Capítulo 02

- Acho que você se enganou, aqui não existe nenhum príncipe Hikari. – Quatre respondeu, sorrindo gentilmente.

- Não, eu não me engano. Eu sou um feiticeiro. Você é o Príncipe Hikari, desaparecido por tantos séculos do Myth Kingdom! Finalmente o encontrei!

- Feiticeiro? Príncipe? Myth Kingdom? Do que você está falando, afinal? – Trowa perguntou.

O feiticeiro Chang Wufei explicou-lhes toda a história. Falou sobre o Myth Kingdom, os seres imortais, e, principalmente, sobre o seqüestro do Príncipe Hikari (Quatre). O loiro foi o único que acreditou nas palavras do feiticeiro. Trowa e Heero eram mais realistas, sabiam que isso tudo não passava de simples lendas.

- Preciso que você venha comigo, Alteza. – Wufei dirigiu-se a Quatre novamente.

- Ele não vai a lugar algum! – Trowa posicionou-se entre o árabe e o chinês, disposto a defender seu amado.

- Eu posso até ir com você, sr. Chang. Mas Heero e Trowa vão comigo. – o loirinho respondeu, educadamente.

- Como quiser, Alteza.

Já estava escurecendo, então Wufei fez seu corpo brilhar na escuridão, iluminando o caminho, para o espanto dos três garotos. Mesmo Quatre, que havia acreditado na história, ficou impressionado com o poder do feiticeiro.

Em menos de quinze minutos, os quatro viajantes chegaram ao lugar onde Wufei disse que ficava o portal. Porém, apenas o chinês e o árabe o viam. Trowa e Heero enxergavam apenas uma enorme área vazia.

- É porque vocês não querem acreditar. – Wufei explicou.

O feiticeiro cobriu os olhos dos dois com suas mãos.

- Olhem novamente.

Quando Chang retirou as mãos, o que Heero e Trowa viram quase os fez caírem para trás. Estavam em frente a um enorme portal dourado com detalhes prateados, muito bonito. Por trás do portal encontrava-se um garoto de aparentemente 17 anos, com cabelos vermelhos até um pouco abaixo do ombro, usando roupas estilo século XVIII.

- Senhor Chang, vejo que trás consigo três mortais.

- Não, Brad. Apenas os dois morenos são mortais. O loiro é imortal. Ele é o Príncipe Hikari.

Os olhos do guardião arregalaram-se em admiração. Então aquele ser angelical era o famoso herdeiro do Myth Kingdom! Sem hesitar, Brad curvou-se diante da imagem de Quatre, que estava assustado com a forma que o ruivo lhe tratava. Nunca experimentara algo do tipo.

- Não precisa curvar-se, Brad. – o loiro estava incomodado.

- É um prazer, Alteza. Sinto uma grande honra em conhecê-lo.

- Abra o portal, Brad.

- Sim, senhor Chang.

O guardião suíço abriu o enorme portal.

- Retirem os sapatos. – Wufei ordenou para Heero e Trowa. – Vocês irão pisar em terra sagrada.

Heero fez cara de poucos amigos, mas acabou cedendo. Trowa estava impressionado demais para argumentar, e tirou o tênis que havia escolhido para a exploração na floresta. Apesar de Wufei não ter dirigido a ordem a ele também, por ser um príncipe, o árabe sabia que também deveria retirar os sapatos, e assim o fez.

Os quatro entraram no reino. Quatre sentia-se mais em casa do que nunca, e tinha certeza de que a história de Wufei era verdadeira. Se ele era realmente imortal, isso então explicava a sua enorme disposição e falta de cansaço. Como já estava de noite, não deu para os três curiosos repararem em muita coisa, apenas nos vários pontos coloridos espalhados pela terra, o que Wufei disse serem fadas. Quatre alegou estar muito cansado, então Chang deixou os três dormirem em seu templo por aquela noite. O povo do Myth Kingdom conheceria seu herdeiro no dia seguinte.

- Onde está ele, Chang? – Lyria perguntou ao chinês, na manhã seguinte.

- Está em meu templo, senhorita.

- Eu gostaria de vê-lo agora.

- Sim, senhorita, venha comigo.

Wufei levou a Fada do Amor até o seu templo, onde se encontrava Quatre, Heero e Trowa. Os três já estavam acordados, e ficaram supresos ao ver a jovem se aproximar. Lyria era muito bonita, tinha cabelos ruivos, olhos verdes como os de Trowa. O que chamou a atenção foram as asas lilás que saiam de suas costas, um par de orelhas de felino e uma longa cauda, e sua aura lilás. Chang explicou mais tarde que alguns seres possuíam características de outros animais. No caso dela, eram características de um felino.

- Príncipe Hikari! – Lyria exclamou, com a mesma expressão que Wufei fez quando o viu.

- Eu ainda não me acostumei com esse nome. – Quatre falou. – Mas o senhor Chang disse que eu sou.

- É sim, eu me lembro bem do seu rosto! Você não mudou muita coisa, apenas cresceu mais. E está mais bonito!

Quatre não pôde deixar de enrubescer ante a esse comentário.

- A beleza é uma característica da sua família. Sua irmã também é muito bonita.

- Eu tenho uma irmã? Tem sim, ela se chama Junn. Mas ainda é novinha, tem apenas 100 anos.

- 100 anos????

- Eqüivalente a 10 anos de um mortal. – a ruiva olhou para os outros dois garotos, que não entendiam nada. – E vocês, quem são?

- Esses dois são meus amigos, Heero e Trowa. – o loirinho falou, apontando para cada um, respectivamente.

- Prazer em conhecê-los, mortais. Eu sou Lyria, a Fada do Amor.

Os dois a cumprimentaram com a cabeça. Ainda não entrava na cabeça deles que existiam fadas e todos esses seres místicos e lendários. Lyria e Wufei decidiram levar Quatre, ou Hikari, para conhecer sua irmã, a Princesa Junn. Trowa insistiu para ir junto, não queria deixar o seu namorado nas mãos daqueles desconhecidos. Heero decidiu ficar. Queria explorar o reino sozinho, sem ninguém para perturbar.

O japonês saiu do templo quando teve certeza de que os outros já estavam longe. Agora ele podia observar melhor o Myth Kingdom, já que estava de dia. Todo o reino era coberto por um gramado verde, com rios e lagos espalhados uniformemente. Ao longe podia ver um enorme castelo, provavelmente da suposta família de Quatre, a família real. Ao redor ficavam vários templos, uns pequenos, outros maiores.

No sentido contrário, Heero observou um monte sombrio em uma parte isolada do reino. Sua curiosidade falou mais alto, então o japonês resolveu perguntar a alguém sobre o monte. Foi até a entrada do reino e falou com o guardião do portal.

- É o Monte Yami. – respondeu Brad. – Lá vivem Shinigami e seu discípulo.

- Shinigami? Deus da Morte? – Heero ficou ainda mais curioso.

- Sim. Mas falta pouco tempo para ele renunciar ao cargo. Quem assumirá sua posição será Duo Maxwell. Ele foi escolhido pelo próprio Shinigami.

- Duo Maxwell? – o japonês sentiu um arrepio só de ouvir aquele nome, mas não sabia o porquê. – Interessante. Gostaria de conhecê-lo.

- Então está com sorte, senhor…

- Yuy. Heero Yuy.

- Senhor Yuy. O Duo desce do monte toda semana para buscar o que seu mestre manda. E hoje é dia de ele descer.

- Sério? Pode me dizer a que horas ele desce?

- Claro. – Brad olha para seu relógio antigo. – Ele deve estar descendo agora mesmo. Daqui a uns cinco minutos ele já terá chegado aqui embaixo.

- Obrigado, Brad.

- De nada, senhor Yuy.

Heero saiu em direção ao Monte Yami. Por algum motivo desconhecido, ele ansiava por conhecer o tal discípulo do Deus da Morte. Não sabia explicar, apenas sentia um impulso dentro de si que o fazia correr o mais rápido possível em direção à montanha.

Em exatos cinco minutos o moreno de olhos azul-cobalto chegou ao pé do Monte Yami. A imagem que ele viu quaze o fez cair pra trás. A uns vinte metros de distância encontrava-se a criatura mais encantadora que Heero já havia visto. Um garoto, de longos cabelos castanhos presos em uma trança e uma aura cinzenta em torno de si, estava terminando de descer do monte. Só então Heero percebeu que o Monte Yami tinha um guardião. Era um ser parecido com Lyria. Tinha orelhas e cauda de felino, ambos brancos com manchas pretas, cabelos brancos com a franja negra, e olhos azuis.

- Quem é você? – o guardião perguntou, não conhecendo o garoto à sua frente.

- Heero Yuy. E você?

- Sou Yuki, guardião do Monte Yami. Então você é um dos amigos mortais do Príncipe Hikari?

- Hai. Como sabe?

- A notícia já se espalhou. Estou ansioso para conhecer o famoso herdeiro desaparecido. Mas o que deseja aqui?

- Aquele que está descendo é Duo Maxwell?

- Oui, ele mesmo. O discípulo de Shinigami.

Nesse momento o jovem chegou ao pé da montanha.

- Bom dia, Yuki!

- Bonjour(1), senhor Maxwell.

Duo olhou fascinado para o estranho à sua frente. Quem era aquele deus grego? Certamente não era do reino, pois o americano conhecia todos os seres que moravam ali. Seus olhos violetas não conseguiam desgrudar dos olhos azul-cobalto do mortal.

Heero sentiu um incômodo em seu baixo ventre. Agora que estava diante do garoto, pôde perceber que seus olhos eram de um tom violeta incrível. Os dois ficaram se analizando por alguns minutos, sem falar nada. Ambos estavam encantados com a beleza um do outro. Yuki resolveu quebrar o silêncio.

- Senhor Maxwell, este é Heero Yuy, amigo mortal do Príncipe Hikari.

- O herdeiro foi encontrado??

- Oui, o feiticeiro Chang o encontrou ontem à noite.

- Que ótima notícia! – o americano sorriu, para o delírio de Heero. – Prazer em conhecê-lo, senhor Yuy.

Duo estendeu a mão, ainda sorrindo.

- O prazer é meu. Por favor, me chame apenas de Heero. – o japonês apertou a mão do garoto de olhos violetas.

No momento em que as duas mãos se tocaram, uma corrente de eletricidade percorreu ambos os corpos, fazendo os corações baterem mais rápido. Nenhum dos dois queria soltar a mão, estavam fascinados demais um com o outro. Depois de alguns minutos de comtemplação, Duo percebeu o que estava fazendo e abaixou a mão, ficando vermelho.

- Então me chame de Duo. – ele disfarçou, sem coragem de encarar os olhos azuis do japonês.

O americano sabia que ele havia cometido uma falta muito grave. Na condição de futuro Shinigami, ele não poderia se apaixonar por ninguém, muito menos por um mortal. Porém havia acontecido. Mesmo tendo acabado de conhecê-lo, Duo sabia que estava perdidamente apaixonado por Heero.

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(1)Bonjour - Bom dia (ou boa tarde), em francês.

Comentários da autora: eu adoro quando eles se conhecem, é sempre amor à primeira vista! Claro, quem não se apaixonaria por deuses gregos como eles? Bom, mas o que será que eles vão fazer? Duo não pode se envolver com o Heero, porque é o futuro Shinigami. E o que será que o próprio Shinigami vai fazer quando descobrir que seu discípulo se apaixonou por um mortal? Nhai… dúvidas e mais dúvidas… Preciso de comments para continuar a escrever! Pleeeeeease!!!

Bjinhus

Sayuri