Capítulo 03

Lyria entrou no castelo, sendo acompanhada por Quatre e Trowa, que olhavam tudo à volta deles, abismados. Tudo daquele lugar era perfeito. A decoração, a harmonia entre os seres animados e inanimados, a paz que reinava absolutamente, enfim, tudo! Quatre sentia-se maravilhosamente bem ali. E Trowa, ao ver seu anjo feliz, ficava ainda mais feliz também. Adorava ver seu Quatre sorrir.

A fada francesa abriu uma enorme porta dourada, que dava para uma sala luxuosa. Nela encontrava-se outra fada, com vestimentos brancos, aura branca, cabelos cor-de-bronze e olhos cinzas.

- Então é verdade! – a fada falou, ajoelhando-se no chão. – Príncipe Hikari, você voltou para abençoar nosso reino com sua presença.

Quatre sentiu-se imensamente constrangido, nunca pensara que apenas sua presença fosse importante para tantas pessoas. Mas parecia que ele realmente era querido naquele reino. O árabe sorriu, bondosamente.

- Não precisa ajoelhar-se, senhorita…

- Kayla, Fada da Luz, à vossa disposição.

- É um prazer conhecê-la, senhorita Kayla.

- Para mim, é uma honra poder vê-lo. – a ruiva respondeu, levantando-se.

Kayla estava fascinada pela beleza do príncipe herdeiro. Sabia que essa era uma característica da família real, mas o príncipe ultrapassava todos os limites de beleza por ela conhecidos. A jovem fada pôs-se a analizar o loiro. Corpo esbelto, não muito musculoso; a pele tinha uma palidez angelical, e o visual de anjo era reforçado pelos cabelos dourados e belos olhos azul-celeste. Imediatamente sentiu-se indignada por estar pensando esse tipo de coisa justamente do herdeiro do Myth Kingdom. Trowa percebeu os olhares que a fada lançava para seu namorado, e a encarou com um brilho quase mortal nos olhos de esmeralda.

Lyria viu que Kayla havia gostado muito do herdeiro, e achou que os dois formariam um belo casal. O Príncipe Hikari e a Fada da Luz, juntos, casados, governando o Myth Kingdom era realmente uma ótima idéia. E como ela era a Fada do Amor, isso não seria problema nenhum. Bastava colocar sua mágica para funcionar, afinal, essa era a função dela, fazer os seres apaixonarem-se.

- Creio que agora queira conhecer vossa irmã, Príncipe Hikari. – Kayla falou, depois de alguns minutos.

- Sim, eu gostaria muito.

As duas fadas saíram da sala, mencionando para os garotos seguirem-nas. Subiram uma enorme escadaria de mármore branco que dava para um longo corredor, acobertado por um carpete crème. No final deste tinham duas portas. A primeira era dourada, com detalhes em ouro branco, e a segunda era prateada, com detalhes dourados. Lyria bateu na porta prateada. A mesma se abriu, revelando uma garotinha de longos cabelos cor-de-vinho e olhos azuis como os de Quatre. As roupas que ela usava mostravam sua posição superior aos outros seres do reino. Sua cabeça ostentava uma coroa prateada, e então Quatre percebeu que ela era a sua… irmã.

- O que desejam? – a garotinha perguntou.

- Princesa Junn, esse é vosso irmão Hikari.

Os olhos azuis da princesa arregalaram-se. Haviam encontrado seu irmão, finalmente? Sem pensar duas vezes, Junn atirou-se nos braços de Quatre, abraçando-o calorosamente. O loiro ficou meio atordoado, mas devolveu o abraço, sem saber o que dizer.

- Você é exatamente como eu imaginava, irmão! – a pequena princesa falou, encarando-o novamente.

- Isso é bom ou ruim? – Quatre perguntou, sorrindo.

- Muito bom! – Junn olhou para Trowa. – E quem é esse mortal? Seu amigo?

- É… Este é Trowa Barton.

- Muito prazer, senhor Barton.

- O prazer é meu. – Trowa respondeu.

Junn parecia analizar criticamente as roupas que os dois garotos usavam. Com certeza não pareciam nem um pouco com as roupas que as pessoas usavam ali no reino.

- Vocês não querem mudar de roupa? No quarto ao lado… - Junn olhou para Quatre. – no seu quarto, existem as roupas que foram de nosso pai. Acho que posso encontrar algo que sirva em vocês.

Junn pegou na mão do loiro e o levou para dentro do outro quarto, o que tinha a porta dourada. Trowa ia segui-los, quando foi impedido por Kayla e Lyria. Ambas alegaram que somente menbros da família real poderiam entrar nos quartos. Os três voltaram para a sala, contra a vontade do latino. As duas fadas ficavam vigiando-o todo o tempo.

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Heero havia oferecido sua ajuda para o discípulo do Deus da Morte. Duo, como precisaria pegar muitas coisas dessa vez, aceitou a ajuda do mortal, fascinado demais para recusar.

- São apenas coisas de rotina, que meu mestre me manda pegar. – Duo disse, andando ao lado de Heero.

- Que tipo de coisas?

- Coisas para o meu treinamento e para o serviço dele.

- Você gosta da idéia de tornar-se Shinigami? – o japonês perguntou, olhando nos olhos violetas que o encantaram.

- Oh, sim! – Duo agora não estava tão certo disso. – Um deus da morte não é mau, como muitos pensam. Shinigami não acaba com a vida das pessoas quando quer, ou porque está com raiva. Tem de fazer escolhas sábias para decidir o tempo necessário que determinado ser deve viver.

Heero ficou impressionado, não com o que o americano acabara de dizer, mas com a forma como seus lábios moviam-se de um jeito extremamente sensual, mesmo se essa não fosse a sua intenção. Duo percebeu que Heero não havia prestado atenção a uma palavra sequer, e sorriu. O japonês deu um meio-sorriso como retorno, e perdeu-se no universo violeta que eram os olhos de Duo. Mas o americano de repente viu-se triste.

- O que foi, Duo? – Heero perguntou, num tom de voz baixo, quase sussurrando.

Duo não respondeu, apenas puxou Heero pela mão em direção a um lago e sentou-se na beira, esperando o garoto de olhos azuis fazer o mesmo. Heero sentou ao lado do americano, olhando-o confuso.

- Um deus da morte é também fadado à solidão. – Duo falou, mais para si mesmo que para o japonês.

- Por quê? – Heero perguntou, percebendo que Duo ainda segurava sua mão, e não fazendo nada para soltá-la.

- Regras… Não posso apaixonar-me por ninguém. – o americano virou-se para Heero, olhando-o nos olhos. – Muito menos por um mortal.

Heero não conseguiu decifrar o que os olhos violetas expressavam. Mas sentiu uma vontade quase incontrolável de abraçar o garoto, beijá-lo e possuí-lo ali mesmo, e quase se socou perante tal pensamento. Duo estava ali, abrindo-se com ele, e em que ele pensa? Em sexo!

Duo não sabia o porquê de estar falando aquilo pro mortal que acabara de conhecer. Sentia dentro de si crescer um fogo que até então nunca havia sentido. E o pior era que Heero não esboçava reação alguma, o americano não sabia o que se passava pela cabeça do japonês. Provavelmente estava achando-o um idiota por falar essas coisas sem mais nem menos. Afinal, quem garante que Heero iria sentir-se atraído por ele, do mesmo jeito que ele sentia-se (eu garanto!!)?

Aquele silêncio estava tornando-se insuportável. A brisa suave assoprava nos dois, afastando a franja do discípulo dos olhos violetas, permitindo uma visão ainda mais bela de seu rosto para Heero. Sem pensar mais em suas ações, o mortal colocou sua mão livre por cima da mão de Duo, que ainda estava segurando a sua outra mão (nossa, quanta mão…). Duo olhou-o surpreso, e quase caiu dentro do lago quando Heero trouxe sua mão para perto de seus lábios perfeitos e beijou-a suavemente. O coração do americano ameaçou explodir se Duo não tomasse alguma atitude.

- Acho que… - Duo finalmente conseguiu falar. - … acabei de quebrar a regra.

Comentários da autora: o.o Ficou muito meloso? Me diga por favor o que vocês acharam!!! Eu imploro! -fica de joelhos no chão-

Perdoem esta pobre autora mortal e lunática se esse capitulo ficou curto demais, é que eu realmente estava sem inspiração.

Beijos,

Sayuri