Capítulo 02 – Hermione Granger

Durante sete anos de sua vida, ela foi a melhor aluna da classe, entrando até mesmo para os recordes de sua escola como uma das melhores alunas de todos os tempos. E não haveria porquê estes últimos cinco anos serem diferentes. Desde que se formou, com louvores, na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Hermione continuou a estudar. Estava mais que decidido que não deveria jogar fora seu "talento" e a melhor maneira que ela encontrou para ajudar as pessoas (e a Ordem) com ele, foi se dedicando à Medicina Bruxa.

No seu último ano de escola, a Srta. Granger foi convidada a fazer parte da nova turma de Medicina que a Universidade Bruxa de Oxford estava oferecendo naquele ano. Assim como a universidade trouxa, a parte bruxa da instituição também era altamente conceituada, sendo que era dificílimo entrar em um de seus cursos pela alta concorrência. Levando esses fatores em consideração, Hermione decidiu por aceitar a vaga que lhe era oferecida, e dar o máximo de si para que seu aprendizado fosse proveitoso.

Agora, depois de cinco anos de estudo, a ex-aluna da Grifinória estava prestes a se formar, mis uma vez, como primeira da classe. Neste último ano de estudo, todas as aulas eram práticas, assistidas dentro do hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos. É a fase em que os trouxas consideram "internato", onde o aluno entra em contato direto com os pacientes e passa a exercer a medicina propriamente dita. Paralelo ao estudo teórico em casa e ao internato, Hermione levava uma vida "secreta" para a maioria da população. Ela fazia parte da Ordem de Fênix.

Sendo uma Ordem formada quase que exclusivamente por Aurores e pessoal do Ministério da Magia, uma medi-bruxa, ainda que em treinamento, foi muito bem aceita. Ela não participava de nenhuma missão diretamente e, ao contrário dos outros, não corria freqüentemente risco de vida, mas no final era sempre ela que estava a espera com a caixa de curativos e a varinha preparados. Fazia também relatórios semanais de como andavam as coisas, tanto no hospital, como na Universidade em si. E desde que passou a freqüentar o hospital bruxo, havia sido promovida a informante do grupo, de todo e qualquer paciente estranho que aparecesse por lá.

Hermione estava agora em mais um de seus longos plantões, seriam trinta e seis horas praticamente ininterruptas na Sala de Emergência do hospital. O plantão, que começara às oito da noite de quinta-feira, já a vinte e quatro horas, estava puxado, não tanto pelo número de pacientes que chegavam, mas pela dificuldade das situações que se apresentavam. Certamente, muitos deles receberiam um espaço a parte no relatório do dia seguinte.

Perto das dez horas, o movimento acalmou o suficiente para que Hermione e uma colega fossem até o refeitório fazer um lanche. Aproveitou o tempo para fazer mais algumas anotações e conversar sobre amenidades. Ao voltar, atenderam mais dois pacientes e foram dormir um pouco na saleta dos médicos. A bruxa podia jurar que havia acabado de fechar os olhos quando uma enfermeira veio chamá-la para observar um procedimento raro.

O paciente havia dado entrado no pronto-socorro às três e meia da manhã e apresentava casos de alucinação e lapsos de memória. Em outras palavras, a sua cabeça estava uma verdadeira bagunça. Segundo os Aurores que trouxeram aquele senhor para o hospital, os vizinhos estavam reportando muito barulho e discussão, seguida de um duelo entre várias pessoas. Para Hermione, aquele tipo de informação era essencial.

O espanto maior, no entanto, surgiu ao ler o prontuário do paciente, após o atendimento. O senhor de quem estivera cuidando trabalhava no Ministério da Magia, era um Inominável! As coisas estavam se tornando complicadas e ela sabia que deveria relatar tudo imediatamente à Dumbledore. Pediu a uma amiga que cobrisse o final de seu plantão e aparatou imediatamente para a Mansão dos Black.

Não poderia aparatar em casa, afinal sua lareira não estava ligada à Rede de Flu e de qualquer modo, almoçaria ali. Ao chegar na casa, lavou o rosto e seguiu diretamente para a cozinha, onde se ajoelhou defronte à lareira com um punhado de pó de Flu na mão. Jogando o pó no fogo que acendera e falando o mais claro que pode "Hogwarts – quarto do diretor" ela colocou sua cabeça sobre as chamas.

- Hã... Hum-hum, diretor? – chamou ela – Dumbledore, está aí? – Hermione via a cama do diretor ao longe, mas não havia ninguém nela. O velho bruxo surgiu repentinamente a sua frente, fazendo com que desse um pequeno grito de susto – Por favor, Alvo, não faça isso. Estou nervosa, porque o assunto é sério e não tem ninguém em casa comigo...

- Acalme-se Srta. Granger. – disse o diretor contendo uma risadinha – Então, o que tem para me contar?

Hermione começou a narrativa por todos os pacientes estranhos que surgiram no seu plantão: alguns casos de coma induzido, outros de falta de memória recente e outros ainda de fragmentação da personalidade. Ao terminar o diretor já estava pensativo e ia dizer alguma coisa, quando ela o cortou para contar do último caso da noite.

O diretor disse à jovem que precisaria de um tempo para colocar todas as novas informações em ordem e recomendou que Hermione fosse dormir, pois teria de contar tudo novamente na reunião em algumas horas. Após se despedirem, a garota tirou a cabeça da lareira, notando como suas costas doíam por ter ficado quase meia hora naquela posição.

Seguiu prontamente o conselho de Dumbledore e subiu as escadas em direção ao quarto que ocupava sempre que pousava na mansão. Sabia que tinha algumas roupas guardadas nas gavetas, inclusive uma camisola, mas estava tão cansada depois desse plantão estafante, que após abrir a porta do quarto simplesmente se jogou no canto da cama, com a roupa do corpo, e dormiu.