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Continuamos a agradecer a todos que lêem esta Fic, estamos muito felizes de poder escreve-la para vocês.Muito mesmo, e mais ainda por estarmos recebendo Reviews tão gentis, carinhosas e positivas.Muito obrigado!
Beijos especiais para Nay, Rosa, Gio, Norma, Nessa Reinehr, Taiza, Lady M, Camila Geisa.Meninas, vocês são demais!!!
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Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Cinco
"Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos".
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"
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Desde a noite anterior não parava de chover no platô e todos estavam sonolentos.
Challenger e Malone estavam no laboratório enquanto Marguerite permanecia lendo na sala com Roxton limpando as armas.
Verônica estendera um acolchoado na varanda onde ela e Thomy se acomodaram. Ele ainda brincou um pouquinho, mas quando sentiu a mão da moça delicadamente acariciar sua cabeça foi ficando sonolento e logo ambos adormeceram.
O silêncio que dominava a casa da árvore naquela tarde era convidativo à uma soneca. Summerllee parecia ser o mais ativo dos moradores. Observou Malone ajudando Challenger em suas anotações. Roxton espreitando Marguerite quando pensava que ela não estava olhando. Arthur ainda plantou algumas mudas e organizou suas anotações. Depois andou até a varanda. Sorriu ao ver Verônica dormindo com Thomy cobertos por uma colcha de retalhos bem velha, afinal os dois não tinham muito que fazer naquele dia chuvoso.
Uma coisa começava a chamar a atenção de Summerllee. A superproteção de Verônica. É certo que Thomy necessitava de cuidado e atenção em tempo integral, mas mesmo em áreas que não ofereciam perigo e onde ele estaria ao alcance no caso de qualquer emergência ela permanecia com ele o mais próximo possível. Veronica gostava de acordar cedo e nadar no rio ao nascer do sol. Depois costumava andar ou correr pela floresta e colher frutas para o café da manhã. A tardinha ou após o jantar dedicava-se a leitura ou a pintura. Mas desde que assumira a responsabilidade pela criança esses pequenos prazeres haviam sido esquecidos. Aproveitava as horas de sono da criança durante o dia para lavar roupas e completar outros afazeres que eram sua obrigação na casa da árvore. E quando Thomy dormia a noite ela organizava suas coisas antes de dormir. E Malone queria que ela pudesse voltar a fazer algumas das coisas que tanto gostava. Para isso oferecia-se para tomar conta de Thomy mas ela sempre recusava delicadamente. Não que ela temesse dar trabalho a Ned mas porque simplesmente não conseguia deixar de pensar do que sentiria se algo de mal acontecesse ao menino sem que ela estivesse por perto para protege-lo. Summerllee temia que se alguma vez ele precisasse ficar sem ela por algum tempo sentiria muito sua falta.
Sentou apreciando aquele raro momento de paz na selva e na casa da árvore. De repente viu a colcha de retalhos se mexendo e vindo em sua direção. Ele sorriu, mas resolveu ficar ali esperando para ver o que aconteceria em seguida.
Engatinhando totalmente coberto pela manta lá vinha Thomy. De repente o menino parou tentando tirá-la de cima, mas só conseguiu se enrolar cada vez mais. Summerllee resolveu ajudar antes que ele começasse a fazer barulho e acordasse Verônica.
"Ora pequeno Thomy! Você não descansa?" Brincou desembaraçando o menino que estava no chão. Assim que olharam um para o outro, eles sorriram. Summerllee colocou a criança no colo sentando-se no banco. E quando ele começou a fazer algum barulho, Arthur colocou o dedo na boca sinalizando baixinho.
"Psiu..." - o menino o observou quieto e Summerllee controlou-se para não rir alto quando percebeu que ele tentava imitar o gesto. Depois com curiosidade lentamente estendeu a mão tocando-lhe a barba branca. Primeiro recuou, sentindo o pelo áspero, mas depois se acostumou e passou experimentar aquela estranha e nova sensação. Ao mesmo tempo em que o menino acariciava sua barba Summerllee fazia o mesmo nos bracinhos do garoto. E então sentiu aquela dor que só a saudade das pessoas amadas pode provocar.
E lembrou de sua amada e falecida esposa e de seus filhos e netos que ha muito não via e que tinha dúvidas de que o fizesse mais uma vez.
Lembrou dos domingos em que todos se reuniam para o almoço, onde ele a cabeceira sentia-se orgulhoso e abençoado por uma família tão unida. Onde após o almoço se sentava em sua cadeira favorita tomando um licor e tentava ler, mas era interrompido pelos netos que corriam a sua volta. E quando seus filhos tentavam tirar os garotos, pedindo desculpas pela algazarra, Summerllee apenas sorria e meneava a cabeça em sinal de autorização para que eles permanecessem.
"Tem certeza papai?" - dizia uma de suas filhas.
"Tenho sim querida..." respondia ele feliz. E a algazarra continuava
E quando sua amada Hannah faleceu, todos duvidaram que ele fosse resistir a solidão que dele se apossara.
E somente quando se formou a expedição de Challenger que Summerllee demonstrou retomar seu interesse por alguma coisa. E sua família o apoiou da melhor forma possível porque sabia que aquilo salvaria sua vida.
Conhecia e respeitava o trabalho de George Challenger embora não concordasse com sua abordagem puramente científica das coisas. Para Challenger, apenas a ciência pura e simples importava e qualquer coisa que o desviasse disso o incomodava. Arthur via a ciência como um complemento para explicar quem somos, de onde viemos e talvez, para onde vamos neste mundo. George era um gênio, mas ainda tinha muito a aprender sobre pessoas. E Summerllee sabia que algumas lições vêm de forma mais difícil do que outras.
E ao juntar-se a expedição Summerllee conheceu os outros companheiros de aventura.
A primeira coisa que pensou quando viu Lord John Roxton pela primeira vez foi na prepotência que ele transmitia. Mas breve perceberia que por trás daquele caçador autoconfiante que nunca perde uma presa estava um homem leal e bondoso. Ele como todos os outros confiariam suas vidas a ele.
Viu em Edward D. Malone um menino assustado tentando tornar-se homem. E o que mais lhe chamou a atenção foi sua impulsividade. Malone nunca pensava quando os amigos estavam em perigo e isso às vezes o levava a situações embaraçosas quando não perigosas. E mais tarde foi descobrindo seu caráter gentil e sua alma sonhadora.
Marguerite Krux. Ah! O mistério Marguerite Krux. Uma mulher que tentava a todo custo se proteger atrás de um escudo de indiferença, frieza e sarcasmo. Mas Summerllee percebera que, desde que chegara ao mundo perdido, aos poucos este escudo estava sendo desmontado revelando, mesmo que lentamente, uma mulher temperamental e maravilhosa. Alguém que quando ele esteve doente segurou sua mão e permaneceu todo o tempo a seu lado sem reclamar dando-lhe o conforto que tanto precisava.
E ao chegar ao mundo perdido encontrara aquela jovem que a princípio fingira que não os entendia para depois rir deles e demonstrar sua bondade, força e independência após 11 anos praticamente sozinha. Uma criatura única.
Finalmente ele olhou para o garoto, agora sonolento, mas ainda brincando com sua barba.
"E você meu amiguinho. Tão pequeno e já capaz de despertar lembranças tão maravilhosas e distantes neste velho." - pegou a mãozinha do garoto que sorriu mais uma vez desperto e cumprimentou - "Olá Thomy. Meu nome é Arthur Summerllee. Muito prazer em conhecê-lo."
Arthur observou a atenção do garoto se desviar para Verônica que começava a acordar. Summerllee colocou-o cuidadosamente sentado no chão. O menino hesitou olhando do professor para a mulher.
"Vá lá pequenino. Seja um cavalheiro e faça companhia a ela". Como um raio ele engatinhou até Verônica. Ainda acordando a jovem sentou-se lhe estendendo os braços esperando. O menino ainda tentou brincar, indo de um lado para o outro e dando gritinhos de alegria.
"Venha aqui Thomy! Vem cá meu amor!" – chamou ela. E quando os dois se abraçaram felizes nem viram que estavam sendo observados discretamente por olhos agora cheios de lágrimas.
Finalmente ela notou Summerllee. "Boa tard... quero dizer... Boa noite professor..." Sorriu com a criança no colo.
"Boa noite minha querida... descansou?".
"Acho que sim...".
Summerllee retirou-se para o lado oposto da varanda ainda comovido com suas lembranças. Sentiu a mão de Roxton em seu ombro.
"Professor. Gostaria de um chá?" - disse o caçador já com a xícara na mão.
"Obrigado John" - dando um sorriso aceitou e Roxton voltou para a sala enquanto Summerllee observava.
Marguerite olhou rapidamente por cima do livro e suspirou pesadamente, virando mais uma página. John não deixou de notar.
"Quer chá também Marguerite?".
Ela fez que sim com a cabeça e devagar ele empurrou a xícara com o pires sobre a mesa.
John olhou divertidamente para ela. "Parece que está lendo algo muito interessante, pois não tira os olhos do livro há duas horas...".
John pegou o bule e a serviu. Colocou o açucareiro perto junto com uma pequena colher. Marguerite colocou o açúcar e mexeu com uma certa impaciência.
Roxton estava curioso para saber o que ela estava lendo.
Ele não se conteve, tinha que saber, afinal, ela o interessava e seus atos talvez a explicaria melhor a sua imaginação fértil. "Marguerite, desculpe o atrevimento, mas que livro tão interessante é esse, pois você não largou dele".
Ela o olhou séria e suspirou mais uma vez e respondeu calmamente, "Posso continuar a ler em paz?".
"Só queria saber...".
"... É sobre nutrição, satisfeito? Até mais...".
Arthur não conseguiu evitar um sorriso observando forma como eles se provocavam e flertavam ao mesmo tempo. Divertiam-se com aquele joguinho.
Marguerite se levantou rapidamente, parecendo lembrar-se de algo importante e correu para o quarto, deixando o livro aberto sobre a mesa, aberto.
John observou e balançou a cabeça.Não resistiu e deu uma espiada no livro aberto na mesa.
"Hum... 'Nutrição Infantil'?".
Colocando uma expressão séria no rosto, Roxton foi até o quarto de Marguerite batendo na porta.
....................................................
"Marguerite" - disse ele.
"O que você quer?".
"Posso entrar? É muito sério". Roxton lutava para controlar o riso.
Marguerite ficou curiosa.
"Pode" - John entrou no quarto.
"Vim devolver o seu livro" - disse entregando o livro fechado.
"Obrigada" - Roxton ia saindo do quarto, mas virou-se.
"Marguerite?".
"O que?".
"Tenho que lhe dizer mais uma coisa".
"Diga então!".
"É que...".
"Eu não tenho o dia todo".
"Eu deixei o livro marcado na pagina da sopinha de legumes..." - Roxton começou a gargalhar. Marguerite se surpreendeu e teve vontade de voar no pescoço do caçador.
"Você bisbilhotando as minhas coisas?".
"Bem, Marguerite que eu saiba o livro não é seu, e se for, parabéns pela gravidez, quem é o papai?" – E antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ele a pegou pela cintura trazendo-a para junto de si e beijou-a com intensidade. Ela correspondeu, mas ele tinha certeza de que sua sorte não duraria. Não diante de uma mulher como ela. Antes que finalizassem aquele momento ela mordeu-lhe o lábio inferior. Roxton pulou quando sentiu a dor e o gosto.
"Droga Marguerite, é a segunda vez que você faz isso..." – disse recordando episódio semelhante quando eram recém chegados à casa da árvore.
"Tudo tem seu preço Lord Roxton" – sorriu ela. Ele já ia saindo, mas virou- se dizendo:
"Ah... meus parabéns mais uma vez, futura mamãe...".
"Grosso, cafajeste!" – gritou ela. Depois sorriu colocando a mãos nos lábios lembrando dos lábios dele em contato com os seus. Foi então que Marguerite pensou que, apesar de todos os seus segredos, a cada dia precisava levantar menos defesas em torno de si mesma. E gostava disso. Mas também sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha ao sentir que alguma coisa pairava no ar.
.......................................................
Summerllee viu John voltar sorridente, arrumando a camisa ligeiramente desamarrotada e sorriu ao lembrar-se de sua juventude nada calma em relação às vizinhas. Roxton olhou para ele como se o questionando. Arthur ficou sério.
"Nada Roxton... nadinha mesmo".
John sorriu entendendo o recado. "Mulheres... Bem, o senhor entende, não professor?".
"Tenho meus conceitos formados sobre essas encantadoras criaturas".
Ainda sorrindo Summerllee encontrou Malone que saia apressado do laboratório.
"Que pressa é essa Ned?".
"Esqueci que era meu dia de preparar o jantar. Estou atrasado".
"Hum. E o que você vai preparar?".
"Acho que uma salada e sopa. Depois conversamos...".
Summerllee desceu as escadarias para encontrar Challenger examinando um ovo de Raptor.
"Arthur. Eu ia mesmo procura-lo. Preciso falar com você".
"Algum problema George?".
"Na verdade queria lhe pedir um favor".
"Pode falar".
"Bem, você sabe que eu e Verônica quase não temos nos falado...".
"Sim, todos nós sabemos".
"Eu gostaria que você conversasse com ela".
"Sobre o que?".
"Queria muito de examinar o garoto".
"George eu...".
"Não demoraria muito. Pesar, medir, verificar sua constituição física, alguns exames básicos. Admita que também está curioso".
"Você sabe que estou. Mas é uma situação delicada".
"Por favor, Summerllee".
"Vou pensar a respeito George" - Summerllee levantou-se – "Vou ajudar Malone".
Challenger olhou a sua volta. "Uma oportunidade única" disse para si mesmo.
CONTINUA...
Continuamos a agradecer a todos que lêem esta Fic, estamos muito felizes de poder escreve-la para vocês.Muito mesmo, e mais ainda por estarmos recebendo Reviews tão gentis, carinhosas e positivas.Muito obrigado!
Beijos especiais para Nay, Rosa, Gio, Norma, Nessa Reinehr, Taiza, Lady M, Camila Geisa.Meninas, vocês são demais!!!
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Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Cinco
"Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos".
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"
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Desde a noite anterior não parava de chover no platô e todos estavam sonolentos.
Challenger e Malone estavam no laboratório enquanto Marguerite permanecia lendo na sala com Roxton limpando as armas.
Verônica estendera um acolchoado na varanda onde ela e Thomy se acomodaram. Ele ainda brincou um pouquinho, mas quando sentiu a mão da moça delicadamente acariciar sua cabeça foi ficando sonolento e logo ambos adormeceram.
O silêncio que dominava a casa da árvore naquela tarde era convidativo à uma soneca. Summerllee parecia ser o mais ativo dos moradores. Observou Malone ajudando Challenger em suas anotações. Roxton espreitando Marguerite quando pensava que ela não estava olhando. Arthur ainda plantou algumas mudas e organizou suas anotações. Depois andou até a varanda. Sorriu ao ver Verônica dormindo com Thomy cobertos por uma colcha de retalhos bem velha, afinal os dois não tinham muito que fazer naquele dia chuvoso.
Uma coisa começava a chamar a atenção de Summerllee. A superproteção de Verônica. É certo que Thomy necessitava de cuidado e atenção em tempo integral, mas mesmo em áreas que não ofereciam perigo e onde ele estaria ao alcance no caso de qualquer emergência ela permanecia com ele o mais próximo possível. Veronica gostava de acordar cedo e nadar no rio ao nascer do sol. Depois costumava andar ou correr pela floresta e colher frutas para o café da manhã. A tardinha ou após o jantar dedicava-se a leitura ou a pintura. Mas desde que assumira a responsabilidade pela criança esses pequenos prazeres haviam sido esquecidos. Aproveitava as horas de sono da criança durante o dia para lavar roupas e completar outros afazeres que eram sua obrigação na casa da árvore. E quando Thomy dormia a noite ela organizava suas coisas antes de dormir. E Malone queria que ela pudesse voltar a fazer algumas das coisas que tanto gostava. Para isso oferecia-se para tomar conta de Thomy mas ela sempre recusava delicadamente. Não que ela temesse dar trabalho a Ned mas porque simplesmente não conseguia deixar de pensar do que sentiria se algo de mal acontecesse ao menino sem que ela estivesse por perto para protege-lo. Summerllee temia que se alguma vez ele precisasse ficar sem ela por algum tempo sentiria muito sua falta.
Sentou apreciando aquele raro momento de paz na selva e na casa da árvore. De repente viu a colcha de retalhos se mexendo e vindo em sua direção. Ele sorriu, mas resolveu ficar ali esperando para ver o que aconteceria em seguida.
Engatinhando totalmente coberto pela manta lá vinha Thomy. De repente o menino parou tentando tirá-la de cima, mas só conseguiu se enrolar cada vez mais. Summerllee resolveu ajudar antes que ele começasse a fazer barulho e acordasse Verônica.
"Ora pequeno Thomy! Você não descansa?" Brincou desembaraçando o menino que estava no chão. Assim que olharam um para o outro, eles sorriram. Summerllee colocou a criança no colo sentando-se no banco. E quando ele começou a fazer algum barulho, Arthur colocou o dedo na boca sinalizando baixinho.
"Psiu..." - o menino o observou quieto e Summerllee controlou-se para não rir alto quando percebeu que ele tentava imitar o gesto. Depois com curiosidade lentamente estendeu a mão tocando-lhe a barba branca. Primeiro recuou, sentindo o pelo áspero, mas depois se acostumou e passou experimentar aquela estranha e nova sensação. Ao mesmo tempo em que o menino acariciava sua barba Summerllee fazia o mesmo nos bracinhos do garoto. E então sentiu aquela dor que só a saudade das pessoas amadas pode provocar.
E lembrou de sua amada e falecida esposa e de seus filhos e netos que ha muito não via e que tinha dúvidas de que o fizesse mais uma vez.
Lembrou dos domingos em que todos se reuniam para o almoço, onde ele a cabeceira sentia-se orgulhoso e abençoado por uma família tão unida. Onde após o almoço se sentava em sua cadeira favorita tomando um licor e tentava ler, mas era interrompido pelos netos que corriam a sua volta. E quando seus filhos tentavam tirar os garotos, pedindo desculpas pela algazarra, Summerllee apenas sorria e meneava a cabeça em sinal de autorização para que eles permanecessem.
"Tem certeza papai?" - dizia uma de suas filhas.
"Tenho sim querida..." respondia ele feliz. E a algazarra continuava
E quando sua amada Hannah faleceu, todos duvidaram que ele fosse resistir a solidão que dele se apossara.
E somente quando se formou a expedição de Challenger que Summerllee demonstrou retomar seu interesse por alguma coisa. E sua família o apoiou da melhor forma possível porque sabia que aquilo salvaria sua vida.
Conhecia e respeitava o trabalho de George Challenger embora não concordasse com sua abordagem puramente científica das coisas. Para Challenger, apenas a ciência pura e simples importava e qualquer coisa que o desviasse disso o incomodava. Arthur via a ciência como um complemento para explicar quem somos, de onde viemos e talvez, para onde vamos neste mundo. George era um gênio, mas ainda tinha muito a aprender sobre pessoas. E Summerllee sabia que algumas lições vêm de forma mais difícil do que outras.
E ao juntar-se a expedição Summerllee conheceu os outros companheiros de aventura.
A primeira coisa que pensou quando viu Lord John Roxton pela primeira vez foi na prepotência que ele transmitia. Mas breve perceberia que por trás daquele caçador autoconfiante que nunca perde uma presa estava um homem leal e bondoso. Ele como todos os outros confiariam suas vidas a ele.
Viu em Edward D. Malone um menino assustado tentando tornar-se homem. E o que mais lhe chamou a atenção foi sua impulsividade. Malone nunca pensava quando os amigos estavam em perigo e isso às vezes o levava a situações embaraçosas quando não perigosas. E mais tarde foi descobrindo seu caráter gentil e sua alma sonhadora.
Marguerite Krux. Ah! O mistério Marguerite Krux. Uma mulher que tentava a todo custo se proteger atrás de um escudo de indiferença, frieza e sarcasmo. Mas Summerllee percebera que, desde que chegara ao mundo perdido, aos poucos este escudo estava sendo desmontado revelando, mesmo que lentamente, uma mulher temperamental e maravilhosa. Alguém que quando ele esteve doente segurou sua mão e permaneceu todo o tempo a seu lado sem reclamar dando-lhe o conforto que tanto precisava.
E ao chegar ao mundo perdido encontrara aquela jovem que a princípio fingira que não os entendia para depois rir deles e demonstrar sua bondade, força e independência após 11 anos praticamente sozinha. Uma criatura única.
Finalmente ele olhou para o garoto, agora sonolento, mas ainda brincando com sua barba.
"E você meu amiguinho. Tão pequeno e já capaz de despertar lembranças tão maravilhosas e distantes neste velho." - pegou a mãozinha do garoto que sorriu mais uma vez desperto e cumprimentou - "Olá Thomy. Meu nome é Arthur Summerllee. Muito prazer em conhecê-lo."
Arthur observou a atenção do garoto se desviar para Verônica que começava a acordar. Summerllee colocou-o cuidadosamente sentado no chão. O menino hesitou olhando do professor para a mulher.
"Vá lá pequenino. Seja um cavalheiro e faça companhia a ela". Como um raio ele engatinhou até Verônica. Ainda acordando a jovem sentou-se lhe estendendo os braços esperando. O menino ainda tentou brincar, indo de um lado para o outro e dando gritinhos de alegria.
"Venha aqui Thomy! Vem cá meu amor!" – chamou ela. E quando os dois se abraçaram felizes nem viram que estavam sendo observados discretamente por olhos agora cheios de lágrimas.
Finalmente ela notou Summerllee. "Boa tard... quero dizer... Boa noite professor..." Sorriu com a criança no colo.
"Boa noite minha querida... descansou?".
"Acho que sim...".
Summerllee retirou-se para o lado oposto da varanda ainda comovido com suas lembranças. Sentiu a mão de Roxton em seu ombro.
"Professor. Gostaria de um chá?" - disse o caçador já com a xícara na mão.
"Obrigado John" - dando um sorriso aceitou e Roxton voltou para a sala enquanto Summerllee observava.
Marguerite olhou rapidamente por cima do livro e suspirou pesadamente, virando mais uma página. John não deixou de notar.
"Quer chá também Marguerite?".
Ela fez que sim com a cabeça e devagar ele empurrou a xícara com o pires sobre a mesa.
John olhou divertidamente para ela. "Parece que está lendo algo muito interessante, pois não tira os olhos do livro há duas horas...".
John pegou o bule e a serviu. Colocou o açucareiro perto junto com uma pequena colher. Marguerite colocou o açúcar e mexeu com uma certa impaciência.
Roxton estava curioso para saber o que ela estava lendo.
Ele não se conteve, tinha que saber, afinal, ela o interessava e seus atos talvez a explicaria melhor a sua imaginação fértil. "Marguerite, desculpe o atrevimento, mas que livro tão interessante é esse, pois você não largou dele".
Ela o olhou séria e suspirou mais uma vez e respondeu calmamente, "Posso continuar a ler em paz?".
"Só queria saber...".
"... É sobre nutrição, satisfeito? Até mais...".
Arthur não conseguiu evitar um sorriso observando forma como eles se provocavam e flertavam ao mesmo tempo. Divertiam-se com aquele joguinho.
Marguerite se levantou rapidamente, parecendo lembrar-se de algo importante e correu para o quarto, deixando o livro aberto sobre a mesa, aberto.
John observou e balançou a cabeça.Não resistiu e deu uma espiada no livro aberto na mesa.
"Hum... 'Nutrição Infantil'?".
Colocando uma expressão séria no rosto, Roxton foi até o quarto de Marguerite batendo na porta.
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"Marguerite" - disse ele.
"O que você quer?".
"Posso entrar? É muito sério". Roxton lutava para controlar o riso.
Marguerite ficou curiosa.
"Pode" - John entrou no quarto.
"Vim devolver o seu livro" - disse entregando o livro fechado.
"Obrigada" - Roxton ia saindo do quarto, mas virou-se.
"Marguerite?".
"O que?".
"Tenho que lhe dizer mais uma coisa".
"Diga então!".
"É que...".
"Eu não tenho o dia todo".
"Eu deixei o livro marcado na pagina da sopinha de legumes..." - Roxton começou a gargalhar. Marguerite se surpreendeu e teve vontade de voar no pescoço do caçador.
"Você bisbilhotando as minhas coisas?".
"Bem, Marguerite que eu saiba o livro não é seu, e se for, parabéns pela gravidez, quem é o papai?" – E antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ele a pegou pela cintura trazendo-a para junto de si e beijou-a com intensidade. Ela correspondeu, mas ele tinha certeza de que sua sorte não duraria. Não diante de uma mulher como ela. Antes que finalizassem aquele momento ela mordeu-lhe o lábio inferior. Roxton pulou quando sentiu a dor e o gosto.
"Droga Marguerite, é a segunda vez que você faz isso..." – disse recordando episódio semelhante quando eram recém chegados à casa da árvore.
"Tudo tem seu preço Lord Roxton" – sorriu ela. Ele já ia saindo, mas virou- se dizendo:
"Ah... meus parabéns mais uma vez, futura mamãe...".
"Grosso, cafajeste!" – gritou ela. Depois sorriu colocando a mãos nos lábios lembrando dos lábios dele em contato com os seus. Foi então que Marguerite pensou que, apesar de todos os seus segredos, a cada dia precisava levantar menos defesas em torno de si mesma. E gostava disso. Mas também sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha ao sentir que alguma coisa pairava no ar.
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Summerllee viu John voltar sorridente, arrumando a camisa ligeiramente desamarrotada e sorriu ao lembrar-se de sua juventude nada calma em relação às vizinhas. Roxton olhou para ele como se o questionando. Arthur ficou sério.
"Nada Roxton... nadinha mesmo".
John sorriu entendendo o recado. "Mulheres... Bem, o senhor entende, não professor?".
"Tenho meus conceitos formados sobre essas encantadoras criaturas".
Ainda sorrindo Summerllee encontrou Malone que saia apressado do laboratório.
"Que pressa é essa Ned?".
"Esqueci que era meu dia de preparar o jantar. Estou atrasado".
"Hum. E o que você vai preparar?".
"Acho que uma salada e sopa. Depois conversamos...".
Summerllee desceu as escadarias para encontrar Challenger examinando um ovo de Raptor.
"Arthur. Eu ia mesmo procura-lo. Preciso falar com você".
"Algum problema George?".
"Na verdade queria lhe pedir um favor".
"Pode falar".
"Bem, você sabe que eu e Verônica quase não temos nos falado...".
"Sim, todos nós sabemos".
"Eu gostaria que você conversasse com ela".
"Sobre o que?".
"Queria muito de examinar o garoto".
"George eu...".
"Não demoraria muito. Pesar, medir, verificar sua constituição física, alguns exames básicos. Admita que também está curioso".
"Você sabe que estou. Mas é uma situação delicada".
"Por favor, Summerllee".
"Vou pensar a respeito George" - Summerllee levantou-se – "Vou ajudar Malone".
Challenger olhou a sua volta. "Uma oportunidade única" disse para si mesmo.
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