Kohako arregalou os olhos, cobriu a boca com ambas as mãos e começou a recuar os passos, caindo sentada na cadeira mais próxima como um peso morto. Preocupado, Solo caminhou até ela e ajoelhou-se na sua frente, percebendo como a menina estava vermelha.

-Kohako? – chamou diante da expressão dela. A garota deveria estar em choque e com certeza estava segurando um grito. Mas quando Kohako retirou as mãos de sobre a boca, não foi um grito que saiu dela, mas sim uma gargalhada. Uma grande gargalhada que foi ignorada pelos dois homens no canto do salão.

Heero empurrou Duo contra a parede, o imprensando ferozmente com o seu corpo. O americano era um pouco mais baixo do que ele, mas todas as suas curvas pareciam se ajustar perfeitamente as suas. Sua boca violentava a do rapaz trançado, que no meio do choque apenas correspondeu o beijo automaticamente. Quando ele ofegou em busca de ar, o japonês aproveitou o momento para poder inserir a sua língua dentro daquela boca ferina, mas ao mesmo tempo maravilhosa. Uma batalha começou a ser travada, cada um querendo ser o dominador da situação. As mãos grandes do advogado ora perdiam-se na massa castanha de cabelos, que já estavam começando a se soltar da trança, ora deslizavam por aquele corpo delgado, procurando uma brecha para poder tocar na pele. Duo sentia a sua respiração começar a falhar e ele a ofegar, mas nada disso importava. O cheiro que vinha daquele homem era viciante, os cabelos desgrenhados pareciam atrair as suas mãos para eles e aqueles músculos, poderia viver eternamente acariciando aqueles músculos. Seus lábios e língua ainda estavam em uma batalha selvagem, seu corpo estava quase transpassando a parede dura, enquanto ele sentia outra coisa dura roçar em sua perna. Duo apenas acordou de seu transe quando uma mão atrevida acariciou a parte interna de sua coxa.

-O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! – gritou, o empurrando bruscamente e Heero cambaleou alguns passos para trás, confuso. Quando finalmente percebeu o que tinha feito, o japonês ficou vermelho até a raiz dois cabelos e uma carranca surgiu em sua face. Duo estava ofegante contra a parede, suas roupas amassadas e seus cabelos bagunçados. Sentia o peso dos olhares das pessoas do salão sobre ele, mas isso não lhe importava, a adrenalina estava correndo com muita força em suas veias para poder se importar. Com passos largos ele caminhou até Solo e o tirou da frente de Kohako, com um simples puxão de braço.

-O que você está fazendo, Duo? – protestou o jovem.

-Vamos embora daqui, agora! – falou ofegante, vermelho de fúria.

-Não, eu não vou. – retrucou o rapaz.

-Solo… não teste a minha paciência… PORQUE ESSA JÁ SE ESGOTOU!

-Melhor você ir Solo. – falou Kohako em um sussurro, espantada com o acesso de raiva de Duo. Resignado, Solo deixou-se ser arrastado para fora do salão, pelo irmão.

-Outra hora eu falo com você. – conseguiu dizer antes que estivesse muito longe para ela ouvi-lo.

Heero bufava, como um touro enraivecido. Com ódio daquele americano atrevido, com ódio de si mesmo por ter beijado aquela criatura. Como poderia ter beijado um homem? Esfregou o ante braço na boca, como se quisesse tirar o gosto do rapaz de trança, mas esse já parecia impregnado em si, assim como o cheiro. A passos duros caminhou até onde Kohako estava, que se levantou para encarar o irmão. A sua postura parecia firme, mas por dentro a garota tremia inteira. Nunca tinha visto o irmão tão possesso, nem quando ele descobriu que Relena estava com outro e queria terminar com ele. E poderia jurar que estava vendo fumaça sair pelas orelhas do moreno.

-Você… - a voz parecia estar entalada na garganta, saindo entre ofegadas de ar. -… nunca mais vai chegar perto daquele baka. Estamos entendidos? Não pisa mais dentro daquele jornal… não fala mais com nenhuma criatura que tenha Maxwell no nome. Se eu te vir perto dele… eu te ponho no primeiro vôo para o Japão. Ouviu? – tudo que ela pôde fazer foi dar um aceno positivo de cabeça e observar com o corpo trêmulo a figura do irmão se retirar da festa. Assim que Heero sumiu pela porta, ela deixou-se cair novamente na cadeira, anormalmente pálida. Um copo de água lhe foi estendido e ela ergueu os olhos para ver quem era a alma caridosa. Quatre lhe sorria de maneira fraternal e puxava uma cadeira para se sentar em frente a ela.

-Duo às vezes tira algumas pessoas do sério. Quando ele conheceu o Wufei era quase uma constante esses dois brigando. – Kohako bebeu um gole de água e depois olhou para Wufei, que tinha uma expressão estranha.

-Pode ser, Quatre, mas eu nunca vi o Maxwell tão irado em todos os anos que eu o conheço. – respondeu o chinês, ainda surpreso pelo acesso de Duo.

-A questão não é essa, sr. Winner, é que Heero ele nunca perde a frieza e a calma… eu posso contar nos dedos de uma mão apenas quantas vezes eu já vi Heero explodir. E posso garantir que nenhuma delas foi como essa noite. – murmurou com uma voz mínima e lágrimas começaram a rolar de seus olhos. –E ele estava falando sério sobre o emprego. Eu vou ter que deixar o meu emprego. – a garota fungou, enterrando o rosto entre as mãos.

-Não, você não vai. – Quatre depositou uma mão sobre o ombro dela, com um olhar sério, e voltou-se para Trowa como que pedindo ajuda.

-Dê tempo para Heero esfriar a cabeça, sem contar quê… - o moreno riu. -… Heero está se tornando um workalchoolic e explodir dessa maneira vai fazer bem a ele.

-Além do mais acho que o Duo… acho que ele agüenta bem o tranco do seu irmão. – respondeu o árabe com um pequeno sorriso. A discussão deles dois lembrava um pouco Duo e John quando eles se conheceram. Viviam discutindo e no fim viraram namorados. Mas com Heero, a coisa era dez vezes pior, muito pior.

-Garanto que no fim, pelo que a gente testemunhou aqui, eles dois vão é acabar juntos. – Wufei comentou displicente. Duo e Heero pareciam dois teimosos cabeças duras, que na sua visão se mereciam mais que tudo. Se ficassem juntos realmente, seria um casal para lá de interessante.

-Eu já estou começando a duvidar disso. – Kohako disse para si mesma, apoiando a cabeça em uma mão. A operação cupido parecia que estava indo por água abaixo.


Heero andava como um animal enfurecido dentro de seu apartamento. Aquele americano idiota, desde a primeira vez que pôs os olhos nele em seu escritório, ele lhe cheirava a encrenca. O modo como ele o fazia reagir… argh! Era enervante. Nunca, em toda a sua vida, olhara para homens. Tinha uma mente aberta, sim, quanto aos outros, mas quanto a si mesmo… Era estranho, era realmente muito estranho. Ele era um homem com vinte nove anos de formação e concepção. Seus sentimentos e emoções já estavam concretos, formados e definidos. Não esperava se casar e ter vários filhos, não depois de… ergh, não conseguia falar o nome daquela traidora, mas ao menos sabia que teria alguns relacionamentos com mulheres. Uns longos, outros nem tanto assim. E então, vinha àquele idiota e botava a sua vida de pernas para o ar. Com um simples beijo o deixava excitado e, o pior de tudo, o fazendo querer mais. Ele nunca quis mais em nada, para ele sempre eram encontros de uma só noite, e então o sujeito vinha e não lhe saía mais da cabeça.

-Argh! – Heero pegou um peso de papel sobre a mesa da sala e o tacou com violência contra uma parede, fazendo o vidro se estilhaçar em milhares de pedaços. Estava confuso. Pela primeira vez, em toda a sua vida, estava confuso. Todos os seus parâmetros foram distorcidos e todas as suas convicções sobre si mesmo estavam destruídas. E, o pior de tudo, agora estava questionando a sua sexualidade. Não era mais nenhum adolescente para questionar a sua sexualidade. Achava que já tinha passado dessa fase.

-Pelo visto não. – murmurou para si mesmo, caindo sentado no sofá e jogando a cabeça para trás, fechando os olhos e colocando um braço por cima deles. Duo Maxwell atingia algo dentro dele que ele mesmo não conseguia explicar. O fazia perder o controle de tal forma que ele chegava a ser irracional. Pois nunca, nunca mesmo iria avançar com tamanha fúria em cima de um homem. Mas quando viu aqueles lábios carnudos e rosados, proferindo mais e mais palavras de ofensas, aqueles olhos violetas brilhando e o rosto rubro, ele não resistiu. Era uma beleza quase elementar e ele tinha que saber como era provar daquela beleza. Avançou para cima dele e o tomou para si, sem pensar direito no que estava fazendo. Sentiu aquela pele macia em seus dedos, os músculos, as curvas o cabelo… Ah aquele cabelo. Para ele era inconcebível um homem com um cabelo daquele tamanho, mas em Duo parecia ainda mais aumentar a beleza dele. Como deveriam ser soltos? Correr a mão por eles? Vê-los aderir à pele suada enquanto o homem gemia e gritava o seu nome, implorando por mais?

Em um salto Heero pôs-se de pé, com os olhos arregalados. Não poderia estar pensando nisso, não deveria estar pensando nisso. Sentiu as suas calças familiarmente apertadas na altura do baixo ventre e suspirou. Precisava de um bom banho frio e um terapeuta, se fosse possível, para tirar aquele americano baka da sua mente.


-ARGH! – a casa tremeu diante da força com que Duo bateu a porta de entrada, depois de ele e o irmão passarem. Assustado, David Maxwell surgiu de dentro da cozinha, olhando para os recém chegados filhos. Aos cinqüenta e sete anos, David ainda era um homem conservado, com um grande porte e de boa estrutura física. Os cabelos, que um dia foram castanhos, agora continham grandes mechas brancas, o que ainda dava um certo charme a ele. Os olhos eram de um azul cinzento, provando que a herança familiar dos olhos os dois meninos herdaram da mãe, mas os traços e cabelos vieram todos do pai. Acompanhando David veio uma morena, no alto de seus quarenta e cinco anos, os cabelos ainda negros refletiam as luzes artificiais, o corpo bem cuidado indicava vaidade, assim como a pele quase não marcada do rosto. E os olhos escuros brilhavam em curiosidade.

-Olha Giovanna. – Solo cumprimentou a namorada do pai com um sorriso, passando por ela em seguida para entrar da cozinha. –Eu se fosse vocês nem encostava na fera que hoje ela está brava. – murmurou ante o olhar dos dois adultos mais velhos.

-Duo… filho… - David tentou falar com o filho, mas esse estava muito entretido chutando o pé do sofá.

-Quem… - um chute -… aquele desgraçado… - outro chute – pensa que é? – um chute mais forte e o sofá chocou-se fortemente contra a parede.

-O que aconteceu? – Giovanna virou-se para o enteado mais novo, o seguindo cozinha adentro. –A festa não foi boa?

-Foi… bem interessante, por assim dizer. – Solo segurou uma risada, tomando um gole do suco que pegou na geladeira.

-Duo! – perdendo a paciência e sendo maior que o jovem na sua frente, parece que de estatura Duo herdou mais o lado da mãe, apesar de Helen ser uma mulher alta com os seus 1.75 m, para um homem Duo ainda poderia ser considerado um pouco baixo, David conseguiu segurar o filho antes que ele quebrasse mais alguma coisa. –O que aconteceu afinal? – ralhou, como fazia com eles quando eram moleques. Sentindo o olhar duro do pai sobre si, Duo enrijeceu e acalmou-se um pouco.

-Nada pai. – respondeu com uma voz contida, respirando pesadamente.

-Acontece que ele resolveu comprar briga com o Yuy e o final desse embate foi um tanto… inusitado. – Solo apareceu na porta da cozinha, apoiando-se no batente e com um sorriso matreiro no rosto.

-Como assim, Duo? – Giovanna segurou as mãos do menino entre as suas, pois para ela esses rapazes sempre seriam meninos. Os conheceu quando novos ainda, quando ainda era apenas amiga de David, os viu crescer e os tinha como os filhos que nunca tivera. E gostava de saber que eles também nutriam um grande carinho por ela. Ficou com medo, quando começou a namorar o pai dos garotos, que eles não a aceitassem, mas parecia que era um medo sem fundamento, pois eles levaram numa boa o novo relacionamento do pai.

-Aquele Yuy… ele é tão arrogante, tão cheio de si, sempre centrado, como se tivesse um cubo de gelo enfiado no…

-Duo! – David advertiu. Não gostava de xingamentos dentro de sua casa, pois tinha sido criado dentro da boa religião católica, até tinha um irmão padre. Claro quê, apesar de religioso, e assistir as missas do domingo, David não dispensava os bons prazeres da vida, pois acreditava que se Deus lhe pôs no mundo foi para viver cada segundo intensamente. E foi pensando assim que não permitiu que os conceitos religiosos lhe subissem demais a cabeça quando descobriu as preferências do filho. O amava, não importava como ele fosse, o tinha educado para ser um bom homem, sendo gay ou não. E já se dava por satisfeito por ter feito o seu trabalho direito.

-Desculpe papai. – disse em um sussurro, já se acalmando visivelmente.

-Agora conte-nos o que aconteceu. – Duo sacudiu a cabeça de um lado para o outro, dando um profundo suspiro.

-Outro dia papai, estou cansado. – respondeu, caminhando em direção as escadas, indo para o seu quarto.

-Solo? – David virou-se para o filho mais novo, que deu de ombros.

–Parece que ele anda se bicando com um sujeito aí. E você sabe que dois bicudos não se beijam, porém Yuy provou que essa teoria estava errada. Eles começaram a discutir e no calor da discussão o cara calou Duo com um senhor beijo.

-E ele não gostou, eu suponho. – respondeu David resignado. Seus filhos tinham um gênio dificílimo, principalmente Duo, mais uma coisa que eles herdaram de Helen.

-Sinceramente? – Solo ergueu uma sobrancelha para o pai e a madrasta. –Do jeito que eu to ouvindo ele reclamar do Heero, desde que se conheceram, eu ainda acho que vai rolar muita água por debaixo desse moinho… e que no final os beijos não serão mais roubados. – respondeu, dando de ombros diante do olhar intrigado do pai e da madrasta. Não daria um mês para aqueles dois se entenderem. Parece que Kohako iria ter o que queria, finalmente.


Kohako estava sentada em sua cama, abraçando os joelhos e olhando para a parede branca com uma expressão perdida. A festa do dia anterior havia sido um fracasso. Parte dela foi com ela pedindo desculpas aos convidados pelo escândalo. Heero ainda estava possesso e com isso todas as chances de poder mudar a cabeça dele em relação a ela pedir demissão estavam fora de cogitação. E era por isso que ela tentava evitar seu irmão ao máximo, não saberia lidar com um Heero nesse estado. Soltou um suspiro e apoiou a cabeça nos joelhos, olhando janela afora para o tempo cinzento que se apresentava. Ficou divagando em pensamentos até que o telefone ao lado de sua cama tocou. Deixou ele tocar, esperando que Heero o atendesse. Mas depois do sétimo toque a jovem percebeu que estaria nas mãos dela essa tarefa.

-Moshi moshi. – falou com uma voz embargada.

-Kohako? – uma voz suave e feminina respondeu do outro lado da linha e a garota rapidamente estava alerta, abrindo um grande sorriso que não surgia em seu rosto desde a noite anterior.

-Mutter! – quase gritou, dando um pulo na cama e ajoelhando-se no colchão, excitada por ouvir a voz da mãe.

-Filha que voz é essa? Aconteceu alguma coisa? – intuição de mãe com certeza era uma coisa poderosa. Ainda se lembrava uma vez que a sua mãe pegou um vôo às pressas do Japão para os EUA pois tinha certeza que o seu filho não estava bem, apesar de não ter recebido ligação alguma. E não deu outra, quando a mulher chegou a Boston descobriu que Heero tinha pegado uma baita de uma pneumonia que o deixou arriado de cama por um bom tempo. E agora era isso. Com certeza a mulher deveria estar sentindo a tensão dentro dessa casa lá do outro lado do oceano.

-Ah mãe… aconteceram várias coisas. – e começou a relatar os acontecimentos desde que chegou a cidade até o dia anterior.

-E eu que tinha ligado para o seu irmão hoje para desejar um feliz aniversário atrasado, e fico sabendo disso. – D. Corinna falou com uma voz desgostosa. –O que Heero pensa que está fazendo? Eu mandei ele cuidar de você, e não monopolizar a sua vida.

-O Heero não tem tanta culpa assim mamma

-Não tente defender o seu irmão! Apenas o chame que eu quero falar com ele. – ordenou e Kohako já iria obedecer quando se lembrou que mais cedo Heero bateu na porta de seu quarto, avisando que iria dar uma saída.

-Ele saiu mamma. – respondeu a garota.

-Saiu? Pois bem… eu resolvo isso mais tarde com ele então. Sinto que o seu irmão anda precisando de uns conselhos. Não o deixei ir para a América para ele ficar pior do que estava quando morava aqui. Pensei que ir para um lugar diferente melhoraria um pouco a personalidade de Heero, mas vejo que me enganei. – falou em um tom duro e a jovem poderia jurar que a mulher já deveria estar vermelha no outro lado da linha. –Mais tarde eu resolvo isso então, certo querida? – suavizou mais o tom de voz e Kohako sorriu.

-Hai mamma.

-Auf wiedersehen honig.

-Sayonara. – e desligou o telefone.

Kohako não avisou que a sua mãe tinha ligado quando Heero voltou para casa, não queria dar oportunidades de o homem criar argumentos de defesa quando ela ligasse de novo. Passou o sábado inteiro esperando o telefone tocar novamente mais esse não se mexeu. Talvez ela tenha esquecido, ou talvez arrumara outra ocupação que não deu tempo de ligar novamente. E assim o sábado passou, assim como parte do domingo, sem sinal da sra. Yuy para dar uma bronca no filho turrão. Até quê, ao meio dia de domingo, a campanhia do apartamento 812 tocou.

Heero secou as mãos no pano de prato pendurado ao lado da pia, abaixando o fogo da panela. Saiu da cozinha, dando um relance para o corredor onde estavam os quartos, sabendo que Kohako não sairia de lá tão cedo. A jovem o estava ignorando e ele achou que fosse melhor assim, pois não estava com paciência de discutir com ela sobre o incidente da sexta passada e nem sobre o ultimato que ele lhe deu, falando que ela deveria deixar o emprego.Caminhou até a porta principal do apartamento, onde a campanhia tocou novamente, e o seu queixo caiu quando abriu a porta.

Parada a sua frente estava uma mulher no meio de seus cinqüenta e cinco anos, com os cabelos longos e dourados descendo impecáveis pelas costas esguias, sem nenhum fio de cabelo branco os destoando. A pele ainda continuava como de porcelana, sempre bem tratada e macia. Possuía uma estatura mediana, talvez um pouco mais alta que Kohako. Vestia-se elegantemente e ainda possuía o porte altivo da época em que era modelo. Olhos azuis cobalto o miravam com firmeza, o que o fez tremer e conseguir balbuciar apenas uma palavra:

-Mãe… ?


Auf wiedersehen honig = pelo dicionário que eu usei, seria o mesmo quê: "adeus querida" em alemão.

Mutter = seria "mãe" também em alemão.

Mamma = uma forma mais carinhosa de "mãe" em alemão.

workalchoolic = pessoa viciada em trabalho.