4 – Água que purifica
The west is the best
The west is the best
Get here, and we'll do the rest
The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where you taken' us
Obviamente seus aposentos anteriores não estavam disponíveis, e contentou- se – até mesmo aliviado – com um quarto impessoal.
Um banho longo, demorado, água batendo por todo lado... o que tinha iniciado no lago estava terminando de ser limpo ali, no quarto. Havia regulado a água para sair em um jato forte, para relaxar seus músculos doloridos, e esforçou-se bastante para fazer com que ela o limpasse de seu ano de reclusão. A água limpava sua sujeira externa, mas a interna... ah, essa era difícil de limpar. Já tentara de tudo, arrancar esse estigma que tinha, mas não conseguia... era mais uma cicatriz que ostentava, ser aquele que sobreviveu. E agora estava ali, novamente, mesmo depois de ter ouvido o que ouviu, sentido o que sentiu, e sabido do que soube... ele estava novamente em Hogwarts.
Ele, o sobrevivente, dentre todos o mais indesejado... ele estava novamente em Hogwarts. Vivo e inteiro. Ao contrário de todos seus amigos... vivo e inteiro. Nesse momento explodiram em seus ouvidos os gritos lancinantes de Gina ecoando pelos corredores do St. Mungus, "ele não, ele não !!!", o que reviveu o segundo mais longo de sua vida : a risada nefasta, a luz verde ofuscante, e ondas de vermelho voando em todas as direções ; e ele lá, no chão, olhos muito abertos em sua direção... a dor tão grande do fato consumado, as palavras da maldição imperdoável formaram-se sozinhas em sua boca, o ódio do qual havia se preservado por que toda a sua vida - explodiu na ponta de sua varinha...para rebater num Voldemort risonho (Idiota ! Não sabe que não será VOCÊ a me matar ???) e voltar multiplicada, explodindo aquela sala... e todos seus amigos. ISSO ninguém viu, ninguém soube, pois, dali, só sobrou ele inteiro. E o que sobrou do que um dia foi Ginevra Weasley.
Pegou a toalha e enxugou-se vigorosamente, tentando limpar toda a imundície que Voldemort havia entranhado nele, sem conseguir. Tinha se tornado um pouco ele, ao tentar matá-lo... naquele instante congelado no tempo em que ele viu o que havia feito – tinha permitido que o ódio o dominasse, sem se preocupar com mais nada a não ser destruir – ele estava eternamente preso... sentia falta do gravador trouxa, agora : rew – stop – play.... rew – stop – play... sua vida fixara-se eternamente naquele segundo, numa repetição sombria e intransponível...e apenas Dumbledore parecia conseguir tirá-lo disso, e dar uma direção ao que sobrara dele.
Respirou profundamente, vestiu-se e saiu para o jantar.
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OK, OK, eu sei que esse foi curtinho... mas é que já escrevi o próximo, então achei melhor não começar a desenrolar a história nesse aqui, porque senão iria ficar cortado. Quero agradecer à gentileza dos reviews, e deixo aqui uma coisa : essa fic não foi escrita para ter Snape como a personagem principal ... não originalmente. Rs Eu JURO que ia acabar com o mistério nesse capítulo, mas uma amiga – já tão querida - escreveu uma frase mais ou menos assim : você quem sabe, a fic é sua.... o que me fez pensar que não, essa fic não é minha, é dessa personagem, apenas. Ele merece esse respeito. Ele merece meu silêncio sobre sua dor.