-Já entrevistei sujeitos mal educados e pouco cooperativos, mas esse tal de Yuy com certeza é o pior de todos. – Duo saiu do elevador resmungando, enfiando o gravador dentro do bolso da calça.
-Duo! – Kohako o chamou e o americano parou, virando-se para olhá-la.
-Desculpe Kk, eu sei que é o seu irmão, mas quando você falou que ele era anti-social, não pensei que o caso era tão sério.
-Duo, você também exagerou, falando assim dos casos de Heero. A coisa que ele mais detesta é que se metam na vida pessoal dele.
-E a minha profissão, eu tinha que perguntar. – Duo se defendeu.
-Não, não tinha. – Kohako rebateu friamente.
-Garota, eu não tenho culpa que o seu irmão é um galinha. Eu sei que é duro ouvir isso, mas é a pura verdade. – respondeu o americano, já começando a se irritar com a teimosia dessa menina. Essa família Yuy era realmente muito estranha.
-Você não faz a mínima idéia do que pode ter acontecido a ele para ele ficar assim.
-Olha, se foi uma desilusão amorosa, eu sinto dizer minha cara que todos sofrem de amor um dia, mas isso não dá o direito do seu irmão ser aquele idiota que ele é.
-Heero não é um idiota! – bradou a garota, caminhando a passos pesados até Duo e postando-se na frente dele. Mesmo que fosse mais alto do que ela, o homem sentiu-se diminuído pela força daqueles olhos azuis. Olhos azuis que ele vira naquele mesmo homem que tinha lhe tirado a paciência há poucos minutos. A família Yuy poderia ser estranha, mas sabia como produzir belos descendentes. –Toma! – a jovem empurrou a câmera em suas mãos para as mãos de Duo. –Meu horário já terminou mesmo, e eu não tirei nenhuma foto. Pode voltar para o jornal sem mim. Eu vou para casa com o meu irmão. – disse irritada, dando meia volta e caminhando até o elevador, apertando o botão desse com força. Duo apenas balançou a cabeça de um lado para o outro, com uma expressão totalmente fechada, e encaminhou-se para fora do hall de entrada. Aqueles dois que se entendessem, porque ele já estava cansado de aturar Yuy's por hoje.
Assim que as portas se abriram, Kohako lançou-se dentro do elevador e recostou-se contra a parede fria do mesmo, cruzando os braços em frente ao peito e fazendo um grande bico. Ela tinha falado para Duo pegar leve com Heero, mas o americano baka não quis ouvi-la e isso apenas piorou seus planos. Com certeza agora o seu irmão não iria querer ver o homem nem pintado de ouro, o que dificultava um pouco as coisas. Como iria juntar esses dois se pareciam que eles tinham criado um ódio à primeira vista?
-Se bem que eles se merecem. – falou para si mesma no elevador vazio. –São dois cabeçudos, precisam um do outro porque somente eles iriam se agüentar. – riu um pouco com essa conclusão. Talvez se ela tentasse acalmar um pouco os ânimos do irmão, ele não ficaria tão carrancudo quando Duo aparecesse na sua festa de aniversário surpresa. Sim, ela tinha convidado Duo para a festa que estava planejando. Não deixaria passar a oportunidade daqueles dois se conhecerem fora de um ambiente de trabalho. Apenas esperava que eles não se matassem.
Parou seus pensamentos quando a porta abriu-se no décimo andar, que era ocupado todo pela firma do irmão. Saiu rapidamente do elevador e encaminhou-se para uma grande porta que ficava no fim do corredor. Bateu suavemente e recebeu a autorização para entrar no aposento.
-Nii-chan? – chamou, entrando e fechando a porta atrás de si. Heero ergueu os olhos da tela de seu laptop, mirando a recém chegada.
-Não havia ido embora com o seu amigo? – perguntou irritado, voltando-se para o computador.
-Não, eu voltei para te chamar para sair. O expediente já acabou, não estou certa?
-Sim, mas eu vou ficar mais um tempo por aqui…
-Ah não, nii-chan! – Kohako caminhou até Heero, postando-se atrás dele e deslizando seus braços pelos ombros dele, apoiando o queixo no topo da cabeça do moreno. –Você precisa relaxar um pouco. – endireitou-se e começou a massagear os ombros dele para poder aliviar a tensão. –Já está chegando aos trinta e está se tornando um viciado em trabalho. Que tal irmos ao cinema? Parece que tem uns filmes muito bons passando.
-Eu não sei… talvez. – respondeu vago, ainda com a sua atenção voltada totalmente à tela do laptop. Kohako soltou um suspiro e olhou para o relógio na parede. Eram seis e meia. Se Heero não queria ir por bem, iria por mal. Resoluta, ela inclinou-se sobre o ombro dele e estapeou os seus braços para longe do computador, salvou os arquivos abertos e com dedos rápidos desligou a máquina, a fechando em seguida com um estalo.
-Vamos embora, você é o dono dessa porcaria, deveria estar aproveitando o sol nas Bahamas do que ficar sentado aqui até que o seu traseiro adormeça.
-Caso você não tenha percebido, Kohako, - Heero virou-se furioso para ela diante do seu atrevimento. –eu estou trabalhando em um caso importante nesse momento.
-Que vai continuar ai quando você voltar amanhã. Vamos embora Heero, senão eu vou ligar para a mamãe e falar que você está trabalhando até a estafa. – o homem sentiu um arrepio descer pela espinha. Só de pensar na D. Corinna gritando com ele pelo telefone já lhe fazia decidir rapidamente que ir ao cinema não era uma idéia de todo ruim.
-Vamos então sua chata. – resmungou, pegando o seu paletó e o jogando sobre a pasta. Kohako abriu um grande sorriso brilhante e envolveu seu braço no braço livre dele.
-Vamos. – e o arrastou para fora do escritório.
Quatre rodou o pequeno cartão entre os dedos, olhando vez ou outra com extremo interesse para o número que estava atrás do papel. Tinha ficado extremamente surpreso com a investida do sr. Barton, mas não poderia negar que havia ficado envaidecido também. Apesar de ser o presidente de um conceituado jornal, herdeiro de uma das maiores e mais ricas famílias do mundo, Quatre Raberba Winner ainda era um homem reservado e um pouco tímido, com muitas poucas relações amorosas em seu currículo. Na verdade, ele tinha apenas uma relação amorosa em seu currículo. Sendo o único homem dentro de trinta mulheres, incluindo mãe e irmãs, ficava um pouco difícil ser mais solto com tanta influência e proteção feminina. E ser o caçula também não ajudava. A proteção era redobrada. Ninguém nunca era bom o bastante para o pequeno Quatre. Porém, quando os seus olhos cruzaram com aquelas íris verdes, ele sentiu um arrepio forte lhe descer pelo corpo, algo que nunca sentira antes. E, apesar de Duo sempre brincar dizendo que o loiro era muito distraído para o seu gosto, Quatre havia notado que o sr. Barton passara o almoço inteiro o olhando atentamente, sempre procurando um modo de dirigir o assunto para ele, querendo conversar com ele.
-Trowa Barton… - murmurou, traçando com as pontas dos dedos o nome no cartão. Ele poderia se considerar um homem romântico, mas mesmo assim não acreditava em amor à primeira vista, no máximo uma atração. E era isso que ele havia sentido por Trowa, uma atração. Nunca se relacionara com homens também, mas considerava-se instruído e mente aberta para poder tentar novas experiências. E, no momento, esses pensamentos o estavam deixando um pouco mais ousado. Queria ver Trowa novamente, queria conversar mais com ele, não apenas aquele encontro rápido que tiveram no almoço. E o melhor de tudo, não seria um tiro no escuro, pois o homem mostrou-se interessado.
Ainda pensando no assunto, ele pegou o telefone do gancho e olhou para ele por um tempo, decidindo se faria isso ou não. Dando um profundo suspiro, resolveu arriscar todas as suas fichas nesse homem. Até porque, um encontro não poderia ser tão ruim. Discou o número atrás do cartão e esperou. Depois de cinco toques, alguém atendeu do outro lado da linha.
-Barton falando. – a voz encorpada e suave respondeu.
-Sr. Barton? – Quatre perguntou hesitante e do outro lado da linha Trowa ficou mais alerta ao reconhecer aquela voz de veludo que estava lhe perseguindo há dias.
-Sr. Winner? A que devo a honra dessa ligação? – perguntou com um sorriso dançando nos lábios e afrouxando o nó de sua gravata, sentando-se no braço de sua poltrona.
-Bem, o senhor me disse que eu poderia ligar se estivesse disposto a… te conhecer mais, estou certo?
-Absolutamente certo, sr. Winner.
-Por favor, me chame de Quatre. Sr. Winner me faz pensar que está falando com o meu pai.
-Quatre. – Trowa experimentou o nome rolar pela sua língua e Quatre deu um suspiro ao ouvir aquela voz falando o seu nome. –E o que você tem em mente Quatre?
-Talvez um jantar. Quando estaria bom para você?
-Hoje seria perfeito. – Trowa respondeu, não querendo prolongar o tempo para se encontrar com aquele anjo.
-Gosta de comida árabe sr. Barton? – Quatre perguntou com um sorriso nos lábios.
-Nunca experimentei, mas adoraria saber como é.
-Conhece o restaurante árabe que tem na Rua Downtown?
-Conheço. – disse, ficando cada vez mais animado com a idéia.
-Nos encontramos lá em uma hora?
-Sim.
-Então a gente se vê em uma hora senhor Barton. – disse o loiro, despedindo-se do homem com um grande sorriso no rosto. Não fora tão difícil assim. Agora o que precisava era sair imediatamente do jornal se quisesse chegar no restaurante na hora, já que iria enfrentar o trânsito caótico dessa cidade.
-Viu? Não foi tão ruim assim. – Kohako comentou animada, olhando a sua volta para ver o ambiente do shopping enquanto a fila da bilheteria não andava. Ao seu lado, Heero estava com uma postura firme, as mãos enfiadas nos bolsos da calça do terno. A camisa branca de linho estava dobrada até os cotovelos e o paletó e a gravata Kohako obrigou Heero a deixar dentro do carro. Eles estavam indo se divertir, e não para um julgamento. Se bem que ela tinha que admitir que o seu irmão ficava lindo de terno.
-Hn. – foi toda a resposta de Heero, que lançou um olhar congelante para um grupo de meninas sentadas em uma mesa na praça de alimentação, que apontava para a fila e davam risadinhas. Apontavam especificamente para ele. Adolescentes, pensou irritado, não tinha mais nenhuma paciência com eles, salvo a sua irmã.
-Vamos Hee-chan, a fila está andando. – Heero quase rolou os olhos diante do apelido de infância. Quando pequena Kohako não conseguia falar Heero, e por isso sempre o chamava de Hee, mas tarde apenas acrescentou o chan. Caminharam alguns passos, parando novamente quando o homem que estava na frente deles chegou à bilheteria. O japonês mais uma vez rodou seus olhos pelo local e percebeu que havia um grupo de garotos nas escadas da entrada das salas, olhando para a fila com um certo fascínio e os olhos brilhando. Seguiu a direção do olhar deles e foi com extremo desgosto que viu que eles estavam voltados para a sua irmã. O tempo fechou naquele exato momento e uma carranca cobriu o rosto de Heero. Os moleques atrevidos estavam quase despindo Kohako com os olhos. Com um puxão, o moreno trouxe a jovem para perto do seu corpo, bloqueando a visão dos rapazes, e lançou um olhar "omae o korosu" para eles, que rapidamente voltaram a sua atenção para outras coisas quando viram as íris assassinas em sua direção.
-Nii-chan, o que houve? – perguntou a garota, confusa diante do puxão repentino que recebeu. Mas Heero nada lhe respondeu, entretido em olhar para um outro lugar que não ela. Kohako seguiu o olhar do irmão e viu o grupo de garotos que fingiam muito mal que nada estava acontecendo. –Heero? – cutucou o homem nas costelas e finalmente ele tornou a sua atenção para ela.
-Vamos comprar logo esse ingresso e entrar. – ordenou e a garota deu um passo à frente, dando um pequeno sorriso para a mulher na bilheteria e comprando o ingresso com ela.
-Kohako? – o chamado a fez virar-se e se deparar com olhos azuis escuros, mas não tão escuros quanto os dela, a fazendo sorrir mais ainda.
-Solo. – deu um abraço nele, ignorando o grunhido que ouviu ao seu lado. –Bem… Solo, esse é o meu irmão, Heero Yuy. Heero, esse é um amigo meu da faculdade, Solo Maxwell.
-Maxwell? – o nome saiu da boca do japonês como se fosse veneno. –Você… - olhou atentamente para o garoto, notando uma certa semelhança dele com aquele homem que não lhe saía da cabeça.
-Vejo que o senhor conheceu o meu irmão, Duo. – se possível, a carranca de Heero aumentou mais ainda. –Seja lá o que ele tenha feito, peço desculpas por ele. Às vezes Duo não mede as palavras. Talvez por isso que ser repórter é tão perfeito para ele.
-Solo… que filme você veio ver? – perguntou, interrompendo, pois a expressão que Heero estava fazendo só ao mencionar o nome de Duo não era nada boa mesmo.
-Piratas do Caribe, e vocês?
-O mesmo. Podemos assistir juntos, e depois comer alguma coisa, o que você acha?
-O seu… - começou o rapaz, virando-se para o homem mal humorado ao lado da garota. -… irmão não vai se importar?
-Que nada, não é Heero? – disse, dando uma cotovelada na cintura do homem, que soltou um outro grunhido como resposta. –Isso quer dizer um sim. – Kohako traduziu o barulho irracional do advogado e Solo deu um pequeno sorriso, estendendo um braço para ela.
-Então vamos? – perguntou, sentindo-se um pouco atrevido, mesmo que os olhos do irmão da garota quase o estivesse matando. Talvez o que ela sempre lhe disse poderia ser válido: Duo e Heero seriam perfeitos um para o outro.
Trowa parou na entrada do restaurante, vendo o movimento intenso que ocorria dentro do estabelecimento. Parecia ser o tipo de restaurante que precisava se fazer reserva antes de vir almoçar ou jantar aqui. O maitrê na porta olhou para ele com atenção, esperando que o homem notasse a sua presença ali do lado. Finalmente o moreno virou-se para o homem de cabelos grisalhos, pretendendo pedir alguma ajuda ou informações.
-Posso ajudá-lo senhor? – perguntou ao jovem.
-Eu vim encontrar uma pessoa. – respondeu Trowa, voltando o olhar para o restaurante.
-Nome da pessoa por favor, senhor.
-Quatre Winner. Sou Trowa Barton. – disse, virando-se para o maitrê e vendo os olhos dele brilharem.
-Oh sim! O jovem senhor Winner já o está esperando senhor. Acompanhe-me. – o homem começou a caminhar, abrindo passagem por entre mesas e garçons. Trowa foi o seguindo de perto, olhando com curiosidade a decoração a sua volta. Tudo era tema árabe, desde a luz do ambiente, que dava um tom mais íntimo, aos véus e tecidos nas paredes, colorindo o local, fazendo parecer o interior de alguma tenda luxuosa de um sheik do deserto.
-Sr. Winner? – o maitrê parou ao lado de uma mesa e Trowa voltou a sua atenção rapidamente para o local. –Seu convidado está aqui.
-Obrigado Abdul. – Quatre disse com um sorriso e o maitrê fez uma pequena reverência a ele, retirando-se logo em seguida. –Senhor Barton, sente-se por favor.
-Já disse que pode me chamar de Trowa. – disse o moreno, sentando-se ao lado do rapaz loiro. –Curioso, me pareceu que você é um freqüentador assíduo desse local, não é mesmo? – Quatre deu uma suave risada que para Trowa pareceu ser a música mais bela que escutara.
-O restaurante é da família. Gosto de vir aqui de vez em quando. – uma informação sobre o jovem loiro, interessante.
-Mas por que árabe?
-Porque a minha família é árabe. Pode parecer difícil de se acreditar, muitos não acreditam quando eu digo qual é a minha etnia, mas é a mais pura verdade. – comentou com um sorriso e Trowa não pode concordar mais. A aparência de Quatre nunca denunciaria que ele era do deserto. Na verdade, era difícil imaginar aquela pele tão clara e perfeita sob o sol do deserto.
-Não duvido. Não acreditei quando Heero me disse, pouco depois que nos conhecemos, que era japonês. Agora, sabendo o maravilhoso e misterioso jeito com que o dna funciona, nada mais me surpreende.
-E você, Trowa, é americano mesmo? – perguntou como uma criança curiosa e o moreno quis rir. Esse assunto sobre etnia era tão banal mas ao mesmo tempo muito confortante. Fazia se sentir à vontade conversando com o homem. Porque Trowa tinha que admitir que sentiu o estômago revirar umas cinco vezes do caminho de sua casa para o restaurante, o que era um marco pois geralmente quando ele estava interessado ou flertando com alguém nunca se sentia nervoso, ao contrário, quando o assunto era relacionamentos ele sempre fora muito seguro de si. Mas Quatre Winner tinha algo que o fazia voltar a ser o adolescente inseguro, que morria de vergonha de pedir a menina mais bonita da escola para ir ao baile e acabava indo a festa sozinho, ou ficando em casa segurando vela da irmã com o namorado.
-Um pouco americano, um pouco latino, um pouco francês. Parte da minha infância foi rodando pelo mundo. Meu pai era dono de um circo. Quando ele morreu, minha mãe vendeu o circo para um tio distante e ela, minha irmã e eu viemos morar na América.
-Um nômade. Parece que em relação à descendência, temos muito em comum Trowa.
-Com todo respeito, Quatre, - Trowa começou, inclinando-se um pouco sobre a mesa e cruzando seus braços em frente ao seu rosto, apoiando o queixo nas mãos erguidas. –você não me parece o tipo de pessoa que suportaria atravessar o deserto. – dessa vez Quatre deu uma gargalhada melodiosa, que foi um pouco abafada pela música ambiente e as conversas das outras mesas.
-Costumo fazer essas viagens pelo deserto com o meu avô, cada vez que vou visitar parte da minha família em Ar-Ryãd, então posso dizer que suporto bem o calor. – a expressão confusa de Trowa apenas aumentou o sorriso de Quatre, que continuaria falando se o mesmo maitrê que atendeu o moreno não tivesse reaparecido.
-Irão fazer os pedidos senhores? – perguntou polidamente. Trowa apenas encarou Quatre por um longo tempo, dando um pequeno sorriso de lado.
-O que você sugere, Quatre? Afinal, você é o especialista aqui. – o loiro sorriu e virou-se para o maitrê, sem nem ao menos tocar no menu.
-Kafta, Abdul, porção para dois.
-E para beber senhores? – nisso o loiro virou-se para Trowa, deixando a escolha nas mãos dele.
-Vinho branco, por favor. – respondeu o moreno.
-Trarei rapidamente. – disse o maitrê e se retirou.
-Eu tenho que dizer Quatre, que você é a pessoa mais fascinante que eu já conheci em toda a minha vida. – disse o moreno em um tom baixo e rouco de voz. Quatre sentiu ímpetos de corar diante do elogio, mas segurou o seu rubor com maestria. Era ele que tinha começado esse jogo de sedução, embora Trowa tenha feito o primeiro movimento ao dar seu telefone, mas ele encerraria a situação com chave de ouro, pois o moreno também lhe fascinada e Quatre não via a hora de desvendar todos os segredos por detrás daqueles olhos verdes. Despi-los e revelá-los um por um, como o bom jornalista que era.
-E a noite ainda está começando. – respondeu o loiro com um sorriso enigmático, o que fez um arrepio percorrer a espinha de Trowa.
-Sim, - um brilho esperançoso passou pela bela íris verde. –a noite apenas está começando.
Kafta:Carne moída temperada à moda libanesa, grelhada no espeto.
