-Sua mãe, Kk? – Duo virou-se para a amiga, querendo sair daquele olhar avaliador da mulher.
-Sim. Mas o que a senhora está fazendo aqui? – perguntou, retirando o casaco que usava e que pesava ainda mais sobre o seu corpo, com a água que estava acumulada nele.
-Oras, vim ver onde você trabalha. – comentou casualmente, olhando a filha de cima a baixo, toda cheia de lama. –E vim conhecer o tão falado Duo Maxwell.
-Me conhecer? – Duo piscou os olhos violetas, tirando a franja molhada de sobre eles e virando-se para Kohako, como se buscando uma resposta.
-Eu falei de você para ela, Duo.
-Estou ficando famoso até do outro lado do mundo? Que honra. – riu o americano, fazendo uma reverência ao estilo oriental. –Desculpe não poder cumprimentá-la decentemente, mas eu garanto que a senhora não vai querer lama em cima da senhora. – falou bem humorado, torcendo um pouco a camisa dentro da lata de metal de lixo.
-A senhora cruzou esse trânsito caótico apenas para ver onde eu trabalho? Não poderia ter vindo outro dia?
-Eu estava entediada. – falou, fazendo um gesto suave com a mão. –O seu irmão está trabalhando, você trabalhando, não consegui arrumar o que fazer naquele apartamento. Centros comerciais devem estar cheios a essa hora. E o seu trabalho foi à coisa mais perto de casa, e que me passou pela mente.
-Só quê… a senhora veio em uma hora ruim. Os repórteres estão faltando, metade da cidade está sem luz. Não vou poder lhe oferecer um tour pelo jornal. E eu preciso… - ela olhou para as suas roupas. Trocar de roupa, ela iria dizer, mas não tinha nenhuma roupa reserva no momento. Talvez fosse bom começar a trazer muda de roupa para a empresa, já que Boston estava entrando na época de chuvas pré-inverno.
-Não esquenta lindinha… - Duo passou um braço sobre os ombros dela. -… que eu te empresto uma muda. Sempre deixo algumas reservas aqui no jornal, lá no vestiário. – disse com um sorriso.
-Claro!Você praticamente dorme aqui. – retrucou a garota.
-O que vocês dois fizeram para terem lama dos pés a cabeça? – perguntou Corinna, já ficando nervosa em ver a sua filha e o rapaz com aquelas roupas molhadas. Para pegar uma gripe no estado em que se encontravam, estava pouco custando.
-Estávamos cobrindo um deslizamento. – Duo respondeu, o sorriso morrendo em seu rosto ao lembrar-se das pessoas feridas, dos mortos encontrados, dos desabrigados e daquele garotinho que eles ajudaram a desenterrar. –E acabamos ficando como voluntários do resgate.
-Você também Kohako? – a loira virou-se para a filha, com um misto de orgulho e preocupação. O gesto tinha sido bonito, mas também arriscado. Kohako não tinha treinamento de resgate para poder se meter em barrancos deslizando para ajudar a retirar vítimas. Notando o olhar de Corinna, Duo deu um pequeno sorriso encorajador para a mulher.
-Na verdade Kohako quase não fez nada. Só deu uma ajuda na hora dos primeiros socorros na ambulância. Você acha que eu seria maluco de deixar a minha bonequinha se enfiar no meio da lama? – sorriu mais abertamente, abraçando a garota. Corinna logo entendeu o que Duo quis fazer, tentando aliviar a sua preocupação, e retribuiu o sorriso dele. Até agora estava começando a apreciar muito esse jovem. Talvez com um pouco mais de convivência, quem sabe ela veria o que ele tinha para mexer tanto com o seu filho.
-Agora se a senhora nos der licença. – falou, enlaçando a sua mão na de Kohako, que parecia não estar muito surpresa com a intimidade do ato. "Cumplicidade" pensou Corinna, admirada por sua filha não ter derrubado o garoto com um golpe por causa dos toques dele em seu corpo. Em matéria de demonstrar afeição fisicamente, Kohako adorava fazer gestos, mas não gostava muito de recebê-los tão abertamente. –Temos uma crosta de lama para tirar do nosso corpo. – e começou a arrastar a japonesa para fora do cubículo. A garota nem se abalou quando se sentiu ser puxada, dando apenas um leve aceno de adeus à mãe à medida que era arrastada para os elevadores. Corinna deu um pequeno sorriso e balançou a cabeça de um lado para outro, sentando-se novamente na cadeira.
Uma hora havia se passado, com a redação parecendo ficar mais cheia. Pelo que ela tinha ouvido, a luz havia voltado à cidade e os metrôs e semáforos voltaram a funcionar normalmente, embora a chuva ainda castigasse Boston. Ouviu os elevadores chegarem ao andar pela enésima vez e divisou a figura de sua filha e o colega saindo da máquina, lavados, secos e vestidos com roupas limpas.
-Eu pareço uma palhaça. – riu a jovem, entrando na saleta de Duo, usando umas calças jeans que se mantinham em sua cintura por causa de um cinto, mas que ficavam largas e longas em suas pernas, uma camiseta que enquanto para Duo era um t-shirt, para Kohako virou um camisão, e uma jaqueta que era tão longa nos braços que ocultavam as mãos da jovem.
-Eu acho que você está uma graça. – rebateu Duo, prendendo os seus longos cabelos em um rabo de cavalo.
-Uma graça no sentido de que eu estou uma piada.
-Ou era isso, baby, ou ficar com lama até a alma. Pior que quando eu chegar em casa vou ter que lavar os cabelos de novo. – resmungou, olhando para os cabelos molhados e emaranhados. O trabalho que eles dariam seria sem noção.
-Mete a tesoura neles e estará tudo resolvido. – brincou a morena, sabendo o apreço que Duo tinha por aquele cabelo.
-Está louca? – Duo segurou as mechas castanhas entre os dedos, olhando horrorizado para Kohako, tentando esconder um pequeno sorriso. –Sem contar, que esse cabelo todo é o meu maior charme, tem homens que tem fetiche por cabelo comprido, sabia disso? – "Meu irmão" Kohako pensou instantaneamente. Ela sabia que Heero tinha uma atração incrível por cabelos compridos, pois nunca deixara Relena cortar o seu. Até mesmo os dela, Heero dizia que ela estava proibida de cortar. Duo então, deveria ter mexido com todos os hormônios do advogado quando apareceu na frente dele com aquela trança enorme.
-Eu acho que os seus cabelos são lindos. – comentou Corinna, olhando com divertimento a interação dos dois jovens. Duo lhe parecia um rapaz alegre, inteligente, mas ao mesmo tempo responsável e quando precisava ser sério e racional, ele era. Não entendia por que Heero não gostava dele. O jovem não parecia essa peste que seu filho tinha pintado.
-Pronto! – Kohako jogou as mãos para o alto em sinal de derrota. –Você tinha que elogiar. Agora ele vai ficar envaidecido e me enchendo o saco.
-E você ama quando eu fico grudadinho em você, não ama? – Duo riu, segurando com dois dedos o queixo da garota e dando um selinho nos lábios dela. Kohako rolou os olhos e soltou o ar por entre os dentes, mostrando a sua clara indignação diante da atitude piadista do americano.
-É… adoro. – falou, jogando a sua enorme bolsa sobre o ombro. –Bem, meu expediente acabou por hoje. E eu quero mais é chegar em casa e me afundar naquela banheira de hidromassagem que tem no quarto do meu nii-chan.
-Vai gastar os sais de banho do seu querido irmãozinho? – comentou o americano em deboche. Para que Yuy tinha banheira de hidromassagem se estava sempre estressado? Com certeza a mesma deveria estar novinha em folha.
-Talvez, os sais dele têm um cheiro bom. – Kohako abriu um grande sorriso malicioso e inclinou-se um pouco, para poder sussurrar algo no ouvido dele. –Mas disso você sabe, já que esteve perto o suficiente dele para poder sentir o cheiro bom que ele tem. – provocou, afastando-se rapidamente quando viu Duo ficar extremamente vermelho. –Até amanhã Duo-san. – e segurou na mão da mãe, a levando dali. Corinna ainda ficou olhando por cima do ombro para o rapaz, extremamente curiosa para saber o que a sua filha tinha dito a ele para deixá-lo vermelho.
-O que você disse a ele, Kohako? – perguntou quando entraram no elevador.
-A verdade, mamma. Apenas a verdade.
O limpador movia-se freneticamente no pára-brisa do carro, tentando retirar o máximo de água que batia no vidro. Dentro do veículo uma batida ritmada começava a preenchê-lo, abafando o barulho da água que caía janela afora e das buzinas dos carros, parados no trânsito.
-Run and tell all of the angels, this could take all night, think I need a devil to help me get things right. Hook me up a new revolution, cause this one is a lie, we sat around laughing and watched the last one die. – a voz de Heero começou a soar dentro do carro, enquanto ele tamborilava os dedos sobre o volante, ao ritmo da música. O trânsito aos poucos começou a se mover, fazendo o homem pisar rapidamente na embreagem e engatar a marcha para poder andar. Moveu-se alguns metros e entrou em uma rua paralela, aparentemente vazia, que iria despontar em uma grande avenida. Estava chegando à outra rua que teria que tomar para ir para casa, ainda cantarolando sob a respiração, quando sentiu o carro começar a engasgar.
-I'm looking to the sky to save me, looking for a sign of life, looking for something to help me burn out brigh. I'm looking for complication, looking cause I'm tired of trying. Make my way back home when I learn to fly. – a batida continuou, enquanto Heero tentava fazer o carro andar, mas assim que ele passou mais uma vez a marcha, o veículo emitiu um ruído alto e com um solavanco parou no final da rua, poucos centímetros de alcançar a avenida. Fumaça começou a sair debaixo do capô e o japonês soltou um pequeno grunhido, observando o movimento da avenida. Os motoristas estavam tão ocupados tentando chegar ao seu destino, que mal notavam o carro dele enguiçado bem na esquina. Resignado, ele retirou a gravata de volta do pescoço, a jogando sobre o paletó em cima do banco de passageiro, e saiu do carro, com a música ainda soando no rádio. Mal pôs os pés no asfalto, a chuva começou a molhá-lo fortemente, fazendo a camisa branca de linho ficar transparente e começar a grudar no tórax e braços. Arregaçou as mangas da camisa e caminhou até a frente do carro, erguendo o capô da Pajero. Fumaça foi à única coisa que o cumprimentou.
-Kuso. – resmungou. Mecânica não era com ele e trabalho braçal só em casos extremos. Poderiam lhe dar qualquer sistema de computador para mexer, qualquer processo, que ele tirava isso de letra, mas se o pneu do carro furava, somente com ajuda especializada. Encostou-se à lataria do automóvel, cruzando os braços sobre o tórax e considerando buscar uma ajuda especializada pelo celular. Seus olhos percorreram o trânsito lento a sua frente. Mesmo que chamasse um mecânico ele levaria uma eternidade para poder chegar. Soltou um suspiro e passou a mão pelos cabelos, os tornando ainda mais rebeldes com a ajuda da água. Hoje não era o seu dia.
Duo começou a andar pelos corredores formado pelos carros, a vantagem de ter uma moto é que você podia se enfiar em qualquer buraco e poderia evitar a confusão que estava o tráfego, quando viu uma cena comum em cidade grande, ainda mais em dias chuvosos. Havia um carro parado, com o capô erguido, bem na saída de uma pequena rua lateral que despontava na grande avenida. Deu um sorriso sob o capacete, guiando a sua moto em direção ao motorista com problemas. Talvez pudesse oferecer seus serviços e seus conhecimentos de mecânica para o pobre coitado. Parou ao lado da Pajero e observou o homem recostado no carro, de costas para ele. A camisa branca estava colando ao corpo, mostrando todos os músculos bem trabalhados, e os cabelos estavam deliciosamente rebeldes. Ele parecia ser muito bom de costas, como deveria ser de frente?
-Precisa de ajuda, amigo? – perguntou, retirando o capacete. Num supetão, Heero virou-se ao ouvir a voz que lhe falava, e estreitou os olhos ao ver quem estava lhe oferecendo ajuda. –Ah, é você. – Duo falou com um tom desgostoso, ao ver como era o homem de frente. E em pensar que ele estava secando o sujeito há poucos segundos atrás.
-O que você quer? – perguntou Heero em um tom áspero, com a franja molhada lhe caindo sobre os olhos. Duo iria dar uma resposta ferina, mas a visão do advogado molhado, com as roupas grudando no corpo perfeito e os cabelos incontroláveis, tirava a habilidade de falar de qualquer um.
-Eu apenas ofereci ajuda. – conseguiu articular depois de alguns segundos em transe. –Será que ao menos uma vez na vida você poderia ser educado? Como você consegue lidar com os seus clientes nesse mau humor eterno? Não os assusta não?
-Eles estão procurando um advogado, e não um terapeuta. E que tipo de ajuda você poderia me dar baka? – Duo não sabia o significado daquela palavra, mas vinda da boca de Heero Yuy, com certeza boa coisa não era.
-Eu entendo um pouco de mecânica. – respondeu Duo, recolocando o capacete. –Mas como você é sempre tão educado, pode ficar aí com o seu carro enguiçado e ensopando debaixo dessa chuva. – disse, dando a partida na moto, que ronronou pronta para ir. Heero olhou por cima do ombro o homem que estava quase indo embora, mordendo o lábio inferior, indeciso de como agir.
-Espera. – falou em um tom firme e alto o suficiente para o americano poder ouvir. Duo virou-se para ele, erguendo o visor do capacete e franzindo as sobrancelhas. –Pode realmente fazer alguma coisa pelo meu carro? – perguntou em um tom sem emoções. O rapaz de trança desligou a moto e retirou o capacete, descendo do veículo e caminhado até o carro, onde o motor estava exposto à chuva.
-Vou fazer o possível. – e lançou um grande sorriso a Heero, que sentiu um arrepio descer pelo seu corpo, e não era de frio.
Uma hora depois, o americano retirou sua cabeça de dentro do motor, torcendo o belo rosto em uma pequena careta. Heero não gostou nada da cara que ele fez, e seus dentes já estavam começando a bater de frio. Diferente do jornalista, ele não estava com nenhuma capa de chuva o envolvendo, e apesar de Duo ter-lhe recomendado ficar dentro do carro, teimoso do jeito que era, Heero preferiu ficar observando ele trabalhar, fingindo interesse em qualquer coisa que poderia estar de errado no motor, quando na verdade o que estava lhe chamando mais atenção era aquele traseiro empinado, enquanto Duo inclinava-se cada vez mais fundo debaixo do capô.
-Olha só, - começou o jovem de trança, o que fez o japonês sair do transe em que estava, apreciando aquele corpo esguio exposto por debaixo da capa de chuva transparente. –parece que o problema é na caixa de marcha e isso forçou o motor. Sem os equipamentos necessários, não posso fazer muito. Dei um certo improviso aqui, mas você vai ter que ir para casa de primeira o caminho inteiro. Vai ser ruim, mas é o único jeito do carro não morrer de novo. – falou, fechando o capô com um estampido. O moreno apenas esfregou os olhos e soltou um suspiro. "timo, agora ele teria que encarar o metrô por alguns dias, era tudo o que ele precisava. Será que Trowa estaria disposto a lhe dar uma carona para o trabalho?
-Fazer o quê. – murmurou, passando a mão pelo cabelo para diminuir a quantidade de água já que a chuva, finalmente, estava enfraquecendo e o trânsito melhorando.
-Você quer… quer uma carona? A gente pode chamar o guincho para levar o carro e eu posso te dar uma carona. – Duo ofereceu incerto e Heero sentiu seu corpo enrijecer. Carona? Naquela moto? Isso significaria ficar com o corpo grudado ao do americano até ele chegar em casa.
-Não, obrigado. – disse rispidamente, tentando sumir com as reações que aquele pensamento trouxe. –O que devo pela sua ajuda? – perguntou rapidamente, querendo logo se livrar da presença perturbadora do jovem de trança.
-Não me deve nada. – respondeu Duo, voltando para a sua moto, ao mesmo tempo aliviado e decepcionado por ele ter recusado a sua oferta. Daria tudo para sentir aqueles músculos contra os seus novamente. "Não, não daria!" gritou em pensamento, sacudindo a cabeça levemente para poder retirar as imagens impuras de Heero que estavam se formando em sua mente.
-Okay. – Heero respondeu seco, entrando no carro e batendo a porta com força exagerada, dando a partida no veículo. –A gente se vê. – disse e engatou a primeira, ganhando a avenida e sumindo velozmente das vistas do americano, como se estivesse fugindo de uma manada de búfalos ensandecidos. Tinha sido muita emoção para um dia só, e mais confusão para a sua mente já perturbada.
-E é por isso que eu acho que isso não vai dar certo. A senhora não acha que eu tentei? E no fim veja só no que deu. – a voz de Kohako chegou como um sussurro aos seus ouvidos, quando ele abriu a porta de casa.
-Heero! – Corinna alertou-se rapidamente da presença do filho, lançando um olhar longo para a jovem ao seu lado, que rapidamente se calou. –Heero, você quer ficar doente? – comentou a mulher, andando decidida em direção ao rapaz e começando a desabotoar a camisa dele molhada, não dando tempo ao moreno de pensar em uma reação.
-Mãe?! – disse surpreso, estapeando a mão da loira para longe. –O que a senhora pensa que está fazendo?
-Como assim o que eu estou fazendo? – falou Corinna, como se o fato de despir o seu filho adulto fosse a coisa mais banal do mundo. –Estou tirando essa camisa molhada de você antes que pegue uma gripe.
-Eu posso tirar sozinho, obrigado. – respondeu ríspido, com o rosto um pouco rosado.
-Heero deixa de ser bobo... eu troquei as suas fraldas garoto. – falou displicente, tentando mais uma vez tirar a camisa dele. Atrás dos dois, Kohako estourou em risadas.
-Isso foi há mais de vinte anos, mãe! – o homem agora estava profundamente vermelho, fato raro vindo de quem era. Uma mistura de vergonha pela atitude desinibida da mãe, e raiva pelos risos da irmã. Não tinha vergonha de seu corpo, pois sabia que ele atraía a atenção de muitas pessoas. Mas uma coisa era ficar nu em frente a mulheres, amantes, outra era ser despido pela própria mãe como se fosse um garotinho de três anos.
-Certo! Pegue uma pneumonia, veja se eu me importo? – reclamou a mulher, caminhando de volta para o sofá, com os longos cabelos loiros sendo balançados pela suave brisa que entrava pela janela.
-Eu vou tomar um banho. – murmurou Heero, sumindo casa adentro.
-Viu o que eu disse? – falou Kohako, virando para a mãe depois que ouviu a porta do quarto de Heero bater. –Ele está precisando relaxar mais, e é por isso que eu acho o Duo a pessoa perfeita. Mas acontece que eles dois visivelmente não se bicam, por isso eu desisti.
-Estou te estranhando filha. – respondeu a mulher, cruzando uma perna sobre a outra e ligando a tv através do controle. –Você sempre foi mais persistente do que isso. E sinceramente me agradaria ver os dois juntos.
-Mas tente entender, se a senhora tivesse visto a discussão daqueles dois no dia da festa de Heero, teria perdido todas as esperanças também. Mesmo que o final tenha sido inusitado, mesmo que Heero o tenha beijado, a senhora conhece bem o seu filho para saber que ele morre antes de admitir que o americano o atrai. Heero ainda é muito machista, com certeza ele pode não ter nada contra as pessoas homossexuais, apenas não admiti ser um.
-Não creio que o problema do seu irmão é um debate sobre a própria sexualidade. Acho que Heero ao menos deve se considerar, na altura do campeonato, bissexual. Eu acho que a questão é outra. – falou calmamente a mulher, tomando um gole do whisky que achara no bar do filho.
-E que questão seria essa?
-Heero está com medo, medo de se entregar, medo de se apaixonar de novo. Duo mexe com todos os sentidos dele, como ninguém jamais mexeu desde Relena, e ele está com medo de sofrer. Conheço o meu filho e sei que por detrás daquela pose de gelo toda há apenas um menininho assustado.
-Um menininho assustado… - Kohako sussurrou, olhando para a porta do quarto fechada do irmão, no fim do corredor, e dando um aceno negativo com a cabeça, desolada. -… e covarde. – terminou, voltando a sua atenção para a tv e encerrando aquele assunto por hoje.
N.A: Fetiche n° 5 (estou andando muito com a Misao): Heero cantando. Huahuahuaha. A música que ele está cantando é "Learn to Fly",do Foo Fighters. Tradução aí embaixo.
Tradução: Corra e diga a todos os anjos, que isso levará a noite inteira, acho que eu preciso de um demônio para me ajudar a fazer as coisas certas. Arranje-me uma nova revolução, porque essa daqui é uma mentira, nós nos sentamos rindo e observando o último morrer.
Eu estou procurando algo no céu para me salvar, procurando por um sinal de vida, procurando por algo que me ajude e brilhar e aparecer. Eu estou procurando por encrenca, procurando porque eu estou cansado de tentar. Fazer meu caminho de volta para casa quando eu aprender a voar.
