N.A: Olá, saudades? ^_^ Aqui está a Parte nº 10... espero sinceramente que todos gostem - sei que ficou um pouco menor do que as anteriores, mas como foi escrita toda de uma só vez... não houve maneira de esticá-la! Esperem maiores ações (e emoções) nas próximas partes, ok? Novamente agradeço pelos e-mails, reviews e todo apoio, muito obrigada! See Ya!
>> Well... well... slash ou não slash... it's the question! Sinto muito, pessoas... mas não se pode sempre agradar a todos, né? Então mantenho o que disse anteriormente: O romance NÃO será um assunto focado neste fanfic, nem mesmo para emparelhar meu shipper favorito (SB x RL), mas não se desesperem... nada impede que me baixe o santo um dia desses e que deste universo saía alguma história mais... "quente". Afinal estamos no mundo do fandom, onde praticamente tudo pode acontecer! =^___^=
Por Dana Norram
Parte Dez: Oculta culpa
Faltava pouco mais de 1 minuto para as cinco horas quando Sirius subiu as escadarias da Igreja de Hogsmeade - já então formulando as perguntas que faria ao Padre Lupin. O lugar encontrava-se totalmente deserto, com exceção de duas velhas senhoras sentadas num banco próximo ao altar, as cabeças baixas e mãos enrugadas unidas em oração. Nenhuma delas pareceu reparar no homem alto que em silêncio atravessou um dos corredores laterais, dirigindo-se e parando defronte a última porta de madeira escura.
Por um segundo. Sirius se deteve. Sua mão estendida e fechada em punho, pronta para bater contra a superfície lisa e polida. Respirou fundo, perguntando-se a real razão daquele breve momento de hesitação. Ele nunca titubeara antes, mas agora... parecia até que tinha... medo?
Sirius balançou a cabeça, reprimindo um curto sorriso descrente. Em algum lugar acima dele o badalar dos sinos anunciou às cinco horas.
Medo? - o som da palavra quase o divertiu. Essa era muito boa... realmente boa! Um homem adulto e vivido, que já encarara gente perigosa tête-à-tête incontáveis vezes... muitas totalmente desarmado ou em desvantagem numérica. Como era possível que este homem tivesse medo de encarar um simplório Padre - do tipo que não parecia ter sequer a coragem de fazer mal a uma abelha... mesmo que ela viesse lhe ferroar a pele?
Aquilo não fazia o menor sentido, mas Sirius sabia que se tratava de um fato concreto. Que decididamente havia algo de errado com o aparentemente tão calmo, controlado e bondoso... - tantos eram os adjetivos que ele se cansara de ouvir - Padre Lupin. Um qualquer o encararia como uma pessoa totalmente inofensiva. Mas Sirius não era um qualquer.
Tinha certeza de que o religioso sabia muito mais do que aparentava, que ele era mais do que aparentava, aliás, passara todo o caminho de volta da tal Casa dos Gritos pensando no assunto e algo lhe dizia para tomar bastante cuidado - sua intuição talvez.
É... tomar cuidado com aquela cara de santo... - Sirius riu-se baixinho, pensando - E aqueles cansados olhos castanhos, úmidos e piedosos então? Ah, eles enganavam muito bem. Enganaram uma cidade inteira. Mas não a ele... Remus Lupin não enganaria Sirius Black. Disto o investigador se certificaria desde já.
Finalmente - depois de respirar fundo uma outra vez, Sirius bateu à porta com firmeza e esperou um par de segundos.
Nenhuma resposta. Apurou os ouvidos, mas não se escutava absolutamente nada. Juntou as sobrancelhas, verdadeiramente confuso. Era óbvio que o Padre poderia estar em qualquer outro lugar que não fosse seu escritório... De fato não lhe ocorrera procurá-lo ao chegar à Igreja, afinal tinha total certeza de que o encontraria ali!
Virou o corpo, pensando em dar uma olhada na sala da escola dominical quando um ruído baixo - quase inaudível - chegou-lhe aos ouvidos. Prendeu a respiração e logo o escutou novamente, embora não conseguisse distingui-lo de imediato. Poderia ser o som do vento batendo contra uma cortina (havia cortinas naquele escritório? Sirius não se lembrava...) ou mesmo mera fantasia, tamanha era sua ansiedade que a fiel e companheira intuição não tivesse lhe falhado justamente naquele instante.
Bateu outra vez, com um pouco mais de força... só por precaução. O barulho da batida ecoou por alguns instantes, mas logo o silêncio era novamente predominante. Sirius suspirou e quando já estava pronto para virar-se de costas... um novo ruído - desta vez algo que lembrava uma cadeira sendo arrastada ou coisa parecida. Aguardou impaciente, já então reconhecendo o som dos passos rápidos e desajeitados. Logo a maçaneta foi girada e a porta se abriu.
Uma face cinzenta lhe encarou do outro lado, parecendo ter alguma dificuldade em reconhecê-lo de imediato - mas antes mesmo que Sirius abrisse a boca, Lupin deu-lhe um minúsculo sorriso de boas vindas e se afastou para que ele passasse.
"Desculpe tê-lo feito esperar, Sr. Black... acho que acabei cochilando..."
Sirius mais uma vez uniu as sobrancelhas - recordando-se das manchas escuras que o Padre tinha na missa daquela manhã, mas que já eram bem mais amenas agora. O homem ainda se explicava - sem olhar nos olhos de Sirius, suas mãos magras, pálidas e lisas torcendo-se de um jeito frenético e irregular. "Não dormi muito bem e..."
A oportunidade era boa demais para ser desperdiçada. Sirius soltou uma alta risada ao mesmo tempo em que cruzava os braços sobre o peito, sacudindo seus ombros por debaixo do sobretudo escuro. Lupin ficou em silêncio e devolveu o olhar, os lábios contraídos - aparentemente mais lívido do que o costume.
"Consciência pesada, hein Padre?" zombou o investigador, balançando a cabeça e arreganhando todos os dentes num sorriso que Lupin não correspondeu. Na verdade, parecia ter perdido a língua. O Padre o encarava como um animal acuado por um caçador em potencial, os olhos castanhos repentinamente cheios de medo e receio...
Sem saber o quê pensar, - apenas o ofendera ou acertara em cheio? - Sirius acabou optando por uma saída categórica e ergueu as mãos num gesto de defesa, acrescentando num tom despretensioso: "Estou brincando, Padre... mas entenda... não pude resistir".
Os traços do rosto de Lupin - que instantes atrás eram inteiramente graves e contraídos, suavizaram-se como que por encanto. Foi uma mudança notável, mas ao mesmo tempo tão discreta que para uma pessoa distraída teria passado desapercebida. Então sem uma única palavra, o Padre sorriu com delicadeza e indicou uma cadeira para Sirius.
Ambos se entreolharam por um segundo. Lupin conservava seu sorriso intacto, aguardando com paciência pela iniciativa do investigador. Logo ela veio. Sirius sentou-se, pigarreou, então apoiando os cotovelos na mesa a sua frente mirou os olhos do Padre e - sem o menor tato - soltou logo a primeira pergunta:
"Como era seu relacionamento com a Srta. Johnson?"
Os lábios descorados entreabriram-se levemente, mas se fecharam logo em seguida. Sirius, que não tinha a menor pressa, começou a tamborilar os dedos sobre a mesa - sem desviar os olhos do Padre.
"Todos se davam bem com Angelina, Sr. Black". Respondeu Lupin, após alguns segundos de hesitação.
Sirius curvou-se sobre a mesa - um sorriso arguto nos lábios, os cotovelos ainda apoiados na superfície, seus grandes e brilhantes olhos negros fixos em Lupin.
"Não foi isso que lhe perguntei". Disse em voz baixa, mas suficientemente clara e intimidante para que Lupin engolisse em seco. "Quero saber como era o seu relacionamento com a vitima. Não querendo duvidar da sua boa conduta, Padre... mas soube que a jovem passava um tempo considerável neste lugar".
Um brilho repentino - que durou apenas um segundo, talvez menos - passou pelos olhos de Lupin e seus lábios contraíram-se ainda mais. O sorriso bobo sumira mais uma vez e uma expressão de alerta tomou conta daquela face magra e cinzenta. O religioso devolveu o olhar inquisidor, como se Sirius tivesse acabado de lhe apontar uma arma e a voz que saiu dele era firme e repleta de dignidade.
"Desde a morte da mãe - da qual obviamente já deve estar à parte, Angelina tornou-se uma de nossas paroquianas mais dedicadas... Provavelmente não faz idéia, mas é uma reação inteiramente normal... e sadia, devo acrescentar: Suprir a falta de um ente querido com o trabalho comunitário, ocupando seu tempo em ajudar os mais necessitados e ao mesmo tempo se ajudar. Angelina gostava do que fazia e eu tinha um grande carinho e apreço pelo auxílio e companhia dela, Sr. Black".
Excelente... - sorriu Sirius para si, satisfeito com o efeito que sua pergunta causara. - Parece que temos alguém que se preocupa e muito com a opinião alheia... curioso sem sombra de dúvida, mas magnífico!
"Perfeitamente". Disse o investigador, que sem fazer comentários à resposta do Padre, emplacou rapidamente uma 2º questão: "Se a moça não tinha inimigos... por que foi morta?"
Um suspiro seguido de um previsível e palpável silêncio. Sirius não se abalou, ocupou-se em estudar-lhe o rosto com atenção, como se pudesse arrancar dali uma reposta sensata para todo aquele mistério e perturbação. O problema era que... fosse ela qual fosse ele não conseguia lê-la, decifrá-la... colocá-la em palavras que compreendesse perfeitamente. Havia algo errado, uma peça faltando no quebra-cabeça que era a face daquele homem. Passaram-se alguns minutos e como Lupin continuou em silêncio, Sirius resolveu apertá-lo.
"Parece que fiz uma pergunta difícil, não Padre? Olhe, vamos tentar novamente... que tal se me descrevesse a exata aparência da Srta. Johnson no momento em a encontrou?"
O Padre balançou a cabeça e se levantou bruscamente, cruzando os braços e olhando para fora, pela janela - por onde já era possível ver o sol começando a se esconder no horizonte, os raios levemente alaranjados penetrando no pequeno cômodo.
Por um instante tentou realmente imaginar o que se passava na mente de Lupin. Afinal lera uma precisa descrição no relatório e sabia o que o Padre tinha visto. E também sabia que poucas pessoas passariam por uma experiência daquelas sem entrarem em curto. Ao não ser claro... que já tivessem visto coisa semelhante anteriormente... o quê era pouco provável. Afinal, por que um Padre teria algo assim em seu currículo?
"Como espera que eu a descreva?" disse Lupin de repente, com amargura. "Quer que eu lhe diga como os dedos de suas mãos estavam apertados? Como seu rosto era a própria imagem da dor... do medo...? Como seus olhos se pareciam espelhos quebrados... desprovidos de toda vida e calor que costumava existir neles? Quer que eu lhe diga como daria tudo que possuo... se pudesse esquecer do que vi?"
A voz do Padre tremia levemente, mas ele continuou sem hesitar, parecendo não reparar que era observado com redobrada atenção. "Mesmo o mais preciso dos relatos, fotos e dados que o senhor examinar... nada vai lhe transmitir a metade do que realmente aconteceu... do que cada um de nós sentiu ao ver aquele ser humano morto... ver uma pessoa que amávamos em tais condições. Ninguém podia ter visto aquilo. Ninguém. Angelina não merecia ter morrido assim..."
Por um instante Sirius achou que o Padre ainda diria algo. Achou que ele ainda complementaria aquelas palavras aflitas, mas rapidamente abandonou a idéia. Assistiu-o de costas para si, ocupado em observar o sol pela janela, o peito subindo e descendo com sua respiração ligeiramente arquejante. Parecia até que acabara de executar um enorme esforço físico. Havia ainda mais um cem número de perguntas que pretendia fazer-lhe, mas Sirius deu-se conta que não tinha o menor direito... ou melhor, que não precisava de mais respostas.
Ele sabia.
Sabia que aquele homem, que aquele jovem Padre acabara de lhe revelar um importante segredo - provavelmente sem intenção, mas tão claramente quanto se tivesse o dito em voz alta, a plenos pulmões. Sem palavras, mas com total sinceridade... o Padre Lupin admitira total culpa na morte da jovem Angelina Johnson.
Agora, cabia a Sirius decidir o que fazer com tal confissão.
Continua...
NA -> E aí? Que tal? Reviews pra eu, certo? O cap. 11 já está pronto, faltando apenas algumas revisões... querem mais? Me deixem saber!
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Harry Potter e seus personagens pertencem exclusivamente à J.K. Rowling e Warner Bros.
Esta fanfic me pertence e eu vou azarar aquele que se meter a besta de copiá-la, ao ainda, postá-la em algum lugar sem minha prévia autorização. Gostou? Quer colocar no seu site? Blog? Fórum? Me mande um e-mail (dananorram@yahoo.com.br), não há motivo para eu negá-lo a você! >_ Plágio é crime.
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