"O sândalo é o perfume das mulheres de Estambul,
e das huris do profeta; como as borboletas,
que se alimentam do mel, a mulher do oriente
vive com as gotas dessa essência divina".
José de Alencar
Capítulo 7
Tinha certeza de que fora Kaoru quem falara sobre o assassinato de Shishio. Pelo o visto eles eram muito amigos. Podia se ver a distância a forma carinhosa que Enishi a tratava. Deveria estar feliz, mas o seu sentimento era o inverso. Tinha que admitir que sentira muito ciúme... Era a primeira vez que via um homem que não fosse ele a tocando. Era repugnante ver aquela cena, a forma que ele a tocara. Tudo era aterrorizador. E o pior que não tinha direito nenhum de reclamar... E nem tinha o direito de sentir-se incomodado com aquilo, pois fazia décadas que havia abrido mão de qualquer relacionamento com aquela mulher.
-Cadê o Aoshi?-Sano perguntou sério.
-Não faço a mínima idéia...-Kenshin falou não tirando os olhos de Kaoru.
-Droga...-resmungou Sano.-Júlia venha aqui.-Sano chamou a assessora.
Kenshin não se preocupava com Aoshi. Seja onde ele estivesse ele daria um jeito de chegar a tempo. Aquela rádio não era tão grande para ele ter se perdido... no máximo algum grupo de fãs deve ter parado ele no caminho.
-Cadê o Aoshi?-Sano perguntou assim que a mulher se aproximou.
-A última vez que o vi...-ela pausou ao ver a porta do estúdio se abrir dando espaço para um moço alto e uma garota pequena.-Ele acabou de chegar...-ela concluiu apontando para o casal.
Aquela deveria ser Misao, Kenshin pensou olhando para a menina. Aquela menina era sua irmã... A última vez que pode vê-la foi por intermédio de Karen, pois se Kaoru descobrisse certamente iria brigar com ela. A garota tinha seis anos de idade, mas agora ela era quase uma mulher... e cada vez mais parecida com sua mãe.
-Até que em fim...-Sano sussurrou nervoso no momento em que Aoshi sentava ao seu lado.-Posso saber o que aconteceu?
-Não, o que faço da minha vida não é da sua conta.-Aoshi falou sério.-Mas posso lhe informar que me perdi, e aquela garota me indicou o caminho.
Era fato que Kaoru não estava gostando nada da presença de Misao no estúdio. A forma que ela o encarava mostrava bem que não o queria nem meio metro perto da garota. Tinha que admitir que tinha um arrependimento na vida... e era o fato de nunca ter revelado a verdade para Kaoru. Se tivese falado desde do início quem ele era, agora certamente não estaria longe da irmã.
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Kaoru estava possessa com Misao. Por mais que havia falado, brigado, sua irmã estava ali... desobedecendo suas ordens. Havia implorado para ela não se aproximar do estúdio, e agora ela estava ali com uma pose de que não iria sair mais dali. E o pior que pouco tinha que fazer para impedir aquilo... Estava amarrada àquela cadeira pelas próximas três horas.
-Se acalme, senhorita Kaoru.-Yahiko falou.-O programa vai estar no ar em dez segundos.
Respirando fundo Kaoru acompanhou a contagem regressiva de Yahiko.
-Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um. Estamos no ar.-Yahiko anunciou.
-Um bom dia para todos os ouvintes da rádio Savage!!-ela fez a pausa quando a música entrou.-Bem, hoje estamos com a banda do momento... "The Clap"!!!!
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Quatro horas mais tarde...
-Fique calma, Kaoru.-Misao sussurrou ao ver o estado nervoso da irmã.
-Como a senhorita quer que fique calma, quando minha irmã me desobedece!-Kaoru falou ameaçadora.
Durante todo o programa Kenshin não havia desgrudado os olhos dela e de Misao. Cada olhar dele parecia ter o efeito de uma bomba no seu estômago. De repente todos os traumas passados havia voltado. Teve uma hora que teve vertigem de tanta dor que sentia. Até agora estava se sentindo mal...
-Eu não fiz nada de mal... Eu gosto da Banda.-Misao se justificou com a cabeça baixa.-Nunca pensei...
-Eu mandei você pensar?-perguntou nervosa pondo a mão na barriga.
-Não, mas o que tem de mais eu assistir a apresentação deles na rádio?-perguntou erguendo a cabeça.-Aconteceu algo que eu não estou sabendo?
Sim, havia algo que não podia ser revelado agora. Algo tão triste que não merecia ser falado. Não queria em hipótese alguma acabar com as ilusões criadas pela a alma pura da irmã... Ela adorava aquelas pessoas, e dizer que o vocalista da banda havia tirado o direito dela de conviver com o pai seria duro demais para o coração daquela garota.
-Não...-mentiu sentando na cadeira.-Não aconteceu nada... Eu apenas fico preocupada com você, e sua paixão infundada por aquela baixista.
Não era aquilo que ela queria lhe falar. Estava mais que óbvio que ela tinha algo a ver com aquela banda. Pois o lindo Kenshin não havia tirado os olhos dela o programa inteiro... Além do mais Sanosuke havia falado com ela como se a conhecesse de longa data. Mas até aquele momento ela nunca havia lhe falado nada.
-Eu jamais iria me jogar no braços dele, mana.-Misao falou magoada. Tudo isso só a fazia perceber o quanto Kaoru não confiava nela.-Por quê nunca confia em mim? Eu dei motivo para tal desconfiança...?
Kaoru olhou para parede. Não desconfiava de sua irmã. Apenas não queria... que ela viesse a passar pelo o mesmo sofrimento que ela havia passado anos atrás. Não queria que um garotão bonito tirasse o bem mais precioso dela, que era a felicidade.
-Fala, Kaoru!!!-Misao falou a beira do desespero.-Não agüento mais esse silêncio...
-Eu... não desconfio de você, querida...-ela disse passando a mão no rosto da irmã.-Apenas zelo pelo o seu bem, e não acho bom uma menina de sua idade se expor desse jeito.
-Eu sei o que faço...-Misao falou se afastando ainda zangada.-Já tenho 16 anos, e já não sou mais criança...-concluiu revoltada.-Estarei no carro te esperando.-saiu batendo a porta.
"Droga, droga...",praguejou sentindo as pontadas ficarem mais fortes. Kaoru sentou na poltrona. Seu pensamento era um enorme vazio... algo entre ela e a irmã havia se quebrado, e isso era tudo culpa dele... de Kenshin.
Ele certamene há essa hora estaria sorrindo de satisfação, mais uma vez havia conseguido feri-la. Já não bastava ele ter tirado o seu pai, e agora ele queria lhe roubar a irmã. Mas isso não iria acontecer... não iria mesmo.
-Ai, ai...!!!-exclamou levando as mãos na barriga, dessa vez a dor foi mais forte, e aos poucos sentiu o gosto de sangue na boca.
Se aquela dor continuasse, talvez não resistiria por muito tempo.
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Kenshin estava cansado, esgotado, nervoso. Aquele dia não havia sido fácil para ele... De repente todo o peso do mundo havia se voltado para suas costas novamente. Ainda sentia-se confuso, não sabia ao certo seus sentimentos por Kaoru. Até doze horas atrás tinha há mais absoluta certeza de que não a amava, juraria por todos os deuses do mundo que os seus sentimentos por ela havia acabado, nem mais o fogo do ódio ardia em seu peito. Mas ao vê-la com Enishi fizera sua certeza virar pó.
Precisava andar, e o único lugar ela estaria salvo era naqueles corredores. Onde poderia pensar em paz... Kaoru era uma verdadeira atriz. Que de uma cara amarrada e triste, se transforma em uma princesa assim que as luzes se acedem, mas assim que as cortinas se abaixam ela volta a ser a pessoa triste e amarga. Havia feito ela sofrer muito... e por muito tempo, e isso havia deixado marcas profundas nela. Mas ele não saira ileso disso tudo... por culpa de Shishio tinha uma marca no rosto, e tinha desistido do primeiro amor de sua vida.
Precisava conversar com ela, esclarecer os pontos obscuros da história. Era tarde para ambos recomeçarem um relacionamento, mas ainda era cedo e tinham uma chance de ser feliz. Pois daquela maneira só eles estavam sendo prejudicados. Não guardava resentimento dela por ter se abrido com Enishi, pois no fundo sabia que ela não tinha a mínima idéia de quem aquele maníaco era de verdade... Tinha pelo menos a obrigação de alertá-la sobre a verdadeira personalidade daquele homem.
Parando na frente do camarim dela, Kenshin exitou em bater na porta. Não temia as palavras dela, mas sim aqueles olhos azuis que sempre tinham uma palavra fria e dura para falar com ele. Estava sendo ridículo, aquela não era sua maneira de agir... Batendo na porta cada vez mais com veemência.
-Entre...-a voz dela soou com um sussurro desesperado por ajuda.
Abrindo a porta a encontro semi desfalecida no chão. A expressão era tão pálida que o assustava. Ela estava pondo sangue pela a boca... Nunca havia a encontrado nesse estado.
-O que está acontecendo Kaoru?-ele foi ao encontro dela a pegando no colo.
-Ken-Kenshin...-ela sussurrou triste se sentindo confortável nos braços dele.-Preciso de ajuda... minha úlcera...
-Shh, não fale nada.-ele falou a colocando no sofá, ao mesmo tempo em que pegava o telefone celular.-Vou avisar Júlia que estou indo com você para o hospital, e assim ela avisará sua família.
-Mi-misao está no carro me esperando... avise ela também...-ela pediu desmaiando.
Kenshin quase entrou em pânico. Kaoru estava ali perdendo sangue... e sua assessora que não atendia aquela droga de telefone. No último toque ela atendeu.
-Julia, aqui quem fala é Kenshin.-ele falou aflito.-Kaoru passou mal e estou indo com ela para o pronto socorro, por favor, informe a família dela... Misao uma garota que está no carro irá te informar o endereço.
-Como... fale devagar? O que aconteceu com Kaoru?-Júlia perguntava confusa.
-Ela esta pondo sangue pela a boca, e precisa de um médico.-ele respirou fundo se obrigando a ficar calmo.-Procure pelo o carro dela no estacionamento... e fale com a garota.-concluiu desligando o telefone.
A pegando no colo praticamente correu até onde estava situado seu carro. Não havia tempo a perder, a respiração dela estava muito fraca, e o sangue não parava de sair... ela estava tossindo. E ele mais do que ninguém sabia como era perigoso ingerir o próprio sangue estando inconsciente.
-Kaoru...-ele a chamou após uma longa pausa.-Acorde...
Não recebendo nenhum sinal, Kenshin passou a mão no rosto dela, como a muito não fazia. Uma sensação de nostalgia invadiu seu peito... Ainda se lembrava do sorriso franco dela, quando repetidas vezes havia lhe jurado amor eterno.
-Kaoru, reage...-pediu beijando o rosto dela.-Não desista.
Acariciando o cabelo dela, Kenshin se aproximou do lábio delicado ela, e sem hesitar a beijou. Foi apenas um roçar de lábios, mas havia significado muito para ele.
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Kenshin andava de um lado para outro na sala de emergência. O medo corroia seus nervos... Estava tão tenso como a corda de um violão. Fazia horas que estava ali a espera de uma informação sequer dela, e nada... Era um sacrificio imenso ficar ali, pois ainda se lembrava com perfeição do piso frio ensanguentado do seu pai. Além do mais a última vez que esteve em um hospital não foi uma situação muito agradável. Mas agora a situação era diferente, Kaoru estava mal... sabia que não devia se preocupar, mas... não conseguia impedir seu coração.
Com a audição aguçada percebeu os passos de longe. Crente de que podia ser Karen ou Misao...Kenshin não se preocupou.
-Cadê a Kaoru...-Enishi falou pegando ele pelo o colarinho.-O que você fez com ela, seu assassino!
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Será que havia ido para o céu e não sabia. Kaoru pensou abrindo os olhos e dando de frente com um quarto inteiro branco. O mal estar havia passado, e a não ser pela agulha picada em sua pele poderia julgar que estava no céu... Cercada de paz.
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Olá pessoal!!!
Bem, chegou o ano de 2003 passou rápido, praticamente voou... Ontem parecia que eu estava tendo meu primeiro dia de aula, e agora estou de férias. O boa vida!!!
Um beijo para berth, Carol Malfoy e Soi. Pela review.
Bem, espero conta com o apoio de vocês nesse ano que entrou.
Bjs!!
Anna
