- Ei, Heero! - Quatre exclamou ao encontrar seu amigo
japonês andando pelo gramado do reino.
- Hn? - Heero olhou para o loiro, que vinha seguido
de Trowa.
- Minha… irmã me contou que o discípulo
de Shinigami está apaixonado por você. É verdade? Me
conta essa história direito, o que rolou entre vocês?
Heero encarou o árabe. Duo estava realmente
apaixonado por ele?
- Não aconteceu nada…
Trowa ergueu uma sobrancelha, obviamente não
acreditando. Quatre o encarou com uma expressão de "Aham, e eu sou
o Papai Noel".
- Só… um beijo. - o japonês terminou
de falar.
- Heero, você ficou louco? - o loirinho perguntou.
- Você tem idéia da confusão em que se meteu? Ou pior…
Na confusão em que você meteu o Duo! Pelo que eu fiquei sabendo,
um Deus da Morte não pode ter esse tipo de sentimento.
- Eu sei, ele me disse isso. Mas eu não pude
evitar, foi mais forte do que eu, Quatre. Acho que… Acho que eu realmente
gosto dele.
Heero se virou e começou a se distanciar
dos dois garotos. Nunca pensou que fosse confessar isso algum dia, mas
aquele americano dos deslumbrantes olhos violetas havia perfurado seu peito
e penetrado em seu coração.
- Heero, espera! - Quatre colocou uma mão
em seu ombro. - Eu sei como se sente. Vem, vamos para o castelo. Já
está tarde, é melhor você descansar bastante. Com certeza
terá muito o que enfrentar daqui pra frente.
O japonês não discutiu, e deixou-se
ser conduzido pelo loiro árabe até o castelo real, sendo
seguido por seu primo Trowa. Ele ainda não havia visto o castelo
de perto, mas estava tão cansado que nem prestou atenção
à beleza do mesmo.
(Enquanto isso, em um dos quartos do castelo…)
- COMO?!?!?! - Lyria gritou. - O Príncipe
Hikari está apaixonado por aquele mortal??? Não pode ser,
isso é impossível! O que está acontecendo por aqui?
Primeiro é o futuro Shinigami, agora o herdeiro… Desse jeito eu
vou acabar sendo banida do reino.
- O quê? Duo Maxwell está apaixonado
também? - Kayla não acreditou em seus ouvidos.
- Sim, pelo outro mortal, Heero Yuy…
- Nossa, que escândalo! E Shinigami, como
ficou?
- Revoltado, claro! Queria retirar minha imortalidade
e tudo. Eu não entendo como isso pôde acontecer sem que eu
fizesse alguma coisa.
- Temos que dar um jeito de mandar esses mortais
embora do Myth Kingdom. Eles não poderão ficar muito tempo
mesmo, justamente pelo fato de serem mortais.
- Verdade. Só mora nesse reino os seres imortais.
Uma hora o herdeiro terá que largar Trowa Barton, e aí, mon
chère(1), o caminho ficará livre pra você! - Lyria
pegou a mão de Kayla e as duas riram, contentes.
- Acho que o Príncipe já voltou ao
castelo, ouvi o barulho da porta principal.
- Já entendi, você quer ir lá
desejá-lo bonne nuit(2). - Lyria sorriu. - Certo, vamos.
Ambas saíram do quarto, e ficaram surpresas
ao encontrarem os dois mortais acompanhando o príncipe herdeiro.
- Lyria, Kayla... - Quatre falou. - Vocês
poderiam mostrar um quarto ao Heero?
- Um quarto? - Lyria perguntou. - Mas Alteza, apenas
seres imortais podem entrar nos quartos do castelo.
- Trowa e Heero são meus convidados de honra,
e eu quero que eles fiquem no castelo.
- M-mas Príncipe Hikari...
- Se meu irmão quer que os mortais permaneçam
no castelo, que assim seja! - Junn falou, do alto da escada.
A pequena garotinha surpreendia cada vez mais, ela
não tinha a mesma personalidade do irmão. Junn era direta,
odiava ser contrariada, ou que qualquer membro de sua família também
o fosse.
- Sim, Alteza. - Lyria curvou-se. - Venham comigo,
Monsieur(3) Yuy e Monsieur Barton.
- Só o Heero. - Quatre sorriu. - Trowa ficará
no meu quarto.
Kayla e Lyria quase caíram para trás.
Junn apenas sorriu, já havia percebido que existia algo entre seu
irmão e o mortal. Apesar de eles não poderem fazer muita
coisa, ou então Hikari perderia sua imortalidade... Quatre e Trowa
subiram as escadas e entraram no quarto com a porta dourada. A Fada do
Amor resmungou algo em francês e guiou o outro mortal até
o quarto de hóspedes.
(Na floresta…)
Dois olhos vermelhos brilhavam na escuridão
da noite. O cheiro de sangue impregnava o ambiente florestal, e vários
animais jaziam mortos no chão.
- É só questão de tempo, até
eu poder me alimentar do sangue daquelas malditas fadas. Principalmente
a ridícula Fada da Luz… Ela vai pagar por eu ter sido expulsa do
Myth Kingdom!
(No Monte Yami)
- O senhor deseja falar comigo, mestre? – Duo perguntou,
batendo na porta do quarto do Deus da Morte.
- Sim, Duo, entre.
O americano entrou no quarto, sabendo que provavelmente
Shinigami já sabia do sentimento clandestino que se apossara de
seu coração, desde o momento em que colocou os olhos naquele
mortal tão belo.
- Duo, você tem sido um discípulo explêndido
até agora. Irei dar-lhe um último desafio. Esse será
o mais difícil de todos, eu sei, mas se você o concluir, tornar-se-á
o Deus da Morte imediatamente. O desafio é o seguinte: Quero que
mate Heero Yuy.
Duo estremeceu. Matar Heero? Como ele poderia matar
o homem pelo qual era apaixonado???
- Sei o que você deve estar pensando, caro
discípulo… Entende agora o porquê de um Deus da Morte não
poder apaixonar-se? E é justamente por isso que eu estou lhe lançando
esse desafio. Vou lhe dar um tempo para pensar nisso. Pode sair agora.
- Com licença. – Duo sussurrou e saiu do
quarto.
Sua cabeça latejava, e seus olhos ardiam,
com vontade de chorar. Por que isso tinha que acontecer com ele? Por que
Heero tinha que aparecer no Myth Kingdom e invadir sua vida e seu coração
daquele jeito? O americano entrou em seu próprio quarto e se jogou
na cama, fechando os olhos. Com certeza iria ficar acordado a noite inteira,
pensando no que fazer.
(No dia seguinte)
Duo olhou mais uma vez para a arma em sua mão.
Era uma foice negra que seu mestre havia lhe dado de pesente há
alguns anos. Ela nunca havia sido usada, o americano a estava guardando
para quando se tornasse o Deus da Morte. Porém a foice teria sua
primeira vítima naquele mesmo dia. Isto é, se Duo conseguisse
realizar o tal desafio.
Heero estava ansioso para ver o dono de seu coração
mais uma vez. Mesmo sabendo que Duo provavelmente o rejeitaria para poder
tornar-se Shinigami, o japonês queria pelo menos poder olhar para
ele de novo, antes de ir embora do Myth Kingdom. Quatre o havia lhe emprestado
algumas roupas do reino, parecidas com as que ele e Trowa estavam usando.
Heero terminou de vestir-se. Ele usava uma blusa branca, daquelas de abotoar;
calça azul-escuro justa; e um par de botas marrons, por cima da
calça. Ao olhar-se em um espelho, Heero achou que parecia mesmo
com alguém que vivia no século XVIII. Para finalizar, o garoto
de olhos azul-cobalto pegou um sobretudo da mesma cor da calça e
saiu do castelo em direção ao Monte Yami.
Yuki ficou surpreso ao ver Heero ali novamente, ainda
mais àquela hora da manhã. Haviam se espalhado boatos de
que o mortal tinha seduzido o discípulo de Shinigami, e a presença
do mesmo ali talvez confirmasse tudo. Principalmente porque Duo Maxwell
estava descendo do Monte Yami justamente na mesma hora em que Heero se
aproximava do mesmo.
Heero olhou para a montanha sombria. Duo usava roupas
parecidas com a sua, mas eram de cor negra. E em vez do sobretudo, o americano
usava uma longa capa, também negra. Em sua mão estava uma
foice da mesma cor. O que será que Duo iria fazer com aquilo?
Duo sentiu-se fraquejar diante da imagem de Heero.
Ele ficara a noite inteira acordado, como previsto, juntando coragem para
fazer o que seu mestre lhe ordenara, e agora toda a coragem parecia ir
pelo ralo em menos de um minuto, só de ver o mortal parado ali,
olhando para ele.
- Bonjour, Monsieur Maxwell. – Yuki cumprimentou
o discípulo de Shinigami.
O americano nem se deu ao trabalho de responder,
apenas passou direto pelo guardião francês e por Heero, sussurrando
um "Venha comigo" para ele. Heero o seguiu, não entendendo o que
estava acontecendo ali. Por que Duo estava tão estranho? Os dois
andaram por alguns minutos, sem pronunciarem uma só palavra, até
que Duo parou. Heero olhou à sua volta, eles estavam entre algumas
árvores, num ponto distante do reino.
- O que está acontecendo, Duo? – ele finalmente
perguntou.
Duo segurou firme a sua foice e respirou fundo.
Ele teria que fazer aquilo. Não poderia simplesmente jogar praticamente
uma vida inteira de treinamento ralo abaixo por alguém que ele acabara
de conhecer, não é? É.
- Heero, me perdoa. Mas eu preciso fazer isso.
- Isso? Isso o quê? Eu não estou entendendo.
O americano ergueu a foice, segurando-a com as duas
mãos.
- Vou ter que tirar a sua vida.
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(1) – Mon chère: Minha querida, em francês.
(2) – Bonne nuit: Boa noite, em francês.
(3) – Monsieur: Senhor, em francês.
Comentários da autora: O.O E agora? Será
que Duo terá mesmo coragem de matar o Heero? E quem será
a dona daqueles olhos vermelhos na floresta? Tcham tcham tcham tcham… Não
percam o próximo capítulo de Myth Kingdom!!! nn Eheheh,
ninguém me merece… Bueno, mesmo esquema que eu tô usando em
Unbreak My Heart, só posto o próximo capitulinho quando
eu receber uma quantidade razoável de reviews, tááá?
Ora, vamos lá, não custa nada, só uns dois minutinhos!
Nem precisa escrever um testamento, só dizer se ficou bom ou não,
e se quiserem podem dar sua opinião. O Duo deve ou não matar
o Heero? –Sayuri desvia das pedras que são jogadas em sua direção-
Tá, tá bom… Acho que já sei a resposta desta pergunta!
Beijinhus
Sayuri
