Nota(s) da Autora: Desculpe a demora, pessoal... mas é muito complicado atualizar o fanfic em dias certinhos... sem Internet. De qualquer forma, espero que gostem! Sempre e novamente muito obrigada pelo apoio, e-mails e revisões... ^_^
Poxa!! Vcs querem yaoi/slash? Estou abismada! Achei que a maioria do pessoal que estava lendo não era muito fã não... XD~~
Assassinato em Hogsmeade
Por Dana Norram
Parte Nove: O dono da cidade
Somente quando escutou o som da moto de Black - acelerando ao lado de fora, que Snape ergueu a cabeça de sua desordenada mesa, inspirando e bufando ligeiramente irritado.
"Investigadorzinho de 5º..." murmurou o delegado debaixo da própria respiração, inconscientemente torcendo um clip com os dedos e quebrando-o em dois disformes pedaços.
Com um suspiro pesado seguido de um estalar de juntas, Snape ganhou caminho pela pequena porta dos fundos, que levava a uma escura escadaria em caracol. Sentindo o pó de semanas acumulado como areia debaixo de suas botas, chegou num patamar igualmente escuro com uma única lâmpada amarela embutida numa das paredes, dando a mínima visão necessária para não se bater de cara com a porta de metal logo em frente. Abriu-a sem qualquer ruído, sinalizando a boa manutenção ou que a mesma talvez ainda fosse bastante nova.
A sala em que saiu era ampla e iluminada, mesmo que não houvesse ali uma única janela. A mobília tinha uma aparência conservadora, tanto o par de poltronas com estofado escuro como a escrivaninha de mogno e a grande estante repleta de livros e curiosas estatuetas. Devia haver um ar condicionado ligado, já que indiferente ao calor que se fazia na rua, lá dentro estava fresco como uma manhã de outono.
"Sinto tê-lo feito esperar..."
Um homem ergueu-se de uma das poltronas junto à parede caprichosamente pintada. O delegado prendeu de leve a respiração.
"Não há o quê desculpar, Severus. Imagino que devia tratar-se de um assunto importante, não?"
O homem era bem alto, tinha longos cabelos loiros platinados e olhos cinzas, astutos como os de uma águia pronta para dar o bote. Vestia um finíssimo terno verde musgo e numa de suas pálidas mãos, ele carregava uma bengala de madeira nobre e escura, tendo em sua base a cabeça de uma serpente feita de prata.
"De fato, Lucius... era aquele investigador".
Lucius Malfoy esboçou um sorriso enviesado e ainda segurando a bengala, juntou os dedos levando-os até o queixo. Pareceu pensar por alguns instantes antes de dar as costas para o delegado e começar a caminhar a esmo pela sala, olhando ocasionalmente para Snape que se mantinha parado junto à entrada.
"Sei como esse caso é importante para você, Severus... Eu gostaria de fazer algo a respeito desse... indivíduo".
Snape abafou uma risada. Lucius voltou-se para ele, parecendo confuso.
"Algum problema?" indagou com uma sobrancelha erguida.
"Você sabe que pode, Malfoy. Ele foi chamado pelo Prefeito. E o senhor, meu caro banqueiro... tem o Prefeito na gaveta".
Lucius estreitou seus olhos claros e depois de alguns segundos sorriu novamente. Mas seu sorriso era decididamente estranho, sem qualquer sombra de cordialidade. Era um sorriso egoísta, frio, interesseiro... maquinal. Ele bateu levemente com a bengala na ponta de seus lustrosos sapatos, como se estivesse tirando o pó, todavia... não havia pó algum para ser tirado dali. Ouviu-se uma risadinha.
"Assim como tenho o Juiz, o chefe da associação dos comerciantes, o diretor do posto de saúde, o editor do Jornal Local..." ia dizendo Lucius como se estivesse enumerando suas valiosas figurinhas premiadas a um coleguinha de escola. "E obviamente... tenho o senhor, meu caro delegado".
As narinas de Snape embranqueceram quando ele conteve uma exclamação. O sorriso de Lucius alargou-se ao assistir àquela reação e caminhando na direção dele, mirou o delegado exatamente nos olhos.
"Oh... não me venha com essa falsa moral, Severus. Todos vocês são farinha do mesmo saco". Lucius deu um tapinha amigável nos ombros de Snape, que se contraíram de leve, e continuou falando num tom de voz untado e desdenhoso, enrolando levemente as vogais: "Mas não há nada do que se envergonhar. É tão... simples. Os senhores me fazem favores... e eu faço favores aos senhores... Tudo não passa de uma imaculada troca. Um nobre acordo de cavalheiros..."
O delegado assistiu Lucius dirigir-se até uma das poltronas, onde se sentou cruzando as pernas polidamente, sorrindo com aparente cordialidade. Snape respirou fundo e contou até dez.
"Vou repetir a pergunta que fiz antes de sermos interrompidos... O que quer, Sr. Malfoy?"
O sorriso no rosto de Lucius não vacilou nem por um segundo, mas seu rosto assumiu uma expressão teatralmente ofendida.
"Para que tamanha formalidade, Severus? Veja você, somos amigos há tantos anos! Ajudei-o a chegar aonde chegou... dei-lhe este belíssimo escritório de presente..."
Snape novamente estalou as juntas. "Está me jogando isso na cara?"
"Oh não". Volveu Lucius tranqüilamente. "De maneira alguma... apenas... estou mais uma vez lhe estendendo a mão amiga, Severus. Tenho interesse em seu sucesso e sei que pode chefiar esse caso maravilhosamente, sem a intervenção de um arruaceiro da cidade grande..."
Estudando a expressão de Lucius com peculiar atenção, Snape fechou várias vezes sua mão em punho, antes de perguntar com visível cautela: "Que quer dizer com isso, Lucius?"
Lucius ergueu-se solenemente, segurando a bengala desta vez com ambas as mãos. A expressão de sua face ainda era calma, mas havia um brilho decididamente perigoso em seus olhos cinzas azulados.
"Quero dizer, Severus... que também me interessa ver o Sr. Black fora do caminho. Fora desta cidade. Da minha cidade".
Foi vez de Snape esbouçar um rápido sorriso.
"Entendo..."
Sem se mexer, Lucius alargou o sorriso na face, vitorioso.
"Sabe por ventura, onde nosso investigador estaria hospedado? Obviamente é uma informação quase pueril, mas em todo caso..."
"Infelizmente eu..." Foi dizendo Snape, mas subitamente se calou, franzindo o cenho.
Lembrou-se de que poucas horas atrás, quando atravessara a rua para comprar cigarros, escutara um bando de mulheres comentando em voz alta que o estranho da Cidade Grande entrara na Igreja... acompanhado pelos Potters.
"E o pequeno Potter esteve aqui com ele..." murmurou Snape para si.
"Que disse?" perguntou Lucius de repente, seu rosto agora deformado numa expressão ansiosa.
Coçando o queixo, o delegado não olhava para Lucius quando respondeu. "O filho de James Potter estava com ele ainda há pouco... Bem, eu acredito que o Sr. Black esteja naquela pensão".
Lucius soltou um pequeno "oh" de compreensão e começou a estirar os dedos, como se eles repentinamente comichassem. "Fala de Harry Potter, não?"
Snape ergueu rapidamente os olhos, fitando Lucius atentamente. Havia algo de estranho no tom da voz de Malfoy?
"Creio que sim..." respondeu seco com seus olhos fixos em Lucius, que ao perceber que estava sendo examinado, tratou de mudar o rumo da conversa.
"Esse menino estuda com meu filho, Draco. Certamente deve lembrar-se dele, eu espero. E bem..." ele sorriu. "Digamos que os dois vivem numa espécie de competição... sabe como são crianças, não?"
Ainda fitando Lucius com atenção, Snape concordou com um rápido aceno, não achando prudente insistir. "Então... acha que pode resolver a situação?"
Uma das mãos de Lucius agarrou-se na madeira escura da bengala e a outra na cabeça em forma de serpente. Parecia que estava prestes a desembainhar uma espada. Sorrindo, ele ergueu as sobrancelhas num claro gesto de desdém.
"É certo que sim, caro amigo".***
A sensação que Sirius teve ao olhar para a Casa dos Gritos - de perto, pela primeira vez, foi de estar na verdade observando um velho e desbotado retrato, comido de traças e arruinado pelo tempo.
Era uma construção grande e que há muitos e muitos anos poderia ter sido uma bela casa. Todas as janelas estavam cuidadosamente vedadas com tábuas e a pintura - outrora branca e brilhante - agora se via levemente esverdeada por cauda da madeira apodrecida. Até o sol, que brilhava forte em toda cidade parecia ter se escondido repentinamente, como se a casa estivesse amaldiçoada a não receber qualquer tipo de luz.
"Ninguém consegue entrar aí..." disse Harry se apoiando na cerca baixa que os separava de um malcuidado e sombrio jardim.
Sirius voltou-se para o menino, fitando-o com atenção. "Ninguém? Ora... tenho certeza de que com um único chute eu poria essa porta abaixo!"
Harry sorriu em diversão, a idéia soando-lhe quase irresistível, mas logo a euforia em seu rosto deu lugar a uma expressão carrancuda.
"É propriedade particular. Mas o dono nunca aparece. Dizem que nem deve estar mais vivo... sem falar que..." o tom de voz de Harry baixou quase que para um sussurro. "Esse lugar é mal assombrado".
Sirius fitou Harry por um rápido momento antes de começar literalmente a gargalhar.
Sem qualquer controle.
O garoto deixou a boca pender devagar, incrédulo com aquela reação, assistindo o homem segurar-se na cerca para não cair.
"Ah! Estava demorando!" exclamou Sirius colocando as mãos na cabeça e depois as jogando para o alto em redenção. "Assombrada Harry? Ora, faça me o favor! Que dizem que tem aí, hum? Fantasmas... bruxas... ou ruídos estranhos... como de correntes querendo arrastar-nos para o inferno?"
Harry sentiu-se um pouco idiota. Emburrando a cara, ele cruzou os braços sobre o peito e se afastou da cerca, chutando algumas pedrinhas. Sirius coçou a cabeça, percebendo-o que fora longe demais.
"Foi mal, Harry... às vezes eu me esqueço de como é ser criança..."
Harry repentinamente voltou-se para Sirius, com seus olhos verdes brilhando de raiva contida. "Eu não sou uma criança!"
O investigador ergueu as mãos num gesto de defesa. Quando era criança, ele também odiava ser chamado de criança.
"Ora vamos, saiu sem querer... me desculpe OK? Apenas não consigo acreditar numa história dessas, Harry... assombrada! Só porque é uma casa velha, se desfazendo aos poucos?"
Para sua surpresa, Sirius escutou o garoto rir ligeiramente - como se tivesse uma grande bomba nas mãos, pronta para jogá-la nos braços de algum incauto.
"Não..." disse Harry ajeitando os óculos na ponte do nariz.
Sabendo que ainda havia mais, Sirius ficou em silêncio.
"Acontece que morreu uma menina aqui".
Erguendo as sobrancelhas, Sirius não se deixou impressionar. "Muitas crianças morrem nas próprias residências, Harry".
"É?" indagou Harry com um dos cantos da boca ligeiramente erguido, fitando Sirius em diversão. "A... machadadas?"
Os olhos de Sirius se arregalaram. "QUÊ?!"
Satisfeito com a impressão que causara, Harry sorriu amplamente. Descruzou os braços e começou a caminhar pelo terreno irregular enquanto continuava com seu relato:
"Isso foi há muitos anos... bem antes de eu nascer. Contam que aí vivia um casal e sua filha, que era um pouco... problemática... do tipo que berrava por qualquer motivo, gemendo e chorando de se acabar, sabe? A maioria da cidade evitava a família, mas a mãe da menina levava-a todos os domingos a missa, dizendo que Deus a curaria de todo o mau. Bom, aconteceu que um dia... a menina desapareceu..."
Sirius escutava Harry com atenção. Ele parecia já ter contado a história várias vezes, tamanha era a ênfase que dava em determinadas palavras. Era um gesto claramente proposital, de se chamar atenção para esta ou aquela frase.
"Os pais ficaram desesperados... correram de porta em porta atrás da garota... e nada. Ninguém tinha visto ou ouvido coisa alguma. Mas... não demorou muito que a encontrassem... ou melhor, que encontrassem seus pedaços".
Sirius sentiu um calafrio e viu Harry sorrir em satisfação.
"Muito bem, Sr. Potter... quem fez o serviço?"
O garoto deu os ombros.
"Nunca descobriram". disse Harry - e Sirius murmurou "típico" enquanto rodava os olhos. "Mas... tem quem diga que foi o pai da garota".
Olhando brevemente para a Casa dos Gritos, Sirius suspirou.
"Êh... histórias de assassinato na própria família não são incomuns, Harry. Um fato triste, mas verdadeiro..." ele escorou o pé na cerca, tomando cuidado para que ela não cedesse debaixo do seu peso. Então apoiando um dos cotovelos no joelho, perguntou sem muito interesse: "Que aconteceu com os pais dela?"
Harry debruçou-se na cerca novamente. "Ficaram na casa até morrerem... não tinham para onde ir. A casa era herança de algum parente, se não me falha a memória".
Sirius virou a cabeça e encontrou Harry o encarando.
"Como sabe de tudo isso?" perguntou franzindo o cenho em genuína curiosidade.
Harry desviou a vista, voltando a fitar a casa. Seu olhar estava distante, perdido.
"Eu disse ontem, Sirius... Não há muito que se fazer por aqui". Continua... >> Well… well... e então? Não deixem de comentar, ok? ^_~
+ + +
Harry Potter e seus personagens pertencem exclusivamente à J.K. Rowling e Warner Bros.
Esta fanfic me pertence e eu vou azarar aquele que se meter a besta de copiá-la, ao ainda, postá-la em algum lugar sem minha prévia autorização. Gostou? Quer colocar no seu site? Blog? Fórum? Me mande um e-mail (dananorram@yahoo.com.br), não há motivo para eu negá-lo a você! >_ Plágio é crime.
Copyright © Janeiro de 2004. Todos os direitos reservados.
Poxa!! Vcs querem yaoi/slash? Estou abismada! Achei que a maioria do pessoal que estava lendo não era muito fã não... XD~~
Por Dana Norram
"Investigadorzinho de 5º..." murmurou o delegado debaixo da própria respiração, inconscientemente torcendo um clip com os dedos e quebrando-o em dois disformes pedaços.
Com um suspiro pesado seguido de um estalar de juntas, Snape ganhou caminho pela pequena porta dos fundos, que levava a uma escura escadaria em caracol. Sentindo o pó de semanas acumulado como areia debaixo de suas botas, chegou num patamar igualmente escuro com uma única lâmpada amarela embutida numa das paredes, dando a mínima visão necessária para não se bater de cara com a porta de metal logo em frente. Abriu-a sem qualquer ruído, sinalizando a boa manutenção ou que a mesma talvez ainda fosse bastante nova.
A sala em que saiu era ampla e iluminada, mesmo que não houvesse ali uma única janela. A mobília tinha uma aparência conservadora, tanto o par de poltronas com estofado escuro como a escrivaninha de mogno e a grande estante repleta de livros e curiosas estatuetas. Devia haver um ar condicionado ligado, já que indiferente ao calor que se fazia na rua, lá dentro estava fresco como uma manhã de outono.
"Sinto tê-lo feito esperar..."
Um homem ergueu-se de uma das poltronas junto à parede caprichosamente pintada. O delegado prendeu de leve a respiração.
"Não há o quê desculpar, Severus. Imagino que devia tratar-se de um assunto importante, não?"
O homem era bem alto, tinha longos cabelos loiros platinados e olhos cinzas, astutos como os de uma águia pronta para dar o bote. Vestia um finíssimo terno verde musgo e numa de suas pálidas mãos, ele carregava uma bengala de madeira nobre e escura, tendo em sua base a cabeça de uma serpente feita de prata.
"De fato, Lucius... era aquele investigador".
Lucius Malfoy esboçou um sorriso enviesado e ainda segurando a bengala, juntou os dedos levando-os até o queixo. Pareceu pensar por alguns instantes antes de dar as costas para o delegado e começar a caminhar a esmo pela sala, olhando ocasionalmente para Snape que se mantinha parado junto à entrada.
"Sei como esse caso é importante para você, Severus... Eu gostaria de fazer algo a respeito desse... indivíduo".
Snape abafou uma risada. Lucius voltou-se para ele, parecendo confuso.
"Algum problema?" indagou com uma sobrancelha erguida.
"Você sabe que pode, Malfoy. Ele foi chamado pelo Prefeito. E o senhor, meu caro banqueiro... tem o Prefeito na gaveta".
Lucius estreitou seus olhos claros e depois de alguns segundos sorriu novamente. Mas seu sorriso era decididamente estranho, sem qualquer sombra de cordialidade. Era um sorriso egoísta, frio, interesseiro... maquinal. Ele bateu levemente com a bengala na ponta de seus lustrosos sapatos, como se estivesse tirando o pó, todavia... não havia pó algum para ser tirado dali. Ouviu-se uma risadinha.
"Assim como tenho o Juiz, o chefe da associação dos comerciantes, o diretor do posto de saúde, o editor do Jornal Local..." ia dizendo Lucius como se estivesse enumerando suas valiosas figurinhas premiadas a um coleguinha de escola. "E obviamente... tenho o senhor, meu caro delegado".
As narinas de Snape embranqueceram quando ele conteve uma exclamação. O sorriso de Lucius alargou-se ao assistir àquela reação e caminhando na direção dele, mirou o delegado exatamente nos olhos.
"Oh... não me venha com essa falsa moral, Severus. Todos vocês são farinha do mesmo saco". Lucius deu um tapinha amigável nos ombros de Snape, que se contraíram de leve, e continuou falando num tom de voz untado e desdenhoso, enrolando levemente as vogais: "Mas não há nada do que se envergonhar. É tão... simples. Os senhores me fazem favores... e eu faço favores aos senhores... Tudo não passa de uma imaculada troca. Um nobre acordo de cavalheiros..."
O delegado assistiu Lucius dirigir-se até uma das poltronas, onde se sentou cruzando as pernas polidamente, sorrindo com aparente cordialidade. Snape respirou fundo e contou até dez.
"Vou repetir a pergunta que fiz antes de sermos interrompidos... O que quer, Sr. Malfoy?"
O sorriso no rosto de Lucius não vacilou nem por um segundo, mas seu rosto assumiu uma expressão teatralmente ofendida.
"Para que tamanha formalidade, Severus? Veja você, somos amigos há tantos anos! Ajudei-o a chegar aonde chegou... dei-lhe este belíssimo escritório de presente..."
Snape novamente estalou as juntas. "Está me jogando isso na cara?"
"Oh não". Volveu Lucius tranqüilamente. "De maneira alguma... apenas... estou mais uma vez lhe estendendo a mão amiga, Severus. Tenho interesse em seu sucesso e sei que pode chefiar esse caso maravilhosamente, sem a intervenção de um arruaceiro da cidade grande..."
Estudando a expressão de Lucius com peculiar atenção, Snape fechou várias vezes sua mão em punho, antes de perguntar com visível cautela: "Que quer dizer com isso, Lucius?"
Lucius ergueu-se solenemente, segurando a bengala desta vez com ambas as mãos. A expressão de sua face ainda era calma, mas havia um brilho decididamente perigoso em seus olhos cinzas azulados.
"Quero dizer, Severus... que também me interessa ver o Sr. Black fora do caminho. Fora desta cidade. Da minha cidade".
Foi vez de Snape esbouçar um rápido sorriso.
"Entendo..."
Sem se mexer, Lucius alargou o sorriso na face, vitorioso.
"Sabe por ventura, onde nosso investigador estaria hospedado? Obviamente é uma informação quase pueril, mas em todo caso..."
"Infelizmente eu..." Foi dizendo Snape, mas subitamente se calou, franzindo o cenho.
Lembrou-se de que poucas horas atrás, quando atravessara a rua para comprar cigarros, escutara um bando de mulheres comentando em voz alta que o estranho da Cidade Grande entrara na Igreja... acompanhado pelos Potters.
"E o pequeno Potter esteve aqui com ele..." murmurou Snape para si.
"Que disse?" perguntou Lucius de repente, seu rosto agora deformado numa expressão ansiosa.
Coçando o queixo, o delegado não olhava para Lucius quando respondeu. "O filho de James Potter estava com ele ainda há pouco... Bem, eu acredito que o Sr. Black esteja naquela pensão".
Lucius soltou um pequeno "oh" de compreensão e começou a estirar os dedos, como se eles repentinamente comichassem. "Fala de Harry Potter, não?"
Snape ergueu rapidamente os olhos, fitando Lucius atentamente. Havia algo de estranho no tom da voz de Malfoy?
"Creio que sim..." respondeu seco com seus olhos fixos em Lucius, que ao perceber que estava sendo examinado, tratou de mudar o rumo da conversa.
"Esse menino estuda com meu filho, Draco. Certamente deve lembrar-se dele, eu espero. E bem..." ele sorriu. "Digamos que os dois vivem numa espécie de competição... sabe como são crianças, não?"
Ainda fitando Lucius com atenção, Snape concordou com um rápido aceno, não achando prudente insistir. "Então... acha que pode resolver a situação?"
Uma das mãos de Lucius agarrou-se na madeira escura da bengala e a outra na cabeça em forma de serpente. Parecia que estava prestes a desembainhar uma espada. Sorrindo, ele ergueu as sobrancelhas num claro gesto de desdém.
"É certo que sim, caro amigo".
Era uma construção grande e que há muitos e muitos anos poderia ter sido uma bela casa. Todas as janelas estavam cuidadosamente vedadas com tábuas e a pintura - outrora branca e brilhante - agora se via levemente esverdeada por cauda da madeira apodrecida. Até o sol, que brilhava forte em toda cidade parecia ter se escondido repentinamente, como se a casa estivesse amaldiçoada a não receber qualquer tipo de luz.
"Ninguém consegue entrar aí..." disse Harry se apoiando na cerca baixa que os separava de um malcuidado e sombrio jardim.
Sirius voltou-se para o menino, fitando-o com atenção. "Ninguém? Ora... tenho certeza de que com um único chute eu poria essa porta abaixo!"
Harry sorriu em diversão, a idéia soando-lhe quase irresistível, mas logo a euforia em seu rosto deu lugar a uma expressão carrancuda.
"É propriedade particular. Mas o dono nunca aparece. Dizem que nem deve estar mais vivo... sem falar que..." o tom de voz de Harry baixou quase que para um sussurro. "Esse lugar é mal assombrado".
Sirius fitou Harry por um rápido momento antes de começar literalmente a gargalhar.
Sem qualquer controle.
O garoto deixou a boca pender devagar, incrédulo com aquela reação, assistindo o homem segurar-se na cerca para não cair.
"Ah! Estava demorando!" exclamou Sirius colocando as mãos na cabeça e depois as jogando para o alto em redenção. "Assombrada Harry? Ora, faça me o favor! Que dizem que tem aí, hum? Fantasmas... bruxas... ou ruídos estranhos... como de correntes querendo arrastar-nos para o inferno?"
Harry sentiu-se um pouco idiota. Emburrando a cara, ele cruzou os braços sobre o peito e se afastou da cerca, chutando algumas pedrinhas. Sirius coçou a cabeça, percebendo-o que fora longe demais.
"Foi mal, Harry... às vezes eu me esqueço de como é ser criança..."
Harry repentinamente voltou-se para Sirius, com seus olhos verdes brilhando de raiva contida. "Eu não sou uma criança!"
O investigador ergueu as mãos num gesto de defesa. Quando era criança, ele também odiava ser chamado de criança.
"Ora vamos, saiu sem querer... me desculpe OK? Apenas não consigo acreditar numa história dessas, Harry... assombrada! Só porque é uma casa velha, se desfazendo aos poucos?"
Para sua surpresa, Sirius escutou o garoto rir ligeiramente - como se tivesse uma grande bomba nas mãos, pronta para jogá-la nos braços de algum incauto.
"Não..." disse Harry ajeitando os óculos na ponte do nariz.
Sabendo que ainda havia mais, Sirius ficou em silêncio.
"Acontece que morreu uma menina aqui".
Erguendo as sobrancelhas, Sirius não se deixou impressionar. "Muitas crianças morrem nas próprias residências, Harry".
"É?" indagou Harry com um dos cantos da boca ligeiramente erguido, fitando Sirius em diversão. "A... machadadas?"
Os olhos de Sirius se arregalaram. "QUÊ?!"
Satisfeito com a impressão que causara, Harry sorriu amplamente. Descruzou os braços e começou a caminhar pelo terreno irregular enquanto continuava com seu relato:
"Isso foi há muitos anos... bem antes de eu nascer. Contam que aí vivia um casal e sua filha, que era um pouco... problemática... do tipo que berrava por qualquer motivo, gemendo e chorando de se acabar, sabe? A maioria da cidade evitava a família, mas a mãe da menina levava-a todos os domingos a missa, dizendo que Deus a curaria de todo o mau. Bom, aconteceu que um dia... a menina desapareceu..."
Sirius escutava Harry com atenção. Ele parecia já ter contado a história várias vezes, tamanha era a ênfase que dava em determinadas palavras. Era um gesto claramente proposital, de se chamar atenção para esta ou aquela frase.
"Os pais ficaram desesperados... correram de porta em porta atrás da garota... e nada. Ninguém tinha visto ou ouvido coisa alguma. Mas... não demorou muito que a encontrassem... ou melhor, que encontrassem seus pedaços".
Sirius sentiu um calafrio e viu Harry sorrir em satisfação.
"Muito bem, Sr. Potter... quem fez o serviço?"
O garoto deu os ombros.
"Nunca descobriram". disse Harry - e Sirius murmurou "típico" enquanto rodava os olhos. "Mas... tem quem diga que foi o pai da garota".
Olhando brevemente para a Casa dos Gritos, Sirius suspirou.
"Êh... histórias de assassinato na própria família não são incomuns, Harry. Um fato triste, mas verdadeiro..." ele escorou o pé na cerca, tomando cuidado para que ela não cedesse debaixo do seu peso. Então apoiando um dos cotovelos no joelho, perguntou sem muito interesse: "Que aconteceu com os pais dela?"
Harry debruçou-se na cerca novamente. "Ficaram na casa até morrerem... não tinham para onde ir. A casa era herança de algum parente, se não me falha a memória".
Sirius virou a cabeça e encontrou Harry o encarando.
"Como sabe de tudo isso?" perguntou franzindo o cenho em genuína curiosidade.
Harry desviou a vista, voltando a fitar a casa. Seu olhar estava distante, perdido.
"Eu disse ontem, Sirius... Não há muito que se fazer por aqui". Continua... >> Well… well... e então? Não deixem de comentar, ok? ^_~
Esta fanfic me pertence e eu vou azarar aquele que se meter a besta de copiá-la, ao ainda, postá-la em algum lugar sem minha prévia autorização. Gostou? Quer colocar no seu site? Blog? Fórum? Me mande um e-mail (dananorram@yahoo.com.br), não há motivo para eu negá-lo a você! >_ Plágio é crime.
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