PET SHOP OF HORRORS:

DESPEDIDA

FanFic escrita por: Calerom

Início: 23/08/2003 - 1a Versão

Versão Atual: 28/09/2003 - 1.1.

Final:

E-MAIL: myamauchi1969@yahoo.com.br

Créditos:

Love Hina: História original por Ken Akamatsu.

Versão em TV/Ova: Xebec Studios / TV Tokyo

Pet Shop of Horrors: História original por Matsuri Akino.

Versão em vídeo: Dark House.

Observação:

Esta obra foi feita única e exclusivamente como um fanfic para entretenimento pessoal e dos leitores. Obviamente tanto a série Love Hina como Pet Shop of Horrors não me pertencem, sendo de propriedade dos autores citados acima. .

Quaisquer personagens que não constam nas séries citadas acima, quaisquer que sejam suas versões são de minha criação pessoal. Eles são totalmente fictícios, sendo qualquer semelhança com nomes, fatos e datas, mera coincidência.

Rating:

PG-13. Contém uma temática forte (drama misturado com sobrenatural), descrição de mortes violentas, linguagem grosseira (quase todos vindos do personagem Leon) e situações eróticas.

CAPÍTULO 3:

Desiderio.

Dias mais tarde, depois da primeira visita da Naru à loja de animais de Count D, num fim de semana...

- Você deve alimentar o animalzinho todos os dias como te ensinei, e dar bastante sol e água limpa para ele. E deve banhá-lo com água quente - se possível numa banheira - todos os dias. Alguma dúvida?

- Não, senhor.

- Então, peço-lhe para que cuide muito bem dela todos os dias de sua vida.

- Oba! Muito obrigado, senhor.

A garota loira de uns dez anos de idade sobe os degraus da loja de animais com o seu mais recente bichinho, que comprara na loja de Count D.

Estava tão alegre e ansiosa que quase tropeça com a moça ruiva de óculos que acabara de abrir a porta.

- Ops, mil desculpas, tia! - Desculpa-se a menina, depois de averiguar que seu precioso bichinho não ficou machucado com a trombada. Por sorte, a caixa que segurava estava intacta.

- Ora, não foi nada. O seu bichinho está bem? - Pergunta a jovem ruiva ajeitando os óculos.

- Sim. Acho que está.

- Posso dar uma olhadinha?

- É Claro. Seu nome é Cindy. Cindy, por favor, cumprimente a tia! - A menina retira o pano que encobria o pacote. Dentro dela estava uma pequena tartaruguinha amarela com o casco esverdeado.

- Mew! O bichinho estende a sua pata como se estivesse cumprimentando uma velha conhecida.

- Uma tartaruguinha! - Exclama a jovem ruiva.

- É uma tartaruga-onsen da ilha de Okinawa. O tio da loja disse-me que ela tem qualidades muito especiais! - Responde entusiasmada a garota loira.

- Que legal!... Cuide muito bem dela. - Responde a ruiva lembrando-se de outra tartaruga-onsen do qual tratara anos atrás.

- Tchau, tia! Cindy, faça um tchau para a moça... - A garotinha fica contente ao ver sua tartaruga-onsen acenar para Naru, que fica feliz, lembrando-se da Tama-chan.

Totalmente feliz da vida, a menina sai da loja caminhando na direção de um veículo, onde certamente os pais dela estavam aguardando para levá-la de volta para casa.

A jovem ruiva olha para trás e sorri, recordando os momentos de felicidade quando tratava a sua ex-tartaruga de estimação, dando ração e banho na piscina de fontes termais de Hinata-Sou.

Quando teve que sair para morar nos EUA, a pequena Tama-chan - assim era chamada sua tartaruga - teve que voltar para a sua antiga dona, Mutsumi Otohime.

Isto porque Naru achava que Tama-chan iria ter dificuldades para se adaptar no pequeno apartamento alugado de Los Angeles. Depois, com sua rotina rigorosa, iria sobrar pouco tempo para dar atenção devida ao bichinho.

Por sorte, Mutsumi havia concordado em cuidar de Tama-chan com todo o carinho.

Naru Urashima desce as escadas da loja de animais com todo o cuidado.

Ela notara que D providenciou a tabuleta nova e cuidou para mandar emborrachar toda a superfície da escadaria, minimizando o risco de quedas acidentais.

Assim que ela chega no hall de entrada, pequenos sinos tilintam, anunciando a sua chegada.

- Olá, Count D! - Diferentemente da primeira vez, Naru cumprimenta com mais desenvoltura o conde, não estranhando o seu jeito, talvez devido à forma cortês que foi tratada. Afinal de contas, gosto não se discute.

- Seja bem vinda, minha adorável jovem... - Count D momentaneamente esquece do nome da ruiva e tenta forçar a memória para relembrá-lo.

- Eu sou Naru. Naru Urashima, o senhor lembra-me de mim? - Naru percebe o imprevisto e se apressa a ajudar o Count D.

- Ah, sim, perdoe-me a minha lastimável memória... Você esteve aqui há alguns dias atrás no final da tarde... - Comenta D, um pouco constrangido.

- Tudo bem, eu imagino que o senhor deva ter um monte de gente para atender todos os dias... - Sorri Naru.

- Você conseguiu uma folga na Universidade para vir até aqui? - Pergunta, perspicaz D, relembrando de alguns detalhes que sua visita disse na primeira vez.

- É que... Aos sábados, só tenho aula até o meio-dia. Depois hoje tive tempo ainda de voltar em casa, tomar um banho e ir ao mercado fazer as compras da semana que vem...

- Eu só vou ficar livre do serviço à noite... Geralmente aos finais de semana, o movimento quase que dobra. Antes de você chegar, eu já atendi umas quarenta pessoas. - Suspira D, demonstrando um pouco de cansaço, mas contente pela melhora em seu movimento.

- Puxa, que legal!

- Bem, a que devo a honra de sua visita, senhorita Urashima?

A partir deste momento, Count D começa a sondar sutilmente sua cliente, procurando saber se ela queria um animal de estimação convencional ou algo mais... particular.

Embora boa parte de seus clientes que buscavam criaturas exóticas tivesse que marcar hora com ele, não era impossível aparecer alguém necessitando urgentemente de seus serviços mais seletos.

Com sua sensibilidade sobre-humana, Count D percebeu que a aura de Naru estava algo ensombrecida com a perda recente de um ente querido. Ela estava se recuperando da dor da perda, mas ainda eram bem visíveis as variações de energia de sua aura.

Embora nem sempre ele usasse este recurso, ele percebera algo de diferente nesta jovem na primeira vez e queria se certificar da verdade.

- Bem... É que estou procurando por uma companhia... - Naru pensa um pouco e conclui com uma pontinha de tristeza.

- Entendo. Tem preferência por algum em particular? Um gatinho ou um cachorrinho?

- Bem, vou ver ainda... Só se não chamar muito a atenção, O condomínio onde moro não iria gostar... - D percebe que Naru estava sem assunto definido.

- E seu marido, já conversou com ele? - A pergunta de D não foi intencional e ele não quis ser tendencioso. Na realidade, ele deduzira que Naru poderia ser casada, pelo estilo de roupas que ela usava, e não por qualquer informação obtida pelos seus sentidos superapurados.

- Bem... Infelizmente ele não se encontra mais aqui... Faleceu há quase um mês atrás... - A expressão do rosto de Naru muda, e ela fica bastante triste e pensativa.

- Peço te perdão pela minha indiscrição... Não quero... - D percebe que sem querer acertara o centro da questão inconsciente da vinda da jovem ruiva na sua loja, só que também repara que cometera uma gafe imperdoável.

- Não, não foi nada... - Naru faz uma expressão de quem iria começar a chorar.

- Meus sinceros pêsames por sua perda...

- Não... Já passou e o que me resta a fazer? É levar a vida... - Ela dá de ombros e tenta se conformar com o destino.

- Entendo. Por favor, siga-me, senhorita Naru. Acabamos de receber um espécime novo hoje de manhã. Acho que você irá gostar muito dele... - Finda a conversa social, D vai direto à sua oferta.

Count D guia Naru pelos corredores da enorme loja de animais, passando por vários viveiros e mostruários repletos de gatos, cães, roedores, insetos e todo o tipo de ser domesticável que poderia imaginar.

A jovem pós-graduanda fica impressionada com a enorme coleção de seres vivos que o nobre chinês possuía e ficava imaginando se este homem teria sido um descendente de Noé, já que a loja lembrava uma enorme Arca com toda a Criação Divina dentro.

Olhando casualmente para um aquário, ela nota que o conde possuía até mesmo as raríssimas tartarugas-onsen, da mesma espécie que a Tama-chan e a tartaruguinha Cindy que a menina loira havia comprado.

Estas tartaruguinhas acompanhavam com seus olhares curiosos e vivos o andar do Conde D e sua cliente pela loja.

Finalmente, Conde D aponta para uma sala separada das demais. A porta era ricamente decorada com motivos chineses e estava parcialmente encoberta por uma cortina de seda com motivos florais.

- É aqui. Por favor, me acompanhe.

Conde D abre a porta da sua sala reservada com grande cautela. Diferentemente das demais salas, ela estava envolta por uma densa penumbra, sem iluminação aparente.

Naru dá uma espiada dentro e fica estarrecida com o que vê, ao vislumbrar por detrás das cortinas semitransparentes uma forma familiar sentada num divã oriental.

A figura era de um rapaz com traços japoneses, de estatura média para alta, um pouco magro, cabelos e olhos negros e um olhar sereno. Ele estava vestido com roupas orientais, semelhantes a um uniforme japonês de colégio masculino.

Parecia idêntico à figura que Naru conhecia muito bem, se não fosse o detalhe de estar sem aqueles óculos que ela estava acostumada a ver.

Lágrimas de alegria começaram a cair de sua face, enquanto a sua razão e intelecto lutavam contra a emoção - há muito tempo adormecida em sua alma.

- Alguma coisa? -Count D nota a expressão inexprimível no rosto de sua cliente.

- Não pode ser... D... Você é um bruxo ou o quê?... Sei que acabei de ficar sem o meu marido, mas isto é uma brincadeira de mau gosto! E-eu estive em seu enterro... Eu presenciei ELE dando seu último suspiro... Sendo enterrado... - Naru não sabia se ria se ficava indignada ou se chorava naquele momento.

- Senhorita Naru... O que está vendo é absolutamente real e vivo. Jamais venderia algo que não existe para meus clientes

- K-Kei... - Naru faz um último esforço para não se desmanchar em lágrimas diante do proprietário da loja de animais e de sua exótica criatura.

- Por favor, pode tocá-lo. Ele é tão real e verdadeiro como eu e você! - Sorri D.

Conde D pede com um gesto para que a sua estranha criatura se adiante.

Naru toca a sua mão direita e sente a mesma sensação de tocar uma pele macia e aquele calor de quando tocara a mão de Keitarô Urashima pela primeira vez.

Ela não pode mais se conter. Para surpresa da criatura e do próprio conde D, a linda ruiva o abraça e o beija várias vezes na boca.

E ela começa a chorar convulsivamente, tocando, cheirando e se apertando nos braços daquele que era a imagem e semelhança absoluta de seu amado.

- Kei... Keitarô! Você voltou para mim! Oh, meu Deus! Senti a sua falta nestes dias terríveis! Prometa-me! Prometa-me que nunca irá me deixar! - Exclamava ela entre lágrimas de alegria e soluços de alívio.

- Senhorita Naru, por favor, o espécime que está diante de você é muito jovem... E pode ficar confuso diante de tamanha demonstração de afeto...

- C-como você conseguiu, Senhor D? Como você conseguiu trazer o meu amado Keitarô de volta à vida? - A mente de Naru era como que um turbilhão de perguntas procurando por respostas.

- O que está vendo é um raro espécime do filhote de Unicórnio branco, encontrado em regiões remotas da Ásia... E é evidente que ele não é mencionado em nenhum tratado de zoologia...

- M-mas... Ele parece ser tão humano, tão real...

- Este espécime, como disse é único. Além de ter as características normais do Unicórnio, tal como é conhecido pela Mitologia, ele pode assumir a forma da pessoa mais amada em nossa vida.

- N-não precisa dizer mais nada, senhor Conde D! Q-quanto ele custa? E-eu faço qualquer coisa para ficar com ele! - Naru estava disposta a entregar todo o seu dinheiro e economias - se pudesse - para ter seu amor e felicidade de volta.

O seu maior temor era de que o preço do "unicórnio" fosse muito alto, inatingível para ela.

Mas, custasse o que custasse, Naru iria fazer de tudo para adquirir aquela criatura para si. Mesmo que ela precisasse ceder todas suas posses materiais para o Count D. Mesmo que além de tudo isto, ela precisasse sacrificar a fidelidade de seu corpo para o nobre chinês e vender a sua alma para ele.

Ela estava disposta a tudo. Nada mais importava para ela do que ter o seu amado Keitarô de volta.

- Oh, então ficou interessada? - D se entusiasma um pouco diante do brilho dos olhos de sua interlocutora.

- Por favor... É claro que sim! - A jovem ruiva tinha um olhar úmido e suplicante como o de uma criança que apreciava o gatinho, o cachorrinho, o brinquedo mais cobiçado de toda sua vida. Ela nem parecia uma mulher de 24 anos para 25 anos de idade...

- Deixe-me ver, primeiro, preciso me averiguar se este espécime gostou realmente de você. Unicórnios são animais extremamente sensíveis e somente consentirão em partir se gostarem do novo dono...

Agora chegara a hora da verdade. Para D não bastava apenas a oferta material, mas também a garantia de que criatura e dona iriam se dar bem. Jamais ele iria aceitar uma fortuna que fosse para entregar seus preciosos "seres" para alguém que não merecesse...

Um tenso silêncio se ergue no momento. Sem ser induzido pelo conde como pela ruiva, o unicórnio olha atentamente para os olhos de Naru e com um aceno silencioso de cabeça, concorda, com um olhar bastante semelhante ao do verdadeiro Keitarô quando era criança.

Em seguida, com passos lentos, porém seguros, se aproxima da sua futura dona e a abraça com suavidade, com uma ternura indescritível.

Naru chora novamente de emoção.

- E-ele... - Naru tenta certificar-se, embora seu coração já saiba da verdade.

- Evidentemente gostou de você e aceita como sua nova senhora, tanto nos momentos bons como amargos, para o restante de sua vida.

- Então...

- Só resta assinar o contrato oficial.

- Contrato? - Naru fica surpresa. Normalmente lojas de animais não pedem para que contratos fossem assinados.

- Sim, o contrato.

- Por quê?

- Como é um espécime singular, precisamos ter certeza absoluta de que ele será tratado como deve.

- Tudo bem...

- Antes, um aviso: Se porventura você falhar em cumprir estes termos, a loja não será legalmente responsável por qualquer problema que vier a ocorrer...

- Eu sei! Quais são os termos? - Naru fica um pouco incomodada com tamanho detalhismo do nobre chinês.

- Por favor, lembre-se dos termos que estão escritos aqui e cumpra-os custe o que custar:

01 - Somente a dona do unicórnio pode cuidar dele.

02 - Ele pode comer de tudo que é permitido para os humanos. Contudo, sempre que possível, ofereça doces tradicionais japoneses em suas refeições.

03 - Nunca, mas nunca mesmo, castigue-o ou agrida fisicamente, em qualquer circunstância que seja.

Naru pensou a respeito dos termos do contrato, lendo-os cláusula por cláusula. Um professor que havia ministrado aulas para ela na Toudai, sempre insistia para os seus alunos lerem e analisarem atentamente os contratos comerciais, por mais simples que fossem.

O primeiro termo não parecia ser muito difícil de cumprir. Ela morava sozinha no apartamento e não tinha empregada.

Quanto ao segundo, este era o mais fácil de todos. Mesmo quando estava vivo Keitarô gostava de doces japoneses, e Naru sempre conseguia achá-los na seção de produtos importados do supermercado aonde comprava. Por ser uma cidade de forte presença da colônia japonesa, não era muito difícil achar produtos típicos em Los Angeles, dos mais simples aos mais requintados.

Ela pensou um pouco com relação ao terceiro termo... Verdade que no passado havia brigado com o Keitarô, principalmente quando ele pensava em safadezas e dava uma de tarado...

Contudo, depois de casados, as brigas e discussões a respeito dele haviam diminuído...

Só que o atual Keitarô, ou melhor, o unicórnio, tinha um rosto bastante puro e inocente, e ela iria fazer de tudo para fazê-lo continuar assim.

Ainda assim ela decidiu questionar alguns pontos em dúvida, diferentemente dos clientes que compravam os animais sem perguntar nada a Count D.

- Quanto ao primeiro item, como devo proceder com o uni... Digo, o Keitarô, se eu precisar mudar-me de apartamento ou mesmo de cidade?

- Ele pode viajar com você, contudo você deve cobri-lo o suficiente ou pôr uma máscara sob o rosto dele, evitando expor a olhares curiosos, para evitar conseqüências indesejáveis...

- Qual a frequência ideal de refeições por dia?

- Três vezes ao dia, se for alimentado com comida humana. Contudo, quanto aos doces, uma vez por dia é o suficiente para ele não ficar com fome.

- Você me disse para evitar agredi-lo fisicamente, quaisquer que sejam as circunstâncias. Como devo proceder se ele fizer alguma coisa de errado? - Perguntou ela, pensando na frase que D havia lhe dito antes, que o unicórnio tinha uma mentalidade de criança.

- Este terceiro item é imperativo. Nem pense em dar uma palmada que seja, nem de brincadeira. Lembre-se que este unicórnio jamais irá fazer algo errado ou prejudicial por vontade própria. Se for preciso, corrija-o falando num tom de voz firme, mas suave. A melhor educação que você pode lhe dar é pelo exemplo...

Normalmente Count D não tinha o costume de detalhar as cláusulas, mas ficou satisfeito ao ver que Naru era bem mais inteligente do que vários dos seus ex-clientes, que assinavam o documento sem ler direito o que estava estipulado, pagando caro por esta negligência.

- Sei que é pedir muito... Mas... ele pode aprender a falar? - Naru estava ansiosa, pois tinha tanto a conversar com "Keitarô".

- Esta espécie, quando muito, apenas aprenderá alguns nomes e palavras simples. Contudo, ele entenderá tudo o que você dizer para ele. Alguns estudiosos antigos falam que o unicórnio é capaz de entender pensamentos de pessoas puras e simples, mas isto eu não pude comprovar... até agora...

- Bem, Count D, eu concordo com os termos... Onde está o contrato?

- Aqui. Por favor, assine-o embaixo aqui e aqui. Uma das vias é sua.

D oferece duas vias do contrato exclusivo para Naru assinar.

O mesmo estava em papel timbrado da loja e escrito tanto em chinês como em inglês.

Os termos do mesmo eram inequívocos e transparentes e não havia nenhum artifício que induzisse a interpretações duvidosas do tipo "letras miúdas" ou coisas do gênero.

Naru Urashima assinou os papéis usando o seu nome de casada, com uma letra ao mesmo tempo fina e elegante. Primeiro ela firmou sua assinatura ao estilo ocidental e depois em japonês.

- Ah... Naru Urashima... Um nome bem elegante... Como era o seu nome de solteira, se me permite?

- Era Narusegawa... - Murmura a jovem ruiva, perdida entre um oceano de recordações do passado e a esperança do presente.

- Pronto! Senhorita Naru, com a assinatura do contrato, o unicórnio passa a ser de sua propriedade. Então, cuide bem dele da melhor forma possível por toda a sua vida. - responde D ao assinar as suas vias.

- Estou tão emocionada... Count D, quanto eu te devo? - Naru estava comovida e quase chorando de alegria, mas ela tinha que guardar suas emoções para depois.

- Ah. É verdade. - Concorda D, tendo se esquecido deste detalhe.

- Então?...

- Você me deve exatamente um bolo de chocolate produzido na confeitaria Pierre's. - D fecha ambos os olhos e sorri abertamente imaginando o sabor da rara iguaria desta confeitaria badalada em seus lábios delicados e exigentes.

- ?

- Se puder, peça o tipo que é produzido com legítimo cacau brasileiro e com a guarnição de morangos silvestres colhidos no dia! - Conclui ele, especificando seus gostos pessoais.

- ???

- E por favor, não se esqueça de entregar o bolo amanhã na minha loja. - Termina ele dando por concluída a transação.

Embora este bolo fosse razoavelmente caro, era bem mais acessível financeiramente do que a torta que ele servira para Naru uma semana antes. Esta sim, custava uma fortuna, valendo o seu peso em ouro.

D sabia perfeitamente que sua cliente não era rica e fez questão de oferecer uma oferta justa, ainda que o bolo não fosse do tipo que Naru pudesse comprar todas as semanas. Ela teria que fazer um pequeno sacrifício financeiro, mas dentro de suas possibilidades.

Afinal de contas, o seu lema era de vender sonhos, amor e felicidade, coisas que jamais seriam medidas por ouro e dólares.