N.A: Bem, como eu falei Karin, estou postando o novo capítulo hoje, só precisava esperar um pouquinho. Mas por que eu estou postando hoje? Bem, vou deixar de sobre aviso que amanhã só entrarei na net para atualizar o flog da ML e nada mais. É que hoje é meu aniversário (sim crianças, estou ficando velha XD), mas amanhã é que vai ser a festa, por isso não estarei na área. Espero que gostem desse capítulo. Um presente meu para vocês. Beijões.


Heero tamborilou os dedos sobre a mesa, olhando para o relógio a um canto da sala. "Três e meia" pensou, voltando os seus olhos para as pastas de processos na sua frente. Abriu a primeira da pilha, mais um caso de família. Por que sempre lhe mandavam esses casos? Isso era coisa para Hilde resolver, ela sim era especializada em família. Por distração, começou a ler o processo, mas mal terminou de passar os olhos pela primeira linha, os voltou novamente para o relógio na parede. "Três e trinta e um", leu irritado. Maldito tempo que não passava, maldito telefone que não tocava.

-Heero? – Trowa bateu na porta do escritório do amigo, entrando antes mesmo que esse lhe desse licença.

-Algum problema? – perguntou o japonês com uma voz monocórdia, tentando se concentrar nos processos na sua frente.

-Eu é que pergunto. Na audiência de hoje de manhã você me parecia um pouco aéreo. Algo errado? – o homem caminhou até o japonês, puxando a cadeira em frente a mesa desse e sentando-se nela.

-Kohako. – foi tudo o que o homem respondeu e Trowa franziu o cenho, não entendendo a situação.

-Sua irmã. – disse o homem de olhos verdes depois de um tempo. Heero havia lhe falado incessantemente, o que era um marco, sobre a vinda da irmã mais nova aos EUA. E agora parecia que a adolescente estava começando a lhe dar mais dor de cabeça que o promotor Zechs Marquise quando eles batiam de frente em um caso.

-Ela ligou dizendo que iria hoje, depois da faculdade, ver uma proposta de emprego. A garota não está nem setenta e duas hora no país e já vai arrumar um emprego.

-E isso não é bom? Mostra independência, maturidade, responsabilidade. Coisas muito difíceis em jovens na idade dela.

-Ela é muito menina para ter um emprego. – murmurou o homem sério, abrindo uma outra pasta, um processo criminal dessa vez. Trowa o viu voltar-se com ardor ao trabalho e deu um meio sorriso.

-Não conhecia esse seu lado, Heero. – falou suavemente, sempre com a face relaxada e sem emoções. Às vezes o homem conseguia levar um advogado da contraparte a loucura, pois nunca se deixava exaltar e sempre sabia guiar as testemunhas de acordo com a sua vontade. Claro que ninguém enlouquecia mais promotores e advogados que Heero, o homem que não sentia. Muitos diziam que ele era o único espécime vivo de um transplante de coração.

-Que lado? – perguntou o japonês, desinteressado.

-Esse seu lado super protetor. – declarou, sem alterar o tom de voz.

-Kohako, enquanto estiver estudando e morando sob o meu teto, é minha responsabilidade. Normal que eu me preocupe. Não sou uma pedra de gelo como as pessoas insistem em me classificar. – retrucou sem nenhuma emoção na voz.

-Fale isso para as milhares de mulheres que já passaram pela sua cama.

-E que também passaram pela sua. Não apenas as mulheres… mas os homens também. – deu um sorriso sardônico por detrás da folha que lia e Trowa retribuiu o sorriso. Sabia que Heero não o julgava pelas suas opções, mas gostava de provocá-lo do mesmo modo que ele o provocava.

-Mesmo assim, quantos anos têm a sua irmã mesmo? Sim, dezoito. Acho que ela sabe se cuidar, não é mesmo? Aliás… - começou o moreno de olhos verdes, totalmente sério, cruzando os braços sobre o peito. -… quando você vai me apresentá-la? – perguntou e em um rompante a cabeça de Heero se ergueu, prendendo a íris azul nas verdes do homem a sua frente. Conhecia Trowa desde os tempos de faculdade e no quesito relacionamentos curtos, ele era igual ou pior do que Heero. E quanto mais longe mantivesse a sua irmã do campo de visão do outro advogado, melhor.

-Kohako não é para o seu bico, Trowa. Vai flertar com a sua secretária e fique longe da minha irmã. – rebateu em um tom possessivo e Trowa soltou uma gargalhada.

-Super protetor. – provocou, levantando-se da cadeira e ajeitando o seu terno, saindo da sala ainda com um sorriso no rosto.

-Três e quarenta. – Heero disse depois que Trowa saiu, olhando para o relógio na parede. Essa tarde seria muito longa, com certeza.


Parou em frente ao balcão e debruçou-se sobre ele, quase se erguendo do chão. Olhou para o homem que se sentava atrás da mureta de mármore e lhe sorriu. O recepcionista ergueu os olhos, que rapidamente voltaram-se para o decote da blusa da jovem. Kohako quis gargalhar. Homens, eles eram sempre tão previsíveis em certas situações.

-Com licença? – falou com uma voz melodiosa.

-Sim? – o homem ergueu os óculos escuros, que haviam escorregado no momento em que ele olhou para o decote, pela ponte do nariz, mirando a jovem com seriedade.

-Me disseram que eu deveria procurar um tal de… - a garota puxou o panfleto em suas mãos para olhar o nome de contato. -… Howard para o emprego de fotógrafo. – o senhor, com uma estranha camisa havaiana, óculos escuros e cabelos grisalhos ergueu-se da cadeira e a olhou por cima do balcão para a garota, desde as pernas bem torneadas ao decote generoso que estava a mostra.

-Eu sou Howard. – disse e estendeu a mão para ela. Kohako desceu do balão e recuou um passo, olhando desconfiada para a mão estendida.

-Você é Howard? O que você estava fazendo na mesa do recepcionista então?

-Esperando… - começou a explicar mais foi interrompido por um jovem que se aproximou dele com várias caixas, que emitiam um aroma gostoso de comida. –Meu lanche.

-Aqui está sr. Howard. – disse o rapaz, entregando a caixa ao homem e recebendo seu pagamento, indo embora rapidamente para poder continuar as suas entregas.

-Então você está aqui pelo emprego de fotógrafa? – Howard começou a andar com as caixas em direção aos elevadores e Kohako não viu outra opção senão seguí-lo.

-Isso mesmo senhor. – retrucou, entrando com o homem no elevador assim que esse chegou. Howard a olhou novamente de cima a baixo, curioso.

-Você me parece ser bem nova para ter alguma experiência.

-Eu tenho um certificado de um curso que fiz no Japão por dois anos, sem contar que tenho experiência em trabalhos de freela além de um emprego de verão que tive no jornal da minha cidade.

-Tira fotos profissionalmente há quantos anos?

-Oito, senhor.

-Quantos anos você tem? – continuou a perguntar sempre em um tom profissional.

-Er… dezoito. – disse incerta, pois às vezes ser muito jovem não era bom diante de um emprego. Ainda mais quando se era dentro de uma grande empresa.

-Você é muito nova menina, não posso garantir nada se não te vir com uma câmera na mão. Sem contar que esperávamos um profissional formado, ou ao menos quase lá. O que procuramos aqui é o repórter fotográfico. Um jornalista.

-Eu faço jornalismo. – ela interrompeu bruscamente.

-Verdade? – Howard a olhou por sobre os óculos, e depois voltou o seu olhar para o painel do elevador para ver em que andar estavam. –Começou a estudar quando?

-Er… hoje. – respondeu em um murmúrio e o homem riu.

-Não acha que é muita prepotência?

-Acho, mas não vou morrer se não tentar.

-Menina, se eu te der o emprego, no máximo como estagiara…

-Emprego não remunerado?

-Talvez sim, talvez não, depende de o quão boa você é. O sr. Winner sempre gosta de investir em novos talentos.

-Acho que sobrevivo. – o elevador parou e as portas se abriram, permitindo a saída dos dois.

-Bem, então melhor me apresentar direito. Sou Howard, editor chefe dessa pequena zona de guerra. – e indicou o andar onde eles estavam, onde várias pessoas trabalhavam em suas mesas, em meio a conversas, comentários e barulhos. Uma autêntica redação de jornal. O home viu os olhos azuis da menina brilharem e percebeu que talvez ela fosse um bom investimento. –Lá no final do corredor fica a sala de Silvia Noventa, ela é a chefe de reportagem, tem que falar com ela para conseguir alguma coisa. – Kohako acenava positivamente para tudo o que o homem dizia. –Bem, boa sorte garota. Espero realmente te ver por aí. – se despediu e seguiu para a sua sala.

A jovem seguiu em direção a sala que foi indicada por Howard, parando em frente a porta dessa e dando uma leve batida.

-Pode entrar. – veio a permissão de dentro da sala e a garota abriu a porta vagarosamente, entrando no local. –Pois não? – Silvia ergueu os olhos para a morena que tinha acabado de entrar, com uma expressão indagadora no rosto.

-Eu vim pelo emprego de fotógrafa. – a mulher levantou-se detrás da mesa, jogando seus cabelos claros por cima do ombro e caminhando elegantemente em direção a garota, a avaliando de cima abaixo. Soltou um pequeno "hum" de dentro da garganta e depois caminhou até um armário no canto da sala, o abrindo rapidamente.

-Sabe usar isso? – perguntou, entregando um rolo de filme e uma câmera para a jovem.

-Sei. – respondeu Kohako, recolhendo o material lhe oferecido.

-Você tem algum currículo? – Silvia perguntou, voltando-se para a sua mesa e sentando-se, olhando intensamente para a garota que estava distraída colocando o filme na máquina.

-Bem… - a morena começou. -… eu não tive tempo de fazer nenhum currículo. Peguei o aviso no mural da faculdade e vim direto para cá. – Silvia acenou com a cabeça em compreensão.

-Não posso te dar o emprego se você não tem currículo.

-Bem, eu tenho os telefones de onde já trabalhei, lá no Japão. – tentou emendar, essa chance parecia muito boa para ser jogada fora. Recebeu como resposta um outro aceno positivo de cabeça.

-Certo… Vamos fazer o seguinte… - deixou a frase no ar, esperando que a jovem lhe desse o seu nome.

-Kohako Yuy.

-Srta. Yuy, você vai sair com um de nossos repórteres para poder fazer uma prova de campo, enquanto eu ligo para o telefone que você falou para poder pedir referências. – e estendeu um pedaço de papel e caneta, onde Kohako anotou o telefone do jornal onde trabalhou e do curso que fez. –Lucy? – Silvia chamou pelo telefone.

-Sim srta. Noventa?

-Mande o Maxwell a minha sala.

-Sim senhorita. – desligou o telefone e pegou o papel com os números que Kohako escrevera.

-Hum… posso fazer uma pergunta? – Kohako interrompeu o breve silêncio que imperou na sala.

-Claro. – respondeu Silvia com um pequeno sorriso.

-Ouvi dizer que o Winner Press é um renomado jornal, que ganhou força desde que Quatre Winner assumiu a presidência. Por que há falta de fotógrafos nesse jornal? – a chefe de reportagem deu uma pequena risada, virando-se para a garota com os olhos brilhando em divertimento.

-Temos repórteres fotográficos, o problema é que nenhum dele se habilita a trabalhar com Duo Maxwell.

-Por quê?

-Reclamam dizendo que ele se mente em muita encrenca… que é muito enxerido. – a mulher levantou-se novamente da mesa e caminhou até a garota, parando ao lado dela. –Antes de lhe mandar nessa prova de campo, você tem certeza que quer mesmo esse emprego? Muitos já recusaram quando souberam que teriam que trabalhar com o Shinigami. – Kohako apenas piscou confusa. O que havia de errado com esse tal de Duo? Como se respondendo a sua pergunta, a porta do escritório abriu bruscamente e um homem, beirando os seus vinte seis anos, mas com uma expressão marota e jovial, contendo uma longa trança, entrou no aposento.

-Chamou grande chefe? – disse sorridente.

-Parabéns pela sua matéria sobre o senador, Duo. – falou a mulher, sorrindo para ele. –Primeira capa, grande escândalo. A Suprema Corte já está se mexendo por causa disso. – o rapaz fez uma reverência exagerada, com um sorriso de orelha a orelha.

-Muito obrigado, ó magnânima.

-E Shinigami atacou novamente.

-E com força. Mas diga minha bela chefe, por que me chamou aqui?

-Temos uma vítima, Duo. – Silvia apontou para a jovem que segurava uma câmera entre as mãos, olhando toda a cena intrigada. –Essa é Kohako Yuy, e está se candidatando a vaga de fotógrafa. – Duo abriu um grande sorriso malicioso e caminhou até e menina, dando uma volta ao redor dela.

-Fotógrafa? – parou em frente a garota, mirando seus olhos azul-violeta nos azuis cobalto dela. –Garota, você está mais para modelo.

-Não gosto de posar para fotos. – respondeu automaticamente e Duo riu.

-Bem, não tem problema. Quero uma profissional e não uma modelo, mesmo. – passou um braço sobre os ombros dela. –Posso ficar com ela? Ela é tão bonitinha.

-Ela precisa fazer um teste de campo primeiro.

-"timo. Eu estava justamente vindo aqui para lhe pedir uma máquina. Hoje tem o depoimento do nosso querido candidato a re-eleição, senador Kelly, e eu preciso dessa matéria.

-Então aí está a sua garota. Pode levá-la. – disse Silvia e rapidamente recebeu um abraço apertado do rapaz.

-Obrigado. Você sabe que eu te amo, não sabe? – abriu mais um de seus famosos sorrisos dentro da redação.

-Vai logo Duo.

-Okay. – o americano segurou na mão de Kohako, a puxando para fora da sala e já gritando no meio do caminho. –Oliver!

-Sim Duo! – a cabeça de Oliver surgiu por cima de um dos cubículos.

-Esquente o motor amigo. Temos uma matéria… - puxou a mão da morena, quase a erguendo no ar. -… e temos um fotógrafo. – disse entusiasmado e Oliver sorriu, indo rapidamente para a garagem preparar a van. –Você vai adorar isso daqui. – Duo virou-se para Kohako, que ainda estava zonza com o furacão que parecia ser aquele homem. –E espero que goste de grandes emoções. Porque comigo, minha cara, não há vida parada. – e foi em direção aos elevadores, pegando a sua bolsa rapidamente assim que passou perto de sua mesa, arrastando a japonesa consigo.