Cartas Seladas II: As Cartas Sagradas

Capítulo 2: A chegada em Atenas

Finalmente Fujitaka conseguira juntar dinheiro suficiente para fazer sua sonhada viagem arqueológica explorando os dois lugares mais interessantes para ele: Grécia e Egito. Levou consigo Sakura que, por sua vez, convidou Tomoyo. Shaoran ia passar suas férias em Tomoeda, mas ao ser avisado que Sakura iria viajar, resolveu acompanhá-la. Touya não viajaria, pois agora arranjara um trabalho fixo e, logicamente, teria que permanecer na cidade.

Após 30 minutos de espera pelo avião Sakura, Shaoran, Tomoyo e Fujitaka embarcaram. O vôo era à noite, portanto eles passariam a maior parte do tempo dormindo. Os quatro ocupavam uma mesma fileira de bancos no avião: primeiro, à esquerda na janela, Sakura, a seu lado sentava-se Shaoran seguido de Tomoyo e Fujitaka respectivamente. Cada fileira possuía quatro cadeiras. A viagem seguiu tranqüila, apesar de uma pequena turbulência enquanto o avião sobrevoava uma parte da Rússia. (o avião costumava passar sobre o oriente médio, mas parece que devido a um "incidente" o espaço aéreo estava isolado para qualquer tipo de aeronave que não fosse militar...).

Na fileira de bancos em frente à em que estavam Sakura e os outros estava um homem estranho, vestido de preto e com um capuz que impossibilitava a qualquer um de ver seus olhos. Shaoran sentiu uma aura estranha vindo dele, mas achou que era bobagem. Ao amanhecer, o homem começou a conversar com Fujitaka e tirou o capuz. Era careca e tinha uma cicatriz atrás na cabeça; seus olhos eram de um tom meio violeta, meio azul; tinha um olhar profundo, mas calmo. Olhava diversas vezes para Sakura, como se sentisse que ela era uma garota muito especial. Shaoran notou isso e olhou várias vezes bravo para o homem. Este, por sua vez, fingia não estar acontecendo nada e respondia com um sorriso à la Soujirou (-). O assunto dos dois (Fujitaka e o homem) parecia bem interessante. Eles conversaram por longas horas, até o avião entrar no espaço aéreo grego, quando o homem assumiu uma feição séria e voltou-se a seu banco.

- Senhor Kinomoto, quem é este homem – perguntou Shaoran a Fujitaka, sussurrando com cuidado para o homem não ouvir.

- Ah... esqueci de perguntar o nome! '

- ........... -.-"

Assim seguiu-se a última meia hora de viagem, em silêncio total.

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Finalmente, depois de passar a noite inteira e um pedaço do dia viajando, o avião aterrissa em Atenas e todos descem. Shaoran não tira os olhos do homem de preto... percebe uma certa pressa neste e também o jeito como olha para os lados como se estivesse procurando por alguém deixa Shaoran ainda mais desconfiado do pobre sujeito. As malas, pra variar, demoram um pouco para chegarem às mãos dos passageiros. Shaoran não agüenta a curiosidade e procura uma deixa para falar com aquele homem de capuz. O jovem ia se aproximando do homem quando este subiu um pouco a manga da blusa para ver as horas. Shaoran pôde ver na mão do misterioso senhor um símbolo estranho, aparentemente de uma seita. O chinesinho fica boquiaberto com o símbolo que vê e o homem, ao perceber isso, trata de lançar um olhar que paralisa o jovem rapaz.

- Shaoran!!! Nossas malas chegaram, venha! – chamou Sakura de longe. O homem, ao ver a menina correndo em direção a Shaoran, tratou logo de desviar o olhar e ir buscar sua bagagem. – Li, você tá bem? O.o".. Você tá com uma cara tão estranha! Aconteceu algo?! – Shaoran cai de joelhos no chão e fica com os olhos arregalados e a boca aberta.

- Shaoran!!!!!!!! – grita Sakura, desesperada. – Alguém me ajuda aqui, por favor!!! – Fujitaka, Tomoyo e um homem da companhia aérea vêm ajudá-los.

Uns dez minutos depois do ocorrido Shaoran desperta, sem saber direito o que acontecera.

- O médico aqui do aeroporto disse que foi por causa das muitas horas de viagem que você enfrentou nesses dois últimos dias. Segundo ele, isso lhe cansou o cérebro e seu corpo apresentou essa reação anormal. – informou o pai de Sakura ao rapaz.

- AHH, Senhor Kinomoto!!! Desculpe o acidente, desculpe, desculpe.. n-não foi minha intenção!!! – Respondeu Shaoran com a cabeça baixa e o rosto vermelho de vergonha.

- Hahaha... não foi nada garoto! é normal para alguém da sua idade passar mal assim, não foi nenhum incômodo! .

Mas aquilo não fôra um acidente normal. Apenas Shaoran sabia o que realmente acontecera naquele pequeno instante em que seus olhos cruzaram com o penetrante olhar do homem de preto... mas parece que ele também esquecera o que aconteceu. Lembrava de algumas poucas coisas, mas não de tudo.

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Meia hora depois de desembarcarem do avião, Sakura e cia estavam indo para o hotel, onde tinham um quarto reservado. Shaoran e Tomoyo esqueceram esse "pequeno" detalhe: reservar um quarto de hotel.. . Por sorte naquela manhã haviam quartos livres...

- Bom... vocês deram sorte! Temos exatamente dois quartos livres! Um ao lado do outro! ... Opa... um deles foi ocupado ainda hoje!!! Bom.. mas ainda tem o outro! ...

- Hmm... vamos pegar este quarto! Sakura e Tomoyo dormem num quarto e eu e o rapaz dormimos no outro.

- Ok!

E assim se fez. Sakura e Tomoyo ficaram no quarto previamente reservado por Fujitaka e este e Shaoran no quarto recém alugado. No dia seguinte eles sairiam e iriam visitar o Pathernon e a Acrópole de Atenas. Fujitaka nunca pareceu tão ansioso a Sakura; talvez estivesse assim no dia de seu casamento, mas este acontecimento ela não pôde presenciar. .

O primeiro dia em Atenas passou voando. À noite eles (Sakura e o resto) foram jantar num restaurante na mesma rua do hotel, e depois foram dormir uma looooonga noite de sono...

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O dia amanheceu. A aurora entrava por entre algumas frestas da velha janela de madeira do quarto do hotel. Sentia-se o aroma fresco da gélida brisa matinal, acompanhado de algumas conversas ininteligíveis e do cheirinho de café fresco vindos da padaria ao lado do hotel. Shaoran foi o primeiro a acordar, despertando com sua "sutileza" (levando um tombo do beliche... "") o pai de Sakura. Depois acordou Tomoyo e por último Sakura, pra variar...

Depois de devidamente acordados e de bons banhos tomados, eles foram até a tal padaria experimentar o café e um tipo diferente de pão.

N.E.:O hotel (apesar de meio velho) era bom e oferecia aos estrangeiros um serviço diferente: tinha vinculada a si uma empresa de tradutores e para cada quarto ocupado oferecia-se os serviços desta por um precinho "básico".

Depois de tomarem o café eles foram, acompanhados de um tradutor, visitar as construções atenienses. Fujitaka parecia uma criança, examinando cada pedacinho de cada ruína encontrada. Shaoran andava meio atento desde o acontecido no aeroporto.

Enquanto passeavam inocentemente pela velha acrópole o céu escurecera de repente e Shaoran sentira uma presença diferente, mas conhecida. Ao longe via-se um vulto preto de capuz. Sakura também sentiu a presença e olhou para o garoto que estava com os olhos fixos no tal vulto. Assim que Sakura mirou o olhar ao vulto, este desapareceu devagar, como se estivesse deslizando para trás. A presença também foi enfraquecendo até desaparecer por completo do local. Shaoran e Sakura se entreolharam espantados. Nunca sentiram uma presença tão forte e tão incomum!

Continuaram seu passeio normalmente, mas "com a pulga atrás da orelha". Eis que enquanto visitavam o Pathernon, no fim da tarde, a presença voltou. Desta vez eles decidiram seguí-la...

Sakura e Shaoran corriam o mais rápido que podiam e a presença se intensificava a cada passo que davam, a cada fôlego que tomavam... Até que chegaram em uma parede... era o fim da linha.

- E agora Li? Por onde vamos?!

- Deve haver algum tipo de passagem para dentro daquela parede! Vamos procurar! – Então Sakura e Shaoran começaram a procurar por algum túnel ou algo que os levasse para o "atrás" daquela sólida parede. A procura foi em vão, não encontraram nada além de uma pequena pedra com algo escrito no velho idioma grego.

- Aiaiai... deve haver algum jeito de passarmos por aqui!!! Eu sinto que a presença vem dali, do outro lado! – dizia nervosa Sakura.

- Mas que droga!!! – gritou Shaoran, enquanto esmurrava a parede e dava um berro de dor. . .

Sakura encostara-se na parede para descansar um pouco e parece que empurrara uma pedra. De repente, o grande e sólido bloco de pedra começou a abrir, a se mover para cima. Os dois ficaram boquiabertos.

Enquanto o casal estava atrás da misteriosa presença, Fujitaka e Tomoyo os procuravam pelas ruínas até que Tomoyo, percebendo que algo errado acontecia, convenceu o pai de Sakura a desistir da procura e o fez acreditar que logo eles estariam de volta.

Voltando a Sakura e Shaoran...

Aproveitando a abertura, os dois jovens entraram na passagem e foram atrás da coisa que emitia tão poderosa energia. O local parecia um velho castelo abandonado e ainda permanecia intocado, sabe-se lá por quanto tempo! O misterioso é que haviam tochas acesas ao longo das duas paredes. Tudo estava limpo e não havia sinal de pó, areia ou algo assim. Também não havia janelas fendas ou qualquer abertura por onde pudesse entrar ar respirável e o cheiro do ambiente não era tão diferente de qualquer outro local fechado. Será que esse ar que eles respiravam estava lá desde os remotos tempos quando o local fôra construído?

Continuando pelo tortuoso e estreito caminho formado pelos corredores de pedra, Shaoran e Sakura iam conversando silenciosamente e andando com muito cuidado para não caírem em nenhuma armadilha até que, em determinado ponto do percurso, o caminho se dividia em dois: um era iluminado, mas possuía algumas rachaduras do chão e uns buracos geometricamente redondos nas paredes; o outro era esparsamente iluminado, mas parecia ser mais seguro. O último possuía uma escada para baixo, enquanto o primeiro apresentava uma para cima. Os dois ficaram "meio" indecisos sobre qual caminho seguir. Sakura deu a idéia de cada um ir por um caminho, mas essa hipótese foi logo descartada por Shaoran, que não se afastaria dela por nada! Apesar de serem altamente poderosos em matéria de magia, ambos não conseguiam sentir exatamente de qual dos dois caminhos vinha a presença; ela parecia vir do meio (entre um e outro percurso). O corredor se bifurcava em forma de Y.

Depois de alguns minutos pensando por onde seguir ficou decidido que eles tentariam um caminho de cada vez, começando pelo que parecia ser mais seguro.

Então eles foram andando. Esse novo corredor parecia mais longo e mais estreito que o anterior, antes da bifurcação. Sakura usou seu báculo utilizando a carta "Fly" para adiantar-se no caminho e Shaoran usou o "Deus do Fogo" para iluminar melhor o corredor, e saiu correndo atrás dela... correu uns 10 metros apenas e pisou em um lugar falso, fazendo as paredes laterais começarem a "fechar" o corredor, como se este fosse um sanduíche. As paredes moviam-se depressa e eles tinham que chegar logo à escada que ainda parecia estar longe. Antes parecia mais perto.

- Shaoran!!! Cuidado!!! – Gritava desesperadamente Sakura.

- Corre Sakura, depressa! Esqueça de mim!! Anda logo!

- Não Li, não vou te deixar aqui sozinho! – Sakura pega seu báculo e liberta a carta "Time", fazendo o tempo parar, dando tempo para Shaoran alcançá-la.

Finalmente eles chegam à escada, bem a tempo: assim que pisam no primeiro degrau o tempo volta ao normal e as paredes se fecham.

- Ow droga! É bom que este seja o caminho certo, se não for ficaremos presos aqui. Agora que essas malditas paredes se fecharam não temos como voltar. – Comenta Shaoran.

- É mesmo!!!

Eles seguem descendo pela escada escura. A cada degrau descido a presença parecia mais forte, o ar mais gelado e os corações mais acelerados. O silêncio predominava entre eles. Mal se ouvia suas respirações, dado o nervosismo... parece que eles já imaginavam o que lhes esperava no fim dessa sombria escada...

"When I look into your eyes, I realize

That my love for you will never ever die

Together for the rest of our lives

I always want you here by my side."

Ps.: O texto do final é da música de abertura de Cavaleiros do Zodíaco original: "You are my reason to be"

· Espero que vocês estejam gostando dessa fic... ", to fazendo o melhor possível, eu acho.

· Como sempre digo: qualquer sugestão, crítica, oi, tchau, bom dia, boa noite, morra!, bla, ble, bli, blo, blu... enfim, qualquer palavra é bem vinda! :

· C ya! =)