemos em Paradigmas!