PET SHOP OF HORRORS

DESPEDIDA - PARTE II

FanFic escrita por: Calerom

Início: 23/09/2003 - 1a Versão

Final:

myamauchi1969@yahoo.com.br

Créditos:

Love Hina: História original por Ken Akamatsu.

Versão em TV/Ova: Xebec Studios / TV Tokyo

Pet Shop of Horrors: História original por Matsuri Akino.

Versão em vídeo: Dark House.

Observação:

Esta obra foi feita única e exclusivamente como um fanfic para entretenimento pessoal e dos leitores. Obviamente tanto a série Love Hina como Pet Shop of Horrors não me pertencem, sendo de propriedade dos autores citados acima. .

Quaisquer personagens que não constam nas séries citadas acima, quaisquer que sejam suas versões são de minha criação pessoal. Eles são totalmente fictícios, sendo qualquer semelhança com nomes, fatos e datas, mera coincidência.

Rating:

PG-13. Contém uma temática forte (drama misturado com sobrenatural), descrição de mortes violentas, linguagem grosseira (quase todos vindos do personagem Leon) e situações eróticas.

Sinopse:

A jovem Naru sente o seu mundo desabar quando o seu marido Keitarô morre de maneira inesperada, após pouco menos de um ano e meio de namoro. Trabalhando e estudando um curso de pós-graduação em Los Angeles, EUA, ela não sabe o que fazer, até que numa bela tarde, ela entra casualmente numa certa loja de animais no bairro de Chinatown que irá mudar a sua vida...

Lá ela é recebida pelo enigmático Count D, um nobre chinês que cuida da loja, de propriedade de seu avô. D tem como lema vender "amor, esperanças e sonhos" a seus clientes, oferecendo o que eles procuram e precisam mais ardentemente...

CAPÍTULO 5:

Desejo.

(Flashback)

Na beira de uma praia, ao pôr do sol, uma figura vestida em trajes rústicos e descalça está sentada na areia branca, constantemente umedecida pelo vai e vem das águas. Um homem. Um pescador. Um filho do oceano.

Contudo, ele está terrivelmente envelhecido, como se estivesse com centenas de anos de vida. Suas mãos débeis seguram uma caixa ricamente ornamentada, feita de um material desconhecido, delicada, mais ao mesmo tempo resistente.

Antes que ele dê o derradeiro suspiro, ele deixa rolar uma lágrima em sua face enrugada. Seus últimos pensamentos são dirigidos a uma jovem de cabelo ruivo vestida de forma simples, e uma outra jovem de cabelos negros e olhos da cor do mar, ricamente vestida, sentada num trono de pérolas.

Em instantes, o velhinho morre, tendo o seu corpo reduzido a um esqueleto que imediatamente se transforma em cinzas, misturando-se à areia branca.

(Fim do Flashback).

Já se passaram semanas depois do dia em que Naru Urashima havia adquirido o singular unicórnio na Pet Shop em Chinatown.

Após trazê-lo em sigilo ao seu apartamento - ajudada por Mr. Wang, o mesmo taxista chinês que D havia lhe recomendado na primeira vez em que se encontraram - Naru transformou o quarto vago do lugar aonde morava na nova acomodação de "Keitarô".

Ela inicialmente pensou em dar o nome do seu falecido esposo ao ser que tinha a imagem e semelhança de quando ele era vivo.

Contudo, o traje de aparência colegial e a ausência de óculos deixavam o ser mitológico com uma aparência bem mais inocente e juvenil do que o falecido marido de Naru.

De modo que, ela começou chamá-lo de "Kei-kun", coisa que jamais havia feito com o seu parceiro de longa data.

- Kei-kun, eu vou cuidar e te proteger você com todas as minhas forças... Eu sempre irei te amar, sempre! - Dizia a feliz jovem ruiva abraçada ao seu animal de estimação, ou melhor, ao seu amado redivivo. Para Naru, jamais passaria pela sua mente tratá-lo como um unicórnio, mas encarava-o como se estivesse diante de do próprio Keitarô renascido da morte.

Em contrapartida, o unicórnio tinha uma vantagem sobre o original.

Naru percebeu que ele não era desajeitado e nem cometia aqueles desastrados acidentes pervertidos que o seu finado esposo fazia com ela por perto ou com as garotas da antiga pensão Hinata.

Será que era pelo fato de Keitarô ter uma aura permanente de azar e o unicórnio não? Mesmo sem ter sido ainda ensinado, a mitológica criatura retirava-se discretamente do quarto da Naru quando ela ia trocar de roupa ou evitava entrar no banheiro quando sua dona estava dentro, ficando sentando em silêncio no sofá, esperando de forma serena.

É claro que nem tudo eram rosas.

Na primeira semana, Naru Urashima teve um pouco de dificuldades para acostumar "Keitarô" a dormir no seu novo quarto e ela teve que usar uma boa dose de psicologia infantil para ensiná-lo a fazer suas necessidades fisiológicas de modo correto (ao invés de fazer pelo assoalho do apartamento) e comer usando os talheres, sem se lambuzar a si mesmo.

Como Count D lhe dissera, o unicórnio ainda tinha a mentalidade de uma criança e se comportava como tal.

Contudo, refreando qualquer sinal de irritação, Naru fez força para cumprir à risca as diretivas do contrato firmado com D.

Ela pacientemente educava "Keitarô" a fazer as coisas certas: comer, trocar de roupa, fazer pipi e cocô no lugar correto, tomar banho, etc. Como uma verdadeira mãe faz com o seu filho.

Nas duas semanas seguintes, Naru estava tão envolvida com a sua nova companhia, que isto lhe causou alguns inconvenientes em sua vida acadêmica e profissional.

Seus colegas professores da escola aonde ela lecionava a advertiram sutilmente que os alunos da sua classe estavam achando-na muito distraída e atrapalhada durante as aulas e isto não era bom.

E o seu orientador de tese de mestrado procedeu da mesma maneira, ao notar o decréscimo das brilhantes qualidades da aluna vinda da célebre Universidade de Tóquio, Toudai, que estava cometendo descuidos triviais para uma pós-graduanda.

Naru percebeu o fato, e em seguida procurou corrigir seu comportamento, voltando a se esforçar em suas atividades.

Só que lhe apertava o coração o fato de deixar "Keitarô" sozinho durante a semana em seu apartamento, somente voltando bem de noite.

Apenas aos sábados e domingos, ela tinha tempo suficiente para cuidar do seu amado unicórnio...

Por sorte, "Keitarô" não era exigente em matéria de alimentação e cuidados e nem ficava estressado como um animal confinado num apartamento.

Embora pudesse comer qualquer coisa que Naru colocava à mesa, "Keitarö" podia passar o dia todo sem ficar com fome desde que ela lhe desse um pouco de doces típicos japoneses, como uma porção de mandyus, dorayakis, e outros. Exatamente como D lhe dissera.

Enquanto a sua dona saía para as aulas ou para o curso de pós-graduação, "Keitarô" permanecia dentro do apartamento, dormindo, silenciosamente folheando algumas revistas na estante ou ainda assistindo desenhos infantis na TV.

Silencioso e discreto, os vizinhos de Naru nunca ficaram sabendo da chegada do novo hóspede, por sinal, praticamente idêntico ao seu finado esposo.

Ironicamente, "Keitarô" parecia ficar feliz quando assistia a um antigo anime japonês chamado "Liddo-Kun e sua Turma", que agora passava em versão dublada num canal americano.

Apesar de ter mais de vinte anos, o antigo anime fazia sucesso perante a criançada norte-americana e cogitava-se um remake da antiga série para o próximo ano, a ser desenvolvido pelo Akamatsu Studios.

Com o passar dos dias, "Keitarô" começou a aprender algumas palavras e frases simples e a cuidar de si mesmo, a ponto de facilmente passar-se por um ser humano.

Embora fosse uma pessoa sociável e simpática, Naru tinha uma vida social bastante limitada - desde a época do primário - e que piorou sensivelmente após a compra do unicórnio, apegando-se a ele como a única "pessoa" de sua vida.

Quase nunca saía para festas e confraternizações com os professores da escola aonde trabalhava e quando queria conversar com algum colega do curso, ela marcava um lugar fora ou fazia isto via Internet.

Na realidade, seu grupo mais íntimo de pessoas sempre havia sido o finado Keitarô, a Mitsune e as demais garotas da pensão Hinata...

Após o falecimento de seu marido, Naru perdeu o contato com as suas amigas e raramente se comunicava com sua família e mesmo com a sua irmã de criação, Mei, que iria prestar em breve o vestibular.

Pensando no seu amado unicórnio, ela mantinha a existência dele como um segredo guardado a sete chaves.

Pouquíssimas pessoas fizeram tanta força para cumprir as cláusulas contratuais da Pet Shop de Count D como Naru o fez.

Numa certa noite, Naru Urashima chegava no final de mais uma sexta-feira, completamente cansada e estressada. O dia havia sido horrível para ela.

Na parte da manhã, ela tivera que entregar um trabalho de pós-graduação que fizera a toque de caixa durante a semana.

E na parte da tarde e à noite, houve um incidente particularmente desagradável no Colégio aonde trabalhava. Ela foi forçada a tirar para fora da aula um aluno que estava tumultuando a classe, após uma discussão meio que violenta, que magoou a sensibilidade da jovem professora.

Naru rapidamente tomou uma rápida ducha fria e foi diretamente para o seu quarto, após ter beijado apressadamente "Keitarô". Ela não estava com apetite e muito menos com vontade de assistir a TV ou acessar a Internet.

Após ter trocado o seu traje de serviço por um "Baby-Doll" de cor azul-claro, a jovem ruiva pega um porta-retratos e olha com saudade e tristeza.

Era a foto do seu casamento com Keitarô, junto com toda a turma da pensão Hinata. Uma ponta de tristeza invade a sua alma, e ela deixa rolar uma pequena lágrima de saudade daqueles tempos memoráveis.

Sentia saudade daqueles dias gloriosos. Era feliz e não sabia. Mentalmente ela foi lembrando de fatos, e recordando cada momento que teve com as garotas da pensão e com o seu finado marido.

Ela estava tão absorvida que não percebeu "Keitarô" - o unicórnio - entrando silenciosamente no seu quarto, o que era a primeira vez que isto acontecia.

O ser de estimação estava usando uma roupa que pertencera ao finado Urashima.

O unicórnio percebe que Naru estava triste e ele senta ao seu lado dando-lhe um abraço infantil.

Narusegawa, ou melhor, Senhora Urashima, nota a sua presença e devolve o abraço. Em contrapartida, o seu toque no ser mitológico é envolvente e bastante sutil.

- Oh, Kei-kun, a minha vida ficou para trás... Somente me resta você.

- Naru? - Pergunta com um olhar puro o unicórnio. Sua dona havia ensinado a falar o seu nome e poucas coisas mais.

- Prometa-me que nunca irá me deixar!... Você é a minha felicidade!... - Lágrimas começam a correr de seus olhos grandes e expressivos.

- Naru...

Ao abraçar a sua criatura, Naru sente-se mais aliviada.

"Keitarô" era muito mais do que um filho, era a razão dela ser e existir em sua vida.

Não tivesse conhecido Count D e adquirido este precioso ser, ela teria desistido de tudo e voltado para o Japão para recomeçar do zero a sua vida.

Sem pensar direito, ela toca a face do unicórnio e o beija, uma, duas vezes. A terceira vez foi na boca. Ela sentiu o gosto da saliva deste ser, que era um pouco doce e agradável ao paladar.

A jovem viúva começa a afagar os cabelos de seu jovem acompanhante e a acariciar o seu belo corpo.

- Naru...

- Oh, Keitarô, Não me deixe só... Eu te amo...

- A-mo?

- Eu te amo tanto...Quero te amar, sempre!...

- A-mar?...

No dia seguinte, num sábado cinzento e enevoado, o telefone estilo "Art Noveau" da Pet Shop de Count D toca.

Ironicamente, D estava entretido em limpar as gaiolas e mostruários de sua loja, ao invés de tomar o seu habitual chá ou descansar numa de suas confortáveis poltronas. O chinês estava vestido de forma muito simples do que o seu habitual, como um empregado qualquer, embora ainda mantivesse sua pose.

Tendo que limpar e tratar dos seus animais antes que a loja fosse aberta ao público, no momento ele usava uma túnica chinesa azul-escura e uma calça da mesma cor, num tom mais claro para evitar sujar os vistosos trajes com os quais recepcionava os visitantes. Seus elegantes dedos estavam protegidos por duas triviais luvas de látex e ao redor do conde, haviam dezenas de pacotes de ração para animais, jornais usados, um balde e uma pá.

A roupa que usava era prática e confortável para o trabalho. Contudo não deixava de ser irônico esta passagem de pouco glamour do cotidiano de alguém que estava acima dos humanos mortais.

- Kiiiii? - Indaga com um guincho Q-chan, avisando D, a respeito da ligação telefônica.

O conde rapidamente para o seu serviço, e com passos rápidos e ágeis, alcança o telefone no quinto ou sexto sinal, antes que caia a ligação.

.

- Pet Shop de Count D, às suas ordens... - D mantém o tom cortês de costume, embora um observador sutil pudesse perceber um certo tom de aborrecimento devido à interrupção indesejada.

- Count D, aqui é Naru Urashima, lembra-se de mim? - O tom de voz de sua interlocutora era de pura ansiedade, beirando o desespero.

- Sim, Senhorita Naru, eu me lembro. A que devo sua...?

- Aconteceu uma coisa terrível! - Dito isto, Naru começa a chorar como uma criança desesperada no telefone, sem saber direito o que ia dizer.

- O quê? - Count D fica surpreso, imaginando o que poderia ter acontecido. Contudo, o fato de sua cliente estar viva era um bom sinal. Ela não quebrara o contrato. Os que faziam isto ligavam para ele apenas quando era tarde demais.

- Bem... Ontem à noite... Eu estava sozinha em casa... E... - Naru começa a chorar, com muita vergonha de si mesma...

- Senhorita? Poderia falar de forma um pouco mais pausada? O que quer dizer com "aquilo"?.

Os minutos transcorrem tensos.

Count D procura manter a sua compostura e escuta o relato confuso de Naru - que queria morrer de vergonha diante do que contava - Q-Chan se empoleira no ombro direito de D e balança a cabeça para cá e para lá, como se desaprovasse alguma coisa.

Passados alguns minutos, ele sai do ombro do conde e com uma expressão de alívio, meneia afirmativamente a cabeça com um sorriso estampado em seu rosto animal.

- Bem, senhorita Naru, o que ocorreu entre ambos é bastante incomum, mas posso lhe assegurar que não irá causar nenhuma doença ou transtorno, e muito menos, provocar algo "indesejado"... Não. Não existe a menor chance "daquilo" gerar conseqüências concretas... Tome apenas os cuidados higiênicos comuns a qualquer intercurso... Sim, entendeu? Se precisar, posso solucionar suas dúvidas pessoalmente, após o expediente. Desejo-lhe um bom dia, senhorita. - Tendo dito isto, D desliga o telefone, com uma expressão de alívio no seu rosto pálido.

"Estes humanos...", murmura D num tom enigmático e levemente irônico enquanto retoma o seu afazer diário.

Daqui a pouco, ele teria que tomar uma ducha, trocar de roupa e se preparar para atender seus clientes.

Ainda vestida com o "Baby-doll" da véspera, Naru olha para o lado direito de sua cama. "Keitarô" está dormindo placidamente, como um bebê.

Muito envergonhada, ela recorda da noite anterior.

Fazia muito tempo que ela não se sentia daquela maneira e neste ponto, a noite foi inesquecível. Ela nem se recorda quando caiu no sono.

Contudo, de manhã, a jovem ruiva havia acordado com muito medo, como se tivesse cometido um crime horrível, como um adultério.

Por sorte, o telefonema que fez para Count D devolveu-lhe a serenidade perdida, diante de seu ato impensado.

- Kei-kun... Não foi culpa sua... Você é tão... lindo, tão puro... Ai... Eu tenho que tomar mais cuidado comigo mesma... - Diz Naru afagando os cabelos negros do lendário ser que estava dormindo em sua cama. De fato, ele não tomara a iniciativa em nada, apenas correspondendo à sua dona.

Naru repara no relógio de cabeceira e preguiçosamente se deixa levantar, com movimentos felinos e lânguidos.

Que o mundo se danasse! O estrago estava feito e pela primeira vez, ela se sentiu livre da torturante rotina profissional e acadêmica que fazia.

Durante muito tempo ela se refugiou nos estudos como válvula de escape para superar a dor da perda da sua mãe e o fato de seu pai estar amando outra mulher.

Naru sempre foi uma solitária dentro de si mesma. As recordações mais felizes de sua vida datam de uma época muito distante, quando ela conheceu um garoto de cinco anos e uma menina de cabelos marrom-escuro e sorriso encantador numa hospedaria com águas termais...

Aquelas tardes de brincadeiras e jogos eram simplesmente memoráveis. E em algum ponto de sua mente, estava guardada a emoção da pequena Naru-chan ter gostado de alguém pela primeira vez na vida.

Contudo, ela acabou se separando dos dois amiguinhos quando teve que voltar para casa. Tímida e de temperamento difícil, a pequena Naru-chan voltou ao seu mundo de solidão até que num belo dia conheceu uma menina um pouco mais velha do que ela, que falava engraçado e tinha cabelos castanho-claros.

Ela se chamava Mitsune Konno, mas os colegas da escola a chamavam de Kitsune pelo hábito da garota - vinda de Osaka - manter os seus olhos sempre fechados, além de sua esperteza lembrar à do popular animal das lendas japonesas.

Embora aquela menina - levada, espertalhona e aproveitadora - tivesse pouco a ver com sua personalidade, por um destes caprichos do destino, a pequena Naru acabou se afeiçoando à ela, tratando-a como amiga. As duas começaram a almoçar e a voltar para casa juntas.

Por um momento de sua vida, a pequena Naru conseguiu se libertar de novo do amargo sentimento de perda e solidão que trazia.

Alguns anos se passaram, e a garota foi crescendo até se tornar uma linda jovem. Aí veio um novo choque na sua vida. Ela ficou sabendo que o seu amado pai tinha uma outra mulher em sua vida e que inclusive havia tido uma filha com ela, chamada Mei.

Naru lembra-se do estado de medo, frustração, raiva e angústia que sentira quando o seu pai lhe contara tudo isto e ainda comentou se ela queria conhecer a sua outra irmã. Ela brigou muito com ele e não parou de chorar naquela noite, chamando por sua mãe, que morrera de doença quando tinha apenas dois anos de idade.

Naru possuía vagas lembranças do rosto dela, muito parecido com o seu. Sua falecida mamãe era jovem e bonita e tinha um futuro promissor, já que ela estava cursando a famosa Toudai, numa época em que havia poucas mulheres disputando o mercado de trabalho em igualdade de condições com os homens.

Contudo, ela acabou falecendo de uma doença repentina pouco antes de terminar o curso. No início, a jovem menininha não sentira de imediato a dor da perda. Contudo, com o passar dos dias, ficava mais claro que sua "kaasan" (mamãe) nunca mais voltaria para a lar onde eles viviam.

Com medo de aceitar a nova realidade, Naru se abriu para a sua amiga Kitsune - que já vivia longe da família há tempos - e esta lhe sugeriu que viesse morar junto com ela num dormitório feminino que ficava no bairro de Hinata. Sem pensar duas vezes, Naru foi para lá, meio brigada com o pai e com a família que nem conhecia.

Chegando ao novo lar, ela sentiu uma estranha sensação de nostalgia. A simpática velhinha que era dona do local lhe parecia muito familiar, bem como a jovem de cabelos negros que cuidava da casa de chá e que vivia com uma bituca de cigarro na boca.

Aos poucos, Naru foi se entrosando com os moradores daquele velho dormitório e com as novas residentes, que vinham aos poucos: uma engraçada estudante estrangeira de intercâmbio que veio parar lá por engano, uma tímida garota ginasial que havia se mudado para lá, devido à separação de seus pais, e finalmente uma garota vinda de Osaka, de temperamento forte e fechado, que vivia treinando com uma espada katana.

A vida transcorria tranqüila no dormitório de Hinata Sou até o dia em que a Vovó Hina, a proprietária do local, anunciou a sua decisão de se retirar. Naru ficou alarmada, diante da possibilidade do seu pai chamá-la de volta para morar com sua madrasta e a irmã que mal conhecia. Embora nesta época ela não tivesse com tanta raiva do pai, ainda não aceitava a idéia de conviver com "outra" família.

Se o dormitório fechasse de vez, a jovem Naru teria que enfrentar o seu destino novamente, já que o seu pai não tinha recursos suficientes para alugar um apartamento em Tóquio para ela - devido ao absurdo custo de vida da metrópole - e ao mesmo tempo financiar os seus estudos.

Novamente parecia que o destino conspirava contra a jovem ruiva, que começava a ficar desesperada. Só que a velhinha lhe garantira que em breve ficaria tudo resolvido...

Num belo dia, Naru estava de folga e foi tomar um banho nas águas termais da Pensão Hinata para se relaxar... E foi justamente neste dia em que ela encontrou com aquele que iria partilhar dos momentos agradáveis e desagradáveis de sua vida... Até o reencontro com a misteriosa amiguinha de infância que fizera uma promessa... Até a entrada de ambos na Toudai... Até as loucas aventuras na ilha de Moru-Moru... Até finalmente o dia do casamento e a fatídica decisão de se mudar para a Califórnia...

Graças a "Keitarô", ela pela primeira vez, sentia-se dona de seu destino e de sua felicidade. Olhando com ternura para o seu jovem protegido, ainda descansando em sua própria cama de casal, a pós-graduanda e professora Naru calça um par de chinelos e resolve fazer um café da manhã reforçado. Como recompensa ao seu amado, ela iria fazer alguns dorayakis para o pequeno unicórnio.

Notas deste capítulo:

- Mandyu e dorayaki são doces tradicionais do Japão,

- Não conheço como é o sistema de contratação de professores nos colégios do EUA. Assumo que a Naru tenha conseguido o emprego em parte por causa do seu excelente currículo escolar. Nesta fic, ela é professora auxiliar de matemática num colégio particular.

- Não sei qual curso a Naru tenha feito na Toudai, mas em alguns fics em inglês li que era o de Direito. Se não me engano, a Tokyo U. é mais conhecida pelos cursos de Economia e Direito. Não é a faculdade mais puxada do Japão - como o LH sugere ser - mas é uma das mais concorridas, já que muitos funcionários públicos de alto escalão no governo daquele país estudaram por lá.

- Não me aprofundei muito no storyline do Pet Shop of Horrors - que é bem complexa, por sinal - até mesmo porque a grande maioria do público brasileiro conhece apenas os OVAs e raros episódios do manga obtidos via Internet. Se seguisse à risca a linha de tempo, este fic não teria razão de ser, já que o PSoH (escrito em 1994-95) termina antes da história do LH começar.(1998-2005).

- Os fãs mais puristas ficarão incomodados ao ver a cena em que botei Count D para dar ração e limpar o cocô de seus bichinhos. Evidentemente sei que ele NÃO é humano e que a sua loja de animais NÃO é o que parece ser. Mas quis dar um toque trivial e irônico a um personagem acima de nossos padrões normais. "Em terra de sapo, de cócoras com eles".

- Ao contrário dos quatro primeiros capítulos, que foram escritos em apenas uma sexta-feira do final de agosto, o de número cinco foi reescrito e revisto umas três ou quatro vezes, não somente pelo fato de estar absorvido na produção do Love Hina Endless Fantasy como também estar indeciso quanto ao final. No momento, tenho duas opções de finais prováveis para a história, um meio trágico e outro diferente do estilo PSoH. E ainda estou escrevendo os "ganchos" que irão desencadear estes dois finais.

- Pretendo criar ainda uma outra aventura envolvendo D, Leon e Q-Chan, mas sem crossover e sem entrar na fórmula: "alguém desesperado vai à pet shop de D e compra um animal mitológico assinando um contrato esquisito. No primeiro contratempo o cliente descumpre o contrato e se ferra."

- Sem Yaoi na história. Até mesmo porque mais de 2/3 dos fics em inglês envolvendo o Pet Shop of Horrors que vi na Internet, D e Leon ficam se agarrando em algum ponto da história.

Dúvidas, sugestões e comentários:

Escrito por: Calerom

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