PET SHOP OF HORRORS:

DESPEDIDA

FanFic escrita por: Calerom

Início: 23/09/2003 - 1a Versão

Final:

Myamauchi1919@yahoo.com.br

Créditos:

Love Hina: História original por Ken Akamatsu.

Versão em TV/Ova: Xebec Studios / TV Tokyo

Pet Shop of Horrors: História original por Matsuri Akino.

Versão em vídeo: Dark House.

Observação:

Esta obra foi feita única e exclusivamente como um fanfic para entretenimento pessoal e dos leitores. Obviamente tanto a série Love Hina como Pet Shop of Horrors não me pertencem, sendo de propriedade dos autores citados acima. .

Quaisquer personagens que não constam nas séries citadas acima, quaisquer que sejam suas versões são de minha criação pessoal. Eles são totalmente fictícios, sendo qualquer semelhança com nomes, fatos e datas, mera coincidência.

Rating:

PG-13. Contém uma temática forte (drama misturado com sobrenatural), descrição de mortes violentas, linguagem grosseira (quase todos vindos do personagem Leon) e situações eróticas.

CAPÍTULO 4:

Delirium Tremens.

Naru estava saindo feliz da vida do Pet Shop de Count D, com sua tão desejada aquisição - devidamente vendada e coberta para evitar ser quebrada a primeira diretivado contrato - quando cruzou com o oficial Leon na saída da loja.

Por pouco, ela não deixa o grandalhão oficial de polícia esbarrar no seu precioso unicórnio. Ele também estava carregando um pacote de confeitaria e por pouco o mesmo não cai no chão.

- Oh, você... - O grandalhão tenta fazer força para se lembrar o nome desta garota que ligara desesperada para a polícia naquele dia. Teria sido mais lógico ela ter chamado o Hospital, só que não tinha como não dizer não numa emergência 911.

- Oi, lembra-se de mim? Sou Naru, Naru Urashima. E o senhor é... - Reconhece imediatamente a garota.

- Oficial Leon Orcot, Departamento de Homicídios da Polícia de Los Angeles. Acho que nos encontramos antes... Pena que não tenha sido numa circunstância fácil... - Responde cordialmente o policial, reparando novamente na beleza de Naru.

- O-obrigado por ter me ajudado naquela hora tão difícil... E-eu estava tão desesperada... - Agradece Naru se referindo ao dia em que o policial esteve em seu apartamento ajudando-a levar o agonizante Keitarô ao hospital.

- Não foi nada, eu estava cumprindo o meu dever... Por que o seu simpático acompanhante está coberto deste jeito? - Sorri Leon, algo intrigado com a figura alta, totalmente coberta à sua frente, como se fosse uma mulher do Afeganistão na época em que a milícia radical islâmica Taleban tomara o poder.

- B-bem... É que, é que... Este é um amigo meu e veio me acompanhar para fazer umas compras... Só que como ele é meio alérgico ao contato com os animais, tivemos que colocar isto... - Naru fica sem graça e tenta inventar uma desculpa qualquer, se lembrando da primeira diretiva do contrato.

- Tudo bem, minha senhorita. Tenha um bom dia. - Sorri Leon, fingindo-se de desentendido.

- Tchau e muito obrigado por tudo! - Naru se despede de Leon e ajuda o seu "amigo" a entrar vagarosamente no táxi que estava esperando por eles. O unicórnio se acomoda como pode, auxiliado pela sua nova dona, e em seguida ela entra no veículo.

- "Amigo com alergia total a bichos? Quero ser mico de circo no dia em que acreditar nisto, dona..." - Sorri desconfiado Leon no momento em que abre a porta da misteriosa loja do Conde D.

Leon desce a escada que liga o pet shop ao mundo exterior, imaginando se a jovem Naru não teria comprado uma das criaturas místicas de Count D, o qual iria interrogá-lo agora.

Só que no momento ele tinha vindo para resolver algo mais imediato.

Para variar, Leon estava com mais um caso insolúvel em suas mãos e isto estava começando a virar uma rotina para ele.

Embora o crime tivesse ocorrido numa área fora da sua jurisdição - numa riquíssima mansão localizada nos arredores de Pasadena, Leon foi designado pelos seus superiores para ajudar a polícia local a resolvê-lo, devido à sua experiência com casos similares.

Seus colegas viviam brincando que mais um pouco, e ele iria ser escalado para figurar na famosa série "Arquivo X", tornando-se o novo parceiro de Scully.

Um famoso empresário foi encontrado morto em sua mansão tendo toda a sua pele sido arrancada de seu corpo. Seu sangue havia sido drenado por completo, tornando o cadáver horrível de se ver.

Ninguém mais estava presente no dia do crime - o empresário chegou a expulsar seus familiares, os empregados e serviçais dias antes num acesso de fúria - e para piorar, a autópsia confirmou que não foi usado nenhum meio externo como faca, bitsuri ou qualquer tipo de instrumento de corte para a execução do infeliz.

Encontrou-se na cena do crime uma garrafa de vinho tinto, junto com quilos de frutas frescas. Não havia indícios de consumo de drogas ou remédios muito fortes.

Havia uns restos de uma exótica planta ou algo parecido com um vegetal - murcha em cima da cama.

Os exames concluíram que ela não possuía substâncias tóxicas ou perigosas para a saúde.

A única pista disponível era a de que este empresário teria feito uma ou duas visitas à loja de Count D antes de sua morte, segundo o testemunho de seu ex-chofer.

- Kyu, Kyuuu! - Q-chan avisa o seu mestre diante da chegada de Leon, algo enciumado pela intimidade com o qual o policial adquirira com o seu criador.

- Seja bem vindo, detetive, em que posso ser útil? - Pergunta educadamente D, embora no fundo, já soubesse o que o oficial iria falar.

- Porra, não leu os jornais de hoje, Conde? Mister John W. Ferris III, o magnata da indústria de vinhos, foi encontrado morto de manhã em sua mansão, literalmente esfolado. E adivinha quem foi designado para resolver o caso? - Disse Leon sem papas na língua.

- Suponho que seja você. - Responde com um sorriso sutil, o nobre chinês.

- Bingo! Como prêmio por ter acetado, você vai receber isto! - Leon dá um sorriso amarelo totalmente sem graça, se adianta e entrega um pacote caprichosamente embrulhado para D, rezando para que o encontrão com a jovem Naru não tenha danificado o conteúdo.

- O quê? Você me trouxe os apreciadíssimos bombons de fabricação artesanal da loja Desire's? Isto deve ter te custado uma pequena fortuna, meu amigo... - Count D arregala os olhos mais uma vez, cedendo às suas inclinações gastronômicas, embora soubesse os reais motivos daquela visita de cortesia.

- (E custou mesmo, cara... Merda, eu fiquei sem grana para o meu rango hoje à noite. E ainda vou ter que estragar meu estômago comendo doces!) - Pensa Leon, com o seu estilo "boca livre".

- Sim, sim! Vamos nos sentar e relaxar um pouco, tomando chá, meu caro detetive! Eu irei contar tudo o que sei! - Entusiasma-se D, como se fosse um recém casado diante de sua linda noiva numa lua de mel. De fato, degustar iguarias finas como estes bombons oferecia para ele uma sensação próxima à do orgasmo sexual dos humanos.

Count D acomoda Leon na mesma cadeira que Naru Urashima usara na semana passada, em sua sala reservada.

Q-chan fica olhando para o veterano oficial, meio desconfiado, enquanto o conde prepara seu chá, com a maior calma do mundo.

Em menos de dez minutos, ele retorna, com alguns biscoitos finos e massas folhadas para acompanhamento.

- Foi tudo muito estranho, Conde. O velho Ferris estava trancado há pelo menos três dias em sua mansão e estava recluso, tendo dispensado todos os empregados a gritos e se recusando a atender os telefonemas de sua esposa, amigos, seus sócios e diretores, que estavam desesperados sem saber o que fazer. - Explica Leon, resumindo os fatos a partir dos testemunhos que ouvira.

- Entendo.

- Todos acharam que ele ficou completamente louco. Num dado momento, cortaram todas as comunicações com a mansão. Aí chamaram a gente para ver o que tinha acontecido, esperando pelo pior. Arrombamos as portas e quando entramos no quarto dele, foi aquele horror!... Encontramos o velho morto, com o corpo todo seco como se fosse uma uva passa, sem uma única gota de sangue dentro!

- É... Eu imagino... - D deixa escapar uma furtiva lágrima, não tanto pela horrível morte do milionário, mas pressentindo que ocorrera o pior com a graciosa criatura que vendera para o mesmo, dias atrás.

- E adivinha o que o seu amigão detetive aqui achou no quarto? Esta plantinha murcha... Você não está pensando em mudar de ramo e fundar uma floricultura, certo? - Leon retira de um saquinho de autópsia os restos de uma criatura de origem vegetal.

D estende as mãos delicadas e examina os restos da criatura que Orcot lhe passou. Sua expressão é extremamente pesarosa e um par de lágrimas puras como diamantes saem de seus olhos delicados, em silêncio.

- Deixe-me explicar... Acredito que o senhor Ferris faleceu por ter desejado romper todos os seus limites e viver a vida de uma forma intensa... - Pondera D procurando recompor-se, falando numa voz pausada, mas firme.

- Como? Só se ele achou que viver intensamente seria dar um jeito de arrancar toda a própria pele, sem bitsuri e sem faca!... - Exalta-se Leon quase derrubando o conteúdo de sua xícara de chá nas suas calças.

- Mister Ferris não se conformava com sua velhice, já que ele foi um playboy muito ativo há 30 anos atrás, antes de herdar os negócios e se casar com uma mulher que não o amava, por pressão familiar. Se não me engano, o apelido dele na época era "O Casanova de Los Angeles".

- E então...

- Ele desejava voltar aos tempos de outrora, quando era um galã conquistador, com uma vida "íntima" muito ativa... Só que era evidente que ele não podia fazer isto às abertas, para não provocar um escândalo.

- E como não? Era só dar um "calaboca" na patroa e mandar um empregado comprar uns pacotes de Viagra na farmácia, e o mundo que se foda, certo? - Responde Leon sem papas na língua, como sempre.

- O pedido que ele me fez era para que pudesse providenciar uma forma de recobrar a juventude e a virilidade de outrora, para poder desfrutar a vida de uma forma intensa antes que ele morresse... Assim, acabei tendo de oferecer a ele um espécime particularmente raro...

- Não me diga que você deu o elixir da juventude para ele?

- O seu pedido tratava-se de um tipo raro de ninfa que só é encontrada em certos oásis perdidos no Oriente Médio. Esta criatura, parte animal e parte vegetal, tem a faculdade de atender os desejos "românticos" de quem quer que seja, fazendo seu parceiro sentir-se mais jovem...

- Porra! E você quer que eu engula uma história absurda destas? Isto é muito bom para ser verdade! Uma mina que durma com você sem ligar para seus pneuzinhos na barriga, o saldo de sua conta bancária e que ainda te faz ficar jovem! Até eu queria algo assim! - Leon estende os braços para o céu, em atitude cética.

- Foi a mesma coisa que Ferris me disse quando relatei o fato. - D responde, imperturbável como sempre.

- E o que você disse para ele?

- Certas lendas árabes e persas contam que os antigos sultões e vizires de outrora pagavam a preço de ouro por estas ninfas do oásis para terem-nas em seus haréns... Atualmente, devido às devastações na natureza, somente existe pouco mais de uma dúzia de exemplares conhecidos pelo mundo.

- E então?

- Mister Ferris somente se convenceu quando examinou de perto a ninfa. E concluiu que ela não era nenhum embuste. Naturalmente, depois disto, passamos à fase do contrato.

- Quais foram os termos? - Leon pergunta, imaginando a besteira que o irascível milionário havia feito.

- Aqui está a minha cópia.

D se levanta para pegar uma pasta e entrega a sua via do contrato assinado com o falecido empresário. Leon checa a assinatura, e conclui que era legítima.

Os termos do contrato eram simples e concisos, resumindo-se no seguinte:

01- Não deixe que outras pessoas vejam seu rosto;

02- Alimente-a somente com tâmaras, damascos, ameixas e melões frescos três vezes ao dia;

03- Nunca dê bebidas alcoólicas para ela, quaisquer que sejam as circunstâncias.

Leon lê o contrato e atenta para as cláusulas do mesmo.

A primeira era óbvia e estava ligada à atitude do velho de expulsar todos os empregados, serviçais, familiares e a própria esposa da mansão, para seus propósitos inconfessáveis. Todos acharam que ele tinha pirado de vez.

A segunda cláusula era também clara e lógica, já que a ninfa era uma criatura da natureza. Decerto justificava as dúzias de frutas que Leon encontrara na cozinha da mansão.

Então somente podia ser a terceira cláusula a que tirou a vida do idoso magnata, pois a garrafa estava meio vazia.

- É, posso imaginar o resto. Mal chegou em casa, o velho aproveitou para expulsar todo mundo de lá para poder instalar a ninfa... Feito isto, os dois devem ter trepado para valer... - Conclui Leon resignado. Mais uma vez seu amigo conde saíra-se limpo desta.

- Na realidade, a criatura que ele comprou era uma espécie de ser híbrido, meio animal e meio vegetal, com capacidade de entrar em simbiose com a espécie humana... O perfume natural que ela exala é fortemente afrodisíaco, e as propriedades de sua seiva, emitidas por sua "boca", "seios" e "genitais", possuem hormônios capazes de não somente parar, mas também de reverter paulatinamente o processo de envelhecimento humano, dentro de certas condições.

- E o que deu de errado no caso do velho? - Pergunta Leon, desejando saber mais do que o óbvio.

- Na realidade, o idoso milionário estava mais carente de "amor" do que "sexo". Ele nunca se deu conta disto. O seu casamento foi um fracasso por este motivo. Ele sempre julgou que ninguém iria amá-lo de verdade pelo que ele era, mas sim pelo que ele tinha. Da mesma forma que os outros o tratavam como um objeto, ele inconscientemente tratava suas parceiras deste jeito... - Suspira D, explicando os reais motivos do drama de William Ferris III.

- Então, o cara...

- Buscava o seu ideal de amor impossível nos prazeres fugazes das bebidas alcoólicas. Este fato foi muito bem encoberto pelos seus sócios e diretores, já que seria inconveniente para os negócios, divulgar que o dirigente de uma grande indústria vinícola da Costa Oeste era um alcoólatra contumaz.

- Então no mínimo o cara devia estar com uma bruta cirrose...

- Exato, o seu fígado estava tão danificado pelos excessos alcóolicos, que a sua vida podia ser medida em questão de meses...

- E o que aconteceu com a moça, isto é, com a tal da ninfa?

- A terceira cláusula era taxativa: A ingestão de qualquer tipo de álcool pela ninfa do oásis altera de forma irreversível o seu metabolismo. Para este ser, o álcool é um veneno que destrói suas células em questão de minutos. Ao invés dela revitalizar seu parceiro, emitindo seus fluidos positivos, ela passa a sugar todos os nutrientes de quem estiver por perto dela, numa velocidade incrível, no desespero de se livrar da intoxicação alcoólica.

- E obviamente estando "chapado", o Ferris esqueceu-se da cláusula três e acabou embebedando a garota. Certo?

- Exato. Ao perceber que o seu organismo estava intoxicado, a ninfa começou a drenar todos os nutrientes do corpo do milionário, transformando seus membros em autênticas "raízes" que penetraram pela sua pele e seu corpo, até chegarem aos vasos sanguíneos. Como havia álcool presente no sangue dele, ela foi sugando mais e mais, até matar a ambos.

- Putz... Que jeito mais trágico de morrer... - Resigna-se Leon, imaginando que se escrevesse uma linha do que D lhe ditara, ele correria o risco de ser internado num manicômio.

- Os restos desta planta que você me trouxe são na realidade o que sobrou dela... Vou demorar meses para encontrar um exemplar tão raro...



D coloca com pesar os restos de sua ninfa do oásis numa pequena urna de metal, apropriada para cremações, enquanto Leon fica imaginando até que ponto iria o amor do conde por suas criações.

Notas deste Fanfic:

A linha de tempo do fanfic se localiza aproximadamente um ano depois do final do mangá 28 do LH, após o casamento de Keitarô e Naru - que, segundo o site oficial de Ken Akamatsu, ocorreu em Abril de 2005.

Este fic não segue o "storyline" oficial do mangá do PSoH, assumindo que os fatos envolvendo a família e o misterioso passado de Count D não tenham ocorrido.

Embora alguns sites de animes suponham que o Pet Shop de Count D se localize em Nova York e outros, em alguma grande cidade dos Estados Unidos, optei por seguir a versão mais corrente, de que a referida loja fica no bairro de Chinatown da cidade de Los Angeles.

Quanto à grafia do sobrenome do investigador Leon: Escolhemos a forma "Orcot" - mais usada em fanfics e sites - que a grafia "Alcott", citada numa revista nacional sobre animes, embora pessoalmente esta última pareça ser mais coerente.

À primeira vista, parece um absurdo mesclar gêneros tão diferentes como LH (comédia romântica estilo Shonen) e PSoH (terror gótico estilo Shoujo).

Contudo, ao analisar a temática de ambos os mangás, vemos elementos comuns:

Se tirarmos o elemento cômico do LH, o seu tema gira em torno de: Amor, Esperanças, Sonhos, e Segunda Chance (O reencontro com o amor de infância).

E justamente o "motto" de PSoH gira em torno de vender "Amor, Sonhos e Esperanças", sem mencionar as segundas chances que seus clientes buscam em suas vidas, o que configura um denominador comum.

Ademais, embora seja um mangá que enfoca a tragédia humana em todas suas formas, PSoH tem seus momentos cômicos e descontraídos, como as expressões engraçadas que D e Leon trocam enquanto conversam juntos.

O fic foi baseado numa premissa simples: "Qual o preço que você pagaria pelo seu Sonho, caso um dia ele fosse destruído?", concentrando o foco no relacionamento Keitarô/Naru - embora pessoalmente acho que personagens como Kanako e Shinobu sejam sérias candidatas a contracenarem com Count D, Q-chan e companhia.

Escolhi Naru como "cobaia" do crossover, justamente por causa do background meio problemático dela (versão mangá) e pelo fato de - dentre os personagens de LH - ter sido uma das poucas que não evoluiu muito ao longo da série, ao contrário de Motoko (compare ela no início de LH e como ficou após ter levado uma surra da irmã e "bombado" na Toudai), Shinobu (coitada...) e mesmo Keitarô (bem, nem tanto).

Na segunda parte do fic pretendo acrescentar alguns detalhes a respeito do background Naru-Keitarô, e o desenvolvimento da trama culminando no Unicórnio - a escolha deste animal também teve o seu motivo de ser...

Calerom.