"Quando os vi fulgindo tanto,
Senti no peito um encanto
Que não sei!!
Juro falar-te a verdade...
Foi de certo - sem vontade-
Que eu pequei"!
(Casimiro de Abreu - As primaveras)
Capítulo 4
O silêncio aterrorizador tomou conta do refeitório. Os anos que ficaram separadas não havia diminuído em nada a força de sua amizade, mas o constrangimento de não saber por onde começar deixava o ambiente pesado.
Kaoru queria muito abrir seu coração para Júlia, mas a única coisa que saía de sua boca era perguntas idiotas e sem sentido. Como era difícil falar para alguém sobre seus sentimentos que há muito tempo ficara trancado em seu coração.
-O que você fez da sua vida durante esses longos anos?-perguntou Júlia curiosa sorvendo a última gota do café.
"O que fizera durante dez anos?", pensou ironicamente para si mesma. "Seria mais fácil perguntar o que não havia feito em dez anos?" Sua vida mudou muito e seu único objetivo era trabalhar para poder pagar os estudos de Misao.
-Trabalhei muito... Não tive um dia de folga em dez anos.-ela confessou sorrindo.-Nada mais...
-Como uma mulher tão jovem e bonita pode se contentar apenas em trabalhar?-perguntou novamente intrigada.
Aquela não era a Kaoru que havia conhecido há anos atrás, cujo único objetivo era ser feliz. Nunca havia sido escrava de nada, nem mesmo quando o pai, sempre rígido, a proibia de sair...
-Ser responsável por uma família me fez ver como o mundo é triste e cruel.-ela falou, fechando a cara.- Você não sabe o que é ser responsável pelas contas de luz, de água, ou dos estudos de uma criança.
Ela havia mudado. Agora tinha certeza disso. Kaoru havia se transformado em uma pessoa fria... sem nenhuma vontade de viver, pois o que importava para ela era o bem estar de sua família e nada mais.
-O que aconteceu, Kaoru?-Júlia olhou para ela triste.
-Como assim... não entendi muito bem o sentido da pergunta...
-O que aconteceu para você mudar tanto?-ela reformulou a pergunta.
Kaoru ficou pálida.Realmente não era a mesma menina de anos atrás... já não tinha a ingenuidade e a alegria. Aliás, havia se fechado num mundo onde apenas ela tinha a chave. Se não se libertasse agora das amarras que ainda a prendia com o passado, talvez nunca mais teria essa chance.
-Não sei, Júlia.-confessou olhando para o copo.-Acho que tudo começou no dia que conheci Kenshin...
Flashback...Ela era uma jovem como qualquer outra. Aliás, era tão normal quanto bonita... Sua beleza se devia mais pelo seu cérebro brilhante do que por seus ditos físicos. Até aquele ano isso não havia a incomodado a ponto de prejudicar suas relações sociais. Ela era presidente e conselheira da sala, além de oradora oficial do colégio.
Mas mesmo sendo popular e tendo boas notas sabia que não teria chances nenhuma de entrar numa faculdade pública, e a particular estava fora de alcance. Sua família era pobre e mal teria condição para pagar um mês de faculdade. E seu único caminho fora procurar um emprego... Em vão, pois sempre alguém lhe pedia experiência ou carta de recomendação... e isso não tinha como tirar. Mas ainda tinha fé e sabia que a esperança era a última a morrer... e certamente um dia encontraria um emprego.
Foi num dia cansativo onde mais uma vez dera com a cara na porta, que conheceu o homem que mudaria sua vida por vez.
Ela andava meio cansada e aquele dia fora recomendada para assim que saísse da escola voltasse para casa, pois sua mãe havia tido um ataque nervoso. O que já não era novidade, pois sua mãe havia mudado muito desde do estranho nascimento de Misao na qual do nada ela sumira e quando voltara da suposta viagem para o interior viera com uma menina, cujo nome era Misao... O bebê viera como uma luz, ao mesmo tempo que destruiria por vez sua mãe. Foi num misto de nervosismo e ansiedade que permanecera na escola.
Assim que bateu o sinal voou escada abaixo e em tempo recorde chegara em casa... A sua família era a coisa mais importante para ela, e não hesitaria em se sacrificar para protegê-la. Para sua surpresa assim que abrira a porta dera de cara com um rapaz, que nada parecia com o novo namorado de Megumi. Ele... ele era especial... Tinha os olhos tão bondosos, que estava deixando-a, um pouco acanhada.
-Quem é você?-Kaoru foi a primeira a falar após longos segundos de silêncio.-Me desculpe, mas...
-Não, não se desculpe senhorita Kaoru...-o rapaz falou ficando vermelho.
-Então você já sabe meu nome!-concluiu ela, intrigada e ao mesmo tempo feliz.
-Não... quer dizer claro... Sua mãe me fala sempre de você.-ele falou sorrindo.
Que ligação sua mãe teria com aquele jovem atraente. Era bem possível ele ser um primo distante com quem nunca tivera contato... ou simplesmente...
-Eu sou seu novo vizinho.-ele respondeu percebendo a interrogação no rosto dela.-Vim do interior há pouco tempo...
-E como você conhece minha mãe...?-perguntou intrigada.
-Bem, primeiramente meu nome é Kenshin Himura... e sua mãe era muito amiga da minha tia, que infelizmente faleceu. E por uma coincidência vim morar do outro lado da rua.
-Ah bom...-sussurrou ela.-Minha mãe onde está?
-Ela está ainda com o médico no quarto.-ele informou notando a aflição dela.-Mas não se preocupe não é nada de grave.
Ele tinha uma alma tão boa, sua voz era como uma melodia para seus delicados ouvidos... Além de ser muito atraente. Seus cabelos eram ruivos, o que era bem estranho, pois era difícil encontrar um japonês ruivo... era um em 1 milhão. Seus olhos tinham uma tonalidade de azul tão rara e bonita, que a deixava com falta de ar.
-Bem que sua mãe havia me contado que você é muito bonita.-ele falou sorrindo timidamente.
Seu coração disparou... Quem dera as palavras dele fosse verdade. Não tinha beleza nenhuma, quem podia chamar uma baixinha de linda, quando tinha uma loira alta ao seu lado. Ele apenas estava tentando ser gentil com ela.
-Obrigada... mas acho que não sou tão bonita assim.-Kaoru replicou tímida ao colocar a bolsa no sofá.
-Eu já havia visto fotos suas.-ele informou.-E sempre te achei bonita...
Ele realmente estava sendo apenas simpático, ou ele era cego. O que dava para perceber que não era nem um pouco, pois seus olhos denotavam uma expressão um tanto maliciosa. E isso estava deixando-a nervosa.
-Será que o médico irá demorar em atendê-la?-perguntou Kaoru desviando completamente o assunto.
-Acho que não... faz tempo que ele está com ela.-ele informou.
A partir daquele momento o silêncio impregnou a sala. Nenhum dos dois ousaram a falar por minutos. Até que Kaoru começou a ouvir movimentações de passos no andar superior da casa. Deveria ser o médico com o parecer do estado de saúde de sua mãe... Embora que em seu íntimo já tinha uma idéia do estado dela. Sua mãe estava muito doente.
Uma doença que não tinha cura, pensou ela triste.
-Se acalme, senhorita Kaoru.-o jovem falou pousando a mão sobre a dela.
Kaoru sentiu a face esquentar. Certamente deveria estar mais vermelha que um pimentão... O que ele estaria pensando dela. Era vergonhoso sentir se incomodada só porque ele pegou sua mão... e o pior que o toque dele era tão casto que nem podia ser considerado um toque.
-Desculpe-me. -ele falou sem graça ao retirar a mão de cima da dela.-Você vai ver que sua mãe está bem...
"Droga! Porque sempre tenho que meter os pés pela as mãos?" Perguntou para si mesma envergonhada. Certamente Kenshin pensava que ela era uma louca, que só pensava naquilo. Só o fato de imaginar que ele pensava aquilo dela a deixava doente.
-Espero que esteja certo Kenshin... Por favor, não me chame de senhorita, eu odeio excesso de formalidade ainda mais agora que somos vizinhos.-ela falou sem encará-lo.
-Certo, senhorita... quer dizer Kaoru.-disse também envergonhado ao ver que o médico descia rapidamente as escadas.
Kaoru olhava bem para o rosto calmo do médico. Era difícil tirar alguma coisa dele... e sabia que ele não iria lhe contar a verdade sobre o estado de saúde da mãe.
-Como ela está doutor Akira?-perguntou ela nervosa.-O que aconteceu... fala!?
-Calma, Kaoru.-o homem falou extremamente calmo.-Primeiramente devo agradecer você meu jovem por ter socorrido com extrema competência a senhora Kamiya. Se você não estivesse sido tão ágil há essa hora não saberia lhe dizer se a paciente estaria viva ou não.-concluiu apertando uma das mãos de Kenshin.
Como assim...? Ele havia socorrido a sua mãe, mas como se ela mal saía de casa, como aquele moço havia descoberto que ela havia passado mal. Será que sua mãe tinha alguma relação afetiva com o rapaz? Não até parece... Ela não iria fazer aquilo com uma criança de cinco anos em seu teto. Misao deve ter ido desesperada pedir ajudar. Não deveria pensar isso de uma pessoa tão digna como sua mãe.
-Sinceramente não foi nada. Considero a senhora Kamiya como uma mãe para mim.-ele falou sincero.
Ele aparentava sinceridade e Kaoru não pode deixar de se sentir culpada por ter pensado mal dele e principalmente de sua mãe.
-Muito obrigada Kenshin... Eu e minha família devemos muito a você.-Kaoru agradeceu com uma reverência.
-Eu fiz o que qualquer ser humano faria estando nessa situação.-ele disse ficando rubro de vergonha.
-E minha mãe doutor? Como ela está?-perguntou novamente aflita.
-Bem, sua mãe está bem agora, mas existem alguns por menores que prefiro falar mais tarde quando você a ver.-Akira falou.
De uma certa forma aquilo foi uma indireta para Kenshin ir embora. Aliás, não havia mais sentido ele continuar ali... Agora o assunto interessava apenas a ela e a sua família.
-Agora tenho que ir.-ele falou sério.-Fico feliz que a senhora Kamiya esteja bem.
De uma certa forma, Kaoru não queria que ele fosse embora, pois ao lado dele se sentia mais confiante... Talvez porque tinha medo da resposta que Akira iria lhe falar.Estranho sentir se confortável até mesmo feliz na presença de um desconhecido. Aquilo não era certo.
-Mais tarde se... puder... dê uma passadinha aqui.-Kaoru falou tímida.-Minha mãe adoraria te ver.
-Acho que não poderei vir.-ele falou notando o ar de desapontamento da jovem.
Ingênua, sempre fora ingênua em pensar que ele iria voltar a olhar para sua cara. Agora tinha certeza que ele havia sido apenas gentil com ela. Ele certamente teria uma namorada a espera dele em algum lugar...
-Tenho um ensaio com minha banda hoje.-ele apressou em se explicar.-Mas amanhã certamente darei uma passada aqui antes de ir para o colégio.
Ele tocava numa banda, que interessante... Bem, o estilo dele denunciava que ele era roqueiro. Os cabelos longos e pelo o estilo desleixado em que se vestia tudo isso denunciava que ele era rebelde.
-Certo...-Kaoru disse alegre.-Bem, essa casa sempre estará com as portas abertas para você.
Sem mais palavras ele foi embora. Kaoru não pode deixar de sentir a sensação de vazio se instalar em seu peito... Uma sensação que não existia até aquele momento para ela. Uma sensação tão maravilhosa que merecia ser explorada.
~*~*~
-Um, dois, três e já...-a voz grossa de Sanosuke soou atrás de Kenshin, mas esse parecia estar no mundo da lua.-Ei, Ei Kenshin acorda meu...!
Kenshin virou sem muito ânimo para o amigo. Não tinha voz, muito menos ânimo para cantar com a banda. A conversa que tivera com Karen Kamiya fora demasiadamente pesada para ele. Nunca imaginara que por trás de uma família boa e exemplar como era a dela poderia haver tanta coisa podre e mal resolvida.
-Desculpe Sano, mas hoje simplesmente não dá...-Kenshin falou desligando o amplificador.
-Como assim não dá?-Sano falou irônico.-Esse final de semana será o mais importante de nossas vidas, e você simplesmente me diz que não está com vontade? Essa é boa...
Simplesmente não tinha vontade de cantar. Sabendo que sua irmã mais nova corria grande risco de vida na mão de um pai adotivo assassino. Temia pela vida de Misao, como temia pela vida de Karen ou... ou daquela linda garota, cujo nome era Kaoru.
-Amanhã ensaiamos o triplo... Mesmo que temos que passar a madrugada passando o som.-Kenshin sugeriu tirando os cabos da guitarra.
-Eu só espero que você cumpra sua promessa Kenshin, pois esse festival será primordial para nossa carreira... Eu não sei quanto aos seus planos futuros, mas o meu não é de ficar para sempre sendo uma banda de garagem.
-Eu também não Sano... E creio que juntos podemos mudar isso.-ele falou olhando decidido para o amigo.-Bem, eu já estou indo, você fecha a porta assim que for embora.-concluiu jogando a chave em cima da mesa.
Sem palavras, Kenshin colocou o casaco e saiu batendo a porta. Sem ligar para a voz histérica de Sano. Seu amigo nunca iria desistir de seu cargo de vocalista da banda em cima da hora do festival de inverno... E ele tinha consciência de que era o melhor vocalista e como ele, Sano não encontraria tão cedo.
O vento frio batia sobre seu rosto mais isso não o incomodava. Pois seu espírito estava confuso... Não sabia como deveria agir para salvar sua irmã sem ferir aquela família. "Não até que não seria uma má idéia ir visitá-las agora", pensou olhando para o relógio. "Não são nem oito e meia... Embora que a essa hora Shishio deve estar lá, e não seria conveniente encontrá-lo agora".Ponderou ele ao chegar na porta da casa da tia. "Seria idiotice. Embora tivesse uma boa desculpa... e ainda veria Kaoru...", por alguns minutos hesitou até que finalmente entrou em casa. Não queria terminar a noite como havia começado o dia...
-Olá meu filho...-a tia saldou com extrema docilidade como já era de esperar. Aliás, Tai não seria capaz de fazer mal para uma mosca, imagina para um ser humano. Era completamente diferente dele...-Como foi seu dia?
-Não foi lá essas coisas, mas...
-Oi Kenshin!-a voz irreconhecível de Kaoru soou em suas costas.-Ai desculpa por estar incomodando você a essa hora, mas você acabou esquecendo seu boné em casa... –concluiu acanhada.
Aquele dia era declarado o dia internacional da surpresa. Primeiro tinha tido uma revelação catastrófica, segundo, Karen desmaia em sua frente... e terceiro acaba conhecendo Kaoru Kamiya filha do meio do homem que deveria eliminar. Agora a tinha em sua frente com o rosto mais lindo que vira em toda sua vida...
-Obrigado por se incomodar e traze-lo para mim Kaoru.
-Não foi incômodo algum Kenshin.-ela replicou.-Bem, agora tenho que ir...
-Não, não vá ainda minha querida.-Tai falou pegando na mão dela.-Jante com a gente hoje, por favor.
Kenshin ficou sério quando na verdade queria se juntar ao coro da tia, pois queria ficar mais algum tempo ao lado daquela garota. Mas permaneceu quieto. Aliás, tinha orgulho... e ele não o permitia que se protestasse nesse ponto. E por isso preferiu ficar calado com uma expressão distante e indiferente.
-Bom, eu não queria incomodar...-ela falou sem graça.
-Você não incomoda Kaoru.-a tia reforçou o coro.-Vamos, só hoje... acho que seu pai não irá chiar, ou vai?
-Não senhorita Tai... ele ainda não chegou do serviço.-informou ela triste.
-Então mais um motivo para você jantar aqui.Garanto que Megumi deve estar na faculdade e Misao deve estar dormindo.
-Realmente a senhora tem razão...Eu estou sozinha em casa.
-Vai Kaoru.-implorou Tai.
-Certo, mas antes tenho que ir em casa para deixar um recado para caso do meu pai chegar.
-Tá bom!-Tai falou alegre.
Kenshin escutava com atenção a admiração com que Kaoru pronunciava a palavra 'pai'. Ela certamente não sabia que monstro tinha sobre o próprio teto, mas não podia culpa-la já que Shishio era o pai dela. E para ela certamente aquele canalha era um herói.
-Eu vou tomar um banho.-Kenshin informou subindo as escadas deixando as duas mulheres sozinhas.
~*~*~*~
Kaoru sentiu um vazio tremendo assim que entrou em sua casa. Tudo estava morto... um silêncio mortal. Sua mãe entupida de medicamento, suas irmãs fora ou dormindo... seu pai trabalhando. Realmente deveria jantar na casa de Tai, pelo menos lá não se sentiria tão sozinha e assim não se lembraria das duras palavras do doutor Akira. Quando ele informara sobre o perigoso estado mental em que se encontrava sua mãe.
-Ela deve descansar o máximo possível. Qualquer colapso agora será suicídio para ela.-informou ele.
-É muito grave o estado de saúde dela?
-Não, mas merece cuidados... se fosse grave ela não estaria aqui.-ele concluiu.-Confie em mim e siga as prescrições que deixei em cima da mesinha.
-Obrigada por tudo doutor.-Kaoru falou abrindo a porta para ele.
-Não hesite em me chamar se caso precisarem de mim.-ele falou indo para o carro.
Era difícil ter que admitir que sua mãe não estava bem. Era difícil acreditar que ela já não tinha mais a felicidade de antes, e que por algum motivo que não conhecia ela estava ficando louca.
Tinha que admitir que nunca tivera uma família unida, pois seu pai vivia viajando... e sua irmã mau parava em casa. Mas com o tempo ela e sua mãe fora desenvolvendo laços muito profundos... uma amizade que era maior que o amor de mãe e filha. Mas de repente tudo mudou e nem mais com sua mãe contava... Tinha pena da pequena Misao que nunca iria conhecer o verdadeiro sentido da família. Já que seu pai praticamente ignorava a menina e sua mãe já não tinha ânimo para nada.
Escrevendo um bilhete rápido para caso o pai chegasse e ela ainda não estivesse chegado da casa de Tai, Kaoru saiu voando... Tinha ânsia para ver aquele garoto.
~*~*~*~*~*~
Kenshin enxugava as longas cabeleiras ruivas. O banho fizera milagres com seu ânimo... mas não conseguira de forma alguma mudar seu humor, que por sinal continuava péssimo. E só pelo o fato de naquela noite sentir a presença daquela garota já mexia em muito com o seu humor.
Não era justo se sentir tão atraído pela a filha do assassino de seu pai. E mesmo que a garota fosse bonita ela era impossível para ele... inacessível. Além de já saber que não tinha chance nenhuma com ela.
-Droga! Porque isso só acontece comigo?-perguntou se olhando fixamente no espelho já arrumado.
Você deve se manter longe dela, e se concentrar apenas em cuidar de sua tia e irmã que ainda corria risco de vida nas mãos do pai de Kaoru.
"Tenho vários problemas para resolver, e não estou a fim de arranjar mais um...", pensou para si mesmo descendo as escadas. "Não pense nela... ela é inacessível, impossível..."
-Ainda bem que desceu filho.-Tai falou alegre.-Eu e Kaoru estávamos a sua espera.
Kenshin sorrateiramente olhou para Kaoru que timidamente sentava numa cadeira. A aparência calma e angelical dela só serviu para jogar a alma dele no inferno. Só de olhar para ela fez seu sangue ferver.
-Desculpe, mas precisava esfriar minha cabeça...-ele falou sentado na cadeira ao lado oposto a Kaoru.
-Espero que esteja melhor agora.-Tai falou preocupada.
-Estou sim tia. Agora estou apenas com fome...-ele resmungou sem olhar para Kaoru.
Aquele dia fora muito estranho. Não acreditava que tantas coisas ruins poderiam acontecer tudo de uma vez só. Seria difícil enfrentar os dias que viria, mas lutaria para proteger a quem ele amava.
Se envolver com Kaoru Kamiya seria arranjar mais problemas. Então para seu bem deveria se manter longe dela.
~*~*~*~*~
O que estava acontecendo com ele? Há horas atrás havia jurado nem mais olhar para a cara de Kaoru, e agora havia se oferecido para acompanha-la até a porta de sua residência. Não sabia o que acontecia em seu íntimo... Já que nem conseguia parar de olhar para o rosto doce e angelical da garota.
Nunca havia se sentido assim antes... Esse certamente era um sentimento bastante novo para ele. Estava completamente perdido.
-Obrigada por ter me acompanhado Kenshin...-Kaoru falou olhando para ele.
-Não foi nada Kaoru.-ele falou encarando aqueles lindos olhos azuis.-Era o mínimo que devia fazer... não acha?
Ela ficou muda, mas seus olhos entregavam a perturbação que se passava em sua alma. Ela assim como ele se sentia incomodada com a confusão de sentimentos que estava em sua alma. Ela logo em seguida abaixou a cabeça extremamente envergonhada.
-Kaoru olha para mim...?-ele falou tocando a face dela.
Kenshin sentiu o coração palpitar quando os olhos dela caíram sobre seu rosto. Ela tinha os olhos lacrimejantes... era tão inocente.
-Como você é bonita...-sussurrou aproximando o rosto dela.
Os lábios se procuraram por vontade própria... Nenhum dos dois se importaram com o risco que estavam correndo. Apenas se entregaram ao beijo. Os lábios de Kenshin roçaram apenas sobre os de Kaoru, mas fora o suficiente para fazer ambos se entregarem completamente à paixão.
Passaram minutos, segundos... à paixão que havia transformado seu beijo era incrível como latente. Kenshin nunca havia se sentido assim antes... era incrível sentir os contornos dos lábios delicados da jovem. Naquela hora não se importava se Shishio o pegasse ali beijando a filha dele. Valia a pena correr esse risco para sentir o que estava sentido
-Como você é linda... muito linda.-ele voltou a sussurrar depois de um longo tempo.
~A~N~N~A
Saindo das sombras da árvore, um homem observava a cena consternado... para não dizer revoltado. Sua vontade era matar o desgraçado que estava pondo as patas em cima de sua filha mais nova... Já estava no limite, e por isso resolvera por um fim no interlúdio amoroso dos jovens.
Não mediria esforço para acabar com a raça daquele desgraçado, que mesmo de longe lhe parecia bastante familiar...
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Olá para todos!^^
Bem, decidi separar o "flashback" em dois capítulos, pois ha muito o que explicar... e ficaria um buraco enorme se resumisse a história. Não fiquem decepcionados, pois acho que esse capítulo deu para entender um pouco do que realmente ocorreu... Mas se não deu, no próximo, juro que farei de tudo para que de certo.
Obrigada pelas reviews... Nunca vou ter palavras para agradecer a todos pela paciência que estão tendo, lendo cada capítulo meu. Aturando meus erros e elogiando meus acertos.
Beijos para:
Carol Malfoy: Devo concorda com você. Kenshin está completamente mudado, mas ele ira melhora. Obrigada pela review, Carol.^^
Kaoru Himuramiya: Muito obrigada pelo o incentivo. Estou dando tudo de mim para essa fic ficar interessante sem ser repetitiva. Bjos!!!!
Madam Spooky:Olá. Bem, pelo visto esse capítulo deve ter dado uma pista sobre o acontecido. No próximo será tudo revelado. Eu também gosto da Julia... Ela será meu cupido de agora em diante. Obrigada pela review, Bjos!!!!
Kathy: Eu estou bem sim. Acabei de chegar de uma viagem cansativa, mas estou feliz. Espero que tenha gostado desse capítulo também.
Desculpe-me pela a demora. E que acabei viajando e não deu tempo para postar. Mas garanto que desta vez não haverá demora. Um beijo para Lili que revisou esse capítulo para mim.
Bem, por hoje é só...
Bjos!!!!
Até semana que vem.
Anna
