Por Dana Norram
Quando finalmente deixou a Igreja, Sirius sentiu-se mais leve e seguro de si. Era incrível como o mero fato de estar naquele lugar lhe deixasse tão desconfortável. Respirou a ar noturno da cidade, repassando mentalmente a rápida conversa que tivera com o Padre Lupin. Ambos preferiram deixar os assuntos com relação ao crime para o dia seguinte.
"Imagino que o senhor já ouviu o suficiente para um dia, Sr Black..."
E era bem verdade. Mas ele ainda não atinava a idéia de que aquele homem fosse o famoso Padre... de quem todos da cidade tanto gostavam! E não porque Lupin lhe parecera alguém que não merecesse tal crédito. Pelo contrário, fora sem dúvida, a pessoa mais simpática e menos afetada com quem falara naquele lugar. Não se esquecera de McGonagall, claro, mas ela era um Senhora a parte, nobre e segura de si, que pertencia a um universo completamente diferente do Padre Lupin.
Acontecia que já tinha uma imagem pré-concebida de Padres no geral, e não entendia como não detestara Lupin logo de cara. Talvez fosse porque o homem não parecia um velho carrancudo ou coisa assim. Claro que tudo podia ser mero fingimento. Padres eram especialistas naquela requintada... arte.
Sirius caminhou meio perdido, ainda sentindo os olhares sobre si. Mesmo sendo o horário do jantar ainda havia pessoas em quantidade na praça, e todas viravam a cabeça quando ele passava. Bufando nervoso, ele caminhou até onde deixara sua moto e enquanto procurava as chaves nos bolsos, ligava-a ignição e punha seu capacete, decidia se procuraria uma cantina ou irei de uma vez para a tal pensão que McGonagall lhe indicara.
Acabou optando pela pensão, onde poderia jantar em paz, longe de olhares curiosos, além do que, precisava admitir que a falta de costume em andar fez com que todas aquelas caminhadas lhe deixassem exausto. Tudo que queria era tomar um bom banho e enfiar-se numa cama o mais rápido possível.
Não demorou a encontrar o tal estabelecimento. Ficava numa estreita e comprida rua de paralelepípedo. Era uma grande casa, com a clara fachada cheia de jardineiras floridas, onde uma placa de madeira escura, pendurada ao lado da porta, se trazia escrito em tinta branca: Potter's Pension. Havia algo familiar naquele nome, mas Sirius não conseguia lembrar-se exatamente o quê.
Não havia campainha visível. Sirius olhou pela janela, na esperança de avistar alguém lá dentro, mas mesmo com a luz acesa, o hall parecia vazio. Seu estômago contorceu-se de fome e impaciente ele abriu a porta, batendo de leve na mesma. Um sininho tocou nalgum lugar acima da sua cabeça e ele pode observar melhor o lugar. Era um hall comum, como de qualquer família de classe média, um corredor comprido levava aos outros ambientes da casa, e logo no começo dele uma escada de madeira ao lado do quê parecia ser um balcão de atendimento. Aproximando-se, Sirius reparou num garoto atrás do balcão, de costas para ele e debruçado numa mesinha fixada à parede. Tinha a cabeça abaixada como se estivesse dormindo, talvez por isso não percebera a aproximação.
Limpou a garganta para anunciar sua presença, mas o garoto não deu mostras de ouvi-lo. Impaciente ele bateu com força na sineta que havia em cima do balcão e o barulho dela ecoou por todo hall.
O menino ergueu a cabeça, cujo os cabelos negros estavam tão bagunçados que Sirius não percebera o porquê dele não o ter escutado. Então quando o garoto virou-se, Sirius pode ver que ele usava distintos fones de ouvido ligados num moderno diskmam. Um CD rodava no aparelhinho, mas o menino já não parecia estar escutando-o, pois tinha arregalado os olhos para Sirius e sua boca se escancarara. Rapidamente ele puxou os fones, e continuou a encará-lo como se Sirius fosse um ser de outro planeta.
Sirius não gostou nadinha daquele olhar espantando e fez uma careta, mas agora que conseguia ver seu rosto, não pode deixar de sentir-se intrigado com a aparência do garoto. Tinha certeza de que já vira tudo ali antes. Os revoltos cabelos negros, os óculos redondos de armação escura, o rosto fino... apenas uma fininha cicatriz na testa em forma de raio e os olhos vivamente verdes lhe eram completamente estranhos. Já estava abrindo a boca para perguntar o nome do garoto, quando uma voz atrás de si o fez dar um pulo de quase um palmo.
"Harry! Harry, quem é que está esmurrando a sineta desse jeito? Não vai me dizer que está com aquele toca CD outra vez e não ouviu que..."
A voz morreu assim que Sirius virou o corpo para o homem que descia as escadas. Era a imagem viva do garoto de atrás do balcão, com exceção dos olhos, que desta vez eram castanhos. Não podia ser...
"... J-James?" A voz de Sirius saiu incerta, sua testa tão franzida que parecia que ele tinha 10 anos a mais.
"S-Sirius...?" Perguntou o homem também com as sobrancelha quase unidas. O menino os observava com atenção, ainda com a boca aberta.
Sirius sorriu verdadeiramente. Nada poderia deixá-lo mais feliz do que aquilo.
"James! Companheiro!" Exclamou Sirius abrindo os braços e caminhando na direção do homem. Ele o abraçou rapidamente, mas com força, e em seguida segurou-o pelos antebraços. "Deixe-me ver você... ainda não aprendeu a pentear esse cabelo, hein?"
James sorriu e fingiu que dava um pequeno soco no ombro de Sirius.
"Que bom vê-lo, velho amigo... como me descobriu aqui? Achei que tinha horror a cidades pequenas!"
Sirius ia abrir a boca para responder, mas a voz de Harry lhes alcançou antes.
"Ele é aquele homem da cidade grande... de quem eu falei, Papai".
James e Sirius viraram-se para Harry, que já fechara a boca, mas ainda olhava para Sirius com os olhos verdes arregalados. A expressão do rosto de James fechou-se repentinamente. Ele soltou-se de Sirius e cruzou os braços sobre o peito.
"Você está aqui por isso, Sirius? O quê aconteceu com você na capital?"
Sirius enfiou a mão no bolso do sobretudo e puxou suas credenciais. Entregou-a para que James pudesse examiná-la. Este arregalou os olhos.
"Investigador Black, hein?" Ele sorriu com sinceridade. "Parece que você andou trabalhando muito desde que sai de lá..."
Sirius deu um longo suspiro e também sorriu.
"É... como meu melhor amigo tinha me trocado por um rabo de saia, sabe como é... eu precisei afogar minhas magoas no trabalho, tive quatro promoções nos últimos 12 anos..."
James devolveu o distintivo a Sirius que guardou-o novamente no bolso.
"12 anos?" Murmurou James nostálgico. "Tudo isso? Como o tempo passou rápido..."
"E parece que você andou bem ocupado..." disse Sirius com um sorriso maldoso, apontando Harry. "É a sua cara, James".
James sorriu sem graça, chamando Harry com um aceno. O menino saiu de trás do balcão, e sem querer derrubou a sineta pois tinha os olhos fixos em Sirius. Então escondeu-se atrás do pai, agarrando-se no casaco dele.
"Ora, deixe de bobagem, Harry, Sirius não vai te morder..." James conseguiu empurrar o garoto para frente, e Sirius ajoelhou-se até ficar da mesma altura dele.
"Belo nome hein, Harry? Quantos anos tem?"
A voz do menino tremeu quando ele murmurou um tímido e breve: "Onze..."
"Onze anos! Tudo isso? Quer dizer que você mal deixou a cidade e já fez esse garoto, James?"
James fez uma careta e bagunçou o cabelo de Harry. Sirius levantou-se.
"É seu único filho?" Perguntou animado.
James balançou a cabeça num sinal afirmativo. "É sim, Lily achou melhor nos estabelecermos antes de termos outros..."
Sirius soltou uma risada alta. "...Lily?"
"Alguém me chamou?" Ouviu-se uma voz doce atrás deles. Pelo corredor entrou uma mulher de semblante vivo e alegre, dona de volumosos cabelos acaju, e logo Sirius viu de onde vinham os vivos olhos verdes de Harry, pois Lily tinha um par igualzinho ao do filho.
"Lily!" disse James dirigindo-se a mulher e passando o braço por cima dos ombros finos. "Este é Sirius Black, acho que já lhe falei dele antes, não?"
Lily deu um sorriso para Sirius e depois franziu a testa, como se tentasse recordar de algo, então voltou os olhos para o marido.
"Não era aquele seu amigo da polícia que você tinha de carregar pra casa toda vez que saiam para beber era?"
James e Harry riram abertamente. Até a risada deles era parecida.
"James! Veja só o quê você fala dos velhos amigos... o quê sua família vai pensar de mim?"
Lily soltou-se do marido e aproximou-se de Sirius, dando-lhe um breve abraço.
"Fico feliz em tê-lo em nossa casa, Sr. Black, há tempos que James não recebe visitas..."
Sirius deu um olhar incisivo a James por cima do ombro de Lily.
"Receio que o motivo de minha visita não seja tão alegre, Sra. Potter".
Lily fitou-o sem entender.
"Sirius está aqui para investigar a morte da jovem Johnson, Lily". Explicou James aproximando-se dele.
A mulher ruiva voltou os olhos para o marido e em seguida para Sirius, que confirmou o que acabara de ser dito acenando com a cabeça.
"Entendo..." Murmurou Lily, repentinamente desprovida de seu semblante alegre. Ela inspirou fundo como se aquele gesto lhe desse coragem. "Mas imagino que ficará conosco enquanto estiver na cidade não?"
"Se houver alguma vaga nesta distinta pensão..."
"Ora, deixe disso!" Disse James num tom brincalhão. "Sempre temos um quarto para amigos... Não queremos que fique aqui como hóspede, e sim como convidado, nem sonhe em oferecer dinheiro ou eu lhe matarei..."
Sirius sorriu mais uma vez e ergueu as mãos num gesto defensivo, enquanto balançava a cabeça.
"Bem! Bem... Harry, querido venha me ajudar com os pratos... tenho certeza de que seu pai e o Sr. Black tem muito o quê conversar..."
"Sirius, Sra. Potter, por favor..."
A mãe de Harry sorriu, enquanto tomava a mão do filho entre as suas.
"Certo. Então chame-me de Lily, Sirius".
"OK..." Disse Sirius ainda sorrindo, acompanhado de perto por um proposital e exagerado olhar de ciúmes da parte de James, mas que também sorria. "... Lily".
Continua...
Esta fanfic me pertence e eu vou azarar aquele que se meter a besta de copiá-la, ao ainda, postá-la em algum lugar sem minha prévia autorização. Gostou? Quer colocar no seu site? Blog? Fórum? Me mande um e-mail (dananorram@yahoo.com.br), não há motivo para eu negá-lo a você! >_ Plágio é crime.
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