Narrado por: Omi
O som da chuva não me incomodava...Na verdade, pouca coisa podia me incomodar naquele momento, enquanto estava sendo beijado daquela maneira, sendo colocado contra o vidro frio daquela vitrine, mas com um confortável corpo pra me aquecer...Bem, não exatamente, afinal, Aya nunca estava quente... mas era muito confortável mesmo assim.
Não escutava mais os grossos pingos batendo violentamente contra o toldo que nos protegia... as únicas coisas que enchiam meus ouvidos eram os sons de nossas respirações arfantes, pontuados pelo barulho de nossas salivas.
Na verdade, muitas vezes, durante esses amassos, eu tinha a impressão de ouvir somente a minha respiração. Aya dificilmente ficava arfante ou corado...ok, ok, ele não ficava arfante ou corado. Naquela época, eu pensava que isso se devia, provavelmente, ao fato de que ele era muito mais experiente que eu. Naquele momento, apesar dos amassos que já havíamos trocado, eu ainda era virgem, nunca havia sido tocado abaixo da cintura.
Mas também, o calor estava tomando meu corpo, sentia cada veia palpitar, pedir por mais, pedir por alívio, assim como aquela dor que se pronunciava em meu baixo-ventre. Hoje sei muito bem o que é esse calor, essa dorzinha gostosa...mas na época, he...eu era apenas um garoto. Sentia- me estranho ao me pegar desejando tanto uma pessoa que namorava a cinco meses... Meu Deus! Cinco míseros meses! Seja para um humano ou para um vampiro, isso é pouco, muito pouco! Mas...era tão bom...Aya estava enroscando sua língua com a minha, me pressionando, fazendo-me sentir também as curvas de seu corpo...era muito bom...!
Soltei um gemidinho de descontentamento quando meu amor cortou nosso beijo. O vi esconder seu rosto em meu pescoço, naquela época ainda palpitante, esfregando discretamente seu quadril contra o meu, mostrando-se no mesmo estado de desejo e paixão. Remexi os quadris contra o dele, voltando e deixar alguns sons lascivos pela minha boca. E ouvi sons parecidos escapando da dele, seguidos por sua voz melodiosa, mas agora rouca, provavelmente por causa do tormento que lhe era imposto:
- Ah, minha amada criança... não faça isso comigo... não me mostre o que eu não posso ter...
Nem percebi quando essas palavras escorregaram por minha língua e escaparam por meus lábios:
- Quem disse que você não pode? - Ele então levantou o rosto, olhando-me nos olhos, íris violetas refletindo os raios que caiam por perto...
- Omi, você... - Não sabia o que tinha acontecido, mal tinha me dado conta do quanto havia me oferecido para ele... Naquele momento eu ofereci-me completamente a ele... meu corpo, minha alma... tudo... -...Você tem certeza? Você quer mesmo? - Sua voz soava hesitante em meus ouvidos, mas também, pelo meu estado de torpor e desejo, completamente sensual...
- Sim, eu tenho certeza absoluta do que quero agora... - Afundei meu rosto nos cabelos ruivos, a trança a muito desfeita por meus dedos impacientes. - Eu quero você... quero ser seu... só seu... - Uma pontinha de medo começou a martelar num cantinho obscuro do meu cérebro, mas deixei de lado, resolvendo me arrepender, se fosse preciso, somente depois.
- M-m-mas Omi! A sua mãe vai ficar preocupada, deve estar louca atrás de você... São quase meia-noite!
- ok Aya...Se não quer é só falar, certo? - Naquele momento tentei fazer minha voz parecer o menos magoada possível...Eu realmente achei que estava sendo recusado! - Você sabe que eu falei para minha mãe que ia dormir no Ken hoje...e pelo jeito vou mesmo, ne? - Olhei para ele, sorrindo sem graça.
Mas eu não esperava o que veio. Eu não tinha nem idéia! Aya me beijou com força, apertando-me novamente contra a vitrine, nossos corpos novamente se enroscando. Cheguei a pensar que o ato seria consumado ali mesmo, no meio da rua, protegidos apenas pelo toldo amarelo e pela neblina que se erguia vagarosamente.
Tenho certeza que, quando tudo cessou, meu olhar para ele era de um completo abobalhado... - Aya?
-He, não estava achando que iríamos fazer algo aqui, no meio da rua, ne? - Senti seus lábios úmidos na ponta do meu nariz, enquanto sua mão enluvada pegava a minha e me guiava para o carro.
Sentei-me no banco de couro e o vi dar a volta correndo, sendo castigado pelos pingos de chuva. Ele sentou-se no banco do motorista e beijou-me novamente, me fazendo pensar que aquele era o lugar escolhido então. Nyah, errado de novo. Ele logo se afastou, girando a chave na ignição e começando a dirigir-se para um bairro um pouco mais afastado.
Naquela hora, o nervosismo quase tomou conta de mim novamente, mas logo eu entrei em uma conversa animada com ele sobre a história do seu cabelo. Muito bizarro, mas serviu muito bem para dispersar a tensão que teimava em tomar conta do meu corpo. Mal notei quando o porshe parou a frente de um prediozinho modesto, com a pintura começando a descascar, o portão já com alguns claros consertos. Algumas senhoras de idade tomavam chá, sentadas perto da janela, olhando para o céu estrelado, já que a chuva cessara.
-Bom Omi, é aí que eu moro... não é nenhum palácio ou uma casa grande e bonita como a sua, mas é o meu cantinho...Bem vindo ao meu mundo. - Ele sorriu, e ah... como eu adorava aquele sorriso. Na verdade, ainda adoro. Sorri de volta, beijando levemente seus lábios:
- Vamos entrar?
-Claro... - Beijou-me de volta, desafivelando o cinto e saindo.
Sorri, acenando também quando ele o fez para as senhora da janela, sorrindo e falando algumas palavras educadas. Chegamos até o portão e eu somente olhei em volta enquanto ele procurava a chave certa. Não pude perceber muita coisa, pois a escuridão me impedia de grandes revelações. Só pude perceber que os canteiros eram bem cuidados, a vizinhança era muito simples, mas também muito simpática a seu próprio modo.
O segui pelas escadas até o terceiro e último andar, me deparando com uma grande porta de mogno escuro, esperando, novamente, que ele procurasse a chave. Assim que ouvi o clique, me virei para Aya, sorrindo, sem deixar transparecer o nervosismo que aquela hora me envolvia quase totalmente...Quando se é virgem, é muito estranho pensar que você estrando num lugar simplesmente para fazer sexo. Naquela hora, tentei pensar que não era isso. Eu não tinha me oferecido a ele para isso. Eu tinha me oferecido para fazer amor, e foi isso que me fez seguir em frente, adentrando logo depois dele, o aposento completamente escuro.
Lembro de ter ouvido um farfalhar de roupas e logo depois um "clic", fazendo a luz iluminar o local...
- Uau...é muito bonito Aya! - Era um local limpo, com um espaço interno muito grande, provavelmente proporcionado pela falta de paredes que separassem os cômodos. As paredes só se faziam presentes para separar os dois aparentes quartos do resto.
- He, eu gosto de manter as coisas bem arrumadas... - Ele sorriu se graça, me confessando, finalmente, uma mania que eu já tinha percebido a muito tempo.
-Entendo... - Sorri também, meio debochado.
-Ahn...er...Você não acha que deve avisar Ken que você não vai...er...dormir lá hoje?
Senti minhas faces corando, mas não desviei o olhar, somente concordando. - Claro...onde está o telefone?
-Logo ali...-Segui seu dedo fino com os olhos, chegando até uma mesa de canto. Sentei-me ali perto e disquei o número do celular do meu amigo, esperando. Um toque, dois, três...
- Alô?- Uma voz sonolenta respondeu... com certeza ele não tinha como reconhecer o número no visor, quase me esqueci disso.
-Ken, sou eu, Omi...
-Onde você tá guri!? Quer me matar de preocupação? Você disse que ia ficar com Aya só até as onze e pouco! É quase meia-noite!
-Er...Ken? Podemos conversar sobre isso amanhã?
-Onde você está!?
-No apartamento do Aya, só queria te avisar q eu não vou voltar pra casa hoje...- Eu falava baixinho, nem mesmo eu sei porque.
- QUÊ? Você tá pensando em...!? Volta já para cá!
-Ken!! Eu não quero! Eu quero ficar aqui! - Minha voz se alterou um pouco... ouvi um suspiro do outro lado da linha, acho até que ele já estava se conformando...
- Ok, mas venha para cá amanhã! Se sua mãe descobre que você não está aqui estamos ambos mortos!
-Ok... e... obrigado, viu?
-Hn, boa noite, Omi
-Boa noite... - Desliguei o telefone com um suspiro, feliz por um amigo assim... mas logo me sobressaltei. Algo úmido tocava o meu pescoço. Nem precisei olhar. Uma língua brincava com minha pele, que era sugada em meio as carinhos. Pendi a cabeça para trás, apoiada no ombro de Aya, gemendo baixinho e deixando-me levar pelas sensações.
Senti suas mãos tocando todo o meu corpo devagar, deixando em brasa qualquer lugar onde os finos dedos brancos tocavam.
Aquela foi nossa primeira vez. É até engraçado lembrar. Grande parte das preliminares foram ali mesmo, no sofá. Foram longas, calmas. Mãos passeando por cima de carne, apertando, provocando...Ele me guiou até a cama somente depois que estávamos ambos despidos até a cintura e minha razão, medo ou nervosismo tivesse ido para o espaço. Não queria saber de mais nada além de suas mãos sobre mim, seus beijos, seu amor.
Fui ao céu quando tocado no baixo ventre, gritei de puro prazer quando aquela boca me provocou... mas tive medo quando a hora de realmente consumar o fato chegou. Lembro dele me preparando com os dedos, do prazer de ser tocado no ponto certo. Mas ele era maior que alguns dedos, portanto, mesmo assim fiquei apreensivo.
Ele ajeitou-se em minha pernas, beijando-me a testa suada:
-Tudo bem Omi?
-Sim...-Tentei não demonstrar medo, eu queria aquilo!
- Certo... relaxe... - Nessa hora ele me beijou, certamente para manter minha boca ocupada, para distrair-me da possível dor.... e nossa, doeu... como doeu...Senti-me rasgado, partido ao meio. Mordi seus lábios, mas ele não pareceu se importar. Algumas lágrimas claras, dessas puras, que hoje não sou mais capaz de derramar, até deixaram meus olhos, tamanha dor.
-Omi... relaxe... senão relaxar não vai parar de doer...
Naquela hora, fiz o meu máximo para relaxar todas as partes do meu corpo. Queria muito que a dor passasse. Bem, não passou, mas com certeza amenizou e ficou bem mais aceitável depois que fiz o que ele mandou. Suspirei, enroscando minhas pernas nele, querendo naquele momento, ir até o fim, ser capaz de enxergar a expressão de prazer no lindo rosto branco da minha pessoa amada.
Consumamos o ato de amor entre gemidos cada vez mais altos e alguns gritos entrecortados. Foi ótimo. Foi lindo. Adorei ver sua expressão, suas faces lisas contorcidas pelo intenso prazer. E o que me deixava orgulhoso, era que eu estava proporcionando isso.
O abracei forte quando seu peso soltou-se sobre mim, pela primeira vez eu podendo ouvir sua respiração rápida, muito alterada. Ele me abraçou de volta, ficamos assim longos minutos.
Aya rolou para o lado, puxando-me junto, fazendo-me me aninhar a ele. Trocamos juras e, em pouco tempo, dormíamos abraçados, cansados, suados e completamente satisfeitos...
Durante a noite, algo me incomodava, fazia arrepios subirem pela minha espinha, começando na base e arrepiando-me até os fiozinhos finos da nuca... Quando acordei por alguns instantes, tive a impressão de ver algo pairando na escuridão...olhos brilhantes, como de um predador pronto para atacar. Aconcheguei-me mais a Aya, respirei fundo, e olhei novamente... nada, absolutamente nada... pelo menos naquela época eu pensava isso...
Logo amanheceu, meu relógio biológico me fez acordar, mas nada denunciava o dia lá fora...espreguicei-me, sorrindo feliz, olhando para o ainda adormecido Aya ao meu lado e esquecendo-me completamente do incidente no meio da noite... Levantei-me, estranhando a total escuridão. Nenhuma pequena centelha da luz do sol adentrava o quarto. As janelas eram perfeitamente vedadas...Olhei estranhamente para Aya, percebendo que nunca o havia visto sob luz do sol... era uma ótima oportunidade. Sorri para mim mesmo, satisfeito com a minha idéia completamente estúpida.
Fui até a janela e forcei todas as trancas sem fazer muito barulho...Nossa... eram realmente muito bem vedadas.
Lembro de ter ficado realmente intrigado, pensando porque diabos Aya teria todo esse cuidado. Após muita força, consegui destrancar tudo. Então, com um simples empurrão, escancarei as persianas, deixando a luz dourada inundar o quarto.
Nessa hora, eu vi a coisa mais impressionante que meus olhos jamais viram: Aya acordou de súbito, assustado,gritando. Colocou as mãos sobre os olhos, caindo da cama, rastejando como um lagarto nojento para baixo dela, tentando, de qualquer maneira, fugir da luz revigorante.
-OMI! FECHA ISSO! FECHA ESSA JANELA! ISSO D"I!!! ISSO D"I MUITO! FECHA POR FAVOR!!!!
Continua...
