Beijos especiais pra Rosa, Kistis, Nay, Mila, Lady M e Taiza.
Esperamos que gostem do que estão lendo tanto quanto estamos gostando de escrever.
Nota:Cada capítulo, deste em diante, falará da visão de um personagem em um todo da situação.Neste, em especial, será de John Roxton.Os capítulos não serão todos de um personagem, e sim a maior parte deste em relação à fic.
Se Tudo Fosse Diferente - Capítulo Dois
"São os filhos e filhas da saudade da vida por sí mesma."
Khalil Gibran Khalil – 'O Profeta'
Amanhece mais um dia no platô. O clima de harmonia e de renovação que seria típico da situação em que se encontram os exploradores, não aparece com clareza.
Verônica, apesar das opiniões diversas sobre sua atitude, instalou Thomy, o mais novo integrante da casa da árvore em seus aposentos, tirando algumas coisas suas que não lhe serviam há muito tempo, dando lugar a um cesto improvisado, o mesmo que usara antes para o bebê.
Utilizando a imaginação, acrescentou algumas coisas ao "cantinho do Thomy" como ela mesma chamava, coisas de quando era criança, e que guardava com muito carinho. Alguns brinquedos que ainda estavam bem conservados e alguns ainda de quando era um bebê além do leão Edward que ela adorava e que aos 10 anos foi seu companheiro quando seus pais desapareceram. O que queria era deixar só o essencial de suas próprias coisas.
Durante dois dias Roxton observou secretamente a amiga arrumar tudo com cuidado. Até Malone evitava entrar lá. Era como se aquele lugar tivesse se transformado no refugio de mãe e filho.
Quando pensava não estar sendo observada, John prestava atenção em como a rotina, principalmente a matinal, mudara depois da vinda do bebê. Verônica tinha agora hábitos noturnos.Entrava e saia do quarto, hora com uma garrafa pequena de leite quente para o bebê, hora com panos e água quente. Por mais que ficasse a noite toda acordada, e ficava, ela não se cansava, sua dedicação para com o bebê era admirável, coisa que Summerlee notou muito bem. Mas outra coisa notável foi o choro que muita das vezes faziam da noite, dia na casa da árvore.Estavam agitados e as noites mal dormidas em função do barulho fazia o clima por lá ficar ainda mais tenso.
Ninguém falava nada, nem sequer uma palavra que fosse considerada uma reclamação. Também não era necessário, era só reparar as olheiras de Challenger, ou os olhos cansados de Arthur, até mesmo o mau humor mais aflorado do que nunca em Marguerite.
Roxton estava sozinho de madrugada, na sala. Estava sem sono e decidiu folhear um livro, pra quem sabe, o sono viesse.De pernas apoiadas em uma cadeira, cruzadas, uma mão segurando a cabeça e a outra no livro, ele olhava Verônica de rabo de olho.
"Já é tarde da noite e não consigo dormir. Tento ler, mas não consigo me concentrar. Verônica levantou e nem me viu aqui. Foi para a cozinha e preparou alimento para a criança. Um lado da minha mente me diz que devo ser cavalheiro e ajuda-la. Mas alguma coisa me impede e eu fico aqui, observando seu esforço sem saber como devo agir".
E durante esses dois dias Roxton desaparecia por horas sem que ninguém soubesse aonde ia.
"Verônica está e ao mesmo tempo, não está sozinha nessa. Não posso ficar de braços cruzados diante desta situação tão delicada. Ela e o bebê precisam de apoio. Eles precisam de ajuda... Por outro lado... Droga, ela só queria ajudar, foi humana sua atitude. Ela arriscou a própria vida tantas vezes por nós e quase nunca demos os agradecimentos que ela merece. Será que ela não pode salvar outras vidas, além das nossas? Ela salvou a vida do bebê e não esperou nada em troca de nós, amigos, porém, teve uma péssima recepção por parte de todos. Todos, sem exceção. Mesmo eu a julguei, mas somente no primeiro. Horas depois deste acontecido, eu repenso sobre minha atitude e vejo, que nada é o que parece ser quando você enxerga com os olhos do corpo e não os do coração. Não foi a atitude certa, porém eu não estou contra a ela. E nunca vou estar... E lá vem ela, pela décima ou vigésima vez, saindo do quarto e voltando a cozinha. Seu olhar está tão perdido e ela tão concentrada que nem me notou mais uma vez.Ouço o choro do bebê.Realmente, sua dedicação é cativante, é de emocionar..."
Até mesmo Marguerite ele tentou evitar que o acompanhasse.
Ao entardecer do terceiro dia Roxton apareceu com um berço que estivera fazendo escondido na mata, sem que Verônica ou os outros o vissem, entrou no quarto substituindo o pequenino cesto pelo artesanal berço onde arrumou com cuidado alguns forros que serviriam como colchão.Foi uma forma discreta e carinhosa de mostrar seu apoio à amiga e ao pequeno Thomy. Havia um bilhete sem assinatura que estava no berço e que ao ler, Verônica se emocionou. A garota da selva era forte, mas estar sozinha com o bebê era algo diferente em sua vida.E saber que alguém a apoiava era maravilhoso, mesmo que fosse só uma pessoa. E ao passar por Roxton ela deu um sorriso triste em agradecimento ao que o caçador respondeu com um leve aceno da cabeça.
Só depois de alguns dias, ao entrar no quarto de Verônica, Marguerite descobriu e logo tocou no assunto no jantar.
"Hum... Parece que a cruz vermelha veio até o platô..." Ela comentou irritada tomando mais um gole de vinho.
Os outros olharam para ela não entendendo a situação. John, por incrível que parecesse, percebeu o tom de cinismo na voz de Marguerite e desconfiou que ela tivesse descoberto o berço.
"Como?" Indagou Verônica.
"Ora, Verônica, você não sabe?" Ela a encarou com um sorrisinho e Verônica a observou meio de lado.
"Fale logo, Marguerite..." Malone se adiantou.
Ela olhou para ele e sorriu. "Parece que, um bem-feitor... Que parece ter nome e sobrenome, deu um berço para o macaquinho... É, está no quarto de Verônica, mas seja quem for, eu vou descobrir...".
Challenger parou de comer e trocou olhares entre Verônica e Marguerite.
Verônica se levantou e ia tirar satisfações com Marguerite, mas Malone a segurou pelo braço que ela puxou se soltando.
"Perdi o apetite..." Disse indo para o quarto.
Antes de fechar a porta, Marguerite provocou. "Esqueceu a banana para a aberraçãozinha...". Balançou a cabeça e sorriu maliciosamente. A porta bateu com violência.
"Marguerite, não podia esperar até que Verônica acabasse o jantar?" Challenger a encarou e continuou a comer em seguida.
"Terminar?" John se irritou "Como assim? Podia ter provocado Verônica se fosse depois do jantar? Que é isso, Challenger!".
Malone encarou Marguerite com raiva e também deixou a mesa.
"Como pôde fazer isso, Marguerite?" John se levantou e ela olhou para os olhos dele.
"Eu não fiz nada, Roxton, e cuide da sua vida...".
"Quem devia cuidar da sua vida é você!... Você é a pessoa mais repugnante que eu já conheci, Marguerite..." Ele se afastou, mas depois se virou para ela novamente. "Parabéns, você fez com que todos perdessem o apetite..." E foi para seu quarto.
"Acho que descobrimos o bem-feitor...". Ela arqueou a sobrancelha esquerda e bebeu mais um pouco de vinho.
Ao notar que Summerlee a observava, ela parou de comer. "O que é, também vai me criticar? Vai brigar comigo?". Ela cruzou os braços.
Summerlee somente balançou a cabeça. "Estou muito triste com você, Marguerite... Não devia ter comentado aquilo, principalmente na presença de Verônica...". Ele delicadamente afastou o prato de perto e se levantou, também se dirigindo aos seus aposentos.
Quando ia subindo as escadas, virou-se novamente. "Lembre-se que a pior coisa para um ser humano é a rejeição, minha cara... Mais do que ninguém, você deveria saber disso".
Marguerite virou-se lentamente para a mesa e encontrou Challenger acabando de jantar, sem dizer uma palavra.
"Boa noite, Marguerite..." Ele se levantou, mas Marguerite não escutou o que ele disse, as palavras do botânico ainda soavam em seus ouvidos, fazendo-a lembrar-se de coisas não muito bonitas de sua infância.
Verônica estava sentada ao lado do berço. As mãos sob o queixo e os olhos quase se fechando, sinais visíveis de cansaço. Sem contar as dores pelo corpo. Mas ela estava feliz. Apesar de tudo e de todos, estava feliz. Soube que alguém estava a seu lado: um berço não é coisa fácil de se fazer. Ela olhava com carinho para o bebê, que dormia tranqüilo. "Thomy estando tranqüilo eu também estou..." Sorriu.
Duas batidas leves na porta a fizeram voltar a realidade.
"Quem é?".
"Sou eu, Ned... Posso entrar?".
Ela se levantou e abriu a porta. "Claro..."
Ele entrou e devagar, foi em direção ao berço. "Como ele está?"
"Está melhor, as cólicas passaram..."
Malone observou o menino, mas logo se afastou. "Verônica, se quiser ajuda para cuidar dele, eu posso...".
"Não Ned, tudo bem... Eu estou bem assim...".
Ele suspirou e olhou mais uma vez o bebê. "Tem certeza?".
Ela balançou a cabeça. "Sim, não tem problema... Obrigada..."
"Bem... Então, se precisar de mim..."
"Chamarei, prometo..."
Ele sorriu discretamente e saiu do quarto. Verônica o acompanhou até a porta e voltou a sentar-se ao lado do berço.
Ela fechou os olhos e respirou pesadamente. Pegou o menino nos braços recostando-se da cama e observando-o dormir.
"... Acho que os outros não vão aceitar você, Thomy..." Pensou "Eles estão muito ocupados com seus problemas... Não tem tempo para você, meu amor... Mas fique tranqüilo... Estarei sempre aqui, cuidando e protegendo você... de todo, que quiserem lhe fazer algum mal... Eles irão ver que nós somos mais fortes do que eles todos juntos, meu pequeno... Eles vão ver...".
Repetia para si mesma enquanto acariciava a cabeça do bebê para finalmente ela própria deitar a seu lado e dormir profundamente.
John caminhava pela floresta. Estava muito pensativo e os últimos acontecimentos na casa da árvore estavam deixando o caçador atordoado. Não por mal, pois ele queria ajudar.
"Eles nunca estiveram tão desunidos assim antes... O que está acontecendo?... Não é difícil aceitar um bebê... pra mim é um bebê como qualquer outro, mas... Não sei como lidar com isso...".
Lentamente, ele se aproximou de um rio, abaixou-se e se refrescou um pouco. Bebeu da água gelada. Tirou o chapéu e se abanou. "Como está quente hoje..." Ele olhava para todos os lados verificando sua segurança. Estava tudo calmo. "Acho que todos os animais estão se refrescando, tirando o dia de folga..."
O dia estava insuportavelmente quente, muito abafado.
Na casa da árvore, Challenger estava no laboratório. Malone e Summerlee estavam conversando em voz baixa na sacada, enquanto Marguerite verificava algumas pedras que achara perto de uma cachoeira à pedido de Challenger, estava as estudando melhor.
Ela balançou um pouco a camisa. "Já chega, vou tomar outro banho..." Levantou-se e foi para o banheiro. A porta estava fechada. "Ah, essa é boa...". Ela levantou as mãos e encostou ao lado, esperando impaciente.
Ela ouviu risos. Risos vindos do banheiro. Risos de Verônica. Ela pensou estar delirando por causa do calor intenso, mas ouviu novamente, deixando- se relaxar embalada pelos sons que vinham lá de dentro.
Encostou o ouvido cuidadosamente na porta do banheiro.
Do outro lado da porta, estava Verônica, dando banho em Thomy.
Ele estava sentado em uma grande bacia de madeira que servia para lavar roupas. Agora, era a banheira de Thomy.
Ele balançava as perninhas e respingava água para todo lado.Verônica se divertia e cada olhada mais prolongada que ela dava para o bebê, ele sorria para ela e balançava as pernas novamente, molhando tudo.
O banho tinha acabado e Thomy reclamou por ter saído da água. Verônica sorriu, enrolou-o em uma toalha e saiu do banheiro.
Ainda pôde ver um vulto se afastando que reconheceu como sendo Marguerite.
CONTINUA...
Esperamos que gostem do que estão lendo tanto quanto estamos gostando de escrever.
Nota:Cada capítulo, deste em diante, falará da visão de um personagem em um todo da situação.Neste, em especial, será de John Roxton.Os capítulos não serão todos de um personagem, e sim a maior parte deste em relação à fic.
Se Tudo Fosse Diferente - Capítulo Dois
"São os filhos e filhas da saudade da vida por sí mesma."
Khalil Gibran Khalil – 'O Profeta'
Amanhece mais um dia no platô. O clima de harmonia e de renovação que seria típico da situação em que se encontram os exploradores, não aparece com clareza.
Verônica, apesar das opiniões diversas sobre sua atitude, instalou Thomy, o mais novo integrante da casa da árvore em seus aposentos, tirando algumas coisas suas que não lhe serviam há muito tempo, dando lugar a um cesto improvisado, o mesmo que usara antes para o bebê.
Utilizando a imaginação, acrescentou algumas coisas ao "cantinho do Thomy" como ela mesma chamava, coisas de quando era criança, e que guardava com muito carinho. Alguns brinquedos que ainda estavam bem conservados e alguns ainda de quando era um bebê além do leão Edward que ela adorava e que aos 10 anos foi seu companheiro quando seus pais desapareceram. O que queria era deixar só o essencial de suas próprias coisas.
Durante dois dias Roxton observou secretamente a amiga arrumar tudo com cuidado. Até Malone evitava entrar lá. Era como se aquele lugar tivesse se transformado no refugio de mãe e filho.
Quando pensava não estar sendo observada, John prestava atenção em como a rotina, principalmente a matinal, mudara depois da vinda do bebê. Verônica tinha agora hábitos noturnos.Entrava e saia do quarto, hora com uma garrafa pequena de leite quente para o bebê, hora com panos e água quente. Por mais que ficasse a noite toda acordada, e ficava, ela não se cansava, sua dedicação para com o bebê era admirável, coisa que Summerlee notou muito bem. Mas outra coisa notável foi o choro que muita das vezes faziam da noite, dia na casa da árvore.Estavam agitados e as noites mal dormidas em função do barulho fazia o clima por lá ficar ainda mais tenso.
Ninguém falava nada, nem sequer uma palavra que fosse considerada uma reclamação. Também não era necessário, era só reparar as olheiras de Challenger, ou os olhos cansados de Arthur, até mesmo o mau humor mais aflorado do que nunca em Marguerite.
Roxton estava sozinho de madrugada, na sala. Estava sem sono e decidiu folhear um livro, pra quem sabe, o sono viesse.De pernas apoiadas em uma cadeira, cruzadas, uma mão segurando a cabeça e a outra no livro, ele olhava Verônica de rabo de olho.
"Já é tarde da noite e não consigo dormir. Tento ler, mas não consigo me concentrar. Verônica levantou e nem me viu aqui. Foi para a cozinha e preparou alimento para a criança. Um lado da minha mente me diz que devo ser cavalheiro e ajuda-la. Mas alguma coisa me impede e eu fico aqui, observando seu esforço sem saber como devo agir".
E durante esses dois dias Roxton desaparecia por horas sem que ninguém soubesse aonde ia.
"Verônica está e ao mesmo tempo, não está sozinha nessa. Não posso ficar de braços cruzados diante desta situação tão delicada. Ela e o bebê precisam de apoio. Eles precisam de ajuda... Por outro lado... Droga, ela só queria ajudar, foi humana sua atitude. Ela arriscou a própria vida tantas vezes por nós e quase nunca demos os agradecimentos que ela merece. Será que ela não pode salvar outras vidas, além das nossas? Ela salvou a vida do bebê e não esperou nada em troca de nós, amigos, porém, teve uma péssima recepção por parte de todos. Todos, sem exceção. Mesmo eu a julguei, mas somente no primeiro. Horas depois deste acontecido, eu repenso sobre minha atitude e vejo, que nada é o que parece ser quando você enxerga com os olhos do corpo e não os do coração. Não foi a atitude certa, porém eu não estou contra a ela. E nunca vou estar... E lá vem ela, pela décima ou vigésima vez, saindo do quarto e voltando a cozinha. Seu olhar está tão perdido e ela tão concentrada que nem me notou mais uma vez.Ouço o choro do bebê.Realmente, sua dedicação é cativante, é de emocionar..."
Até mesmo Marguerite ele tentou evitar que o acompanhasse.
Ao entardecer do terceiro dia Roxton apareceu com um berço que estivera fazendo escondido na mata, sem que Verônica ou os outros o vissem, entrou no quarto substituindo o pequenino cesto pelo artesanal berço onde arrumou com cuidado alguns forros que serviriam como colchão.Foi uma forma discreta e carinhosa de mostrar seu apoio à amiga e ao pequeno Thomy. Havia um bilhete sem assinatura que estava no berço e que ao ler, Verônica se emocionou. A garota da selva era forte, mas estar sozinha com o bebê era algo diferente em sua vida.E saber que alguém a apoiava era maravilhoso, mesmo que fosse só uma pessoa. E ao passar por Roxton ela deu um sorriso triste em agradecimento ao que o caçador respondeu com um leve aceno da cabeça.
Só depois de alguns dias, ao entrar no quarto de Verônica, Marguerite descobriu e logo tocou no assunto no jantar.
"Hum... Parece que a cruz vermelha veio até o platô..." Ela comentou irritada tomando mais um gole de vinho.
Os outros olharam para ela não entendendo a situação. John, por incrível que parecesse, percebeu o tom de cinismo na voz de Marguerite e desconfiou que ela tivesse descoberto o berço.
"Como?" Indagou Verônica.
"Ora, Verônica, você não sabe?" Ela a encarou com um sorrisinho e Verônica a observou meio de lado.
"Fale logo, Marguerite..." Malone se adiantou.
Ela olhou para ele e sorriu. "Parece que, um bem-feitor... Que parece ter nome e sobrenome, deu um berço para o macaquinho... É, está no quarto de Verônica, mas seja quem for, eu vou descobrir...".
Challenger parou de comer e trocou olhares entre Verônica e Marguerite.
Verônica se levantou e ia tirar satisfações com Marguerite, mas Malone a segurou pelo braço que ela puxou se soltando.
"Perdi o apetite..." Disse indo para o quarto.
Antes de fechar a porta, Marguerite provocou. "Esqueceu a banana para a aberraçãozinha...". Balançou a cabeça e sorriu maliciosamente. A porta bateu com violência.
"Marguerite, não podia esperar até que Verônica acabasse o jantar?" Challenger a encarou e continuou a comer em seguida.
"Terminar?" John se irritou "Como assim? Podia ter provocado Verônica se fosse depois do jantar? Que é isso, Challenger!".
Malone encarou Marguerite com raiva e também deixou a mesa.
"Como pôde fazer isso, Marguerite?" John se levantou e ela olhou para os olhos dele.
"Eu não fiz nada, Roxton, e cuide da sua vida...".
"Quem devia cuidar da sua vida é você!... Você é a pessoa mais repugnante que eu já conheci, Marguerite..." Ele se afastou, mas depois se virou para ela novamente. "Parabéns, você fez com que todos perdessem o apetite..." E foi para seu quarto.
"Acho que descobrimos o bem-feitor...". Ela arqueou a sobrancelha esquerda e bebeu mais um pouco de vinho.
Ao notar que Summerlee a observava, ela parou de comer. "O que é, também vai me criticar? Vai brigar comigo?". Ela cruzou os braços.
Summerlee somente balançou a cabeça. "Estou muito triste com você, Marguerite... Não devia ter comentado aquilo, principalmente na presença de Verônica...". Ele delicadamente afastou o prato de perto e se levantou, também se dirigindo aos seus aposentos.
Quando ia subindo as escadas, virou-se novamente. "Lembre-se que a pior coisa para um ser humano é a rejeição, minha cara... Mais do que ninguém, você deveria saber disso".
Marguerite virou-se lentamente para a mesa e encontrou Challenger acabando de jantar, sem dizer uma palavra.
"Boa noite, Marguerite..." Ele se levantou, mas Marguerite não escutou o que ele disse, as palavras do botânico ainda soavam em seus ouvidos, fazendo-a lembrar-se de coisas não muito bonitas de sua infância.
Verônica estava sentada ao lado do berço. As mãos sob o queixo e os olhos quase se fechando, sinais visíveis de cansaço. Sem contar as dores pelo corpo. Mas ela estava feliz. Apesar de tudo e de todos, estava feliz. Soube que alguém estava a seu lado: um berço não é coisa fácil de se fazer. Ela olhava com carinho para o bebê, que dormia tranqüilo. "Thomy estando tranqüilo eu também estou..." Sorriu.
Duas batidas leves na porta a fizeram voltar a realidade.
"Quem é?".
"Sou eu, Ned... Posso entrar?".
Ela se levantou e abriu a porta. "Claro..."
Ele entrou e devagar, foi em direção ao berço. "Como ele está?"
"Está melhor, as cólicas passaram..."
Malone observou o menino, mas logo se afastou. "Verônica, se quiser ajuda para cuidar dele, eu posso...".
"Não Ned, tudo bem... Eu estou bem assim...".
Ele suspirou e olhou mais uma vez o bebê. "Tem certeza?".
Ela balançou a cabeça. "Sim, não tem problema... Obrigada..."
"Bem... Então, se precisar de mim..."
"Chamarei, prometo..."
Ele sorriu discretamente e saiu do quarto. Verônica o acompanhou até a porta e voltou a sentar-se ao lado do berço.
Ela fechou os olhos e respirou pesadamente. Pegou o menino nos braços recostando-se da cama e observando-o dormir.
"... Acho que os outros não vão aceitar você, Thomy..." Pensou "Eles estão muito ocupados com seus problemas... Não tem tempo para você, meu amor... Mas fique tranqüilo... Estarei sempre aqui, cuidando e protegendo você... de todo, que quiserem lhe fazer algum mal... Eles irão ver que nós somos mais fortes do que eles todos juntos, meu pequeno... Eles vão ver...".
Repetia para si mesma enquanto acariciava a cabeça do bebê para finalmente ela própria deitar a seu lado e dormir profundamente.
John caminhava pela floresta. Estava muito pensativo e os últimos acontecimentos na casa da árvore estavam deixando o caçador atordoado. Não por mal, pois ele queria ajudar.
"Eles nunca estiveram tão desunidos assim antes... O que está acontecendo?... Não é difícil aceitar um bebê... pra mim é um bebê como qualquer outro, mas... Não sei como lidar com isso...".
Lentamente, ele se aproximou de um rio, abaixou-se e se refrescou um pouco. Bebeu da água gelada. Tirou o chapéu e se abanou. "Como está quente hoje..." Ele olhava para todos os lados verificando sua segurança. Estava tudo calmo. "Acho que todos os animais estão se refrescando, tirando o dia de folga..."
O dia estava insuportavelmente quente, muito abafado.
Na casa da árvore, Challenger estava no laboratório. Malone e Summerlee estavam conversando em voz baixa na sacada, enquanto Marguerite verificava algumas pedras que achara perto de uma cachoeira à pedido de Challenger, estava as estudando melhor.
Ela balançou um pouco a camisa. "Já chega, vou tomar outro banho..." Levantou-se e foi para o banheiro. A porta estava fechada. "Ah, essa é boa...". Ela levantou as mãos e encostou ao lado, esperando impaciente.
Ela ouviu risos. Risos vindos do banheiro. Risos de Verônica. Ela pensou estar delirando por causa do calor intenso, mas ouviu novamente, deixando- se relaxar embalada pelos sons que vinham lá de dentro.
Encostou o ouvido cuidadosamente na porta do banheiro.
Do outro lado da porta, estava Verônica, dando banho em Thomy.
Ele estava sentado em uma grande bacia de madeira que servia para lavar roupas. Agora, era a banheira de Thomy.
Ele balançava as perninhas e respingava água para todo lado.Verônica se divertia e cada olhada mais prolongada que ela dava para o bebê, ele sorria para ela e balançava as pernas novamente, molhando tudo.
O banho tinha acabado e Thomy reclamou por ter saído da água. Verônica sorriu, enrolou-o em uma toalha e saiu do banheiro.
Ainda pôde ver um vulto se afastando que reconheceu como sendo Marguerite.
CONTINUA...
